Capítulo 8: A conversa e o beijo

Hermione procurou por Alden nos corredores do St. Mungus e nos quartos de seus pacientes. Sem ter sucesso, perguntou então para Lyra, que estava na recepção.

— Lyra, você viu o Dr. Alden?

— O vi há alguns minutos, estava indo em direção a sala dele. — Respondeu a enfermeira.

— Obrigada.

Hermione agradeceu a informação e foi até a sala de Alden. Bateu na porta e aguardou a liberação para entrar. Assim que ouviu a voz de seu colega, adentro o recinto.

— Queria falar comigo, Dr. Alden? — Perguntou a castanha.

— Sim. Eu queria me desculpar pela maneira como te tratei antes, foi muito grosseiro da minha parte. Você só quer ajudar Snape e eu perdi a cabeça. — Alden falava calmamente.

Ouvindo as palavras do homem, Hermione estranhou um pouco a atitude dele, ele não era alguém que costumava pedir desculpas. Como disse Zabini, Alden era um excelente medibruxo, mas não era a melhor pessoa. Mas ela não queria seguir com aquela situação, apenas o aceitou seu pedido de desculpas.

— Dr. Alden, eu vou desculpar você. Mas eu não aceitarei ser tratada daquela maneira novamente. Já deixei bem claro que somos apenas colegas de trabalho, nada mais. E isso não vai mudar. — Hermione suspirou ao terminar de falar.

— Entendo, — disse Alden não parecendo muito feliz ao ouvir a última frase da bruxa à sua frente, mas tentou disfarçar e seguiu com o diálogo — realmente peço desculpas. Me exaltei naquele momento. Isso não irá se repetir.

Hermione assentiu com a cabeça.

— Eu vim até aqui por outro motivo também, — disse a castanha — falei com Percy, ele me deu uma licença muito maior do que eu esperava receber e não tive como recusar, na verdade, Percy nem me deu chance de recusar. Como a licença é bem longa, ele pediu que eu avisasse a minha equipe e aqueles que trabalham diretamente comigo.

— De quanto tempo é sua licença? — indagou Alden.

— Sessenta dias, com início em dois dias.

— Como ficarão suas pesquisas nesse período de licença? Quem irá cuidar de seus pacientes? — Alden falou, mal acreditando nas palavras de Hermione. Sessenta dias era um tempo muito longo.

— Zabini e Malfoy vão continuar as pesquisas. Zabini conhece as pesquisas tão bem quanto eu, já que atualmente ele está participando de todas. Malfoy também sabe bastante e poderá auxiliar o trabalho de Zabini. E meus pacientes ficarão aos cuidados de Zabini também, ele é um medibruxo excelente. — falou a castanha.

— Entendo, — disse o homem não achando argumentos para tentar fazê-la repensar seu afastamento — espero que aproveite bem o tempo de sua licença.

— Obrigada, — disse Hermione — tenho muitas coisas para fazer, vou aproveitar para organizar muitas coisas em minha vida.

— E sobre Snape, vai ajudá-lo a se organizar para sair do hospital? Como vai fazer isso? — Alden estava curioso sobre esse assunto.

— Já mandei uma coruja para Harry e pedi ajuda em alguns assuntos que são relacionados ao Ministério. Se Harry conseguir o que solicitei, metade de meu trabalho já estará feito. — Explicou Hermione.

— Então ajudar Snape será algo rápido.

— Provavelmente, acho que em dois dias já organizo toda a situação de moradia e conseguirei um acompanhante para ele. — Disse Hermione animadamente.

— Ótimo então, ainda nos veremos amanhã? — Quis saber o homem.

— Sim, certamente.

Hermione logo deixou a sala de Alden, a conversa que teve com ele foi um pouco estranha. Mas não iria se focar nisso agora, ela tinha outros assuntos mais importantes para resolver, como a situação de Snape.

Hermione dirigiu-se de volta à sua sala de pesquisa, Draco e Zabini ainda estavam sentados no mesmo lugar onde os deixara há alguns minutos.

— Já decidiram como vão trabalhar? — Perguntou Hermione surpreendendo os dois.

— Que droga, Granger. Quer nos matar de susto? — Reclamou Zabini.

A castanha riu.

— Estavam fazendo alguma coisa que não deveriam? Por isso o susto? — Ela continuou rindo.

Os dois rapazes apenas fizeram caretas, mas não responderam.

— Bom, eu já vou. E pode deixar, Hermione, já organizamos os horários para os próximos sessenta dias. — Disse Draco.

— Não organizamos, não. Você apenas reclamou e disse que não iria chegar aqui as 8 horas da manhã, pois era muito cedo. — Falou Zabini.

— Olha, Malfoy. Você tem sorte de ser um excelente mestre de poções, ou já não estaria mais nesse emprego — disse Hermione, após suspirar.

— Nossa, Granger. Não sei se é um elogio ou está me repreendendo. — Disse o loiro.

— Entenda como quiser, — disse Hermione, mas seu semblante era divertido, não estava zangada.

— Zabini, depois a gente acerta esses horários. Agora tenho que ir, tenho um lote grande de poções para entregar até o final da semana. — Falou Draco.

— Antes de ir, preciso de um favor seu, Draco. — Pediu Hermione. — Quero que fique com Snape, pelo menos algumas horas por dia, por apenas dois dias. Preciso organizar a saída dele do hospital, mas tenho receio de deixá-lo sem a supervisão de alguém que eu confie.

— É claro, ficarei com ele na parte da tarde. Eu entendo sua preocupação. — Falou o loiro.

— Se quiser, Hermione, posso dar uma olhada nele pela manhã — disse Zabini. — O que acha?

— Obrigada, Draco. E obrigada, Zabini. Fico muito grata de poder contar com vocês.

— Entendemos sua preocupação, — falou Draco — estamos aqui para ajudar.

Ele deu uma piscadela para a castanha e se retirou da sala. Ficaram apenas Hermione e Zabini.

— Snape vai ficar bem, não se preocupe tanto. Você já revisou todos os exames. Vai dar tudo certo.

Hermione suspirou, as palavras de Zabini eram gentis. E ele tinha razão, ela precisava se acalmar um pouco, tudo iria dar certo.

Hermione terminou seu trabalho, então passou para ver Snape. Quando chegou ao quarto, ele já estava adormecido, ela aproximou-se vagarosamente. O semblante dele era tão calmo.

Hermione passou a mão pelos cabelos de Snape, ele dormia profundamente. Sabia que o que desejava fazer era errado, mas não resistiu. Aproximou seus lábios dos de Snape e o beijou levemente.

— Não sabe o quanto estou feliz por saber que está bem, eu volto amanhã para ver você.

Após dizer isso retirou-se do quarto, iria para casa tomar um banho e descansar um pouco, para na manhã seguinte estar novamente no hospital.

Mas, Snape não estava dormindo como Hermione supôs, ele estava acordado e sentiu seus lábios sendo tocados pelos dela e ouviu todas as palavras ditas próximas de seu ouvido.

Se houvesse claridade no quarto, Hermione teria percebido o rubor no rosto do homem. Snape agradeceu mentalmente pelo quarto estar imerso na penumbra.

Severus estava confuso. Não entendia completamente a atitude daquela mulher com ele, para ele era complicado entende-la. Que sentimento ela nutria por ele, Snape gostaria muito de saber com exatidão.