Capítulo 14 - Descobertas

Naruto estava andando depressa logo atrás de Shikamaru e dois membros da Anbu o escoltando por trás. A notícia que um homem tinha sido encontrado no meio dos escombros da antiga Academia Ninja era um assunto completamente sigiloso, e Naruto havia sido avisado aquela tarde de que o homem, apesar de mais de 20 dias preso nos escombros, estava completamente ileso.

Como aquilo era possível, eles não sabiam dizer.

O homem deveria estar morto por desidratação se não por algum ferimento. Mas ele parecia bem. Estava lúcido, e não tinha nenhum arranhão pelo corpo — mas aquilo não significava que ele iria falar algo. O homem tinha sido levado para dentro da prisão calado, e continuava calado. Naruto então fora chamado, pois as ordens era que no momento que encontrasse algum suspeito pelo ataque, Naruto deveria ser o primeiro a interrogar, antes de ele apelar pelos jutsus especializados do clã Yamanaka.

Naruto foi levado até a parte mais interna e subterrânea da prisão, onde havia vários corredores feitos de rocha ígnea e portas de metal maciço onde, quando abertas, estavam as solitárias para os presos mais perigosos. E em um desses corredores, havia pelo menos 6 membros da Anbu, evidenciando qual a porta que o homem que podia lhe trazer informações sobre o atentado estava.

Quando Naruto entrou no cômodo pequeno — que não tinha nem 2 metros quadrados, fazendo com que o Hokage tivesse que se abaixar para passar pela porta — ele notou o rosto completamente perdido do homem. Ele era de estatura baixa, pele clara e cabelos castanhos claro. Ele não aparentava ser um assassino, e isso deixou Naruto completamente apreensivo.

"Me disseram que o encontraram nos escombros onde aconteceu o massacre da Academia Ninja", Naruto disse com a voz grave, mas o homem, que estava com as mãos e os pés presos com algemas de metal, continuava olhando para o chão, "É apenas uma consciência você ser encontrado lá, ou você fez parte do ataque? Podemos ser mais complacentes com sua pena se você nos der informações sobre quem o enviou para cá", mesmo sendo ignorado, Naruto continuo, "Você faz parte da Organização Kara, o karma em sua mão deda você", aquela última frase fez com que o homem virasse um pouco a cabeça para olhar a palma de sua mão direita, onde um triangulo preto estava desenhado ali.

Quando viu que o homem continuaria calado, Naruto perdeu um pouco de sua compostura.

"Crianças foram cruelmente assassinadas e mortas sem nem mesmo nenhuma chance de defesa", a voz de Naruto elevou-se, tornando-se frustrada, "Vocês mataram todos os sensei para aterrorizarem aquelas crianças e persegui-las como se tudo aquilo fosse um jogo", ele pronunciou sua última palavra com repulsa, "E se fosse um filho seu lá? E se você soubesse que não pôde proteger um filho seu lá dentro?", aquela pergunta pareceu arrepiar o homem, e sua reação não passou despercebido por Naruto.

Naruto então, saiu pela pequena porta de aço e declarou, "Eu quero que todos vocês subam para o térreo e me deixem sozinho aqui"

"Naruto—", Shikamaru tentou intervir, mas foi cortado pelo Hokage.

"Não irei ficar sozinho. Vocês podem ficar perto das escadas se quiserem, mas aqui no corredor, eu não quero ninguém. Eu quero ficar sozinho com o prisioneiro"

O que pretende Naruto?, era a voz da Kurama em seu interior.

Apenas observe, ele respondeu de volta.

Todos obedeceram as ordem do Hokage, e até mesmo Shikamaru, que estava completamente relutante em deixar Naruto sozinho naquela solitária com um inimigo que eles não sabiam do que era capaz.

"Tome cuidado", ele disse a Naruto antes de se retirar.

Quando todos estavam completamente longe, Naruto fechou a porta, deixando somente ele o prisioneiro dentro da cela.

"Ninguém além de mim pode te ouvir, então não há o que temer agora. Ou você me conta tudo o que sabe da maneira simples, ou você será obrigado a dizer tudo contra sua vontade. Você decide — com isso, podemos até mesmo saber de coisas a mais que você não queira nos contar e também não nos interessamos".

