CAPÍTULO 6

Você mostrou meu retrato a ele? Estou mortificada de vergonha. Ah, Dan, onde você estava com a cabeça? É claro que ele diria que eu era bonita. Era a única coisa que ele poderia dizer. Você é meu irmão, de modo que ele nunca poderia comentar, por exemplo, sobre o meu nariz

bisonhamente grande.

– CARTA DE Hermione Granger AO IRMÃO, Dan

Uma hora depois, no salão principal do Devil's Head, Hermione estava concentrada, terminando de almoçar, enquanto Harry corria os olhos por uma edição recente do Royal Gazette. Quando começara a comer, ela também estava com um jornal na mão, mas ficara tão estarrecida ao ler o parágrafo que anunciava "Vende-se um homem negro, bom cozinheiro, não enjoa fácil no mar" que fora obrigada a deixar o jornal de lado, concentrando-se apenas no prato de lombo de porco com batata.

Harry, por sua vez, lera o jornal de cabo a rabo, e então pedira ao estalajadeiro que trouxesse a edição da semana anterior, repetindo o processo.

Ele nem precisara explicar, pois Hermione sabia muito bem que estava tentando preencher as lacunas em sua memória. Ela duvidava que aquilo seria de alguma serventia; era improvável que ele encontrasse no periódico qualquer pista sobre sua temporada em Connecticut. Ainda assim, mal não ia fazer – ademais, ele parecia ser o tipo de homem que gostava de se manter a par das notícias. Dan também era assim. O irmão dela nunca pedia licença para se levantar da mesa do café da manhã antes de terminar de ler a edição inteira do London Times. O jornal chegava a Matlock Bath com alguns dias de atraso, mas isso nunca incomodara Dan. Ele costumava dizer que era melhor receber as notícias com atraso do que permanecer na ignorância completa. Além disso, não havia nada que ele pudesse fazer a respeito.

"Mude o que pode ser mudado", dissera ele, um dia, à irmã, "e aceite o que não pode". Hermione se perguntou o que Dan pensaria do comportamento dela nas últimas semanas. Suspeitava que ele seria inflexível ao categorizar o próprio ferimento e subsequente desaparecimento como "aceite o que não pode".

Ela soltou um risinho seco. Era um pouco tarde demais para pensar nisso.

– Falou alguma coisa? – perguntou Harry.

Ela fez que não com a cabeça.

– Só estou pensando no Dan – confessou ela, já que estava fazendo um esforço para dizer a verdade sempre que possível.

– Logo vamos encontrá-lo – garantiu Harry. – Ou receberemos notícias dele. Uma coisa ou outra. Hermione engoliu em seco, tentando desatar o nó da garganta, e assentiu, agradecida. Não estava mais sozinha. Ainda estava assustada, ansiosa e insegura, mas não estava mais sozinha.

E isso fazia uma diferença gritante.

Harry ia começar a dizer outra coisa, mas eles foram interrompidos pela jovem que trouxera a comida um pouco antes. Como todos em Nova York, Hermione achou que ela parecia cansada e sobrecarregada. E com calor. Francamente, Hermione não sabia como as pessoas conseguiam sobreviver a um verão daqueles. Em sua terra natal, o ar nunca ficava tão úmido, só quando estava, de fato, chovendo.

Ela já tinha ouvido dizer que os invernos na cidade eram igualmente rigorosos e rezava para que os primeiros flocos de neve não a encontrassem mais ali. Um dos soldados do hospital dissera que a terra ficava congelada como pedra e que o vento era tão cortante que poderia arrancar orelhas.

– Senhor – disse a jovem, com uma ligeira mesura –, seu banho já está

pronto.

– E agora você precisa ainda mais dele – falou Hermione, indicando as mãos de Harry, manchadas de tinta.

Era óbvio que ninguém no Devil's Head tinha tempo ou disposição para

passar o jornal a ferro quente, a fim de selar a tinta.

– De fato – murmurou ele, olhando as pontas dos dedos imundas –, os

confortos do lar fazem muita falta.

Hermione ergueu a sobrancelha.

