Capitulo 29
Seria o destino?
A manhã não estava muito quente e Ana-Lucia gostou de sentir a brisa agradável sobre seu rosto quando desceu do carro em frente à praia. Sawyer, sentado no banco do carona, desceu logo em seguida. Ambos estavam usando roupas esportivas e sapatos próprios para se exercitarem.
- E então senhorita fitness, o que vai ser primeiro?- ele perguntou a ela antes de tomar um longo gole da sua vitamina de frutas que ele trazia consigo numa garrafa de metal.
- Humm!- fez Ana esticando o corpo. – Primeiro vamos nos alongar.- sugeriu.
Ela colocou os braços para cima e ficou na ponta dos pés esticando as panturrilhas. Ele fez o mesmo. Ana então se abaixou na frente dele e esticou os braços para a frente. Estava tão próxima de Sawyer que seu bumbum quando projetado para trás quase encostou nas coxas musculosas dele.
- Fiu, fiu!- ele assobiou fitando o traseiro dela na apertada calça de ginástica de estampa camuflada.
-Hey!- ela reclamou. – Para de olhar pra minha bunda!
- Mas o que eu posso fazer se ela está bem na minha frente?- ele desconversou.
Ana se virou para ele com um sorriso travesso e Sawyer agarrou-a pela cintura, trazendo-a para bem perto dele.
- A gente veio aqui para se exercitar.- ela disse.
- Exatamente. Estamos nos exercitando.- Sawyer falou cínico olhando para ela com um sorriso charmoso.
Ana também sorriu para ele, mas logo em seguida ela deu uma rasteira nele que os levou ao chão em segundos. Sawyer não se machucou, mas ficou muito surpreso.
- Mulheres bonitas te distraem?
- Foi golpe baixo!- ele acusou, divertido.
- Se eu te digo "pula..."
- Você primeiro!- ele disse espontaneamente, sentindo uma enorme sensação de deja vu ao dizer isso.
Ela deu um pequeno beijo nos lábios dele e se levantou:
- Vamos correr, James.
Levou alguns segundos para ele sair daquela sensação estranha que teve, mas logo ele se levantou e correu atrás dela que já seguia para a beira da praia.
xxxxxxxxxxxxxxxxxxx
Quando Jack levantou da cama já passavam das dez da manhã. Levou alguns minutos para ele entender por que ainda estava com dor de cabeça e para lembrar tudo o que tinha acontecido entre ele e Kate na noite anterior.
- Eu sou um idiota.- comentou consigo mesmo, sentindo-se péssimo pela maneira que a tratara na noite anterior, tirando vantagem dela em sua bebedeira. Decidiu que pediria desculpas mais uma vez, embora não houvesse justificativa para seu comportamento.
Levantou da cama, tomou uma chuveirada e se recompôs com um comprimido de acetaminophen. Ficou pensando que se Kate tivesse deixado o apartamento dele durante a noite, dessa vez ele não iria atrás dela. Finalmente saiu do quarto e a encontrou na cozinha de pé em frente ao balcão comendo um sanduíche; usava somente uma das camisas dele.
- Bom dia.- ela disse ao vê-lo.
- Bom dia.- ele respondeu um pouco embaraçado tentanto vir com as palavras corretas que queria dizer sobre a noite anterior.
- Amanhã eu vou embora.- ela anunciou de súbito. – E dessa vez é pra valer!
- Kate...eu queria me desculpar...- ele começou a dizer como se não tivesse ouvido o que ela tinha dito.
- Cala a boca, Jack!- ela falou surpreendendo-o.
- O quê?- ele indagou.
- Não quero ouvir as suas desculpas sobre a noite de ontem.
- Eu sei.- ele disse com ar apologético. – Eu não deveria ter feito...
- Você deveria ter feito sim.- ela o surpreendeu ainda mais. – Deveria ter feito porque eu queria que fizesse...
Ele se aproximou dela ficando frente a frente.
- Eu quero te agradecer por tudo o que fez, por ter cuidado de mim e não ter me entregado para a polícia, mas não vou te agradecer pelo que não fez.
- Kate, o que quer dizer?- ele perguntou, confuso.
Ela olhou para ele de cima a baixo de um jeito tão sensual que quase o deixou de pernas bambas e as memórias da noite anterior bombardearam sua mente, os beijos que trocaram, ela de joelhos no chuveiro com ele, ele beijando-lhe o corpo na cama.
- Você quer mesmo isso?- ele perguntou sem pensar, de repente a dor de cabeça já não
era mais um problema.