O homem pareceu ponderar um pouco sobre a proposta, mas parecia ainda relutante em abrir a boca.

"Quem te contratou lhe prometeu algo", Naruto jogou um verde, e a reação que o homem teve lhe respondia que sim, "E você teme descobrirem que você abriu a boca e com isso, alguém que você se importe muito pode estar em perigo", Naruto continuou deduzindo, e ele ia continuar a pressionar o homem, até que viu algo que o paralisou por completo.

O homem começou a chorar.

"E-eu…"

Era a primeira vez que o homem dizia alguma coisa desde que fora achado nos escombros e preso em seguida na solitária. Naruto sabia que aquele momento não era para se ter presa. Se ele ainda tinha a oportunidade de saber qualquer coisa que fosse do atentado, aquele homem seria a chave de tudo.

"Ele pode nos ouvir", o homem murmurou baixo, como se temesse que alguém pudesse ouvi-los, olhando de um lado para o outro, "Essa cela não é segura, ele pode nos achar".

Quem?

Naruto, esse cara está delirando, era a voz de Kurama.

"Por que matou aquelas crianças?", Naruto resolveu ir direto ao ponto.

"E—eu…. não queria…. tocar nas….", ele parecia ter dificuldade de falar sobre o massacre, e sua voz embargada era difícil de ser entendida, "mm—as eu não tive escolha…. eu não tinha controle sobre meu próprio corpo"

"Por que seus aliados abandonaram você?", Naruto continuo a perguntar.

"Eu não fui abandonado… eles explodiram…. um a um… eles explodiram… explodiram…", ele continuou repetindo a mesma palavra várias e várias vezes, como se tentasse assegurar-se de suas próprias palavras.

Se explodiram?

Eu disse que ele está delirando, Kurama falou sem paciência.

Ele pode estar confuso, mas não delirando. Como vamos ter certeza?

Chame a inteligência e entre na mente dele!, Kurama parecia irritada.

Mas ele pode dizer tudo sem tais artifícios.

Sua benevolência ainda pode te custar muito caro, Naruto, Kurama desistiu da discussão.

"Quem você está protegendo?", Naruto fez mais uma pergunta.

"… minha… família…", o homem respondeu, mexendo o corpo para frente e para trás, fazendo com que algo na cabeça de Naruto se acendesse.

O Karma.

Explosões sem motivos.

Um homem que não se lembrava do que havia feito.

O silêncio da Organização Kara.

"Seu líder é Amado?", Naruto precisava tirar aquilo a limpo.

"Não… é… Code-sama", o homem respondeu, e logo olhou para trás, como se esperava que alguém aparecesse para matá-lo, "Amado está sendo usado… e ele não pode chegar perto da minha família… ele não pode… ele não pode…", o homem dizia aquilo como uma súplica.

Code?

O braço direito de Jigen?

Como isso é possível?

Ele está brincando com você Naruto, Kurama declarou, e Naruto sabia de quem Kurama estava falando.

Era Code quem estava brincando com ele. Era Code quem havia enviado aqueles homens para atacar Konoha. Era Code que a inteligência havia descoberto ser o responsável da Kara em estar atrás do membro que havia abandonado a organização, Amado.

Eles estavam focando na pessoa errada.

Amado não era o perigo maior para eles.

Era Code.

Mas quando Naruto ia formular sua próxima pergunta, ele ouviu uma explosão feroz pelo corredor.

"É ele… é ele…", o homem não parava de dizer, em desespero, "Eeee—eu sei que não tenho direito a nada, senhor…. mas por favor, não deixe que ele toque na minha família, por favor… eles ficam num lugar onde o sol nunca se esconde…", o homem chamou ao máximo a atenção de Naruto, "Ele nos controla… ele nos controla… não temos controle sobre nossas ações… eu vi aquelas crianças… eu vi", o homem tentava dar informações o mais rápido que podia, "mas eu não conseguia… eu não conseguia… parar", o homem falava tudo muito rápido, "… chove muito, chove muito lá…", mas antes que pudesse continuar, Naruto viu o homem ser apunhalado pelas costas com uma espada — matando-o na hora. Naruto não sabia da onde surgiu o ninja mascarado de vestes pretas a sua frente, mas ele transpassava a parede de trás, e ele podia ver que através da máscara, o ninja sorria com seu feito.

