Fanfic: Amor Sublime Amor
Autora: Viola Psiquê Black
Beta: Anna Clara Snape
Shipper: Severo X O.C
Classificação: M
Capítulo 39: Aniversários e Campeonato de Quadribol
Nota da Autora: Então gente, quanto tempo! Nossa eu estava com tantas saudades de escrever sobre Psiquê e Severo! Espero que ainda estejam por aqui, me acompanhando. Eu demorei a concluir esse capitulo por alguns motivos, bem, a presença de Psiquê nessa história retira a presença de Horácio Slughorn. Então precisava costurar algumas pontas soltas. Esse capítulo foi sobre isso. Pontas soltas sendo emendadas. E uma preparação para o que aguarda a fic no futuro. Eu sei que as datas dos referidos aniversários não batem, mas esse detalhe eu desviei para o desenvolvimento da estória.
Psiquê P.O.V:
Menos de duas semanas para julho e eu estava exultante! Eu reveria minha mãe, e apresentaria Severo como meu namorado. Me desligaria da missão "Dumbledore" e aproveitaria o verão no sul da França, entre pequenos vinhedos e fazendas de frutas. A perspectiva das férias me deixava animada sobremaneira. De forma que o rumor de guerra parecia um sussurrar distante.
Não avançando muito mais nas pesquisas, ou nas suspeitas de Harry para com Draco, me decidi por dar um estojo com algumas poções para Harry. Poções de cura principalmente, revigorantes, repositoras de sangue, cicatrizantes e algumas com propósitos menos nobres: poções polisuco, veritasserum, felix felicis e sono sem sonhos. Nunca se sabia que situações elas poderiam ser úteis.
No fim da semana anterior fora aniversário do diretor, de forma que me decidi por dar a ele o vinho dos elfos que Albeforth me vendera. Dumbledore parecera estranhamente emotivo ao recebe-lo. Talvez por realmente gostar daquele vinho, talvez por ver o logotipo do Cabeça de Javali na rolha do vinho. Agradeceu pelo presente e o guardou com cuidado em um armário com chave.
Balancei a cabeça, voltando a focar o presente. Era cedo da manhã, e hoje o time de quadribol de Harry jogaria, era a final do Campeonato de Quadribol. Coloquei um vestido vermelho e desci para o Salão Principal, hoje nada parecia capaz de abalar meu humor. Nem mesmo o olhar desejoso de Heathcliff ou o olhar irritado de Severo para Dórian.
O dia parecia colaborar para meu bom humor. As aulas passaram tranquilas, então, na hora do almoço tranquei a sala e andei em direção ao Salão Principal. Dobrando um corredor do castelo encontrei com Harry e Rony.
-Olá Harry, Rony! Tudo bem? –Perguntei amena. Rony corou levemente, me fazendo indagar interiormente se era efeito dos genes veela em mim.
-Psiquê, sim! Estamos descendo para o café da manhã. –Harry no entanto não parecia tão bem assim. Havia uma sombra escura e mal disfarçada em seus olhos mesmo quando ele sorria em minha direção.
-Oh boa sorte! Sei que se sairão muito bem se se manterem focados. –Desejei alegre, acenando para Luna que se aproximava com um chapéu de leão na cabeça.
-Rony tem mesmo que comemorar, hoje é aniversário dele. –Luna comentou com um sorriso pequeno.
-Mesmo? Então comemoraremos depois do jogo, com a vitória da Grifinória. –Bati palmas animada com a novidade. Rony no entanto, não parecia tão animado assim. Na verdade, parecia ficar mais verde a cada passo em direção a mesa da Grifinória.
-Não se preocupe, sorte é questão de perspectiva. Até uma felix felicis precisa de pensamento positivo para fazer efeito. –Sorri encorajadora para o ruivo que apenas acenou fraco em assentimento, Harry no entanto concordou:
-Você tem toda razão! –Parecia lembrar-se de algo importante.
Me despedi caminhando em direção à mesa dos professores, depois de cumprimentar Hermione e Gina que já estavam sentadas à mesa com o restante dos alunos.
-Muito animada para ver seu favorito jogar? –Severo alfinetou olhando com ironia para meu vestido rubro. Eu ri e devolvi no mesmo tom:
-Muito animada para ver meu favorito ganhar! –A expressão de desdém de Severo era cômica, mas me contentei em esconder um sorriso com a mão.
