Notas do Autor
Aviso: Todas as personagens do universo Harry Potter, assim como as demais referências a ele, não pertencem ao autor desse texto, escrito sem nenhum interesse lucrativo, mas à JK Rowling.
Por favor, não me processem, eu só peguei emprestado para pura diversão.
Capítulo 10
Hermione.
Era estranho para mim ser tão desejada por alguém, da maneira que Severus me desejava. Eu não entendia, e ainda assim, eu estava estupidamente feliz sempre que eu estava com ele. Não é algo que eu consiga explicar, eu apenas me sinto... livre.
Ninguém fora do meu círculo íntimo, que hoje em dia se resumia a Luna, sabia sobre meus segredos, exceto ele. Eu sempre fui reservada com a minha vida, e ele também, não víamos sentido em falar com estranhos sobre como nos sentíamos ou como percebemos o mundo à nossa volta. Mas juntos, nós apenas parecíamos estar mentalmente prontos para atravessar aquela fresta particular de nossas memórias e se abrir um com o outro. Eu tinha jurado que nunca falaria sobre isso com ninguém até que eu o reencontrei, e desde aquela nossa primeira noite, meu mundo foi mudando.
— Qual o problema? — Perguntou Severus, quando ele veio por trás de mim, pegando meu olhar no reflexo do espelho.
— Nada. Onde é que nós vamos mesmo? — Perguntei.
— Vamos comemorar um encontro de fim de semana. — Anunciou ele.
Pegou minha mala e a dele, reduzindo as duas a meras miniaturas e enfiando no bolso do casaco. Eu fiquei o admirando enquanto descíamos as escadas. Ontem, esse homem havia conseguido salvar três pessoas com casos considerados irreversíveis e todos os programas de rádio e jornais de notícias bruxas insistiam em repetir sobre como o grande Severus Snape era incrível. E aqui estava ele, descendo displicentemente a escada com o cabelo ainda levemente molhado do banho.
— Você está perdida em seus pensamentos de novo. — Observou ele, quando me entregou o meu chapéu e o cachecol.
— Eu estava pensando sobre os casos...
— Não. — Ele ergueu a mão. — Passamos meses pensando sobre os casos. Agora é a hora de esquecer que nós já tivemos... — Ele parou e apalpou os bolsos. — Onde está a minha varinha?
— Na cozinha, o que me lembra... — Fui para a cozinha enquanto ele seguia atrás de mim. Abrindo a geladeira e os armários, comecei a pegar as maçãs, batatas fritas, água e enfiando dentro da minha bolsinha de contas
— O que você está fazendo?
— Quanto tempo mesmo você disse que ia levar para chegar lá?
— Quase nenhum, Hermione, nós vamos de Chave de Portal. Você vai sentir fome? Eu não estou julgando você, mas...
— É para nós dois, você já viu a neve lá fora? Se por acaso a Chave de Portal falhar, ou nos deixar presos em algum lugar...
Ele riu de mim.
— Você é pessimista demais.
Ignorando-o, eu peguei o resto das coisas e joguei dentro da bolsinha, então me virei e entreguei a sua varinha. Ele apenas sorriu para a criança dentro de mim e eu rosnei para ele quando comecei a caminhar de volta em direção à sala.
— Você acabou de...
— Eu pensei que nós estávamos com pressa, Sr. Snape? — Eu já estava colocando o meu casaco de inverno e botas de neve.
— Você não quer pegar alguns cobertores também?
Isso era realmente uma boa ideia, virei e comecei a ir em direção ao armário, mas ele interveio e agarrou a minha mão livre.
— Pensando bem, há muitas outras formas para se manter quente. — Disse com um sorriso perverso. — Vamos Hermione, vamos embora.
Crookshanks olhou para nós quando vedamos a lareira, e por um instante me senti mal.
— Draco e Astoria vão cuidar dele. — Ele me assegurou.
Ele tinha feito isso de novo.
— Por favor, pare de ler minha mente, é desconcertante.
— Não é minha culpa que você é tão fácil de ler, não preciso nem usar Legilimência.
Sentamos no sofá, esperando o troféu enferrujado que ele tinha transformado em Chave de Portal, acionar. Sua mão repousava sobre minha coxa, e seus dedos traçaram suavemente intrincados padrões em meus jeans.
— Tem certeza que foi tudo bem não passar o Natal com eles? — Perguntei, enquanto esperávamos.
Já era vinte e nove de dezembro, a consciência me chocou. Este ano inteiro tinha passado em um borrão, e em menos de três dias, seria um novo ano...
— Eu poderia lhe perguntar a mesma coisa.
Verdade.
