Capítulo 25 - Capítulo 25
SEMANAS DEPOIS
- Não há como escapar disso. – Minerva reclamou.
- Eu sei, é insuportável. - Severus faz uma careta sombria. - É apenas o jeito deles mostrarem que precisam desesperadamente de notas...
- Bem ... – Lupin começou. – Acho bastante divertido. Faz uns quinze dias que não sei o que é apagar um quadro. – Disse e sorriu maliciosamente para eles. – Eu poderia conviver com isso. Pena que final de semestre é apenas duas vezes no ano.
- Felizmente. – Snape sussurrou cansado.
- Por que não estamos no seu restaurante, Severus? Não gosto desse lugar! - McGonagall exclamou, olhando desconfiada para os lados.
- Não iria me opor. - Afirmou Lupin alegremente, acenando para o garçom pedindo outra bebida. – O ambiente lá é bem mais agradável.
- Para quê? - Ecoou, virando-se e olhando para eles. – Vocês me assistiriam trabalhar. Meu restaurante não é uma opção.
- Nada é perfeito, Severus. - Disse o outro homem, servindo-se com uma poção generosa de petiscos. - Isso é delicioso. Mas você sabe, as do seu restaurante são mais crocantes.
Uma parte da noite foi gasto discutindo sobre a possibilidade ou não de dar um décimo para um aluno que estava pendurando.
(...)
Draco e Hermione estavam sentados na biblioteca, com um único objetivo: terminar a última atividade avaliativa do semestre.
Hermione sabia que não estava tão focada como deveria, porém, ela simplesmente não conseguia força suficiente para fazer um pouco mais. Naquele momento, ela estava emocionalmente exausta.
- Dá para acreditar que é final de semestre? – Draco resmungou. – Preciso de férias! Preciso desesperadamente de férias. Se eu tiver que ouvir mais alguma reclamação de McGonagall não respondo por mim.
- Não vejo a hora de entregar a última prova. – Ela sussurrou desanimada. – Os dias nunca demoraram tanto para passar. Essas paredes nunca me sufocaram tanto.
Draco deu um sorriso para ela. – Nunca pensei que ouviria isso de você, Granger.
Hermione levantou uma sobrancelha para ele e resmungou. – Terminei o resumo. Conseguiu colocar as referências nas normas?
- Por que não conseguiria? Você me dar pouco crédito. – O rapaz revelou, finalmente encontrando os olhos dela. – Agora precisamos desenvolver melhor o capítulo dois para que possamos ter mais uma página. O mínimo é quinze laudas e só temos quatorze.
- Então, vamos lá... – Sussurrou não tão animada. Assim que pegou no computador, seu celular apitou notificando a chegada de uma mensagem. Checando o conteúdo da mensagem ela desejou não ter perdido tempo lendo. – Droga...
- O que foi? - Draco perguntou, batendo levemente o livro na mesa que eles compartilhavam.
- O que poderia ser? Victor, claro. Ele não me deixa em paz.
- Então ele recebeu a intimação. – Concluiu.
- Sim, - Hermione suspirou, respirando fundo. – Fui uma idiota por tê-lo suportado por tanto tempo. Como consequência tenho que aguentar esse tipo de mensagem. – Falou irritada.
- O quê? Claro que não. Hermione, você não é obrigada a conviver com esse tipo de coisa. Tem que fazer um boletim de ocorrência para anexar essas mensagens. – Disse incrédulo com que acabara de ouvir.
- Sim, você tem razão. – Disse parecendo a pessoa mais patética do mundo. – Está vendo? Estou tão cansada que não estou nem raciocinando. – Lamentou. - Estou cansada de receber aquelas mensagens. Mas não adianta bloquear o número, ele sempre arruma outro.
Draco levantou-se e olhou para ela novamente. - Ele está furioso porque não costuma ser confrontado, e se você não pará-lo agora, ele encontrará maneiras muito mais dolorosas de te ferir do que palavras. Vamos a delegacia agora? Posso te acompanhar.