-Psiquê. Você está tão alegre hoje. –Dorian me cumprimentou ao sentar do meu lado na mesa. Se o humor de Severo já ia baixo, terminou de descer pelo barranco ao ver Dorian deslizar a mão por meu antebraço sutilmente.
-Obrigada Dorian. Estou animada pela partida de quadribol do final da tarde. –Respondi, retirando calmamente meu pulso de sua carícia indesejada. Sorri calma e me concentrei na comida à mesa. O almoço como sempre estava delicioso.
Quando o fim adiantado das aulas foi anunciado, os alunos desceram a escadaria do castelo e caminharam pelos gramados, em direção ao campo de quadribol.
Já nas arquibancadas sentei entre os professores e funcionários da escola. Minerva parecia tão animada quanto eu pelo jogo, e discutia probabilidades de vitória contra Filius. Os jogadores entraram e Harry parecia altivo em sua vassoura. Uma surpresa era observar Rony, a sua direita, tão altivo e empertigado quanto o capitão do time. O jogo correu tão bem que em momento algum duvidava-se que Grifinória não fosse vencer a partida. Rony parecia particularmente empenhado para isso. Fazendo defesas que não apenas eram difíceis, como também executando defesas que pareciam impossíveis de serem conseguidas. Ao final, como o esperado Grifinória venceu. Eu dava pulinhos animados com o resultado. E Severo se abstinha a bufos e revirar os olhos.
Alunos e funcionários voltaram para o castelo, para aproveitar a ceia. Á mesa dos professores, já no Salão principal eu conversava animada com Minerva sobre o desempenho dos jogadores de ambos os times. E também os melhores lances da partida. Dumbledore saiu com Severo no meio do jantar. Algo prontamente percebido por mim e Minerva.
Terminando de jantar eu fiquei mais uns instantes conversando com os professores na sala dos professores. Depois de um tempo considerável decidi fazer a ronda e depois voltar para meus próprios aposentos. Estava claro que Severo não voltaria de sua saída com Dumbledore. Suspirei preocupada, e me contentei em fazer pensamento positivo. O que estivessem armando juntos, era melhor que desse certo e ele voltasse inteiro para mim.
Grifinória ainda estava comemorando em seu salão comunal, quando fiz a ronda pelas torres do castelo. Caminhei pelas torres à Oeste, perto do salão comunal da Corvinal e decidi que por hoje já estava de bom tamanho. Os alunos que não estavam no salão Comunal de Grifinória comemorando, já estavam recolhidos. Decidi por voltar para meus aposentos, e qual não foi minha surpresa por ver Harry segurando um Rony atordoado perto da entrada dos meus aposentos.
-Harry! Rony. Que surpresa tardia. Por que não estão no salão comunal da Grifinória?
-Psiquê, um problema. Rony confundiu um presente meu. Comeu alguns caldeirões de chocolate com poção do amor. –De fato Rony parecia mais animado que o de costume, desligado, sonhador e parecia querer ir a algum lugar com urgência.
-Oh percebo. Entrem. –Ofereci abrindo a porta e dando passagem para Harry empurrar Rony para dentro.
-Não possuo esse antídoto aqui, contudo, ele é fácil de prepara-lo. Ainda bem que não foi envenenado, só possuo um bezoar para situações de emergência. –Tagarelei enquanto os conduzia para minha sala particular de poções. Era pequena, mas bem organizada.
-Quem o presenteou com caldeirões de chocolate Harry? –Questionei com um sorriso ambíguo, Harry corou fortemente antes de cuspir o nome:
-Romilda Vane. –Ri baixinho e assenti, abri meu estojo retirando tudo que possuía e separei todos os ingredientes; comecei a misturá-los quando comentei:
-Você deve ficar sempre atento. É muito visado. –Concluí mais séria. Finalizei a poção e dei em um cálice para Rony beber.
O rapaz bebeu e imediatamente o sorriso fugiu de seus lábios. A expressão foi ficando mais séria e de repente ele suspirou e passou a mão pelo rosto e cabelo, parecendo muito cansado. Ótimo. A poção fizera efeito.
-Bem, curado. –Sorri de um para o outro.
-Obrigado, Psiquê. Seria difícil de explicar isso para Madame Ponfrey. –Harry comentou se levantando da poltrona. Rony o imitou parecendo bem amuado agora que a poção cumprira seu dever.
