Notas do Autor

Aviso: Todas as personagens do universo Harry Potter, assim como as demais referências a ele, não pertencem ao autor desse texto, escrito sem nenhum interesse lucrativo, mas à JK Rowling.

Por favor, não me processem, eu só peguei emprestado para pura diversão.


Capítulo 9


Severus.

— Acabou o estoque de Poção Repositora de Sangue do hospital? Você está brincando comigo?

— O estoque está baixo e Draco não pode liberar mais Poções para o nosso caso e deixar outros pacientes sem. — Respondeu Raymond.

Merlin, este caso está me deixando louco.

— Quem é o fornecedor de Poções do hospital?

Eles só olharam uns para os outros antes de sair correndo atrás de suas anotações. Quando diabos eu poderia salvar uma vida com estes idiotas?

— Quem é o fornecedor de poções do hospital? — Gritei.

— Botica Spellman. — Hermione disse, enquanto caminhava levitando duas bandejas de chá.

— Você, levante-se e vá tomar o chá. — Apontei para Raymond e, em seguida, para ela. — Sente-se e fale, já que ninguém mais aqui parece saber uma maldita coisa.

Eles mudaram, e ela correu para o assento, convocando uma pasta da mesa onde trabalha e entregando a mim.

— Botica Spellman, de Greendale, eles são os fornecedores exclusivos do Saint Mungus há duzentos anos. — Ela recitou.

— Há um histórico desses fornecimentos?

— Impecável, senhor. Os problemas com a logística só começaram pouco depois do final da última guerra.

— Por quê? — Raymond perguntou a ela, inclinando-se para frente.

— Uma das proprietárias do Boticário está desaparecida desde a última guerra bruxa. E, ao que parece, os Spellmans não tem funcionários, é a família quem fabrica todas as Poções. Então, a falta de um dos bruxos, afetou toda a produção.

— Por quê o hospital não envia alguém até lá para checar isso? — Raymond novamente questionou.

— Por que ninguém consegue encontrá-los. Os Spelmans possuem uma vasta gama de poderes mágicos, incluindo a capacidade de viajar no tempo, voar e mudar de forma. Então sempre que alguém tenta encontrar a casa ou laboratório deles, eles simplesmente desaparecem e é impossível localizá-los.

— Fique sentada. — Eu disse a ela. — Todo mundo, eu quero saber o estoque de Poções Repositoras de Sangue de cada Boticário do Mundo Bruxo, e eu quero antes do final do dia.

— Srta. Granger, você vem comigo.

Ela hesitou por um momento, depois me seguiu fora da sala de reunião.

— O que o senhor precisa, professor Snape?

Ela caminhou com espaço entre nós quando fomos para o meu escritório. Betty me deu um olhar, as rugas sob os olhos dela se destacando mais enquanto eu segurava a porta aberta para Hermione.

— Vou desviar minhas corujas, memorandos e Patronos para você, segure-os por uma hora.

— Sim, senhor. — Disse ela, com uma pitada de decepção na voz.

— Tem alguma coisa errada, Betty?

— Não, senhor. — Respondeu ela, quando fingiu recitar uma verificação com a varinha.

— Você tem certeza? — Insisti.

Ela suspirou, empurrando-se longe de sua mesa e levantando.

— Agora que mencionou, o senhor sabe a data de hoje?

— Talvez.

— Eu entendo que você está ocupado sendo o Grande Severo Snape, mas se você lembrasse da data de hoje, no mínimo, você lembraria...

Andando até a minha mesa, eu abri a gaveta inferior, estiquei a mão no fundo dela e sorrindo, coloquei uma caixa azul sobre a mesa.

— Eu lembraria?

— Você é um jovem horrível. — Ela sorriu quando levantou a tampa e examinou o conteúdo da caixa. Seus olhos se iluminaram e um sorriso apareceu em seu rosto enquanto ela tirava os ingressos para sua peça trouxa favorita.

— Você também tem um jantar para duas pessoas no Chateau La Rue, quando você quiser.

— Own Severus…

— Feliz aniversário, Betty. Agora vá segurar minhas correspondências e contatos.

— Obrigada.

Assim que Betty se despediu, me virei de volta para a outra mulher na minha sala. Ela estava na janela com vista para toda a Londres trouxa.

— Apreciando a vista?

— Você tinha que fazer algo gentil na minha frente. — Ela bufou, embora eu tenha visto os cantos de sua boca se alargarem. — Do que precisa, professor Snape?

— De você. — Casualmente respondi. — Mas desde que não está disposta a assumir o risco ainda, vou ter que me contentar com isso.

Lhe entreguei a pasta do caso Naves. Ela se afastou de mim, e eu dei a volta na minha mesa para me acomodar na minha cadeira.

— Desculpe, professor, não entendo.

— Diga-me como você conduzirá o caso da Sra. Naves.

— Você está brincando?

— Figurativamente, é claro. Eu gosto de você, mas eu não estou disposto a deixar a vida de um paciente em suas mãos ainda. Mas você manteve seu nome no quadro, o que significa que você ainda é a cabeça do pelotão. O negócio é, se você conseguir uma solução, vou treiná-la pessoalmente, e este é um exercício de treinamento. Agora, como você levará o caso?

— Eu teria que fazer uma leitura...

