Capítulo 26 - Capítulo 26
- É por isso que pessoas normais compram remédio para ressaca. – Zabini gargalhou. – Já são sete da noite e você ainda está péssimo.
- Concordo, - Draco assentiu, colocando mais um pouco de açúcar no seu café. - Mas tomar duas xícaras de café preto por hora também é útil. Escute, sobre o que eu disse ontem à noite... queria que ficasse entre nós.
- Você me disse alguma coisa? – Blásio Zabini respondeu calmamente e Draco agradeceu: - Quer saber o que eu acho? Se estar dividido entre Weasley e Granger é melhor focar em Granger.
- Não estou dividido entre elas duas. – Rosnou em sua defesa. – Disse apenas que a Weasley me deixou confuso por algum tempo e que vinha pensando bastante em Granger ultimamente.
Blásio balançou a cabeça: - Weasley voltou para o namoradinho. Então, não é uma opção. – Murmurou sombriamente: - Além disso, você está iludido. Aquela ruiva não faz o seu tipo, ela não é mulher para você. Aproveite que Granger tá solteira.
Malfoy respirou fundo: - Como pode ter tanta certeza sobre Weasley? Se eu soubesse melhor diria que gosta dela. Por um bom tempo você me fez achar que ela era a pessoa mais fútil da face da terra. – Grunhiu irritado. - Mas isso não vem ao caso, como você disse, ela já tem alguém. E sobre Hermione, não sei se a vejo desse modo ou se estou confundindo as coisas.
Seu amigo levantou uma sobrancelha: - É Hermione agora? – Perguntou maliciosamente e Draco resmungou revirando os olhos. - Você está esperando ela voltar para o babaca que ela está tentando esquecer?
Draco o encarou, mas permaneceu em silêncio.
- Sabe, Sr, Malfoy. – Ele murmurou, - só saberá o que sente por Hermione se você arriscar. E digo mais, se não tentar agora, será tarde demais! Se ela te colocar no rol de amigos, pode esquecer meu caro. – Tentou persuadir o amigo tentando fazê-lo esquecer de Ginny Weasley.
Draco bufou em sua bebida: – Tenho que pensar sobre isso. Podemos mudar de assunto, por favor?
- Ok. – Concordou. - Já se acertou com Snape?
- Você tá brincando? Quase fui expulso! – Malfoy murmurou mal-humorado.
Flashback on
Outro bufo veio quando Draco tentou pegar a garrafa de café, mas foi impedido.
- Pelo amor de Deus. – O rapaz implorou com raiva, batendo a xicara na mesa. – Preciso disso. - Ele gemeu exasperado. – Não me mate assim.
- Você precisa disso? Me diga, Draco. O que havíamos falado sobre dar um bom exemplo para o Luke?
- Juro, Severus. Sou um ótimo exemplo para o garoto, ele me ama.
- Chegando bêbado em casa e agindo como um idiota? É assim que você é um bom exemplo? – Rosnou.
Draco abaixou a cabeça e fechou os olhos: - Não se preocupe, minhas cotas de burradas acabaram. Nunca mais colocarei uma gata de álcool na boca. - Revelou e se moveu para alcançar a garrafa de café que foi tirada imediatamente de seu alcance.
- Eu sei que você precisa disso. – Snape declarou.
- Oh? – Sussurrou surpreso.
Em resposta, ele se esticou para pegar a garrafa, mas Snape agarrou a garrafa novamente, abriu o recipiente e jogou na pia.
- Honestamente, Snape, o que você pensa que está fazendo? – Draco retrucou, não querendo aceitar a ação. – Isso não é justo! Você ficou louco? – Gritou sem pensar e logo se arrependeu.
- Louco eu fiquei quando limpei a bagunça que o senhor fez na minha casa na noite passada. Estou sendo muito paciente com você, rapaz. Da próxima vez que chegar em casa daquela forma pegará o primeiro voo de volta para os Estados Unidos. Eu não estou brincando. – Snape disse, mordaz, acomodando-se em uma cadeira e tomando o seu café.
Um silencio constrangedor caiu sobre eles.
Flashback off
Zabini suspirou: - Você bebeu demais na noite passada.
- Não me diga. – Grunhiu incrédulo.
(...)
As cadeiras estavam dispostas de modo que havia formado um círculo e quando as crianças foram chegando lentamente foram ocupadas, exceto as duas que estavam aguardando por Hermione e Ginny.
