Se Gion não estivesse ao menos uns quarenta minutos atrasado naquela noite, não teria estranhado tanto a ausência do time em campo. O lugar estava completamente deserto, embora, algumas luzes tivesem sido deixadas acesas. Se jogou ali no gramado pouco se importando com o motivo de estar sozinho em um treino que, estranhamente, havia sido planejado com tanto entusiasmo durante toda a semana; mesmo que os únicos realmente entusiasmados fossem Raita e Iwashimizu. É claro que maior parte da culpa, tinha sido mesmo de Oharano, que escolheu uma sexta-feira, à noite, e em um frio de matar.
Gion abriu a mochila e, imediatamente, sentiu o coração se aquecer um pouco. O casaco que Zanba costumava sempre usar estava ali, esquecido, assim como seu relacionamento com o gigante da Ryoin. Zanba e Gion não haviam realmente terminado o recente namoro, mas, era bem óbvio que as coisas entre os dois, caminhava para trás. Estava com dificuldades para se concentrar nos treinos depois do encontro fracassado com Zanba. Já fazia quase uma semana e ainda assim, não conseguia tratar o namorado bem.
Namorado… Gion riu amargurado. Mas que droga de namoro era esse onde ele nem mesmo podia aproveitar a pessoa que ama; ou seria "se aproveitar" da pessoa que ama? Gion começava a sentir uma pontadinha de… bem, ele não sabia direito o que era, afinal.
Zanba foi três vezes assistir aos treinos da Jinko e tentou, sem muito sucesso, levar Gion para comer algo ou passear pelas ruas. Chegou até mesmo a convidar Gion para ir a sua casa, jogar videogame, recebendo um olhar de desdem do pequeno. Gion tinha que admitir que também sentia falta de ficar mais tempo com o gigante, mas, não conseguia perdoá-lo por ter sido rejeitado daquela forma. Gion se sentia meio que culpado por isso, afinal, era sempre ele quem perdia o controle e acabava estragando tudo. Mas, se Zanba queria um namoro de criança, então era exatamente isso que ele teria que suportar; um comportamento infantil por parte de Gion.
Vestiu a blusa que ficava enorme, aproveitando para se ocultar totalmente dentro dela, sentindo o perfume que tanto amava.
– Estava mesmo sentindo falta de algo importante.
O casaco de Zanba era bem quentinho, mas, ouvir a voz de Zanba do lado de fora, deixou Gion em chamas. Gion deu uma espiada. Zamba estava com um short preto e uma camiseta branca. Usava tênis em vez de chuteiras. O cabelo parecia um pouco úmido e o cheiro de perfume bem presente. Não parecia nada com alguém pronto para um treino noturno.
– Você esqueceu comigo semana passada; já vou devolver.
Ainda sem encarar o namorado, Gion retirou o casaco e estendeu ao gigante, que se ajoelhou para ficar mais perto.
– Eu não estava falando do casaco, Kenji.
Gion olhou surpreso para Zanba. O gigante permanecia indecifrável, com aquela expressão medonha de sempre. Mas, Gion sabia o que ele queria dizer com aquilo.
– O que você está fazendo aqui a essa hora no nosso campo? - apenas desconversou.
– Na teoria, era para rolar um jogo-treino agora, entre Ryoin e Jinko. - Zanba jogou novamente o casaco sobre os ombros de Gion. – Mas, parece que acabou acontecendo exatamente o que eu imaginava.
– Sério? Não me falaram que jogaríamos contra vocês. Mesmo assim, levamos o maior bolo.
– Acho que não, Gion. - Zanba acariciou os cabelos do namorado com bastante carinho. – Eu já sabia que, na verdade, não haveria treino nenhum. - Gion fez cara de incompreensão para Zanba – Fala sério, Gion. São mais de oito da noite; não treinamos estratégias nenhuma, sem contar que, deve estar fazendo uns 15º C agora. Ninguém treinaria assim.
– Ué, então por que veio? - Zanba lançou um olhar provocante a Gion, que sentiu o corpo balançar mais que depois de levar um belo de um tackle. – Não vai me ganhar só com isso; não é o que eu quero.
– Eu sei o que você quer, Gion.
Zanba beijou Gion com a mesma fúria que costumava usar para atacar seus oponentes. Gion jamais imaginou que, ser derrubado e prensado sobre o gramado por um cara do tamanho de Zanba, pudesse ser assim tão bom.
– Uhm, pena que tá mó frio aqui, né? - Gion desistiu de tentar arrancar a blusa de Zanba.