- Não, Draco, preciso fazer isso sozinha, - Avisou. – Porém, muito obrigada pela força. Amanhã farei isso! Agora vamos terminar isso logo, ok?
(...)
Minerva observou com bastante horror quando uma jovem puxou um rapaz desconhecido pelas mãos e o beijou. A mulher olhava para tudo boquiaberta, parecia que a luxúria adolescente zumbia nas veias dos dois.
- Pelo amor de Deus, o que é isso? Eles podem fazer isso aqui? – Questionou ela.
- Obviamente. – Snape cuspiu e Lupin gargalhou.
- Não vi nada de errado. - Remus falou suavemente. – As mulheres desse século quando querem um beijo vão atrás dele.
Minerva ficou chocada com tamanha ousadia. – Que coisa ridícula! Não se faz isso em público. – Sussurrou baixinho. – É uma total falta de pudor. E se tiver crianças por aqui?
Remus gargalhou: - Se tivesse crianças a essa hora por aqui isso sim será um problema.
- Realmente, Minerva... – Snape começou. – Existem coisas piores do que isso.
- Como o quê? – Ela rosnou. – Não existe coisa mais horrenda, Severus.
- Existe, sim. E aquelas crianças que podem ser expulsas do orfanato a qualquer momento? Ridículo é notar que as pessoas se preocupam mais com coisas banais do que com que realmente é digno de atenção. – Bufou e Minerva se calou entendendo estar horrorizada atoa.
(...)
- Posso te perguntar uma coisa, Hermione? - Draco disse em um sussurro, tão perto do rosto dela. – Você está conhecendo alguém? Parece muito distante ultimamente. Nem parece a mesma. Sei que não é só porque aquele babaca está te perturbando com mensagens.
- Oh, bem.. Não! - Hermione engasgou surpresa pela pergunta. – Não estou interessada em me envolver. Não no momento, na verdade, estou tentando esquecer uma pessoa e estou falhando miseravelmente. - Disse concentrando-se novamente.
- Não me diga que... – Quase engasgou.
- O quê? Oh, não... Não estou falando de Victor.
- Então há outra pessoa e está tentando superá-lo? - Draco disse, trazendo o tópico em questão novamente.
Bastante inquieta, Hermione deu um pulo para longe dele, parecendo pensativa. Por um momento, pareceu magoada, mas não disse nada.
- Quer saber? Não diga nada! – Draco respondeu por ela. – Mas sobre o que você me disse mais cedo, pode esquecer! Hoje é sexta-feira. Você vai sair comigo e não aceito um não como resposta! - Cuspiu decidido e recebeu um resmungo como resposta.
- Sair? São quase dez horas, Draco.
– E que horas você sai? As melhores festas começam as onze. Que mundo você vive, Granger? Nem me responda! – Exclamou presunçosamente. - Pronto! Terminamos. Vamos?
- Como assim vamos? Olha como eu estou! Não estou pronta para isso. Você salvou o arquivo no pen drive e enviou para o e-mail?
- Sim, fiz tudo isso. Mas não fuja do assunto. Granger. Você está ótima. Vamos. – Exigiu. – Não é um convite, acredite em mim.
(...)
No Pub, Snape avistou quando Lily Potter chegou para se juntar a eles. Ela esperou do lado de fora por alguns instantes, mas percebendo que ele não iria até lá, resolveu entrar no estabelecimento.
- Hora, hora, - Minerva murmurou. – Sua presença é uma surpresa! James não chegaria hoje de viagem?
- Pois é... era o que eu achava. – A mulher de cabelos ruivos respondeu. – Mas o avião teve que fazer um pouso de emergência por causa do mau tempo. Então, ele estará em casa amanhã.
- Bem, já que é assim.. vamos lá. – Lupin sussurrou colocando um copo de chope na frente da mulher. – A noite é uma criança, Senhora. – Falou gentilmente e ela sorriu em troca.