Hermione sabia que embora sua noite não tivesse sido a que ela havia planejado, ela devia uma visita ao abrigo. Então, após ter feito vários pratos de biscoitos para as crianças, ela e Gin haviam decidido que era hora de ir.
Quando todos estavam acomodados, a conversa simplesmente fluiu.
- Sabemos que logo teremos que deixar esse lugar, - Gin lamentou. - mas agora que temos mais tempo, seremos capazes de achar um local tão bom quanto esse.
- Certamente um lugar bem acolhedor. – Hermione concluiu. – Acho que vocês merecem um lugar perfeito.
- Eu ... eu acho que não existe um lugar mais perfeito do que este... por favor, não minta pra gente. – Uma menina implorou, entre soluços.
Hermione estava tentando acalmá-los, mas não sabia o que dizer diante daquilo. Como ela poderia não se emocionar diante de tantos olhos apreensivos? Como poderia dizer que estava tudo bem quando nem mesmo sabia o que seria deles? Só de pensar naquilo sentia vontade de chorar. Ginny pegou em sua mão e ela tentou lhe oferecer um pequeno sorriso. A mulher de cabelos castanhos sabia que sua amiga queria que ela fosse forte na frente das crianças. Então, ela tentaria.
- Eu não sei o que devo dizer para fazer você se sentir melhor, Luana. – Hermione Granger lamentou. – Não sei o que dizer para todos vocês. Porém, quero que confiem em tudo que foi dito. Todos estão lutando por vocês.
- Sim, - Gin concordou contente. – estamos juntos nisso.
- Aqueles homens são uns idiotas desagradáveis. – Sussurrou um garoto no fundo da sala. – Eles estragaram tudo.
Ginny e Hermione riram concordando.
- Você disse tudo, Enrico. – A mulher de cabelos castanhos concordou. - Ele é um idiota. Um idiota que não sabe como vocês são incríveis. Mas, por mais que eu não queira dizer isso, temos que esquecer esse senhor e pensar no futuro. Ah, antes que eu me esqueça...- Ela começou, mas foi interrompida por uma batida na porta.
Quando Snape entrou na sala que elas estavam, Hermione, que havia se distraído com as crianças, olhou para ele com os olhos arregalados: - Severus. - Ela sussurrou, inconscientemente, mas ninguém pareceu notar.
- Senhor! – Gin sussurrou alegre e Hermione teve certeza que seu embaraço passou despercebido. – Que bom que veio, já não sei o que fazer para animar essas crianças.
- Na verdade, Srta. Weasley, o que tenho para compartilhar é muito bom.
Lily entrou na sala, ficou ao lado do homem, apoiando a mão em seu ombro.
- Bem-vindo de volta, Severus.
- Obrigado, Sra. Potter. É bom que você esteja aqui. O que tenho para dizer é do interesse de todos.
- Severus, por favor, sente-se. – Lily educadamente pediu.
- Não será necessário. - Severus silenciosamente entregou cópias dos documentos para os adultos presentes e esperou que elas acabassem de ler.
Alguns segundos depois, Ginny olhou para ele com olhos arregalados sem acreditar no que acabara de ler. – Eu.. eu não entendo. – Sussurrou perdendo o ar.
Os lábios dela se contraíram; seu coração estava batendo com tanta força que ela quase jurou que ele sairia para fora. E então, ela riu, riu até chorar, lágrimas rolaram por suas bochechas e lhe faltou o ar.
- Isso... Isso é tão inesperado. – Ginn sussurrou ainda instável.
Snape respondeu rapidamente: - Oh não! – Murmurou e lhe ofereceu um lenço. - Tem coisas que não devemos entender, Srta. Weasley. Temos apenas que aceitar. - Severus pigarreou e todas as cabeças giraram para encará-lo.
- Isso é sério? – Lily perguntou, não sabendo esconder sua felicidade.
- Isso é mais do que todos nós poderíamos imaginar. - Hermione disse suavemente.
Severus Snape observou em choque enquanto a srta. Weasley em lágrimas se jogou em direção a ele. Severus sabia que em outra situação ele a teria afastado, porém, parecia que ela precisava daquele momento.
E de repente Lily Potter a puxou lentamente e ele sentiu o frio dos olhos da outra mulher fazer gelar a sua pele. Ele havia esquecido de como ela poderia ser possessiva mesmo quando a situação era totalmente inocente.
- Eu sinto muito. – Gin murmurou ainda muito emocionada. – Não sei no que estava pensando.