"Maldito—"

Naruto, saia dai agora!, Kurama gritou em sua mente.

O quê?

Ele vai se auto explodir!

Com aquela informação, Naruto pôde perceber o acúmulo de chakra em um ponto só do corpo do ninja mascarado, e era óbvio que até mesmo o ninja mascarado não esperava por aquilo.

Naruto pôde ver o terror em seus olhos.

"Naruto!", era a voz de Shikamaru pelo corredor.

"Temos que sair daqui agora!", ele gritou quando saiu pela porta — no mesmo segundo que o homem dentro da cela se explodiu.

A explosão ecoou por toda a extensão do corredor, fazendo com que Naruto e Shikamaru caísse fortemente no chão com o impacto.

"Shikamaru, você está bem?", Naruto perguntou, ajudando o amigo a se levantar.

"Estou sim…", e ao se levantar, Shikamaru notou todo o estrago feito pelos 4 ninjas que se infiltraram no subterrâneo da prisão de segurança máxima de Konoha sem nem mesmo serem notados — e se explodindo dentro do local.

Nem mesmo seus chakras foram detectados.

"Isso… vai ser um saco", ele pronunciou, olhando para Naruto, "Perdemos nossa única chance de descobrir quem estava por trás do massacre".

"Muito pelo contrário", Naruto disse de maneira positiva para Shikamaru, "Agora temos um rumo para as investigações", e pela sua voz, Shikamaru podia dizer que ele tinha um plano, "Eu quero todos os melhores ninjas sendo enviados para Amegakure, e isso precisa de sigilo total", Naruto pronunciou convicto, "E eu vou precisar do apoio total de Iwagakure e Sunagakure — eles serão essenciais para o pegarmos"

"Quem, Naruto?", Shikamaru estava completamente perdido com o raciocínio de Naruto em enviar ninjas especializados para a Aldeia Oculta da Chuva. Eles tinham pistas recentes que dizia que Amado estava escondido em uma ilha remota pertencente ao País da Água, e não na Aldeia da Chuva. Aquela ordem não fazia sentido algum.

"Code nos enganou esse tempo todo. Ele forjou pistas falsas todo esse tempo para acreditarmos que Amado estava se locomovendo de lugares e lugares, e eles fez isso para benefício próprio. Ele está usando Amado", aquela informação era completamente nova, maluca e… por algum motivo, fazia sentido total em sua cabeça.

"Falarei com Gaara e Kurotsuchi imediatamente", Shikamaru anunciou, e correu pelo corredor — através da grande corrente de fumaça que havia se formado devida as explosões.

Pelas contas de Naruto, não houve nenhuma baixa em seus ninjas, o que lhe trouxe alívio. E aquilo lhe dava mais uma informação.

Code atacou para matar sua única testemunha.

Code não queria ainda que Konoha soubesse de seus planos.

Mas o que Code não imaginava, era que seu ninja abrisse sua boca para Naruto antes de ser assassinado.

E com aquilo, Naruto finalmente estava em vantagem.

˜˜˜•˜˜˜

"Mas é ruim!"

"Satoshi, eu não quero saber se é ruim, é para você comer".

"Mas eu estou dodói, mamãe!"

"E como pretende voltar a ficar forte se não quer comer legumes?"

"Legumes não vai fazer minha perna crescer de novo", Satoshi resmungou, fazendo com que Sakura ficasse branca com aquela constatação. Ela não tinha argumento contra isso, e não esperava que aquela frase fosse doer tanto em seu âmago. Ela decidiu desistir, deixando a sopa de legumes em cima do criado mudo do lado direito da cama de Satoshi, e sem delongas, se levantou da cadeira ao lado da cama de Satoshi e se retirou do quarto — no meio do caminho, tombou com Sasuke que tentou perguntar o que tinha acontecido, mas ela só levantou uma das mãos como se pedisse um tempo e sumiu pelo corredor.

