Capítulo Vinte e Seis

"Hermione! Hermione!" Lavender, corada e ofegante, a abordou no corredor. Ela colocou as mãos nos ombros de Hermione. "Eu acabei de ver Lorde Granville e Lorde Harry montados em seus cavalos indo embora?"

Hermione sentiu o coração apertar ao pensar em Harry partindo. Mas se ele precisava ir, pelo menos estava indo com o irmão.

"É provável que tenha visto, sim", ela disse.

"Bem , o que eles estão aprontando? Foram conseguir a licença do casamento?"

"Não, eles..." Ela deu de ombros enquanto entravam na sala de estar, onde se juntaram a Sir Seamus e Luna. "Eles simplesmente se foram ."

"Simplesmente se foram?" Lavender sacudiu a cabeça, rindo. "Mas o que isso quer dizer?"

Hermione endireitou os ombros e inspirou profundamente. Aquele seria um momento tão bom quanto qualquer outro para anunciar.

"Eu desmanchei o noivado", ela disse.

Pronto. As palavras tinham sido ditas, e não foi tão difícil assim dizê-las. Se tinha conseguido manter a firmeza quando comunicou sua decisão a James, ela conseguiria dar a notícia para seus familiares mais próximos.

"O quê?!" Seamus bateu o pé no chão. "Você quer dizer que deixou que ele se safasse?"

"Eu não diria dessa forma, mas..."

"Isso não é justo, docinho." Seu cunhado se levantou, visivelmente agitado. "Ele a deixou pendurada durante oito anos! Humilhou você, desperdiçou os melhores anos da sua vida... Faça o homem cumprir sua palavra!"

"Você está enganado", Hermione disse, tentando manter a calma. "Fui eu que rompi o noivado. Foi uma decisão minha. Eu não quero me casar com ele."

"Você? Rompendo com ele?" Seamus riu. "É uma boa tentativa de salvar seu orgulho, mas ninguém vai acreditar nessa história."

"Não é uma história. É a verdade."

Mas quando esses dois saberiam reconhecer a verdade, se esta saísse da boca de Hermione?

"Oh, Senhor." Lavender se largou no sofá e soltou um gemido suave, sem força.

"Oh, não."

Hermione meneou a cabeça. Pelo amor de Deus, James tinha aceitado a notícia fazendo menos drama. Ele até que tinha aceitado bem a notícia. Expressou um grau convincente de decepção, mas Hermione percebeu que era o orgulho dele que sofria mais. Seu coração não correu perigo. Eles eram pouco mais que estranhos depois de todos aqueles anos. Ela esperava que, com o tempo, os dois pudessem se tornar amigos. Ele era um bom homem . Mas não era o homem certo para ela.

"Você não pode tentar consertar as coisas?", sua irmã perguntou. "Talvez não seja tarde demais. Ou... Ou Seamus pode ir atrás dele e exigir que Lorde Granville cumpra suas promessas."

Hermione sacudiu a cabeça.

"Acabou."

"Não pode ter acabado", Seamus disse. "Depois de todos esses anos, nós não podemos desistir. Você não pode deixar que ele fuja."

"Que ele fuja?" Ela riu. "Eu deveria trancá-lo nas masmorras?"

"Ria o quanto quiser, mas isso é tudo culpa sua." A irmã estalou a língua.

"Você deixou essa coisa se arrastar por muito tempo, quando deveria ter se manifestado há anos. Você é muito boazinha."

Ela pensou naquilo.

"Você tem razão, Lavender. Eu sou muito boazinha."

"Fico feliz que você perceba."

"Isso vai mudar", Hermione disse. "Hoje."

"Ah, sim . Vamos atrás dele. Vou pedir a carruagem agora mesmo. Seamus!"

A irmã estalou os dedos e o marido levantou do sofá. Juntos, eles se apressaram pelo corredor. Hermione os antecedeu. Mas quando eles se aproximaram do hall de entrada, ela ficou para trás.

"É sua última chance de ir na frente", ela disse para a irmã, sorrindo com doçura. "Depois que eu me casar com James, vou ganhar precedência."

