Capítulo 18 - Pesadelos Diários

Sasuke ouviu passos do lado de fora do corredor de seu quarto. Ele podia ouvir passos leves e sem ritmo, provavelmente de alguém que estava mancando. Ele sabia de quem se tratava, e por isso, ele levantou-se da cama — com muito cuidado para não acordar Sakura —, abriu a porta e então, viu Satoshi tentando descer a escadas.

Ele não usava mais muletas com o intuito de ele se acostumar com sua perna protética implantada há 5 dias atrás. Satoshi recebera alta 2 dias depois da cirurgia, e então, Sakura conseguiu trazê-lo de volta para casa, alegando que ela poderia ficar de olho nele assim como seria melhor para sua recuperação emocional se voltasse a sua rotina em casa o mais rápido possível.

Aquela era a terceira noite seguida que Sasuke ouvia Satoshi acordando no meio da noite, e diferente do que ele fez nas outras duas noites noites, ele resolveu que iria intervir no que quer que poderia estar atrapalhando o sono do filho.

Satoshi logo notou passos no corredor, e quando forçou a vista no escuro, viu que era somente o pai se aproximando.

"Oi, papai", ele disse baixinho, temendo acordar alguém dentro de casa.

"Por que não acende a luz?", Sasuke perguntou a ele, e em seguida, se aproximou do interruptor que ficava de frente com as escadas para acender a luz do corredor.

"Eu só queria beber água", Satoshi continuou com a voz baixa, segurando firmemente no corrimão da escada, enquanto lutava para descer o segundo degrau.

Sasuke então ficou observando Satoshi descendo as escadas — vendo a dificuldade que o filho ainda tinha em controlar a perna protética, e ao ver que ainda não tinha força o suficiente para se manter de pé com as duas pernas, o fez quase pegá-lo no colo. Quase.

Sasuke não queria que Satoshi se achasse um inválido. Ele sabia que mais cedo ou mais tarde, Satoshi se acostumaria com a perna protética como se fosse sua verdadeira perna — se até o idiota do Naruto usava com perfeição seu braço protético, Satoshi também conseguiria. Mas para deixar com que o garoto superasse suas dificuldades, ele precisava controlar seus instintos de pai, e compreender os sentimentos de Satoshi quanto àquilo.

Sasuke viu quando Satoshi terminou de descer os quinze degraus de escada após longos minutos, e quando viu que o filho terminara, ele desceu as escadas para segui-lo até a cozinha. Sasuke não sabia o quê conversar, alias, eram 2AM, e não era hora de conversas — mas ele podia ver o quão acordado Satoshi estava, e ele não podia ignorar o fato de que desde que Satoshi estava de volta em casa, ele não dormira uma noite sequer.

Ele observou atentamente quando o menino pegou um banquinho marrom que ficava sempre debaixo do balcão principal para poder subir em cima da pia para pegar um copo no escorredor de louça e enchê-lo com água. Sasuke observou a maneira como ele bebia água, parecia até que ele tinha corrido quilômetros de distância para estar bebendo aquela quantidade de água, e ele sabia que aquilo dizia duas coisas — ou ele tivera um pesadelo, ou ele nem dormido tinha.

"Por que tá me olhando assim?", Satoshi perguntou após beber o terceiro copo de água, achando completamente estranho como estava sendo observado pelo pai.

"Não é nada", ele respondeu, ainda um pouco sonolento.

Quando Satoshi desceu cuidadosamente do banquinho, ele o colocou de volta em seu lugar de baixo do balcão, e passou por Sasuke indo em direção as escadas, mas no meio do caminho, acabou vacilando com a perna protética e quase caiu no chão — não antes de Sasuke o segurar.

"Er… eu ainda não estou conseguindo controlar a perna quando ando, ainda está difícil de sentir", a voz de Satoshi era um tom de desculpas.

"Não tem problema, logo você vai estar até mesmo correndo com ela", Sasuke tentou animá-lo, dando um sorriso singelo — ficando feliz que Satoshi sorriu de volta.

"Papai", Satoshi o chamou, ainda sendo segurado pelo braço por Sasuke, "Eu tenho que voltar para a Academia Ninja?", ele perguntou, e pelo seu tom, ele parecia preocupado.

