Notas iniciais do capítulo

HOHOHO hoje é meu aniversário, mas quem ganha o presente são vocês: PODE TIRAR O COLETE!

Boa leitura


Pigmentos de Amor

Kaline Bogard

Capítulo 36
A cor no brilho de um olhar

A notícia de que tanto Kiba quanto a bebê estabilizaram foi um impacto positivo que o pequeno grupo desejava. Quando Shino voltou para o hall de entrada do hospital e contou por alto o encontro com a filha e o companheiro, foi cumprimentado com abraços eufóricos de Naruto, Ino e Hana. Ainda que Tsume e Shibi fossem mais discretos, o alívio só não era maior do que a alegria em saber que o pior havia passado.

Shino guardou segredo apenas sobre como tudo seguiu para tal desfecho. Não sentia um pingo de orgulho por ter agido contra a lei. E não queria pensar nas consequências ainda. Sua família estava a salvo, mas havia um longo caminho a percorrer até que aquele episódio se encerrasse. Queria manter-se focado e forte por Kiba e Masako.

— Haruno-sensei disse que vai liberar as visitas com restrição controlada até que deixem a UTI. — O modo formal que Shino usou para se referir à médica chamou atenção, todavia ninguém questionou o motivo. — E apenas duas pessoas a cada dia.

Ou seja, demoraria algum tempo até que todos pudessem ver os pacientes. Shino pretendia ser um dos visitantes todos os dias, claro. Não por egoísmo, apenas por saber que sua energia Alpha ajudaria na melhora da filha e do companheiro. Assim restava mais uma vaga para que os outros organizassem uma escala de revezamento.

— Amanhã é minha vez. — Tsume foi taxativa. Ninguém a questionou. — Agora você vai descansar um pouco, Shino. E vocês também. — Lançou para os demais. — Eu continuo de vigília, aviso sobre qualquer novidade.

Shino pensou em recusar a oferta e continuar no hospital, mas Shibi colocou a mão em seu ombro, dando um apertão carinhoso. De repente ele sentiu todo o peso das últimas horas, desde a cena quase desastrosa no quarto, quando Kiba ficou mal, as horas de vigília e a tensão final, quando Sakura lhe jogou nas mãos a suposta chance de se despedir...

No quarto da UTI não se deu conta, mas usar a presença Alpha daquele jeito nunca feito antes também cobrou um preço. Podia sentir os efeitos da adrenalina desaparecendo e a exaustão batendo à porta.

— Eu vou ficar também. — Naruto apontou para si mesmo com o polegar.

— Naruto, eu... — Hana ia entrar na disputa para permanecer com a mãe.

Tsume não deu chance. Cruzou os braços a frente do corpo e lançou um olhar para os dois que arrepiou cada pelinho do corpo. Por um segundo tanto Naruto quanto Hana sentiram-se como crianças, prontos para levar uma bronca. Até Ino sentiu a pressão daquele gesto materno. Se Inuzuka Tsume fosse uma Alpha... Pelos deuses! Tal mirada causaria um estrago.

— Vamos pra casa, crianças. — Ino segurou na manga da blusa de ambos os Betas e os puxou rumo à saída. — Boa noite.

Shibi reverenciou de leve na direção de Tsume e saiu, sendo seguido pelo único filho. Mais do que descanso, Shino implorava para que o pior tivesse realmente passado, todos ali enfrentaram emoção suficiente para uma vida inteira.

Demorou ainda duas semanas para que Haruno Sakura considerasse a situação de Kiba estável o bastante para transferi-lo da UTI de volta para a Ala Médica. Não apenas o corpo Ômega se recuperava mais lento do que as demais castas, mas a provação enfrentada passou perto demais da morte para que a médica agisse levianamente.

