#desculpe os transtornos...

Capítulo Vinte e Quatro

Na verdade, provar mais vestidos cheios de babados era a última coisa que Hermione queria fazer naquela manhã. Mas ela e Harry precisavam de um pouco de distância um do outro, e aquele pareceu o melhor modo. Após uma semana inteira dizendo para ela que não podia romper um noivado que tinha sido combinado aos 17 anos... Eles tiveram uma discussão e Harry já estava cancelando o casamento deles? Isso era um pouco assustador, a rapidez com que a cabeça dele saltava do domínio de "desentendimento leve" para "diferenças irreconciliáveis".

Talvez você devesse casar com James. De tudo o que ele poderia ter dito... Mas ela sabia que ele não falava sério. E Hermione devia saber que não devia colocá-lo sob tanta pressão quando se tratava da luta... Ele a tinha avisado, não tinha? Salões de festa, recepções, salas de aula, escritórios... quando ele se sentia desconfortável, alguma grosseria podia acontecer. Mas o que ela admirava nele era que Harry reconhecia que isso acontecia com ele, e assim encontrou seus próprios meios não apenas de ter sucesso, mas de se desenvolver. Se quisesse construir uma vida com ele, teria que entender e respeitar isso. Ela lhe devia desculpas, mas Hermione duvidava que ele já estivesse pronto para ouvi-las. Para passar o tempo, não custava nada experimentar um vestido bonito.

Enquanto caminhava até a sala de estar, ela ouviu a carruagem parando na entrada. Um após o outro, seus familiares saíram do veículo. Hermione correu para cumprimentá-los no hall de entrada.

"Luna. Como você está?"

"Extremamente cansada." Com isso, sua irmã mais nova desapareceu em direção à biblioteca.

Bem . Hermione achou que podia parar de se preocupar. Essa era a Luna de sempre. Lavender e Seamus vieram a seguir. Hermione fez uma mesura para seu cunhado. Ele estava com o chapéu inclinado para disfarçar o rosto machucado, e mal a cumprimentou com um movimento de cabeça antes de subir para o quarto.

"Hermione, é melhor você estar agradecida." Lavender parou ao lado dela para se explicar. "Nós abusamos da hospitalidade dos Macmillan da pior forma possível."

"Você abusando da hospitalidade de alguém? É difícil acreditar."

"Eu estava decidida que devíamos ser os últimos convidados a ir embora", ela disse. "Nós precisávamos controlar os boatos, você sabe. Seamus foi um santo por você. Riu do soco como uma brincadeira entre amigos. Nós contamos para todo mundo que você desmaiou e Lorde Harry a acompanhou até em casa." A irmã se aproximou e a encarou. "Foi isso o que aconteceu, não foi?"

"Mais ou menos."

Os eventos não tinham se desenrolado na ordem em que Lavender acreditava, e muito mais coisas tinham acontecido. Mas podia-se dizer que ela não havia mentido.

"Então, ótimo", a irmã disse, inspirando profundamente. "Foi isso."

Hermione não era boba. Ela sabia que o esforço de Lavender e Seamus tinha sido tanto para preservar o status social deles quanto o dela. Mas se o escândalo em potencial tinha sido evitado, ela não precisava se apressar e fugir para casar com Harry. Poderia ter o tipo de casamento que quisesse. Continuava tendo todas as escolhas.

"Agora", Lavender disse, "a menos que você queira me transformar na pior espécie de mentirosa, é melhor que esse casamento seja espetacular. E que aconteça logo."

Hermione levou a irmã até a sala de estar.

"Talvez aconteça. Venha comigo."

Nada menos do que seis costureiras e assistentes esperavam para ajudá-la. A sala estava tão tomada por babados brancos que parecia que um vulcão tinha entrado em erupção. Um vulcão de merengue. Hermione se virou para Lavender e disse as palavras que, ela sabia, a irmã esperava ouvir há anos.

"Faça com que eu fique linda."

"Isso é loucura."

Harry tinha passado tanto tempo em salas de estar naquela semana que sua cota estava completa até o fim da vida. E ele não tinha vontade nenhuma de ver Hermione experimentar um vestido que não era para o casamento deles.

"Talvez nós devêssemos ir embora", disse.

Ele não sabia o que havia de errado consigo, mas se tivesse um pingo de decência iria parar de querer impor esse erro a Hermione.

"Você é sifilítico?", Ron perguntou com a orelha colada na porta adjacente à sala em que Hermione provava os vestidos. "Nós não vamos embora. Harry, você não sabe o que eu passei nos últimos dias. Só para trazer essas costureiras de Londres já foi uma dificuldade enorme. E o anel? Ah, você me deve muito por esse anel."

Harry não sabia como rebater isso. Na verdade, tinha todo tipo de dívida com Ron. Pensou, então, que seu treinador talvez fosse a única pessoa, em sua vida, que ele não conseguiu afastar.

