Mil desculpas pela demora, gente. Tive uns probleminhas pra ajustar algumas ideias e por isso levei um tempinho pra terminar. Esse é o penúltimo capítulo, espero que gostem!
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"Ela. Tá. Ocupada. Agora."
Nami conseguiu ouvir o ranger dos dentes e a mão apertar a cintura dela. Ela franziu o cenho. Qual seu problema, Luffy?
- Que-? Você é namorado dela por um acaso? - o rapaz tinha uma sobrancelha levantada.
Fato. Ele não é mesmo.
- Não interessa, ela tá ocupada agora. - a voz de Luffy não deixava espaço para discussão. A raiva estava começando a borbulhar dentro de Nami e ela não ia ficar calada.
- Olha, cara, eu não quero confusão, só quero dançar com a gostosinha, então se você me der licença-
Gostosinha?
GOSTOSINHA?
- O que você disse?
Nami conseguia visualizar claramente o rosto enfurecido de Luffy e ela tinha certeza que ele conseguia visualizar o dela também. Mas antes que ela conseguisse protestar, o rapaz estranho esticou o braço e pegou a mão dela bruscamente, o que acabou a tirando dos pensamentos homicidas que estava tendo em relação a Luffy (e agora em relação ao rapaz também). Mas o que diabos esses cara tá pensando? Ele tá me tirando do sério.
Ele mais uma vez a puxou e Luffy a segurou mais forte pela cintura, mas o cara não queria largar dela.
- Moço, você tá me machucando!
Se ela tivesse com o Clima-Tact, não estaria tendo esse problema.
- Eu vou dar cinco segundos pra largar dela. Se você não largar, eu vou acabar com você.
Nami ainda não conseguia ver o rosto de Luffy, mas sabia que ela ainda estava com o cenho franzido e com os lábios tremendo. O capitão nunca soube controlar a raiva.
- Haaa? Eu não vou largar dela, eu cheguei primeiro, seu merda.
- Um.
A contagem de Luffy não estava sendo feita apenas para ele meter a porrada no cara, estava servindo para Nami manter a calma e a compostura.
- Que-
- Dois.
Não estava funcionando para ela.
- Você quer realmente me intimidar?
- Três.
- Cara, ela ia dançar comigo-
- Quatro.
- Mano, quem diabos você pensa que é-
- Cinco.
E lá se foi minha noite tranquila.
Luffy esticou o braço para trás, Nami perdeu a paciência, o rapaz não estava entendendo nada, Nami também fechou o punho e jogou o braço para trás, o braço de Luffy voltou, Nami levou o braço para frente, Luffy gritou e ela também.
- MEU NOME É MONKEY D. LUFFY!
- ME LARGA, SEU FILHO DA MÃE!
Antes do punho do garoto borracha e o dela chegar perto do rosto do rapaz, Nami conseguiu ver a expressão confusa dele, em uma fração de segundo, se tornar uma de compreensão e por fim, de terror. Agora que ele percebeu que era o Luffy do Chapéu de Palha.
Os dois punhos acertaram o rosto dele em cheio, o rapaz foi jogado para trás e destruindo uma barraquinha no processo; Nami bufava, as pessoas gritaram, as crianças correram, a banda parou de tocar e Luffy gritou de novo.
- E NINGUÉM MEXE COM UMA COMPANHEIRA MINHA!
Mesmo assim, Nami suspirou pesadamente, massageou as têmporas e repetiu um mantra - Eu vou me acalmar eu vou me acalmar eu vou me acalmar.
Luffy ainda a segurava pela cintura e a aproximou mais do corpo dele, como se sempre estivera ali, como se ali fosse o lugar dele. Em menos de quarenta e oito horas, Nami ficou muito próxima a ele mais uma vez e o calor que emanava a fazia se sentir segura. Ela manteve uma distância mínima, tentando não encostar nele. Ela conseguia sentir o cheiro tão característico dele. Algum perfume amadeirado que ele só usa em ocasiões especiais.
Ela lutou contra a vontade de repousar o rosto no pescoço dele e não sair mais.
Luffy ainda tinha o semblante raivoso e fechou o punho novamente quando viu o rapaz levantar. Então Nami resolveu impedi-lo antes de ele fizesse qualquer outra besteira.
- Okay, okay, já chega! Moço, sendo bem sincera, você mereceu. Não é assim que se trata uma dama. - Nami encarou o rapaz no chão com raiva e andou até ele para dar um último soco na cara dele. - e Luffy. Você. Vem. Comigo.