-Certo, certo. Sem problemas. Mas antes de irem, a comemoração da vitória de Grifinória, e a comemoração do aniversário de Rony. –Caminhei com os rapazes, conduzindo-os até a sala de entrada dos meus aposentos.
-Comprei esse hidromel para presentear Dumbledore por seu aniversário, na semana anterior. Depois descobri que ele prefere o vinho dos elfos... Bem, ele não sentirá falta do que não recebeu. –Comentei abrindo a garrafa e servindo três copos do hidromel.
-Porque não faz o seu discurso Rony? –Perguntei passando os cálices para os garotos.
-Bem... Não sei exatamente o que brindar. –Rony parecia indeciso ou talvez ainda estivesse confuso com o antídoto da poção do amor. Harry parecia resoluto a esperar o amigo concluir seu brinde antes de beber o hidromel.
Mas eu estava com sede, e decidi beber um gole pequeno no hidromel antes do brinde. A primeira coisa que senti era que estava delicioso e a segunda foi que eu estava sendo envenenada. Tive menos de um segundo antes de bater na mão dos garotos, derrubando os copos no chão e caindo em seguida.
Eu já sentia o gosto da bile na minha boca antes de conseguir pedir ajuda. A inconsciência já me abatia. Silenciando a voz exaltada de Rony e algum comando de Harry que não pude compreender.
Harry P.O.V:
Estávamos fazendo o brinde ao aniversário de Rony quando Psiquê bebeu o hidromel. Em seguida ela derrubou nossos copos no chão, enquanto Rony finalmente fazia seu discurso de aniversário. Ela arquejou e rolou pelo chão já espumando pela boca.
-Mas o quê? –Rony perguntou chocado. Foram segundos, mas pareceu uma eternidade. A lembrança dela, momentos antes falando de antídotos. Eu puxei a varinha e convoquei alto:
-Accio bezoar. –A porta da sala de poções ainda estava aberta. E para nossa sorte, o bezoar não havia sido guardado por ela.
Ele voou para minha mão. Eu já estava ajoelhado. Então abri a boca de Psiquê e enfiei o bezoar, garganta a dentro. O barulho cortante da respiração dela cessou, e ela parou de salivar a própria bile.
-Temos de leva-la para Madame Ponfrey. –Rony instou ao meu lado.
-A porta! –Exclamei para ele, enquanto a pegava pelo colo. Rony rapidamente a abriu e eu passei carregando ela o mais rápido que pude.
-Vai na frente. Avise Ponfrey. –Falei para Rony ao meu lado. Ele concordou e correu. Eu ajeitei Psiquê nos meus ombros e continuei andando tão rápido quanto podia. Quando cheguei à frente da enfermaria, Madame Ponfrey já aguardava com as portas duplas abertas.
-Como está a Senhorita Black? –Rony perguntou enquanto Ponfrey verificava a pressão no pulso dela.
-Mal. Mas viva. O que aconteceu com ela? –Ponfrey perguntou depois de diagnosticar e apontou para a cama mais próxima.
-Essa é uma excelente pergunta, Ponfrey. –Snape se materializou ao meu lado. O tom de voz mais sombrio que nunca.
-Estávamos brindando a vitória de Grifinória. Ela abriu um hidromel e nos ofereceu. Bebeu ele antes de nós. –Respondi olhando direto para Madame Ponfrey.
A próxima hora foi de caos. Snape estava furioso. Dumbledore foi avisado e tivemos de recontar toda a história várias vezes. Snape conseguiu voltar aos aposentos de Psiquê e pegar a garrafa para testar qual veneno possuía o hidromel. Ainda assim, não sabíamos onde Psiquê comprara a garrafa, que era endereçada à Dumbledore. Portanto, não sabíamos quem queria envenenar Dumbledore.
-Senhorita Black é especialista em venenos e antídotos. Percebeu imediatamente o que os cálices continham. Vocês estão vivos graças a ela. –Snape cuspiu. Olhava rígido para o local onde Psiquê repousava na ala hospitalar.
-E ela está viva graças a Harry, que percebeu o envenenamento e lhe deu o bezoar. Você agiu muito bem Harry. –Dumbledore respondeu à Snape. Ele apenas bufou, contendo pela primeira vez qualquer comentário ácido que estivesse pensando em fazer.
-Você quis dizer que eu agi rápido. –Corrigi o diretor. Não queria pensar no que seria dela sem aquele bezoar.