"Há quanto tempo nós trabalhamos juntos?", Harry perguntou. "Cinco anos?"

"Seis, pelas minhas contas."

"E suponho que você sonha em deixar de me treinar com a mesma frequência que eu penso em me livrar de você."

"Diariamente, você quer dizer? Ah, com certeza."

"Então como é que nós mantivemos essa parceria tanto tempo?"

Ron lhe deu um olhar enfadonho.

"Sem ficar pensando demais."

Certo. Talvez houvesse algo de verdade na resposta impaciente do seu treinador. Harry tinha que parar de pensar demais nas coisas. Ele amava Hermione e faria qualquer coisa para ficar com ela. Qualquer coisa. Essa era uma verdade divina que morava no seu coração, e que pretendia dizer para ela no momento em que Hermione saísse por aquela porta.

"Ela está vindo. Levante-se."

Ele sabia que estava em apuros antes mesmo de Hermione entrar na sala. Conseguia perceber isso pelo ritmo dos passos dela. Vivacidade. Confiança. Determinação. Nada de tropeços ou hesitações. Ela se sentia poderosa. O que significava que devia estar linda. Ele se pôs de pé, encontrou seu ponto de equilíbrio, deixou os membros relaxados e se preparou para receber o soco.

As portas se abriram . Santo Deus. Ele não tinha nenhuma chance. Ela era um nocaute. Ron deu um soco no ar.

"Agora sim ."

Harry nem mesmo viu o vestido. Era branco, ele supôs. Ou cor de neve. Ou marfim . Devia ter seda e babados. Talvez alguns brilhantes ou pérolas. Ele não conseguiria descrever o corte, o estilo ou o tecido, mesmo se sua vida dependesse disso. A única coisa que viu foi ela. O vestido era como um suporte de ouro feito por um mestre-joalheiro. E Hermione era a joia que brilhava nesse suporte.

"E então?" Lavender quis saber. "O que você acha?"

Uma pergunta excelente. O que ele achava? Seu cérebro tinha parado de funcionar. Palavras. Devia dizer alguma coisa, mas não encontrava as palavras. Estava ficando difícil para ele respirar. Tudo que saiu foi "Você... está... ahn."

"Incomparável."

A declaração articulada com suavidade veio de algum lugar atrás dele, mas Harry reconheceu a voz no mesmo instante. Nem precisou se virar. Agora que o velho marquês estava morto, aquela voz só podia pertencer a um homem .

"James", Hermione suspirou.

Era James. Em carne e osso. Cada vez que Harry via o irmão, James estava mais parecido com o pai deles. Alto. Forte, mas magro. O cabelo escuro mostrava alguns fios prateados novos. Os ombros retos pareciam sustentar qualquer peso, e aquele rosto aristocrático – o nariz sem fraturas e tudo mais – era clássico. Os olhos azuis que viam tudo e encontravam imperfeições em tudo.

"Não consigo acreditar que você está aqui", Hermione disse.

"Mas estou. Voltei para a Inglaterra definitivamente desta vez. E esta é a melhor recepção que eu poderia ter." O olhar dele se alternava entre Hermione e Harry.

"Ver vocês dois. As duas pessoas de que mais gosto no mundo."

James atravessou a sala em passadas decididas, estilo Granville, e ficou de frente para Harry.

"Sobre nosso pai."

Todas as desculpas e explicações que Harry tinha ensaiado durante os últimos meses... sumiram de sua mente. E então seu irmão o puxou para um abraço.

"Desculpe-me", ele sussurrou na orelha de Harry. "Sinto muito que você teve que o enterrar sozinho. Droga. Eu deveria estar com você."

Oh, Jesus.

"Isto é mágico." Ron enxugou uma lágrima no canto do olho. "Eu mesmo não teria planejado melhor."

Harry não queria ouvir sobre Ron e sua mágica. Estava com suas próprias emoções tão confusas que achou que fosse vomitar. E a coisa só piorou. James andou até Hermione e colocou as mãos em seus ombros.

"Olhe só para você. Incomparável. Perfeita."

E então... Oh! Ele a beijou. James beijou a noiva dele na frente de todo mundo, e não havia nada que Harry pudesse fazer. Exceto uivar e sangrar por dentro.

"Eu deveria ter feito isso anos atrás", James disse ao levantar a cabeça. "Bem que eu queria."

"Você queria?", ela perguntou.

"É claro."

"Então... por que com oito malditos anos de atraso?" Harry não tinha o direito de perguntar, mas não conseguiu evitar.

"Foi para sua segurança." James soltou um suspiro pesado. "Devo milhares de desculpas a vocês dois. Eu tenho mentido a vocês nos últimos anos."

"Mentido? A respeito de quê?"

"Da natureza do meu trabalho."