Nami rangeu os dentes ameaçadoramente e Luffy pareceu despertar do transe de ira que estava. Ele finalmente olhou para ela, abriu a boca e eventualmente, a expressão dele mudou de raiva para medo.
- Nami~, eu-
- Vem. Comigo. Agora.
O capitão assentiu com a cabeça e pressionou os lábios em uma linha fina. A ruiva o puxou pela mão e o levou para um canto separado atrás do palco e mais perto de uma pracinha iluminada. Ela suspirou fundo mais uma vez e olhou feio para ele. Luffy manteve-se quieto, esperando ela dar o primeiro passo.
- Luffy. Eu ia dançar com aquele cara. Por que diabos você espantou ele?
- Você queria dançar com um cara que machucou sua mão? Tá doida, Nami? - ele gesticulou completamente indignado.
- Eu realmente não esperava que ele agisse daquele jeito, mas você não tinha o direito de interferir, Luffy. Você não tem o direito de me controlar!
- Eu sei, mas-!
- Sem "mas", Luffy. Qual seu problema?
- Meu problema? Ué, eu fui te defender, sua besta e você vai ficar com raiva de mim?!
- Caramba, Luffy, mas e se ele fosse de fato um cara legal? Você teria espantado ele!
Nami deu as costas bruscamente para ele e voltou a andar. Ela não foi muito longe quando ouviu a voz dele baixinha.
- Eu queria dançar com você. Você não quer dançar comigo, Nami?
Ela continuou com as costas viradas para ele. Luffy falou mais uma vez com uma voz quieta, mas Nami o escutaria onde quer que fosse - mesmo naquela hora, na rua iluminada cheia de pessoas indo e vindo conversando.
- Aquele cara é mais legal que eu?
Que? Que idiota. Como ele pode pensar uma coisa dessa?
Finalmente, Luffy falou com um tom curiosamente triste. Ela ouviu o farfalhar do yukata dele e o som da sua sandália de madeira no asfalto. O capitão devia ter virado para ir embora, assim como ela.
- Então tá, Nami. Pode ir lá.
A navegadora estava extremamente cansada. Desde o momento em que os lábios dela encontraram os dele no dia anterior, Nami simplesmente não teve nenhuma paz de espírito. Ela decidiu que não dava para continuar assim - a ruiva não conseguiria passar mais um minuto sem resolver esse problema com Luffy de uma vez por todas. Num piscar de olhos, ela se virou para encará-lo com tudo que precisa falar já na ponta da língua, mas espantou-se de ver que ele já estava encarando-a e se aproximando a passos largos com uma expressão muito determinada.
- Eu não ia falar nada, Nami, mas num dá. Só num dá! - ele cruzou os braços e fez seu beicinho característico.
- Que-!
- Tudo ficou estranho depois de ontem e eu não gosto.
- L-Luffy, eu falei-
- Não quero saber! Eu não falei nada ontem nem hoje porque não queria te fazer raiva, mas agora num dá mais. Você tá me evitando e não é legal.
- E-Eu não t-to-
- Tá sim! Eu quero que a gente volte a se falar. Por que você me beijou se não vai mais falar comigo?
- E-Eu não disse que nunca falaria mais com você, s-seu idiota! E-Eu só tava procurando uma forma de me desculpar com você. - ela desviou o olhar e falou suavemente. - Eu sei que te beijei, mas não se preocupe, eu não espero nada em troca. Eu também só quero que a gente volte ao normal. Quero continuar sua amiga.
- Você só quer ser minha amiga? - Luffy parou e olhou interrogativamente para ela, erguendo uma sobrancelha.
- É, Luffy. Só quero que você esqueça que eu te beijei e que tudo volte a ser como era. Eu juro que nunca mais faço isso de novo.
- Nunca mais?
- Isso. Nunca mais.
- Mas eu queria que você fizesse de novo, Nami~!
- Que-? L-Luffy! Isso não é uma coisa que se faz entre amigos!
- Você fez isso e diz que só quer ser minha amiga. Tem uma coisa errada na sua lógica. - o tom dele indicava que ele a achava uma idiota.
- Que-? Você é muito teimoso. - ela suspirou pesadamente. - Escuta, Luffy, eu não quero ser só sua amiga de fato, mas você é meu capitão e meu melhor amigo, eu sou sua navegadora e todos somos uma família. Beijar é só uma coisa pra casais, o que nós dois não somos. Então. É isso aí.
