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Bella.

— É isso que você quer? — Meu pai mostrou a mesa arrumada e sorri, porque sim, era aquilo que eu queria. Era o primeiro jantar na nossa casa, no qual os pais do Edward viriam entregar os presentes e dar boas vindas ao meu pai. Toda casa estava decorada e só faltava a carne terminar de assar e o meu futuro marido responder as minhas mensagens.

Não tinha ideia do que estava acontecendo, ele disse que chegaria cedo e não aparecia. Liam não me dizia nada. Após a mensagem da Tanya Denali, que eu ainda não havia retornado, ele disse que estava tudo bem e me contaria com calma quando chegasse. Essa foi a sua última mensagem e eu estava começando a ficar muito inquieta.

Meu dia foi relativamente tranquilo, busquei meu pai no aeroporto, nós tomamos café com Rosalie e as meninas, que conseguiram ter meu pai na palma da sua mão e em seguida, visitamos a Alice. Tentei arduamente não ficar de beicinho com ela sobre sua ida ao hospital, mas foi meio inevitável. Eu sabia que ela estava certa: sua família era o Jasper e entendia, porque Edward era o meu maior suporte, mas nós duas vivemos com a outra por tanto tempo que ainda me ressentia com essa separação porque agora estamos construindo a nossa família.

Após isso, meu pai insistiu em ir ao mercado comprar alguns mantimentos e materiais para fazer sua famosa torta de limão e uma torta de abóbora, haveria tanta comida nesse natal que era capaz de nem Emmett dar conta. Fiquei o dia inteiro tentando saber do meu trabalho, do Edward ou de qualquer novidade, mas Liam parecia muito focado em me manter completamente alheia a qualquer coisa que pudesse me estressar ou me fazer passar mal.

— Eu vou subir para me arrumar, querida. Você ainda precisa de mim? — Charlie parou ao meu lado na cozinha e desviei meu olhar de mais uma ligação para Edward que não completava.

— Está tudo bem, papai. Ainda temos uma hora, então, descanse por um tempo e eu te chamo quando estiver descendo.

Charlie me deu um beijo na testa e foi em direção a escada. Meu pai ficou profundamente chocado com o tamanho da casa e todo o luxo. Ele ficou sem fala por um momento, em seguida disse que era muito bonito. Eu empurrei o sentimento de me sentir mal por morar em um lugar como aquele sem ter sido o esforço do meu trabalho, mas, eu amava o Edward, não o seu dinheiro e sim quem ele era. E ele era um homem incrível comigo, como noivo, agora, como chefe...

Desliguei o forno da carne e ela estava no ponto perfeito, subi a escada em direção ao meu quarto, tirei minha roupa e tomei um banho caprichado, indo para cama apenas com meu roupão. Precisava colocar meus pés para o alto e procurar meu noivo, que sequer me atendia. Estava começando a ficar puta e não conseguia me controlar.

Estava quase levantando e saindo quando ouvi um barulho no corredor e Edward entrou no quarto, tirando seu casaco e já sem sapatos.

— Oi, baby. Não me mata. Meu telefone acabou a bateria e eu só o recuperei agora. — Ergueu as mãos e cruzei os meus braços. — Descobrimos quem estava roubando a empresa e quem ajudou, mas eu fui preso por agressão.

— AGREDIU QUEM?

— Jacob Black. E antes de brigar comigo, eu só me arrependo de não ter batido mais. — Me deu seu olhar cínico e joguei uma almofada nele.

— Sabe que eu passei o dia inteiro preocupada, ansiosa e curiosa? Estava a um passo de ficar histérica, Edward. Você não pode fazer isso comigo.

— Sinto muito, mas eu falei com você durante o dia, só não falei a tarde. A história é bem longa, mas eu vou te dar um resumo.

Cruzei os meus braços e arqueei a sobrancelha, esperando que o bonito desembuchar. Edward ainda permaneceu, mantendo uma distância segura, provavelmente sentindo que queria agredi-lo, mas abriu a sua boca bonita.