Sasuke esperava várias coisas de Satoshi. Esperava que ele falasse sobre pesadelos ou sobre sentir dor na perna, mas não esperava por aquela pergunta. Mas mesmo assim, Sasuke tinha uma resposta na ponta da língua.

"Você não precisa voltar se você não quiser", ele o garantiu, "Quando a Academia se reerguer, você não precisa estudar lá para ser um ninja", Sasuke jamais obrigaria o filho voltar para o lugar onde ele havia vivenciado um de seus maiores traumas que carregaria pelo resto de sua vida, "Podemos treinar você em casa, se assim desejar".

Satoshi parecia pensar sobre aquela proposta, algo parecia infligi-lo, e Sasuke não sabia como fazer com que o filho falasse.

"Eu consegui usar o Katon", Satoshi soltou, e ele parecia nervoso, "Não foi perfeito, mas eu consegui atrasar o ninja que nos atacou para fugir com a Inoue para o terraço", era a primeira vez desde que acordara que Satoshi falava sobre o massacre na escola. Ele já havia escutado Sarada e até mesmo Sakura comentando que Satoshi nunca havia falado com elas dos acontecimentos, e ninguém também perguntava nada a ele.

Sasuke não sabia se sentia orgulho ou desespero por saber aquele detalhe. O que Satoshi fez fora perigoso. Ele era uma criança inexperiente contra ninjas usufruindo o poder do Karma — uma batalha completamente injusta. Ele não queria forçar Satoshi a lhe dar mais detalhes, mas ele também não poderia ignorar aquela informação.

"Sarada lhe ensinou os selos?", se não fora ele, só podia ser Sarada.

"Eu pedi para a onee-chan me ensinar, e eu estava treinando muito para que quando você voltasse, eu iria te mostrar que eu já sabia realizar o jutsu", ele disse orgulhoso.

Sasuke havia prometido para Satoshi que logo que ele aprendesse a controlar bem seu chakra, ele iria lhe ensinar o jutsu característico do clã Uchiha, o Katon: Goukakyuu no Jutsu. Mas acabou que sua missão no País do Chá demorou um pouco demais, e nesse meio tempo, Satoshi deveria ter aprendido a controlar o chakra e pedido para Sarada ensinar-lhe o jutsu.

Saber o quão esforçado o filho era, o deixava orgulhoso e apreensivo. Não havia motivo para Satoshi pular etapas daquela maneira, ele já sentia orgulho do filho — ele não precisava o impressionar.

"Eu também soube ocultar meu chakra", Satoshi lhe disse mais uma informação, e aquilo alarmou Sasuke, "E eu… eu queria ajudar meus amigos… eu queria, papai…", Satoshi estava começando a ficar com a voz embargada, "Mas eu sou fraco… e eu só conseguia me esconder… como um covarde", ele disse aquela palavra com raiva, "Eu tentei… seguir todos os códigos de conduta ninja que aprendi na Academia—eu juro…. papai, eu tentei", Satoshi começou a chorar, e Sasuke o abraçou, ajoelhado-se no chão e embalando-o com seu único braço.

"Satoshi", Sasuke o chamou após alguns segundos abraçados — ele precisava deixar algo claro para o filho, mas Satoshi parecia que queria esconder seu rosto.

"Filho, olhe para mim", ele pediu com a maior delicadeza que podia, afastando um pouco seu braço para olhar para o rosto do filho.

Vendo que ele evitava seu rosto, Sasuke colocou sua mão em seu queixo e o ergueu o suficiente para forçá-lo a olhar em seus olhos.

"Você não é fraco e muito menos covarde", Sasuke dizia aquilo lentamente, para que Satoshi prestasse a devida atenção em cada uma de suas palavras, "Você não tem que se culpar por ter sobrevivido… aquilo… acredite em mim quando eu digo, você não tem culpa de nada", Sasuke continuou, "E quanto a Inoue?", quando a garota de cabelos brancos foi citada, Satoshi olhou mais firmemente para os olhos do pai, como se prestasse mais a atenção em suas palavras, "Inoue está viva porquê você a ajudou… isso não conta?", Sasuke o perguntou.