Nami torcia para que ele não percebesse o quão nervosa ela parecia, mas ao mesmo tempo, ela se sentia muito orgulhosa por ter falado tudo isso com a maior confiança do mundo, sem gaguejar uma vez sequer.
Por algum motivo, Luffy olhava aterrorizado para alguma coisa atrás dela. Nami se preocupou e virou na hora.
- Beijar é coisa para casais, huh… Tipo… o que o Zoro e a Tashigi tão fazendo… agora? - o rosto de Luffy demonstrava o terror que ele estava sentindo no momento. - Eu não acho… que eles queiram ser… só amigos, Nami.
Nami deveria estar com o mesmo semblante horrorizado.
- Não… mesmo. Não do jeito que esse beijo tá indo. - ela beliscou o nariz - Oee! Vocês tão sendo indecentes publicamente!
Zoro soltou Tashigi de supetão e os dois olharam para Luffy e Nami com os rostos vermelhos que nem um tomate. Depois de um segundo, o espadachim olhou feio para a ruiva e saiu puxando Tashigi pela mão.
Como é possível ter tanta tensão sexual acumulada?
Nami ainda estava tão incrédula que quase não percebeu Luffy puxando a manga dela levemente.
- Você ia beijar aquele cara daquele jeito, Nami?
Quando ela se virou para encará-lo, Luffy parecia muito tristonho.
- Uuh, igual Zoro e Tashigi-chan não, mas nunca se sabe.
Luffy largou a manga dela, desceu suavemente pelo braço e entrelaçou os dedos dele com os dela.
- Você ainda quer ir lá com ele? - o capitão deu dois passos e se aproximou mais de Nami.
- Que-? Claro que não. Tá tudo bem agora. Eu e você estamos bem, então quero ficar aqui. Pode ser? - os olhos dela procuravam os dele freneticamente. Luffy ficou em silêncio subitamente. O que diabos ele está pensando? - Claro que se você não quiser, eu posso ir-
- Não! Se você for embora, você vai lá com aquele cara! - Luffy choramingou e apertou a mão dela mais forte.
Nami ficou boquiaberta e logo em seguida, não conseguiu impedir de uma veia começar a pulsar em sua testa. Luffy realmente está testando minha paciência.
- Eu não acredito que você está falando uma coisa dessas. Sinceramente, Luffy, você não me conhece? - ela fechou os olhos e começou a massagear as têmporas. Eu não vou me irritar eu não vou me irritar eu não vou me irritar. Quando abriu novamente, o capitão não estava mais triste e sim, com uma expressão séria. E o que ele falou depois a deixou paralisada com um coração ameaçando sair do peito.
- Zoro estava certo, Nami. Eu sou super protetor com você.
- Q-q-que-? V-v-você-
- Sim.
Oh não. Socorro.
- L-L-Luffy…
- Você disse que me ama.
- E-Eu…
"Mas já pensou em falar a verdade?"
As palavras de Robin vieram a sua mente como um raio atingindo uma árvore. Nami inspirou fundo e soltou seu coração de uma vez só.
- É. Eu amo. E não só como um amigo.
Luffy arqueou as sobrancelhas surpreso. Muitas emoções passaram pelo rosto do garoto e Nami não teve tempo de reconhecer nenhuma delas.
- Então não quero que beije mais ninguém, Nami.
- Aí você tá pedindo muito, capitão. Não é porque eu te amo que eu preciso ficar presa a você o resto da vida, seu tonto. - ela deu um sorriso um pouco cabisbaixo.
- Eu quero ficar com você.
- L-Luffy, você não sabe o que tá falando-
- Sei sim! Você que acha que eu não sei. Você me beijou e foi bom, de verdade. Eu quero ficar com você. - Luffy tocou o rosto dela carinhosamente e murmurou. - Eu seria capaz de destruir o mundo se alguém tocasse um dedo em você.
- Você faria isso por qualquer um de nós. Eu não sou especial. - Nami riu abafadamente.
- Você é especial, sua idiota. - Luffy não pareceu achar graça.
Agora sim os olhos dele pediam para que ela acreditasse nele. Mas como posso fazer isso? Tem tanta coisa que ele não sabe…
- Por que você não consegue aceitar isso…? …Você acha que eu não sou capaz?
