Notas do Autor
Todas as personagens do universo Harry Potter, assim como as demais referências a ele, não pertencem ao autor desse texto, escrito sem nenhum interesse lucrativo, mas à JK Rowling.
Capítulo 8
Hermione.
— Bem, olha quem decidiu voltar para a aula. — Attos gritou a partir da porta da sala de aula. — E eu pensei que destronar você seria difícil, eu tinha tudo preparado na última aula também.
Andando até ele, eu sorri antes de eu retirar meu pergaminho com as minhas anotações.
— Attos Michael Logan, nascido em 27 de março, filho de Mary-Ann e Jacob Logan de Greenville, Carolina do Sul. Você tem duas irmãs mais velhas e um irmão mais novo. Seu time favorito é o Dallas Cowboys, e espere...
Ele me agarrou e me puxou da porta, longe de seus amigos, mas isso não me impediu de continuar lendo.
— Agora, isso não pode estar certo. — Eu disse, tentando imitar um sotaque americano. — Mas diz aqui, que você é um bruxo puro sangue, membro dos 28 registrados e ainda assim eu posso jurar que Logan é um sobrenome trouxa. Você deve ter partido o coração da sua pobre mãe. Ah não, isso não pode estar certo, aqui está você com Lucius Malfoy e Dolores Umbridge, você sabe que eles eram explicitamente Comensais da Morte? Correção, ela não tinha a Marca Negra, mas isso não a impediu de torturar crianças. Mas você Attos, é um nascido trouxa, não é? Você se esforça tanto para esconder que até vai a festas da elite bruxa com o seu pai. Ouvi dizer que ele sonha em ser Ministro da Magia um dia. Seria uma pena se outras pessoas descobrissem que você é apenas uma fraude que está tentando sacudir as jaulas das pessoas para que você possa atacar.
Ele pegou os pergaminhos de mim e recostou na cadeira. Seu rosto estava quase roxo, fervendo de raiva e ele parecia prestes a me matar.
— O que você quer? — Rosnou.
— Que aponte a sua varinha para outra pessoa. Tudo o que o professor Snape quer são doze pessoas, há quinze de nós aqui, ajude-me a derrubá-los, uma vez que fizermos isso, você será um dos doze escolhidos. O que acontece depois, bem, nós vamos atravessar essa ponte quando chegarmos a ela.
— E eu pensei que você fosse ajudar as pessoas a fazer a coisa certa. — Ele disse entredentes.
— Mas eu vou. — Eu sorri zombeteiramente. — Eu estou fazendo a coisa certa, para mim.
— Bem, então me diga, como você conseguiu essas informações?
— Eu conheço um bruxo, e ele é bom com informações.
A aula de Severus — Professor Snape — seria a nossa última aula naquele dia. A de agora era um tédio total, nosso professor parecia tanto com o professor Binns que eu me vi tentada a tocar nele e verificar se ele também era um fantasma.
— Então, quem mais você está planejando trazer para o seu pequeno clube?
Notei que seu sotaque não se destacava tanto quanto agora.
— O que faz você pensar que alguém é convidado?
— Oh? — Perguntou ele. — Então posso deduzir que eu sou especial?
— Não se iluda, você vai descobrir quando chegarmos a aula do Snape.
Ele se mexeu, me olhando de novo.
— O quê?
— O que aconteceu com você? Em um momento era só sorrisos e simpatia, e agora, você é como um buraco negro.
— Isso faz parecer que será difícil para você trabalhar comigo?
— Não, eu só estou querendo saber até onde eu teria que ir para denegrir a minha alma.
Eu não respondi.
Ajoelhada, eu a ajudei a pegar todos os seus livros, enquanto os outros passavam.
— Viviane Veiga, certo? — Eu perguntei a ela, sabendo muito bem que eu estava certa. Ela era a pessoa que amava história de curas mágicas, e era basicamente uma enciclopédia ambulante de casos, ela quase fazia eu me lembrar de mim mesma em Hogwarts.
— O que você quer? — Perguntou ela, enquanto empurrava os óculos de volta até seu nariz, inclinando a cabeça para o lado.
— Não muito, eu só quero que você pare de tentar me fazer de besta na aula. Não só é irritante ser constantemente interrompida por você, mas é ridículo também, você não vai me esnobar apenas com fatos. Você e eu somos as únicas garotas, devemos trabalhar juntas.
— Parece que você está com medo. — Disse ela, seus olhos se estreitando. — Eu estou bem assim. E assistindo a forma que o professor Snape continua perseguindo você por faltar na aula, eu duvido que você aguente até o fim da semana, por isso, eu vou ter de rejeitar a sua falsa oferta de irmandade.
— O que você quiser Pequena Borboleta. — Eu disse quando ela tentou se afastar.
Ela parou e lentamente virou para olhar para mim, seus olhos estavam arregalados.
— Do que você me chamou?
— Pequena Borboleta, esse é o seu codinome, certo?
Ela me arrastou pela mão, me puxando para o banheiro feminino. Ela verificou em todos os box antes de olhar para mim.
— Onde você ouviu esse nome?
— Você e eu sabemos a resposta para isso.
Por um breve momento, a expressão em seus olhos me fez sentir uma pontada de remorso, então eu me lembrei do meu propósito, e eu sabia que, se a situação se invertesse, ela jogaria assim também. Apesar de sua aparência conservadora, ela era uma mulher disposta a fazer qualquer coisa para chegar ao topo.
— Então você está me chantageando agora?