"Eu precisava proteger a Inoue", era a primeira vez que Sasuke ouvia convicção na voz de Satoshi naquela noite, "Eu não podia deixar ninguém machucar ela", apesar das lágrimas, seus olhos ardiam em raiva.

"E eu me orgulho disso", ao ouvir aquelas palavras, Satoshi paralisou — como se não acreditasse no que ouvia, "Você protegeu alguém que lhe é importante, e isso é algo que eu tenho orgulho".

"Eles foram cruéis", Satoshi murmurou baixo.

"Eu imagino", Sasuke tentava ao máximo não forçar, mas estava cada vez mais difícil, pois parecia que Satoshi estava finalmente se abrindo, "E tudo o que eu queria era te proteger disso, mas eu não posso te proteger de tudo—", quando Sasuke percebeu as próprias palavras, aquilo o atacou de uma maneira que nem ele percebera a dor interna pela veracidade daquilo, fazendo com que ele não conseguisse dizer mais nada.

Ele não era capaz nem mesmo de proteger os filhos.

Quem dirá proteger o mundo de uma força maior.

Estava ele fadado ao fracasso?

"Eu não quero dormir", Satoshi o tirou de seu devaneio torturante, "Quando eu durmo, eu tenho sonhos ruins", Satoshi revelou, fazendo com que Sasuke se familiarizasse com aquilo melhor do que ninguém.

Ele sabia o que era ser perseguido por pesadelos.

Seguido por mortes.

Seguido pelo sofrimento pela impotência.

"Satoshi passou por algo parecido com você sim, mas a forma como ele vai lidar com isso será completamente diferente, e sabe o porquê? Por que ele tem a nós, Sasuke-kun, ele tem a nós… consegue enxergar a diferença?"

Ele podia ouvir a voz de Sakura em seu ouvido.

Com Satoshi…

…seria diferente.

"Esses sonhos ruins… um dia, eles vão melhorar", Sasuke o assegurou, "Você não precisa passar por isso sozinho, nunca. Eu, sua mãe, sua irmã, sempre, sempre e sempre, estaremos do seu lado. Jamais se esqueça disso", e com aquelas palavras, Satoshi acenou com a cabeça, e com aquele gesto, Sasuke se levantou, e de imediato, colocou Satoshi em seu colo — o caçula logo passando seus braços por seu pescoço.

"Você quer dormir comigo e sua mãe?", Sasuke perguntou, e ele sentiu a cabeça de Satoshi acenando um "sim" em sua nuca.

Mas antes de subir as escadas, ele murmurou uma última coisa.

"Você não precisa ter medo de dizer nada a mim ou sua mãe. Você não é fraco por querer estar junto de nós. Estamos entendidos?", ele precisava deixar aquilo claro.

"Eu posso dormir com vocês todos os dias?", ele fez outra pergunta ao invés de responder.

"Quanto tempo for necessário até você quiser ficar sozinho em seu quarto", Sasuke murmurou gentilmente, e ele pode sentir o corpo de Satoshi relaxar em seu colo.

Sasuke então subiu as escadas até seu quarto, e torceu muito para que naquela noite, Satoshi pudesse ter um sono de paz.

˜˜˜•˜˜˜

"Eu vi que Satoshi está em nossa cama", Sakura murmurou logo que viu Sasuke fazendo café da manhã na cozinha. Era início da manhã ainda — o sol ainda não havia nascido — e um horário comum para eles acordarem, fazendo com que eles sempre tomassem café sozinhos.

Sasuke olhou para a esposa, mas não disse nada. Ele pegou uma xícara de café e colocou em cima do balcão, como se a convidasse a sentar ali.

"Ele teve um pesadelo, não foi?", ela perguntou quando viu Sasuke pegando o bule de café e o colocando em cima do balcão para ela.

"Sim", ele suspirou.

"Ele te contou alguma coisa?", ela queria saber.

"Sim, mas não com detalhes", Sasuke pegou os ovos mexidos na frigideira, dividiu e colocou em dois pratos e então os depositou em cima do balcão.