- Eu só acho que você… não sabe o que tá fazendo, Luffy… e se você acordar um dia e decidir que não era isso que queria? E se achar que estar com alguém é muito trabalhoso? Que infringe sua liberdade?
A ruiva sabia que a expressão dela demonstrava a agitação que estava sentindo no momento, mas não conseguia esconder de jeito nenhum.
- Primeiro que eu nunca machucaria você. Eu prometi ao velho lá da sua vila que nunca tiraria seu sorriso. Segundo que você gosta de ser tão livre quanto eu e tá tudo bem. Terceiro que… como vai ser trabalhoso estar com você? Se tem alguém que dá trabalho, sou eu, shishishi.
O sorriso cheio de dentes apareceu pela primeira vez aquela noite e Nami largou todas as incertezas e deu um selinho rápido nos lábios dele. Ah não, o que aconteceu com sua promessa de não fazer mais isso?, ela se perguntou.
- É mais fácil você acordar um dia e achar tudo isso. - Luffy parecia abatido.
- Nunca. Eu acordo todos os dias e não penso isso. E nem acordo do seu lado, seu idiota. - Nami revirou os olhos e entrelaçou a outra mão com a dele.
- Eu vou poder dormir com você? - Se fosse possível, os olhos de Luffy teriam virado estrelinhas. - Você é quentinha, Nami! Shishishi.
- C-Cala a boca, seu besta! Presta atenção no que você fala! As pessoas podem escut-
- Deixa eles escutarem.
E sem aviso, Luffy inclinou a cabeça e beijou Nami.
Simples assim. Como se os lábios deles já tivessem se encontrado várias e várias vezes e isso já fosse normal.
Inicialmente, Nami ficou tão surpresa que não conseguiu ter nenhuma reação. Ela pensou em protestar e perguntar mais uma vez se ele tinha alguma noção do que estava fazendo, mas a vontade morreu com o fechar dos olhos dela (que Luffy, felizmente, imita) e com as mão dela entrelaçando ao redor do pescoço dele para puxá-lo para mais perto possível.
Luffy rapidamente segurou a cintura dela com uma mão, enquanto a outra começou a passear pelas costas dela. Nami não estava tendo tanto autocontrole e logo lambeu o lábio dele como se pedisse passagem. Ela imaginou que ele não saberia o que ela estava insinuando, mas quase soltou um gritinho de surpresa quando ele abriu a boca, com a língua dele indo provocar a dela.
Luffy era inexperiente, como ela podia perceber, mas Nami não se importou. Beijar decentemente Luffy era algo que ela fantasiava por meses e agora que estava finalmente acontecendo, o peito dela estava cheio de alegria. Borboletas no estômago era uma coisa para adolescentes de treze anos, mas só por hoje, Nami as deixaria voar livremente dentro dela.
Ela não sabe quanto tempo passaram atracados assim, mas assim que o beijo passou a ser insistente e ávido, Nami resolveu se afastar. Afinal, ela tinha acabado de chamar atenção de Zoro e Tashigi, então não estaria certo se agarrar com Luffy no meio de uma praça cheia de crianças e idosos olhando feio para os dois.
Ambos estavam ofegantes e Nami tinha quase certeza que o coração dela nunca bateu tão forte em toda sua vida. Luffy foi o primeiro a abrir os olhos e em seguida, encostou a testa dele na dela.
- Nami, desculpa pelo que eu falei meses atrás sobre você não ser divertida. Não é verdade… é só que você passou a fazer algumas coisas que eu não conseguia acompanhar…
- Huh? Tipo o que? - ela abriu os olhos e o encarou confusa.
- Sei lá, tipo jogar xadrez. Eu não entendo nada daquilo, Nami~. - ele choramingou e fez beicinho.
- Você é um idiota… Eu sou uma idiota. - a ruiva arregalou os olhos e começou a bufar. - Monkey D. Luffy, você quer dizer que eu tenho sofrido todos esses meses porque- PORQUE VOCÊ NÃO SABIA JOGAR XADREZ?!
- N-N-Nami, n-não briga comigo! Culpa sua que não quis me dizer nada!
Ela abriu a boca mas não conseguiu pensar em nada coerente para dizer. Ela só conseguia ouvir um ruído branco no fundo da sua mente.
- Touché, Luffy.
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Nami achava que, conforme o tempo passava, Luffy ia mudando junto com ela. Ele continuava um bobo e empolgado com as coisas mais bestas da vida, mas aos poucos, ela conseguia perceber um amadurecimento diferente.