– Sério, Gion, você ainda está com frio? - Zanba começou a descer o short, e Gion mudou de temperatura na hora com aquilo. – Então vamos esquentar um pouco as coisas.
Zanba colocou o membro para fora iniciando em si uma leve masturbação, enquanto Gion o observava. Gion foi de um branco pálido pelo frio a um vermelho berrante em segundos. Não sabia de onde Zanba tirava tanta coragem para fazer aquele tipo de coisa em locais públicos com tanta naturalidade. Zanba puxou Gion pelas pernas tmabém começando a despí-lo. Logo, Gion sentiu algo bem quente roçar ali.
– Oe, que susto, Ryu. Até achei que você fosse… - a voz de Gion foi sumindo quando Zanba o olhou sério enquanto se esticava um pouco para pegar algo dentro da mochila. Viu o gigante pegar uma pasta de dente. Mas, quando Zanba despejou o conteúdo na mão, Gion viu que não era pasta de dente coisa nenhuma. – Oe, que diabos é isso?
– Eu disse que já sabia que você viria. - Zanba tapou a embalagem a colocando ali ao lado. – Vim preparado.
Gion tremeu com o toque gelado e úmido deslizando para dentro de seu corpo. O problema é que não durou muito. Quanto mais fundo ia, menos gelado ficava. Na verdade, aquilo começava a arder feito brasa.
– Cara isso é muito desconfortável. - Gion sentia pequenas gotas de lágrimas se formarem em seus olhos – Talvez a gente precisasse mesmo daquelas preliminares antes.
– Claro, e é exatamente o que eu estou fazendo, Gion. Te preparando para o que vem pela frente.
– Por trás, você quis dizer, né. - Gion até tentou rir, mas nem deu. Sentiu outra fisgada dolorosa. – Oe, como assim o que vem pela frente?
– Você é inacreditável Gion. Não está achando que eu já entrei em você, está? - agora sim Gion fez cara de pânico, arrancando algumas risadas do gigante – fala sério Gion só to usando meu dedo.
– Você disse dedo… no singular? - Zanba lambeu os lábios e sorriu – UHAAAAAAA, quero fazer isso em outro lugar; que tal na enfermaria?
– Gion, para de fazer piadinhas, tá cortando o clima.
Gion sentiu Zanba deixar seu corpo para voltar com o dobro da força. Sentiu outra fisgada, mas, dessa vez, bem mais dolorosa.
– UHAAAAAA! Socorro, para. Isso eu não vou aguentar. É sério Ryu, para.
Com uma grande alívio, Gion sentiu, aos poucos, Zanba deixar seu corpo. Mesmo assim, resolveu permanecer deitado ali, até aquela maldita sensação de ardência passar. Viu Zanba voltar a se vestir e arrumar as coisas. O gigante sentou ao seu lado, com aquela cara de " eu sabia que você não ia aguentar". Gion girou o corpo na intenção de se sentar. Acabou precisando da ajuda de Zanba para vestir o short e se acomodar em uma poisção conforável.
– Desculpe…
Gion se sentiu ridículo, e não era pela forma estranha que estava sentado, nem pelas caretas de dor. Só agora conseguia entender o motivo de tanta preocupação por parte de Zanba. O namorado não estava brincando, aquilo realmente era mais difícil do que podia imaginar. Gion decidiu que seguiria a risca tudo o que Zanba disesse daqui pra frente.
– Tudo bem, Gion, é assim mesmo, um passo de cada vez.
– Sim, eu preciso aprender a ser mais paciente.
– Muito mais. - Zanba sorriu deixando um pequeno beijo nos lábio de Gion.
Ficaram ali por um tempo, até serem vencidos pelo frio. Resolveram ir embora. Gion demorou mais tempo do que gostaria para poder se levantar, enquanto Zanba tentava, sem muito sucesso, não rir do drama do namorado.
No meio do caminho avistaram um grupo muito familiar se aproximando. Kokuto vinha na frente, esfregando discretamente os braços descobertos, tentando amenizar o frio. Oharano estava bem ao lado, com uma expressão mais fria que a noite. Iwashimizu vinha mais atrás, sozinho. Ao lado do loiro, Gion viu uma figura que lembrava muito uma fusão entre Sekizan e Hirota, andar de uma forma boba.
Gion quase chorou de dor ao ser derrubado no chão por uma enorme bola de casacos.
– Gion-kunnnnnnnnnnnnnnn!