- Nenhum dano. – Snape sussurrou. – Você tem o direito de se emocionar, se eles irão permanecer também é graças a você, Ginevra Molly Weasley. Seus pais ficariam orgulhosos de você. – Disse e ela sorriu ainda muito emocionada.
Em solidariedade, Hermione a abraçou: - O Sr. Snape tem razão, querida. Você conseguiu, Gin.
Ginny sabia que havia sido uma jornada difícil, mas obter aquele resultado lançou sobre um sentimento que ela nunca pensou sentir. Era impossível não se emocionar.
- Crianças, - Lily Potter começou: - graças ao Sr. Snape, não teremos que sair. O abrigo não irá para lugar nenhum.
Enquanto as crianças corriam para fora pulando e gritando de alegria os quatro permaneceram na sala. Era visível que para as três mulheres a ficha ainda não havia caído.
- Como o Senhor conseguiu? - Ginny perguntou, intrigada.
- A conversa foi desagradável, talvez! Mas eficaz. As crianças ficarão e a universidade terá que prestar assistência jurídica gratuita para eles. São criaturas altamente repugnantes, mas a causa é nobre.
Um pequeno traço de sorriso apareceu nos lábios de Hermione. Apesar de toda a sua raiva e ressentimento, ela não podia negar, Snape era ótimo quando o assunto era brigar com tubarões.
Os olhos de Lily se estreitaram e ele cruzou os braços.
- Obrigada, Severus. – Lily sussurrou.
Snape assentiu decisivamente. - Bem, isso já foi resolvido. Tenho que ir.
- Espere, Senhor. – Gin chamou e se arrastou para o seu lado. – O Senhor poderia levar Hermione para casa? Ela tem algumas coisas para resolver.
- O quê? Gin... Não... – Engasgou sua amiga. – Não precisa. Não queremos atrapalhar o professor Snape.
- De qualquer forma, é caminho. – Respondeu ele.
- Obrigada, Senhor. – Disse a srta. Weasley feliz.
(...)
Severus Snape observou Hermione andar na sua frente com bastante determinação. Durante todo o percurso para fora do abrigo, ela permaneceu em silencio. Seu olhar era uma mistura de pavor e confusão.
Hermione parou na frente do seu carro e ele soube imediatamente que ela estava prestes a explodir.
- Por que você disse que me levaria? Você sabe que não vai funcionar? – Questionou, mas ele não respondeu. - Estou falando com você, Snape. - Hermione gritou, sentindo um nível quase irracional de raiva
- É apenas uma carona, Granger. – Grunhiu sem paciência.
- Desculpe, o que você disse?
Ele revirou os olhos.
- Eu deveria saber que você não estava me ouvindo. Você não é muito boa nisso, não é mesmo? – Ele sussurrou. – É apenas uma carona, Granger. Não existe nenhum significado nisso. Ah, se é que isso importa para você, minha prova é daqui há três dias e não sou eu que irei aplicar. Agora me diga, o que você está pensando da vida? Mal vai as aulas!
Ela olhou para ele chocada.
- Desculpe-me, mas da última vez que verifiquei, não devia explicações da minha vida a ninguém. – Ela o lembrou. - Portanto, não vejo motivo algum para responder a essa pergunta!
Ele riu amargamente.
- Não sou eu quem corre o risco de reprovar. – Snape respondeu. – Mas esqueça o que eu disse, achei que estava falando com um igual, mas você tem razão, não deve explicação a ninguém. Mande lembranças a srta. Granger centrada, porque com essa é impossível ter qualquer tipo de conversa. Está se comportando feito uma criança.
Lágrimas começaram a se formar nos olhos dela e ela olhou para o outro lado. Suas palavras a machucaram tanto que Hermione teve vontade de voar para cima dele: - Me comportando feito uma criança? Ah, claro. Porque você é um ótimo exemplo quando se fala em agir como um adulto. Sim, porque...
- Eu já me desculpei, Granger.
- Não me interrompa, Snape. Eu ainda não terminei de falar. – Ela estalou, sacudindo a cabeça. – O que você estava pensando? Você ia manter o seu filho escondido para sempre? Sim porque você deliberadamente o escondeu de mim por quase uma semana. Eu me pego pensando o que mais você poderia esconder.
- Você acha mesmo que não iria te contar? – Ele rosnou. – Pelo amor de Deus, Hermione. - Ele bufou com dignidade. – Que espécie de homem você pensa que eu sou?
