Capítulo Trinta e Um

The Trouble With Family

(O Problema com a Família)

— Draco? — A voz do pai passou pela porta entreaberta de seu escritório.

— Rá — disse Hydrus; era depois do almoço, e os dois iam para o andar de cima. Draco queria se trancar em seu quarto com um livro pelo resto da tarde. — Alguém está com problemas. — O pai soara particularmente sério, mas Draco só ergueu uma sobrancelha para seu irmão e colocou a cabeça para dentro do escritório.

O pai girou o pulso; um gesto para que entrasse. Draco obedeceu, fechando a porta no rosto arrogante de Hydrus.

— Sente-se — falou o pai, e Draco o fez, acomodando o livro em seu colo. O pai correu os olhos por ele. — Esclarecendo o Futuro?

— É para Adivinhação — falou. E era mesmo... Ou, pelo menos, a capa do livro era. Dentro dela, estava um dos livros que Black tinha lhe enviado sobre Oclumência.

— É um assunto interessante? — perguntou o pai. Ele nunca cursara essa matéria, apesar de a mãe ter cursado.

— Acho que sim — respondeu, dando de ombros.

— Muito mais seguro do que Trato das Criaturas Mágicas, pelo que fiquei sabendo — insistiu o pai. Draco pensou em Longbottom, que se cortara em xícaras quebradas e se queimara com o chá mais vezes do que Draco conseguia contar, e pensou em Potter, que, apesar de não acreditar que Trelawney tinha algum habilidade real, ficava bastante estressado com as previsões da professora. Mas sabia em que direção o pai tentava levar a conversa e permitiu.

— Depende do aluno — respondeu. — Quem seguiu as instruções do professor não teve problemas.

— Ainda está determinado a me fazer mudar de ideia? — perguntou o pai, ao mesmo tempo aborrecido e divertido. Draco olhou de volta, imperturbável, até que o pai balançou uma mão. — Muito bem; convença-me. — Ele se esforçava para não deixar transparecer, mas Draco conseguia ver que ele estava curioso.

— Eu já convenci — falou lentamente. — Eu prometi informação em troca de um favor... o favor sendo desistir do caso contra Hagrid e o Hipogrifo. E aqui estamos nós.

— Eu concordei considerar um favor — corrigiu o pai. — Se sua "informação" for algo tolo ou trivial, não prometerei nada.

— Não é — falou. — Mas não quero que volte atrás só por que não gostou do que tenho a dizer. — Olhou para o pai com os olhos cerrados, recebendo a mesma expressão em resposta. O pai foi o primeiro a desviar os olhos, e Draco escondeu um sorriso.

— É algo ruim?

— É o que você vai achar — falou Draco e tinha certeza disso. O pai o estudou por longos segundos, e Draco olhou de volta sem se deixar incomodar. O pai era um homem poderoso, mas ele não era como Severus (alguém, sabia, que podia ler sua mente), e Draco o tinha bem onde o queria. E pensar que Severus duvidara dele.

— Muito bem — suspirou o pai. — Qual é a sua informação? — Não era uma promessa, mas Draco suspeitava que era o melhor que ia conseguir nessas circunstâncias.

— Dobby está livre — falou.

Não apenas era uma informação que o pai desconhecia e consideraria importante (e inconveniente), mas, mesmo que o pai não achasse, Draco esperava que ele decidisse que sua raiva com Draco era mais importante do que seu caso contra Hagrid.

— Algo ruim, de fato. — Os lábios do pai foram as únicas coisas que se mexeram quando ele falou. — E como você sabe?

— Eu o libertei — contou em voz baixa.

— Libertou. — Não era uma pergunta. — E por que — a voz dele endureceu na palavra — você fez isso? — Draco deu de ombros. — Você prometeu informação, Draco. — O pai se sentou, tão frio e tenso quanto uma estátua, do outro lado da mesa, apesar de Draco ter certeza de que sua raiva borbulhava, quente, sob a pele. O pai estava com a varinha em mãos, girando-a de uma forma bastante ameaçadora, a ponta indo descansar na direção de Draco vez ou outra. — Conte.

— Você já tem sua informação — falou Draco. A expressão do pai ficou tensa, e de repente Draco se sentiu tonto.

Draco. Ele demorou um momento para perceber que a boca do pai não tinha se mexido, que ouvira a palavra dentro de sua cabeça. Ela estava deslocada lá, de um jeito parecido com os cutucões de Severus, mas ao mesmo tempo não era nada parecido; o que quer que fosse, não doía. Conte.

