EPÍLOGO - DOR
Sarada podia sentir que alguma coisa estava errada — e não era por seus pais terem saído sem avisar para onde iam junto do conselheiro do Hokage.
Ela podia sentir que algo estava errado.
Por algum motivo, aquela noite havia sido a primeira após semanas que Satoshi dava trabalho para dormir, alegando que ele estava com medo de fechar os olhos, e Sarada precisou de muito para convencê-lo de que não havia o que temer — que ela estava ali para protegê-lo.
E por algum motivo, Boruto pediu para que ela o encontrasse no campo de treinamento as 11PM.
"Me encontre no campo de treinamento as 23h,
não deixe ninguém saber"
Sarada então, temendo deixar Satoshi sozinho em casa, fez um clone das sombras para se encontrar com Boruto, enquanto sua versão verdadeira ficara em casa, aguardando o que quer que fosse que estava por vir.
˜˜˜•˜˜˜˜
"Por que mandou um clone?"
"Meus pais saíram com Shikamaru-san e eu não podia deixar o Satoshi sozinho. Você sabe do que se trata?", ela foi direta ao assunto.
Ela viu que Boruto estava inquieto, e seu olhar completamente assustado.
Isso não é bom.
Boruto se aproximou de Sarada, para que eles pudessem conversar baixo e chamar menos a atenção — apesar do silêncio na floresta indicar que eles estavam completamente sozinhos.
"Eu ouvi meu pai dizer que Kawaki esteve na vila", ele disse baixo.
"K-Kawaki!?", ela o olhou incrédula, e com aquela notícia, ela só gostaria de deixar a felicidade dominar seu corpo, mas por algum motivo, seu corpo não obedecia sua mente, "Isso é bom não é?".
"Ele mandou um clone para casa para alertar eu, minha mãe e Himawaki para qualquer situação indiferente", a voz de Boruto quase tremia, mas ele precisava deixar as coisas claras para Sarada, "Kawaki não é mais quem ele foi", ele murmurou aquilo esperando que Sarada entendesse o que ele queria dizer.
Não é mais quem ele foi.
Sarada já tinha informações o suficiente para entender o significado daquelas palavras. Ela sabia qual era o objetivo do líder da Kara — ela tinha esperança que eles pudessem encontrar Kawaki antes daquilo acontecer, pois ela sabia que o futuro de Kawaki era ser receptáculo de Isshiki Otsutsuki.
E era por isso que eles corriam contra o tempo para encontrá-lo.
Seria possível…
… que seu corpo já estava sendo usado?
"Boruto…"
"Sarada, me escute com atenção", ela olhou bem em seus olhos, acabando que dando mais atenção a seu olho direito, por conta da cicatriz que havia ali, "Se o vê-lo, não pense duas vezes para atacar. Ele não é mais o nosso amigo".
No momento que Boruto dizia aquilo, eles ouviram uma explosão ao leste de onde eles estavam.
"O quê foi isso?", Sarada perguntou assustada, ativando seu Mangekyou Sharingan para verificar o local da explosão.
"Sarada?", Boruto perguntou.
"É…"
"Sarada?", ele estava impaciente.
"Kawaki está aqui", ela respondeu olhando em direção a explosão, "Mas o chakra… não é dele…".
Boruto puxou o braço direito de Sarada para aproximá-la ainda mais de seu rosto, e com a voz baixa e ansiosa, ele precisava ser sincero com ela naquele momento.
Pois ele não sabia se teria outra chance.
"Sarada…", ela viu sua jugular destacando-se em seu pescoço, e pôde ver o momento que ele engoliu um seco antes de continuar, "Eu não sei o que vai acontecer a partir de hoje, não sei o que vai acontecer comigo, o que vai acontecer com o corpo de Kawaki ou com o resto do mundo ninja — mas eu preciso que você saiba que quando tudo isso acabar, é com você que eu quero estar".
Sarada podia sentir seu corpo ficar quente e suas pernas ficarem bambas. Seria possível que aquele lerdo do Boruto estava se declarando para ela depois de tanto tempo a enrolando? Seria possível que seus sentimentos eram recíprocos para um com o outro? Seria possível que aquele idiota esperou algo de vida e morte acontecer para ele tomar coragem de dizer a ela o que sentia?
