Booooa noite, gente! Como vocês estão? Espero que ansiosos por esse capítulo :D
Temos Snape sendo Snape e James sendo James... tomara que concordem comigo sobre essa avaliação haha
Curtam, comentem, compartilhem, etc, etc, e se quiserem falar comigo, meu twitter é psc_07_
Aproveitem e até Março!
-Você tá bem alegre pra quem estava de plantão de enfermaria ontem – Marlene comentou quando chegavam no St. Mungo's, a garrafa térmica cheia de café cuidadosamente embalada com um carinho que Lily desconfiava ser exclusivo para alguns copos específicos.
-Foi um PE interessante – Lily respondeu, um pequeno sorriso no rosto. Quando ela chegara em casa no dia anterior Marlene estava ajudando Mary com um trabalho da faculdade, então Lily tomou um banho, pegou um sanduíche e se juntou às amigas.
-Interessante em que sentido?
-No sentido de que aconteceram coisas interessantes, ué – Lily respondeu, subindo as escadas com Marlene. A amiga morena revirou os olhos.
-Não me fale, veja se eu me importo – Marlene disse. Lily riu e enlaçou um braço no de Marlene. Ela realmente estava de bom humor.
Entraram na sala de prescrição e ligaram os computadores, se preparando para iniciar o dia. Como um de seus pacientes tivera alta na manhã anterior, ela ficaria com Mark – mesmo que isso significasse aturar Dr. Snape. Ela checou que todos os dados vitais estavam normais e que não ocorrera nenhuma intercorrência com nenhum de seus pacientes e foi vê-los.
Mark estava acordado, e sua mãe Amanda estava mais calma. O garoto deixou Lily examiná-lo sem reclamar, e ela até ficou um tempinho a mais brincando com ele. O outro paciente estava igualmente tranquilo, referindo apenas melhora da dor.
Enquanto ela evoluía, não se deu conta que a sala estava enchendo. Os outros internos chegaram e foram ver seus pacientes, e alguns residentes já haviam deixado seus pertences na sala.
Lily vagou o computador e sentou numa cadeira no canto da sala, pegando o celular para pesquisar sobre a técnica da esplenectomia – ouvira dizer que o cirurgião pediátrico, Dr. Flitwick, gostava de perguntar essa minúcias.
Mas havia uma mensagem de Mary que a distraiu completamente do seu objetivo inicial.
Mary 3 7:03
Lily
Eu preciso de sua ajuda!
Lily 7:39
Aconteceu alguma coisa?
Claro que eu ajudo, Mary!
Por que não está falando no nosso grupo?
Mary 3 7:40
Obrigada, Lily!
Lene não iria entender
É o seguinte
Suponha que uma pessoa esteja em coma
Ela poderia acordar porque foi beijada por uma pessoa?
Lily 7:40
…
Mary, por favor me diz que você NÃO vai invadir o hospital e tentar acordar alguma Branca de Neve ou Bela Adormecida
Mary 3 7:40
QUÊ?
Claro que não, Lily!
De onde você tirou essa ideia?
Lily 7:41
Relê as suas mensagens, MacDonald
Mary 3 7:41
Tá, pode ser dúbio
Mas pode?
Lily 7:41
Mary?
Qual a sua?
Mary 3 7:42
Ok, então
Estou escrevendo fanfic de Grey's Anatomy
Mas percebi que preciso de um pouco de conhecimento médico
E eu não tenho nenhum
Mas tenho uma amiga maravilhosa que tem
Por favor me ajuda
Lily segurou uma risada para não chamar atenção das pessoas que estavam trabalhando na sala, mas deixou um grande sorriso tomar seu rosto. Mary estava certa – Marlene provavelmente não teria paciência para tirar as dúvidas de Mary para fazer uma fanfic de Grey's Anatomy.
Antes que ela pudesse pensar de fato na pergunta de Mary – inclusive porque ela precisaria fazer perguntas de volta para entender o contexto como um todo – a porta da sala de prescrição se abriu com força e todos olharam quem entrava com tanta raiva.
-Cadê a interna? – Dr. Snape vociferava. Lily sentiu um peso no estômago, e de alguma maneira sabia que ele procurava por ela – Cadê Evans?
Oh, merda.
-Aqui, Dr. Snape – Lily se apresentou, levantando da cadeira e guardando o celular. Ela controlou sua expressão e os papéis na mão estavam imóveis, mas as pernas balançavam levemente.
O residente se aproximou, a expressão de fúria com os olhos extremamente escuros dizendo claramente que nada de bom viria dali.