Kate ficou em silêncio e Jack achou que ela tivesse ficado ofendida com o que ele acabara de dizer.
- Hey Kate, esquece o que eu falei tá!
- A minha carência afetiva no momento não precisa da sua pena!- uma lágrima escorreu de seus olhos verdes.
Ela andou para longe dele, mas Jack a segurou pelos ombros, envolvendo-a em seus braços fortes. Kate se debateu.
- Kate!- ele disse tentando contê-la.
- Desculpa se eu não sou o que você esperava! Desculpa se eu não sou tão boa!
- Kate, baby...- ele continuou tantando acalmá-la e de repente tudo pareceu tão familiar; eles se olharam nos olhos e pareciam se conhecer há muito tempo. O beijo veio então, lento, intenso. Kate sentiu vontade de fugir mas Jack a segurou com firmeza e sussurrou em seu ouvido: - Vou fazer amor com você, Kate. Aqui, agora mesmo! Não vai fugir de mim!
O tom de voz firme dele e o calor de seus braços a fizeram gemer. Jack a segurou pelos longos cabelos e a puxou para um beijo ainda mais intenso. Levou-a consigo até o balcão da cozinha e a sentou no topo.
- Oh, Jack!- ela suspirou.
- Você disse que queria, então agora vai ter.- ele disse agressivo o que fez o corpo dela estremever em antecipação.
Eles se beijaram novamente e Jack ergueu a camisa longa que ela usava, o suficiente para expor sua calcinha para ele. Sem nenhum aviso os dedos dele se enrolaram no elástico em ambos os lados dos quadris dela e puxaram o tecido para baixo, retirando-o pelos pés dela. Kate arfou quando ele beijou-lhe os joelhos e separou-os expondo a vulva dela para ele.
Jack deu um sorriso mal e assoprou gentilmente nos lábios íntimos dela. Kate bateu os quadris contra o balcão mas Jack segurou-os diante do rosto dele, apreciando a pele cor de rosa do sexo dela. Ela deu um gritinho quando o sentiu lambendo na fenda da vagina dela.
- O gostou ficou na minha boca desde ontem.- ele admitiu. – Esse gosto doce...
Ele separou os lábios dela e provou de cima a baixo, chupando intensamente os pontos mais sensíveis.
- Jack!- Kate gritou o nome dele em êxtase, tentando fechar as coxas ao redor da cabeça dele até quase sufocá-lo.
No entanto, ele manteve as pernas dela abertas, o clitóris exposto para as investidas da língua masculina que se regozijava com o corpo dela. Ele colocou um dedo na entrada dela e brincou com ele para dentro e para fora enquanto a lambia.
- Oh, Deus!- ela gritou jogando a cabeça para trás enquanto Jack colocava ambas as pernas dela em seus ombros.
Ela estava bem próximo de explodir, Jack podia sentir.
- Vem pra mim, gostosa.- ele pediu e logo sentiu o pulsar do sexo dela em sua língua, seguido de pequenos jatos de gozo feminino que adorou receber em sua boca.
Quando ele se levantou de entre as pernas dela, viu que suas bochechas estavam coradas e seus vermelhos e inchados. Jack tomou sua boca e Kate se deliciou com o próprio gosto na língua dele. De repente, ele a surpreendeu tomando-a em seus braços e levando-a para a cama. Sentou-a nela e abriu as calças colocando seu pênis duro para fora. Puxou-a pelos ombros e a trouxe paraj junto dele. Kate abriu a boca sem questionar e o tomou, sugando-o devagar. Jack grunhiu e ela intensificou o movimento de sua língua na pele aveludada.
Ele a afastou devagar e correu até o banheiro. Quando retornou estava completamente nu e tinha uam camisinha na mão.
- Tira a camisa.- ele ordenou. – Quero ver seus seios.
Ela fez o que ele pediu e ficou completamente nua como ele. Jack colocou a camisinha e se deitou na cama, puxando-a contra si. Kate sentou nos quadris dele de costas, com o bumbum empinado e quando sentiu as mãos dele em seus quadris, posicionou-se para receber o pênis dele que deslizou fácil para dentro em uma única estocada.
Kate gemeu longamente e moveu seus quadris junto com os dele. Jack investiu fundo nela e fechou os olhos, delirando de prazer.
- Sim! Oh, sim!- Kate dizia entre gemidos enquanto eles continuavam a fazer amor selvagelmente.