— Eu e Luna não somos de grandes comemorações de Natal. Nós colocamos nossos pijamas e assistimos reprises de todos os filmes trouxas clássicos de Natal.
— Isso parece incrível.
— Estou falando sério, os Malfoys não costumam dar uma grande festa?
Ele havia passado o dia comigo em vez disso.
— Eles deram, e eu preferi não participar. As festas de Natal da família Malfoy são muito badaladas. A grande coisa sobre ter casos de vida ou morte, que não vamos discutir, é o fato de que ninguém espera que você faça alguma coisa. Como está Lovegood?
— Sentimental. Passou o dia na casa de noivo... vestindo um colorido e brilhante vestido. De alguma forma ela conseguiu tirar uma foto e enviar para mim, ele era verde e ela parecia… parecia ela, a Luna, sem nenhuma reserva.
Fechei os olhos e descansei contra o encosto do sofá. Minha irmãzinha estava apaixonada, e lhe caía muito bem.
— Você está feliz. — Ele afirmou, e eu me virei para olhar para ele.
Ele se inclinou para trás também e manteve a mão sobre a minha coxa. Sua barba estava quase aparente, porque ele parecia "muito cansado" para se preocupar com isso. Notei que ele estava usando o relógio que eu dei para ele no Natal, embora tivesse outros muito melhores.
— O quê?
— Estou feliz. — Eu disse simplesmente, quando eu coloquei minha mão sobre a sua e olhei para fora da janela.
— Eu também.
Voltando-me para ele, ele me beijou, tocando o lado do meu rosto, gentilmente chupou meu lábio inferior, e eu abri minha boca para ele em resposta. Ele aprofundou o nosso beijo apenas por um momento, antes do click característico de dez segundos para o acionamento da Chave de Portal nos tirar de nossa bolha. Com um grunhido de frustração, ele se afastou de mim. Entrelaçamos nossos dedos e aguardamos.
— Por que somos assim? — Sorri.
Ele sorriu quando olhou para mim, e depois voltou para o troféu.
— As coisas boas em nossas vidas vêm muito raramente para qualquer um de nós questioná-la. — Respondeu ele, quando o último segundo marcou nossa partida.
Eu era uma coisa boa.
Severus.
Eu ainda não sei o que é, mas era óbvio que ela mexeu comigo. Sim, ela era linda, inteligente, dedicada, leal, engraçada e sexy… Bem, então, talvez eu soubesse. Mas era como se tudo sobre ela me afetasse, ela nem sequer tinha que fazer algo. Apenas olhá-la lendo me deixava excitado.
Foi a luxúria entre nós que nos uniu, primeiramente, mas com o tempo a luxúria desvanecia e tudo passara a ser diferente. Eu sentia como se pela primeira vez alguém tivesse me dado óculos. O mundo já não era um borrão e eu podia ver tão claramente, que me perguntava como eu vivia tão cegamente antes. Eu estava bem ciente de que ela era dezenoves anos mais nova que eu, mas mesmo isso não parecia ser uma boa explicação.
Éramos como ímãs, e uma vez que estávamos perto o suficiente, não poderíamos deixar de ficar presos. Fui completamente arrebatado por ela.
— Uau. — Ela sussurrou, quando nós chegamos ao chalé. — É bonito.
Vi quando ela olhou ao redor com espanto.
— Por que nós não ficamos aqui fora por um tempo?
Ela assentiu com a cabeça, e nos deitamos sobre o piso aquecido magicamente da varanda, com um aceno da minha varinha, enfeiticei o teto para que se tornasse transparente e nos permitisse ver o céu. Estávamos tão perto que nossos narizes quase se tocaram, mas somente ficamos ali olhando para o céu noturno.
— As estrelas são lindas aqui, parece o céu de Hogwarts. Nunca posso vê-las assim na cidade. — Ela meditou.
— Falando em Hogwarts, Aurora me informou que haverá uma chuva de meteoros esta noite. — Eu disse a ela, pegando sua mão na minha.
— Espere. — Ela disse puxado a mão e tirando a luva.
Ela enfiou a mão quente de volta na minha e ficamos deitados assim, cada um em nossos próprios pensamentos, de mãos dadas e olhando para as estrelas. O silêncio que se estabeleceu foi reconfortante.
— Severus! — Ela ofegou, apontando para o fim da cauda de uma estrela cadente.
O céu ainda estava claro por um momento antes de outro raio aparecer em frente, e depois outro, que fazia parecer que estava realmente chovendo raios de luz branca.
— Lembre-me de agradecer Aurora por isto. — Murmurei.
— Os trouxas acreditam que se fizermos desejos para elas, somos atendidos. Quantos desejos você acha que podemos fazer? — Ela perguntou.
