Autora: KuriQuinn
Tradutora: Juuh Haruno
Classificação: M-Rated
Disclaimer: Naruto e nem a história me pertencem, sou apenas a tradutora autorizada.
*LEIAM AS NOTAS FINAIS*
PARTE VII
Leva duas semanas até que consigam encontrar a trilha de Orochimaru e, quando a encontram, fica em uma base subterrânea entre a Terra dos Ursos e a Terra das Banheiras de Hidromassagem.
Sakura está mais uma vez suando dentro de suas roupas de inverno, praticamente ofegando por baixo de um manto extra. No entanto, não as remove. Mesmo sem a admoestação de Sasuke de que deveriam manter sua gravidez literalmente em segredo, ela não teria intenção de deixar Orochimaru ver o que carregava no útero.
"Eu duvido que ele tente alguma coisa", murmura Sasuke enquanto caminham no vento frio, a voz ecoando nas câmaras subterrâneas. "Mas ainda assim…"
"É Orochimaru."
"Exatamente."
"Estou magoado por você pensar tão mal de mim", sussurra uma voz astuta no escuro, e apesar de ter superado seus pesadelos com esse shinobi, Sakura estremece.
Ela se vira, tendo que apertar os olhos no escuro para enxergar a figura do ex-mestre de Sasuke. Quando ele se aproxima, vê que o sannin roubou novamente outro corpo, desta vez de uma adolescente desafortunada. Seus olhos continuam tão frios como sempre, no entanto.
"Meus mais sinceros parabéns pelo seu casamento, meus queridos Sasuke e Sakura", diz calorosamente, como se fossem velhos amigos se encontrando depois de alguns dias sem se ver, em vez de anos. "Receio que o meu convite nunca tenha chegado, mas não usarei isso contra vocês. Se soubesse que estavam andando por essa região, eu teria preparado um presente para os dois."
"Esta não é uma visita social", diz Sasuke, não se preocupando em encenar banalidades. "O que você sabe sobre vidas passadas?"
Orochimaru ri. "Tão sério, como sempre, meu querido menino. E que pergunta ... sua história passada está lhe causando problemas, talvez?". Sasuke e Sakura trocam olhares tensos. Os olhos de Orochimaru se estreitam, captando a conversa silenciosa e seu rosto se ilumina com a realização. "Não meu querido aprendiz, mas sua adorável esposa. Isso é algo que eu não esperava."
A maneira como o nukenin passou a olhar para Sakura a lembrava de uma cobra se preparando para dar o bote e devorar o pássaro. Mas ela se recusou a ser intimidada por um mero olhar e deu um passo à frente.
"Sasuke pode confiar em você, mas permita-me deixar isso bem claro", Sakura diz ao Sannin, um sorriso duro no rosto. Dez anos de raiva e ressentimento sobre o que ele fez para o marido e para ela na Floresta da Morte queimavam dentro dela. "Se você fizer alguma uma coisa que me pareça uma ameaça, eu vou te destruir. Você pode não ter uma espinha para ser arrancada, mas eu vou arrancar seu sistema nervoso de tecido por tecido se for preciso."
Longe de se sentir insultado, Orochimaru parece achar graça.
"Você ainda tem o mesmo fogo de Tsunade. Longe de mim encorajar sua imaginação, antes, gratuita ", finge tossir delicadamente e depois suspira. "Infelizmente, não há muito que eu possa fazer para ajudá-los. Não a menos que saibam onde estão os restos de sua antiga encarnação. Nesse caso, poderia convocar ela - ou ele - para você perguntar diretamente." Sakura faz uma cara de desgosto. "Ah, é como eu pensei."
"Uma encarnação anterior pode assumir uma atual?" Sasuke pergunta, finalmente expressando o que preocupa os dois há há semanas.
"Dos três de nós, eu imagino que você estaria na melhor posição para responder isso, Sasuke, meu garoto", Orochimaru ronrona. "Como você é o único que teve uma prova concreta de viver uma vida anterior."
Sasuke franze a testa.
"Do ponto de vista estritamente científico, no entanto, não faria sentido", continua o homem mais velho. Ele gesticula vagamente. "Há infindáveis tratados sobre o assunto da alma e, no entanto, a única coisa que quase todos esses estudiosos concordam é que é imortal. Indelével e imutável - uma força que existe em continuidade, não importa a encarnação que você habita ".
"Então, isso significa que ela poderia aparecer de novo, afinal de contas", diz Sakura, desanimada.
"Não seja tola, minha querida. Note que eu disse que a alma é imortal. As pessoas não são. As pessoas são a soma de suas experiências, suas personalidades, seus ódios e seus amores. Quando um corpo morre, essas coisas morrem com ele. A mulher que você era, sua existência terminou quando ela pereceu. São apenas os vestígios dela que você está, de alguma forma, alcançando."
"Espere, o que?"
Orochimaru suspira. "Estou desapontado. Você deveria ser a inteligente do time."
Sakura estreita os olhos, uma das mãos embaixo do manto se transformando num punho; interrompida por um toque suave contra a parte de trás de seu pulso, e ela olha para cima para ver Sasuke balançando a cabeça discretamente.
Tudo bem ... deixaria ele se livrar dessa sem retaliação. Mas apenas dessa vez.
"Permita-me demonstrar", diz Orochimaru, ou perdendo a comunicação ou não se importando.
Ele enfia a mão no manto, fazendo Sasuke e Sakura ficarem tensos; observando a postura do casal, ele sorri e, de maneira muito mais lenta, retira um pergaminho. Dada a circunferência e os selos desenhados, é obviamente um pergaminho de evocação.
"Este pergaminho representa um pacto entre as serpentes da Caverna Ryūchi e existe há mais de mil anos", explica, desenrolando o papel e mostrando os nomes e as marcas de sangue. "A aliança permanece a mesma através das gerações, imutável - mas os donos dessas marcas não são. Eles são humanos, afinal de contas." Ele sorri para sua própria marca, como se estivesse curtindo uma piada particular. "Os nomes e os juramentos de sangue nunca desaparecem e são simplesmente adicionados. Eu imagino que a alma seja da mesma maneira - imutável, imortal e totalmente incapaz da verdadeira morte".