Jacob Black arquitetou tudo para roubar a empresa, me incriminar e ainda cair fora do país, com uma boa grana. Ele deu dez mil dólares de adiantamento ao hacker, permitiu o acesso e o vírus foi instalado como um sistema de varredura tão silencioso que não foi detectado pelo firewall, até porque, a princípio, não foi uma invasão. Foi um acesso de dentro. Mentalmente, calculei em que parte do algoritmo poderia estar a falha e isso era tão grave que eu não tinha palavras.

A polícia descobriu que Jacob alugou uma cabana nas Bahamas e estava com tudo pronto para fugir nos próximos dias. Ele precisava de mais uma remessa de dinheiro antes de partir. Edward acreditava que a intenção dele não era ficar fora por muito tempo, apenas me incriminar e sair de cena. Ou talvez pretendesse ficar até sentir se a corda poderia arrebentar ou não para o seu lado.

Ele se recusou depor e pediu um advogado. Edward foi indiciado por agressão e liberado após o pagamento da fiança, mas os advogados irão pressionar o Jacob para retirar as acusações. Ainda precisaríamos voltar a delegacia para conversar com o sargento responsável pelo caso e nossos advogados iriam assumir. Edward não queria ceder em absolutamente nada sobre isso, mas não queria que vazasse para mídia apenas para me proteger.

— O que acontece agora?

— Tudo nas mãos dos nossos advogados e dos meus contatos na justiça. — Edward se aproximou e não encostou em mim. — Estou sujo da delegacia, não quero encostar em você. Vou tomar um banho e se prepare, porque vou te beijar e muito.

Não consegui esconder o meu sorriso. Era profundamente apaixonada por esse homem. Ele tirou a roupa, colocou no cesto e foi tomar banho. Devido ao layout aberto do nosso banheiro, ele não puxou as portas de correr que davam a privacidade e eu não disfarcei o meu deleite em ficar na cama, observando-o nu e até mordi meu lábio.

Terminado o seu banho, se secou, passou desodorante, perfume e foi para o closet, vestindo uma cueca e seu sorrisinho maroto ao vir para cama me deixou extremamente feliz. Deitando-se em cima de mim, ocupou a minha boca com um beijo daqueles, de me deixar tonta e sem ar. Cruzei minhas pernas na sua cintura, prendendo-o contra mim e chupei seu lábio.

— Aquele bastardo tem alguma obsessão por você, mas agora ele está preso e fora das nossas vidas.

— Nunca fiz nada com ele ou para ele, vou aproveitar que o meu pai está aqui para preencher algumas lacunas em relação aos Black's. — Beijei seus lábios. — Temos que nos vestir. Seus pais devem estar chegando e meu pai foi descansar um pouco.

Edward fez um pequeno beicinho, mas levantamos e nos vestimos. Como sempre, Edward e meu pai conversavam como duas mulheres fofoqueiras que não calavam a boca. Servi uma bebida para ambos, para ver se não iriam desidratar e eu quase chutei meu futuro marido por contar que Jacob me perseguia desde o começo e meu pai me deu um olhar que me fazia contorcer no lugar desde pequena.

— É... Acho que a minha filha não me falou sobre isso. — Meu pai estava emburrado. — O pai do Jacob é um bom homem, líder tribal e eu sempre pesquei com ele. Antes de vir, nós jantamos juntos. E eu acho que o que pode ter acontecido é... Billy sempre foi um pouco duro com Jacob, com grandes expectativas e eu um pai muito orgulhoso, então... Talvez o meu orgulho possa ter feito o Billy colocar a Bella como objetivo de comparação.

Edward assentiu.

— Entendo. Meus pais tentavam fazer isso conosco em relação ao meu primo James, porque ele sempre foi certinho, comportado e certamente nunca foi preso por agressão. Para Jacob, toda essa comparação pode ter sido um gatilho e o caminho dele até aqui, uma maneira de provar ao pai que ele podia ser melhor que a Bella de alguma maneira. Como não conseguiu, manchar a reputação dela foi a sua saída.