— Quantos desejos você precisa? — Perguntei, sem conseguir tirar meus olhos do céu.
— Três.
Isso chamou a minha atenção, e eu virei minha cabeça para olhar para ela, mas ela não desviou o olhar do céu.
— Vamos acreditar em crenças trouxas? — Eu quis saber.
— Só desta vez. — Ela sorriu, e fechou os olhos. — Um: eu quero conseguir curar meus pais. Dois: quero que Luna seja feliz. Três...
Ela parou.
— Três? — Insisti.
Ela não olhou para mim, mas apertou minha mão. — Que isso aqui, seja o que for, dure.
Apertei a mão dela enquanto eu olhava de volta para o céu.
— Abracadabra, pêlos de cabra, quando eu estalar os dedos, faça essa garota não fugir mais lá de casa.
Ela ficou em silêncio por um segundo antes de ambos cairmos em um ataque de risos.
Hermione.
Virando de lado, eu assisti enquanto ele dormia... o que era assustador, e ao mesmo tempo, deslumbrante.
— Você está me olhando. — Ele disse, sem se preocupar em abrir os olhos e enterrou a cabeça mais funda no travesseiro.
— Desculpe...
— Basta perguntar tudo o que quer perguntar.
Sentei e tentei levantar os cobertores comigo, mas ele apenas puxou de volta para baixo. Eu tentei novamente, e de novo, ele puxou de volta.
— Severus...
— Meus olhos estão fechados, você não precisa se cobrir.
— Em primeiro lugar, por que isso importa se você não pode me ver? E em segundo lugar, estou me cobrindo porque eu estou com frio.
Ele estendeu a mão, colocando-a no meu seio e levemente sacudiu meu mamilo.
— Está mesmo com frio.
Empurrando a mão dele, eu peguei os cobertores e, desta vez, ele não me impediu.
— Qual é a sua pergunta?
— O que as pessoas fazem aqui no meio do nada?
Com um sorriso, ele abriu os olhos e olhou para mim. Seus olhos eram maus e sua expressão pervertida quando ele me puxou com os braços e beijou meu pescoço.
— Não é isso. — Eu soltei uma risada.
Ele sorriu junto comigo, e se sentou contra a cabeceira da cama, agora completamente acordado.
— Fazemos o que queremos fazer. Podemos caminhar para a cidade ou para a floresta. Eu vinha muito aqui quando queria ficar sozinho e pensar, então conheço todas as trilhas. Você trouxe sua vassoura com você, certo?
— Eu trouxe? Sim. Eu odeio voar? Também.
— Como você pode não gosta de voar? É uma bruxa.
— Bem, eu passei uma boa parte da minha vida não sendo uma. E trouxas só voam em aviões super seguros, não em vassouras.
— Eu podia jurar que seu primeiro beijo foi sobre uma vassoura.
Eu fiquei completamente chocada com a afirmação dele, porque era verdade. Mas o olhar orgulhoso no rosto dele me fez querer sorrir também.
— Como você sabe disso?
— Ouvi resmungos de Karkarof sobre isso durante meses. — Disse ele, enquanto se levantava e eu segui as linhas de seu corpo até que ele estalou os dedos. — Eu estou aqui em cima.
— Eu não tenho ideia do que você está falando.
— Não minta, você estava me verificando.
— Eu preciso me vestir. — Mudei de assunto, enquanto pegava algumas roupas e me dirigia para o banheiro.
Quando eu fechei a porta atrás de mim, me encostei e me vi olhando para os painéis de madeira que compunham o teto. Tudo era tão rústico, e mesmo assim ainda conseguia ter um toque contemporâneo.
Depois de assistirmos a chuva de meteoros, ele me deu um tour pelo chalé, que teve um total de cerca de dez segundos. Ele era pequeno e aconchegante, com uma lareira de pedra, e um fogão antiquado. Ele havia dito que era tecnicamente o chalé da família de sua mãe e era a única coisa que ela tinha dado para ele antes de morrer, porque ele amava aquele lugar.
— Leve o seu tempo, vamos voar de qualquer jeito independente da hora que você decidir sair. — Ele resmungou, enquanto estava fora da porta do banheiro.
Era típico de Severus só ter paciência quando ele queria.
— Estou pronta. — Respondi, abrindo a porta.
Ele me olhou e eu sorri.
— Quem está verificando quem agora?
— Vamos. — Resmungou novamente, me entregando o meu casaco antes de pegar nossas vassouras.
Tomando minha mão, nós caminhamos para fora de volta para a neve fresca. Era incrível; o gelo se formou nas pontas das árvores e os cervos pararam para nos olhar antes de saltar de volta para a floresta. Era uma curta caminhada do chalé até a clareira que ele disse que era seguro para voar sem sermos vistos, mas no momento que eu a vi, eu queria virar e voltar, mas ele já estava montando em sua vassoura. Relutantemente montei na minha.