"Você está dizendo que nossas almas têm uma impressão de cada vida que já vivemos", Sakura percebe.
"Eu estou dizendo que não existe tal coisa. É apenas uma hipótese, já que nunca houve ninguém para testar a teoria", diz Orochimaru, seus olhos frios focando nela com uma intensidade perturbadora. "Eu ficaria mais do que feliz em continuar o estudo, se você estiver interessada."
"Não," Sasuke interrompe. "Estamos partindo agora."
O sennin ri novamente, claramente não esperando nada diferente.
"Na minha opinião, o humano médio é muito chato, ou muito envolvido em sua própria miséria para sequer tomar muito conhecimento de sua alma, muito menos lembrar de uma existência anterior. E então eu me pergunto, querida Sakura", Orochimaru reflete docemente, "O que poderia possivelmente ter causado tal mudança em sua disposição que de repente você está mais consciente de sua alma do que o normal?', termina olhando para ela atentamente, seus olhos nem mesmo se desviaram para seu estômago.
Mas de alguma forma Sakura sabe que ele sabe.
"Será que vai acabar com o nascimento?" Ela pergunta, sem se incomodar em dar voltas. Sasuke se assusta, sacudindo a cabeça em direção a ela e considerando a intensa troca de olhares entre sua esposa e o ex-mestre, como se estivesse tentando decidir quem ele poderia ter que proteger no pior dos casos.
"Quem poderia dizer? Se eu fosse arriscar um palpite, parece que há algum assunto inacabado na sua vida anterior", Orochimaru diz alegremente. Mas seus olhos se tornam mais intensamente focados nela. "Uma mensagem está sendo dada a você, minha querida, e você provavelmente não deverá saber o que é até a hora certa."
Por alguma razão se lembra dos olhos do sábio dos Seis Caminhos, e não pode evitar o sentimento oco que cresce na boca do estômago.
眠 り
Quando finalmente acontece, acontece sem que ela entenda como aconteceu.
Em um instante, ela está vagando ao longo da costa do mar, um momento raro em que caminha por conta própria desde o início da jornada. Ashura e seus homens estão trocando a passagem com alguns dos pescadores locais, enquanto ela desfruta de um raro passeio pacífico pelas flores de lótus. Em algum lugar distante, sabe que Taizo a está observando, mas ele mantém distância.
No momento seguinte, o dia sem nuvens está escurecendo, uma tempestade rolando sobre a água.
O trovão ressoa à distância, o relâmpago cortando as nuvens, a tempestade ficando cada vez mais próxima com uma velocidade que a faz tremer. Ela tem certeza de que ela os engolirá em breve.
"Minha senhora, devemos encontrar abrigo", diz Taizo, aparecendo ao lado dela instantaneamente. "Ashura não vai me perdoar se eu permitir que você adoeça."
"Eu posso andar sozinha, obrigada", diz com firmeza, afastando-se da mão dele.
Há um estalo violento a vários metros de distância deles, e ela se pergunta se o raio talvez não tenha atingido uma rocha.
Mas quando se vira para ver por si mesma, encontra Indra.
Ele está diante deles, com o rosto branco, os olhos brilhando e girando com seus padrões em vermelho e preto sinistros.
Taizo cometeu o erro de olhar para aqueles tomoe, e de repente há sangue saindo de seus olhos e nariz. Ele se inclina para a frente, e Shachi não precisa ver o vazio em seu olhar para saber que ele está morto antes de atingir o chão.
"Indra", suspira, o sussurro perdido no vento que os rodeia.
Nunca o viu tão furioso, onde cada fio em sua cabeça parecia ondular com energia cinética. Uma parte dela quer se esconder, se esconder nas sombras até que sua terrível ira tenha passado, mas ela também viu muito pior dele.
E sentia tanta falta dele, ansiou por ele tão ferozmente por todo esse tempo, não fugiria logo agora.
Reunindo coragem, ela dá um passo hesitante para a frente.
Ele se vira para encará-la, a reação de um leão cauteloso contra um predador desconhecido, mas ela mantém os olhos no chão, curvando-se diante dele em súplica. Ele nunca, em toda a sua história juntos, usou seu Sharingan para invadir sua mente, mas ainda o viu usando-os contra aqueles que o desagradavam com efeito devastador.
"Meu marido", cumprimenta humildemente, saboreando a palavra em sua língua por não ter sido capaz de se dirigir a ele por tanto tempo. "Eu -"
Sua frase é cortada quando é sente mãos em seus ombros a guiando para uma posição em pé, forçada a olhar em seus olhos ardentes. Suas pupilas dançam para frente e para trás, percorrendo suas feições, como se estivesse tentando confirmar para si mesmo que o que estava vendo era real.
Ela segura o fôlego, meio nervosa, meio admirada. Não o via há tanto tempo, e ele era tão bonito para ela agora como quando o viu pela última vez. Um pouco mais magro, talvez com os olhos mais duros, mas, sem dúvida, o seu marido.
"Shachi", suspira, uma pergunta e uma confirmação, mas mais importante do que qualquer outra coisa, é o nome dela saindo de seus lábios.
"Indra", suspira, deixando cair toda a formalidade em seu alívio.
Para sua surpresa, seus olhos se apagam e uma emoção que ela não reconhece pisca em seus olhos. Há uma pausa inexplicável - o futuro muda como pedras caindo, o equilíbrio do momento cristalino em sua intensidade - e algo dentro dele parece se romper.
Então ele se move.
Antes que ela possa reagir, as mãos dele estão nos dois lados do seu rosto, puxando-o para ele. Então sua boca está na dela, pressionando contra seus próprios lábios com uma força desesperada e contundente.