"Eu me pergunto se ele estava tendo pesadelos no hospital, mas é difícil dizer com os remédios que ele tomava", Sakura se perguntou enquanto olhava os ovos mexidos.

"Sarada estava com ele todas as noites, e agora ele está no quarto sozinho, talvez os pesadelos tenham começado agora", Sasuke supôs.

"É, pode ser", ela respondeu tristemente, e então, começou a comer seus ovos mexidos.

"Eu vou treinar o Boruto hoje", após alguns minutos em silêncio, Sasuke murmurou aquilo como se fosse apenas algo do dia a dia, fazendo com que Sakura quase cuspisse o que tinha na boca, não acreditando na fala do marido.

"Você vai treiná-lo ou ameaçá-lo?", Sakura quis saber, após se recompor.

Ela podia se lembrar da conversa que tivera com ele no dia que ele conseguiu captar o que estava supostamente rolando entre Boruto e Sarada há 6 dias atrás.

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"Eu vou matar ele!", ele rugiu, seus passos pesados ecoando pelo corredor do hospital — enquanto ele andava de um lado para outro. Ao ver que duas enfermeiras com quem trabalhava olhavam para eles, Sakura dera um sorriso amarelo, como se desculpasse pelo barulho no corredor, e então, usando um pouco mais de força, puxara seu único braço e os levara até a primeira porta que ela encontrou — um almoxarifado.

"Você não vai matar ninguém — eu posso explicar!?", ela estava um pouco irritada com aquela reação exagerada do marido.

"Agora você quer me explicar?", ele estava furioso, e a ironia em sua voz era óbvia.

"Como que eu vou explicar algo que nem eu sei o que está acontecendo em detalhes?", ela também estava começando a ficar furiosa.

"Ela é uma CRIANÇA, Sakura!", ele aproximou seu rosto do dela enquanto levantava a voz — era completamente incomum Sasuke alterar a voz daquela maneira — ele nunca havia levantado a voz sequer uma vez em seu longo relacionamento.

"Ela tem 17 anos!", se a guerra era levantar a voz, ela podia ganhar aquela briga, "E nem ela sabe o que está acontecendo!".

"Nessa idade lutávamos uma Guerra!", ele grunhiu, seu rosto estava completamente vermelho pela raiva, e Sakura se perguntara se era possível ele ter um ataque fulminante a qualquer momento.

"E você queria que ela estivesse vivenciando uma guerra nesse momento!?", aquela pergunta baixara completamente sua guarda.

Sasuke olhara para ela como se ela o acusara da pior coisa do mundo, "É claro que não!", ele finalmente abaixara a voz, e Sakura viu que aquele momento era sua deixa.

"Sarada está tendo uma vida normal! Uma vida que nós dois podíamos ter vivenciado se não fosse as circunstâncias que vivemos no passado. Sarara está se tornando uma mulher, quer você queira ou não", ela murmurou ainda em tom rude, mas ao olhar a expressão completamente perdida de Sasuke, ela baixou o tom, "Boruto é um garoto bondoso. Você mesmo o treinou por tanto tempo, Sasuke-kun, eu não entendo sua birra com ele agora".

"Meu problema com ele é ele achar que Sarada é propriedade dele", ele murmurou com rispidez, mas Sakura podia sentir algo a mais em sua voz.

"Sarara nunca será propriedade de alguém. Eu por acaso sou sua propriedade?", ela arqueou as sobrancelhas para o marido em tom de desafio.

"Eu nunca a desrespeitaria assim — você é minha esposa", ele respondera como se aquilo fosse o maior absurdo.

"Então porque acha que Boruto tiraria a liberdade de Sarada?", ela parecia confusa, e vendo que Sasuke havia abaixado a cabeça, a deixara ainda mais confusa.

"Sasuke-kun, qual é o verdadeiro problema?", ela se aproximara de seu rosto, e com uma mão, ergueu seu queixo para forçá-lo a encará-la.

"Eu… não tive tempo suficiente com ela", ele respondeu após alguns segundos, e então Sakura finalmente compreendeu o verdadeiro problema de Sasuke com Boruto.