Por mais incomum que fosse esse método de comunicação, a exigência em si não era insensata. Draco tinha prometido, e se o pai exigia mais respostas, Draco as daria. Por um momento, considerou uma meia verdade; que Dobby era seu amigo, que Dobby não era feliz na Mansão, que isso era tudo.

A verdade, Draco. As palavras foram rosnadas, e Draco encolheu-se por causa do jeito que elas o faziam se sentir. Ele certamente não ia discutir com o pai enquanto ele estivesse nesse humor.

— Para te punir — falou. Sua voz soou vazia para os próprios ouvidos. O olhar do pai pareceu exigir mais do que isso, assim como sua presença (ou seja lá o que fosse) em sua cabeça. — Depois do ano passado... Você colocou todo mundo em perigo com o que fez...

— Vai ainda está falando disso? — sibilou o pai, parecendo tão exasperado quanto furioso. Ele cortou o ar com a varinha, e Draco se sentiu um pouco mais como ele mesmo. — Que eu não fechei a escola quando me pediu?

— Eu estava falando do diário — disse Draco e se arrependeu na mesma hora.

Silêncio tomou o escritório. A raiva do pai voltou a ficar escondida — mas certamente ainda lá — atrás de um rosto impassível.

— Como é que é? — Até sua voz era impassível. O que Draco não daria para ter o nariz Animago de Potter, ou a Legilimência de Severus, para saber o que ele realmente pensava.

— Você me ouviu — falou.

— Do que você está falando? — perguntou o pai. Era uma oportunidade para Draco voltar atrás. Mas o pai já estava bravo e continuaria bravo mesmo se Draco a aceitasse. E, ainda por cima, agiria ofendido e superior.

— O diário — falou friamente. — O diário de Tom Riddle que você colocou no caldeirão da Weasley quando fomos ao Beco Diagonal antes das aulas. — Em sua defesa, a expressão do pai não mudou; não houve um brilho de entendimento ou culpa, nada. Foi o que o entregou.

— Isso é loucura, Draco — falou o pai, balançando a cabeça.

— Eu sei — respondeu, mordaz. — Que tipo de monstro faria isso com um garotinha e uma escola cheia de crianças? — A pele ao redor dos olhos do pai ficou tensa.

— Não vou permitir que faça essas acusações infundadas — falou o pai friamente. — Se tal coisa fosse verdade, os Aurores certamente já teriam aparecido na Mansão para fazer algumas perguntas há muito tempo. Quem colocou essas ideias ridículas na sua cabeça?

— Potter — respondeu, relutante.

— Aquele...

— Aquele seja lá o que você fosse chamá-lo é o único motivo de você não estar em Azkaban — falou Draco, interrompendo-o. — Se ele tivesse dito uma palavra sequer a Black ou a um dos professores, você estaria lá.

— E sabe por que ele não disse? — perguntou o pai. — Porque é mentira. Se eles fossem me investigar, não encontrariam nada. — Não era uma mentira, mas Draco não achava que isso significava que ele era inocente. — Potter claramente decidiu destruir minha reputação e te colocar contra mim; e é óbvio que ele conseguiu.

Draco ficou surpreso ao ver que uma parte sua ainda queria acreditar no pai, mesmo que o resto de si soubesse que não era certo, por vários motivos; Dobby lhe contara o envolvimento do pai muito antes de Potter ter dito qualquer coisa. E Potter não gostava do pai, mas ele nunca tentara colocar um contra o outro, como o pai tentara colocar Draco contra Potter. Ainda mais importante, Draco não sentira uma mentira quando Potter lhe contara o envolvimento do pai; Potter não sabia mentir para qualquer um que o conhecesse só um pouco, e Draco era particularmente bom em notar mentiras.

— Se é o que diz — falou, tão indiferente quanto possível. O pai cerrou os olhos e respirou fundo. Draco conseguia sentir... bem, alguma coisa chegando; uma reprimenda, talvez, ou uma continuação a essa conversa, ou, pior, palavras que terminassem a conversa. Não eram boas opções, até onde Draco se importava. Apertando os dentes, considerou que tinha sido colocado na Grifinória por um bom motivo. — Agora, acho que você concorda que essa informação sobre o Dobby é importante, então vamos voltar a falar do nosso acordo sobre o Hipogrifo — falou.

O pai piscou de um jeito que Draco sabia ser surpresa genuína com sua tentativa de retomar as coisas. Por um momento, achou que conseguiriam resolver a situação.

Aí, a expressão do pai mudou, e Draco suspirou, levantando-se.

— Está claro que não dá pra conversar com você no momento — murmurou. — Eu volto dep...

Saia — rosnou o pai.