Luffy passou a escutá-la mais; ocasionalmente, passou a preferir ficar com ela ao invés de sair e explorar as ilhas feito um louco (e às vezes voltar super machucado), realmente parecia arrependido toda vez que voltava quase entre a vida e a morte das inúmeras batalhas que a tripulação se metiam, era capaz de se desculpar toda vez que a deixava estupidamente preocupada.
Mas não era só ele que estava se transformando. Nami passou a ter mais paciência com ele e não espancá-lo tanto, passou a compreendê-lo melhor - a forma como age e a forma como pensa; era capaz de se divertir com as coisas totalmente aleatórias que ele inventava, conseguiu ensiná-lo a pensar com mais sensatez nas mais variadas situações.
A essência dos dois continuava a mesma - Luffy ainda fazia as piadas bestas (e ela ria em segredo) e o dinheiro ainda continuava a ser a segunda e terceira paixão dela (a primeira era a tripulação, Nojiko, Genzo e Luffy). Mas havia uma metamorfose entre eles.
Nós dois estamos mudando pra melhor.
Toda vez que os olhos dela encontravam os dele e Luffy sorria aquele sorriso todo cheio de dentes, Nami pensava sobre como ela nunca se sentiu tão feliz na vida. E que idiota da parte dela ainda corar toda vez que isso acontecia.
Incrível como é possível o ser humano amar tanto o outro a ponto de o peito querer explodir.
As vezes ela gostava de ficar observando-o - enquanto fazia festa com Usopp, quando sentava na figura da proa olhando para o céu e provavelmente pensando em Ace ou Sabo; quando pescava, quando sorria para pessoas completamente estranhas, quando estava dormindo agarrado nela.
Esse era o preferido de Nami. Poder fazer carinho no cabelo bagunçado dele e no rosto de borracha.
Como estava fazendo no momento. Os dois estavam deitados juntos na espreguiçadeira no deque - Luffy todo enroscado nela e Nami suportando o peso do capitão e apoiando a cabeça dele em seu peito, debaixo de um céu todo estrelado e deslumbrante.
Às vezes eles ficavam só assim - deitados em silêncio observando a noite e o mar. Nessa, eles conversaram até cansar e o silêncio tomar conta. Todos resolveram se recolher no momento em que viram Luffy e Nami se acomodarem na espreguiçadeira. Luffy não sabia, mas a tripulação definiu isso como uma deixa para deixá-los sozinhos porque não tinha nada nesse mundo que fizesse os dois prestarem atenção em outra coisa a não ser um no outro.
Nami percebeu na terceira ocorrência, mas preferiu não falar nada. Ela gostava muito do tempo que passavam juntos.
De repente, ouviu a voz séria de Luffy. Hm? O que houve?
- Nami.
- Mmm?
- Você é muito especial. - ele levantou os olhos para capturar os dela e dessa vez Nami não corou.
- Huh? - ela piscou, se sentindo confusa.
- Eu sabia desde o primeiro momento que vi você.
Luffy se levantou e pôs cada uma das mãos ao lado dela, prendendo-a debaixo dele. Ela não ficou acanhada, mas impedir o coração de bater acelerado já era demais.
- L-Luffy-
- Eu não vou deixar nada acontecer com você. Nunca!
Eu sei. Mas você sabe que eu também?
- Luffy.
Nami levantou as mãos e segurou o rosto dele. Agora era a vez dela de mostrar um semblante sério a ele.
- Hm? - ele inclinou a cabeça e olhou para ela que nem uma coruja.
- Você não faz ideia das coisas que eu faria pra proteger você.
E é verdade. Nami tinha ponderado sobre uma breve ideia que surgiu e se alojou num canto da mente dela em uma noite estrelada qualquer, mas não tinha feito nada a respeito. Entretanto, no momento em que Luffy a beijou de verdade naquele festival há meses atrás, Nami realmente se deu conta que não saberia viver sem ele. Então para que ela conseguisse protegê-lo, acordou um dia (e viu que ele já estava acordado encarando-a) e simplesmente pediu para que ele a treinasse.
As palavras saíram sem dificuldade e com muita firmeza.
"Luffy, preciso que você me treine."
O capitão lançou um olhar desconfiado a ela e ficou calado por uns minutos, mas Nami esperou pacientemente. Ele deve ter percebido a frequência alta de seriedade na voz dela e deveria estar pesando os prós e contras. Então, depois de um longo tempo, ele simplesmente assentiu com a cabeça.