-Eu quero saber, garotinha – Dr. Snape vociferou – quem exatamente você pensa que é.
-Me desculpe, Dr. Snape, eu não sei do que o senhor está falando.
Naquele momento não havia nenhum outro residente na sala, mas todos os internos olhavam para Lily e Snape.
-Eu estou falando, sua obtusa, das besteiras que você falou para a mãe da criança com anemia falciforme!
Lily demorou poucos segundos para entender que Snape falava de Amanda e Mark, e ergueu as sobrancelhas em surpresa.
-Eu continuo sem compreender, Dr. Snape – Ela respondeu. O residente soltou uma respiração mais pesada pelo nariz e se aproximou de Lily.
-Ah, vai fingir que não se lembra de ter ido conversar com a mãe ontem à tarde? Ou tem outra Lily Evans aqui?
-Sim, eu fui conversar, mas–
-Então você admite, não é? Ter dado falsas esperanças à mãe de um moribundo?
-Falsas esperanças? Moribundo? – Ela devia ter entendido errado. Snape não podia estar falando do mesmo garoto que ela vira essa manhã.
Antes que ela pudesse questionar se era realmente de Mark que Snape estava falando, a porta se abriu e Potter entrou na sala, sorrindo, acompanhado de Lupin e Black. Snape nem se deu ao trabalho de revirar os olhos e se voltou para Lily.
-Exatamente isso, Evans. Você foi extremamente irresponsável! Não pode sair falando desse jeito com pacientes! Você pode até achar que é especial, mas saiba que não é. Você não é médica ainda, você é apenas uma droga de interna!
-Ei, o que está havendo? – Potter se aproximou de Snape, as rugas do sorriso agora dando lugar a uma testa franzida.
-Não se meta nisso, Potter – Snape cuspiu.
-Snape, eu sou R2–
-E eu sou R1 e tenho todo o direito de reclamar com a interna. Ou isso ou você enfia a hierarquia no seu rabo.
Toda a sala de prescrição fez silêncio, e feição confusa de Potter se tornou dura, meio raivosa. Snape apenas se virou novamente para Lily.
-Eu passei quase uma manhã para fazer aquela mãe entender perfeitamente a situação que o filho dela está, as imensas limitações que ele terá na vida futura, e você simplesmente diz que ele poderá ter uma vida normal?
-Eu não disse que ele poderia ter uma vida normal, Dr. Snape.
-Quase normal. Na situação dele, é a mesma coisa, garota. Ele terá severas limitações e nunca poderá ter uma vida perto de normal. Ele sempre será um peso na vida de sua família, sempre vai atrapalhar a dinâmica de seu trabalho. Não faça falsas promessas a pacientes, Evans, principalmente se forem meus pacientes. Você está definitivamente fora desse caso, e tenha certeza que será punida.
Lily engoliu em seco. Ela sentia todos os olhos nela.
Mas ela não iria chorar. Ela não iria demonstrar que estava abalada.
Porque ela sabia que era assim que as mulheres eram menosprezadas na cirurgia. Mulheres, que de maneira talvez saudável, não tinham passado toda a sua vida sobre a pressão de "homem não chora", e por isso não estavam, talvez, tão preparadas para engolir todas as emoções.
Lágrimas no centro cirúrgico eram vistas pelos mais antigos como sinal de fraqueza.
Ser mulher era visto como sinal de fraqueza.
Ela não daria a oportunidade a Snape de ser vista como fraca.
Então Lily limpou a garganta e encarou o residente nos olhos.
-Dr. Snape, tudo que falei para a senhora Amanda foi baseado na literatura disponibilizada pelo hospital. Mark é um garoto que apesar dos dois sequestros esplênicos, não tem muitas crises. Ele vai fazer a esplenectomia, vai iniciar a hidroxiureia e vai manter o tratamento adequado, e por isso pode não ter tantas idas à emergência. Aquele garoto não me parece moribundo, Dr. Snape.
"Aquela mãe me parecia desinformada sobre a doença em si, portanto expliquei a ela, de novo, com base na literatura. Hoje em dia a perspectiva de vida de pacientes com anemia falciforme bem controlada é muito superior àquela de anos atrás. Então sim, dei esperanças a uma mãe desacreditada, mas não fiz nenhuma promessa. Peço desculpas se passei alguma informação errada, e gostaria de saber uma fonte para estudar, pois não foi isso que encontrei quando pesquisei."