— Não. Vou pedir de novo seu apoio, você decide se livrar de mim rapidamente, porque eu sei que você está trilhando o seu caminho através da escola de Curandeiros, ou você vai perceber que me ter como inimiga será desvantajoso. Eu nunca usaria algo como isso contra você, e eu respeito o fato de que você quer malditamente isso. Fique do meu lado, e eu ficarei do seu, como eu disse, nós somos as últimas mulheres aqui, e você realmente acha que esses idiotas te protegerão se descobrirem? Acredite em mim, você quer estar no meu time.
Eu a peguei em seu ponto fraco e não havia mais nada para eu dizer, voltei para a sala de aula, encantada que o meu plano estava indo do meu jeito, até agora. Viviane Veiga era de algum lugar remoto no Nordeste do Brasil. Sua mãe trabalhava como costureira e seu pai era um motorista de táxi. Ela foi a primeira em sua família a ser bruxa e entrar para a Castelobruxo. O único problema era que ela não poderia arcar com o custo da instituição e a ajuda financeira cobria apenas cerca de metade da sua mensalidade. Assim, com nenhuma alternativa viável, ela conseguiu um emprego em um clube adulto há duas horas de distância, apenas para bancar as despesas.
— Bem?
Attos perguntou quando eu tomei um assento ao lado dele. Severus — Professor Snape — estaria aqui a qualquer segundo, e eu sabia que ela não correria o risco de se atrasar.
— Espere.
Respondi a ele, e como na minha sugestão, Viviane entrou e sentou-se à minha esquerda. Attos riu, inclinando-se para apertar-lhe a mão.
— Attos Logan, o que é que ela tem contra você?
— Viviane Veiga, e não é da sua maldita conta.
— Que comecem os jogos! — Attos sussurrou enquanto Severus — Professor Snape, eu tinha que me lembrar — entrou na sala e me dei conta que odiava o fato de que apenas a visão dele fazia meu coração martelar contra o meu peito.
Eu não tinha visto ou ouvido falar dele desde a semana passada, na sexta-feira. Só havia passado três dias, e ainda assim, parecia que tinha sido uma eternidade. Esperei que apontasse a varinha para a lousa e apagasse o meu nome, mas ele não o fez, em vez disso, ele deixou cair uma pasta sobre a mesa e se voltou para nós. Ele inclinou a cabeça para o lado, e notei a pequena marca vermelha em seu pescoço. O colarinho escondia a maior parte dela, e ninguém mais parecia notar isso, mas eu sim.
— Eu tenho recentemente outro caso interessante.
Assim que ele falou, Viviane me passou suas anotações. Attos inclinou-se para ler também. Como ela sabia?
— Maria Naves. — Attos gritou, antes do professor.
— Vinte e nove anos, acometida por uma maldição desconhecida que a faz sangrar ininterruptamente. Os curandeiros acionaram seu escritório e só esperam com isso receber uma coruja de volta ou uma declaração de morte. — Acrescentei.
— Sra. Naves foi atingida pela maldição há 72 horas e há rumores de que ela mesma se amaldiçoou. Ontem à noite o senhor assumiu oficialmente o caso. — Viviane finalizou.
A sobrancelha do professor Snape levantou, antes de olhar para o resto dos estudantes.
— Parece que uma aliança foi formada, parabéns, Sr. Logan, Srta. Veiga e Srta. Granger, vocês estão neste caso agora. O resto de vocês permanecerá aqui com o professor substituto até eu voltar. Espero que, no momento em que nos virmos novamente, vocês também façam parte do jogo.
Eu não pude me conter e joguei meu punho para o ar.
— Mancada. — Sussurrou Logan.
— Concordo. — Acrescentou Viviane.
— Calem a boca.
— Logan, Veiga e Granger, por que vocês não andam?
Snape nos chamou e nós caminhamos rapidamente para acompanhá-lo, tentando acompanhar o seu ritmo dele, que caminhava como se os próprios pés estivessem em chamas.
— Logan, Granger, vocês já trabalham comigo no caso dos Longbottons e devo avisá-los que este não será assim, e um de vocês vai precisar de uma vassoura.
No momento em que ele disse isso, eu estava em movimento e cautelosamente me posicionei do lado direito dele. Seguindo meu exemplo tão rápido quanto podia, Viviane foi para a esquerda.
— Você perdeu. — Snape disse a Attos, antes de entrar no pátio de onde apenas professores, podiam aparatar.
—- Srta. Veiga, diga-me, como esta aliança nasceu?
Droga.
Eu desviei meus olhos e os postei no horizonte, queria olhar para qualquer lugar, menos para o seu rosto. Levou toda a minha coragem só para ficar ao lado dele para a aparatação guiada.
— Ela nos chantageou. — Disse Viviane simplesmente.
Aparentemente, para ser chantagista, eu era muito mole.
Quando chegamos ao escritório dele, Attos já estava lá, provavelmente, ele tinha usado a lareira dos estudantes estrangeiros. Severus, dane-se, eu ia apenas chamá-lo de Severus, ou então, eu ia ficar louca, estava tão frio como sempre. Quando Viviane afirmou que eu os tinha chantageado, ele apenas olhou para mim, sem dizer uma palavra.
— Seu café, Senhor. — Disse Attos, entregando-lhe um copo, quando todos nós entramos no elevador.
— Pare de beijar minha bunda Sr. Logan, ou você vai ficar preso lá. — Severus respondeu, tomando o copo dele e bebendo. Ele teve que parar para cuspir. — O que é isto?
— Café?
— Isso não é café! — Ele retrucou, entregando-o de volta para Attos.
Viviane e eu prendemos a respiração, mordendo os lábios para não rir.
— Ótimo. — Eu sussurrei para ele, quando nós descemos do elevador.