-Senhorita Black está viva e vai se recuperar. Mas para isso precisa de silencio e repouso. –Madame Ponfrey finalmente falou, instando para que saíssemos de dentro da ala hospitalar.
-É melhor voltarem para os seus aposentos. –Snape disse cortante.
-Professor Snape tem razão, vocês terão aula amanhã cedo. –Dumbledore concordou.
Acenamos em concordância e saímos da frente da ala hospitalar. Já estávamos quase na frente do quadro da mulher gorda quando Rony quebrou o silencio:
-Você acha que Psiquê vai ficar com alguma sequela?
-Eu realmente espero que não. –Respondi quando entramos. Os restos da festa de vitória da Grifinória ainda amontoavam o chão no salão comunal.
-Acho que o Snape está apaixonado por ela. Você viu a cara dele? –Rony cochichou quando entramos no dormitório masculino.
-Eu vi. –Respondi baixo, já deitado na cama. Então silencio. Ou Rony dormiu, ou ficou com os pensamentos para si próprio. Eu, no entanto, não conseguia pegar no sono. Será que Psiquê possuíam algo com Snape?
Psiquê P.O.V:
Eu abri os olhos devagar, mas isso foi uma péssima ideia. O mundo girou enquanto eu tentava me aprumar na cama. Quando minha visão melhorou pude perceber onde estava: Ala Hospitalar.
O que significava que fui salva a tempo. Minha última memória era a de derrubar as taças dos garotos ao chão e salvá-los do mesmo envenenamento que eu sofria. Olhando para as camas vazias ao meu lado, podia concluir que nenhum dos dois fora envenenado também. Ou estariam aqui, ou estariam...
-Madame Ponfrey? –Perguntei alto, já me preparando para levantar da cama.
-Você ainda não deve levantar. Está muito fraca. –Ponfrey saiu da sala privada dela e rapidamente me empurrou para a cama novamente.
-Os garotos? Estão bem? –Perguntei aflita.
-Estão. Você os salvou do envenenamento. –Ponfrey me tranquilizou. Depois de ouvir sua resposta me deixei acomodar na cama. Ela dosou numa colher um remédio de aparência horrível e me deu para beber. Aceitei a colher e bebi sem questionar. O gosto era pior do que eu imaginava.
-Eu realmente fui envenenada com o Estrangulador? –Perguntei cética depois de engolir o remédio e fazer uma careta.
-Segundo o professor Snape, sim. –Ponfrey respondeu guardando o remédio.
-E como estou viva? –Perguntei ainda muito cética para a enfermeira. Esse veneno era letal em menos de três minutos.
-Porque você possuía um bezoar e um Harry Potter com reflexos rápidos. –Ponfrey respondeu pegando a prancheta de anotações no pé da cama em que eu estava e fazendo anotações nela.
-Compreendo. Quando serei liberada? –Perguntei cansada. Se fui envenenada com o Estrangulador, eu ficaria de molho por um bom tempo.
-Uma semana. Se conseguir se recuperar rápido, menos. –Ponfrey respondeu complacente.
-Não posso ficar uma semana acamada. Ainda tenho provas para passar e resultados para dar. –Suspirei irritada. Uma semana na ala hospitalar, fazendo absolutamente nada!
-Sinto muito, mas essa é a minha prescrição. Não fique amuada, pelo que observei você terá visitas regulares. –Ponfrey comentou apontando para a mesinha do lado da cama em que eu estava.
Havia doces e alguns cartões. Também um bouquet de flores num pequeno vaso. Peguei os cartões observando-os rapidamente. A maioria de alunos dos anos iniciais. O bouquet possuía um cartão de Heathcliff. Os chocolates foram enviados por Harry e Rony. Ri baixinho da ironia. Foram chocolates que desencadearam os acontecimentos que me mantinham na cama da ala hospitalar.
-Quem veio me visitar? –Perguntei calmamente a Ponfrey enquanto abria um bombom de chocolate.
-Potter e Weasley, obviamente. Dumbledore pela manhã, seguido de Heathcliff e as flores. Pelo almoço alguns primeiranistas e segundanistas. Snape talvez não conte como visita. Ele chegou aqui momentos depois de Potter trazê-la e só foi embora perto do alvorecer. –Ponfrey finalizou a lista de visitas guardando a prancheta no local em que ela estava antes.
-Oh compreendo. –Comentei baixinho, sentindo meu estomago doer. Ele roncou eliminando qualquer dúvida de que eu estivesse com fome.