O rosto de Lily estava vermelho, mas agora era de raiva. Snape parecia, impossivelmente, mais raivoso que ela.
-Ora sua burrinha insolente…! – Ele vociferou, mas foi interrompido novamente.
-Snape! – Potter exclamou, se colocando à frente de Lily – Você pode reclamar e pode reprimir quando um interno faz algo de errado, mas você definitivamente não pode xingar um interno. Se componha!
-Potter, eu já lhe disse para não se meter.
-Eu vou me meter, Snape, porque eu faço parte de sua formação, assim como você faz parte da formação dela. Humilhar alguém de hierarquia inferior não é um comportamento adequado, não é educação.
Snape bufou.
-Isso é rico vindo de você, Potter. Como se você não tivesse me humilhado tantas e tantas vezes quando eu estava em desvantagem. Quatro contra um, se lembra? – Snape falou, um sorriso zombeteiro no rosto.
-A grande diferença, Snape, é que eu aprendi com meus erros e não faço mais isso. Você parece não se lembrar de quão ruim é, e está descontando em internos. Não somente isso, você está xingando uma interna por ter feito algo certo.
-Certo?! – Snape replicou incredulamente.
-Sim, Snape, certo! Para seu azar, eu conheço Mark e sei que ele está muito longe de ser moribundo. E o que ela disse está correto, de acordo com a literatura mais atualizada.
-Ah, Potter, você melhor que ninguém sabe o estorvo que alguém com anemia falciforme é.
O sorriso malicioso de Snape mostrou que ele sabia que aquela provocação era a pior possível. Lily viu rapidamente as mãos de Potter se fechando em socos, e o R2 avançar na direção do R1, sendo apenas interrompido pelas pálidas mãos de Lupin.
-Pontas, você sabe que não vale a pena, para com isso, se acalma – Lupin sussurrava. Como Lily estava próxima, ainda paralisada com os papeis na mão, ela conseguia ouvir as ordens de Lupin. Potter pareceu relaxar levemente por um momento, até Snape falar mais uma vez:
-Não faz mais isso, eh?
Dessa vez Lily agiu por instinto, e puxou Potter pelo jaleco para trás. Os olhos de Lupin se ergueram para Lily rapidamente, mas rapidamente voltaram a olhar para Potter.
A porta da sala se abriu mais uma vez.
-Alguém poderia me explicar – Moody falou num tom de voz mortal – que diabo está acontecendo na minha enfermaria?
-Evans, gostaria de começar?
Lily não tinha como estar mais nervosa. Depois de toda a confusão na enfermaria, Dr. Moody havia efetivamente separado Snape e Potter, e colocado os dois para trabalhar (mesmo que em cantos opostos).
Mas havia pedido para que os dois se reunissem com ele mais tarde, depois da enfermaria já estar terminada.
Ah, e Lily também.
Lily respirou fundo, e tentou ser o mais sucinta o possível.
-Ontem à tarde eu estava de PE com Dr. Longbottom. Recebemos notícia da pediatria que chegaria uma criança que ficaria na nossa enfermaria e que seria vista pela cirurgia pediátrica. Fomos avisados que a mãe tinha muitas dúvidas, e Dr. Longbottom me pediu para explicar as dúvidas. Então eu revisei a literatura para confirmar o que eu já sabia, e conversei com senhora Amanda, mãe de Mark. Hoje pela manhã, Dr. Snape me… repreendeu pelas informações que passei.
Potter bufou com o final da fala de Lily.
-Se ele tivesse repreendido… – Potter começou, mas um olhar de Moody o calou.
-Snape, sua vez.
-A interna passou informações equivocadas para a mãe do garoto. É irresponsável da parte dela se propor a executar uma tarefa para a qual não tem capacidade. Confrontei a interna a respeito disso, e Potter se meteu no meio, desrespeitando a hierarquia em que eu posso apontar os erros da interna.
-E você estava respeitando quando mandou eu enfiar a hierarquia no rabo? – Potter perguntou, claramente irritado.
Irritado era como ele estivera desde que se metera na confusão. Lily não estava acostumada a ver o residente assim. Ela se acostumara a associar James Potter a sorrisos e gentileza, e aquele humor meio macabro lhe confundia.
-Potter, não interrompa. – Moody repreendeu.
-Desculpe, senhor.
-Continue, Snape.
-Não tem muito mais. A não ser a parte que Potter precisou ser contido duas vezes para não me agredir fisicamente, claro.
