Capítulo 19 - Forget
Confusão. Dúvida. Desconfiança.
A mente de Sherlock Holmes, naquele momento, não era mais do que um emaranhado de informações inconstantes e soltas, vagando por entre os corredores quietos do seu Palácio Mental. Mesmo assim não havia tiros na parede ou vozes altas proclamando frases sem sentido em busca da verdade, havia apenas a ponta de uma caneta batendo contra a mesa da cozinha, esperando por alguma revelação.
Diante do detetive, fazendo companhia a caneta, havia um pequeno caderno carregando poucos nomes e muito menos informações do que era aceitável.
Kendra Bason
A vítima encontrada no parque um pouco antes do atropelamento de John. Mulher de 32 anos, morta por asfixia, vista pela última vez no mesmo lugar onde foi encontrada. Sem sinais de tortura ou furto. Tudo o que conseguia dizer é que se tratava de uma mulher que gostava de frequentar festas e se preocupava com a saúde, consultando-se frequentemente com todos os tipos de médicos para fazer exames de rotina.
Andrew Harold
Ethan Morell
Os dois corpos encontrados no Hospital, retirados do Necrotério e colocados dentro de um consultório abandonado. 35 e 42 anos, respectivamente. Ambos mortos a tiros, por motivos ainda desconhecidos. Sem mais informações.
Sherlock apertou a caneta com força antes de voltar a batê-la contra mesa.
Ainda havia os dois corações colocados sobre a mesa, sem identificação ou DNA correspondente. Sem corpos.
Largou a caneta e esfregou a testa com avidez, como se o ato fosse ajuda-lo a pensar com mais clareza. Então voltou a encarar a página do caderno.
Jennifer Wilson
Fechou os olhos, esforçando-se para pensar corretamente. Não se tratava da primeira vítima, do primeiro caso que compartilhara com John, mas daquele onde o contrário aconteceu. A cena criada por Moriarty, semelhante ao Estudo em Rosa, com uma falsa vítima de envenenamento e um anel ainda sem dono. No entanto, agora havia um nome verdadeiro. Pelo menos isso. Riscou o nome de Jennifer e escreveu Alanna Dallas ao lado. Vítima sem família no país, vista pela última vez retirando dinheiro em um Banco. Sem mais informações.
Kendra Benson
Andrew Harold
Ethan Morell
Jennifer Wilson Alanna Dallas
O que essas pessoas tinham em comum? Sequer possuíam alguma ligação? Sherlock esperava que não e era isso que o perturbava. Esperar. Ele não tinha certeza de absolutamente nada e lhe restava esperar por muito, que não houvesse ligação, que não fosse obra de Moriarty, que John não estivesse envolvido.
Era um ato medíocre. Esperar por não ter capacidade de reconhecer.
John também não estava facilitando. O dia anterior fora repleto de informações confusas e amargamente difíceis de engolir. O detetive sentia sua cabeça doer só de pensar no assunto.
Bem... er ... Okay, esse é Philippe Lawrence, um amigo.
Quem era Philippe Lawrence e o que o fazia pensar que podia beijar John daquela maneira? Como podia haver tamanho grau de intimidade entre aquele ser humano nefasto e seu melhor amigo se o próprio Sherlock nunca o vira antes?
Como pode estar tão lerdo?
A voz de Moriarty soou debochada em sua mente, fazendo-o arregalar os olhos imediatamente. Realmente nunca vira Lawrence antes, mas não podia dizer o mesmo sobre o nome dele. Levantou-se subitamente e correu até seu quarto. O lugar estava organizado exatamente do mesmo jeito que deixara, por isso não hesitou em avançar até seu guarda-roupa, pondo-se a vasculha-lo avidamente. Suas mãos mergulharam entre as roupas, derrubando-as no chão, até que tocaram em algo frio e liso, de tamanho médio.
Seu caderno de anotações.
Em mãos, o caderno foi retirado e colocado sobre a cama, onde Sherlock começou a folheá-lo. Em questão de segundos encontrou o que procurava.