Não era que ele não aceitava seu único aluno com a filha. Ele temia que Boruto levasse Sarada deles cedo demais. Sasuke ainda sofria por não ter presenciado o crescimento de Sarada, por não ter estado presente por quase 8 anos na vida da filha, e mesmo sabendo que era para um bem maior — protegê-las de um colapso no mundo ninja — ela sabia o quão aquilo o fizera sofrer. Sasuke estava mais presente na vida deles desde o nascimento de Satoshi, desde o último ataque dos Otsutsuki a vila — pois aquilo havia mostrado que ele somente não daria conta de todas aquelas investigações.

Sasuke temia que agora que ele finalmente tinha mais tempo com Sarada, seu aluno a tirasse dele — e quanto a isso, Sakura não conseguia mais sentir raiva da reação super exagerada do marido. Era compreensível. Ele precisava de mais tempo com Sarada, e para com isso, ela não tinha argumentos.

"Sasuke-kun… Sarada e Boruto estão apenas no início do início, não é como se eles fosse se casar aos 20 anos", Sakura tentara acalmá-lo.

"Nós nos casamos nessa idade", ele respondeu de imediato, fazendo ela corar levemente.

"Sim, mas… hoje os tempos são outros. Eu tenho certeza de que Sarada não pensa em casamento. Ela tem um objetivo a ser completado, e não acho que ela vá querer algo como um casamento antes de alcançar seu objetivo", ela tentou fazer com que ele raciocinasse.

"Sasuke-kun", Sakura viu que ele não diria mais nada, "Sarada está compreendendo agora seus próprios sentimentos, e por vivermos uma época de paz — apesar de não sabermos o que o futuro nos aguarda por conta da Kara — Sarada não tem pressa nenhuma com esse tipo de coisa. Você está exagerando", ela esperara o marido a olhar nos olhos, e ela podia ver sua careta quando ele filtrava toda as informações que ela lhe dava. Quando finalmente a olhou nos olhos, ele murmurou:

"Eu não vou facilitar para ele", ele disse convicto.

"Ah, disso eu não tenho dúvida", apesar do clima pesado dentro do pequeno almoxarifado, Sakura riu com escárnio.

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"Os dois", Sasuke respondeu a sua pergunta minutos depois, tirando Sakura de suas lembranças da conversa que eles já tiveram sobre Boruto e Sarada.

"Eu deveria ter medo?", ela perguntou quase rindo, quase nervosa.

"Eu não quero que Sarada tenha medo de me dizer esse tipo de coisa", ele suspirou, e pelo seu tom de voz, ele parecia chateado.

"Talvez se você desmanchasse sua carranca na frente de Boruto na presença dela, ela consiga lhe contar sobre seus sentimentos", ela o repreendeu, lembrando-se de todos os momentos que Sasuke era rude com Boruto na presença de Sarada.

"Eu preciso deixar algumas coisas claras primeiro a ele, e então eu vou me decidir", ele disse terminando de comer seus ovos mexidos.

"Decidir o quê?", Sakura perguntou incrédula, mas Sasuke colocou sua prato e xícara em cima de pia, e ignorando Sakura, ele subiu as escadas.

"Decidir O QUÊ?", ela esticou o pescoço para olhar sua silhueta pelas escadas, e ela não sabia dizer se ele estava a provocando ou não com a falta de resposta.

˜˜˜˜•˜˜˜˜

"Sasuke-san! Acho que faz meses que não treinamos", Boruto chegou no campo de treinamento já falando pelos cotovelos. O garoto estava com seu bom humor de sempre, e pela sua expressão, ele parecia maravilhado que o mestre havia o convocado para um treinamento depois de tantos meses treinando sozinho, "Sarada me contou que você está a treinando todos os dias também", ele falava as frases tão rápidas que Sasuke precisava se concentrar para conseguir juntar todas as informações, "E eu soube que Satoshi já voltou para casa, eu precisava passar por lá para ver ele — a última vez que o vi foi quando ele acordou há 2 semana atrás no hospital", Boruto deu um sorriso angelical — suas mãos em seus bolsos da calça.

Boruto viu Satoshi no hospital?

Quando aquilo acontecera sendo que Sasuke nem suspeitava de sua presença no perímetro?