Esse lado de Snape Lily já estava familiarizada. Na verdade, ela suspeitava que não havia muitos outros lados para Snape. Mal humorado e irritado eram basicamente as emoções que ele tinha (ou pelo menos as únicas que ele demonstrava).
Moody fechou os olhos e inspirou profundamente.
-Potter – Ele grunhiu – agora pode falar.
-Eu não sei o que aconteceu ontem, mas hoje quando cheguei Snape estava falando de maneira bastante exaltada com Evans, e perguntei se havia algo de errado. Ele me mandou enfiar a hierarquia no rabo, e continuou a falar no mesmo tom, chegando a chamar Evans de "burrinha insolente", que foi quando me meti de novo.
Potter parou para lançar um olhar de raiva para Snape, mas não deixou Moody retomar a palavra.
-Pelo que Evans falou, ela não estava falando nenhuma besteira. Tudo que disse tinha base científica, então ela aparentava estar certa. Snape e eu nos desentendemos por assuntos do passado e assuntos que envolvem outras pessoas.
-Potter? – Moody questionou.
-Ele afirmou que pessoas com anemia falciforme são um estorvo, Dr. Moody. Foi isso que Snape falou. E eu não vou escutar isso calado, de jeito nenhum.
Moody respirou profundamente mais uma vez, e olhou para os três individualmente. Depois sacudiu a cabeça.
-Evans, eu sei que você fez o que um residente lhe disse para fazer. Você tem certeza do que falou para a mãe do garoto? – Moody perguntou. Lily confirmou com a cabeça.
-Eu conferi minha literatura, Dr. Moody. Eu nunca falaria algo para Dona Amanda que eu não tivesse certeza de ter embasamento científico.
-Certo. De qualquer maneira, nós vamos passar lá para conversar com essa Dona Amanda, e confirmar as informações – Moody falou.
-Sim, senhor. Me desculpe.
-Só tenha certeza do que está orientando, certo?
-Claro, Dr. Moody – Ela confirmou.
Moody se virou para Potter.
-Eu não quero saber se ele chamou sua mãe de estorvo, ou o que quer ele tenha mandado você enfiar em que lugar, mas se você ameaçar agredir alguém no meu hospital, serei obrigado a lhe suspender – O chefe alertou.
-Sim, senhor.
Então Moody encarou Snape e o silêncio já gritante de algum modo pareceu ainda maior, como se estivessem entrado numa câmara de decibéis negativos.
-Da mesma maneira, Snape, não me importa o que o interno faça, você não pode chamar nenhum deles de burro, estamos entendidos?
-Mas–
-Não importa, Snape. Internos estão em fase de aprendizado, assim como você. É seu dever educá-los, e pelo relato que ouvi, não foi isso que você fez. Nunca mais, compreendeu?
-Dr. Moody–
-Snape! – Moody rosnou – Compreenda que você só não está levando advertência porque Evans decidiu não prestar queixa. Que isso sirva de aprendizado. Agora, vamos ver Mark.
Lily soltou a respiração que não sabia que estava segurando e deixou Snape e Potter passarem antes de começar a andar em direção à saída da sala de reunião.
-Ah, que bom que já está aqui – Moody falou, e então Lily percebeu que Lupin esperava do lado de fora da sala, encostado na parede – Vamos, então?
Lily não sabia se isso significava que ela já estava liberada; ela estava fora do caso, e gostaria de ir para casa almoçar.
E talvez comprar alguma bebida no caminho.
-Evans! O que está esperando? – Moody chamou, e Lily olhou para cima piscando rapidamente.
-Oh, eu, hum, eu não sabia que eu iria também, já que estou fora do caso – Ela explicou, se adiantando para acompanhar os demais.
Moody grunhiu para indicar que tinha ouvido, mas não falou mais nada.
A pequena procissão caminhava rapidamente para o leito de Mark, e Lily tentava não aparentar o nervosismo mais uma vez.
Não ali, não naquele momento.
Amanda estava contando uma história para Mark quando todos eles chegaram. O pequeno sorriso que iluminava o rosto do garoto desapareceu ao ver tantas pessoas de jaleco, e ele escondeu o rosto nos cabelos da mãe.
Espiou mais uma vez, e reconheceu Lily. Ela lhe ofereceu um aceno, e ele retribuiu ante de se esconder novamente.
-Dona Amanda, meu nome é Alastor Moody, sou o chefe da cirurgia.
-Aconteceu alguma coisa? – Amanda perguntou nervosamente.
-Por que acha que teria acontecido? – Moody questionou.
-Bom, pelo que Dr. Snape falou hoje e pela quantidade de gente…
Moody exibiu um raro sorriso.