- Está na minha hora. – O homem de cabelos negros informou.
- O que há de errado, Severus? - Lily sussurrou para ele. - Com medo de alguma coisa? - Ela riu e agarrou a mão dele por de baixo da mesa. – Minha presença é insuportável ao ponto de querer ir embora? – Questionou e alheia a toda a situação Minerva gargalhou levemente.
Snape a encarou por alguns segundos e acabou puxando sua mão de volta.
- Na verdade, sim. Há algo errado. - Revelou. – Se não for embora agora, a babá ficará com o meu salário do mês. – Ele disse e se afastou.
- Bem lembrado. - Lupin sorriu para ele.
- O quê? – Lily fez beicinho. – Não sabia que você precisava de uma babá.
- Não seja boba. - Ele respondeu. – A babá é do meu filho. Luke está passando uma temporada comigo.
- O quê? Mas e a mãe dele? – Lily questionou e olhou para ele esperando por uma explicação. – Vocês voltaram? – Perguntou alarmada.
- A mãe dele precisou viajar a trabalho. – Respondeu calmamente.
- Meu Deus, Letta não mudou nada. – Lily grunhiu, porém, parecia aliviada. - Como ela pode ser tão egoísta?
- Como assim egoísta? – McGonagall questionou bastante ofendida. – Uma mulher não pode contar com o pai de seu filho quando ela mais precisa?
Por alguns instantes, Severus quase sorriu. Ele havia se esquecido de como Minerva era fã de Letta.
(...)
Depois de vinte minutos, Hermione e Draco estavam em frente ao Fabric, uma casa noturna que tinha a fama de ser uma das melhores de Londres. Ela nunca havia chegado nem perto do local, mas segundo Draco Malfoy a Fabric era uma das melhores baladas da capital inglesa e que sempre recebia os maiores DJs de Londres.
Quando eles entraram no lugar, Hermione se sentiu um pouco ofendida quando o segurança se recusou a olhar sua identidade antes de deixá-la entrar. O segurança fez uma careta para ela como se estivesse chamando-a de velha.
Tentando deixar aquilo fora de sua mente, se concentrou no estreito corredor escuro que tinham que percorrer. De onde estavam, já podia sentir o zumbido da música aumentar. Quando enfim atravessaram uma grande porta, subitamente foram inundados de sons.
Fazia séculos que ela não se dava ao luxo de sair para um lugar assim. Por uma fração de segundos, Hermione se permitiu sorrir.
O ambiente era agradável. A pista de dança estava lotada, era tudo tão irreal que uma espessa fumaça se instalara sobre os dançarinos parecia seguir o ritmo da música.
Hermione fechou os olhos e respirou fundo, sentindo a música. Pela primeira vez em muito tempo, sentiu-se viva. Ao abrir os olhos, ela descobriu que Draco parecia irritado e desconfortável.
- O que foi? - Hermione disse olhando nos olhos dele, o som estava alto, mas ele pareceu entender.
- Não podemos ficar aqui, Granger. - Ele disse olhando para ela com tristeza. Hermione levantou uma sobrancelha e estava prestes a questioná-lo, mas ele resolveu continuar: - Estava aquela mulher parada do balcão? É a minha ex!
- O quê? Aquela? Oh... – Sussurrou surpresa. – Eu a conheço. – Gritou.
Hermione não sabia o que dizer, porém, se perguntou o quão pequeno o mundo era. A mulher que Draco ser referira como ex-namorada, era justamente a mulher que quase se casou com Harry.
Draco não podia acreditar que com tantos lugares em Londres, eles estavam de baixo do mesmo teto. Por mais estranho que pudesse parecer, seus olhos pareciam treinados a encontrá-la mesmo que no meio da multidão. Mas uma vez, se viu atraído por aquela mulher. A mulher dos longos cabelos loiros e de olhos verdes profundos que tanto conhecia.