– É sério? É disso que sente mais falta? Do jornal bem passado?

Ele respondeu com um olhar contrafeito, mas Hermione tinha certeza de que ele gostava que ela implicasse com ele. Era o tipo de homem que não aceitaria ser tratado como um inválido – que não gostaria de ver as pessoas pisando em ovos, escolhendo muito bem as palavras ao falar com ele. Ainda assim, quando Harry deixou o jornal na mesa e olhou para a porta, Hermione precisou se conter para não perguntar se ele queria ajuda para subir as escadas. Em vez disso, apenas se levantou e lhe estendeu o braço, em silêncio. No hospital, ela tinha visto muito bem como fora difícil para ele pedir ajuda.

Era melhor fazer certas coisas sem gastar palavras.

Na verdade, durante a refeição, ela ficara grata por Harry ter preferido se concentrar no jornal, e não nela. Ainda estava um pouco tensa com a oferta de ser liberada do matrimônio. Ela nunca – jamais – esperara que ele fosse fazer algo assim. Em retrospecto, sabia que devia agradecer aos céus por seus joelhos não terem cedido naquele momento. Lá estava ela, de pé ao lado da cama dele com uma montanha de biscoitos holandeses, quando, de repente, ele se oferecera para liberá-la.

Como se ele é que tivesse armado aquela união, e não ela.

Ela deveria ter aceitado. Tentou mentir para si mesma dizendo que teria

aceitado se não fosse...

Se não fosse pela expressão no rosto dele.

Ele não movera um músculo sequer. Mas não era como se estivesse paralisado. Ficara apenas... quieto.

Ela chegara a pensar que ele estivesse prendendo a respiração. Que ele estivesse prendendo a respiração sem nem se dar conta. Ele não queria que ela o deixasse.

Hermione não entendia como podia ter tanta certeza; não havia motivo para acreditar que seria capaz de conhecer tão bem as expressões de Harry, de interpretar as emoções por trás daqueles olhos azul-safira. Afinal, só fazia um dia que ela o conhecia de verdade, em pessoa.

Só podia imaginar que ele a desejava ao seu lado para não perder a conveniência de ter uma enfermeira, mas, fosse qual fosse o motivo, ele parecia querer continuar casado com ela.

A ironia só se acentuava.

Contudo, ela recomendou a si mesma que não corresse o risco de confessar toda a verdade antes de se encontrar com o major Weasley. Algo lhe dizia que o capitão Harry Potter era a epítome da honestidade, e não sabia se ele iria querer (ou mesmo conseguir) mentir para um militar de patente mais alta. Talvez se sentisse obrigado a dizer ao major que, embora quisesse ajudar a Srta. Hermione Granger a encontrar o irmão, ele não era, na verdade, casado com ela.

Hermione mal conseguia imaginar os desdobramentos daquela conversa.

Não. Se fosse confessar tudo a Harry, teria que ser depois da conversa com o major.

Ela se convenceu de que isso era razoável.

Ela vinha se convencendo de muitas coisas ultimamente.

E então tentou não pensar mais no assunto.

Conforme eles se aproximavam da escada, ela avisou:

– Esses degraus são estreitos e altos.

Harry resmungou, agradecendo o aviso; com a ajuda de Hermione, ele conseguiu chegar ao segundo andar. Ela nem queria pensar em como ele devia se sentir naquela condição de tamanha dependência. Embora nunca o tivesse visto com a saúde em dia, Harry era alto, devia ter mais de 1,80 metro e tinha ombros largos que certamente se tornariam fortes assim que ele voltasse a ganhar peso.

Harry não era um homem que estivesse acostumado a precisar de ajuda

para subir um lance de escadas.

– Nosso quarto fica no fim do corredor – disse ela, inclinando o rosto para a esquerda quando chegaram ao outro pavimento. – Número ١٢.

Ele assentiu. Em frente à porta, ela largou o braço dele, entregando-lhe a chave. Não era muito, mas era algo que ele podia fazer por ela, e ela sabia que, com isso, ele se sentiria um pouco melhor, mesmo se não entendesse o motivo.