Foi a primeira vez que eu tinha vindo até aqui desde que começamos o caso dos pais de Neville, e eu finalmente fui capaz de assimilar que o escritório não era apenas uma sala do Saint Mungus, era um sala magicamente ampliada e que dava a impressão de ser um andar inteiro. Na parede à minha direita, escrito em letras grandes e em negrito, estava o nome de Severus. Dentro do ambiente, havia um zumbido de atividade dos inúmeros Curandeiros residentes que se moviam de um lado para outro. Naquele momento, Draco Malfoy saiu, vestido elegantemente em uma de suas melhores vestes bruxas e entregou-lhe um jornal.
— Onde ela está? — Perguntou.
— Raymond a trouxe, está na sua enfermaria.
Ambos nos ignoraram enquanto caminhavam pelo corredor, e nós apenas os seguimos. Mais uma vez, era como se fôssemos invisíveis, qualquer um que via Severus andando, se virava ou mantinha a cabeça baixa e passava por ele o mais rápido que podia, mas mesmo assim, nem sempre era rápido o suficiente.
— Você, com a mancha de café, vá para casa até que você descubra onde fica sua boca. — Severus apontou para um homem a meio caminho pelo corredor mas nem tivemos tempo de reagir a isso e a voz dele nos alcançou quando chegamos à porta da enfermaria. — Ela parece estar sofrendo disso?
Eu podia ver a mulher; ela era hispânica, com longos cabelos escuros e olhos avermelhados. Ela estava deitada na maca, mas incrivelmente bem vestida, como se ela precisasse provar para o mundo que ela estava bem e eu me perguntei por onde ela estava sangrando, já que não havia nenhuma gota visível de sangue.
— Não. — Respondeu Attos.
Viviane balançou a cabeça.
— Sim.
E então seus olhos negros caíram sobre mim.
— Eu não tenho certeza.
— Tenha certeza, então. Mesmas regras do caso Longbottom. — Ele disse enquanto abria a porta.
— Quais são as regras? — Sussurrou Viviane, quando entramos.
— Sente-se, cale-se e não faça nada de errado. — Eu disse correndo para o canto.
Raymond, um dos Curandeiros auxiliares, veio para frente e sussurrou algo em seu ouvido, mas Severus nem sequer pestanejou, ele apenas olhou para a paciente. Houve um silêncio e ela se mexeu sob seu olhar... eu entendia exatamente como era esse sentimento.
— Sr. Snape? — Ela fungou esfregando o nariz com o lenço.
Silêncio.
— Humm... — Ela se mexeu de novo.
— Ele está investigando-a. — Attos murmurou ao meu lado.
— O quê? — Eu me inclinei.
— O que ele está fazendo… ele fica numa zona de conforto um momento antes de sua grande dedução. — Viviane concluiu por ele, chicoteando fora seus óculos.
Eu realmente não sei nada sobre o Severus Snape Curandeiro.
— Você mesma se amaldiçoou. — Ele disse. — O que eu quero saber é o porquê. Você não tem um bom casamento, então provavelmente fez isso para segurar o marido.
— Eu nunca faria algo assim!
— Você está mentindo! Você pode mentir para os seus filhos, a imprensa, e para si mesma se você quiser, mas não vai mentir para mim na minha enfermaria.
— Você não deveria ser meu Curador? — Ela acusou.
— E eu estou tentando ajudá-la. Então, por que você se amaldiçoou?
— Eu não...
— Você se amaldiçoou.
—- Não.
— Você. Se. Amaldiçoou!
— NÃO!
— Você pode gritar o quanto quiser, mas eu não acredito em uma palavra que sai da sua boca. Uma pobre que foi casada duas vezes e finalmente se casa com um belo bruxo rico e influente... Então por que você se amaldiçoou?
— Eu não me amaldiçoei!
— Mentirosa.
Ela se levantou.
— Dane-se.
Ele se virou para Malfoy.
— Podemos trabalhar com isso, acione Potter.
O quê?
— Eu não entendo…
Disse a mulher enquanto ela lentamente caiu para trás em sua maca, claramente debilitada e eu tive a certeza que algum tipo de feitiço mascarava seu verdadeiro estado.
— O Departamento de Aurores virá conversar com você em breve. Eles vão querer seu depoimento. — Severus disse a ela.
— Então você acredita em mim? — Perguntou ela, esperançosa.
— Não importa se eu acredito em você ou não, eu só preciso tratá-la e ter certeza de que seu estado emocional não estragaria...
— É importante para mim! — Ela gritou para ele, saltando sobre seus pés novamente. — Eu não posso ter um Curandeiro que não acredita em mim. Se for esse o caso, eu vou ter que encontrar outra pessoa.
— E se você for para o isolamento, — Disse ele simplesmente. — o valor do meu acompanhamento duplica enquanto você estiver lá... isso, se eu optar por aceitar este caso novamente.
— Isto parece uma piada para você?
— Não, mas você está me tomando um tempo precioso, interrompi uma aula com pupilos brilhantes para vir vê-la. Você não precisa de um Curandeiro que acredite em você, precisa de um que possa salvá-la. Então, minha pergunta para você Sra. Naves, é: você quer viver?
Mais uma vez, ela se sentou.
— Eu não me amaldiçoei, e eu não gosto de você. Mas eu gostaria de viver, sim.
— Boa escolha de palavras. — Ele disse a ela. — Meus auxiliares irão fazer algumas verificações e lhe informar sobre o que eu quero que você faça, até que as Poções que usaremos estiverem prontas. — Ele disse a ela, balançando a cabeça em direção a Raymond, antes de sair.
— Eu quero ser ele. — Sussurrou Attos.
O mundo não pode lidar com dois Severus Snapes, eu pensei.
— Ela se amaldiçoou. — Viviane sussurrou, mais para si do que para nós.
— Um de vocês, vá buscar um pouco de café. — Raymond apontou para nós. — Nós vamos ficar aqui por um tempo.