"Okay."
Nami sabia que era uma lutadora de longa distância e com habilidade de afetar uma área bem grande, mas ela precisava de mais. Ela precisava protegê-lo, mesmo que por um curto espaço de tempo. Ela precisava.
- Você sabe disso né, Luffy?
Ela grudou os olhos nos dele.
- Por favor, me diz se você sabe ou não.
Ele não falou nada, mas o beijo que ele deu disse tudo.
Logo no início, Luffy precisou de um tempinho para se acostumar com o ato simples que era beijar. Era diferente e ele não tinha experiência alguma, embora o instinto natural dele (que quase nunca errava) tenha feito a aprendizagem ser bem rápida. Ela teve toda paciência do mundo para ensiná-lo porque sabia que o capitão não parava até conseguir o que for que tenha botado na cabeça. Mas quando aprendeu…
Nami sabia que não beijaria nenhuma outra boca em sua vida.
E nesse exato momento, Luffy não estava muito a fim de ser inocente. Nami não precisava mais guiá-lo porque ele já tinha aprendido tudo que ela podia ensinar. Ele era capaz de ser gentil (e eram os beijos mais doces que já recebeu), mas ela sabia que ele também era fogo e queimava até consumi-la.
- Luffy-
Ele simplesmente levou uma mão a repousar na nuca dela, com somente a ponta dos dedos entre os seus cabelos e quando Nami menos percebeu, a língua dos dois já estavam dançando.
Ela o puxou pelo cardigã e os dois se beijaram como se fosse o último dia da vida deles.
Já tinha meses que estavam juntos (essa era exatamente a forma como Luffy se referia a situação entre eles - juntos), mas o coração de Nami, ainda assim, palpitava como se ela fosse morrer a qualquer momento e não existia mais motivo para ela continuar a se derreter com o peso sedutor do corpo dele sobre o seu. Por algum motivo, ela tinha o pressentimento de que esse beijo em particular parecia muito mais ardente e o fogo estava começando a incendiar seu corpo todo.
Em um movimento rápido, Luffy sentou-se e bruscamente a puxou para montar no seu quadril, pressionando-a pela cintura para ficar mais e mais perto. Ela não deveria ter deixado escapar um gemido suave no momento em que ele deixou seus lábios e passou a atacar seu pescoço, mas Nami já não tinha nenhuma força para impedir um Luffy sem controle.
Nami ofegou e involuntariamente jogou a cabeça para trás; Luffy, sempre rápido, aproveitou como podia o acesso que ela deu - mordendo e sugando qualquer pedaço de pele que podia. De alguma forma, ele era capaz de fazê-la se sentir como ninguém nunca fez antes e o contraste desse Luffy, que a incinerava com um simples toque, com o capitão alegre e jovial sempre a espantava.
Esse outro lado desconhecido dele que ele guardava apenas para ela.
Não era novidade para ninguém que Luffy era um exímio lutador, mas aqui, nesse campo de batalha, ela também era capaz de lutar com igual ferocidade. A ruiva não achava justo que só ele soubesse como provocá-la e ela não poder fazer o mesmo. Então de pouquinho em pouquinho, Nami foi descobrindo os locais onde ela conseguia fazê-lo se contorcer. Ela sabia qual era o favorito e não ia deixar barato - lambeu o lóbulo da orelha dele e em um piscar de olhos, Luffy choramingou baixinho na curva do pescoço dela. O barulho era fofo e tão ele que Nami sempre tinha vontade de dar uma risadinha. Na verdade, todo e qualquer barulho que ele fazia era tão prazeroso e tão sincero.
Mas no fundo, o fato de ela ser capaz de fazer isso com o grande Monkey D. Luffy, um dos piratas mais poderosos de todos os tempos, dava-lhe uma sensação inebriante de poder e orgulho.
Foi somente quando ela percebeu que Luffy se pressionava persistentemente contra ela que Nami se deu conta onde isso iria dar e que eles não podiam fazer aquilo. Ela se afastou subitamente e segurou o rosto dele com as duas mãos. Luffy parecia frustrado, como se fosse um pecado Nami não deixá-lo sentir o sabor dela.
- Luffy. A gente não pode fazer isso.
- Por que?
- Quer dizer, a gente não pode fazer isso aqui. No deque.
Luffy só continuou a encará-la, algo escuro e convidativo em seu olhar.