Parede azul. Holmes, Mike Stamford, Henry, Philippe, Jennifer Wilson, Amélia Taylor, Hurt, Sawyer, Austrália, Alice, Holmes...
Philippe. Seus olhos logo focaram o nome com um novo interesse. Interesse que fez o detetive voltar até sua mesa na sala e novamente pegar a caneta. Se seu Palácio Mental se recusava a funcionar corretamente, então colocaria suas conclusões no papel.
Sherlock sabia que os nomes na parede azul estavam lá por algum motivo. Suas conclusões até o momento lhe diziam que os nomes estavam relacionados a crimes ou ao próprio John. Já havia renomeado Jennifer Wilson como Alanna Dallas e encontrado um nome para Augustus, ambos diretamente ligados a crimes. Henry era o pai de John, Sara Sawyer a colega de trabalho e ex-namorada, Mike Stamford o antigo colega de faculdade e Austrália o país onde John vivera por alguns anos, no entanto, nomes ainda permaneciam soltos e perguntas importantes demais ainda permaneciam sem respostas.
Como Alice... Hurt... e o que fazia Philippe Lawrence tão relevante para estar ali?
Imediatamente guardou o caderno em alguma gaveta e pegou o celular. Pediria ajuda aos muito uteis moradores de rua e, com algum trabalho, descobriria tudo sobre esse homem até o fim do dia. Mensagens enviadas, voltou ao outro caderno que continuava sobre a mesa e circulou o nome em questão. Podia não gostar da ideia, mas John ainda não estava fora da faixa de desconfiança, assim como Mycroft, então teria que descobrir sozinho.
Ou talvez Lestrade seria útil...
Sentiu uma movimentação ao seu lado. Alguém com estatura média e um perfume exagerado. Ergueu os olhos, confuso.
― John? Quando...
Calou-se, seu corpo entrando em alerta. Não era John.
― Você é Sherlock Holmes? ― o desconhecido de cabelos castanhos questionou em tom neutro.
― Sim. Como entrou aqui? ― Sherlock perguntou segurando a caneta com mais força.
O homem deu de ombros, despreocupado.
― Eu tenho a chave.
Sherlock teve tempo apenas de franzir o cenho antes de sentir uma súbita picada em seu braço e tudo escurecer.
― Sherlock?
O Detetive se moveu preguiçosamente na cama e se virou na direção da voz familiar, mas que estranhamente estava perto demais.
― O que foi, John? ― questionou confuso.
O médico, que estava ao seu lado na cama, não sorriu, apenas o encarou com seriedade ao pedir:
― Precisa acordar.
― Estou acordado ― Sherlock rebateu sonolento.
― Não completamente.
Voltou a fechar os olhos, inesperadamente querendo voltar ao sono profundo. No entanto, foi novamente interrompido por John que o chacoalhou abruptamente.
― Mas que Inferno, deixe-me em paz ― resmungou. ― O que faz no meu quarto?
― Precisa acordar agora, Sherlock ― John insistiu se levantando e sentando ao seu lado na cama, ignorando os resmungos.
― Por quê?
― Porque eu sou um maldito médico.
Sherlock franziu as sobrancelhas e o olhou confuso.
― Como?
― E como médico eu ordeno que acorde ― John completou antes de se virar e empurrá-lo para fora da cama. ― Acorde!
Sherlock ofegou, abrindo os olhos. Suas mãos se fecharam com força quando a dor lhe atingiu. Não reconheceu o teto de onde estava, então aquele não era seu apartamento, tampouco seu quarto. Mas a dor ainda nublava seus olhos e seu raciocínio. Onde estava John?
― Finalmente ― uma voz ao seu lado fingiu alivio. ― Pensei que você estragaria meus planos com uma morte antecipada.
O detetive piscou com força quando o rosto de Moriarty surgiu em seu campo de visão.
― Você... o que...
― Shii... não se esforce tanto, Sherly... ― Moriarty se aproximou. ― O sedativo afetou você de um modo ruim. Digo, mais ruim que o esperado. Acho que você andou bebendo muito chá.
― O que quer de mim? ― Sherlock perguntou com a voz rouca.