Lavender sorriu.

"Esse é o espírito."

Ela esperou até Lavender e Sir Seamus passarem , e então ela se encolheu na alcova ao lado e esticou as duas mãos para puxar a alavanca. Com um gemido e rangido férreo, o rastrilho caiu, fechando a passagem .

"Foi muito bom receber vocês", Hermione disse à irmã e ao cunhado chocados, acenando-lhes através do portão de ferro. "Por favor, voltem no Natal."

"O que você está fazendo, docinho?", Seamus perguntou.

"Usando meu castelo para sua função original. Proteção. E, por favor, não me chame mais de docinho. Harry me ensinou a socar."

Seamus piscou várias vezes, assustado.

"Primeiro você deixa Lorde Granville escapulir, e agora isso?", Lavender perguntou. "Hermione, você ficou louca de pedra?"

"Talvez." Deu de ombros. "Lavender, você é minha irmã e eu te amo. Eu sei que suas intenções são boas. Mas às vezes você sabe como magoar."

Hermione tinha que pensar no bem -estar de Luna. Ela não podia mais ser boazinha com aqueles dois. Seamus e Lavender eram daquelas coisas que faziam bem em pequenas quantidades. Como cravo ralado. Ou varíola.

"Eu sei que vou ficar com saudade assim que você for embora", Hermione disse para a irmã. "Estou ansiosa para sentir saudade de você."

"Você não pode fazer isto!" Lavender bateu no portão. "Você não pode simplesmente nos jogar para fora."

"Na verdade, eu posso. Eu ainda estou solteira. E talvez nunca me torne uma lady, nem mesmo uma esposa. Talvez você seja sempre superior a mim, socialmente. Mas eu sou a senhora do meu castelo. Nesta propriedade, eu faço as regras. E hoje estou me sentindo um pouco medieval."

Hermione acenou para a irmã e o cunhado, chocados, através do portão de ferro.

"Façam uma boa viagem . Espero que não peguem muito trânsito na ponte." Isso feito, ela se virou para Luna.

"Será que você estaria interessada em me ajudar a fundar uma cervejaria?"

"Não sei no que eu poderia ajudar." Luna pegou um pedaço de barbante do bolso. "Mas eu ganhei mil e oitocentas libras no carteado a noite passada. Eu quero investir."

"Os administradores me disseram que estes campos podem ter melhor utilidade." Harry deteve sua montaria no limite sul de Oakhaven. "O que você acha de cevada?"

"Eu não sei se meus sentimentos por cevada são muito fortes", James respondeu.

"Eu não sei se os seus sentimentos por qualquer coisa são fortes." James puxou as rédeas e firmou a mandíbula.

"Na verdade, eu tenho alguns sentimentos fortes. Nenhum deles é muito positivo neste momento."

Harry fez sua montaria descrever um círculo tenso. Eles estavam há menos de dez minutos em Oakhaven e já tinham retomado os velhos e conhecidos conflitos da infância. Se Hermione não tivesse lhe pedido para fazer aquilo…

"Talvez nós dois devêssemos resolver logo isso", Harry sugeriu. "Vamos tirar nossos casacos, enrolar as mangas e acabar com isso."

"Eu não vou lutar com você. Não seria justo."

"Acho que você tem razão." Harry estufou o peito. "Eu fui campeão peso- pesado da Inglaterra por quatro anos."

"Eu sei como matar um homem com um abridor de cartas e fazer parecer um acidente", James disse com frieza. "Quis dizer que não seria justo para você."

Harry revirou os olhos.

"Você é tão previsível. Desde que me lembro, tenho vivido à sua sombra. Sempre fracassando. Sempre com inveja. Lutar é a única coisa que eu faço melhor do que o perfeito e correto James. Mas não. Tinha que ir e me superar nisso também ."

"É claro que sim . Você não era o único com inveja."

"Por que diabos você teria inveja de mim?"

"Por uma centena de razões. Você sempre fez o que teve vontade. Disse o que quis. Você se divertiu mais. Com muito mais garotas. Você tinha o ar rebelde de que todas elas gostam , e seu cabelo faz essa coisa."