Sasuke observou as costas da esposa, e pelo o olhar que ela havia evitado anteriormente, ele podia crer que lágrimas estavam teimosamente querendo esparramar-se.

Resolvendo dar o tempo que ela havia pedido, entrou no quarto de Satoshi, onde viu o caçula olhando para a janela, com os braços cruzados, e pelo reflexo da janela, ele podia ver que o garoto parecia frustrado. Seus olhos então notaram uma tigela em seu criado mudo do lado direito da cama, e pela leve fumaça que saia da tigela, era óbvio que era um prato recém-feito.

Sasuke entrou no quarto sem disfarçar que estava entrando, e Satoshi já havia notado que alguém havia entrado no quarto, mas optou em continuar ignorando quem quer que fosse.

Sasuke então se sentou no sofá amplo que ficava em frente a cama de Satoshi, e ali ficou. Ele esperou pacientemente até Satoshi desmanchar a cara emburrada e olhar para a frente — onde Sasuke estava.

"Eu to com fome", ele disse rancoroso, ainda de braços cruzados.

"Tem comida do seu lado"

"Mas eu não quero comer sopa de legumes", ele resmungou.

"Então você não está com fome", a resposta do pai fez com que Satoshi pegasse a tigela de legumes e jogasse no chão — fazendo com que a tigela de vidro se quebrasse e toda a comida gente dentro esparramasse pelo chão branco.

"Não tem mais comida aqui", a ousadia de Satoshi quase fez com que Sasuke quase se assustasse — quase.

Satoshi não era daquele jeito. Ele nunca havia feito a mãe chorar, ou o desrespeitou daquela maneira antes. Aquele garoto na sua frente era seu filho, mas ao mesmo tempo, parecia não ser. Sasuke, melhor do que ninguém, sabia o que era sentir raiva.

Em momentos de raiva, você magoa as pessoas que você ama.

Em momentos de raiva, você toma atitudes que você jamais tomaria de estivesse são.

Em momento de raiva, você sente que tudo em sua vida está errado e não há nada que possa mudar aquela realidade.

Sasuke sabia que lhe dar uma bronca, chamar sua atenção por ter sido malcriado com ele ou a mãe, não adiantaria de nada naquele momento. Ele sabia que Satoshi estava agindo por impulso — estava agindo pela raiva.

Sasuke então, levantou-se calmamente do sofá, ignorando completamente o cheiro forte que havia ficado no quarto depois da sujeira que Satoshi havia feito no chão, pegou a cadeira que estava do lado direito da cama de Satoshi, contornou a cama, e colocou a cadeira do lado esquerdo da cama de Satoshi — todo esse processo com Satoshi o observando curiosamente.

Satoshi então observou quando o pai retirava o colete azul claro, e o pendurava no encosto da cadeira, e em seguida, desabotoou a camisa cinza, retirando completamente o que restava de seu braço esquerdo, e então, começou a retirar a bandagem que estava ali — revelando o cotoco que sobrava de seu braço.

Sasuke ficou por minutos observando o cotoco em seu braço, não sabendo exatamente qual seria seu próximo passo, mas seu foco logo foi para a voz de Satoshi, que tinha chamado sua atenção.

"Hm?"

"Dói?", Satoshi perguntou.

"Não mais"

"Doía?"

"Só quando eu o perdi"

Aquilo fez Satoshi ficar pensativo por um tempo, até voltar a falar.

"Como você o perdeu?"

"Isso é uma história que ficará para outro dia"

Aquela frase desagradou um pouco Satoshi, mas o próprio ignorou seu descontentamento, ao olhar para suas pernas, que estavam cobertas pelo lençol azul claro. Quem o visse com aqueles lençol, não notaria a falta de num membro, mas Satoshi sabia que faltava parte de sua perna esquerda — ele sentia que faltava algo ali.

"Agora somos quase iguais", Satoshi disse depois de longos minutos.

"O que quer dizer com isso?"