Shachi engasga em surpresa, e ele não perde tempo aprofundando o beijo chocante; a sensação estilhaça através dela, tão profunda que até Sakura se sente como se um raio de eletricidade tivesse passado por ela.
É impossível respirar, mas Shachi não se importa. Pela primeira vez desde que ele apareceu em sua vida, seu marido está beijando-a e segurando-a como se não houvesse mais nada nesse mundo além dela.
Ele só se afasta quando seus pulmões começam a protestar e lágrimas se formam em seus olhos, e quando olha para ela, por um instante consegue ver o menino que seu cunhado e seu sogro se lembram. E seu coração dói, porque quer conhecê-lo mais do que tudo.
Quando Indra a puxa para perto novamente, não é para beijá-la, mas para pegá-la, embalando-a em seus braços.
"Não se mova", ordena. E, em seguida, há uma sensação de puxão repentino no seu intestino e a sensação de se de mover rapidamente - rápido demais. O bebê chuta as costelas em sinal de protesto, mas quando o sente, não está mais de frente para o mar aberto.
Em vez disso, eles estão cercados por um vale de floresta, um pequeno santuário de floresta de madeira atrás deles. Ela não consegue nem sentir o ar do mar em qualquer lugar, ou sentir a presença de Ashura.
"Onde...?", começa a perguntar, mas logo é posta sobre seus pés e o sente capturando seus lábios novamente, então suas perguntas morrem ainda na garganta.
夢
Sakura acorda com a lembrança dos lábios de Indra nos dela e uma sensação horrível em seu intestino.
Ela se sente no limite, como se estivesse se equilibrando sobre um precipício de algo muito sombrio para pôr em palavras. Sasuke pergunta se ela está bem, mas isso a deixa mais irritada ainda.
Passa o resto do dia distraída e mal-humorada, pensando em Indra e Shachi, seu coração ansiando por um reencontro feliz e esperançoso, e seu cérebro lhe gritando que não será assim.
Por duas noites, a kunoichi é incapaz de dormir, e no terceiro, Sasuke finalmente quebra sua tendência habitual de esperar que ela compartilhe seus pensamentos por vontade própria.
"Você não pode continuar assim", fala com firmeza, sentando-se ao lado dela; a minúscula cama da pousada era desconfortável, mas uma alternativa quente à silenciosa tempestade de inverno lá fora: "Você precisa dormir".
"Eu sei", ela responde fracamente. "Mas eu ... eu estou com medo."
"De dormir?"
"De descobrir o que acontece a seguir", admite, lágrimas enchendo os olhos verdes. "Eu tenho uma sensação horrível, Sasuke. Eu nem sei porque, é como... desde o momento que eu acordei, senti como se estivesse no ponto de transição. Como se tudo a partir desse momento irá se desenrolar de uma forma ou de outra, e eu nem sei o que devo esperar".
"É de Indra que estamos falando", Sasuke diz sombriamente. "Seria prudente esperar o pior." Os ombros de Sakura caem, e ele acrescenta: "No entanto… Shachi é você. E se eu aprendi alguma coisa te conhecendo, é que de alguma forma você traz à tona o melhor das pessoas. Talvez ela faça o mesmo neste caso".
Sakura funga e acena com a cabeça antes de levantar o rosto e olhar em sua direção. "Vou tentar dormir. Você vai… ficar de olho? Apenas ... apenas no caso..."
Ela não sabe o que exatamente ele poderia fazer no caso de algo – o que quer que seja - acontecer, mas a consciência de que ele estará lá é um conforto.
Sasuke não responde, mas a puxa para mais perto dele.
眠 り
Tudo acontece em um turbilhão de movimentos.
Ele a apoiando na estrutura de madeira, a boca esmagando-se implacavelmente contra a dela, os dedos puxando o cabelo sedoso para fora das presilhas. O desespero em cada movimento, em cada respiração dele é algo que Shachi nunca sentiu antes.
Isso a deixa surpresa e confusa, mas acima de tudo satisfeita, e ela não se atreve a dizer nada por medo de que ele pare.
Em vez disso, murmura ininteligivelmente contra seus lábios e sua mandíbula, descendo pela lateral do pescoço grosso.
Murmura o quanto sentia falta dele, que pensava nele constantemente, pergunta se as crianças estão bem, por que ele desapareceu, se ele entende o quanto ela o ama... ?
Ele afasta todas as suas perguntas com um rouco e estrangulado, "Mais tarde", enquanto continua a despi-la de sua roupa.
E Sachi prefere não discutir, ocupada demais fazendo o mesmo, praticamente rasgando suas vestes do corpo dele. Faz tanto tempo, e ainda assim as ações são tão familiares. Sente vontade de chorar ao sentir os ombros nus sob suas mãos, o cheiro de seus cabelos e o arranhar de suas unhas contra seus braços enquanto desenrola suas roupas.
Quando ele de repente congela, tornando-se como pedra imóvel sob seu toque, ela mal consegue conter o grito de desânimo.
"Indra?", ofega, lançando-lhe um olhar interrogativo por baixo das pálpebras semi-serradas.
Sua expressão inexplicavelmente se tornou dura e ele se afasta dela, os olhos atraídos para baixo. Ela não entende qual é o problema até que segue a mirada dele, olhando para o fino tecido que não consegue disfarçar o inchaço de seu estômago. Está bem maior que o normal depois de sete meses, mas suas vestes volumosas ainda a mantiveram escondida até esse momento.
"Você está esperando uma criança", afirma em voz baixa, como se não acreditasse nisso.
"Sim", responde sem pensar duas vezes, intrigada com sua inquietação e já sentindo falta de seu toque. Esta não deveria ser uma visão desconhecida, mas ele sempre se absteve de ter intimidade com ela durante a gravidez. Provavelmente era esse o problema, e em qualquer outro momento ela poderia aceitar isso, mas não agora, quando eles acabaram de se reencontrar. Talvez ela possa convencê-lo -
"De quem?"