- P-Podemos ir p-pro meu quarto, se você quiser. Robin tem d-dormido com F-Franky e-
Luffy a levantou e a manteve atracada com as pernas ao redor dele, enquanto andava em direção ao quarto a passos largos. O coração de Nami batia desenfreadamente com antecipação e conseguia sentir que o dele também. A quatro passos da porta, ela sentiu uma pontada de dúvida e receio - Luffy sabia o que estava prestes a acontecer? Ele estava pronto para mais uma mudança na vida dele?
Mas todo a hesitação se foi no momento em que passaram pela porta e Luffy a pressionou contra a parede e a beijou novamente a ponto de tirar seu fôlego.
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Quando Nami o abraçou mais tarde naquela noite, com o corpo nu suado grudado no dele, ela constatou que tinha uma leve tendência a subestimar Monkey D. Luffy. Ela esperava várias coisas daquela noite mas o que recebeu foi muito acima das suas expectativas. Ele ainda era um enigma para ela e ainda tinha muitas coisas que ela precisava aprender sobre ele.
Como, por exemplo, que o instinto dele realmente funcionava. Agora, ela tinha completa certeza e já poderia retirar da listinha de dúvidas.
Nami nunca tinha feito sexo, embora tivesse chegado perto disso várias vezes durante seu tempo de ladra - a melhor forma de conseguir algo de um homem era por meio de sedução. E isso ela sempre teve de sobra. Mas nunca fez, sempre se esquivou porque, no fundo, ela tinha essa fantasia de que gostaria que a tão temida "primeira vez" fosse com alguém especial. Alguém que se importasse com ela.
A ruiva sabia que muitas pessoas já se livravam dessa pressão muito cedo e Nami continuou a esperar, mas sem sucesso. A pessoa "certa" não aparecia de jeito nenhum e conforme o tempo passava, ela acreditou que assim era melhor. Ela vivia numa época que não tinha espaço para esse tipo de coisas - amor e paixão não faziam parte do seu vocabulário diário.
Até Luffy cruzar seu caminho.
Até Luffy salvá-la de Arlong, até ele colocar o chapéu de palha em sua cabeça, até ele gritar dizendo que ela era companheira dele, até amor e paixão passar a fazer parte do seu dia a dia por causa dele.
Luffy era a pessoa que ela estava esperando.
E que bom que Nami esperou porque Luffy se mostrou um amante impecável. Nunca ninguém tinha sido tão doce com ela em toda sua vida e a cabeça dela ainda girava só de pensar. Tudo que se sucedeu a partir do momento em que passaram pela porta, parecia natural - como se já tivessem feito aquilo inúmeras vezes, como se o corpo dela já soubesse o caminho até o dele de cor.
Então, subitamente, Luffy falou novamente e o contraste da voz como ambiente anteriormente em silêncio fez a mão que fazia carinho suavemente no braço dele estremecer.
- Nami, casa comigo.
Nami só conseguiu ficar petrificada em choque.
Que?
Ela piscou três vezes e mais uma vez-
- Que-?! Tá doido, Luffy? - Nami se levantou e apoiou-se em um braço - Primeiro que a gente num precisa casar pra estar oficialmente junto e segundo que não foi você que não pensa sobre isso? E terceiro, temos vinte e um anos, Luffy. Não acha que é meio cedo pra casar?
Luffy apoiou os braços atrás da cabeça e a contração dos músculos a fez corar e desviar os olhos. Fala sério, Nami, não faz nem uma hora que você o viu literalmente sem roupas. Ele só olhou para ela e inclinou a cabeça.
- Eu não penso sobre isso com nenhuma outra pessoa. Mas se for você, tudo bem, shishishi. - Luffy riu que nem bobo e pôs a mão em seu queixo - E eu não me importo com isso de idade. Faz alguma diferença já que eu quero passar o resto da vida contigo?
Nami arregalou os olhos e ela tinha certeza que todo o sangue tinha subido para o seu rosto. Luffy apenou segurou seu rosto carinhosamente com a mão.
(Os músculos do braço dele ainda estavam a distraindo, juntamente com o peito agora descoberto pelo lençol.)
- Então, casa comigo? Porque pensa só… como diabos os outros vão saber que você é minha, Nami~? - ele fez um beicinho.
- Por que diabos você quer mostrar isso?
Nami piscou algumas vezes e moveu a mão para cobrí-lo com o lençol, mas Luffy interceptou.
- Por que eu amo você, oras. - ele disse simplesmente.
Que?