— Você já leu tudo sobre o caso durante os últimos dois meses, Hermione. Se ainda precisa ler alguma coisa, então você está sonhando se você acha que pode ser uma Curandeira.

Ela me encarou, jogando o arquivo para minha mesa e cruzou os braços.

— Certo. Eu não desperdiçaria o tempo dos Curandeiros auxiliares procurando estoque de Poções Repositoras de Sangue, porque seria um insulto à inteligência deles. Eu iria a público e diria: a Sra. Naves vai fazer uma transfusão de sangue a moda trouxa. Rápido e direto e sem me importar com o que a família dela acha. A opinião pública vai confiar em mim porque eu sou a única não querendo impressionar.

— Ok, o que vem depois?

— Em seguida, deixaria claro que a Sra. Naves não se opõe a transfusão. Quando sua filha questionasse, eu iria perguntar-lhe como se sentia ao usar um discurso de 'sangue puro' logo após ter testemunhado uma guerra inútil...

— Errado.

— O quê?

— Eu disse 'errado', porque se é assim que você vai questioná-la, está errada.

— Você disse na aula que a melhor maneira de convencer alguém a fazer o que você quer é fazendo-o se sentir culpado.

— Isso é verdade.

— Então como é que minha abordagem está errada?

— Porque você está sendo gentil. Seu processo de pensamento é certo, mas a sua abordagem é fraca. A filha do Sr. Naves tem um ponto, qual é? Vá para a jugular.

— Isso não é intimidação?

— Não se você fizer isso direito. Você pode ferir os sentimentos dela. Claro que todos vão pensar que você é uma cadela, mas quem se importa? No final do dia é salvar a vida da mãe dela que conta. Então, não se segure, convoque a família, faça as perguntas e deixe que ela se enforque. Venha, aproxime-se de mim como se eu fosse ela.

Ela assentiu com a cabeça, e eu endireitei a minha postura enquanto eu esperava suas perguntas.

— Srta. Naves, é verdade que você deixou a casa de sua família há um ano?

— Sim, eu queria ver o mundo.

— Não foi porque seu pai estava furioso com seu relacionamento?

— Não...

— Não, ele não estava furioso? Ou não, você não tem um relacionamento?

Eu queria sorrir, ela estava conseguindo.

— Sim, eu tenho um relacionamento, mas o meu pai não é contra ele.

— Vou lembrá-la que as Poções Repositoras de Sangue não funcionam contra a contaminação do sangue da Sra. Naves, e que é imprescindível para a sobrevivência dela que nos próximos dias seja feita uma transfusão do sangue, eliminando assim todo sangue contaminado. Você sabe disso pois o Curandeiro responsável deixou toda família a par da situação.

Bom argumento, pensei.

— Agora, voltando ao seu relacionamento, Thomas Winter, um advogado trouxa, não é?

— Sim...

— Bom, se você tem um relacionamento com um trouxa, por qual motivo você apela para o 'sangue puro' para ser contra a transfusão da sua mãe? Você quer que ela morra?

— Eu nunca… E o meu pai...

— Lembro de ouvi-la dizer que o seu pai não é contra o relacionamento. — Ela me deu um sorrisinho irônico que fez meu baixo ventre contrair. — Você sabia que o Sr. Naves e o seu noivo foram juntos a uma joalheria dois meses atrás?

Eu parei por um momento, admirado com ela e completamente excitado, antes de me lembrar de algo muito mais importante no momento.

— Espere, nós temos alguma prova disso? — Perguntei, quebrando o personagem.

— Não temos necessariamente.

— O que isso significa?

— O Sr. Naves mantém uma agenda com todos os detalhes do seu dia. Quando eu estava procurando pela lista de familiares para a possível transfusão, a sua secretária me deu acesso a agenda dele para procurar os contatos. Eu a li inteira e vi que um dos seus compromissos foi visitar uma famosa joalheria trouxa acompanhada do Sr. Thomas Winter.

— E você está dizendo isso só agora?

— Não achei tão importante mencionar um possível pedido de casamento…

— O pedido não importa, mas nós podemos usá-lo para chacoalhar a Srta. Naves. O pai dela aprova o casamento dela com um trouxa, então cai completamente por terra o impedimento deles sobre a questão de sangue. O restante da família vai nos apoiar.

— Oh.

Eram coisas como esta que me lembravam que ela ainda era uma estudante, e tinha muito a aprender, mas, uma vez que ela se formasse, seria uma Curandeira incrível.

— Ok, comece tudo de novo.

Pedi e fiquei ouvindo-a explicar apaixonadamente como derrubaria a filha da nossa paciente. E dentro de mim eu tinha uma certeza: eu podia assisti-la assim para sempre.


Hermione.

— Você não deveria estar me enviando um Patrono. — Eu disse, enquanto colocava uma tigela de água para Crookshanks, ele deu uma lambida antes de saltar com a trovoada lá fora.

— E se estiver relacionado ao trabalho? — Perguntou ele.

Sua voz através do feitiço me deu arrepios, ao lembrar que ouvi-lo falar diretamente em meu ouvido era absurdamente erótico.

— Trata-se de trabalho? — Perguntei a ele, já suspeitando que não.

— Depende da sua definição de trabalho.

Eu queria rir.