A pergunta é feita silenciosamente, mas seu impacto é como um golpe no peito. Ela fica tão atordoada que precisa repeti-la várias vezes em sua cabeça para garantir que ouviu corretamente; e quando percebe que sim, é quase como se tivesse sido esfaqueada.
O choque de sua pergunta oblitera todos os vestígios de seu ardor.
"Seu", responde fracamente, porque ele não pode pensar ... ele não poderia ...?
Ah não.
"Isso é impossível", diz Indra, com voz enganosamente calma. "Você foi embora."
"Eu ... eu descobri que estava grávida no dia em que fui levada", explica, sua voz ficando mais alta em súbito pânico. Ele deu um passo para trás, sua expressão deformada. "Eu tinha a intenção de te dizer quando você retornasse, mas..."
"Você fala sério", ele desafia, sem realmente fazer a pergunta.
"Claro!" Ela chora, desesperada. "Dewadasi não lhe contou? Ela foi a última pessoa que vi naquele dia, com certeza você teria perguntado à ela?"
Por uma fração de segundo, ele parece contemplar a veracidade de suas palavras, hesitante, como se realmente quisesse acreditar nela. Havia algo - algo na escuridão estava sussurrando. É astuto e oleoso, e faz sua pele arrepiar, mas ela não consegue entender as palavras.
Seus olhos endurecem novamente.
"A floresta onde você desapareceu foi destruída", diz rigidamente, mas algo como a incerteza se esconde em seus olhos. "Havia corpos por toda parte. Muito enegrecido para identificar. Ficou claro que você havia sido atacada e se defendido ".
Ela sabia que tinha causado algum dano, mas não tinha percebido...
"Você pensou que eu estava morta", percebe então, horror e dor tomando seus sentidos. "Oh, Indra ..."
"Se você não estava morta, então onde estava?", pergunta friamente. "Nossos filhos têm lamentado pela falta da mãe todos esses meses. Espero que haja uma boa razão para isso."
Indra, com muito cuidado, não menciona sua própria reação à sua aparente morte.
Ela abre a boca para responder, mas as palavras falham.
Seja cuidadosa. Uma só palavra errada aqui pode ter consequências desastrosas, Sakura alerta.
"Foi... foi um mal-entendido gravíssimo", Shachi começa, mas as palavras soam fracas até mesmo aos seus ouvidos.
"Um mal-entendido", ele repete, como se nunca tivesse ouvido a palavra.
"Ele nunca... não era sua intenção de que isso acontecesse, foi apenas alguém que entendeu mal a sua vontade e..."
"Onde. Onde. Você..."
Shachi exala em derrota. "Eu fui levada para a casa de seu pai e irmão."
As narinas de Indra inflam. "Ashura."
"Eu te juro que ele não sabia sobre isso até que eu cheguei lá, e ele repreendeu os responsáveis", diz rapidamente. "Ele queria me levar de volta para você o mais rápido possível, mas logo em seguida eu fiquei doente, e então veio o inverno e..."
"Você o defende tão ardentemente", Indra zomba. "Eu deveria saber - o chakra do homem que estava com você. Era familiar, senti que já tinha encontrado-o antes, acho". Seus punhos se fecham. Mais para si do que para ela, ele murmura: "Meu irmão não estava satisfeito com meu direito de primogenitura? É mais uma coisa que ele pretendia tirar de mim?"
"Eu - eu não sou uma coisa!", chorou, apesar de seu medo crescente. "Por que iria me querer? Ele tem sua própria esposa!"
"Uma esposa que é estéril, se os rumores são verdadeiros", respondeu friamente. "Enquanto você provou ser o oposto."
Ele realmente acabou de dizer isso? Ele se ouviu dizer isso? É completamente insano!
Um soco machucaria-a menos. Com uma frase, ele reduziu seu relacionamento, todo momento íntimo que tiveram, a nada além de um fardo necessário.
Dor e descrença se agitam dentro dela, mas, surpreendentemente, a raiva é o que se eleva acima de ambos.
"Não", sussurra, o som sai áspero e machucado de seus pulmões. "Não finja. Não comigo. Por todo esse tempo, eu permiti que fingisse indiferença porque você claramente precisava, mas não... não reduza o que meu coração sente a nada além do dever de uma égua de criação."
"Não me importa o que sente . Eu te avisei no dia que você veio comigo que o seu propósito era me dar filhos", ele nega. "E você serviu bem esse propósito. Embora talvez o seu mundo de faz-de-conta de amor fosse tão convincente que os espiões de Ashura pensaram que o seu valor para mim era maior. Eu imagino que ele pretendesse te usar como moeda de troca, até que percebeu que você não tinha valor."
"Lorde Ashura nunca faria isso", insiste antes que pudesse se impedir, muito irritada por suas palavras cortantes para pensar em qualquer outra coisa a dizer.
"Lorde Asura, é?"
"Ele é seu irmão, In - meu senhor marido! Só queria dizer - a esposa dele estava doente", tenta mais uma vez. "Seu útero estava bloqueado, mas uma vez eu a ajudei..."
"Você curou a esposa do meu inimigo?", questiona, baixo e perigoso.
"Era a coisa certa a se fazer!", protestou. Embora seu instinto inato fosse ficar de pé e implorar por perdão, seu tempo como curandeira a tornou instintivamente protetora de seus pacientes – mesmo os de curto prazo e por mais ausente que estivessem.
E além de tudo, Kanna era sua amiga.
"E deitar-se com Ashura era a coisa certa a se fazer também?"
Seus olhos se arregalam e até mesmo Sakura se sente tomada pela descrença.
"Por que eu faria isso?", lamenta. "Alguma vez eu já fui infiel a você?"
Os olhos escuros percorrem uma vez mais seu estômago, como se isso fosse resposta suficiente, e eles brevemente brilharam em vermelho.
Sakura suspeitava que ele iria matá-la.