O ano novo veio, seguido por uma comemoração modesta em que Shino pediu secretamente que os deuses agraciassem a família que começava com Kiba. Não era religioso, mas era grato. Deuses, destino ou acaso; qualquer que fosse o nome dado ao maestro sobrenatural que orquestrava o andamento da vida, não importava. Valia apenas a abençoada e bem quista segunda chance que havia lhe ofertado.

Por essa ocasião o novo artigo sobre o caso foi publicado e revolucionou o meio Acadêmico mais do que os envolvidos julgavam ser possível. Cada acontecimento evidenciava o poder da ligação entre duas Almas Gêmeas, começando a atrair olhares mesmo fora do contexto educacional. O assunto ia vazando, a história de superação ia sendo contada de boca em boca, tanto por quem acompanhava os periódicos lançados pela Editora Uchiha quanto pelos enfermeiros, médicos e equipe do hospital, que mal podiam acreditar em algo que soava como um prodígio.

As visitas restritas continuaram por aquelas duas semanas. A primeira meia hora era sempre de Shino, a meia hora seguinte revezada entre Tsume, Hana, Naruto e Ino. Shibi preferia ceder sua vez para os mais próximos a Kiba.

Quando Sakura avisou a Shino que estava transferindo Kiba para o quarto outra vez, o Alpha sentiu como se uma tonelada de preocupação e receio saísse de seus ombros. Acompanhava dia a dia a presença Ômega do companheiro se fortalecer, a situação melhorar no geral, mesmo que ele ainda não tivesse recuperado a consciência, o importante é que ele estava estável, mais forte a cada alvorecer.

Shino e Masako agiram em conjunto, usando o lado mais animal da raça para alcançar o garoto e dar-lhe um mínimo de forças quando encaravam o pior cenário. E Inuzuka Kiba mostrou-se como aquele shifter que conquistou Shino por sua garra e determinação, um guerreiro que agarra o que quer e luta com todas as suas forças. E Kiba se agarrava a vida. Lutava por ela.

Esses dias foram amenos, a certeza da recuperação afastava o medo e tornava a espera menos dolorosa, embora nem tudo fosse um mar de rosas. Haruno Sakura mantinha Shino informado de cada detalhe do estado de Kiba e da filhotinha, agindo com extremo profissionalismo, conquanto sem aquele acolhimento que marcara a relação da médica com ele até então. O Alpha podia perceber claramente a barreira que ela erguera e a dureza nas íris de olhos verdes, a relação de confiança que tinha com Shino foi rompida e nunca mais se estabeleceria como antes.

Não a culpava, obviamente. Era sua responsabilidade recorrer ao caminho mais fácil. Desesperado ou não, usar a voz de comando era o mesmo que escravizar outrem, privando-o de ter vontade própria. O quão assustador era isso? O bastante para ser considerado crime grave pela sociedade, o suficiente para afastá-lo de Kiba e da filha de ambos por um longo período, para acabar com o sonho que alimentava desde que era criança, mas nem assim lamentaria. Viver era fazer escolhas, tomar decisões, arriscar-se e lidar com as consequências.

Acima dessa discreta hostilidade, Sakura preservava o mesmo carinho pelo Ômega. Tinha ética o bastante para saber que Kiba e Masako eram inocentes na desagradável atuação de Shino, continuando assim a oferecer o melhor tratamento a seu alcance com o jutsu medicinal de apuração do sangue em sessões mais curtas e efetivas, além dos cuidados que o próprio hospital oferecia.

Uma novidade que começou durante a UTI foram as sessões de fisioterapia. Sakura explicou que era importante para evitar atrofia e danos às articulações de Kiba. Os exercícios eram feitos por uma profissional treinada para casos em que os pacientes estavam inconscientes.

Aburame Masako seguia no Berçário de Alto Risco. O quadro da filhotinha era estável, embora tivesse nascido tão prematura. Praticamente alcançara os seis meses de gestação, todavia precisava maturar ao menos mais três, desenvolvendo-se graças ao ambiente controlado e seguro que a incubadora oferecia. A semana foi tão positiva que a equipe hospitalar tornou-se otimista. As chances de sobrevivência passaram para mais de sessenta por cento, assim como diminuíam as probabilidades de que carregasse alguma sequela.