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
Mais tarde, quando Ana-Lucia saiu para ir ao CSI após o almoço, James telefonou para Juliet e disse que em breve se encontraria com ela. Não sabia bem o que ia dizer ainda, mas sabia que tinha que terminar sua relação com ela porque estava completamente louco por Ana. Ela por sua vez, ocupou-se o dia inteiro no trabalho e sequer teve tempo de pensar em James.
Suas investigações com Pierce sobre a Dharma Initiative haviam sido infrutíferas durante todo o sábado. Eles encontraram registros antigos da existência da empresa, porém nada mais além disso. Nada que ligasse a empresa extinta à morte de Robert Rosseau.
No final da tarde, Ana recebeu uma mensagem de Jack, pedindo desculpas por seu comportamento na noite anteriore e agradecendo pela ajuda que ela lhe dera. Ele também dizia que tinha muita coisa acontecendo com ele naquele momento e que em breve a procuraria para se redimir. Ana revirou os olhos, não estava nenhum um pouco interessada nos métodos de Jack para se redimir com ela. James não ficou em casa a maior parte do fim de semana e ela não se incomodou em perguntar o que ele tinha feito. No domingo à noite assistiram à um filme de comédia juntos e dormiram cada um no seu quarto, afinal eram só amigos.
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
Ana acordara um pouco mais tarde que o normal na manhã de segunda-feira porque faria alguns exames antes de ir para o CSI. Chegara a hora da verdade. Os exames iriam dizer se seria mesmo possível que ela pudesse engravidar outra vez. Estava ainda mais nervosa a respeito desses exames do que estivera em sua primeira consulta.
Sentiu vontade de conversar com James sobre o assunto, e ser acalentada por ele, ouvir dele que tudo ficaria bem. Mas ele tinha saído cedo para trabalhar e mesmo que ainda estivesse lá, ela provavelmente não contaria a ele que estava tentando engravidar, não ainda.
No caminho para a Mitellos Biociência, Ana-Lucia disse para si mesma:
- Coragem Ana! Vai dar tudo certo...vai dar tudo certo!
Ao chegar à clínica , Ana-Lucia foi conduzida por Cassidy direto para o laboratório onde seriam realizados os exames. Estes seriam feitos por outra médica da Mittelos, a Dra. Emma Wellington. Ela trabalhava em parceria com Juliet, especialmente em casos especiais e complexos como os de Ana. Depois que a fertilização era feita com sucesso, a Dra. Wellington assumia o acompanhamento pré-natal da gravidez até o nascimento da criança, embora Juliet continuasse supervisionando.
- Bom dia, Ana-Lucia. Eu sou a Dra. Emma Wellington e irei acompanhar você juntamente com a Dra. Burke.
- È um prazer conhecê-la.- disse Ana-Lucia, sorrindo para a médica. Ela era mais velha do que Juliet, mas igualmente bonita e agradável com seus olhos castanhos bondosos e cabelos lisos à altura dos ombros.
- Eu sou obstetra.- a médica explicou. – Sou eu quem cuida das consultas pré-natais das pacientes após a concepção, no entanto, Juliet conversou comigo a respeito do seu caso e decidimos trabalhar juntas mesmo antes da concepção. Normalmente as pacientes fazem os exames preliminares com outros médicos da clínica ou até mesmo em outras clínicas já que esses exames podem ser considerados de rotina, mas no seu caso, eu gostaria de estar à frente de todos os seus exames.
Ela apontou uma confortável poltrona para que Ana-Lucia se sentasse e sentou-se em outra poltrona ao lado de Ana, estendendo a ela uma pasta de arquivos.
- Essa será sua pasta aqui na clínica, sua ficha já começou a ser feita por Juliet, mas continuaremos preenchendo-a até o fim do tratamento.
Ana abriu a pasta. Emma explicou:
- Na folha três você vai encontrar o resultado do exame preliminar que fez com Juliet.
Ela checou a folha três e um sorriso formou-se em seus lábios.
- Bom, não entendo muito a parte técnica do exame mas pelo que estou vendo aqui, meu exame preliminar está completamente normal, estou certa?
- Como a Juliet lhe disse, tudo está muito bem, sem qualquer tipo de infecção. Isso é excelente para começarmos.
- Eu estava tão preocupada... – Ana contou.
- Sim, eu compreendo, mas seguremos as expectativas. Esta manhã nós colheremos amostras de sangue para determinar de quanto será a dosagem hormonal que você receberá com o início do tratamento. Faremos também um ultra-som do seu útero para verificarmos a linha do endométrio e os ovários.
- Juliet lhe contou que eu... – Ana começou a dizer, mas a médica a interrompeu.