Shachi faz a mesma conexão cerca de meio segundo depois. Esse entendimento vem com uma clareza estranha e sem emoção, um senso de desprendimento do inevitável. Já havia enfrentado a morte pelas mãos deste homem antes, mas desta vez sabia que não haveria nenhuma forma dele deixá-la escapar. Seus olhos frios diziam isso em bom som.
Estranhamente, não sentia medo por si mesma; sua única preocupação era seu filho, dormindo calmamente sob seu coração.
Uma criança que deveria ser um farol para o futuro, mas que nunca terá a chance. Ela pensa nas palavras de seu sogro, imagina se ele não estava falando apenas sobre suas esperanças em vez de ver o futuro.
E então fica claro o quê exatamente teria que fazer.
Não apenas você, Sakura pensa em desespero raivoso. Ela se força a se concentrar, tentando infiltrar sua própria força através de qualquer véu de tempo e sonhos que tentava impedir ela e Shachi de interagirem. Nós vamos proteger essa criança com tudo o que temos!
Ela já fez isso antes, ajudou Shachi a se recuperar enquanto estava doente, já havia feito uma infusão de chakra para Indra sobreviver. Shachi tem a natureza do fogo, uma das naturezas mais fortes de chakra, e pelo grau de destruição de que é capaz, ela provavelmente poderia sobreviver. Talvez até criasse uma barreira protetora em volta de si mesma. Sakura tem capacidades regenerativas, e se conseguisse canaliza-las de alguma forma para ela, talvez pudessem -
O quê? Salvar a nós mesmas? Mesmo que eu possa transferir milagrosamente meu chakra para você, não é uma solução permanente se ele quiser nos matar.
"Não ..." Shachi sussurra. "Você não pode realmente acreditar nisso… por favor, Indra - se qualquer parte de você já sentiu até mesmo um pingo de afeição em relação a mim, não deixe que isso seja estragado por essa suspeita. Desde o momento em que nos conhecemos, vivi apenas para você. E ao longo dos anos, nossos filhos ... Eu nunca deixaria nada pôr isso em risco."
Sua mandíbula serrada lhe diz que ele analisa esse pensamento, e pode ver algo como dúvida - relutância. Indra não quer matá-la, mas cada pedaço que o definia demandava essa ação dele.
Nós temos que dar a ele uma razão - algo para fazê-lo parar novamente, como ele fez quando mencionamos que descobrimos sobre o bebê antes de sermos sequestradas!
Se há mais alguma coisa no mundo que Indra não negaria, é seus filhos.
"Pelo menos, aguarde sua vingança até o nascimento do nosso filho", sussurra Shachi, embalando sua barriga. Não entende porque tem tanta certeza de que o filho que está carregando é um minuto, mas é uma sensação tão certa quanto a de saber o próprio nome. "Ele será seu maior legado - o mais poderoso de nossos filhos, aquele que herdará sua força e sua determinação. Ele atiçará as chamas de sua vontade e gerará um poderoso clã - uma linha ininterrupta que ganhará mais poder a cada geração. "
De alguma forma, vê tudo isso claramente em sua mente, como se estivesse acontecendo diante dos seus olhos. Se pergunta se o velho passou a sua previsão para ela durante sua despedida.
Os olhos de Indra brilham e ela sabe que, apesar de toda a sua raiva, ele está ouvindo-a. Ele está considerando isso -
O sussurro está de volta agora, mais alto, mas ainda ininteligível; soa quase bajulador, como se estivesse tentando trazer a raiva de Indra de volta.
Zetsu, Sakura percebe vagamente. Claro - ele não gostaria de perder esta oportunidade.
Ele quer corromper a linhagem de Indra. E mesmo que Shachi estivesse mentindo, e essa criança fosse de Ashura, ter acesso a ela significaria que Zetsu poderia mais facilmente criar um Rinnegan e descobrir uma maneira de trazer Kaguya de volta.
Sakura sabe como esse plano se desenvolveu maravilhosamente bem; seria repugnantemente irônico se é isso que salva Shachi no final.
"Você usaria a criança para ganhar tempo?" Indra pergunta, desprezo entrelaçando suas palavras.
"Não me importo comigo", responde Shachi. "Só quero que ele viva. Mesmo se eu morrer hoje, tudo que eu te disse se tornará realidade. Exceto... ", lembra-se do aviso de Hagoromo. "Nosso filho e todos os seus descendentes poderão ver com os mesmos olhos que você possui e, ainda assim, serem cegado pela ambição. Eles amarão com a mesma intensidade que eu te amei, mas estarão condenados a perder esse amor em busca de poder. "
"Você quer me amaldiçoar agora?" Indra pergunta friamente. "Se sim, suas palavras não me preocupam. O amor é uma fraqueza que existe apenas naqueles condenados a expirar e serem esquecidos".
As lágrimas escorrem pelas bochechas dela agora.
"Eu amo essa criança", sussurra, "como te amo. Nenhuma dessas verdades será esquecida."
"Suas palavras são bonitas, mas elas não significam nada se a criança não for minha."
Shachi aperta os punhos com o insulto.
O Sábio estava certo. Não há esperança de que seu marido escape do seu ódio. Não nesta vida.
E desta vez, é Shachi que olha para o marido, furioso e magoado e ainda desesperadamente esperançoso.
"Se você chamasse raios dos céus ou me incendiasse com suas chamas mais fortes, juro pelo meu amor e fidelidade a você que eles não o tocariam", jura sobre a sensação de seu coração se partindo. "Apenas uma criança nascida de nossa união poderia sobreviver a uma coisa dessas."
Espere o que? O que você está fazendo! Você está praticamente entregando os pontos!
"Você acha que porque está grávida, eu vou me segurar?" Indra desafia.
"Claro que não", responde suavemente. "Só espero que faça você parar. Porque se você fizer isso, não poderá desfazê-lo. Você não é tão poderoso que possa ressuscitar os mortos, meu amor."
Percebe imediatamente que disse a coisa errada, uma vez que Indra não aceita bem as lembranças de sua falibilidade.
O rosto dele parece a sombra da própria morte, e ambas sabem que não há mais tempo.