Ninguém se moveu, então eu tomei a iniciativa e saí, apesar de eu não ter ideia de onde eu estava indo. Perguntar a alguém parecia ser o melhor, mas o olhar que eles estavam me dando...
— Não se preocupe com eles, eles estão fazendo uma viagem pela estrada da memória. — Disse Draco quando ele apareceu ao meu lado, me fazendo pular.
— Uma viagem pela estrada da memória? — Voltei a olhar para algumas das pessoas que se reuniram para rir de alguma coisa quando eu passava.
— Uma pausa já? — Ele perguntou com desdém, e as pessoas correram de volta para onde deveriam estar. — Viagem ao tempo em que eles eram como vocês, alunos sob o julgamento do grande professor Severus Snape.
— Eles não estão ainda?
— Sim, mas eles são pagos para aturá-lo. O café é ali. — Draco apontou.
Parei no meio do corredor, meus braços cruzados.
— Por que você está me ajudando, Malfoy?
— Não posso simplesmente ser bom? — Ele sorriu e seus olhos cinzentos pareceram se iluminar.
— Não.
— Tudo bem, Granger, não sou bonzinho. Você sabe o meu destempero com o Longbottom e ainda não solucionamos o caso deles.
Eu pensei por um segundo antes de sorrir.
— Você fala sobre a sua total insensibilidade sobre alguém se sentir culpado por condenar os próprios pais?
— Nós estávamos num imenso impasse naquele dia. Minerva venceria se eu, se nós, não tivéssemos interferido. — Ele respondeu, me encarando.
Virei as costas para ele e comecei a preparar o café.
— Não se preocupe, eu não vou dizer nada.
— Obrigado...
— Mas isso vem com um preço. — Eu o interrompi antes que ele pudesse terminar o agradecimento.
— Um preço?
— Ajude-me a impressionar Severus com este caso.
Sua expressão se fechou.
— Impressionar?
— Ele sempre escolhe um aluno, certo? O destaque de sua classe. Era você em Hogwarts, se me lembro bem. Eu o ajudei no caso dos Longbottons e tenho o meu nome no quadro dele, então, me ajude com este caso também, para que eu possa permanecer lá.
— E eu que pensei que você estava nadando com tubarões, quando, na realidade, você é a única circulando para matá-los.
— Eu tenho que levar este café de volta, adeus, Draco. — Eu disse, usando deliberadamente o seu primeiro nome. Ele ficou me olhando com um leve sorriso persistente em seus lábios enquanto eu me afastava.
Severus.
— Granger está me chantageando. — Disse Draco quando ele veio ao meu escritório e se sentou na cadeira em frente à minha mesa.
— Aparentemente, isso é coisa dela. — Respondi.
Em setenta e duas horas ela tinha conseguido se tornar uma pessoa totalmente nova, mais corajosa e muito mais fria. Era com isso o que Lovegood estava preocupada?
— Por que você não a expulsou da turma depois do show dela na enfermaria dos Longbottons? Ela gritou com o diretor do hospital, eu, no caso.
— Ela é um irritante gênio.
— E todos na sua turma não são? Foi uma seleção apertada, você mesmo disse que só os melhores do mundo inteiro passaram.
— Eu não quis me livrar dela, Draco.
— Puta que pariu!
— Controle essa língua em meu ambiente. — Rosnei para ele.
— É ela! — Ele quase gritou e olhou para mim com os olhos arregalados. — Você transou com a Granger!
— Sim, nós transamos, agora você quer ir lá fora divulgar para todos?
— Ela também fez chantagem com você? — Ele perguntou com uma careta.
Eu bufei.
— Ela não se atreveria, além disso, fazer isso seria pior para ela e se tem uma coisa que Hermione Granger não é, é estúpida.
— Então o que está acontecendo entre vocês dois?
Beliscando a ponta do meu nariz, eu me inclinei para trás em minha cadeira.
— Eu não sei. Por que eu ainda me importo?
— Você gosta dela.
Não era uma pergunta, mas eu ainda acenei com a cabeça.
— Talvez um pouco demais para os meus padrões.
— Você a está perseguindo?
Eu estava?
— Eu persegui, e ela me rejeitou porque ela quer ser uma boa Curandeira.
— O que fez você gostar ainda mais dela. Você e essa sua mania de ser obcecado por mulheres que fogem de você.
— Você está sendo pago para o cargo de diretor do Saint Mungus? Se assim for, eu realmente vou pedir a sua cabeça. Não preciso de pessoas lendo meus pensamentos ou sentimentos para mim.
— Você realmente tem um coração maravilhoso quando quer, Severus, ameaçando tirar o emprego do seu afilhado e futuro pai de um afilhado neto.
— Isso sequer existe.
— Ah existe sim. O que me deixa uma dúvida: se você e Granger tiverem um filho, que parentesco eles terão?
— Saia!
— Alguém está nervoso aqui, não é? — Ele zombou, seu tom subindo. — Vamos esperar que Granger não veja essa marca em seu pescoço... a menos que ela já tenha visto.
Eu lancei uma azaração em direção a ele, mas ele desviou bem a tempo.
— É uma picada de inseto.
— Claro. — Ele sorriu, movendo-se para a porta e eu de repente me lembrei do que ele disse antes.
— Porque ela o chantageou?
Draco sorriu.
— Ela me pediu para ajudá-la a impressionar você, ajudando a ganhar este caso. Aparentemente, ela quer manter seu nome no seu infame quadro, não me lembrou em nada uma grifinória cheia de princípios. — Isso me fez estremecer, Draco continuou. — Se ela chantageou outros, deduzo que tenha cobrado alguns favores e juntado detalhes que algumas pessoas de alto escalão tenham passado para ela. Isso soa bem sonserino, convencer outros a ajudá-la.