-x-

— Marge?! — Petunia empalideceu no alto das escadas. — O que... você está... — Aí, ela se recuperou e disse: — Que surpresa! — Harry acreditava nela.

A tia Marge usou o ombro para passar por Harry e entrar na casa. Ela colocou Estripador e a mala no chão; o cachorro rosnou para Harry e tomou uma posição defensiva aos pés de Marge.

— Eu sei que você disse que queria um natal tranquilo depois do que te aconteceu — falou Marge, alto, claramente querendo acalmar a situação —, mas o natal é para ser passado com a família, e pensei em surpreendê-los. Ajudar, também, Petunia, já que ainda está se recuperando.

— Que atenciosa — falou Petunia num fio de voz.

— Sim, bem. — Marge parecia satisfeita por ser considerada atenciosa. — Mas havia mais nessa história de um natal tranquilo do que disse, não é? — Ela olhou feio para Harry, e a tia Petunia o olhou em súplica de trás de Marge. — A última vez que ouvi, você tinha fugido com aquele seu padrinho criminoso. Ou morreu. — Ela colocou as mãos na cintura, e Estripador rosnou, como se estivesse bravo por Harry não ter morrido. — Acho que ele te abandonou, não é?

— Não — respondeu Petunia, a voz fraca. — Não, não é bem isso, Marge...

— Não é sua culpa, Petunia — falou Marge, balançando uma mão —, você sempre foi generosa demais no que diz respeito ao menino. Eu sei que ele é filho da sua irmã, mas, de verdade, você tem que impor o limite. — Petunia não sabia o que dizer. Marge se voltou para Harry. Quando ele ainda morava ali, os Dursley gostavam de ignorá-lo a não ser que não tivessem outra escolha. Marge sempre tinha sido muito direta na forma como lidava com ele, e parecia que nada tinha mudado. — Bem? Eu te fiz uma pergunta, menino.

— Fez? — perguntou Harry, ainda chocado demais por vê-la para ficar bravo.

— Eu perguntei se o seu padrinho te abandonou. — Os olhos de Marge brilharam. — Não posso dizer que o culpo, não quando o conheço tão...

— Marge — chamou a tia Petunia, mas Marge pareceu não ouvir.

— Ele não me abandonou — falou Harry, irritado.

— Rá! — falou Marge. — É claro que não! Então, para que voltou a se aproveitar da sua tia e dos meus pobres irmão e sobrinho?

— Estou aqui para... — Harry engoliu que estava ali para ajudar os Dursley; Marge nunca acreditaria, e nunca conseguiria explicar direito. — Er...

— Para...? — Marge não parecia nada impressionada.

— Ele... o padrinho do menino... — Petunia parecia tão perdida quanto Harry, mas ela estava tentando, o que contava para alguma coisa; no passado, ela o teria deixado à mercê de Marge.

Harry tentou de novo:

— Não estou com o Padfoot porque...

— Algum tipo de nome de gangue, certamente — falou Marge para tia Petunia deliberadamente. Bem, se não podia convencê-la de que Padfoot não era um criminoso, talvez fosse melhor entrar na dela.

— Porque ele está na prisão — falou Harry.

— Prisão — falou a tia Petunia, piscando. — Ah, sim, prisão!

— Nada do que se envergonhar, Petunia, a responsabilidade não é sua. — Marge olhou para Harry de um jeito que deixava claro que ela achava que era culpa dele. — Posso ver por que não disse nada sobre estar com ele... Eu teria te convencido a não o aceitar, é claro.

— É claro — falou a tia Petunia, engolindo.

— Mas não há muito o que fazer agora, infelizmente — falou Marge. — Farei o que conseguir para que ele não a incomode enquanto você se recupera e se acomoda. E pensar que eu quase não vim esse ano!

— Que gentil da sua parte — falou Petunia num fio de voz.

— Começando agora: pode levar minhas coisas lá pra cima, menino. — Marge indicou sua mala. Harry olhou para a mala, mas não fez menção de pegá-la. — Pior do que antes — comentou ela e estalou os dedos. — Agora! — Harry olhou para a mala e depois para Marge.

— Vou estar no quarto de hóspedes se precisar de mim — falou ele para a tia Petunia.

-x-

O rosto de Harry apareceu no espelho de Sirius quando ele estava passando pela porta, vestindo sua jaqueta de couro favorita.

— Garoto — falou ele, surpreso. — Já estou a caminho...

— Não pode — falou Harry, amargurado. Ele estava no quarto de hóspedes da Rua dos Alfeneiros (reconheceu o papel de parede), e Sirius conseguia ouvir a voz alta de uma mulher ao fundo.