Proteja o bebê - temos que proteger o bebê!
Shachi freneticamente envia cada grama de chakra que possui em direção ao útero, cercando a criança com uma almofada protetora de energia. Seu pânico irradia através do elo com Sakura, que se vê fazendo o mesmo - exatamente como fazia quando respirava o ar na boca de Indra na praia, ou quando o salvava do veneno. É um supremo esforço de vontade, mas esta criança deve viver.
Especialmente se estiver de algum modo ligado ao seu próprio bebê.
"Marido, espero que um dia seu coração possa ser curado", Shachi diz com tristeza. "Só então poderá nascer uma nova esperança para a sua linhagem... só então você não precisará mais de seus filhos para lutar e morrer por seu legado. E quando percebe que eu falei nada além da verdade para você e quão profundamente seu ódio o marcou - saiba que eu morri ainda te amando, apesar da ação que você tomará esta noite. Se levar o resto da sua vida, ou muitas vidas, vou esperar por ti. Se eu tivesse uma eternidade, passaria esperando que você voltasse da escuridão em que se prendeu."
"Você não tem uma eternidade", declara, levantando a mão para apontar para ela. Seus olhos giram até aparecer a sinistra estrela de seis pontas.
"Não diga a ele que minha morte veio pelas suas mãos", implora, tentando agitar um último lampejo de emoção dele. "Não diga isso a nenhum deles – ignore qualquer outra coisa que eu tenha dito, se quiser, mas escute isso, por favor. Diga-lhes que pensei neles nos meus últimos momentos."
Ele faz uma pausa com sua declaração, os músculos em seu rosto movendo-se como se ele estivesse tentando segurar alguma coisa em seu interior.
"Mulher irritante", fala, oferecendo o mais ínfimo e menos perceptível aceno de cabeça em aquiescência. Por um breve segundo, Sachi pensa que ele pode ceder.
Então seu Sharingan brilha.
"Amaterasu".
Chamas negras a engolem e ela grita em agonia.
夢
"Sakura! Sakura, acorde agora, droga! "
Alguém a está sacudindo, batendo levemente em suas bochechas, e quando ela abre os olhos, a primeira coisa que vê é uma íris vermelha brilhante. Gritando, empurra seu agressor para longe, a força disso fazendo com que ele caia de costas a vários metros de distância.
Isso não o impede, no entanto, porque ele aparece instantaneamente ao lado dela novamente, Sharingan e Rinnegan, ambos brilhando, determinados e em pânico.
"Sakura, sou eu", diz suavemente, a mão levantada como se estivesse confuso entre defender-se e estender a mão para ela. "Você está bem. Você está aqui comigo e está acordada..."
Mas a kunoichi não está escutando.
Em vez disso, está soluçando, lutando para se livrar dos cobertores, agarrando seu abdômen e tentando ver se há algo que não deveria estar lá. Sangue ou líquido amniótico, algo para explicar a dor aguda em seu útero que a acordou.
Mas não há nada nos lençóis e a dor é fantasma.
"Sakura..."
"Você..." engasga, a respiração desconcertante quando volta para si mesma. A realidade começa a coalescer.
Sasuke, não Indra; Sakura, não Shachi.
"E-ele a matou!", soluça, mal percebendo a expressão atordoada de Sasuke. "Ele… ela estava tentando convencer… ela não… ela nunca… e ela estava grávida ! E ele… as chamas! Chamas negras!"
E ela está arfando e convulsionando com dor e tristeza - emoções que não são só dela, mesmo que sinta que está muito sozinha em sua cabeça agora. Desta vez, quando Sasuke para ao seu lado, trazendo seus braços ao redor de suas costas e puxando-a para perto, ela não o empurra para longe. Ela se inclina, pressionando o rosto no peito dele para abafar os soluços.
Sakura não sabe quanto tempo eles ficam assim, mas o aperto de Sasuke nunca vacila. Quando o medo e a descrença finalmente a deixam, ela tenta falar de novo.
"Sachi tentou salvá-lo, mas não conseguiu", sussurra.
"Era tarde demais para ele."
Ela se afasta, lançando um olhar de surpresa e protesto para Sasuke, mas sua expressão permanece inflexível.
"Sim, Sakura, era. Ele era um homem crescido quando a conheceu, e já tinha se perdido em seu ódio, muito antes de ser uma maldição de verdade."
"Mas... mas você foi salvo..."
"Eu sou mais jovem do que ele", Sasuke diz em um tom mais suave. "Eu tinha você. E tinha Naruto e até Kakashi. Vocês estavam todos tentando me salvar. Indra nunca teve alguém assim até que fosse tarde demais."
"Ele ainda se importava com ela!", Sakura diz, desesperada. "Se ele se importasse com ela, por que a matou? O desgraçado sabia que ela nunca seria infiel, ele tinha que saber, mas mesmo ass..." Parou no meio de sua revolta, os detalhes do seu sonho vindo à sua mente novamente. "Zetsu. Ele estava lá. Eu acho que ele estava tentando pará-lo, mas -!"
"Diga-me o que aconteceu."
Ela ainda está tremendo, o choque deixando-a inquieta e nervosa, e ao contrário, Sasuke está completamente quieto. Ela pega a mão dele, precisando de algo para apertar enquanto contava os detalhes finais. E é como se estivesse revivendo novamente enquanto detalhava o reencontro de Shachi com o marido, o primeiro beijo que ela sentia até a própria medula óssea, e depois sua raiva irracional. O calor do fogo negro.
No final, encontra-se chorando de novo, enrolada no colo de Sasuke, com a cabeça enfiada sob a garganta dele.
"Por que ele faria isso?", não consegue impedir sua mente de repetir, mais e mais. "Depois de tudo ... não faz sentido."
"Eu acho que foi um raro momento em que mesmo as manipulações cuidadosamente controladas de Zetsu não poderiam impedi-lo."
"Eu não entendo ..."