― Nada! ― Moriarty respondeu avidamente, um sorriso cresceu em seus lábios. ― Eu não quero nada de você, não é impressionante?
― Realmente... ― o Detetive balbuciou tentando se mover.
Ergueu a cabeça com dificuldade e novamente piscou com força, tentando clarear a mente. O seu corpo inteiro doía e seus pulmões reclamavam a cada tentativa de uma respiração regular. Então olhou vagamente ao redor, em busca de informações. Era em um quarto simples e bem iluminado, mobilhado apenas pela cama onde estava deitado. Um lugar estranho nos olhos de alguém que esperava um cativeiro bem pior.
― O que eu faço aqui?
Uma pergunta válida. Se Moriarty não queria nada com ele, então o que fazia ali?
― Você está sendo útil.
― Em quê? Como posso ser útil em uma cama? Cansou dos jogos?
― Na verdade, cansei de jogar com você, Sherlock. Não há mais graça.
Um novo finco surgiu entre as sobrancelhas do detetive. A confusão o inundou, mas logo se misturou a raiva. Como assim Moriarty cansara de jogos? Era uma piada? Depois de todos aqueles anos banhados em truques, mortes desnecessárias e crimes orgulhosos, depois de anos de investigação, fugas e torturas... Moriarty o sequestrara com sucesso apenas para dizer que cansara?
Para o Inferno!
― Então o que faço aqui? Diga logo o que quer Moriarty!
Exaltado, o consultor criminal agarrou os ombros de Sherlock e, violentamente, forçou-o a sentar na cama.
Sherlock gemeu de dor pelo movimento abrupto, mas toda a reação e reclamação foram trancadas em sua mente. Não podia se distrair naquele momento.
― Não consegue ver, Sherlock? ― Moriarty questionou com os olhos arregalados de excitação. ― Você está sendo útil.
O detetive o olhou, ainda confuso. O que realmente queria era enfiar qualquer coisa mortal na cabeça de Moriarty e observar até ter certeza de sua morte, mas a expressão do consultor criminal o impediu. Moriarty estava animadamente satisfeito e possuíam um olhar que o detetive pouco via, mas sempre temia. O olhar de quem sabia que já havia ganhado.
― Vai me usar como moeda de troca? ― Sherlock questionou a primeira opção que surgiu em sua mente.
Ainda estava ali, sem ferimentos ou ameaças, sem nenhuma pergunta a responder ou decisões a tomar. Moriarty não queria nada dele, o que significava que outra pessoa seria envolvida, porque nada nunca era em vão.
― Não exatamente uma moeda de troca ― Moriarty respondeu se afastando. ― Mas eu preciso de algo que seu irmão se recusa a entregar e isso é tão irritante.
― Não imaginei que Mycroft fosse tão inalcançável até mesmo para o grande James Moriarty ― Sherlock zombou.
― Não inalcançável, apenas um pouco... escorregadio ― o sorriso de Moriarty diminuiu, mas o olhar ainda deixava o detetive em alerta. ― Nós já passamos por isso um dia, sabia? Trabalhamos bem juntos. Ele não é meu inimigo, mas insiste em se intrometer nos meus assuntos.
― Acho que a sua mente está distorcendo as coisas, Moriarty.
― Ou talvez é a sua mente que não está captando a realidade, Sherly. Talvez você precise rever sua lista de amigos.
― Eu não tenho amigos! ― Sherlock rebateu de imediato, automaticamente recordando da expressão magoada e irritada de John ao ouvir a mesma frase anos atrás.
Moriarty voltou a se aproximar, seu sorriso se tornando malicioso e insistentemente irritante na opinião do detetive.
― É realmente uma pena que uma pessoa tão comum quanto John Watson seja capaz de tornar essa frase uma grande mentira.
Sherlock teve o impulso de negar, nem que fosse para gritar que não, havia apenas um amigo. No entanto, lembrou-se de Lestrade, de Molly, da Sra. Hudson e até mesmo de Mycroft e se surpreendeu ao constatar que não conseguia mais classificá-los além do obvio. Eram passageiros em sua vida? Eram importantes? Eram amigos? No final, John havia mudado sua vida muito mais do que notara.