- Sim, Juliet me falou sobre tudo, não se preocupe. Sei que só tem um dos ovários, mas isso não significa que não possa conceber, como Juliet deve ter lhe dito, cada caso é um caso.
- O que acontecerá após os resultados dos exames?- Ana quis saber. – Juliet me falou sobre as drogas regenerativas e estimuladoras de hormônios.
- Sim, de acordo com o resultado dos exames nós seguiremos por esse caminho. O mais provável é que façamos o tratamento da estimulação ovariana controlada e a monitorização do seu ciclo para então podermos escolher uma boa data para a aspiração folicular, que é a retirada dos seus óvulos para a inseminação. Depois que a concepção é realizada in vitro passamos à inseminação. Por enquanto é só o que você precisa saber, Ana-Lucia, não vamos pular etapas.
- Certo!- Ana concordou.
- Antes de começarmos eu só gostaria de dizer a você que antes de tomar os medicamentos, deverá assinar um termo de consentimento com a Mittelos Biociência de que concorda com o tratamento e de que está fazendo isso de livre e espontânea vontade.
- Tudo bem.- Ana concordou com um suspiro. Sabia que estava dando um passo muito grande em sua vida, mas não havia mais como voltar atrás, ela queria muito ser mãe e um bebê significava toda a renovação de que ela precisava para seguir em frente.
A Dra. Wellington levou-a primeira a uma pequena sala esterilizada onde uma enfermeira recolheu as amostras de sangue necessárias. Foram retiradas quatro ampolas de sangue para diferentes tipos de análise. Ao final do exame, Ana-Lucia sentiu-se tonta e sua pele ardia no local onde a agulha perfurara. Pálida e zonza, ela sentou-se em uma poltrona estofada esperando pelo próximo exame.
Naquele momento, Ana-Lucia desejou que James estivesse ao seu lado, apoiando-a, mas sabia que aquela era uma fantasia boba. Ele não tinha nada a ver com o que estava fazendo ali.
A enfermeira que retirou as amostras de sangue notou que Ana não se sentia bem e trouxe-lhe um chá de hortelã morno para reanimá-la. Depois do chá, Ana sentiu-se muito melhor. Todos na clínica eram muito atenciosos.
Ela logo foi chamada para fazer o ultra-som que seria realizado pela própria Dra. Emma. Como da outra vez, Ana despiu-se e vestiu uma camisola branca do hospital. Deitou-se em uma cama e deixou que a médica introduzisse o aparelho em seu corpo.
Ao lado delas havia um monitor onde Ana poderia ver seu frágil sistema reprodutor, quase destruído por um dos tiros alvejados contra ela. Emma franziu o cenho enquanto guiava o aparelho dentro do corpo de Ana e observava com atenção o útero e o ovário dela, assim como a linha do endométrio.
- E então?- Ana indagou ansiosa.
- Você ovulou recentemente... – explicou a médica. – Isso significa que seu período está perto.
- Está certa.- concordou Ana. – Estou sentindo pequenas pontadas há uns três dias, isso sempre acontece quando está próximo do meu período.
- Tudo aparenta estar normal, mas não temos como ter certeza se você está ovulando normalmente a cada mês ou se seu organismo está tentando me enganar.
- O que quer dizer?
- Quero dizer que você pode estar tendo sangramentos sem a liberação dos óvulos. Posso ver que o tiro que sofreu fez com que perdesse um ovário e prejudicou uma parte do que restou. Há também uma lesão no seu útero, mas nada que possa afirmar que você é estéril. Quanto tempo faz que fez seu último ultra-som?
- Pouco mais de um ano.- Ana respondeu. – Mas o médico que realizou o meu exame garantiu que a lesão no meu útero era extremamente grave e que isso impedia que um bebê pudesse se desenvolver mesmo se eu concebesse.
- Penso que a opinião dele é muito controversa.- disse a doutora Wellington. – Sim, há uma lesão no seu útero, claramente.- ela apertou alguns botões no aparelho e aumentou a imagem. – Mas podemos tentar cuidar disso com medicamentos. Se você tivesse vindo se consultar comigo há um ano atrás e com uma lesão como essa, poderia estar curada agora. Não é nada irreversível.
Ana-Lucia mal podia acreditar naquilo. Lembrava-se bem do dia em que fizera o ultra-som e o médico lhe informara sobre a significativa lesão em seu útero que a tornaria incapaz de ser mãe para sempre.
- Ana, eu vou ser honesta com você. Estou realmente muito intrigada e empolgada com o seu caso. Seu corpo parece pronto para conceber, eu arriscaria dizer que você poderia engravidar até de maneira natural.