Antes que ele pensasse demais sobre aquilo, ele resolveu ser direto e rápido no assunto antes que ele desistisse e matasse o garoto de vez. Antes que Boruto se aproximasse demais, ele jogou uma kunai no chão, impedindo que o jovem se aproximasse demais.

"Você desleixou com seu treinamento com shurikens, eu imagino", Sasuke lhe disse com tom acusatório, "E eu não vou aceitar isso de você", ele viu o momento que Boruto ficou completamente sem graça, confirmando sua suspeita.

"Se um dia você quiser algo com a minha filha, é bom que você pelo menos tenha a decência de dominar o shurikenjutsu", Sasuke disse no mesmo momento que arremessou uma shuriken em direção a Boruto, que ficou paralisado, apenas observado enquanto a shuriken se aproximou de si, mas em seguida, outra shuriken apareceu interceptando-a, fazendo com as duas atingissem alvos diferentes nas árvores atrás dele — ele nem havia percebido que tinha dois alvos atrás de si.

Boruto engoliu um seco.

"E não é só isso", Sasuke se aproximou de Boruto, seu olhar parecia de um predador, e pela primeira vez na vida, Boruto realmente temia do que o mestre seria capaz.

Quando ele estava cara a cara com o mestre, Sasuke olhou profundamente em seus olhos e lhe disse:

"Eu não me importo em ser seu mestre, eu não me importo que você é filho do meu melhor amigo — eu não me importo que aquele idiota seja o Hokage, e não me importo de ser preso", Boruto ouviu aquelas palavras sentindo um calafrio subir sua espinha, "Se eu souber de qualquer gracinha sua, se eu souber que você fez qualquer coisas mínima o suficiente que magoe a Sarada, saiba que seu leito já está pronto o esperando — e seu pai não vai chegar a tempo para te proteger", e com isso, Sasuke jogou várias shurikens no chão para Boruto, deixando claro que o garoto teria um longo treinamento naquela manhã.

"Er… o senhor não vai me observar?", ele perguntou, sua voz saiu tremida.

"Eu tenho compromisso com Sarada agora, e você já é grandinho para saber se acertou o alvo ou não", Sasuke respondeu quase com ironia, e deixou o campo de treinamento para se encontrar com Sarada no campo de treinamento Uchiha.

Boruto ficou petrificado, observando a costas do mestre desaparecer pela floresta, e minutos depois, ele sentiu a presença do pai ao seu lado.

"O problema é maior do que eu imaginava", Naruto murmurou, olhando para o lado da floresta onde Sasuke havia passado, "E eu acho que ele me sentiu aqui", Naruto falou em tom de desculpas ao filho.

Naruto olhou para as feições do filho — o garoto permanecia parado em seu lugar.

"Boruto, só para deixar claro, da última vez que eu e o Sasuke-teme lutamos para valer, perdemos nossos braços", Naruto lhe disse de maneira remota.

"Isso é para me animar?", Boruto perguntou sarcástico.

"Que isso sirva de alerta", e então, Naruto deu as costas ao filho, entrando também pela floresta.

"Vai me deixar aqui sozinho!?", Boruto perguntou ultrajado, não se conformando do pai estar falando sobre aquilo com tanta naturalidade.

Naruto então parou em seu lugar, ainda de costas — Boruto podia ver um leve sorriso sacana em seus lábios quando ele virou a cabeça só um pouco para murmurar.

"O futuro sogro é seu".


Notas Finais

"Filho, eu te amo, mas o sogro é seu", etaaaaa Borutinho xD

Gente, eu ainda estou construindo o capítulo 19 para colocar um desfecho em tudo - Satoshi e Inoue, sobre o Amado ainda estar na prisão, e sobre o relacionamento do Sasuke e da Sarada. Ah, e terá sim um momentinho em família com todos os quatro. Tudo isso para que eu possa usar o capítulo 20 para um epílogo.

Obrigada demais por todos os comentários, vocês não sabem o quão feliz eu fiquei em ler cada um, e em saber que vocês realmente curtiram tanto a estória! Essa foi minha primeira longfic, e eu estou emocionada com toda a recepção 3

Até o capítulo 19!