Eu não disse nada, e ele tomou isso como sua deixa para sair. Eu gostava de Hermione e queria estar com ela novamente, isso eu podia admitir, o que eu não podia admitir era que eu queria ir atrás dela. Porque eu não sei como equilibrar todos os meus lados: o professor, o Curandeiro, o homem sob tudo isso e o que só queria estar na cama com ela novamente.
— Nós temos um problema. — Disse Raymond entrando bruscamente.
Eu já estava de pé.
— Que tipo de problema?
— O sangue dela está contaminado.
Do jeito que ele soava, eu poderia dizer que ele não acreditava que isto foi apenas uma coincidência. Quando entramos na enfermaria, notei que todos os olhos estavam grudados na paciente que se debatia na cama.
— Eu odeio isso, odeio todos! — Nenhum dos Curandeiros encostava nela, o sangue contaminado exigia cautela. — Vocês não imaginam quanta merda eu tenho que lidar, até vocês não chegam perto de mim. Eu quero um veneno agora Sr. Snape, quero tomá-lo e apenas morrer!
Raymond atordoou-a com um feitiço e todos os olhos se voltaram para mim como se eu supostamente tivesse algum tipo de justificativa para esse nível de absurdo.
— Eu…
A Sra. Naves abriu a boca, mas eu levantei minha mão, indicando que eu não queria ouvi-la, e que ela não devia sequer se incomodar.
— Todos vocês, vão para casa, passem na enfermaria do térreo e peçam uma inspeção completa do nível de contaminação do sangue de vocês. Fora o Curandeiro que fizer o exame, não falem com ninguém, recomeçaremos na parte da manhã. — Disse a todos eles.
— Senhor Snape! — Sra. Naves chamou. — Por Favor...
Eu podia sentir a veia na minha cabeça latejar, me virei para ela e convoquei uma das Poções de sono sem sonhos da minha própria sala.
— Eu disse: recomeçaremos amanhã. — E a obriguei a tomar todo o conteúdo.
Até eu fiquei chocado com o quão calmo eu estava sendo, mas com toda a honestidade o que eu poderia fazer? Se eu gritasse de volta com ela, o que garantiria que ela estaria bem o suficiente amanhã para aplicarmos o tratamento experimental? Voltei ao meu escritório e peguei a pesquisa de maldições de sangue que eu estava lendo mais cedo.
— Eu estou deixando Raymond e outro Curandeiro tomando conta dela. — Disse Draco, da porta da minha sala.
— É bom saber que ser padrinho do diretor do hospital é útil.
— Isso dói, cara. — Ele segurou teatralmente o próprio coração.
Revirando os olhos, eu fui ao meu sofá e me atirei nele.
— Você pode ir para casa também Betty, eu não vou atender à nenhuma demanda hoje. — Eu disse quando a minha assistente se juntou a Draco na porta.
— Você tem certeza...
— Boa noite, Betty.
Eu não me incomodei em levantar os olhos da pesquisa quando ouvi os dois saírem. Simplesmente fiquei deitado, lendo e sem me mexer. Eu nunca tive um caso simples... nunca. Eu realmente sou um masoquista.
Eu devo ter cochilado em algum momento da leitura, porque era meia noite quando eu acordei. Lavei e sequei meu rosto no banheiro e notei apenas duas luzes acesas em todo o ambiente, a sala de reuniões e meu próprio escritório.
Os idiotas deixaram as luzes acesas.
Estalei meu pescoço enquanto eu me dirigia até lá, e congelei quando eu a vi sentada no chão da sala de reuniões. Seu cabelo estava puxado para trás em um rabo de cavalo completamente destroçado, enquanto folheava vários pergaminhos e livros de magia. Ela inclinou a cabeça para trás, mexendo o pescoço como eu mesmo tinha feito instantes atrás, completamente inconsciente de mim ou de quão bonita ela parecia. Quando ela se virou para pegar outro documento, finalmente reparou em mim e pulou.
— Oh Merlin! Você me assustou! Eu pensei que todo mundo tinha ido para casa.
— Eu também, especialmente por que fui eu que dei essa ordem. — Respondi, entrando na sala quando ela se levantou.
Ela se afastou de mim, como se estivesse com medo de eu tocá-la. Seus instintos estavam certos, porque eu queria, mas em vez disso, eu tomei uma das cadeiras.
— Eu só queria ficar tão familiarizada com as maldições de sangue quanto possível. — Respondeu ela baixinho, mudando de uma perna para a outra, nervosa, o que era tão malditamente perturbador.
— Eu podia jurar que vi você arrumando as suas coisas quando eu disse para sair.
— Eu arrumei. — Ela sorriu. — Eu ainda fui até o elevador e desci com todos para o exame que você recomendou, e então eu esperei uma hora na lanchonete para que Viviane e Attos não notassem.
— Você queria ficar sozinha comigo, Srta. Granger? — Provoquei.
— Não! — Ela disse, um pouco rápido demais. — Quer dizer, não, eu pensei que todo mundo tinha ido embora, eu tive que subornar o segurança para ficar. Viviane já sabia sobre o caso e Attos é um aprendiz rápido, eu só queria ter uma vantagem, e uma vez que não se pode levar os arquivos para fora daqui...
Ela pegou alguns dos arquivos e os colocou de volta em suas respectivas caixas.
— Você realmente quer isso.
— Eu pensei que eu já tivesse deixado isso claro? — Ela franziu a testa.
— Você deixou. — Assenti. — Eu simplesmente não tinha visto esse seu lado ainda, é interessante.
— Nós não ficamos juntos por muito tempo, então você realmente não me conhece.