— Isso não é nada seguro. — Eu disse, assim que planei uns poucos centímetros no ar.
— Vai ficar tudo bem, sua pragmática.
Ele disparou para cima e fez alguns círculos no ar antes de voltar ao lugar onde eu não tinha me mexido nenhum milímetro.
— O que você está fazendo aí ainda?
— Ficando segura.
Ele agarrou o cabo da minha vassoura, me levando com ele para o alto.
— Severus! — Gritei de olhos fechados.
— Ainda estamos vivos, Granger. — Ele sorriu e soltou o cabo da minha vassoura, me deixando planando vários metros acima do chão, percebi, quando arrisquei um olhar para baixo.
— Eu quero descer.
— Hermione Granger, desistindo? É uma blasfêmia. Vamos lá, Srta. Granger, só se segure bem e nós voaremos lentamente.
— É verdade que você pode voar sem uma vassoura? — Perguntei, tentando me distrair, pois estávamos começando a nos mover mais uma vez.
— Sim.
— Como você aprendeu?
— Você sabe que eu era um exímio inventor de feitiços, acompanhou Potter usar minhas invenções. Eu precisava de algo para me deixar escapar de Hogwarts, uma vez que havia feitiços anti-aparição no local. Só é permitido aparatação na escola ao Diretor em exercício. Eu não era um animago como McGonagall, então não podia simplesmente me transformar em um pequeno animal e fugir. Então inventei o feitiço.
— Voldemort também podia. Ele aprendeu com você?
— Sim, Voldemort ficou curioso em como eu sairia do castelo para as convocações e eu contei sobre o feitiço. Ele achou que era algo a se orgulhar, o fato de poder voar "sem vassoura ou testrálio".
— Você ensinou a mais alguém?
— Voar sem qualquer instrumento ou criatura mágica é um feito que requer muita habilidade para adquirir, mais do que a aparatação. Então é uma arte difícil e perigosa o suficiente para que muitos magos não se incomodassem em querer aprender. E Voldemort não queria gente demais com "sua" habilidade.
Por que nada disso me surpreende? O peguei me observando atentamente.
— O quê?
— Olhe só para você, não está se desequilibrando mais. Foi só focar na nossa conversa que parou de achar que cairia da vassoura.
Com certeza, eu parecia bem equilibrada no ar. Sorri.
— Sim, acho que você está certo.
— Isso significa que posso sair de perto?
— Não! — Gritei, em pânico.
Imediatamente meu tronco se desestabilizou e eu tombei para o lado esquerdo, quase caindo da vassoura. Severus estendeu a mão para me segurar e quase o arrastei comigo.
— Acalme-se! — Ele resmungou. — Hermione, Hermione...
— Desculpe.
— Eu vou ter que sair de perto de você ou nunca vai ter confiança o suficiente.
— Ou, no pior dos casos, você vai ficar preso segurando em mim para sempre.
Ele pensou por um momento antes de beijar meu nariz.
— Bom ponto.
Severus.
Eu estava tão malditamente ferido.
Nota mental: nunca mais obrigar Hermione a voar em uma vassoura.
— Severus, você não pode perder a véspera de Ano Novo também. — Declarou a cabeça visível de Narcisa pela lareira.
— Cissy, eu estou ocupado.
— Com o quê? Você já salvou aquelas pessoas. Parabéns, a propósito, já que você nem sequer se preocupou me mandar uma coruja avisando. Esta família nunca perdeu uma véspera de Ano Novo juntos, depois de tudo, e eu não vou permitir isso agora.
— Cissy...
— Por favor. — Ela implorou suavemente, e eu corri minhas mãos pelo meu cabelo em frustração.
Isso significava que eu tinha que ir embora com Hermione, e eu não queria, especialmente no início do Ano Novo. Tinha planejado mentalmente que nós estaríamos na cama, embrulhado nos braços um do outro quando a contagem regressiva começasse, não em uma festa.
— Severus. — De repente a voz de Lucius soou e era a cabeça dele que agora flutuava.
— Sério? Ela pediu para você falar comigo? O que eu tenho, doze anos e você é o monitor chefe?
— Quem é ela? — Ele perguntou, e eu congelei.
— O quê?
— Você nunca perdeu o Ano Novo com esta família, nem mesmo quando você tinha casos. Só pode haver uma razão, então, quem é a eleita?
Eu queria dizer a ele, apenas ainda não.
— Lucius, me deixe falar de novo com a Cissy.