"Foi demais para ele aguentar", Sasuke diz em voz baixa. "Ele ficou sobrecarregado." Sakura faz um ruído estrangulado e interrogativo em sua garganta. "Você mesma disse - quando a viu, foi como se algo dentro dele tivesse estalado. Ele estava contente por ela estar ali, mais aliviado do que jamais esperaria. E perdeu o controle total de si mesmo, provavelmente pela primeira vez em sua vida."
"Sasuke?", moveu-se para dar uma olhada melhor no rosto do marido e vê que o mesmo está encarando as chamas, as sobrancelhas franzidas em pensamentos.
"Era provavelmente o estado mais vulnerável em que ele já tinha se encontrado", continua. "E então, no auge dessa vulnerabilidade - no momento em que ele finalmente se permitiu ceder, pensar na felicidade e confiar em alguém – descobriu que ela estava grávida."
"Mas ele nem parou para pensar..."
"Até o homem comum teria alguma dúvida depois de sete meses de ausência", diz Sasuke. "Indra era paranoico. E também não foi uma simples ausência, mas a esposa passou o tempo na companhia da pessoa que ele mais odiava no mundo."
"Sua mente foi para o cenário mais escuro possível", Sakura percebe fracamente.
"E isso teria aumentado rapidamente, amplificando todas as outras emoções negativas ou inseguranças que ele tinha. Talvez ela não tenha sido sequestrada - talvez tenha fugido. Talvez ela o tenha traído, e nesse caso ele sentiu que não deveria estar recebendo-a, mas punindo-a."
"Então, não importa quantas vezes ela dissesse a verdade, ele nunca iria ouvir", conclui Sakura tristemente.
"Mas ele ouviu", ressalta Sasuke. "Se não tivesse ouvido, a teria matado instantaneamente. Mesmo assim, ele estava lutando contra suas próprias dúvidas, e isso deu a ela a chance que precisava."
"Para amaldiçoá-lo", Sakura lembra com um estremecimento.
"Para tentar salvá-lo", corrigiu. "Se o que você disse sobre suas últimas palavras é alguma indicação, elas não foram feitas para amaldiçoá-lo - elas eram suas esperanças de que ele seria curado de seu ódio. E não apenas ele, mas seu filho e todos esses descendentes. E até onde eu sei, isso aconteceu."
Sakura se afasta de Sasuke, ajoelhando-se sob sua própria força agora e franzindo a testa para ele. "Você acha que o bebê sobreviveu."
"Eu sei que sobreviveu."
Seu coração bate esperançosamente, mas sua mente prática a faz sacudir a cabeça.
"É improvável. Ela tinha apenas sete ou oito meses. Bebês prematuros não têm uma boa taxa de sobrevivência nem mesmo hoje em dia, que dirá naquela época, sem os cuidados médicos certos, e o fato de que - " Ela estremece, as imagens fazendo seu estômago revirar, "- Indra teria que cortá-lo do corpo morto de Shachi -"
"A criança sobreviveu", insiste Sasuke. "Ela - e talvez você – tenham se certificado disso. Não foi tocado pelas chamas que mataram sua mãe. Uma mãe que, com o último suspiro, jurou que seu filho teria um propósito e um destino."
" 'Atice as chamas'* ", lembra Sakura. "O Sábio também disse isso. Que haveria mais destruição antes que as coisas melhorassem. Que haveria mágoa se ela não fosse - oh! Ele sabia que ela ia morrer!"
"E ele sabia que sem ela no cenário, a criança iria continuar a ser patriarca de uma linhagem que se tornaria mais e mais poderosa, e cada vez mais amaldiçoada", Sasuke confirma. "O clã Uchiha."
"É por isso que a criança não foi incluída no mural do clã Kaguya. Ele era diferente dos outros ", Sakura entende agora. De repente, ela não tem dúvida de que a criança, o bebê que Shachi se sacrificou para salvar, teria herdado mais de sua mãe do que os outros. O talento inerente ao jutsu de fogo, a devoção cega à família-
Ela suspira.
"Não foi culpa de Indra", murmura, olhando para Sasuke em choque. "Eu pensei que era - quando o conheci, quando vi como ele agia ao redor dela e depois das crianças, eu achava que é de onde vinha. Esse amor inabalável que pode fazer você... que pode fazer de você um monstro. Mas você estava certo - ele não era capaz disso, não de verdade. Mas Shachi - veio dela, não foi?"
"Na época da Guerra Ninja, Tobirama Senju me disse que os Uchihas sentem mais profundamente e mais apaixonadamente do que qualquer outra linhagem", concorda Sasuke. "E esse amor se estilhaça muito mais completamente do que nos outros, transformando-se em ódio, como se um interruptor tivesse sido virado."
"O amor de Shachi - o ódio de Indra."
Os dois ficam quietos por muito tempo, tentando absorver o que descobriram tão repentinamente.
"Mas isso acabou agora, não é?" Sakura finalmente diz. "A maldição de Indra rompeu com você. Quando você e Naruto tiveram sua grande e épica luta de rancores. Esse não é o tipo de coisa que pode apenas... começar de novo, certo? Isso não é algo que nosso filho terá que se preocupar?"
"Eu honestamente não tenho ideia", Sasuke diz. "Mas acho que não. Eu acredito que é como uma lâmina - uma vez quebrada, tem que ser totalmente forjada novamente para ser útil novamente." Ele franze a testa. "A única coisa que não entendo é por que você teve esses sonhos para começar. Se ela estava tentando avisá-la ou informá-la sobre a maldição de Indra e dos Uchihas... é um pouco tarde. A maldição foi quebrada."
"A não ser que…" Sakura começa pensativa, uma ideia se formando lentamente, o que faz com que pedaços de informação se conectem em sua mente. "A menos que seja mais do que um."
"Mais do que um o quê?"
"A maldição de Indra foi quebrada", reflete Sakura. "Mas a de Shachi não não."
"Não entendi."
"Ela estava esperando por você - ele", diz lentamente. "Como se eu estivesse esperando por você, para que pudesse lhe dizer que te perdoo."