— Severus, você tem que estar no hospital novamente bem cedo da manhã.

— Venha para cá.

— Isso não está acontecendo... — Respondi, sentando no sofá.

— Então eu vou até a sua casa.

— Não se atreva. — Avisei.

Ele suspirou.

— Você está deixando isso muito mais complicado do que precisa ser.

— Essa é minha linha, Severus!

— Não seja escandalosa, o feitiço transmite a voz no tom que você fala.

— Desculpe, é que você me irrita às vezes.

— Às vezes?

Ele ficou em silêncio por um momento e eu também.

— Você vai conseguir salvá-la amanhã. — Sussurrei.

— Eu sei.

— Por que você tem que ser tão arrogante?

— Eu sou Sonserino, é parte do que somos.

Não pude deixar de rir.

— Oh meu Merlin você é...

— Sim?

Eu suspirei, quando eu agarrei uma das minhas almofadas e a abracei contra o meu peito.

— Você realmente não sabe quando desistir, Severus.

— Por que inferno eu desistiria? É cômodo, eu gosto, e você também.

— Não estou gostando nem um pouco.

— Já conversamos sobre você ser uma péssima mentirosa, Hermione. — Eu podia sentir seu sorriso através do feitiço. — Venha. Podemos jantar e conversar como adultos.

Eu belisquei minhas bochechas para não sorrir.

— Como adultos?

— Sempre que estamos sozinhos, eu só tenho alguns minutos, às vezes segundos, nós nunca realmente temos a chance de conversar, então acabamos nos atracando como dois adolescentes cheios de tesão. Embora isto seja divertido, eu ainda gostaria de conhecê-la mais.

— Se há alguém que me conhece hoje em dia, é você, Severus. Você precisa parar de ficar procurando o que não existe, porque você só vai encontrar coisas que você vai odiar sobre mim. — Em pânico porque eu tinha falado demais, me apressei em me despedir. — Eu tenho que ir.

Com um aceno da varinha, desfiz o Patrono dele e enterrei meu rosto na almofada. O que há de errado comigo? Eu podia vislumbrar o feitiço do Patrono piscando novamente ao meu lado, mas não me movi para aceitá-lo. Rolando para o lado, dei as costas para ele enquanto ouvia o barulho da chuva que batia contra as janelas. Mesmo de olhos fechados eu sentia a luz do feitiço ao meu lado e eu queria realmente falar com ele, tudo parecia melhor quando eu estava falando com Severus, mas eu sou apenas uma covarde.

Quando se passaram mais de cinco minutos e o feitiço não se dissipou, desisti de ignorá-lo. Ele era um maldito insistente! Me assustei ao visualizar a lebre saltitante do meu lado e me atrapalhei com a varinha.

— Luna?

— Oh! Você conheceu mais alguém com um Patrono em forma de lebre? Isso é muito legal. — A voz dela soou exatamente como eu me lembro, sonhadora.

— Ah, não, desculpe, é que achei inesperado um Patrono seu chegar assim. Está tudo bem?

— Sim, estou bem, eu só senti sua falta. E eu estava pensando, você vai poder vir a África para o Natal?

— Luna eu acho...

— Tudo bem se você não puder. É que o Rufus fez o pedido e...

— Espere, o quê? — Gritei.

Levantei, de repente, assustando Crookshanks do sofá.

— Minha quase irmãzinha vai casar?

— Ah, não sabemos ainda, estamos muito ocupados caçando diabretes prateados em Angola, acho que não teremos tempo para uma festa. Mas o anel é realmente bonito. — Ela suspirou e eu tive certeza que olhava para o próprio dedo.

— Luna, eu estou muito surpresa, mas é uma surpresa boa. E muito feliz por vocês... Contanto que você esteja bem. — Lentamente sentei novamente.

— O Rufus é um bom rapaz, sabe capturar Zonzóbulos como ninguém. E eu gosto muito dele, mas ele disse que tem de ter o seu selo de aprovação, porque somos como família. É por isso que eu te enviei minha lebre, queremos muito te encontrar.

Luna soava tão animada ao falar dele que o ar sonhador em sua voz quase tinha desaparecido.

— Vocês são adoráveis juntos, Luna. Eu tenho certeza que são perfeitos um para o outro.

— Enfim, vamos te ver quando você estiver livre e puder vir nos visitar. Boa sorte com seus estudos. Tchau!

Ela nem sequer me deixou dizer uma palavra antes de desfazer o feitiço e fiquei olhando a névoa prateada se dissipar em frente a minha lareira. Minha irmãzinha 'adotiva' ia se casar. Sorri, estava mesmo feliz por ela.

Depois de praticamente meia hora, a realidade me atingiu e eu percebi que era o Patrono de Luna que me chamou insistentemente e não o de Severo depois que eu desfiz o Feitiço dele.

Por que isso me incomoda? Por que eu sou uma idiota!

Irritada, me levantei, peguei meu casaco enquanto eu me dirigia para fora.

— Torça por mim Crookshanks.


Severus.

— Estou indo! — Gritei, enquanto desistia de secar o cabelo com a toalha. Abrindo a porta, descobri que a campainha que tocava tarde da noite era a última pessoa que eu esperava ver. — Hermione?