― Ele não é comum ― murmurou aéreo.
― O quê?
O detetive repentinamente lembrou da última vez que esteve com John, no pub onde toda a confusão que queria esquecer... aconteceu. Não esquecera nenhuma palavra ferina e venenosa que despejou naquele dia, tampouco as maldições que proferiu mentalmente. Lembrava-se bem do rosto constrangido do parceiro depois de Lawrence aparecer, o medo brilhando em seus olhos claros por um motivo que ainda não entendia completamente, depois a raiva pela presença d'A Mulher e, entre tudo isso, a mágoa marcada em cada linha de expressão.
Dane-se! Ainda dividimos o aluguel!
Isso não faz diferença para mim.
Foi naquela troca irritada de frases que tudo começou a mudar, naquele momento. Sabendo que estava perdendo detalhes, Sherlock nunca deixava de analisar e esperou ver surpresa ou raiva em John quanto à sua indiferença, mas viu apenas esforço. O esforço que ele fez para levantar da cadeira e chamar Lawrence para ir embora. Em seguida observou o rosto mais pálido, as mãos trêmulas e nervosas. Não foi a lembrança do beijo, uma frase provocativa e anterior de Moriarty, qualquer suspeita de culpa ou a presença d'A Mulher que o fizeram repensar todas as últimas semanas de convivência com John, o que realmente o obrigou a repensar foi o esforço de John Watson para ficar de pé.
E quando o mesmo quase caiu enquanto tentava chegar ao banheiro, Sherlock finalmente entendeu que não importava a desconfiança ou as suspeitas, não importava o que Moriarty dizia ou o motivo da repentina aproximação de Mycroft, nada mais importava porque qualquer que fosse o motivo, estava exaurindo as forças do seu melhor amigo.
John não se arriscaria tanto se não fosse por algo que julgasse importante.
Moriarty ia usar John contra você.
Suas mãos tremeram e subitamente seus olhos se voltaram para Moriarty, tão letais que o fez unir as sobrancelhas em nítida confusão.
Ele achou que uma traição de John ia me afetar o suficiente para me destruir?
― Ele não é comum! ― repetiu pausadamente com mais veemência.
Aproveitando-se da raiva que borbulhava sob sua pele, impulsionou seu corpo para frente agarrando a lapela do terno de Moriarty e deixou a gravidade agir a seu favor, caindo no chão, quase sobre o corpo magro do outro que arregalou os olhos de pura surpresa. Era obvio que ele não compreenderia a explosão do detetive.
Nosso querido John jamais trairia o melhor amigo sem tentar procurar uma saída menos dolorosa, não é?
Ato contínuo ergueu o punho e acertou em cheio o rosto do responsável pela maior parte de seus problemas, uma, duas, três vezes, até sentir os nós de seus dedos arderem levemente, então abaixou gradativamente o rosto até estar centímetros da expressão ensanguentada de Moriarty.
― Deixe-nos em paz ― rosnou entre dentes, a respiração irregular fazendo seu tronco subir e descer sem discrição. ― Já teve seus jogos e sua diversão. Basta. Não me obrigue a ser um assassino.
Moriarty tossiu, talvez engasgando com o próprio sangue, e não voltou a sorrir.
― Você não precisa da minha ajuda para se tornar um assassino, Sherlock Holmes ― disse em tom completamente sério pela primeira vez em muito tempo. ― Eu não o obriguei a machucar o ombro de John naquele dia em que deitou na mesma cama que ele, não coloquei palavras na sua boca naquela noite em Dartmoor e muito menos implantei esse... sentimento que luta contra seu descontrole e se transforma em culpa.
Sherlock sentiu sua guarda cair ao ver a seriedade rara no lugar da tão esperada expressão maliciosa que era natural no criminoso, mas não pôde dizer nada, logo – e lentamente – Moriarty se sentava e voltava a falar, forçando-o a se erguer também.