— Bem, tudo bem. Mas você não pode mantê-la em segredo para sempre, Narcisa vai farejar.
— Não há pessoa nenhuma, vou sair com meus alunos.
Que diabos? Isso foi o melhor que eu pude pensar?
— Sério? — Perguntou Narcisa, quando retornou a cabeça na lareira. — Isso é ótimo, traga-os também, eu adoraria conhecê-los.
— Cissy... — Gemi.
— Certifique-se de que eles saibam que é um baile de gala.
E com isso, ela desligou.
— Puta que pariu! — Gritei para a lareira já sem chamas verdes.
— Está tudo bem? — Perguntou Hermione, esfregando os olhos quando entrou na sala de estar.
— De alguma forma consegui convidar toda a classe para a festa de Ano Novo de Narcisa Malfoy.
Movendo-se para a cozinha, eu procurei por algo para beber e escutei quando seus pés marcharam contra o chão, vindo em minha direção.
— Diga-me que você está brincando.
— Eu gostaria.
Encontrei o vinho que Hermione trouxe.
— Por quê?
— Ela queria que eu fosse e menti dizendo a ela que eu ia passar um tempo com meus alunos. A próxima coisa que eu sei, é que ela convidou todos. O que significa que eu preciso escrever para a classe, e você precisa de um vestido. — Respondi enquanto me servia de uma taça.
Ela não disse nada, e eu podia ver sua mente girando a mil quilômetros por minuto.
— O local estará cheio e todo mundo vai beber. Ninguém vai pensar sobre nós... — Eu disse, tentando tranquilizá-la e aliviar qualquer ansiedade que certamente estivesse nela.
— Na verdade, eu não estava preocupada com isso. — Ela respondeu, parecendo tão chocada quanto eu por sua própria revelação. — Eu só estava pensando que eu vou encontrar com pessoas importantes para você, mas seu ponto é mais importante...
— Não. Eu gosto de onde seus pensamentos estão indo. — Disse, me aproximando dela, que tentou desviar o olhar de mim, mas eu não deixei. — Você está começando a pensar como minha...
— Não diga isso. Se você disser, vai atrair azar. — Disse ela, com os olhos arregalados.
— Namorada. — Terminei com um sorriso.
Ela suspirou, deixando cair a cabeça no meu peito, derrotada.
— Você disse.
— Sim, disse. — Eu admiti e a abracei. — Mas eu sei o que você passou naquela casa, se não quiser ir, darei uma desculpa e não iremos.
— Não, tudo bem. Eu vou ficar bem.
— Gostaria de ficar aqui mais tempo, mas temos que voltar antes de tudo fechar. Você precisa realmente de um vestido.
Ela me beijou antes de se afastar de mim e voltar para o quarto.
— Eu vou arrumar minhas coisas. Você deve se apressar e escrever esses convites. Por outro lado, não importa quando você escrever, todos nós saltaremos à sua disposição.
Apanhei pergaminho e pena e rabisquei meu convite. Ele foi curto e rápido.
Amanhã, às nove horas, vocês devem estar na Mansão Malfoy para o meu último ato de bondade do semestre.
Professor Snape.
Nota: É um baile de gala.
Fiz mais onze cópias e disparei os bilhetes em labaredas verdes pela lareira com um aceno da minha varinha, Hermione leu o dela da porta do quarto.
— Seu último ato de bondade?
— Demais?
— Esta coisa que estamos fazendo...
— Namoro? — Provoquei.
— Isso! Faz com que recados como este não pareçam ameaçadores, você sabe disso, certo?
— Acredite em mim, uma vez que as aulas começarem de novo, Srta Granger, você não vai dizer isso. Eu posso manter minhas duas partes separadas.
Eu disse isso com um tom sério, tentando o meu melhor para soar ameaçador, apesar do fato de que eu não poderia deixar de tocá-la agora. Minhas mãos traçaram o lado das curvas de seus quadris.
— Como? — Perguntou ela.
Eu tinha finalmente descoberto por que eu não a tratava de forma diferente quando estávamos na sala de aula.
— Porque eu quero fazer de você a melhor maldita Curandeira que eu puder. O que significa que estarei em cima de você em cada turno. Você vai querer arrancar a minha cabeça, eu posso até mesmo ferir seus sentimentos, mas no final do dia, isso vai ajudar você a se tornar uma profissional melhor, então vai valer a pena para mim.
— Obrigada...
— Você não tem que me agradecer, apenas prepare-se. — Eu respondi, pegando-a e levando-a para o quarto.
— Para as aulas ou para...
Beijando-a, eu tirei seu suéter.