Afastei para o lado, deixando-a entrar. Ela tirou suas botas na porta.

— E, claro, você não está vestindo uma camisa. — Ela suspirou, indo para a minha cozinha.

— Fique feliz de que eu, pelo menos, tenha roupas.

Ela pegou duas taças da parte superior do armário e uma de minhas garrafas de vinho dos elfos. Abrindo algumas gavetas, ela procurou o que eu só poderia assumir ser o abridor.

— Você o mudou. — Ela franziu a testa, voltando-se para mim.

— Sim, nos quatro meses desde que você esteve aqui, eu mudei meu abridor de lugar.

— Você parece irritado.

— Você desfez o feitiço na minha cara, lembra?

— Você nunca chamou de volta. — Disse ela, derramando o vinho em sua taça.

— Eu nunca corri atrás de mulher nenhuma na minha vida, Hermione. Se vai desligar uma ligação por Patrono na minha cara, vai ser isso. E não quero jogar estes jogos com você, porque vai perder. Isso de continuar protegendo o seu coração, agindo como se não tivesse um foi um jogo que joguei por mais de vinte anos e sei que você é totalmente consciente isso. Então, diga, porque você está aqui?

— Luna vai casar, ela é quase dois anos mais nova que eu e completamente alheia a realidade de todo mundo, mas mesmo assim resolveu assumir um compromisso sério. — Ela sorriu, mas não alcançou seus olhos. — Então fiquei rolando no meu sofá com uma almofada enterrada no meu peito, igual uma criança, e de repente pensei sobre o quanto eu gostaria de falar com você. Enquanto isso o Rufus, o namorado da Luna, quer me encontrar pessoalmente para oficializar o pedido, mas eu não tenho ideia do porquê, porque pelo visto eu não sou a pessoa madura nesse relacionamento fraternal que eu e ela desenvolvemos. — Ela tomou um longo gole na taça. — E eu gosto de você, mas eu sou uma bagunça, Severus. Alguns dias, eu nem sei como sair da cama, então você deve parar de insistir em mim, porque eu provavelmente vou foder sua vida. Confie em mim, é o que eu faço, e eu não quero fazer isso com você.

Ela acabou com o resto do seu vinho e eu cruzei meus braços sobre meu peito.

— Eu não respondo a você, isso significa que não pode fazer escolhas por mim. Se eu quero estar com você, então eu vou tentar ficar com você. A única outra pessoa que tem controle sobre isso é você. Então você está dentro ou fora?

Ela balançou a cabeça e estendeu a mão para a garrafa de vinho quando eu a parei. Se nós íamos ter essa conversa, nós a teríamos sóbrios.

— Olhe para mim. — Ela não olhou. — Hermione!

Ela suspirou, olhando para cima, e eu coloquei a mão na sua bochecha.

— Você não é um arco-íris negro, consigo ver cada uma das suas cores. Você pode ter sido um uma vez, mas você com certeza não é agora.

Ela ficou boquiaberta para mim, em choque.

— Como você...

— No dia seguinte de me rejeitar pela primeira vez, a Srta. Lovegood me procurou. Ela estava preocupada por você estar aqui sozinha, e acho que ela só queria me ver pessoalmente para deduzir qualquer coisa sobre mim que nenhum de nós entenderia, já que, obviamente, Luna Lovegood tem um modo peculiar de enxergar o mundo ao redor de si própria.

Ela suspirou, inclinando-se no meu balcão.

— Ela realmente é a única madura nessa história.

— Eu acho que vocês duas criaram um sistema onde uma apóia a outra, e assim sempre tentam o seu melhor para se manter forte. Você vai ficar essa noite?

Ela engoliu em seco, agarrando-se a sua taça.

— Nós estamos no intervalo de inverno, agora, e, no momento, eu não sou seu professor. Então, você fica?

— Fico. E eu vou agir como uma adulta.

— Então nós vamos precisar jantar. — Ela ficou parada, me encarando enquanto eu buscava os ingredientes para preparar nossa refeição. — O que foi agora, Hermione?

— Nada. É só que… você é adorável.

— Adorável? Claro… Nem sei como agradecer. — Bufei irritado.

— Quando você era meu professor em Hogwarts, e até em alguns dias em que é meu professor hoje em dia, você é irritante, e exigente, e às veze até injusto demais. Mas é só uma fachada para se manter como o 'sombrio e gostoso Comensal da Morte do bem'.

— Está me dizendo que eu não sou gostoso? O que é mesmo que você veio fazer aqui, garota, além de me ofender?

Ela sorriu e voltei minha atenção para os legumes que eu picava.

— Você é gostoso, Severo. O que eu estou dizendo é que quando comecei a conhecer a sua arrogância um pouco melhor, acho que… ela é caricaturesca. É um traço seu, como se você exagerasse de propósito.

— Em outras palavras, você acha que eu finjo ser arrogante? — Perguntei divertido.

— Acho que você é exagerado.

— Cale-se, sua insuportável sabe tudo, ou vou exagerar de propósito na pimenta do seu prato.

Ela finalmente se calou, sorriu e se serviu de mais vinho.


Hermione.

