Capítulo 26
Pressa
- Você é um dos Outros?- perguntou Kate imediatamente ao homem que a retirara de dentro do buraco lamacento aonde ela tinha caído. – Se acha que vai conseguir alguma coisa de mim porque me ajudou...
O homem que estava limpo e bem vestido com roupas que nem de longe lembravam os trapos que os Outros costumavam usar disse, pacientemente:
- Acho que a sua definição de "Outros" não se aplica a mim, Kate.
- Quem é você?- ela questinou desconfiada. – E como sabe o meu nome?
- Existem maneiras de monitorar tudo o que acontece nesta lha, incluindo quem chega e quem sai daqui. Eu sei de tudo, Kate. Sei que o seu avião caiu há meses aqui e que cerca de sessenta pessoas sobreviveram, incluindo os sobrevivente da cauda do avião. Também sei que um homem a quem vocês chamam de Henry Gale escapou do seu acampamento com a ajuda de um dos seus.
Kate piscou os olhos, impressionada com as coisas que aquele homem sabia.
- O meu nome é Richard Alpert e vivo nesta ilha há muito, muito tempo. O homem a quem vocês estão buscando e que está chantageando Michael Dawson se chama Benjamin Linus. Ele não tem intenção nenhuma de devolver Walt. Os planos dele são bem diferentes do que vocês imaginam.
- Por que está me contando isso?- retrucou Kate. – Acha mesmo eu vou mesmo acreditar que você não faz parte dos planos desse homem Benjamin? Ou qualquer que seja o nome dele.
- Como eu disse antes, vai ter que confiar em mim, Kate. Agora precisamso ir antes que seja tarde!
- Ir pra onde?- ela questionou. – Eu estou tentando chegar ao meu acampamento para conseguir remédios para o meu amigo que está gravemente ferido.
- Eu sei.- disse Richard. – E é por isso que temos que ir agora! Tenho o remédio que irá salvar a vida dele!
- E o Locke?- Kate perguntou olhando ao redor deles. – Ele foi pego numa armadilha dos Outros.
- Ele vai ficar bem por enquanto.- respondeu Richard. – Se voltarmos para procurá-lo pode ser que seja muito tarde para salvar o Sawyer.
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Depois de dormir por mais algumas horas, Sawyer despertou de repente. O sol estava muito forte, por isso Jack e Ana-Lucia o moveram para debaixo de uma árvore onde ele ficaria protegido do sol.
- Ana...- ele chamou com a voz fraca. – Ana...
- Eu estou aqui, James.- ela respondeu vindo ao encontro dele de imediato. Tinha se afastado um pouco para cortar uma manga para ele comer quando acordasse.
A voz dela o encheu de alívio e ele tentou sorrir.
- Aqui, come um pedaço de manga.- ela ofereceu.
Sawyer comeu devagar com a ajuda dela.
- Eu estou me sentindo patético.- ele sussurrou.
- Por que?- ela perguntou.
- Porque naquele dia que você passou mal e foi pra escotilha, eu prometi te proteger, prometi que não deixaria nada acontecer com você e olha só como eu estou agora...
- Você me protegeu, James.- ela afirmou. – Agora é a minha vez de te proteger.
Ele estendeu a mão para tocar o ventre dela. Ana sorriu quando sentiu a mão carinhosa dele em sua barriga.
- Já sentiu o bebê mexendo alguma vez?
Ela balançou a cabeça negativamente.
- Acho que ainda é muito cedo.- disse Ana. – Mas confesso que estou ansiosa para sentir isso.- ela hesitou, mas continuou: - ...eu tenho medo de perder o bebê antes que isso aconteça...
- Não baby, nós vamos ter esse bebê!- Sawyer afirmou. – Vem cá meu bolinho de cereja...
Ana-Lucia se deitou ao lado dele e eles se abraçaram, ambos ansiando que algo acontecesse de repente e mudasse o rumo das coisas para eles.