-Vou trazer um lanche para você. Mas vou logo avisando: seu estomago está debilitado e você está fraca. Então terá de se contentar com sopa e mingau, além de frutas.
-Que maravilha. –Bufei irritada. Comida de doente era o que faltava para melhorar minha estadia na ala hospitalar.
O resto do dia passou lento e o tempo parecia não avançar...
Ao menos teria tempo para pensar. Refletir sobre como fui envenenada, e como não percebi a ameaça até finalmente ter sido atingida. Um hidromel envenenado com "o estrangulador", a pessoa que o envenenou não queria que seu alvo apenas morresse. Queria que a vítima sentisse dor, e medo. O estrangulador sufoca, faz as veias arroxearem e a garganta coçar ao ponto do inchamento, por fim faz a vítima expelir toda a bile pela boca. Peguei um espelho de mão na mesinha ao lado da cama e me observei. Meus olhos estavam fundos e levemente arroxeados. Meus lábios estavam pálidos demais, não havia cor nas maçãs do meu rosto.
Passei perto. Muito perto da morte. Harry realmente tem reflexos afiados. Só uma resposta rápida me salvaria. E foi exatamente esse reflexo afiado que garantiu nossa sobrevivência. A minha e a dos rapazes. Se Harry não tivesse entendido prontamente meu ato de jogar as taças ao chão, talvez custasse a perceber o que me acontecia. Talvez um deles ainda pudesse ter bebido o hidromel para se acalmar, depois da tensão do momento. Mas só havia um bezoar. E se ele foi rápido o suficiente para me salvar, também foi perspicaz ao não ingerir a bebida envenenada e impedir que Rony também o fizesse.
Sorri azeda, lembrando da reação do meu orientador de mestrado ao saber de meu fascínio por venenos e antídotos. "Veneno: a arma do covarde e das mulheres"; "uma escolha acertada fazer sua tese em cima de um antidoto e não de venenos". Um chauvinista assumido.
Bem, de fato havia um ou outro neste castelo agora. E a resposta para esse enigma estava junto do início do problema. O hidromel foi comprado em lugar seguro. Embora não tivesse amizade com Rosmerta, é inegável sua responsabilidade e controle sobre a qualidade dos produtos que vende. Ainda assim, o produto não fora comprado para meu próprio uso. Seria um presente. Katia Bell não disse que o colar amaldiçoado era um presente também? Não foi de dentro do Três Vassouras que ela saiu portando o embrulho até sua vítima final? Locais diferentes de "acidentes", mesma origem dos objetos letais. Justificava o olhar distante e morto de Rosmerta quando conversamos sobre o hidromel. Suspirei. Era tão claro... Tão óbvio e nada surpreendente.
O que foi surpreendente foi ver a porta da enfermaria abrir devagar e sem barulhos assim que anoiteceu. E ver a pessoa que se esgueirava por ela me observar atordoada.
-Veio ver o estrago que causou? Ou terminar o serviço mal feito? –Perguntei com voz tranquila. Uma tranquilidade que eu não possuía. Mas se isso acontecera eu tinha de reverter a situação a meu favor.
-Você deveria estar dormindo. Isso não deveria ter acontecido, deveria ter entregue a garrafa. –Draco Malfoy era um misto de lividez e atordoamento me encarando do outro lado da enfermaria.
-Se aproxime, não posso falar alto. –Pedi acenando para minha direita, onde havia uma cadeira para visitantes.
-Não posso demorar. –Ele se aproximou, mas não se sentou. Continuou em pé, me encarando indeciso.
-Eu não quero as suas desculpas, Draco. –Comentei tranquila me acomodando na cama para observá-lo melhor.
-O que você quer então? –Como todo sonserino, ele foi bem rápido em entender as entrelinhas do que eu disse.
-Quero te ajudar. Sei que não quer fazer o que tem que fazer. –Respondi tranquila o encarando simplesmente.
-Eu duvido que queira me ajudar. Eu não estou fazendo nada que eu não queira fazer. –Ele se esquivou irritadiço. O garoto estava no limite. Quanto tempo duraria?
-Já ajudei antes. Esqueceu? Quem você acha que colocou suas rondas junto de Hermione Granger? –Ele ruborizou levemente, por alguns instantes. Sua resposta veio rápida.
-Não caracteriza uma ajuda. O que consegui, o que conquistei, foi apenas por mérito próprio. –Disse petulante e ácido.