Eu sentei no colo dele no chão da sala de estar, já tinha trocado a minha roupa e vestido uma de suas camisas de algodão. Nós dois estávamos comendo a comida chinesa que ele tinha preparado e ouvindo a tempestade lá fora. Depois de ficarmos separados por tanto tempo, eu estava esperando que fosse estranho, mas foi como se tivéssemos começado de onde havíamos parado. Ele acariciava minha coxa com uma mão, enquanto folheava uns artigos com a outra.

— Não pense demais. — Disse ele quando me pegou olhando.

— Não estou.

Ele levantou uma sobrancelha em minha direção.

— Ok, eu estou. — Admiti. — Mas eu não posso evitar, é como se nada tivesse acontecido e estamos de volta àquela semana de novo.

— Eu não me importo com aquela semana.

— Nem eu, mas você sabe tanto sobre mim, e eu sinto que eu não sei nada sobre você.

— Pergunte-me alguma coisa, então.

Pensei por um momento.

— Por que você se tornou Curandeiro?

Eu tentei em vão pegar o meu arroz com meu hashi enquanto esperava sua resposta. Após cerca de três tentativas, desisti, e peguei a colher em sua mesa de chá. Ele sorriu para mim, usando o seu com facilidade para pegar um bolinho.

— Ninguém gosta de exibidos. — Disse a ele com um muxoxo.

— Eu vou te ensinar.

Ele tentou pegar minha colher, mas recuei.

— Você está evitando a pergunta, professor Snape.

— Eu odeio essa pergunta porque nunca tenho uma resposta para isso. Não sei por que eu me tornei um Curandeiro, talvez porque tenha um laço estreito com ministração de Poções. O fato é que eu detestava ser professor, dar aulas para adolescentes era uma atividade ruim. Eu sempre soube que eles eram criaturas entupidas de hormônios com as quais não se pode dialogar, isso sempre me irritou, mas eu lidava com isso. Então foi natural querer mudar de profissão. — Ele deu de ombros.

— Isso é estranho, eu estava esperando algo um pouco mais...inspirador. — Eu disse, mais uma vez não usando um filtro. Grifinória típica. — Certamente você não teria escolhido ser um Curandeiro se você não gostasse?

— Ah, sim, eu adoro isso agora. Mas logo que a guerra acabou e eu milagrosamente sobrevivi, não tinha ideia do que queria fazer com a minha vida. Então segui basicamente o óbvio, felizmente, encontrei outra vocação. Ser Curandeiro é como um jogo de xadrez bruxo para mim. Habilidade, Poções e até estratégia, confinados por um conjunto de conhecimento de doenças, maldições e feitiços de cura. Casos improváveis que exigem lacunas e truques. Quanto mais difícil o caso, melhor o jogo.

Ele parecia animado quando falava sobre isso. Seus olhos se iluminaram, e ele parecia... realmente feliz.

— E ajudar as pessoas é muito bom. — Ele acrescentou rapidamente e num tom tão baixo que eu acho que ele esperava que eu não ouvisse, eu só consegui sorrir. Seus olhos foram para meus lábios por uma fração de segundo antes que ele desviasse o olhar. — Próxima pergunta, Srta. Granger.

— Que tipo de relacionamento você mantém com os Malfoys hoje em dia?

Invariavelmente minha mente viajou até o dia que fui torturada debaixo do teto da mansão daquela família e meu corpo estremeceu.

— Hermione?

— Desculpe, eu só estava pensando. O que você disse?

— Eu não disse nada, apenas olhei como se você estivesse se deixando levar por quaisquer lembranças que estavam em sua cabeça.

Como é que ele me conhece tão bem?

— Os Malfoys? — Perguntei-lhe novamente.

— Minha amizade com eles é desde a época da escola. Lucius e Narcisa são como irmãos para mim. Draco, você deve saber, é meu afilhado, e após a guerra finalmente entendeu que eu sempre quis o seu bem. Após a batalha e a absolvição deles só lhes restou ser socialites do mundo bruxo como forma de manter o sobrenome em alta. No dia de Ano Novo, eles dão uma jantar íntimo só para nós cinco, Draco intitulou a comemoração de 'os arrependidos do tio Voldie'. Lucius odeia a definição e o resto de nós passa a noite tirando sarro disso. — Disse ele com uma risada, sacudindo a cabeça com o pensamento deles.

— Eles parecem ser... ótimos.

— Eles são. Hoje em dia sim. Lucius ainda é um pouco insistente, mas agora que Draco foi pai, ele está distraído sendo avô.

— Draco foi pai?

— Sim, Astoria deu à luz no mês passado.

— Vocês todos devem estar bem felizes. Ter uma criança na família, é bonito. — Eu disse, com suavidade. Deslocando em seu colo, meu olhar recaiu sobre o relógio. — Severus! São duas horas da manhã, você precisa descansar, você tem que estar no hospital em poucas horas.

— Certo... — Ele disse quando me levantou em seus braços, e começou a caminhar em direção à escada.

— O que você está fazendo?

— Indo descansar. — Disse ele e foi capaz de acenar apenas as mãos para desligar as luzes antes de me pegar num domínio excepcional de magia não verbal e sem varinha.

— A comida...

— Nós vamos lidar com isso pela manhã. — Disse ele enquanto me colocava no centro de sua cama.