Tínhamos tomado um banho quente e Hermione se arrastou para a cama antes que eu pudesse detê-la. A neve caía muito forte para nós deixarmos o chalé de qualquer forma. No momento que eu fui para a cama com ela, percebi quão forte ela se agarrou em mim. Ela era diferente, nós éramos diferentes, mas também estávamos vivendo em uma bolha. O que aconteceria quando voltássemos ao mundo real e as aulas começassem? Eu estava ciente de que ela poderia fugir novamente. Amanhã seria o nosso primeiro teste para ver se poderíamos realmente fazer isso. Podemos realmente estar juntos? Eu estava bem ciente das consequências, mas quando eu pesava a alternativa de deixá-la ir, os riscos superavam de longe os efeitos de uma vida sem ela.
Alcançando minha varinha convoquei meu diário de comunicação e escrevi uma mensagem para Astoria.
Ela vai precisar de um vestido para o baile de Ano Novo.
Eu nem sequer tive tempo para deixar o diário de lado antes que ela respondesse.
Você está trazendo a sua aluna/namorada? Bem vindo ao lado negro, Severus.
Eu convidei todos os meus alunos, e quem disse que ela é minha namorada?
Ela é, mas Astoria não precisava saber disso.
Claro, você sempre ajuda seus estudantes do sexo feminino a fazer compras de vestidos quando elas são convidadas para a festa de sua "quase" família? É um lado especial dos professores?
Astoria, você pode ajudar ou não?
Bem, posso. Mas, primeiro, eu preciso conhecê-la.
Não.
Hermione não ia passar por isso.
Então, como você espera que eu compre um vestido se eu nem sei como ela é? Qual é o tamanho dela, ou mesmo do que ela gosta?
Sua cor favorita é azul-petróleo.
Momentos depois, um pelúcio brilhante saltitou dentro do nosso chalé minúsculo.
— Urgh. — Hermione gemeu em seu sono e virou para o outro lado, se afastando da claridade.
Levantando-me, eu fui até a sala e sussurrei para ela:
— Eu mandei uma mensagem para você em vez de um Patrono por uma razão Astoria.
— Eu preciso conhecê-la. — Ela lamentou. — Draco já conhece, e você, obviamente, se preocupa com ela. Eu preciso conhecê-la antes de agir como se ela fosse apenas alguma estudante normal na festa. Por que você está todo estranho?
— Eu vou falar com ela sobre isso, está bem?
Não tinha certeza por que eu estava sendo "estranho", só estava preocupado sobre como Hermione reagiria. Ainda havia um risco de fuga da parte dela.
— Fale rápido... — Ela disse, então sumiu quando um pequeno choro estridente soou no fundo. — Merda, eu o acordei.
Ela desfez o Patrono na minha cara quando o choro do seu bebê alcançou o volume total. Balançando a cabeça, voltei para o quarto, apenas para descobrir Hermione sentada, olhando para mim. Eu ri da expressão em seu rosto.
— O que é mais importante do que dormir? — Ela perguntou.
— Desculpe, estava tentando conseguir um vestido para você.
Seu rosto suavizou, mesmo que ela fingisse que ainda estava brava comigo.
— Você não precisa fazer isso. Tenho certeza de que seria capaz de encontrar algo bom para mim. Tenho alguns vestidos em casa que devem servir.
— Será que você tem algum vestido feito sob medida da Madame Malkin ou Stefano Gabbana?
Ela olhou para mim como se eu tivesse louco.
— Eu tenho uma bolsa Prada… — Ela disse devagar.
— Correndo o risco de soar como um verme materialista...
— Uma festa da família Malfoy é para alta sociedade bruxa. Certo.
Ela balançou a cabeça parecendo um pouco confusa e divertida.
— Astoria conhece as pessoas. Ela pode ajudar, e às vezes ela pode até revelar-se útil. — Sorri em uma tentativa de aliviar o clima. — Ela só quer conhecê-la primeiro.
— Tudo bem. — Respondeu ela, deitando de novo.
— Tudo bem? — Pisquei.
— Tudo bem. Eu lembro dela em Hogwarts, eu era monitora lembra? Ela era uma das poucas sonserinas agradáveis. E vou encarar a família Malfoy de qualquer maneira, nada pode ser pior que eles. Além disso, se eu encontrá-los separadamente, não vai parecer esmagador e eu não vou entrar em pânico.
— Não há necessidade de pânico. Astoria está amando o fato de que estamos juntos. Severus Snape finalmente está quebrando suas próprias regras sobre a vida. — Ela não parecia que acreditava em mim. — Você vai ficar bem.
Hermione.