-Não tenho certeza que se enquadre em "conquista" você nunca divulgou sua aproximação dela, não é? Trata-se de sentimentos para você. –Devolvi o encarando, o momento do bote estava se aproximando.
-Não vim aqui para discutir meus relacionamentos ou sentimentos com você. –Finalmente respondeu raivoso.
-Não. Veio aqui para se desculpar. Diminuir a dívida que tem comigo. E eu sei exatamente como resolver isso.
-E como isso seria? –Perguntou desconfiado. E deveria estar assim mesmo. Eu fiaria minha emboscada meticulosamente.
-Me "dê" Rodolfo e Bellatrix. Tenho assuntos inacabados com eles. Me dê os dois, e garanto que não vai precisar matar, eu protegerei sua família. Você e seus pais.
-Isso é... Impossível. Não há como fugir, não há como escapar. –Respondeu sombrio e relutante.
-Eu já matei Rabastan. Impossível é questão de perspectiva. –Respondi persuasiva. Draco me olhava entre surpreso e desconfiado. Antes que me respondesse algo, porém, a porta da enfermaria voltou a se abrir revelando Severo.
Minha oportunidade acabou assim que ambos trocaram olhares. Severo parecia um tigre furioso e vingativo, se aproximando sinuosamente de onde estávamos.
-Malfoy. Que faz aqui? –Severo sibilou cada vez mais próximo. Meu namorado emanava perigo e poder na mesma proporção. Foi impossível não ver Draco murchar a cada passo dele.
-Draco veio me fazer uma visita, Severo. Mas já está de saída. –Respondi ligeira. Não podia colocar meus planos a perder.
-Sim, estou. –O rapaz emendou. Já havia recuperado a altivez. Sem me olhar ou lançar mais uma palavra se virou e encaminhou para a porta.
-Você e eu ainda temos assuntos para tratar. –Severo segurou forte no braço de Draco quando o rapaz passou por ele.
-Não temos nenhum assunto a tratar, professor. –Draco puxou o braço, respondendo atrevidamente.
-Severo, preciso de você. Venha até aqui. –Pedi, fazendo menção de me levantar
-Draco, pode ir. E não esqueça o que conversamos. –Emendei.
Quando Severo viu que eu realmente tentaria me levantar, veio rápido até mim, voltando a me empurrar para a cama. Não sem antes lançar um último olhar ameaçador para o rapaz que já fechava a porta da enfermaria.
-Você precisa ficar deitada para se recuperar. –Disse bravo.
-Então deita aqui na cama comigo. –Pedi, com voz baixa enquanto segurava uma de suas mãos entre as minhas. Uma imitação tosca e hilária da última vez que Severo esteve na enfermaria, picado por um zonzébrio.
-Alguém pode nos ver. –Sua resposta foi baixa. Eu conseguia sentir sua vontade apesar da resposta.
-Dane-se. Quase morri ontem. Quero o abraço do meu namorado. –Respondi infantil, instando com ele ao meu lado. Severo suspirou e tirou os sapatos e a capa. Deitou na cama entre os lençóis, junto a mim.
Finalmente dentro do seu abraço eu suspirei aliviada. Parecia ter sentido seu último toque a milênios incontáveis. Me recostei no seu peitoral, deitando a cabeça entre seu pescoço e ombro. Fechei os olhos me aninhando cada vez mais.
-Por quê demorou tanto? Não sabe que só me sinto segura nos seus braços? –Perguntei sonolenta. Agora que ele estava ali eu sentia sono e meu corpo relaxava sob seu toque. Severo envolvia minha cintura com uma mão e passava os dedos entre meus cabelos com a outra.
-Eu estive aqui, por toda noite anterior. –Respondeu baixinho perto do meu ouvido. Seus dedos ainda corriam pelos meus cachos em carícias languidas.
-E deve ficar essa noite também. –Respondi acariciando seu peitoral. Era reconfortante sentir seu abraço, seu corpo contra o meu.
-Deve tomar mais cuidado Psiquê. Quase me mata do coração ontem. –Severo pediu baixinho. Mas eu já estava semiconsciente e só respondi um "hã-ram", antes de finalmente dormir.
Horas depois pensei ter ouvido Severo falando, mas estava com sono demais para me atentar ao que ele dizia. Apenas suspirei o puxando mais para perto e sibilando um "shhhhi". Depois disso, o silencio reinou e eu pude voltar a dormir tranquilamente.