-A quantidade de gente é pela oportunidade de aprendizado para eles. Não precisa ficar nervosa.
-Certo. O que há, então?
Nesse momento entrou mais uma pessoa na sala: uma senhora de mais idade que Lily nunca vira antes.
-Essa aqui é Dra. Pince. Ela é hematologista chefe do hospital, o que significa que ela é a pessoa que mais entende de anemia falciforme daqui. Devido ao desencontro de informações, achei melhor definir de uma vez por todas o que é certo ou não no caso de seu filho.
Dra. Pince sorriu brevemente, cumprimentou Lupin, e se adiantou, apertando a mão de Amanda.
-Dona Amanda, eu estudei o caso de seu filho, e gostaria de esclarecer alguns pontos. Mark é uma criança que…
Enquanto Dra. Pince ia explicando, Lily ia anotando com cuidado as informações extras. Era realmente excelente que houvesse algum especialista para esclarecer todo o caso.
Amanda ia fazendo perguntas, que eram esclarecidas com paciência e firmeza pela hematologista.
-A senhora entendeu tudo? – Dra. Pince confirmou após a explicação. Amanda sacudiu a cabeça em negação, com um sorriso no rosto.
-Sim, tudo mesmo. Obrigada pela atenção – Amanda respondeu, e se virou inesperadamente para Lily – Que bom que você estava certa, doutora.
Lily sentiu o rosto esquentar, e apenas sorriu de volta para a mãe de Mark, que a esse ponto brincava com seu bichinho de pelúcia. Moody limpou a garganta.
-Eu gostaria de apresentar Dr. Lupin – Moody disse, enquanto o residente citado se adiantava, seu famoso sorriso bondoso estampado no rosto – Ele será o residente responsável por Mark, e irá participar da cirurgia junto com Dr. Flitwick, tudo bem?
-Claro, prazer, Dr. Lupin – Amanda disse, apertando a mão de Lupin.
-Igualmente, senhora. Daqui a pouco conversamos mais um pouco, certo?
-Sim, sim. Mas Dra. Lily vai continuar com Mark, certo?
Moody olhou de relance para Lily, que encarava o chão desejando ser engolida enquanto sentia o rosto afoguear.
-Infelizmente teremos que colocar outro estudante no lugar de Evans, mas ela poderá visitar. Só não fará mais parte da equipe de cuidados, certo?
Quando terminaram de conversar, Snape foi o primeiro a sair a passos largos. O farfalhar de seu jaleco já indicava a sua raiva, e Lily torcia para que ele nunca mais quisesse que ela trabalhasse com algum de seus pacientes.
Se ele já a odiava antes, não conseguia nem imaginar como seria no futuro.
Dra. Pince logo se foi, seguida de Potter. O R2 não parecia estar muito mais relaxado do que na sala de reunião, mas Lily já conseguia perceber menos tensão em seus ombros – e algo nessa observação a fez se sentir melhor.
Potter havia se metido numa situação para defendê-la, e quase sai na pior com Moody. Ela se sentiria extremamente culpada se ele levasse a advertência mencionada.
Lily então abraçou Amanda e se despediu de Mark, deixando Remus conversar com os dois em paz. Moody acompanhou a garota.
-Sabe, Evans, nós médicos temos a péssima mania de nos esquecermos de quando nós éramos estudantes – Moody comentou, caminhando com a garota para a sala de prescrição para pegar a mochila dela – E queremos que os estudantes sejam como somos hoje em dia. E depois esquecemos de quando éramos residentes. Não estou dizendo que você estava errada, aparentemente não estava. Estou apenas lhe alertando que essa situação não será a última que irá vivenciar.
Ele olhou Lily nos olhos, como se testando o nível de compreensão da garota. Então suspirou.
-Eu entendi que você não quis dedurar o residente, Evans, e isso é interessante. Mas não quero que ache que alguém possa lhe desrespeitar, ok? Qualquer pessoa que seja, não deixe lhe chamar de… seja lá o que foi.
-Eu não ia deixar – Lily deixou escapulir, e logo em seguida fez uma careta que logo corava, enquanto Moody lhe olhava com uma sobrancelha erguida – meu plano era provar ao longo do internato que não sou… seja lá o que foi.
Lily percebeu os cantos da boca de Moody se erguerem levemente.
-É um plano interessante, Evans. Mas não se deixe ser desrespeitada, ou todo mundo vai achar que pode. Certo?
Lily assentiu e Moody se despediu, indo para a direção oposta.