Nós não tínhamos sido capazes de sair da cabana até a tarde do dia seguinte. O encanamento tinha congelado, e Severus teve que refazer cada um dos encantamentos domésticos do chalé. Além de tudo isso, eu não tinha nada agradável para usar, apenas jeans e um suéter amarelo-brilhante que me fazia parecer um pintinho. E para piorar as coisas, tínhamos perdido a ativação da Chave de Portal e ela só acionou novamente depois de três horas.
— Estou uma bagunça. Por favor, vamos até a minha casa para que eu possa me trocar... por favor... — Implorei.
— Não dá tempo. — Respondeu ele.
— A festa é daqui cinco horas, ainda há tempo de sobra.
Ele olhou para mim como se não pudesse acreditar que eu tinha dito isso.
— Quanto tempo você leva para escolher uma roupa na parte da manhã? Você muda, pelo menos, três vezes. Em cima disso, quanto tempo você gasta arrumando seu cabelo? E sempre consegue fazer um lado da sua maquiagem errado de modo que você tem que acabar refazendo. Também não vamos esquecer sobre seus acessórios que basicamente deixam você frustrada por não combinarem com o que está usando...
— Está bem, eu entendi seu ponto Severus, desculpe-me por querer ter uma boa aparência.
— Eu não estou reclamando, Hermione, mas o meu ponto é que nós simplesmente não temos tempo para você ir para casa se trocar, para que você possa conhecer Astoria escolhendo uma roupa nova e mudando novamente. A questão realmente é que nós só temos cinco horas. Além disso Astoria é a última pessoa que vai se importar. Depois de tudo, ela vai usar calças pretas e uma túnica de lã para o baile. Além disso, a Chave de Portal já vai nos deixar lá.
Um segundo depois eu olhei para o edifício do condomínio, quando ele me puxou para as portas da frente. Tudo que eu podia pensar quando ele abriu a porta do edifício para mim foi... eu estou cometendo um erro? O que ela vai pensar de mim? Severus continuou dizendo que não havia necessidade de se preocupar, mas eu não estava conseguindo me controlar. O que nós parecíamos do lado de fora? Afinal, eu e Draco éramos desafetos declarados desde a época da escola. E agora, eu estava dormindo/namorando um homem, que era vários anos mais velho que eu, e eu também era sua aluna. Eu não poderia sequer dizer a ela que eu tinha um emprego que não fosse estagiar no Saint Mungus por intermédio do programa do escritório de Severus.
— Ela está tendo um ataque de pânico. — Disse Severus para a mulher, quando ela abriu a porta.
— Vocês estão atrasados!
Ela olhou para mim e franziu a testa.
— Houve problemas no chalé. — Disse Severus, quando ela nos deu espaço para entrar.
— Você não respondeu nenhum dos meus Patronos.
— Por que eu me incomodaria em responder, se eu soubesse que nós teríamos essa discussão de qualquer maneira?
— Rá! — Eu ri em voz alta e os dois se viraram para olhar para mim e eu rapidamente fechei minha boca. — Desculpe, foi engraçado.
Ela sorriu.
— Está vendo? Não está mais nervosa.
Severus sorriu também, e eles se cumprimentaram.
— Irritante, não é? — Draco suspirou, enquanto ele chacoalhava um bebê tão loiro quanto ele em seus braços. — Eles vivem brigando assim o tempo todo.
Astoria se aproximou, limpando a baba do rosto do filho.
— Desculpe a bagunça. — Disse ela, fazendo um gesto ao redor da sala. — Este pequeno não dá uma pausa para ninguém.
— É... bom conhecer sua casa.
— Você está pronto para ir? — Draco perguntou enquanto acenava para Severus.
— Ir? — Eu me virei para ele.
Ele assentiu.
— Draco, o pequeno Scorpius e eu, vamos dar um tempo a vocês para ficarem prontas. Se você precisar de mim para qualquer coisa, chame.
— Não se preocupe, tudo vai ficar bem, vocês podem ir. — Disse Astoria, quando ela me puxou para o seu lado antes que eu pudesse dizer outra palavra.
Ele veio até mim e beijou meu rosto.
— Ahhh... — Draco e Astoria disseram, ao mesmo tempo, e Severus olhou irritado para eles.
— Tchau. — Ele sussurrou para mim.
— Tchau.
Nenhum de nós se moveu.
— Sério? Desapeguem, vocês vão se ver outra vez. — Disse Astoria para nós e Severus finalmente conseguiu se afastar e se dirigiu para a porta com Draco e Scorpius.
— Qualquer coisa que ela disser sobre mim é uma meia verdade. — Acrescentou antes de Draco o empurrar para fora.