"Você não tem seu braço esquerdo, e eu não tenho mais perna esquerda", Satoshi revelou seu modo de pensar, "Agora somos quase iguais", aquele modo inocente de pensar quase fez Sasuke sorrir, mas não era hora de ser gentil, era hora de ser firme com Satoshi.

"Não somos iguais — esse domingo você vai receber um implante e terá uma perna nova, e eu, vou continuar sem meu braço esquerdo"

"Por que você não tem um implante também?"

"Porquê eu não mereço", aquela frase fez Satoshi arregalar os olhos, e pela primeira vez naquela manhã, ele sentiu remorço por estar sendo completamente irritante desde que acordou.

"Papai…você acha que eu não mereço também?", Satoshi perguntou em um tom baixo e vacilante — ele havia notado que o menino finalmente tinha guardado as facas para si.

"Eu acho que você merece", Sasuke respondeu prontamente, colocando novamente a bandagem em seu cotoco, e sem seguida, colocando novamente a camisa.

"Mas…", Satoshi parecia pensar muito em o quê ele iria dizer, "Eu não fui legal hoje".

"Eu sei", Sasuke concordou.

"Eu quero ser legal", Satoshi disse de maneira triste.

Sasuke olhou bem naqueles olhos verdes tristes, e percebeu que Satoshi começou juntar lágrimas nos olhos, e aquilo fora a gota d`água para ele. Sasuke sentou-se na cama, e abraçou o filho, encaixando seu rosto debaixo do seu, com seu queixo encostado no cabelo do caçula. Por longos minutos, eles permaneceram daquele jeito, abraçados — até que uma batida na porta os separou.

"Satoshi?", era a voz de Tsunade na porta, "Você tem uma visita", e dizendo isso, uma garotinha de cabelos brancos apareceu do lado, e logo que Satoshi a viu, ele dera um sorriso enorme.

"Oi, Inoue!", ele cumprimentou, seu humor mudado completamente.

"Oi", ela disse tímida, ainda parada na porta.

"Obrigado por ter trazido o Buggy", ele disse prontamente, olhando para o leão de pelúcia do lado de sua cama.

"P-por nada", ela respondeu, ainda parada na soleira da porta.

Notando que ele não deixaria a garota a vontade, Sasuke resolveu que era hora de se retirar — contornando a cama e pegando os cacos da antiga tigela, fazendo com que Tsunade o olhasse com curiosidade.

"Logo eu vou trazer algo para você comer", Sasuke disse para Satoshi antes de se retirar pela porta, e deixar as duas crianças sozinhas no quarto — Tsunade ainda olhando com curiosidade a sujeira no quarto.

"Toshi-kun, porquê tem comida no chão?", ele pôde ouvir a garotinha perguntar através da porta.

Sasuke se perguntava que tipo de desculpa o filho bolaria, mas ele não queria ter um motivo para Sakura o chamar de…

….curioso.

˜˜˜•˜˜˜˜

"Sakura"

Ele viu a esposa sentada em uma das mesas no refeitório do hospital infantil, e pela postura de seu ombro, ela dava um ar de derrota.

"Ele comeu?", ela logo perguntou.

"Ele jogou a tigela no chão", ele decidiu ser sincero na resposta, mas parecia que Sakura não havia se abalado, pelo contrário, ela riu.

"Parece com alguém que eu conheço", ao dizer isso, Sasuke fez uma careta.

"Eu não sei do que você está falando"

"Você não se lembra?"

Vendo a cara completamente confusa de Sasuke, Sakura continuou.

"Depois que você foi tratado pela Tsunade-shishou daquela vez… eu sempre cortava maças para você no hospital, e em um dia desses, você jogou a tigela de maças no chão, sem mais e sem menos"

Aquela lembrança finalmente fora reconhecida por Sasuke, que acabou baixando os olhos para as mãos de Sakura, que estavam juntas. Parecia até estar envergonhado por um ato passado.

"Eu estava…frustrado", ele tentou se explicar, mas Sakura balançou a cabeça, como se dissesse que ele não precisava se explicar.