— Nada de sexo! Se você não se der bem amanhã, não vou me perdoar. — Ele suspirou, e eu poderia dizer que ele estava cansado. Sentando, eu corri minhas mãos sobre seu maxilar. — Eu não vou a lugar algum, e pensando nisso desta maneira, você receberá um prêmio depois de conseguir salvar os três pacientes amanhã.

Ele se virou e beijou minha mão.

— Pelo menos tire sua camisa, assim eu posso sentir você contra mim.

Com a expressão nos seus olhos, como eu poderia dizer não? Tirando a camisa, eu me virei para que ele pudesse soltar meu sutiã. Quando o fez, suas mãos viajaram pela minha espinha quando ele beijou minhas costas.

— Severus. — Engoli em seco, quando ele agarrou meu seio.

— Eu senti sua falta. — Disse ele, enquanto beijava minha espinha uma última vez.

Levantando-se, ele foi até o banheiro, e alguns segundos depois, ouvi o chuveiro ligar.

— Oh Merlin. — Eu gemi, deixando escapar a respiração que eu estava segurando em seus travesseiros. Passando ao meu lado, eu respirei o cheiro dele.

O que... ? Em sua mesa de cabeceira, havia uma cópia do meu livro trouxa favorito. Sentando-me, estendi a mão para ele. Severo havia sublinhado minhas citações favoritas, como se ele já soubesse quais eram. Ao ouvir o chuveiro desligar, eu coloquei o livro de volta para baixo, rastejei pra debaixo dos lençóis e fingi estar dormindo. Eu podia ouvi-lo caminhar ao redor do quarto por um momento, antes de ouvir o Nox e sentir a mudança no colchão. Seus braços vieram em volta de mim, me puxando para mais perto dele. Ele estava nu e frio, mas eu não disse nada, simplesmente pressionei meu corpo contra o dele, permitindo meus seios e mãos descansarem contra seu peito nu, com as minhas pernas entrelaçadas com as dele. Nunca me senti mais confortável em toda a minha vida, por causa de Severus, eu tinha encontrado um lugar para descansar.

— Eu senti sua falta também. — Sussurrei na escuridão.


Hermione,

Eu sei que você queria que eu te acordasse, mas você parecia tão calma que eu não consegui. Então, já que está tecnicamente de férias, divirta-se. Eu volto para receber o meu prêmio, até então, a minha casa é sua casa. O café da manhã está na cozinha.

Severus.

Rastejando para fora da cama, fiquei desapontada por não poder estar no Saint Mungus com ele agora, especialmente depois que eu tinha trabalhado tão duro sobre estes dois casos. Severo iria finalmente tentar desfazer o dano na memória dos pais de Neville e de quebra, convencer a família da Sra. Naves a autorizar a transfusão dela e fazer o procedimento. Mas entendi que entre todos os seus Curandeiros auxiliares, familiares dos pacientes e até a mídia, simplesmente não havia espaço suficiente dentro daquele hospital para caber todos nós. Nós éramos estudantes, então é claro que ele tinha nos deixado de fora.

Agarrando minha camisa do chão, eu a coloquei e desci as escadas. Eu gemi, notando que ele tinha limpado a bagunça e feito mesmo o café da manhã antes de ir para o hospital. No balcão ele deixou outra nota:

Torrada ligeiramente queimada, é estranho a sua obsessão por uma 'falta de perfeição' da minha parte, mas que seja. Severus.

Eu não contive uma risada, era incrível como ele se lembrava de tudo o que vivemos naquela semana tão longínqua. Se bem que eu também sabia como ele gostava do seu café da manhã. Uma arrara brilhante piscou ao meu lado e eu agarrei o copo de suco de laranja que ele tinha deixado para mim, antes de ir com o feitiço até a sala de estar e atendê-lo. Vasculhei o ambiente em busca da minha varinha, estava largada no sofá.

— Sim?

— Você está ouvindo a rádio? — Viviane me perguntou.

— Dê-me um segundo. — Procurei pelo rádio bruxo de Severus.

— Como você ainda não está ouvindo? — Attos estalou.

Eu não tinha percebido que eles estavam juntos no mesmo feitiço.

— Dormi demais.

— Você dormiu demais? Eu não estou engolindo isso...

— Shh! — Viviane pediu. — Devíamos estar lá, isso não é justo.

— Quanto trabalho você fez? — Attos questionou.

— Bem, com Hermione entrando como um cavaleiro em um cavalo branco o tempo todo, quem poderia fazer alguma coisa?

— Porra, você de alguma forma nos enganou para sermos seus coadjuvantes, Hermione!

— Eu não enganei ninguém. Agora, se vocês me dão licença, eu vou ouvir o noticiário e esperar o triunfo do professor Snape, enquanto eu como o meu café da manhã. — Respondi aos dois e acenei minha varinha para desfazer o feitiço.

Por mais que eu gostasse das travessuras deles, eu simplesmente não tinha energia esta manhã. Pulei para o sofá e aumentei o volume do rádio. Menos de uma hora depois o diretor do Saint Mungus, Draco Malfoy, dava uma entrevista em primeira mão e contava detalhes de como o feitiço nos Longbottons tinha sido bem sucedido e que dentro de algumas horas a transfusão de sangue da Sra Naves seria concluída e três dos pacientes com quadro irreversível do hospital, receberiam alta.