Meus sogros chegaram com um volume de presente e eu fiquei arrumando debaixo da árvore com a Esme enquanto os homens conversavam sobre a loucura que foi durante o dia. Nós jantamos sem falar sobre o assunto ruim, brindamos ao natal e tarde da noite, entrei no meu quarto, cansada e precisando dormir. Edward fez uma massagem em mim e eu dormi antes que pudesse retribuir, mas acordei no meio da noite com fome e com ele roncando no meu ouvido.

Me afastei dos seus braços, rolando para fora da cama e desci a escada com cuidado. Acendi a luz da cozinha, abrindo a geladeira e peguei um pote de geleia e o saco de torradas no armário, fazendo algumas para comer com suco. Eu nunca senti tanta fome na minha vida. Não era uma fome estrondosa, mas eu definitivamente sentia de três em três horas.

Inclusive no meio da noite, o que deixava Edward maluco por acordar e não me encontrar ao seu lado. Ele sempre dava um pequeno surto.

Estava bebendo meu suco quando ele desceu rápido as escadas, descabelado e de cueca, os olhos inchados de sono estavam arregalados. Sorri com a minha boca cheia de torrada e em seguida, lambi meus dedos de geleia.

— Você sempre me assusta.

— Deveria parar de ficar assustado já que sabe que sinto fome... Eu vou ficar enorme nesse ritmo. — Reclamei e ganhei um sorriso amoroso.

— Vai ficar linda, porque é nosso bebê amado. — Me deu um beijo. — Chega de comer, Isabella Cullen. A casa vai estar cheia amanhã e você precisa estar descansada.

Ele limpou e guardou as coisas, então, nós voltamos para o quarto e ele me fez dormir. Edward deveria estar muito cansado, porque não fez nenhuma gracinha sexual e não me deu nem um beijinho picante. Ele só queria dormir e garantir que não saísse do seu lado. Fechei meus olhos e apaguei, satisfeita.

Acordei assustada com alguma com alguma coisa caindo, sentei-me na cama, confusa e Edward estava no closet, recolhendo uma caixa e me pediu desculpas. Olhei para o relógio e não acreditei no horário indicado.

— São meio dia? Por que você não me acordou?

— Seu pai e eu já colocamos as aves para assar, eu descasquei as batatas e seu pai está fazendo a torta dele, então, eu ia te acordar agora.

Saí da cama direto para o banheiro, me arrumando para o dia e para cozinhar o montante de comida para receber a família no primeiro natal na minha casa. Desci com um pijama limpo, confortável e encontrei meu pai na cozinha, parecendo animado e ele ainda não sabia que seria vovô no próximo ano. Estava ansiosa para contar a família.

Me dediquei na cozinha com a ajuda do meu pai e do Edward. Eles literalmente colocaram a mão na massa comigo, arrumaram as coisas e pegaram todo peso. No final da tarde, quando Alice e Jasper estavam quase chegando, subi para me vestir. Escolhi um vestido magenta, longo, com um lascado que ficava muito bonito. Tomei banho, escovei meu cabelo e fiz uma maquiagem simples.

— Você está magnífica.

— Eu sei. — Provoquei-o. — Olha. — De lado, mostrava os três quilos que engordei desde que descobri que estava grávida. Eu não podia engordar três por mês, a minha médica já havia deixado claro que era melhor maneirar na comida ou ela me passaria uma dieta bastante restrita.

— A melhor barriguinha do mundo. — Edward me beijou e ao ouvir sons de conversas do lado de fora, nós não prolongamos nosso momento no quarto.

Alice estava linda em um vestido verde claro, exibindo a sua barriga redonda e nós trocamos um abraço muito apertado. Jasper me deu um beijo e em seguida, Emmett entrou com uma menina debaixo de cada braço, rindo, enquanto Rosalie segurava a torta de framboesa que fez.