-Lily! – A ruiva se virou e viu Alice indo ao seu encontro – Fiquei sabendo do que ocorreu! Você está bem?
-Como você ficou sabendo? – Lily perguntou, colocando a mochila nos ombros e caminhando para as escadas.
-Potter contou para Black, que contou para Frank, que me contou. Então nada pegou para você, certo?
-Bem, estou fora do caso, mas fora isso nenhuma consequência.
-Lily, você não fez nada de errado. Frank queria ir nessa reunião para assegurar Moody, mas não deixaram. Suas informações estavam certas. – Alice olhou ao redor antes de abaixar o tom – Snape, além de ser um crápula, tem muito ressentimento com anemia falciforme, por causa de… bem… de qualquer jeito, ele tem, então releva e qualquer coisa me chama, ok?
Lily sorriu, verdadeiramente grata por Alice, e ponderando como algumas pessoas podiam ser tão adoráveis.
Ela conhecera a residente no dia anterior, e Alice já viera procurá-la, os pijamas dessa vez de Tom e Jerry, para incentivá-la e tranquilizá-la.
Enquanto entrava no carro passou a relembrar de todas as coisas boas lhe ocorreram durante o curso, e o exercício foi saudável: quando passou as duas garrafas de Vodka no caixa estava sorrindo.
Marlene e Mary estavam jogadas no sofá, cada uma com um notebook no colo, estudando seus próprios assuntos, e olharam juntas quando Lily bateu a porta de casa com o pé, pois as mãos estavam ocupadas com a sacola e a chave.
-E aí, o que rolou? – Marlene perguntou ansiosamente.
-Ele realmente te chamou de burra? – Mary questionou, meio incrédula. – Marlene me contou um pouco, mas ela exagera as vezes.
Lily riu.
-Sim, ele realmente me chamou de burra. Foi tudo tranquilo, na verdade. Moody ameaçou Snape e Potter de advertência, e me orientou a não fazer nada que eu não tivesse certeza. Depois fomos ver a criança junto com uma hematologista, que basicamente confirmou tudo que eu havia dito. Aí ele apresentou Lupin como novo cirurgião, e me tirou do caso. – Lily explicou enquanto servia as doses de Vodka.
-Não exagera que amanhã você dá plantão noturno – Marlene alertou.
-Amanhã é outra noite – Lily retrucou, mas sabia que a amiga estava certa. Elas viraram o shot de uma vez.
-Achei bem decente da parte de Potter ele ter lhe ajudado – Marlene comentou. Lily concordou com um aceno.
-Eu juro que ele estava flertando com Lily no bar – Mary acrescentou. Lily revirou os olhos para a teoria absurda.
-Ele teria feito aquilo com qualquer pessoa – Lily discordou. Marlene parecia ponderar, e no fim aceitar o que a amiga dissera.
-Eu também acho. Potter parece ser decente. Vai fundo, Lil.
-Lene, eu não vou me jogar no residente.
-Poxa, Lily, pensa bem, os melhores casais são de internos e preceptores sabe… – Mary comentou, fazendo Lily rir.
-Mary, aquilo não é real!
-Você só tem a experiência de um mísero hospital, como sabe que não acontece nos outros? – Mary desafiou.
-Para de tentar colocar Grey's na nossa vida, Mary! – Lily pediu – Se você parar, prometo lhe ajudar com o que você pediu – Lily barganhou, fazendo Mary soltar um gritinho de felicidade.
-Ok, manda! Pode ou não?
-O que é isso? Por que estão me excluindo? – Marlene perguntou sobressaltada.
-Fanfic de Grey's Anatomy, Lene – Lily explicou. A morena fez uma careta e se levantou para esquentar o almoço – Não seria melhor se…
-Se…?
-Se a pessoa que está em coma na verdade tivesse acordado do coma antes, nem precisa explicar como, e daí a outra pessoa vai lá e beija o paciente e ele acorda e diz que estava fingindo e aí fala algo engraçado e acaba o capítulo?
-Ah, eu amei, Lily! Obrigada! – Mary exclamou, pulando para abraçar a amiga.
-Só para deixar registrado, continuo sendo contra essa história de beijar uma pessoa em coma, ok?
-Mary vai escrever uma pessoa beijando a outra em coma? – Marlene perguntou quando as três sentaram na mesa. Mary revirou os olhos.
-Sem contexto fica estranho – Mary explicou.
-Com contexto ainda assim fica estranho, Mac – Lily disse em um tom condescendente.