"Meu cabelo o quê?" Harry fez uma careta. "Que coisa?"

James não quis explicar.

"Eu aceitei missões que normalmente não teria pegado. Trabalho perigoso. Porque embora nós estivéssemos separados por um continente, e a verdade sobre o que eu fazia devesse ser mantida em segredo de todo mundo, eu não podia evitar de sentir que continuava competindo com meu irmão mais novo. E, como se viu, nós estávamos mesmo competindo. De um modo, pelo menos. E, ao que parece, eu perdi."

Então, ele parecia ter compreendido a verdade a respeito de Hermione. Harry tinha vencido essa disputa, não tinha? Já era hora.

"Eu não me sinto culpado por isso", Harry disse. "Estou longe de ser perfeito, mas sou melhor em amar aquela mulher do que você jamais conseguiria ser. Eu a conheço de maneiras que você não conhece. E necessito dela de formas que você nunca compreenderia. E lutaria para ficar com ela até meu último suspiro."

Ele inspirou fundo para se acalmar. "Mas ela não quer que nós lutemos. Ela quer que sejamos amigos."

"Amigos? Eu não acredito que nós possamos ser amigos", James declarou.

"Você tem razão. Seria estupidez tentar."

Droga. Lá ia Harry de novo. Soltando palavras em um surto de raiva. Palavras que ele não queria dizer.

Ele encarou aquela nuvem negra e mal formada de ressentimento que vinha ocupando seu peito desde que eles partiram do Castelo de Hogwarts. Era uma raiva nascida da baixa autoestima e de todo aquele tempo desperdiçado. Se ele tivesse sido homem o bastante oito anos atrás, poderia ter proposto casamento a Hermione primeiro. Mas isso teria sido um desastre. Eles teriam casado jovens demais, e Harry não teria meios de sustentá-la. Talvez o pai dele tivesse lhe proporcionado algum meio de vida, e Harry com certeza teria fracassado de modo espetacular. Hermione teria ficado isolada, grávida ao fazer 18 anos, ainda sofrendo os efeitos da educação danosa que sua mãe lhe deu. Se ele tinha alguma chance de fazê-la feliz, era somente porque os dois tinham sido forçados a esperar. Talvez por isso ele devesse ser grato ao seu pai e a James.

O tempo só é desperdiçado quando não se aprende nada.

"O que eu acabei de falar, não foi para valer." Harry encarou o irmão. "Desculpe-me. Vamos tentar."

"Ser amigos? Eu não vejo como..."

"Só me escute, tudo bem? Não sou um grande orador, mas de vez em quando eu tenho o que dizer. Se a minha carreira de lutador me ensinou alguma coisa, é que amigos são fáceis de encontrar. Verdadeiros oponentes – rivais que forçam você a trabalhar com mais empenho, a pensar mais rápido, a ser melhor do que você pensava que poderia ser – são muito mais raros. Se é isso que somos um para o outro, para que mudar?"

James olhou para longe, além dos campos.

"Talvez você tenha razão. Então, não vamos ser amigos. Vamos continuar sendo adversários vitalícios afetuosamente ressentidos."

Harry meneou a cabeça. Quaisquer que fossem as missões especiais que seu irmão tinha desempenhado, ele era, em essência, um diplomata. Ninguém mais arrumaria quatro palavras grandiloquentes para dizer algo que uma palavra simples resumiria.

"Nós podemos chamar assim", Harry disse. "Ou nós podemos apenas dizer irmãos para poupar saliva."

"Muito bem . Então seremos irmãos."


# Este é o penúltimo capítulo… os irmãos enfim se entenderem e nosso casal sera que da certo?

Lembrando esta é uma adaptação, nada além da paixão pela leitura me pertence. Decidi juntar uma das minhas escritoras favoritas com meus personagens favoritos de Harry Potter. A história original também se chama "Diga sim ao Marquês", da maravilhosa Tessa Dare". Sei que algo assim já foi feito, mas estou apenas passando o tempo e curtindo.