— Se você diz.
Ela atirou punhais para mim com os olhos.
— O que você vai fazer sobre este caso? — Ela mudou de assunto.
Eu dei de ombros.
— Eu ainda não sei, talvez tentar algum tipo de antídoto de poções.
— Você está mentindo.
— O quê?
Ela se sentou na minha frente cruzando as mãos sobre a mesa.
— Você está mentindo. — Ela repetiu. — Claro que você está chateado por que ela fez algo tão estúpido quanto gritar com você lá fora e gastar as energias que devia ter economizado para o tratamento, mas você está animado com os riscos que são maiores agora. Ninguém pode descobrir a cura para ela, pelo menos, não como você pode. O que significa que, quando você fizer isso, será como 'O grande Severus Snape venceu a morte novamente!' É uma das maneiras que te excita.
— Uma das maneiras. — Eu disse, quando eu olhei de cima a baixo novamente, e percebi que os três primeiros botões de sua túnica estavam abertos me dando uma ligeira visão de seu colo.
— Parece que alguém está te ajudando com isso também. — Ela apontou para o meu pescoço, claramente irritada.
— É uma picada de inseto. — Eu disse a ela secamente.
— Ok, eu acredito nisso.
— Você deve, porque eu nunca menti para você. — Eu disse, e ela congelou. Eu poderia dizer que ela estava se preparando para atacar. — Exceto para o que você acabou de referir, eu realmente me excito em curar pessoas que chegam aqui com casos impossíveis.
Ela relaxou.
— Então, como você vai curar a Sra. Naves se o sangue dela, além de estar vazando, está envenenado?
— Transfusão.
— Transfusão. — Ela repetiu lentamente, relaxando em sua cadeira enquanto pensava sobre isso. — Mas eu não consigo pensar em qualquer pessoa na família dela que poderia aceitar isso. O sangue nos condenou a inúmeras guerras e você não tem uma pessoa infiltrada para convencer a família, como fez com Neville. Não será fácil.
— Nada é fácil. Todo mundo tem preconceitos ou se irrita, às vezes até escondendo de si mesmos. Mas se essa família é tão fodida quanto eu acho que eles são, todos nós temos que mostrar que eles não são melhores que nenhum doador.
— Então nós não temos que deixar isso agradável. — Disse ela com fogo em seus olhos. — Nós temos que fazer parecer que a família Naves é desprezível. — Ela se levantou claramente animada agora.
— Exatamente, quão difícil pode ser realmente já que eles eram apoiadores da última guerra? — Levantei também. — Vou arrumar as coisas e ir para casa, as próximas horas serão brutais.
— Eu sei. — Ela não olhou para mim.
Abrindo a porta, eu parei. Voltando para ela, eu disse:
— Não se sinta mal sobre usar o seu nome para obter vantagens.
Ela deixou cair os pergaminhos em suas mãos.
— O quê?
Abaixando, eu a ajudei a pegá-los.
— Cobrar favores, Granger...
— Como você soube sobre isso?
— Draco era o meu pupilo sonserino, lembra? Além disso, você teria que ter acesso a alguém que detenha informações valiosas para poder chantagear pessoas. Você não deve se sentir mal por usar isso. E eu sei que você o fez, porque não há nenhuma maneira que você fosse capaz de desenterrar sujeira suficiente sobre seus dois rivais e melhores alunos em um único fim de semana. Fosse o que fosse, tinha que ser grande o suficiente para levá-los a parar de tentar ir atrás do seu lugar. Quem você acionou? Um auror?
— Harry. — Ela sussurrou, abaixando a cabeça.
— Como eu disse, não tenha vergonha de usá-lo. Se alguém tivesse um melhor amigo Chefe do Departamento de Aurores, acredite em mim, eles estariam usando-o com muito mais frequência.
— Isso é porque eles não seriam o tipo de pessoa que eu realmente sou... — Ela suspirou pesadamente. — Ou era...
— Não importa. Usar seu nome ou o nome do seu amigo, não significa que você está se tornando má pessoa. — Eu sussurrei, quando eu peguei seu rosto em minha mão e levantei sua cabeça para encontrar meu olhar. — Isso significa que você é forte o suficiente para não deixar nada entrar em seu caminho e usar o que você tem para sua vantagem. Isso é uma prova da sua força, e não tem nada a ver com maldade.
Assim que a toquei, perguntei-me como aguentei ficar tanto tempo sem fazer isso. Soltei-a imediatamente, eu tinha que ir embora, se queria terminar as coisas me saindo por cima. Mas eu simplesmente não consegui.
Segurando em sua cintura, eu a puxei para mim e trouxe meus lábios nos dela. Ela nem sequer tentou me afastar. Em vez disso, ela se inclinou para mim, seus braços envolvendo em torno do meu pescoço. Agarrando-a, a levantei e a coloquei sobre a mesa. Beijei-a de forma pecaminosa, com suas pernas em volta de mim e a forma como seus seios empurravam contra meu peito, me deixando louco. Eu nunca quis parar de beijá-la, mas eu tive... respirar nunca tinha sido tão inconveniente.
— Nós não acabamos Hermione. 'E daí que eu não posso. Eu apenas não posso lidar com isso agora. Sinto muito.' — Eu repeti as palavras que ela me disse naquela noite. — Isso não é o suficiente para me afastar, especialmente quando o seu corpo ainda reage assim toda vez que eu o toco.
Para ilustrar meu ponto, eu escorreguei minha mão do seu ombro e suavemente acariciei um dos seus mamilos. Ela estremeceu e tentou virar a cabeça longe de mim. Mas eu a obriguei a me olhar nos olhos. Ela mordeu o lábio inferior, tentando não gemer.