-Não, para com isso, é romântico, ok? Vocês vão ter que ler pra entender – Mary explicou.
-Eu não vou ler nada de Grey's Anatomy, Mary, desculpe – Marlene logo falou enquanto se servia.
-Eu já esperava isso de você, por isso pedi ajuda a Lily – Marlene parecia prestes a falar, mas Mary a cortou antes – Acho que precisamos anunciar que temos um quarto disponível.
Lily acenou em concordância.
-Vou colocar no grupo de calouros, você deveria fazer o mesmo, Mary.
-Sim, vou postar depois do almoço – Mary concordou – Tá na hora de vir uma colega minha, não acham? Alguém para discutir Dostoyevsky, definir se Capitu traiu Bentinho e avaliar a evolução moderna da linguística!
Marlene e Lily se entreolharam rapidamente e depois para a expressão sonhadora de Mary.
-Claro, Mac – Lene concordou de maneira condescendente – Aproveita, Lil, e compra os ingressos da calourada!
-Ah, eu também vou dessa vez! – Mary exclamou – Vocês se negam a me dizer se o mistério de que médicos transam bem porque conhecem anatomia é verdadeiro, parece que terei que descobrir sozinha.
Marlene gargalhou e Lily acompanhou sacudindo a cabeça em negação.
-Continua na mesma com Bertram, então? – Lily perguntou. Mary deu de ombros.
-Sim. Assim está bom pros dois, então vamos deixar assim. Quando é a calourada?
-Final de semana que vem, Mac. Quer que eu tente pegar um ingresso pra Bertram ou está focada na descoberta? – Lily ofereceu.
-Hum, não precisa. Vou mencionar que eu vou, e se ele quiser ele dá um jeito.
As duas doses de Vodka foram suficientes para Lily relaxar, mas a deixaram com um pouco de sono depois do almoço, então ela aproveitou que só tinha um paciente com tudo estudado para dormir.
Quando ela se deitou, permitiu que as lágrimas tão suprimidas finalmente caíssem. Ela sabia que não fizera nada de errado, mas ninguém aguentaria a bronca que ela tomara sem se abalar.
No hospital, não podia demonstrar nenhum sinal de fraqueza – mesmo que ela não considerasse ter sentimentos uma fraqueza – mas em casa ela não precisava fingir ser algo inalcançável.
Lily acordou confusa, do jeito que somente um cochilo à tarde pode deixar a pessoa. Ela levou alguns segundos para se lembrar do ocorrido da manhã e da tarde seguinte. Com um suspiro, pegou o celular para ver durante quanto tempo havia dormido, mas esqueceu de olhar as horas quando viu a primeira notificação.
(XX) XXX-XXXX
Ei, Evans, aqui é James Potter, res…
Lily sentou na cama de vez. O número era desconhecido, mas isso não significava muita coisa. Parecia ser o tipo de brincadeira que Marlene faria, depois de tanta insinuação de que Potter estaria interessado nela.
-Lene? – Ela gritou do quarto. A amiga abriu a porta e fez uma feição inquisidora – Tava estudando?
-Sim. Algumas de nós não são gênias da cirurgia, a própria Halsted, sabe? – Marlene provocou – Tá precisando de alguma coisa? Eu sei que você se abalou mais com tudo o que rolou do que quer demonstrar, e eu to aqui caso precise, certo?
Lily sorriu. Parecia realmente ser o tipo de brincadeira de Marlene, mas não daquela vez.
-Só queria saber se querem que eu saia para comprar pão pro jantar – Lily perguntou.
-Não precisa. Mary insistiu em fazer algo low carb para a janta. As doses foram demais para você?
-Ha ha, muito engraçada. Estou ótima – Lily replicou, mostrando a língua, enquanto a morena sorria.
-Então vai vegetar mais um bocadinho e daqui a pouco te chamo pra comer.
Lily assentiu e se deitou na cama, ficando até um pouco depois de Marlene sair do quarto. Com um suspiro, Lily tentou organizar a bagunça da cama sem se levantar, o que, obviamente, não deu certo.
Desistindo, ela usou o travesseiro para amaciar suas costas na parede e resolveu finalmente abrir a mensagem.