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Escondido dentro de uma tábua solta no escritório de Benjamin Linus estava o telefone via satélite. Juliet mal podia acreditar que o tinha encontrado. Abraçou o objeto como se fosse um amigo a quem não via há muito tempo.
- Finalmente eu vou poder sair dessa ilha.- disse ela baixinho para si mesma.
Juliet saiu do escritório e passou pela cozinha onde Linus ainda se encontrava inconsciente. Entretanto, o efeito do narcótico que ela tinha colocado no muffin que ele consumira não duraria mais do que algumas horas. Quando ele acordasse, ela já deveria estar bem longe dali no acampamento de Sayid onde ficaria protegida até que o resgate chegasse e tirasse todos daquela ilha.
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- Como você tem certeza que pode ajudar ao Sawyer?- Kate questionou Richard enquanto eles andavam depressa dentro da floresta de volta ao acampamento improvisado onde Jack e Ana-Lucia esperavam pelos remédios que ajudariam Sawyer.
- Porque eu tenho certeza.- Richard disse simplesmente.
- E onde está o remédio que você disse que tem?
Richard parou por alguns minutos e esperou por ela que caminhava um pouco mais atrás dele. Tinha torcido o tornozelo quando caíra no buraco e agora caminhava com dificuldade. Assim que eles estavam lado a lado, Richard apontou para uma direção indefinida dentro da floresta.
- O que isso quer dizer?- Kate perguntou, confusa.
- Existe um lugar muito especial nessa ilha com poderes tão grandes que desafiam a nossa compreensão. Estes poderes são capazes de nos dar tudo o que desejamos em troca de alguma coisa que a ilha precise.
Kate franziu o cenho.
- Se isso é mesmo verdade, o que a ilha pediria em troca para curar o Sawyer?
- Jamais saberemos. Isso vai ser um segredo entre a pessoa que pedir pela vida dele e a ilha. Mas estamos perdendo tempo, a ilha me diz que ele não vai durar muito.
- Então quer dizer que você fala com a ilha?- Kate retrucou enquanto eles voltavam a caminhar depressa. – O Locke costumava dizer que a ilha também falava com ele.
- É verdade.- falou Richard. – Mas de uma maneira distinta do que a ilha fala comigo.
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Sayid não sabia quanto tempo esteve desacordado, mas o fato é que quando despertou o sol estava a pino sobre o corpo dele, passando pelas folhagens da floresta. Ele gemeu de dor quando tentou se mover percebendo que a condição de seu joelho era muito pior que a do ombro. A carne invadida pela bala ardia, mas tinha quase certeza que não seria tão difícil assim removê-la. Já o joelho era uma outra história. Com muito esforço, Sayid se apoiou em uma árvore robusta e conseguiu se erguer, mesmo gritando desesperado quando a dor fina e cortante no joelho associada à ardência no ombro o atingiram.
Respirou fundo enquanto retomava o fôlego e assim que a dor lhe deu um intervalo, rasgou um pedaço da própria camisa e usou para fazer um torniquete no joelho. Quebrou um galho mais resistente usando o lado do corpo que não havia sido atingido pela bala e criou uma espécie de apoio para caminhar. Daquele momento em diante, pôs-se a seguir as pegadas de Michael marcadas no chão de terra, rumo ao caminho que o conduziria ao acampamento dos Outros esperando que Juliet não tivesse desistido dele.
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John Locke estava sentindo muita dor enquanto era carregado por dois homens que o levavam cada vez mais para dentro da floresta sem se importar com o sangue que escorria das feridas abertas em sua perna e pé direitos, quando o tiravam da armadilha sem nenhum cuidado. Torcia consigo mesmo que Kate tivesse conseguido fugir e chegar ao acampamento deles para pegar os antibióticos para Sawyer.
De repente, a quantidade de àrvores pelo caminho foi se espaçando, o mato serrado substituído por um massivo e muito verde tapete de grama rente ao chão que definitivamente parecia ter sido cortado por uma máquina. Caminhando sobre esse gramado, os homens passaram por um portão de ferro duplo alto que foi aberto por mais homens do outro lado. E finalmente, depois de passarem pelo portão, Locke ficou chocado ao ver uma vila moderna que se estendia por todo aquele gramado com uma praça, um playground e um coreto bem no centro.