Eu ainda vibrava quando apanhei o pó de Flu e fui até minha casa.


Severus.

Eu não sabia o que esperava encontrar quando eu voltasse para casa. Metade de mim esperava que Hermione não tivesse corrido para casa dela, e a outra metade esperava que ela ainda estivesse na minha cama, enrolada e nua. No entanto, não foi nenhuma dessas coisas.

Minha sala tinha sido convertida em um pequeno escritório, com arquivos e livros em toda a mesa de café. Ela estava sentada com seu gato no colo, folheando páginas e páginas, e destacando grandes blocos de texto. Isso me lembrou da noite em que entrei na sala de conferência para encontrá-la ainda trabalhando. Largando minhas coisas no sofá, eu cheguei por trás dela, beijando seu pescoço.

— Eu pensei ter lhe dito para relaxar. Eu honestamente não preciso mais de muita ajuda com o caso.

— Não é o seu caso, é o meu. — Ela sussurrou, olhando de volta para mim. — Bem, realmente, é o caso dos meus pais.

Olhei ao redor da sala em todas as caixas empilhadas em torno dela.

— Você pesquisou tudo isso?

— Não há muita pesquisa sobre feitiços de memória, então eu basicamente comecei a partir do zero. Quando acho qualquer coisa, eu junto ao que já tenho. Sinto muito sobre a bagunça, prometo que vou limpar antes de sair. Só não quis ficar pesquisando lá em casa hoje.

Merlin. Sentando ao lado dela, tirei o meu manto.

— Está tudo bem, realmente. Eu tenho mais espaço aqui, mas eu estou confuso, por que você está olhando para isso agora?

— Por que você conseguiu desfazer um feitiço muito pior hoje. — Ela disse simplesmente e colocou o livro em cima da mesa, descansando a cabeça no meu colo. — Eu estou trabalhando tão rápido quanto eu posso...

— Você vai se matar com isso, Hermione. — Fiz uma pausa, tentando pensar sobre a melhor forma para expressar para minha próxima pergunta. — Por que você não me pediu ajuda? Você já tentou sozinha por anos e não conseguiu nada, então por que você não veio a mim?

— Quando eu te reencontrei no bar eu não tinha ideia de que você agora era Curandeiro. Durante a nossa semana juntos você me disse, mas isso nem importava mesmo, eu sempre fui consciente que teria que lidar com isso sozinha. — Ela confessou mantendo os olhos fechados. — E não quero deixar cair isso em seus ombros. Se eu deixar e você não conseguir reverter… eu tenho medo do que pode acontecer entre nós. Eu sou egoísta assim, acho que seria uma armadilha para nós falharmos. Então, sinto que preciso acabar com isso sozinha e... eu só não sei como, ainda.

— Tudo bem. — Assenti, entendendo cada um dos seus pontos. Peguei sua mão e beijei a parte de trás. — Quando você achar que precisa de mim, basta me dizer e eu estarei lá. Mas, por ora, apóio você.

Ela se sentou, trazendo seu rosto perto do meu.

— Por que você não age mais como eu acho que você vai agir?

— São tempos diferentes e isso — Apontei para nós dois — é uma via de mão dupla. Quero sair com você.

— Não estamos fazendo isso?

— Não, não estamos. Imagino que tenha decorado de algum livro da sua escola primária a definição de sair. Estamos entrando no recesso, então nós podemos ir para fora da cidade, até do país se você quiser. O que acha?

Seus olhos foram de um lado para o outro, como se estivesse digitalizando o meu rosto por algum sinal de algo.

— Hmmm... fora do país, parece muito bom. — Disse ela enquanto inclinava a cabeça para mim. — E você já deve saber, mas você foi incrível hoje.

Ela se inclinou e me beijou.

— Isso significa que eu recebo o tal prêmio agora?

Ela assentiu com a cabeça e se levantou, tomando minha mão. Deixei que ela me arrastasse em direção ao quarto, onde me empurrou para a cama. Ela se despiu na minha frente com facilidade, e quando estava nua, se arrastou em cima de mim e começou a desafivelar meu cinto. Ela deslizou entre as minhas pernas, olhando diretamente para mim enquanto seus dedos encontraram seu objetivo, e começou seu trabalho mágico. Ela lambeu os lábios e mordeu o lábio inferior, e eu contraí em sua mão.

— Hermione...

— Sim?

Ela perguntou educadamente, conforme me acariciava com as duas mãos. Foda-se. Colocando minhas mãos atrás de mim, eu tentei me segurar.

— Você está tão excitado, professor... — Ela sussurrou enquanto se esticou para cima para beijar meu pescoço. — Diz pra mim o que você quer que eu faça.

— O... o quê? — Perguntei, quando meu cérebro já não estava se comunicando comigo.

— Diga-me o que você quer que eu faça, professor Snape.

Ela repetiu mais uma vez com um sorriso e correu o polegar sobre a cabeça, aplicando apenas a pressão certa para fazer qualquer homem enlouquecer de prazer. Eu não conseguia falar. Fazia muito tempo desde que tínhamos estado assim, e eu tinha quase esquecido como era.

— Desculpe-me, eu não posso esperar mais. — Disse a ela, quando eu agarrei a cintura dela e a virei, pulando as preliminares, eu precisava dela agora. Tirei minhas roupas tão rapidamente quanto humanamente possível, a ouvi rir e isso só fez com que eu a quisesse mais.