Mas então, no último instante antes de enfiar a chave na fechadura, ele falou:

– Esta é a sua última chance.

– P-perdão?

Harry girou a chave, emitindo um clique que ecoou pelo corredor.

– Se quiser anular a nossa união – prosseguiu ele, com uma voz resoluta –, a hora de se pronunciar é agora.

Hermione tentou responder, mas sentiu o coração subir à boca e os dedos das mãos e dos pés formigarem de nervoso. Ela nunca tinha se sentido tão aflita. Ou apavorada.

– Só vou falar uma vez – disse Harry, e a firmeza dele não podia ser mais contrastante com o pandemônio que se instaurara dentro dela. – Se você entrar neste quarto, nosso casamento será definitivo.

Ela deixou escapar uma risada nervosa.

– Não seja bobo. Você certamente não vai me deflorar esta tarde. – E então se deu conta de que talvez tivesse acabado de insultar a masculinidade dele. – Hã, quer dizer, não antes de tomar um banho.

– Eu e você sabemos muito bem que isso não fará a menor diferença –

respondeu ele, fitando-a com um olhar calcinante. – Assim que entrarmos neste quarto, juntos, como marido e mulher, sua inocência estará comprometida.

– Não se pode comprometer a inocência da própria esposa – falou ela,

tentando fazer graça.

Ele xingou, uma única palavra que saiu em um rosnado baixo e frustrado. A blasfêmia não combinava com ele, e foi só o que precisou para que Hermione desse um passo atrás, alarmada.

– Isso não é motivo para piada – disse ele, ainda se esforçando para parecer calmo; dessa vez, contudo, foi delatado pela veia que pulsava, furiosa, em seu pescoço. – Estou lhe oferecendo a oportunidade de me deixar.

A mente de Hermione estava aturdida.

– Mas por quê?

Ele olhou para os dois lados do corredor antes de sussurrar:

– Porque eu sou um maldito de um aleijado.

Se não estivessem em um lugar público, Hermione tinha certeza de que Harry teria gritado aquelas palavras. Ela nunca se esqueceria do peso na voz dele.

Aquilo a deixou de coração partido.

– Não, Harry – tornou ela, tentando consolá-lo. – Não pense isso de si

mesmo. Você está...

– Eu perdi um pedaço da minha mente – cortou ele.

– Não. Não.

Ela não conseguia formular nenhuma outra frase.

Ele a agarrou pelos ombros, segurando tão forte que os dedos cravaram na pele dela.

– Hermione, você precisa entender de uma vez por todas. Eu não sou mais um homem inteiro.

Ela balançou a cabeça. Queria dizer que ele era perfeito – ela é que era uma fraude. E queria dizer que sentia muito por se aproveitar da condição dele.

Nunca conseguiria compensá-lo por isso.

De repente, ele a largou.

– Não sou o homem com quem você se casou.

– Eu provavelmente também não sou a mulher com quem você se casou... – murmurou ela.

Ele a fitou. O escrutínio durou tanto tempo que Hermione sentiu a pele formigar.

– Mas acho... – sussurrou ela, falando completamente sem pensar. – Talvez você precise de mim.

– Meu Deus, Hermione, você não faz ideia de quanto.

E então, bem no meio daquele corredor, ele a tomou nos braços e a beijou. Não fora um ato premeditado. Pelo amor de Deus, instantes antes, ele estava tentando fazer a coisa certa. Mas então lá estava ela, olhando para ele com aqueles olhos verde-mar, e então sussurrou que ele precisava dela…

Nada poderia deixá-lo mais excitado – exceto se ela tivesse dito que ela

precisava dele.

Ele estava sem forças. Tinha perdido no mínimo seis quilos e não conseguia nem subir um lance de escadas sem ajuda, mas, por Deus, ainda conseguia beijar a esposa.

– Harry – suspirou ela.

Ele a puxou porta adentro.

– Vamos continuar casados.

– Ah, meu Deus.

Ele não sabia o que ela queria dizer com isso, mas, no fundo, não ligava.