— Eu nunca o vi tão apegado a alguém. — Disse ela enquanto exalava profundamente, virando-se para mim, ela estendeu a mão e sorriu calorosamente. — É tão bom te conhecer oficialmente, Hermione. A época da escola não conta, espero que nós não tenhamos a assustado muito.
— Não. E... você é tão animada, então, que ótimo conhecê-la de verdade. — Sorri gentil.
— Algumas pessoas dizem que sou louca, mas obrigada. Quer um pouco de vinho?
— Não, eu prefiro não ficar tonta antes da festa de hoje à noite.
— Ah, então nós somos completamente diferentes. Só posso passar por estas coisas se eu estiver tonta. — Ela pegou uma garrafa da sua cozinha antes de caminhar para a parte traseira do seu apartamento. — Os vestidos estão aqui, venha. — Ela chamou.
Todo o chão da sala estava coberto com brinquedos e artigos de bebê, mas quando chegamos ao corredor, eu finalmente comecei a ver o quão bom seu apartamento era. E por incrível que pareça, ela tinha enquadrado discos de tudo, desde os Beatles até Led Zeppelin, em suas paredes, como fotografias.
— Boa música. — Eu disse quando paramos na porta.
— Obrigada, eu sou uma fanática e tive que apresentar música trouxa a Draco. Ele não assume, mas também é louco por ela. Ah, aqui estamos nós, o quarto dos vestidos. — Disse ela quando abriu a porta para um quarto com um armário cheio de vestidos bonitos.
Não quaisquer vestidos... vestidos que eu não podia sequer sonhar em comprar. Quando Severus tinha perguntado se eu tinha algum vestido Gabbana, eu pensei que ele estava louco. Eu sabia quanto aqueles vestidos custavam, o mais barato, era na faixa de quase quatro mil galeões. Quem teria um daqueles 'no armário'? Aparentemente, Astoria Malfoy.
— Minha mãe me comprou vestidos durante todo o ano antes do meu casamento na esperança de que eu gostasse. Eu só não tenho coragem para lhe dizer que eu nunca usei nenhum deles. Graças a Deus você tem peitos, ou nenhum deles serviria.
Estes pareciam custar muito mais do que quatro mil galeões.
— Astoria eu não posso...
— Severus disse que seria difícil. Ele também disse para lembrá-la de que não tem outra escolha e dizer... — Ela suspirou e pegou um pergaminho do bolso. — "você realmente quer perder um evento onde todos os seus colegas vão tentar aparecer"?
— Severus... — Eu suspirei, apertando a ponta do meu nariz, um hábito que eu tinha recentemente adquirido depois que reencontrei um certo alguém.
— Ele está apaixonado, é tão bonitinho. — Ela sorriu e meus olhos se arregalaram com a palavra... infelizmente, ela notou. — Oh, vocês não disseram a palavra ainda.
Eu tinha que melhorar em controlar minhas expressões faciais.
— Ele não disse...
— Não, eu só adivinhei, ele simplesmente está muito feliz. Não me lembro de jamais vê-lo assim. É por isso que eu tinha de conhecê-la.
— E?
O que ela achava?
— Se você não está levando a sério, não fique com ele. — Disse ela com sinceridade enquanto estava na minha frente. — Você é linda, uma heroína da guerra, inteligente o suficiente para entrar em qualquer hospital bruxo e ganhar o seu respeito. Ele não a manteria no seu grupo apenas porque ele está atraído por você. Ele é sério sobre esse tipo de coisa. Draco me disse que ele tentou espremê-la e você ainda lutou, o que demonstra o quanto você é forte o suficiente. Severus não tem uma chance no inferno. Ele vai ficar com você até o fim dos tempos, é apenas o tipo de pessoa que ele é... até que ele se machuque.
— Como já fez no passado.
Ela assentiu com a cabeça.
— Ele não era perfeito, ninguém realmente é. Mas o que ela fez com ele o esmagou. Então, se você não está levando a sério... se você não pode lutar por ele tanto quanto ele lutaria por você, então, por favor, termine antes que ele vá mais fundo.
— Eu estou fundo demais nisso. — Murmurei, no fundo da minha garganta seca. — Eu estive com alguns caras, mais do que eu me orgulho, realmente. Eles vêm, passamos um bom tempo juntos, e eles vão, e eu sigo em frente. Mas com Severus, é como se eu estivesse enraizada no solo, e essas raízes crescem mais fortes e mais profundas a cada dia que passa. Eu não sei o que vai acontecer no futuro, mas eu quero lutar por ele.
Ela pegou um vestido dos seus muitos cabides.
— Então vamos começar. Primeira batalha: impressionar Cissy e Lucius. E quando você entrar na sala, nenhum deles será capaz de te esquecer.
Eu gostava de Astoria.
Notas Finais
Até o próximo!