— Você não se parece com uma mulher tentando fugir de mim. — Eu disse, beijando seus lábios suavemente enquanto imprimia força no aperto dos meus dedos. Ela suspirou alto, pegando no meu braço. — E você definitivamente não soa como uma mulher tentando fugir de mim.
Eu a beijei novamente, em seguida sua bochecha e, finalmente, eu levemente lambi a ponta da orelha dela e suavemente chupei o lóbulo. Ela estremeceu contra mim, quando sua pele irrompeu em arrepios.
— Então eu vou assumir que você não está realmente fugindo de mim. — Eu disse a ela. — O que é bom saber, porque eu não estava pensando em deixá-la de qualquer maneira. — Quando eu disse, eu fui para longe dela e dei um passo para trás. — Não acabamos, quando você estiver pronta para levar a sério novamente, deixe-me saber ou então, eu só vou continuar a brincar com você.
Saindo, eu lutei com o meu desejo de transar com ela ali mesmo na mesa. Mas eu não podia, pelo menos não agora que estava tentando levar esse relacionamento com paciência. Eu não tinha precisado usar todo meu autocontrole assim, desde que estava cara a cara com o Lorde das Trevas.
Que inferno de mulher!
Hermione.
Dois meses. Fazia dois meses desde aquela noite em seu escritório e quatro meses desde que eu tinha reencontrado Severus Snape. Quatro meses desde que o meu mundo e a minha vida, tinham sido virados de cabeça para baixo. Em sala de aula, ele era o Professor Snape, e depois daquela noite no escritório, ele foi especialmente brutal na sala de aula — éramos agora quatorze alunos — mas quando eu ficava a sós com ele — em elevadores, enfermarias, no escritório — ele sempre se transformava em apenas Severus. Um Severus sexy e apaixonado e que estava me deixando louca.
Quando ele disse que não tinha acabado, ele quis dizer exatamente isso. Se nós ficávamos sozinhos, suas mãos encontravam seu caminho entre as minhas pernas. Quando eu usava calças, ele sorria para a mudança e descaradamente me beijava. No segundo que seus lábios tocavam os meus, minha mente ficava em branco, e antes que eu percebesse, o primeiro botão da minha calça era desfeito. O pior era que eu estava gostando. Eu gostava de ver o que ele faria comigo. Ele me animava de maneira que eu não entendia. Minha cabeça ficava me dizendo para parar, mas eu não queria.
Nos elevadores, ele burlava o feitiço de locomoção e o parava, apenas para me empurrar contra a parede, me beijando como se fosse a última vez que ele beijaria alguém. Eu me agarrava a ele querendo mais do que apenas um beijo. Ele fazia a mesma coisa sempre que estávamos nas escadas; ele me batia contra a parede e me beijava ferozmente e apaixonadamente. Ele ia longe o suficiente, arrastando beijos no meu pescoço e mordendo suavemente o topo dos meus seios, antes de se afastar com um sorriso. Isso não era o suficiente para mim.
Eu não queria que ele parasse. Ele me excitou cada vez, e cada vez que ele me deixava ir, eu percebi que eu queria mais dele. Mas ele nunca foi mais longe do que um beijo apaixonado, ou uma leve provocação, e de alguma forma isso era muito pior do que se estivéssemos realmente transando porque seus beijos e seus toques não eram suficientes.
Quando eu tinha enviado Luna para Uagadou, eu estava orgulhosa de mim. Eu estava orgulhosa de que eu tinha deixado a minha luxúria e meu egoísmo para fazer o que eu vim fazer aqui. Mas agora, era como se eu estivesse voltando atrás da promessa que tinha feito para mim mesma. Eu só precisava rejeitá-lo. Eu precisava ser clara e direta. Eu precisava que ele não me tocasse.
— Então, este será o fim da linha para dois de vocês. — Disse ele, enquanto estava na frente da classe. — Quem receber as pontuações mais baixas no último teste estará fora. Gostaria de felicitar quem quer que seja esses dois agora por terem ido tão longe, mas não há nada a felicitar no fracasso.
Ele caminhou ao redor da mesa e sentou-se, tirando sua pena e tinta vermelha, começou a corrigir os nossos exames. Depois de passar três horas fazendo a maldita coisa, estávamos todos exaustos e ansiosos para sair, no entanto, precisávamos saber se estávamos ou não entre os doze finalistas.
Viviane me deu um pouco de pipoca e eu balancei a cabeça para ela. Attos, no entanto, estendeu a mão e pegou um punhado.
— Seis galeões que é o cara com a túnica marrom brilhante. — Disse Attos, e o cara se virou e olhou para ele. Attos deu de ombros e continuou comendo sua pipoca.
— Dez que é o cara com o cachecol. — Viviane sussurrou. — Quem usa cachecol em plena floresta amazônica?
—Alguém sabe os nomes de alguém? — Eu olhei entre eles.
— Não. — Eles disseram.
— Por que se preocupar se ele iria chutá-los de qualquer maneira? Você consegue se lembrar de qualquer um dos rostos que foram expulsos desta classe até agora? — Viviane questionou.
— Uma vez que os doze estiverem definidos, vou aprender os outros nove nomes. — Disse Attos, já contando nós três.
Eles estavam tão confiantes, ainda que minhas mãos tremessem.
Viviane olhou para mim.
— Por que você está tão estressada?
— Por que, você não está? Eu sou a única que achou o teste difícil?
Eles olharam um para o outro por um momento antes de ambos se levantarem e sentarem no final da fila... longe de mim.
Babacas.
— Engraçadinhos. — Disse eu, mas eles fingiram que não podiam me ver. — Tudo bem, eu espero que vocês não passem.
— Você está ouvindo algo Viviane?