― Eu apenas ameacei, sempre ameaço. Brincadeira de criança ― continuou com os olhos presos nos de Sherlock, aumentando a veracidade de suas palavras. ― E se eu não existisse... haveria outro em meu lugar, menos esperto e mais tedioso, depois outro.. e outro. Cada um o intrigando de uma forma diferente, brincando com os seus limites e o expondo ao ridículo, pouco a pouco, testando seu controle e deixando sua explosão de ira afetar somente uma... única... pessoa. Essa é sua vida, esse é você.
― Nada disso me torna um assassino ― Sherlock devolveu na mesma intensidade.
― Então o que você faria se, de repente, descobrisse um romance entre seu irmão e o Johnny boy? Aposto que algumas paredes desse seu Palácio Mental tremeriam com essa verdade. Então você ficaria desconfiado e confuso. Afinal, por que se importar? Sherlock Holmes não se importa, não sente.
― Você, definitivamente, está distorcendo as coisas ao seu próprio gosto, Moriarty. Está cada vez mais insano.
― Mesmo? Então você não ficaria nenhum um pouquinho descontrolado ao descobrir que todos estão na lista de traidores e não de supostos amigos? ― progressivamente o sorriso do consultor criminal voltou, carregando a mesma malicia habitual. ― Estou sendo idiota, é claro que já sabe e está bem com isso. Conversamos sobre o assunto naquele dia, quando John me entregou Moran. As fotos que o Inspetor Lestrade, as noites fora, as ligações estranhas, as boates onde as vítimas iam, os detalhes íntimos e sórdidos sobre o relacionamento com Mycroft... É claro que John explicou tudo, não é? Ele não esconderia nada do melhor amigo.
Sherlock ainda pensava em como responder quando Moriarty o acertou seu rosto uma única vez com punho, forçando-o a recuar. Rosnou enfurecido pela distração e começou a levantar, sendo impedido por uma dor aguda e latejante na sua perna. Moriarty havia perfurado sua coxa com uma faca.
― Mycroft me deu informações intimas sobre você em troca de algumas informações banais sobre segurança que ele poderia conseguir se não fosse tão preguiçoso, John está agindo pelas suas costas, escondendo informações tão cruciais que a ausência delas deixa você completamente perdido nesse jogo entediante ― Moriarty enumerou sarcástico, enquanto se levantava e arrumava seu paletó. ― As informações estão flutuando ao seu redor como mosquitos irritantes, eles cobrem seus olhos, escondem o obvio e ainda assim você os considera grandes. Confiáveis! E ainda é por eles que você chama quando precisa de ajuda!
― Não seja insano, eu não-
― Não faz isso? Não confia? Não pede ajuda? Não se importa?
Sherlock se arrastou pelo chão, esforçando-se ao máximo para ignorar a dor e o sangue. Enquanto se afastava, Moriarty se aproximava e o detetive odiou o fato de mesmo o sangue em seu rosto tornar a figura criminosa ao menos um pouco mais frágil, atingível. O consultor parou e sorriu largamente, colocando as mãos nos bolsos da calça de forma despreocupada.
― Nós dois sabemos a verdade, Sherlock ― disse por fim. ― Mycroft sempre será seu irmão, aquele que está sempre presente para limpar suas sujeiras e garantir sua segurança. John sempre será seu parceiro, aquele que serve de apoio e que morreria por você. Eles podem ser os maiores criminosos desse continente inútil e, ainda assim, você confiaria neles. Lutaria contra os próprios pensamentos e verdades, contra fatos, afundaria em drogas e desabaria em becos até que a desvantagem em se importar fosse um mero... detalhe.
Moriarty se aproximou e agachou-se a sua frente, erguendo uma seringa na altura dos seus olhos.
― Uma grande diferença entre nós dois, Sherly, é que eu compreendo tudo isso em um nível que jamais imaginará ― continuou. ― E enquanto você não compreender também, vai continuar perdendo e perdendo, eu continuarei sendo o pesadelo de John Watson e você me odiará pela verdade que nunca lembrará. E eu espero realmente que não lembre... ou alguém vai ter que morrer por isso bem... lentamente.