"Você não é um diplomata?", Hermione perguntou.

"Ah, eu estava trabalhando para o Ministério das Relações Exteriores. E diplomacia era uma grande parte do que eu fazia. Mas havia outros deveres, também . Deveres que eu não tinha liberdade para discutir."

Harry praguejou.

"Você não está dizendo que era algum tipo de espião?"

"Não. De modo geral, nós evitamos dizer isso." Ele se virou para Hermione. "Não parecia justo casar com você até eu terminar meu trabalho. Mas essas malditas guerras foram se arrastando e... O que é isso?" James levantou a mão dela e a examinou. "Você não está usando seu anel."

"Ah, isso." Ron se apressou a explicar. "Está sendo limpo, meu lorde."

James se virou para ele e o encarou.

"Quem diabos é você?"

Ron ajeitou a lapela do paletó e endireitou a coluna.

"Quem você acha que eu sou?"

"Um idiota pretensioso?"

Ron colocou seu monóculo diante do olho.

"E agora?"

"Um idiota pretensioso com um monóculo."

Talvez aquela cena fosse mesmo um pouco mágica. Harry sempre soube que havia muito para se admirar em James. Mas naquele momento sentiu que gostava do irmão.

"Oh, Lorde Granville", Lavender interveio. "Não seja tão malvado. Você sabe quem é o Sr. Weasley. Estivemos trabalhando a semana toda nos preparativos do casamento. Tudo está pronto. Ora, com Hermione pronta... vocês dois podiam casar

hoje."

"Lavender", Hermione disse.

A irmã respondeu entredentes.

"Não discuta. Seria uma ideia prudente, depois da noite passada."

"O que aconteceu a noite passada?", James perguntou.

Lavender fez um gesto com a mão.

"Aconteceu uma cena horrível no baile, mas Hermione não teve culpa. Foi tudo culpa de Lorde Harry."

James abriu um sorriso.

"As piores cenas geralmente são culpa de Harry."

Ah, sim . São mesmo. E Harry sentiu que outra cena se aproximava. Seu irmão estava com um braço ao redor de Hermione. Como se tivesse o direito. Aquilo era o bastante para fazer Harry sentir gosto de fumaça e cheiro de sangue. Afaste-se dela, Harry pensou. Ela não é sua.

"James, nós precisamos conversar", Hermione disse.

"Sim , acredito que precisamos. Estou começando a suspeitar que na verdade ainda estou no continente, e que tudo isto é uma alucinação complexa." James pigarreou e incorporou o clássico tom de autoridade Granville. "Alguém pode me dizer, em poucas palavras, o que está acontecendo?"

"Eu posso." Luna adentrou a sala segurando um livro. "Hermione não vai se casar com você. Ela vai morar aqui no castelo e abrir uma cervejaria."

"Obrigado", James disse. "Agora sei que estou ficando louco."

"Ela não é sua", Harry soltou.

"Como?", James perguntou.

Harry sabia que deveria estar pedindo perdão. Mas aquilo tinha que ser dito, e ele não conseguia mais esperar.

"Você me ouviu. Ela não é mais sua."

O olhar de James se estreitou, formando um facho frio e questionador.

"O que você fez?"

"Só o que ela me pediu."

"Seu bastardo. Você tocou nela?"

"Eu..."

"Harry, não", Hermione exclamou, a voz frenética. "Por favor."

Suas palavras foram uma facada no coração de Harry. Está certo que foi uma facada merecida. Ele ficou a semana toda repetindo que ela deveria casar com James. Repetiu a mesma estupidez naquela manhã. E agora o noivo estava de volta, acalmando todas as inseguranças dela com um ar de quem conhecia o mundo inteiro e bancando o herói. E com direito a beijos. Por que ela escolheria Harry? Se pudesse escolher ser qualquer homem naquela sala, não escolheria ser ele próprio.

"Você precisa saber", Hermione disse ao se virar para James, "que seu irmão tem sido muito leal a você. Quando tive dúvidas a respeito do casamento, ele tentou me fazer mudar de ideia. Ele fez todos os esforços para me convencer e disse coisas encantadoras em seu nome. E isso não foi tudo o que ele fez. Harry administrou Oakhaven na sua ausência. E espere até ver como ele foi maravilhoso com ..."

A voz dela foi sumindo enquanto Hermione passava os olhos pela sala, abaixando-se para espiar embaixo dos móveis.

"Oh, céus. Alguém viu o cachorro?"


# Então James voltou e agora?

Lembrando esta é uma adaptação, nada além da paixão pela leitura me pertence. Decidi juntar uma das minhas escritoras favoritas com meus personagens favoritos de Harry Potter. A história original também se chama "Diga sim ao Marquês", da maravilhosa Tessa Dare". Sei que algo assim já foi feito, mas estou apenas passando o tempo e curtindo.