— Eu não tenho certeza, mas parecem gritos suaves com nevados de dúvida, Attos.
Gritos suaves, nevados de dúvida?
— Isso não faz muito sentido. — Eu falei para eles.
— Shh! — O cara de túnica marrom brilhante se virou para nós.
— Sério, você esteve aqui durante todo o semestre? — Eu perguntei a ele, fazendo com que Viviane e Attos entrassem em erupção em um ataque de riso.
Eles pararam no momento que Severus olhou para cima. Seus olhos negros esquadrinharam a sala de aula e todo mundo parou de respirar. Então, ele olhou para baixo e continuou.
O desgraçado estava fazendo isso de propósito!
Mesmo assim, eu gostava de observá-lo. Seu cabelo escuro estava ligeiramente despenteado, culpa da sessão de amassos que tivemos na escada direita antes da aula. Eu deveria rejeitá-lo. Mas em vez disso, eu estava aqui, sonhando com como é bom sentir estar presa contra ele, e como ele era sexy com seus óculos. Era como se eu estivesse sob sua maldição Imperius.
Mais uma vez, quando ele olhou para cima, todos nós congelamos. Ele se levantou, pegou a varinha e uma a uma, começou a apagar as linhas do quadro com as minhas informações.
— Oh merda. — Disse Attos, soando como se estivesse na outra extremidade da Terra, ou pelo menos era o que parecia devido à forma como o meu coração estava batendo no meu peito.
Eu assisti com horror quando ele apagou lentamente minha família, licenciatura, raça e, finalmente, a minha idade, antes de parar bem debaixo do meu nome. Então, com um outro aceno da varinha, ele começou a escrever os nomes dos outros estudantes na turma.
— Filho da puta! — Engoli em seco, encostando para trás na cadeira.
— E justamente quando pensávamos que tínhamos finalmente nos livrado de você. — Attos suspirou, tomando o assento à minha direita.
— Ela é como Arnold Schwarzenegger, ela continua a voltar, mesmo quando você não quer vê-la. — Acrescentou Viviane, tomando um assento ao meu lado esquerdo e recebendo um olhar confuso de Attos, que não entendeu a referência trouxa.
— Obrigada pessoal. — Respondi com sarcasmo.
— Vamos lá cara com a túnica marrom brilhante. — Attos ergueu o punho à espera para ver se o cara levantaria e sairia quando Levi escreveu apenas doze nomes no quadro.
Com certeza, túnica marrom brilhante fez sua caminhada da vergonha.
— Sim! — Ele aplaudiu, e o outro bruxo o olhou como se quisesse estrangulá-lo. — Talvez no próximo ano?
— O cara de cachecol... se foi. — Viviane esticou a mão para bater na dele e se virou para mim. Revirando os olhos, eu bati minha mão na dela.
— Vocês dois são pessoas horríveis.
— Claro, e como nos tornamos seus aliados? Ainda bem que nós somos amigos agora. — Rebateu Attos.
Mas com toda a honestidade, eu não tinha certeza se eles eram meus amigos. Eles eram pessoas com quem eu passei muito tempo, mas eu não tinha certeza se isso os tornava meus amigos.
— Srtas. e Srs., parabéns. Vocês agora fazem parte dos 'doze discípulos'. — Disse Severus.
Por que eu me sentia como se o papa tivesse espirrado ou algo assim?
— A partir de agora, vamos deixar de ter aulas nesta sala. Em vez disso, todas as minhas aulas serão realizadas no meu escritório, no hospital Saint Mungus em Londres. Vocês aprenderão em primeira mão o que significa ser um Curandeiro.
Ele começou a recolher suas coisas, e no momento em que Attos, Viviane e eu vimos, nós estávamos em pé.
— Nem eu, nem meus Curandeiros residentes, temos tempo para atualizá-los. E como vocês sabem, eu estou trabalhando atualmente no caso Naves com três de seus colegas de classe. Felizmente, eles conseguiram manter os seus lugares, porque teria sido bastante difícil para todos vocês de outra forma. Por que não estão andando? — Ele latiu.
Quando todos nós nos viramos, vimos o que ele estava falando, os outros nove alunos ainda estavam em seus assentos. Os olhos de Attos se arregalaram e ele sacudiu a cabeça em um gesto 'venham, apressem-se'. Os nove alunos se levantaram e correram para fora da sala de aula nos seguindo.
— As coisas vão acontecer rapidamente. — Ele continuou. — Se vocês não podem acompanhar, não venham atrás. Se você acha que estará comemorando o Natal com sua família, olhe para a esquerda e, em seguida, para a sua direita; é isso que a sua nova família é. Você vai fazer o que lhe for pedido, quando for pedido e ir onde forem necessários. Todo dia é o Dia dos Mortos, ser parte dos doze não é um passeio ao ar livre, seu verdadeiro trabalho começa agora.
Ele não esperou por ninguém e já estava em direção ao pátio de aparatação.
— Se vocês não estiverem no escritório antes que ele, ele vai ferrar vocês. — Eu disse a eles.
— Vejo vocês lá. — Disse Attos para os outros quando nos encaminhávamos para a lareira de estudantes internacionais.
Eu me virei para vê-los revirando as bolsas em busca de suas próprias autorizações. Eu tinha a sorte de ser uma intercambista de Londres e meus dois "amigos" já tinham a autorização estrangeira em mãos.
— Eu meio que entendo por que seus residentes nos tratam como lixo agora. É uma espécie de divertimento quando você só serve para isso. — Disse Viviane.
E ela estava certa. Isso era um tipo de diversão, mas todos nós sabíamos que só ia durar o tempo do rodopio da lareira.
Notas Finais
Beijão e até o próximo!