Sasuke fica em silêncio por um momento, e então encontra seu olhar com uma intensidade que estava ausente momentos atrás. "E você perdoa?"
Sakura sorri suavemente. "Você já sabe que sim. Eu te disse isso há muito tempo."
"Não pelo que eu fiz", Sasuke diz baixinho, e a maneira como está olhando para ela agora tira o sorriso de seus lábios. "Pelo que ele fez."
"Eu…"
"Pelas as coisas que não fez", Sasuke continua, um músculo em sua mandíbula tremendo. "Por não ser o homem que ela merecia que ele fosse. Por nunca dizer "obrigado" por tudo o que ela lhe deu e por não deixá-la salvá-lo. Por matá-la."
E ela se pergunta então se é um truque da luz do fogo em seu rosto, se não vê a sombra de Indra ali, aguardando sua resposta.
"Seu homem estúpido", diz com carinho suave, e as palavras que caem de seus lábios parecem ter um timbre duplo. "Eu te perdoei no minuto em que meu espírito deixou meu corpo. Você só precisava estar pronto para aceitá-lo."
O beijo que se segue é surpreendente em sua intensidade, incendiando seus nervos e sinapses como se ela também tivesse sido incendiada. No começo, é desesperador, uma pressão insistente de lábios e enfiar de dedos no cabelo - e ela não sabe ao certo quem o iniciou. Não é exatamente forte, mas ainda dirigido por mais do que apenas a necessidade dela e de Sasuke. O mundo ao redor fica em silêncio - não há brisa suave ou farfalhar de folhas, nenhum calor das brasas que estão morrendo, nenhum arranhão de seus cobertores - e a existência se estreita para a respiração compartilhada e para sincronizar os batimentos cardíacos. Algo dentro dela quebra com alívio, como se um pedaço dela que estava há muito quebrado finalmente tenha se encaixado novamente.
Eles só se separam quando não conseguem respirar, e Sakura descansa a testa contra a de Sasuke.
"Sakura ...?"
Sua voz é áspera, tensa por falta de oxigênio e perplexidade.
"Eu sou eu", sussurra. "Ela se foi agora." E não sabe como sabe disso, mas a sensação é positiva. Escova os lábios contra os dele mais uma vez e depois recua. "E ela estava certa. Mesmo depois de tudo tudo, depois de resolver seus problemas com Naruto, de tentar encontrar a redenção, mesmo nesta viagem - você não estava pronto para perdoar a si mesmo. Não até agora." Ela puxa a mão dele, moldando os dedos frouxos até se deitarem em sua barriga. "Não até que essa criança se torne real. E é por isso que tenho tido esses sonhos. Porque você não acredita que foi perdoado - qualquer um de vocês . E você precisava que eu lhe dissesse que sim, você foi."
Seu marido parece não ter certeza do que dizer sobre isso, mas Sakura não permite que ele questione isso. Ela nunca teve tanta certeza de algo.
"Você mesmo disse que nosso filho é esperança", recorda-o. "Lembra? E você estava certo. Este é o fim do ciclo, uma promessa de que não vamos repetir esses erros. O futuro dos Uchihas vai ser muito diferente - e você sabe como eu sei disso?"
A expressão de Sasuke é expectante, mas há uma suavidade em seus olhos em vez de apreensão. "Como?"
"Porque pela primeira vez em séculos, estou bastante certa de que a linha principal dos Uchihas vai ter uma filha", Sakura o informa com certeza presunçosa.
A expressão atordoada em seu rosto rivaliza perfeitamente com a expressão que ele tinha quando contou-lhe que estava grávida.
終 わ り
*Originalmente: Fan the flames - Atice as Chamas. Fan quer dizer leque, o simbolo do clã Uchiha. Como vocês sabem, é o vento que alimenta e torna o fogo ainda mais destrutível. Eu tentei, mas não achei uma forma melhor de fazer a adaptação dessa tradução, me desculpem.
Eeee chegamos ao capítulo final depois de tanto tempo! O próximo é só um epílogo bem curtinho mesmo, mas vale a pena ler.
Alguém aqui conhece o mito de Konohana Sakuya-Hime e Ninigi no Mikoto? Eles dois são figuras importantes da mitologia japonesa, considerada a história de amor mais importante da mitologia deles. Konohana é a deusa terrena das Sakuras e Ninigi é o neto de Amaterasu, enviado ao Japão para derrotar o caos com sua espada kuzanagi. Mas ao chegar no Japão, Ninigi viu Konohana e se apaixonou por ela. Após cumprir seu objetivo, Ninigi se casa com sua amada Konohana, mas nem tudo são flores. Assim como ocorre com Sachi e Indra, uma gravidez inesperada faz Ninigi duvidar de Konohana e ela tem o mesmo fim que Sachi, morre carbonizada depois de jurar sua fidelidade, mas a vida em seu ventre sobrevive. Konohana teve três filhos; e de um desses filhos, descende Jimmu, o primeiro imperador do Japão (ele seria bisneto de Konohana e Ninigi). A guarda imperial, fundada por um dos filhos de Konohana, tinha como simbolo a flor de Sakura.
Ao longo do mangá e até em artes oficiais que ele fez para outras revistas, Kishimoto fez referências do casal mitológico no casal SasuSaku - colocou elementos da Konohana na nossa Sakura, além de elementos do Ninigi no Sasuke e no clã Uchiha (como a espada Kuzanagi e o nome da mãe do Sasuke, Mikoto, além próprio poder do amaterasu).
A KuriQuinn foi genial ao fazer mais esse paralelo na fanfic, e isso é uma das coisas que a tornaram a minha fanfic IndraSaku favorita, apesar do final da Sachi e do Indra.
Espero que vocês tenham amado tanto quanto eu! Eu vou começar a traduzir o epílogo AGORA e vou postar amanhã. Ele é pequenininho, então só preciso traduzir e revisar.
Beijos e até mais!