- Não sei e não quero saber, Snape. Aquela noite foi um erro! - Hermione disse decidida.
- Um erro? – A questionou surpreso.
– Realmente não sei no que eu estava pensando. – Ela deu a ele um último olhar e saiu correndo.
- Adeus, Granger. - Ele disse antes de abrir a porta do carro e sair.
(...)
Uma hora após chegar em casa, Snape sentou-se em sua cadeira e olhou para tela do computador. Ele sabia que deveria terminar de elaborar a prova, mas não conseguia parar de pensar em Hermione Granger.
Ele pensou que com o passar dos dias ela pudesse reavaliar toda aquela situação e quem sabe pudesse perdoá-lo. Porém, a mulher parecia ainda mais magoada.
Snape não sabia dizer o motivo, mas ele não conseguia tirá-la da cabeça. Havia sentimentos que ele não conseguia descrever.
- Sr. Snape? Está na minha hora, mas Luke acaba de se lembrar que possui dever de casa para amanhã. Como já passou das nove pensei que o senhor poderia ajudá-lo.
Snape empurrou o computador para o lado e olhou para ela
- Diga-me que ... – Ele piscou para ela. – Você é uma completa idiota?! Deixei bem claro que o dever de casa deveria ser feito assim que ele chegasse.
- Desculpe, Senhor. Mas ele acabou dormindo quando chegou. Ele disse algo de não ter dormido na noite passada e o senhor Malfoy confirmou.
- Se está com tanta pressa por que ainda está aqui? – Rosnou sem paciência.
A mulher engoliu em seco e assentiu, encarando seus pés. – Sinto muito, adeus. – Disse num sussurro.
Minutos depois de assistir a mulher correr de seu escritório, Snape foi ao encontro do filho. Ele bateu na porta e esperou a permissão dele para entrar, como não houve resposta decidiu entrar. O menino estava sentando na mesa com cara de poucos amigos.
- Você não é necessário aqui! – Luke informou assim que o viu. – Não foi culpa da Kate. Não precisava daquela sua explosão.
Era bom saber que o menino podia ouvir tudo que se passava em seu escritório, ele teria mais cuidado.
- Eu precisava sim! – Snape respondeu. - Ela está ganhando para mantê-lo dentro de uma rotina. Sua mãe deixou bem claro como as coisas deveriam ser, não queremos confrontá-la, queremos?
- Não, Senhor. Mas minha mãe sempre disse que temos que ter educação independente de qualquer coisa. – Revelou um pouco bravo. – Você deve desculpas a ela.
- E sua mãe tem toda a razão, Luke. – Respondeu em um suspiro. – Talvez eu tenha descontado toda a minha frustração na sua babá. Amanhã irei pedir desculpas a ela. – Disse com toda a sinceridade. Snape sabia que sua raiva não era pela indisciplina da babá, então, sabia que deveria se desculpar. – E peço desculpas a você também, minha explosão foi totalmente desnecessária e sem motivos. Muito bem, o que precisamos fazer?
- O senhor não precisa se não quiser. – Sussurrou chateado.
- Eu quero ... - ele fez uma pausa, tentando pegar o livro na frente do menino. – Porém, realmente preciso que da próxima vez você faça assim que chegar da escola como sua mãe ordenou.
Luke ofegou e balançou a cabeça.
- Eu sei... mas não sou bom em matemática... – Falou envergonhado. - Mamãe é muito boa, sempre podia me ajudar.
- Para sua sorte sua mãe me ensinou muito bem matemática.
- O quê? – Perguntou de repente.
O Menino olhava para ele completamente confuso. Luke nunca havia parado para pensar que um dia seus pais poderiam ter convivido em harmonia.
- Sua mãe nunca te contou?
- Não. – Luke franziu a testa e fez beicinho.
- Ela era uma ótima professora de reforço. – Severus sorriu levemente pela lembrança.
- Não sabia. - Olhos levemente vermelhos se voltaram para olhá-lo.
- Pronto para começar? - Snape perguntou, olhou nos olhos escuros dele e gentilmente acariciou sua bochecha.
Luke o estudou lentamente por um momento, ponderando qual seria sua resposta. Mas ele não conseguia dizer não. Então, com um grande suspiro, ele concordou.
- Obrigado, Senhor. – Sussurrou menino antes de se voltar para o livro, Severus queria questioná-lo sobre não chamá-lo de pai, mas decidiu contra aquilo. Achou melhor aproveitar aquele pequeno instante de paz.