— Gostaria de vê-los me impedir — rosnou Sirius, furioso por Petunia tentar tirar os privilégios de visita já no primeiro dia. No dia anterior, as coisas pareciam estar indo tão bem quanto possível, mesmo que Harry estivesse estressado e Sirius não quisesse deixar seu afilhado lá. — Eu chego em...

— A tia Marge está aqui — interrompeu Harry. Era um nome que Sirius reconhecia vagamente; ela era a irmã de Vernon. Harry nunca falara muito dela, mas Sirius tinha entendido que eles não se gostavam nem um pouco.

— E? — perguntou.

— E eu tive que dizer que você estava na prisão para explicar por que estou aqui — bufou Harry. — Então se você aparecer na porta...

— Vai ser ruim — suspirou Sirius e franziu o cenho. — É, tudo bem. — Voltou a entrar e fechou a porta com um suspiro. — Talvez... — A lareira estalou na cozinha. — Espera um pouco — falou para Harry. — Olá?

— Olá, Black — respondeu uma voz conhecida. — Potter está?

— Draco acabou de chegar, te procurando — contou Sirius, e Harry ergueu as sobrancelhas.

— Draco está aí? Pra quê? — quis saber Harry, esticando o pescoço para tentar ver Draco no canto do espelho.

— Nem ideia — respondeu Sirius, descendo as escadas até a cozinha. Draco estava parado ao lado da lareira, o malão da escola em mãos, parecendo irritado.

— Desculpe chegar assim — falou Draco, parecendo envergonhado ao notar Sirius.

— É o Draco? — perguntou Harry. Draco olhou para o espelho na mão de Sirius e fez uma careta.

— Esqueci que Potter não ia estar aqui — murmurou Draco. — Eu... erm...

— A gente se fala depois, garoto — falou Sirius.

— Espera, o que ele... — falou Harry, mas Sirius permitiu que o espelho se apagasse.

— Está tudo bem? — perguntou Sirius, cauteloso.

— O pai estava sendo teimoso — respondeu Draco. Seu cheiro era quente e espinhoso; irritado. Sirius torceu o nariz. — Achei melhor dar um tempo.

— Ele sabe que você está aqui?

— Estou certo que ele vai deduzir — falou Draco com uma carranca. — Mas se Potter não está...

— Se precisa de um lugar para ficar, é bem-vindo — falou Sirius com firmeza. — Não será um problema. — O cheiro de Draco era grato, mas também incerto; ficar com adultos não devia ser como um garoto de treze anos gostaria de passar as férias de natal, apesar de ser claro que ele relutava em dizer. — Ou eu posso pedir aos Weasley... Acho que eles serão uma companhia mais legal do que eu.

— Isso... talvez... se não se importar...?

— Por que não vai para a biblioteca? Vou mandar o Monstro levar o chá e algo para comer — falou Sirius. — E, enquanto isso, eu vou chamar a Molly no Flu. — Draco assentiu, e Sirius chamou Monstro, que olhou para o garoto na cozinha e correu até a chaleira.

— Black? — chamou Draco do meio da escada.

— Hmm?

— Você poderia... Severus provavelmente vai querer saber onde estou... — Draco mordeu o lábio, e Sirius engoliu o gemido ao pensar em lidar com Snape. Eles tinham praticamente destruído sua trégua instável na última vez em que conversaram e, francamente, Sirius não conseguia se forçar a se importar muito. Claro, Snape era o padrinho de Draco, mas isso não lhe dava o direito de bagunçar com a cabeça do menino. E há anos Sirius mantinha Snape informado da localização de Draco durante as férias, sempre permitira que ele o visitasse, sempre tinha cuidado de Draco, porque sabia exatamente como era ser um traidor de sangue.

— Posso falar com ele também. — E falaria, mas porque Draco tinha pedido.

— Obrigado. — Draco sumiu escadas acima. Suspirando, Sirius jogou um punhado de pó de Flu na lareira.

— A Toca — falou, e colocou a cabeça nas chamas. Sua irritação com Snape sumiu com a visão que o recebeu; a cozinha dos Weasley, vazia exceto por Ginny, precariamente equilibrada em uma cadeira, tentando pegar algo na prateleira mais alta da despensa. — 'Tarde — falou, confuso, e ela soltou um gritinho, mas conseguiu não cair. Sua próxima pergunta (sobre o paradeiro de Molly) tornou-se redundante.

— Ginny?! — Ginny pulou da cadeira, colocou-a sob a mesa da cozinha e usou o pé para fechar a porta da despensa assim que Molly entrou na cozinha... ou pelo menos, Sirius assumiu ser Molly; não conseguia vê-la atrás da montanha de roupas que flutuava na frente dela. — Você está bem, querida?