Era Raita, escandaloso como sempre. Gion notou que Raita estava com, pelo menos, uns dois casacos a mais, e um cachecol gigante enrolado no pescoço; com certeza pertencia a Kokuto.
Assim que todos se aproximaram, Gion viu que a figura estranha era, na verdade, Sekito enfiado dentro do agasalho de Sekizan.
– Olha só, mais dois que, com certeza, não estão morrendo frio. - Oharano lançou um sorrisinho debochado a Gion.
– Oe, claro que eu to com frio… to morrendo.
– Ah, por isso tá andando tão estranho assim?
Raita segurou uma risada, enquanto Sekito balançava as sobrancelhas, insinuante.
– O que estão fazendo aqui? - Zanba perguntou puxando Gion pra perto tentando evitar uma briga entre o pequeno e Oharano.
– Viemos todos conferir se o plano deu certo. - Raita parecia não ser muito bom com segredos.
– Bom, eu só vim conversar com o Sekizan sobre uma regra do rugby; achei que você também estava lá na pousada da Jinko. - Kokuto tratou logo de se defender, caso alguém insinuasse algo.
– Eu fui arrastado pela multidão, mas, fiquei com dó de tirar a Ume-chan da cama nesse frio. - Iwashimizu continuava vermelho como sempre, mesmo no frio.
– É, e você Oharano; quem te convidou?
– Eu não preciso de convite, vou onde eu quero, na hora que quero.
– Mentira, o Sekito ameaçou contar com quem ele saiu, naquele dia que a gente foi ao cinema. - Raita correu em direção a Kokuto assim que Oharano lançou um olhar furioso a ele.
Kokuto e Sekizan começaram a discutir sobre uma regra que parecia ridícula para ser usada no rugby; Zanba ficou ali, tentando amenizar os ânimos dos dois.
Gion, Raita, Sekito, Iwashimizu e Oharano, se afastaram um pouco dos três.
– Gyaaa, então Gion, conta vai; como foi?
Gion fez cara de paisagem.
– Não tá vendo que ele continua com cara de virgem, pelo amor.
– Oe, cala a boca Oharano. Eu tentei, tá… mas não é tão simples assim. - Gion pareceu decepcionado consigo mesmo. – Quanta humilhação, eu sou um fracasso.
– Que isso, Gion-kun. - Sekito passou o braço nos ombros de Gion, tentando consolá-lo – É assim mesmo, logo logo você vai se acostumando.
– Uhm, fala isso porque você está a menos tempo com o Sekizan e vocês até já… já… ah, você sabe.
– Aff, será que só eu que enxergo nesse grupo. - Oharano olhou para Sekito.
– Gion, eu e Sekizan não fizemos isso ainda.
– VOCÊS NÃO TRANSARAM? - todos olharam assutados para Gion, inclusive os três, que conversavam mais afastados.
– Cala a merda dessa boca, Gion. - Oharano deu um tapa na cabeça do nanico.
– Mas como não, eu lembro que você veio aquele dia pro treino, todo arrebentado.
– Que isso Gion, olha o respeito cara. - Sekito acabou rindo um pouco junto com Raita. – Naquele dia, a gente tava namorando ai eu desafiei o Seki-chan a me pegar lá em cima do playground, lembra? - Gion fez que sim. Se lembrava bem do dia em que Sekito o desafiou – E caso ele conseguisse, eu faria umas coisinhas legais pra ele. - Sekito lambeu os lábio, sugestivo.
– Eca, que nojo. E ele não pegou? O que aconteceu então?
– Ué, você não lembra… eu cai. Cai de lá de cima e me arrebentei todo. Eu falei pro Sekizan que ele podia ir na frente que eu tava bem, mas, na verdade, eu mal consegui andar naquele dia; arrebentei as costas no chão.
– Ai carai, e eu quase implorei pra você me dar algumas dicas.
– Lamento, Gion-kun, vai ter que pedir pro Raita ou pro Oharano.
– Ei, já disse que eu e o seu irmão somos só amigos.
– E eu não vou ficar falando sobre sexo com um bando de crianças.
– Bem, eu… eu, acho que posso ajudar um pouco se você quiser, Gion-kun. Inclusive, eu estava com a Ume-chan agora mesmo.
Todos fizeram um grande o sonoro, ohhhhhhhhhhh, para o garanhão do grupo.
– É, o Iwashimizu não joga bem no time, mas, ele é o único que tem alguma experiência. Senta ai e conta tudo, Iwashi.
– Claro, Gion-kun, mas… ainda dói um pouco, será que pode ser em pé?