"Naquele época, eu achava que era algum problema comigo, mas depois de um certo tempo, eu notei que era alguma coisa com você, mas quando notei, você já havia deixado a vila"

"Eu nunca tive raiva de você, Sakura", ele precisava afirmar aquilo novamente.

"Eu sei disso", ela disse, dando-lhe um sorriso reconfortante, "Hoje eu sei", e então, ela acrescentou, "E eu sei que Satoshi será muito difícil nos próximos dias, e eu achava que estava preparada para lidar com suas frustrações, mas acho que ainda não estou", ela dizia aquilo enquanto olhava para as mãos — mexendo seus dedos de maneira automática.

"Isso vai passar", ele tentou a reconfortar.

"Eu sei", ela respondeu, levantando o olhar para encará-lo — mas logo notou Naruto entrando no refeitório logo atrás de Sasuke.

"Naruto"

"Sakura-chan"

Sasuke olhou para trás, e notou Naruto literalmente atrás de si.

"Vai ficar atrás de mim mesmo?", Sasuke resmungou.

"É só virar sua bunda que você vai ficar de frente para mim, `ttebayo", ele respondeu, fazendo com que Sasuke soltasse um estalo irritado com a língua.

"Não comecem, por favor", Sakura já interveio, mas como sempre, quando se tratava dos dois ex-colegas de equipe, ela acabava ignorada.

"O Hokage deveria aprender a ser formal com as pessoas"

"Não estou aqui como Hokage, estou aqui como seu amigo"

"Fala isso, mas não apareceu aqui há dias"

"Você me afastou aquele dia, `ttebayo!"

"Do que vocês estão—", Sakura estava sendo ignorada novamente.

"Você é a pessoa mais cabeça dura que eu conheço, como acha que eu iria aparecer aqui depois do que você me disse?", Naruto continuou a discussão.

"Desde quando você é sensível?"

"Desde quando você é um covarde?"

O estopim foi ali, e Sakura sabia que se não se intrometesse no meio, aqueles dois se pegariam no meio do refeitório — e ela sabia o estrago que seria.

Sakura se enfiou no meio dos dois, e mesmo assim, não conseguiu impedir a única mão de Sasuke na gola do moletom laranja de Naruto e nem a mão direita de Naruto na gola da camisa cinza de Sasuke.

"Repete o que você disse", Sasuke o desafiou.

"Não", Naruto negou.

"Seja homem!", Sasuke quase grunhiu.

"Nós sabemos quem está por trás do massacre da Academia Ninja", Naruto preferiu dizer, "E eu estou aqui, porquê queria saber se os meus amigos gostaria de saber dessa informação".

"Vocês já sabem quem foi?", Sakura perguntou de prontidão — ainda do meio dos dois.

"Sim, e nesse momento, ele está sendo trago para cá", Naruto respondeu Sakura, mas ele ainda encarava Sasuke.

"Eu quero ir", Sasuke disse de imediato.

"Imaginei que fosse dizer isso", Naruto murmurou, "E é por isso que eu dou autorização para vocês dois irem na interrogação quando ele chegar amanhã".

"Ele?"

"Vocês vão descobrir amanhã, não é um assunto para se discutir aqui", Naruto murmurou, olhando em sua volta — onde várias pessoas, como enfermeiras, pacientes e médicos acompanhavam o show que eles estavam dando no refeitório, "Eu lhe devo isso, Sasuke", Naruto disse, já esperando por uma resposta grossa do amigo, mas a resposta que ele esperava não veio.

Aquela frase foi o desarmamento para que Sasuke largasse a face de durão, e aceitava de uma vez que Naruto só estava tentando ajudá-lo.

"Ainda somos amigos?", ele perguntou, quase que chateado para Sasuke.

"Idiota, nunca deixamos de ser"

"Você poderia ter me dito isso antes, `ttebayo! Ai eu nem teria te provocado desde o início, eu tenho sentimentos sabia?", Naruto reclamou de novo, e Sakura não sabia onde enfiar a cara com a quantidade de gente que estava testemunhado aquela briga de jardim de infância.

Os anos passavam, mas aquela rivalidade idiota dos dois continuava a mesma.