Quando os olhos dela se encontraram com os dele, o ar pareceu faltar.
- Vamos? Acho que minha noite acaba por aqui. - Draco confessou.
- Bem, Draco, se você quer agir feito um fracote e fugir para casa, tudo bem. Mas se quiser ficar, poderíamos nos divertir. – Gritou puxando-o para a pista de dança tentando convencê-lo. – Mostre para ela como você está ótimo, Malfoy. Você não me arrastou até aqui para sairmos assim.
- Granger... – A repreendeu com um sorriso fraco.
- Não te escuto daqui, você está muito longe, moço! - Disse colocando os braços em seus ombros.
Draco jogou a cabeça para trás e riu, ele não sabia onde aquela noite iria terminar, mas estava curioso para saber.
(...)
Quando Emmy sua ex havia ido embora, Draco finalmente decidiu que estava na hora de ir embora também. Ele não sabia como ou por quê, mas finalmente sentiu que estava livre dela, pois já não sentia mais nada em relação a mulher.
Seu único problema naquele momento era Hermione Granger.
Fazia meia hora que Draco estava tentando arrastar Hermione para casa, mas ela parecia convencida a ficar um pouco mais.
Então, primeiro teve que mentir a hora. Depois, teve que implorar para que o barman parasse de vender bebidas para ela. Foi quando enfim conseguiu levá-la para fora.
- Hermione, eu vou lhe dizer uma coisa, por favor, pense sobre isso, ok? - Draco disse olhando para ela. – Nunca... Nunca mais beba assim! Você não foi feita para o álcool. – Gargalhou.
- Não estou bêbada. - Disse, se arrastando. – Me respeita. – Sussurrou antes de tropeçar nos próprios pés.
- Ah, eu vejo. – Zombou com uma sobrancelha levantada. – Venha, tem um taxi parado bem ali na frente. Vou te deixar em casa!
(...)
Duas horas após deixar Hermione em casa, Draco havia chegado em casa. O rapaz sabia que não deveria ter bebido tanto, mas ele não conseguiu ignorar as várias mensagens de seus amigos dizendo o quão importante era a sua presença no pub.
Porém, ele só havia entendido seu erro quando chegou em casa, mas não conseguia abrir a porta. Várias tentativas depois, suas chaves pareceram entender que ele não iria conseguir e decidiram cooperar.
Tonto, ele tropeçou no sofá onde teria desmaiado se não fosse o medo de ser pego por Snape.
Severus estava parado no pé da escada olhando abismado para o estado de Draco. O rapaz havia derrubado as cadeiras da sala fazendo um enorme estrando. Ele tinha quase certeza que havia vômito no seu carpete.
Snape sacudiu levemente a cabeça enquanto se aproximava.
- Senhor? – Luke murmurou atrás do pai enquanto esfregava os olhos.
- Shh, volte a dormir. – Severus sussurrou enquanto passava a mão pelas costas do garoto.
- Ele está bem? – Sussurrou curioso.
- Não, definitivamente não. Mas ficará. Então, volte para a cama que amanhã nós conversamos.
- Draco está encrencado? – Perguntou enquanto subia as escadas novamente.
- Não tenha dúvidas. Destruir a minha sala foi uma péssima ideia, a última vez que alguém fez isso, arrumou um problema bem sério. Tenho certeza de que posso pensar em uma boa punição. - Severus afirmou enquanto levava o menino de volta ao seu quarto e levantando os cobertores, indicando para Luke que era hora de voltar a dormir.
Voltando para a sala, Snape começou a pensar se era uma boa ideia acordar o rapaz que agora estava jogado no chão com um dos pés jogados no sofá. O homem sabia que acordar Draco e gritar com ele era uma perda de tempo. Afinal, o mesmo não se lembraria de nada.
Então ele decidira que de manhã o rapaz receberia a punição adequada. Ninguém faria aquela bagunça em sua casa e sairia em puni.