Além do fato de ser uma Alpha e ter a resistência caraterística da casta, havia também todo o processo que resultou em sua concepção: a ligação sobrenatural dos pais, tão rara e poderosa, que mudava a percepção de mundo ao fazer os pares enxergar as cores. O quão intenso seria tal vínculo? E o quanto disso dava forças à garotinha?

Tantas questões especulativas triplicaram o número de faculdades interessadas na história do casal. Shino recebeu ligações o suficiente para desligar o celular em busca de paz e pedir que as visitas a Kiba fossem unicamente de familiares e conhecidos. Temia que alguém tentasse abordá-lo ali, durante sua vigília. Haveria um tempo para responder aos contatos no futuro, não nas conjecturas atuais quando o que importava era que seu companheiro voltasse a abrir os olhos.

Quando o Ômega regressou ao quarto, a rotina de antes do parto voltou com ele. Naruto chegava pela manhã, Ino passava as tardes (ansiosa pelas breves visitas da psicóloga hospitalar) e a noite disputada por Shino, Tsume e Hana.

As férias de inverno também chegaram ao fim. Shino retomou as aulas do último trimestre da faculdade, assim como o estágio. Temeu, a princípio, que Sakura já tivesse pedido a anotação de antecedentes, o que podia complicar um pouco o estágio voltado para a área educacional.

O pior não aconteceu, pelo visto ela ainda não procurara as autoridades. Isso daria tempo para reorganizar seus planos para o futuro. Era um homem prático, queria sustentar a família com dignidade e conforto, então escolher outra carreira, uma que não precisasse de ficha de antecedentes perfeita, se tornaria prioridade assim que seu companheiro reabrisse os olhos. E isso aconteceu numa noite silenciosa e calma de janeiro, poucos dias depois de receber alta da UTI.

Shino estava parado próximo à janela de vidros fechados, observando o pátio interno do hospital, cenário deserto tanto pelo avanço da hora quanto pelo frio que reinava. Dentro do quarto o clima era agradável, quentinho pelo aquecedor que distribuía ar aquecido pelos quartos, mas lá fora era bem o contrário! Não nevava, apesar de tudo. Shino era grato por tal fato.

Por uma ou duas vezes havia caído flocos brancos do céu, que o fazia se lembrar da noite de natal, quando pensou que perderia Kiba e a filhotinha não nascida. Eram recordações dolentes sobre como a vida podia ser tênue e frágil, e terminar tão rápido quanto um breve fechar de olhos, sem que pudesse fazer nada para proteger aqueles a quem amava.

Pensamentos nostálgicos que o deixavam triste, abatido, e continuariam por toda a madrugada, não fosse a intuição esquisita que incomodou seu lado Alpha. Veio subitamente sem aviso algum e tirou Shino de seu lugar de vigia. Talvez fosse melhor sentar-se outra vez ao lado do leito, mantendo sua presença Alpha mais próximo ao...

Mal terminou de virar-se para o quarto e o mundo parou. Ou, ao menos, foi essa impressão que Aburame Shino teve ao observar a cama onde seu companheiro estava deitado e deparar-se com arregalados olhos selvagens dominando o rosto trigueiro. O coração do Alpha bateu forte no peito. Kiba havia acordado.


Notas finais do capítulo

Aceito comentários de presente hohoho

Entramos em reta final, logo acaba. Mas... lembram que eu prometi um ShinoKiba com m-preg sem dramas? Pois é. Essa história está com 23 capítulos já, e será postada quando acabar "Pigmentos de Amor". O mpreg é sem sufoco, mas teremos uns atritos antes da coisa engatar... ahsuasha se preparem!

Até sexta-feira