O quarto era pequeno e a cama ocupava quase metade do ambiente, de modo que ele não teve dificuldade em encontrar a beirada do colchão e se sentou, puxando-a para junto de si.

– Harry, eu...

– Shhh – pediu ele, tomando o rosto dela nas mãos. – Quero olhar para você.

– Por quê?

Ele sorriu.

– Porque você é minha.

Os lábios dela se entreabriram, compondo uma bela forma oval; ele tomou isso como um sinal e a beijou outra vez. A princípio, ela não retribuiu, mas também não o afastou. Ele teve a impressão de que ela, na verdade, estava se contendo, prendendo a respiração, esperando para descobrir se aquele instante era real.

E então, justamente quando estava começando a achar que deveria recuar, ele sentiu: um sutil movimento nos lábios dela e o som de sua voz reverberando na pele dele ao dar um pequeno gemido.

– Hermione... – sussurrou ele.

Ele não sabia o que tinha feito naqueles últimos meses, mas tinha a impressão de que não tinha sido algo de que se orgulhar. Não havia sido nada próximo da pureza, da beleza e de tudo o que via ao olhar dentro dos olhos de Hermione.

O beijo dela tinha sabor de uma promessa de redenção.

Ele roçou os lábios nos dela com delicadeza, mas isso não chegou nem perto de satisfazê-lo. Então, quando Hermione emitiu um leve gemido de desejo, ele mordiscou os lábios dela, arranhando de leve a pele macia de sua boca.

Ele queria passar a tarde inteira daquele jeito. Queria se deitar ao lado dela na cama e reverenciá-la, como convinha à deusa que ela era. Seria apenas um beijo, pois ele sentia que não estava em condições de ir além. Mas seria um beijo infinito – suave, demorado, profundo, com uma carícia emendando na outra sem nunca terminar.

Era estranho: um desejo sem urgência. Harry percebeu que, por ora, aquilo o deixava satisfeito. Assim que recobrasse as forças, assim que voltasse a seu estado normal, ele investiria cada pedacinho de sua alma em fazer amor com Hermione. Conhecia-se o suficiente (e a ela também) para saber que a experiência o levaria ao limite.

E ainda mais além.

– Você é linda – murmurou ele. E então, querendo que ela soubesse que ele também via a beleza que havia dentro dela, acrescentou: – E sua alma também.

Ela se retesou. Foi um movimento minúsculo, mas os sentidos dele estavam tão focados nela que bastava que ela tivesse respirado diferente e ele teria percebido.

– Precisamos parar – disse ela e, ainda que houvesse evidente lástima em sua voz, não havia nenhum traço de dúvida.

Harry suspirou. Ele a desejava. Seu sentimento crescia cada vez mais, mas jamais poderiam fazer amor com ele naquele estado – exausto, sem banho. Ela merecia muito mais e, para ser franco, ele também.

– A água vai esfriar – observou ela.

Ele olhou para a banheira. Não era grande, mas daria para o gasto. E sabia que o vapor que se desprendia da água não duraria muito.

– É melhor que eu vá lá para baixo – concluiu Hermione, levantando-se meio sem jeito.

Ela usava um vestido cor-de-rosa pálido, e suas mãos pareciam sumir em meio às saias enquanto ela enroscava os dedos no tecido. Parecia absolutamente encabulada – e, aos olhos de Harry, absolutamente encantadora.

– Você não deveria sentir vergonha – disse ele. – Sou seu marido.

– Ainda não – murmurou ela. – Não desse jeito.

Ele sentiu um sorriso nascendo dentro dele.

– Sim, é melhor mesmo que eu saia – repetiu ela, sem fazer menção de ir a lugar algum.

O sorriso ganhou os lábios dele, e Harry falou:

– Não saia por minha causa. Além do mais, na época medieval, banhar o marido era um dos deveres conjugais mais importantes de uma esposa.

Ela reagiu com um revirar de olhos, e uma felicidade morna começou a se alastrar dentro dele. Era divertido quando ela ficava envergonhada, mas era ainda melhor quando ela tentava fazer frente a ele.