- Está falando sério?
- Seriíssimo.- disse Emma.
Ela finalizou o exame e depois que Ana se vestiu novamente, disse a ela:
- O resultado completo dos exames que fizemos hoje sairá em uma semana. Quando retornar à clínica, eu quero que traga todos os exames que fez há um ano atrás para que possamos comparar os resultados.
Ana-Lucia concordou de pronto. Ela ainda guardava consigo todos os exames que fizera , como se fosse para lembrá-la de sua própria incapacidade. Pelo menos agora, os exames serviriam para alguma coisa.
Mais uma vez ela saiu da clínica de fertilidade cheia de esperanças e sonhos. Foi nesse dia que ela notou que havia uma loja de artigos para bebês ao lado da clínica. Sentiu-se tentada a entrar na loja e foi o que fez.
Observando as roupinhas e brinquedos de bebê, Ana-Lucia sentiu-se atraída por um pequeno vestido de lã cor de rosa que acompanhava meias da mesma cor e uma touquinha de dormir.
Ela segurou a roupa entre seus dedos e de repente sonhou com uma menina rechonchuda em seus braços, vestida com aquela roupinha. Ana abraçou o vestido contra o próprio corpo e pensou se deveria comprar a roupa.
Uma mocinha grávida que escolhia roupas de bebê para um menino sorriu para Ana e disse:
- Essas roupas são tão fofinhas, não é? Eu não sei o que escolher.
- São sim. – Ana concordou, sentindo-se um pouco tola por estar abraçando o vestidinho de bebê.
- Você está comprando um presente para alguém?- a garota perguntou. Ela era muito jovem e bonita. Tinha cabelos loiros, cacheados que combinavam perfeitamente com sua expressão angelical e os olhos azuis.
- Bem, eu... – Ana não soube o que dizer.
- Oh, você está grávida?- a menina perguntou com ar de empolgação.
Ana-Lucia gostaria de dizer que sim.
- Ainda não, mas estou tentando.- ela respondeu.
- Que bom!- disse a garota. – Sabe, eu fiquei um pouco maluca quando eu soube que engravidei, até pensei em dar meu filho pra adoção, o pai dele é um idiota!- a moça começou a tagarelar sem parar sobre sua vida. Parecia muito à vontade com Ana. Ela contou que era Australiana e que tinha vindo à LA para dar o filho para a adoção, mas que ao ver uma mãe com seu filho no aeroporto quando chegou aos Estados Unidos, mudou completamente de idéia. – Eu me sinto abençoada, sabe?
- Eu imagino que sim.- disse Ana observando a enorme barriga da garota.
- Meu bebê nascerá em breve... – revelou ela e de repente disse. – Oh, mas o que eu estou pensando? Estou aqui tagarelando sem parar e sequer lhe disse o meu nome. Eu sou a Claire.
- Ana-Lucia. – Ana apertou a mão dela.
- Sabe, Ana-Lucia, estou a pouco tempo em LA e não tenho ninguém com quem conversar...quer dizer, me refiro a uma amiga. Eu tenho o Charlie. Conheci o Charlie no vôo pra cá. Houve uma turbulência no avião e eu me senti mal, ele foi uma gracinha comigo e tem me ajudado desde então. Me convidou pra ficar no apartamento que um amigo emprestou pra ele enquanto eu não arranjo outro lugar pra ficar, ele tem sido meu melhor amigo. Mas às vezes sinto falta de ter uma amiga pra conversar e você parece ser uma pessoa muito legal...
A garota era espontânea e sincera. Ana gostou disso. Como ela, Ana também sentia falta de uma amiga para conversar às vezes.
- Claire, eu estava pensando em ir almoçar antes de ir ao trabalho, gostaria de vir comigo?
- Seria um prazer.- respondeu Claire. – Mas eu não tenho muito dinheiro...
Ana sorriu.
- Não se preocupe com isso, eu pago.
- Obrigada.- disse Claire. – Vai comprar o vestido?
- Bem, como eu disse não estou grávida ainda.- falou Ana.
- Mas seria um bom estímulo para você ficar!- retrucou Claire.
- Sabe que você tem razão?- disse Ana. – Eu vou comprar o vestido.
Depois que ambas pagaram pelas roupas de bebê que compraram, Ana levou Claire até o seu carro indagando se ela gostava de comida italiana, ao que a garota respondeu sim de imediato. Enquanto dirigia, Ana pensou que a cada dia que passava recebia mais um sinal de que seu sonho se realizaria muito em breve.
Continua...