— Sirius está na lareira, mãe — falou Ginny. — Ele só me assustou, só isso.

— Qu... Sirius? — As roupas seguiram em frente, e Molly guardou a varinha ao se virar para o fogo.

— 'Tarde, Molly — falou Sirius, olhando para Ginny com diversão.

— Está tudo bem? — perguntou ela. — Como está o Harry?

— Harry está aguentando — respondeu Sirius —, apesar de que eu ficarei bem mais feliz quando ele estiver embaixo do meu teto. — Molly o olhou com compreensão. — Mas falando do meu teto; tenho um visitante bastante inesperado. — Molly ergueu as sobrancelhas. — Draco — falou. O rosto de Molly se encheu de preocupação. — Não sei bem o que aconteceu, mas ele está procurando por um lugar para ficar, e achei que, já que o Harry não está por aqui, ele se divertiria mais aqui do que em Grimmauld...

BOOM!

Sirius pulou, procurando a varinha. A Toca tremeu, e a prateleira com as panelas de Molly, perto do fogão, chacoalhou. Molly e Ginny não se abalaram. Ginny olhou para o teto, cerrando os olhos.

— O que...

Molly fez um gesto para que Sirius esperasse e saiu da cozinha pisando duro.

— FRED! — Ouvi-a gritar dali a instantes. — GEORGE! — Alguns segundos depois, Sirius a ouvir subir as escadas.

A porta dos fundos foi aberta, e Fred e George espiaram a cozinha, olhando para dentro de casa com cautela; Sirius não os culpava por tomar cuidado quando o tom de Molly era aquele. Os dois estavam com o rosto sujo de terra, que também estava sob as unhas. Sirius imaginou o que eles estavam fazendo. Ginny os olhou, surpresa.

— Se você estavam lá fora — falou ela —, o que explodiu lá em cima?

— Nada nosso — falou um dos gêmeos.

— Uma mudança bacana, né? — falou o outro e aí notou Sirius e sorriu. — Olá, senhor Padfoot. O que o traz à nossa humilde lareira?

— Harry não se meteu em nenhuma arte, né? — Apesar da provocação, os gêmeos sabiam exatamente onde Harry estava, e Sirius conseguiu notar a preocupação genuína na pergunta.

— Não — garantiu. — Mas o Draco... — Dois pares idênticos de olhos brilharam e, aí, se arregalaram quando os passos de Molly voltaram a soar nas escadas.

— Ginny...? — Os dois se viraram para sua irmã, tirando várias plantas amassadas e raízes sujas dos bolsos.

— É, até parece — falou Ginny, recuando um passo.

Por favor. — Era menos que um sussurro, já que Molly certamente chegaria em segundos.

— Vamos ficar te devendo uma.

— Um favor — falou Ginny. Sirius teria jurado que ela tinha olhado rapidamente para a despensa. Ela fez uma tipoia com a barra do suéter para carregar os pertences dos gêmeos. — Um bem grande! — E aí ela sumiu, entrando na lavanderia no instante em que Molly reapareceu na cozinha.

— Eu não sei onde... — Molly parou ao ver seus filhos, cerrando os olhos ao notar a sujeira. — Garotos!

— Não fomos nós, mãe — falou um deles. Sirius achava ser Fred, mas, sem poder sentir seu cheiro, não tinha como confirmar.

— Estamos lá fora desde o almoço — falou o outro.

— Então vocês não deixavam um caldeirão fervendo no seu quarto? — perguntou Molly, perigosamente. Os gêmeos hesitaram. — E esse caldeirão não explodiu, não queimou um buraco no chão e não derreteu um dos pés da sua escrivaninha?

— Não? — Mas era uma defesa tépida, e Sirius duvidava que Molly se deixou enganar; ela apontou um dedo para os gêmeos, como se os desafiasse a se mexer, aí se virou para o fogo.

— Desculpe por isso — falou ela, olhando para os gêmeos por cima dos ombros. — Mande Draco quando ele estiver pronto; vou mandar o Ron montar a cama de armar para ele. Ele vai passar o resto das festas aqui, o coitadinho?

-x-

Severus abriu a porta, viu quem era e a fechou.

— Snape! — falou Black, tenso. — Eu preciso falar com você! — Apesar de não ter tido as consequência que Black certamente planejara, o fato ainda era que ele tinha contado a Draco sobre as habilidades de Severus com magias mentais, e Severus não ia perdoá-lo tão cedo. — Abra a porcaria da porta! — Black bateu na madeira.

Severus o ignorou.

Continua.