– Mas e se eu me afogar? – falou ele.

– Ora, faça-me o favor...

– Pode acontecer. Estou muito cansado. E se eu dormir na banheira? Hermione hesitou e, por alguns segundos, ele chegou a pensar que ela tinha acreditado.

– Você não vai dormir na banheira – afirmou ela, enfim.

Ele soltou um suspiro exagerado, como quem diz "nunca se sabe", mas acabou ficando com pena dela e continuou:

– Está bem, volte em dez minutos.

– Só dez minutos?

– Você está tentando insinuar que não é tempo suficiente, dado meu grau de imundície?

– Sim – declarou ela, categórica.

Ele soltou uma bela risada.

– Você é uma figura e tanto, sabia, Hermione Potter?

Ela revirou os olhos outra vez, entregando a ele a toalha que estava dobrada aos pés da cama. Ele soltou outro suspiro falso.

– Eu poderia dizer que foi por isso que eu me casei com você, mas ambos sabemos que não é verdade.

Ela se voltou para ele, com uma expressão estranhamente vaga.

– O que foi que você disse?

Ele deu de ombros, tirando a casaca.

– Eu obviamente não me lembro do motivo pelo qual eu me casei com você.

– Ah. Achei que você estivesse se referindo...

Ele ergueu as sobrancelhas para ela.

– Nada, deixe para lá – disse ela.

– Não, por favor, continue.

O rosto dela ruborizou violentamente.

– Achei que, talvez, você estivesse se referindo ao...

Ele aguardou. Ela não prosseguiu.

– Ao beijo? – sugeriu ele.

Ele achava que seria impossível que o rosto dela assumisse um tom ainda mais vivo de vermelho, mas foi exatamente isso o que aconteceu. Ele avançou os dois passos que os separavam, erguendo o queixo dela com delicadeza, só o suficiente para que seus olhos se encontrassem.

– Se eu tivesse beijado você antes – tornou ele, baixinho –, agora não restaria a menor dúvida sobre a validade do nosso casamento.

Confusa, ela franziu o cenho da maneira mais adorável.

Ele levou os lábios aos dela outra vez e, ainda sem se afastar, falou:

– Se eu já tivesse sentido tudo aquilo que senti ao beijá-la, jamais teria permitido que o exército me mandasse para longe de você.

– Você não está falando sério – respondeu ela ao ouvido dele, em um murmúrio quase inaudível.

Ele recuou, achando graça.

– Você nunca desobedeceria a uma ordem – concluiu ela.

– Uma ordem sua? Jamais.

– Pare com isso. – Hermione deu um tapinha de leve no ombro dele. – Você entendeu muito bem o que eu quis dizer.

Ele tomou a mão dela, dando um beijo cortês nos nós dos dedos. Maldição, ele estava se sentindo o mais ridículo dos românticos.

– Posso assegurá-la, Sra. Potter, de que eu teria conseguido providenciar tempo para uma noite de núpcias.

– Você precisa tomar o seu banho.

– Droga.

– A não ser que goste de se banhar em água fria.

Ele estava começando a achar que precisaria mesmo de um belo banho de água fria.

– Você está certa. Mas se me permite fazer um último adendo à nossa

conversa...

– Por que eu estou com a sensação de que vai dizer algo que vai me deixar vermelha como o diabo?

– Você já está vermelha – informou ele, alegremente –, e eu só ia dizer que...

– Eu vou esperar lá embaixo! – bradou ela, correndo para a porta.

Harry abriu um sorriso de orelha a orelha, que não desapareceu nem mesmo quando tudo o que restou de Hermione foi o eco da porta que ela bateu ao sair.

– Eu só queria dizer – disse ele, em voz alta, deixando que sua felicidade colorisse cada palavra em tons quentes de rosa – que teria sido espetacular.

"E ainda vai ser", pensou, tirando a roupa e entrando na banheira.

"Se depender de mim, logo, logo."


# Desculpem a demora…

E ai como está a quarentena?

# Lembrando que toda a obra pertence a Julia Quinn e Personagens de J. K. Rowling