Sarada queria xingá-lo, socá-lo e até mesmo desmembrá-lo por esperar uma situação como aquela acontecer para ele tomar aquela coragem de dizer na cara dela o que sentia, porém, olhar a imensidão daqueles olhos azuis a impedia de tais atos.
Ela podia ver sua alma através de seus olhos — e ela tivera pouquíssimas oportunidades de olhá-los com tanta intensidade e sem deixar com que a vergonha lhe impedisse.
Quando menos imaginou, ela sentiu uma maior aproximação de Boruto em seu espaço pessoal, seu rosto quase colado com o seu — ela podia sentir seu hálito se aproximando de sua boca.
Mas antes que ele tentasse…
Sarada colocou seu dedo indicador em sua boca, impedindo-o.
"Não", ela lhe disse decidida, e aquela rejeição havia deixado Boruto completamente sem ação — o garoto ficando ainda mais branco do que já era.
"Primeiro, você tem que sobreviver", ela disse antes que ele pensasse que estivesse sendo rejeitado.
"Como?", ele perguntou ainda cambaleante com a possível rejeição.
"Sobreviva — eu também irei dar o meu melhor, mas eu sei o cabeça oca que você é, e sei que você tomará decisões precipitadas demais", ele podia ver seus olhos ardendo em chamas através de seu poder ocular — deixando-o hipnotizado, "Sobreviva, e então, voltaremos para resolver nossas pendências aqui, nesse mesmo lugar".
Boruto, começando a entender o que ela queria dizer, lhe deu um sorriso travesso.
"Eu só posso te beijar se eu sobreviver?", verbalizar o ato fez com que Sarada ficasse corada, e desviasse o rosto do dele.
"Idiota", ela murmurou, ainda rubra — seus olhos desviando para o chão.
Outra explosão podia ser ouvida, indicando a eles que não era o momento para eles estarem passando por um momento íntimo como aquele.
"Diga a Sarada-chan que eu vou cobrar meu beijo", ele disse para quebrar um pouco a tensão, sabendo muito bem o como a personalidade de Sarada influenciava até mesmo seu clone.
"E você quase beijou um clone, imbecil", ela lhe respondeu, ao mesmo tempo que se afastava de seus braços.
Boruto então se afastou, e antes de correr em direção ao monumento dos Hokages — onde as explosões vinham, ele ouviu Sarada lhe dizer.
"Não morra"
Aquilo o paralisou por um momento — mas só por um momento. Ele não podia lhe prometer nada. Ele não sabia se conseguiria controlar a vontade de Momoshiki Otsutsuki em dominar seu corpo. Ela não podia ter certeza de nada até aquele momento — sua única certeza era que ele precisava e iria parar Isshiki, e então, recuperar o corpo de Kawaki.
Mas tudo aquilo eram suposições.
Mas…
… isso não o impedia de traçar um novo objetivo.
Objetivo que por hora, estaria em primeiro lugar a partir daquela noite.
"Eu não posso morrer sem antes saber como é beijar você, Sarada Uchiha", ele lhe disse com vigor, e então lhe deu as costas, desaparecendo pela floresta.
Aquelas palavras foram tão impactantes e inesperadas que o clone de Sarada sumiu quase de imediato — e então, sentada na cadeira de seu quarto, bem longe de onde acontecia as explosões, a verdadeira Sarada recebia as lembranças e sensações que seu clone havia passado há instantes com seu colega de time.
Sarada ficara imediatamente vermelha com aqueles acontecimentos, e no mesmo momento, ela também fez uma promessa no vazio de seu quarto.
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"É bom que você volte vivo, Boruto-baka, ou então, eu mesma mato você", ela disse com um sorriso torto em seu rosto.
Ele não iria desistir tão fácil…
… e ela também não.
NOTAS DA AUTORA
Infelizmente, todo começo tem um fim, e eu nem acredito que finalizei essa fanfic antes de acabar a minha quarentena e eu voltar a realidade do mestrado.
Novamente, agradeço demais por quem acompanhou a estória desde o início, e queria dizer: a gente que lute em como vai acabar esse mangá de Boruto, porquê meu coração não está preparada para esse evento.
Queria aproveitar também para vocês darem seus feedbacks em duas one shots de Boruto que eu publiquei há 2 anos atrás, e em um deles, temos Satoshi pitico; chama-se O Pergaminho e Uma grande lembrança, e podem ser encontradas em inglês aqui no fanfiction ou em portuguës na minha conta da Spirit ou do Nyah.