Eu mal terminei de ajudar a Rosalie quando Esme e Carlisle chegaram. Edward serviu as bebidas, mas todo mundo ficou à vontade e estavam comendo, se servindo e andando pela casa. Dei um tour completo com as meninas, porque elas ainda não conheciam todos os cantos da casa em detalhes e o pula-pula inflável que Edward comprou para suas sobrinhas estava enchendo com auxílio do Emmett.

Ao voltar para sala, achei que era o momento de colocar o vídeo anunciando a minha gravidez.

— Ei, família. Edward e eu preparamos um vídeo para assistirmos juntos antes de irmos jantar... — Falei da sala e todo mundo se jogou no sofá. Edward ficou atrás de mim e dei o play.

A primeira imagem era da ultrassonografia. Alice e Rosalie levaram as mãos à boca, Jasper e Emmett sorriram e meu pai parecia meio confuso. Carlisle e Esme apenas sorriam porque já sabiam. Em seguida, meu rosto apareceu na tela, virei a câmera e mostrei os testes, cortei para o momento que saio do banheiro, acordo o Edward e nós aparecemos novamente. O bom do vídeo era que dava para ver nitidamente o quão sonolento e confuso ele estava, e aí, seu olhar de entendimento e o choro, me abraçando, beijando e dizendo que me amava.

O vídeo segue para a minha primeira ultrassonografia. Estou deitada na cama e Edward estava ao fundo, falando um monte de besteiras. A médica sorri e coloca o gel na minha barriga, começando o exame e não demora muito para o som do coração preencher a sala e me fazer chorar. Edward também chorou.

Terminamos o vídeo com o vídeo da ultrassonografia e o som do coração. Meu pai foi o primeiro a levantar e me abraçar bem apertado. Alice quase me derrubou.

— NOSSOS BEBÊS SERÃO MELHORES AMIGOS! — Gritou no meu ouvido e comecei a rir. — Ah, Bella! Você vai ser mamãe!

Rosalie e Esme me abraçaram e eu vi Emmett e Jasper trocando dinheiro.

— O que é isso? — Rosalie perguntou.

— Nós apostamos quando Alice contou que estava grávida como seria a vez do Edward. Eu fiquei muito emocionado, mas não chorei. Emmett inventou isso... — Jasper deu de ombros. — Ele apostou se o Edward ia chorar e eu disse que não.

Rosalie cruzou os braços e olhou para o marido bem séria.

— Trapaceiro. — Acusou e Edward começou a rir.

— Por que? — Jasper virou para o irmão.

— Edward chorou quando nós pedimos para ele ser o responsável legal das meninas na nossa ausência. Nós pensamos muito, você ainda era muito jovem, a Kate mais ainda e Irina com um estilo de vida que não cabia crianças. Edward era o mais velho, responsável e sempre cuidou de todo mundo. Ele chorou feito um bebê. — Rosalie contou e nós rimos. — É por isso que Emmett sabia que o Edward iria chorar com o próprio bebê.

— Que nada, foi uma aposta justa e arriscada. — Emmett se defendeu sem esconder a risada.

— Trapaceiro. — Jasper tentou pegar seu dinheiro de volta.

— Eu não acredito que vocês ficam apostando sobre a minha vida. — Edward deu na nuca dos dois. — É isso, pessoal. Serei pai em alguns meses e eu queria propor o primeiro brinde de natal. — Ele pegou a sua taça e todo mundo pegou seus copos ou taças. — Esse ano eu ganhei o melhor presente da minha vida, tudo isso porque eu conheci a mulher mais incrível, honesta, generosa, inteligente, amorosa e sarcástica de todo universo e com ela, tenho a minha própria família.

Minhas cunhadas fizeram um coro de "awnn" e os meninos riram. Meu pai foi o único que levou a sério o discurso do meu noivo. Chorei emocionada, abraçada por Carlisle e Esme. Todos nós brindamos e depois de dar um gole no meu suco, abracei o homem que chegou na minha vida para me fazer feliz e me dar alguns cabelos brancos.