— Alguém está ansioso.

— Você não tem ideia.

A beijei com urgência e ela se agarrou em mim enquanto eu lentamente entrava nela e gemeu, cravando as unhas em minhas costas. Ignorando-a, eu levei o meu tempo para desfrutar da sensação dela. Eu saboreei a maneira como ela se apertou em mim, a sensação de seus seios enquanto eles esfregavam contra mim, do jeito que ela tremia de necessidade e o doce sabor de seus lábios. Estendendo a mão, ela segurou meu queixo, forçando-me a olhar para ela.

— Senti sua falta.

A intensidade da sua declaração me distraiu e ela me empurrou com toda a sua força, me obrigando a rolar até que ela estivesse por cima, se levantou por todo o meu comprimento, antes de deslizar de volta para baixo. Ela fez isso lentamente, provocando e foi um prazer quase intenso demais para suportar.

— Merlin! — Eu assobiei, me agarrando a ela enquanto ela me montava.

Eu não poderia evitar, cada vez que ela vinha, eu empurrava meu quadril para cima, dirigindo-me dentro dela com força, tentando combinar nosso ritmo. Envolvendo meus braços em torno dela, eu a abracei e a segurei com força... meses de provocação e frustração. Soltamos tudo, grunhindo e segurando um ao outro como se nossas vidas dependessem disso.

Quando ela jogou a cabeça para trás e arqueou as costas eu pude sentir seu espasmo em torno do meu comprimento, quando ela atingiu seu orgasmo. O suor do meu cabelo escorria em meus olhos e virando-a de costas novamente, eu levantei uma de suas pernas no meu ombro, me permitindo ir mais fundo do que jamais imaginei ser possível. Mordendo meus próprios lábios, agarrei seus seios, e prendi seus mamilos entre meus dedos, apliquei pressão suficiente para fazê-la gemer e se contorcer debaixo de mim, me inclinei para frente e tomei um de seus mamilos em minha boca.

— Severus... — Ela gemeu.

Eu não consegui me segurar, sugando a pele do seu pescoço, grunhi inaudível, segurando-a firmemente contra mim e gozei. Ela me segurou em seus braços enquanto nós dois ofegávamos.

— Por que eu disse 'não' a você? — Me perguntou.

Não respondi, saí de cima dela e me deitei ao seu lado.

— Se todos tivessem sexo assim, o mundo seria um lugar muito melhor. — Ela suspirou feliz, e eu ri, finalmente encontrando minha própria voz, respondi:

— Eu não poderia concordar mais. Devemos rezar por eles ou algo assim.


Meio dormindo, eu estendi a mão para ela. Mas não havia nada lá. Abrindo os olhos, eu toquei seu lado da cama, como se isso fosse fazê-la aparecer magicamente, mas ela se foi. O local onde ela estava deitada ainda estava quente. Eu rolei para olhar para o relógio. 02h33. Sentando-me, eu agarrei minha peça íntima, estremecendo com uma dor inesperada em meu ombro. Movendo-me para o espelho, notei as manchas arroxeadas e o arranhão vermelho assinalando o que as unhas dela tinham feito.

— Puta merda. — Sussurrei, me virando para que eu pudesse ver toda a extensão do dano. Eu nem sequer me lembro dela me arranhando tanto... independentemente disso, usei isso como uma medalha de honra enquanto caminhava pelas escadas.

Lá estava ela, arrumando todo o seu trabalho, vestindo nada além de uma camisa, minha camisa.

— Granger, volte para a cama.

Ela pulou, assustada ao me encontrar ali de pé.

— Dê-me um segundo. — Ela pediu, e continuou a arrumar os arquivos. — Se eu deixar aqui, amanhã você vai acordar antes de mim e limpar tudo novamente. E amanhã é o resultado final do sucesso da transfusão e...

Peguei-a e joguei por cima do meu ombro.

— Severus!

— Eu não consigo dormir, e eu tenho um grande dia no hospital amanhã. Eu preciso de você na cama. — Disse com determinação, enquanto a levava de volta para o meu quarto. Colocando-a na cama, deslizei para fora da minha única peça de roupa e me arrastei ao lado dela.

— Eu ouvi um monte de 'eus' nessa frase. — Ela sussurrou, enquanto pressionava as costas no meu peito me permitindo envolver meu braço em torno dela.

Ela cheirava a flores silvestres e sua pele estava quente contra a minha.

— Você precisa dormir também. — Murmurei, fechando meus olhos. — Quando vai entender que preciso de você nesta cama?

Ela suspirou e se aconchegou ainda mais contra mim. E eu mergulhei no sono sentindo o perfume do seu cabelo sob o meu nariz.


Notas Finais

Desculpem a demora com o capítulo, mas ele teve que ser reescrito do zero, porque fui colocada inesperadamente de quarentena e o notebook onde ele foi escrito ficou na empresa.

Quem notou uma certa família bruxa homenageada neste capítulo?

Todo mundo quietinho em casa, não é? Então aproveitem e leiam minha outra fic SS/HG em andamento: Estações, corre no meu perfil e acompanhem.

Beijos e até o próximo!