- Mas que lugar é esse?- murmurou consigo antes que os homens o jogassem no banco de trás de um jipe que ele ainda nem tinha notado.
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A febre de Sawyer tinha voltado enquanto o corpo dele tremia quase convulsivamene debaixo dos cobertores que Ana-Lucia tinha colocado nele. Há poucos minutos atrás, Jack checara novamente a ferida na perna dele e não gostou nem um pouco de ver mais secreção saindo juntamente com um cheiro pútrido de infecção.
- Temos que cortar a perna dele.- o médico disse por fim depois de algum tempo pensando no que poderia fazer para salvá-lo. Kate e Locke já deveriam ter voltado, agora estava ficando tarde demais para que os medicamentos fizessem efeito mesmo que os dois chegassem nos próximos dez minutos.
- Não!- Ana-Lucia disse com firmeza. – Tem que ter outro jeito!
Jack balançou a cabeça negativamente.
- Ana se a gente não fizer alguma coisa...
- Jack, eu vou procurar pelo Locke e a Kate, eles devem estar a caminho...
- Mesmo que estejam não vai fazer diferença se ele desenvolver a síndrome do compartilhamento, eu esperei demais para cortar fora a perna do Boone e você sabe o que aconteceu depois.
Sim, Ana-Lucia já tinha ouvido a história do trágico fim de Boone, o irmão de Shannon, por isso mesmo sentia que se Jack cortasse a perna de Sawyer só faria com que ele morresse mais rápido de hemorragia.
- Não Jack, eu não vou deixar você fazer isso com o Sawyer...
- Já vai escurecer.- disse Jack apontando para o céu. – Se não aproveitarmos a luz do dia para fazer o que é preciso...
- Jack...a gente não pode...
As vozes dos dois aumentavam enquanto eles discutiam falando um por cima do outro, no entando ao ouvirem sons de passos se aproximando os dois se calaram de imediato e ficaram em estado de alerta. Ana correu para junto de Sawyer disposta a protegê-lo de qualquer coisa. Jack engatilhou a única arma que tinham na direção dos passos e se preparou para atirar; mas então avistou Kate caminhando devagar na direção dele com o corpo cheio de arranhões e as roupas cobertas de lama.
- Kate!- ele gritou desengatilhando a arma e guardando-a no bolso de trás da calça. Mas antes que se aproximasse dela percebeu que um homem desconhecido a seguia.
Fez menção de pegar a arma novamente mas foi impedido por Kate que se aproximou dele e segurou-lhe a mão.
- Não Jack.- ela disse olhando direto nos olhos castanho-escuros dele. – Ele está aqui para nos ajudar.
- Nos ajudar como?- questionou Ana-Lucia caminhando na direção deles com expressão hostil.
- Levando-o a um lugar aonde ele pode ser curado.- disse Richard, não parecendo nenhum um pouco intimidado por eles. – Mas se quiserem que ele viva, temos que ir agora.
- E como vamos levá-lo?- perguntou Ana-Lucia colocando todas as suas esperanças naquele homem.
- Como assim Ana-Lucia?- retrucou Jack. – Nós nem sabemos...
Ana o silenciou com o olhar. Richard se aproximou de Sawyer, abaixou-se diante do corpo ferido dele e o colocou nas costas com muita facilidade.
- Me sigam.- foi tudo o que ele disse.
Ana-Lucia caminhou atrás dele imediatamente. Jack olhou para Kate com olhar de incredulidade, ela entrelaçou seus dedos com os dele e disse:
- Vamos Jack! Não temos muito tempo!
- E o Locke?- ele indagou, preocupado.
- Foi pego pelos Outros.- Kate respondeu puxando Jack consigo para que eles também seguissem com Richard.
Continua...