- Huh-?
- Você tá pensando demais. Eu amo você e é isso. Achei que já soubesse. - ele inclinou a cabeça e falou com um tom que indicava que ela era idiota por não saber disso. Algumas mexas do cabelo suado dele caíram em seu rosto e Nami apenas o encarou. É óbvio que Luffy sabia o significado da palavra "amor" - ele sentia isso pelos amigos e tripulação, pela família e por comida. Mas mesmo que estivessem juntos, ela não achava que ele podia sentir isso por ela porque eram palavras fortes de fato. Você amar alguém que não seja sua família ou amigos, que são basicamente uma família sem laços sanguíneos que você escolhe amar, sempre foi uma noção muito estranha para Nami.
Você escolher alguém que não tem nenhum laço real para amar e proteger, sem garantia alguma de que essa pessoa vai retornar o amor é muito bizarro para ela. E perigoso.
Nami sempre foi capaz de fazer isso, mesmo achando diferente - amar sem garantias, se doar sem retorno, andar pelo fogo sem pensar duas vezes - que é até estranho alguém dizer que sente o mesmo por ela.
Luffy me ama. Monkey D. Luffy me ama.
- Oe Nami, que houve? - ele se sentou e com visível preocupação, segurou o rosto dela com as duas mãos. O lençol desceu até a cintura, Nami engoliu em seco e em seguida, abafou o riso. Ele acabou de falar que te ama e agora o que você está querendo fazer é puxar esse lençol de vez.
- Nada. Eu só realmente amo você demais.
Nami o puxou para um beijo arrebatador e a resposta dele foi capaz de tirar o fôlego dela mais uma vez. Caramba, Luffy, eu não tenho energia pra mais um round. Então, com muito esforço, ela terminou o beijo.
- Shishishi, então finalmente estamos empatados. - Luffy esfregou o nariz com o dela carinhosamente e Nami se deixou relaxar com a respiração suave dele e com suas testas encostadas uma na outra.
Nós estamos mudando juntos. Nós estamos amadurecendo juntos. Você está feliz por crescer do meu lado, Luffy?
- Okay, vem deitar.
Nami deitou novamente, estendeu os braços para ele, Luffy deu um sorriso grande para ela e pulou para se enroscar no torso dela. O capitão deu um suspiro suave no pescoço dela e o coração dela pareceu flutuar em paz. E com o leve inspirar e expirar do peito de Luffy, Nami foi lentamente adormecendo com um sorriso no rosto.
Mas do nada, Luffy se espertou e levantou-se com velocidade, quase dando uma cabeçada em Nami.
- JÁ SEI, NAMI!
- Q-Que-! Caramba, tá louco Luffy? Me acordando desse jeito e quase me batendo, seu bocó-
- Eu vou te dar um chapéu de palha. Tipo o meu. Você escolhe a cor!
- Huh? - Nami se levantou grogue e confusa.
- É que eu ainda não posso te dar o meu porque fiz uma promessa ao Shanks. Eu deveria devolver o chapéu assim que eu me tornasse um grande pirata. Mas quer saber? - Luffy pôs a mão no queixo e começou a pensar consigo mesmo. - Eu vou pegar o chapéu dele de volta porque agora tenho uma promessa com você, shishishi.
Nami só conseguiu olhar para ele boquiaberta. Luffy novamente deu um beijinho de esquimó. Esse gesto é tão ele, meu Deus.
- Assim que eu cumprir o que prometi a ele, o meu chapéu vira o seu. E o seu vira o meu, okay?
- L-L-Luffy… tem certeza? Esse chapéu é seu tesouro.
- Você também! - Nami tinha certeza que ela estava tão vermelha quanto o cardigã dele. Luffy só riu alto. - Shishishi, tá decidido!
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- Nami.
- Mmm?
- Sexo é bom.
Nami riu alto e Luffy a acompanhou.
- Pois é né?
- Eu já to descansado. E você, Nami?
- Quer saber… eu também. O que você quer?
- Eu quero transar de novo.
Nami riu tanto a ponto de lagrimar. Então se levantou e montou nele.
- Seu desejo é uma ordem, capitão.
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Eu realmente acredito que Nami quer proteger Luffy a todo custo também, mas Oda precisava mostrar um interesse do trio fracote em treinar e ficar mais forte.
E só pra avisar que o próximo capítulo é um epílogo, então estamos quase chegando ao fim dessa fanfic!
Obrigada por lerem!