(XX) XXX-XXXX 16:11
Ei, Evans, aqui é James Potter, residente do St. Mungo's
Desculpa por essa invasão, não é legal receber mensagem de um número desconhecido ou de uma pessoa que não se tem muita intimidade, então o combo deve ser muito pior
Eu só queria pedir desculpa pelo que ocorreu hoje pela manhã
Nossa residência não é assim geralmente
Costumamos ser bem receptivos com internos, principalmente os que demonstram gostar de cirurgia
E mais ainda os que têm habilidade e conhecimento
Também queria certificar que você estava completamente correta
Em tudo desse desastre
Snape sabe muito da teoria de medicina e cirurgia, e sabe operar muito bem, mas falta nele humanidade
Ele tem muito rancor e muito preconceito, então se por um algum motivo você o irritou no primeiro dia, eu só posso sentir muito
E talvez tentar interceder, caso precise
Enfim
Desculpe mais uma vez e se isso ficar muito estranho, pode ignorar e fingir que nunca aconteceu
Boa tarde, Evans
E até amanhã
Lily soltou o ar que não percebera que estava prendendo.
Que diabos…?
Bom, definitivamente parecia ser Potter. Ela só não entendia o motivo do residente estar lhe mandando mensagem – mais, pedindo desculpa por algo que não era sua culpa!
Qualquer que fosse o surto de insanidade que levou o residente a mandar mensagens merecia uma resposta.
Lily Evans 18:34
Oi, Dr. Potter, boa noite!
Desculpe pela demora, estava dando uma revisada em alguns assuntos
Não precisa pedir desculpas, de verdade, Dr. Potter
O senhor não teve nada a ver com tudo o que ocorreu
Eu na verdade deveria ter lhe agradecido pela ajuda na situação e depois com Moody
E acho que o único contato que tive com Dr. Snape antes de ele me odiar foi pra tirar uma dúvida das escalas?
Então muito obrigada por toda a ajuda!
E até amanhã :)
Lily bloqueou o celular, jogou o aparelho na cama, e foi ajudar Mary, mas a cabeça estava nas mensagens. Ela não dissera nada a respeito do que achava de Snape de fato, e o que Potter dissera era meio pesado. Ela agradecera duas vezes, mas seria o suficiente?
E por tudo que era mais sagrado, por que ela colocou aquele maldito sorrisinho no final da mensagem?!
Mary e Marlene conversaram sobre alguma coisa durante o jantar, mas Lily estava aérea, ainda pensando em cada letra e cada vírgula que havia dito. Só lembrava de Mary mencionar algo sobre o resultado de um estágio estar próximo de sair.
Tinha certeza que as amigas achavam que ela ainda estava mexida com a altercação de mais cedo, e ela pretendia que continuasse desse jeito. Quando terminaram de jantar, Marlene retirou a mesa e foi lavar a louça. Lily disse que iria revisar alguma coisa para ocupar a mente, mas quando chegou no quarto se jogou na cama e pegou o celular.
Dr. James Potter 18:58
Evans, se você preza um mínimo por minha sanidade
Não me chama de "senhor"
E também não precisa me chamar de "doutor", ok?
Lily Evans 19:25
Opa, desculpe, Potter
É o costume
Dr. James Potter 19:26
Hum
Melhorou
Dizer bom dia a Snape parece ser um motivo justo para ele te odiar
E honestamente não precisa agradecer
Ele passou dos limites
Era para você ter denunciado pelo que ele lhe disse
Lily Evans 19:27
Hahaha ele me parece meio amargurado
Mas as vezes é melhor assim, Potter
Ele é residente, e eu apenas uma interna
Eu não sei se ele faria algum tipo de retaliação, e eu sou o elo mais fraco da corrente, então indubitavelmente sobraria para mim
E querendo ou não, muito provavelmente ainda trabalharei com ele, então melhor não criar mais atrito
Dr. James Potter 19:27
Vou ignorar que você usou "indubitavelmente" numa conversa informal porque na real me impressionou bastante
Bom, Moody tem uma política muito forte para esse tipo de coisa
Ele nunca gostou dessa história de humilhação em residência e sempre se esforça em cortar
E bem
Se depender de mim, você não vai mais trabalhar com ele
Tem outros residentes naquele hospital
Lily leu a mensagem sem acreditar muito. Não trabalhar mais com Snape seria um sonho.
Lily Evans 19:28
Hahaha não foi minha intenção
Por favor, não quebre nenhuma regra nem se meta em confusão por minha causa, Potter
Dr. James Potter 19:31
Não se preocupe, Evans
O único residente que não gosta de você é Snape
E tenho certeza que ele não faz questão de que você pegue um paciente dele
Vou apenas… ajudar o caminho certo
De qualquer sorte, fico feliz em saber que você está bem com a história
Pelo menos aparentemente
Preciso ir agora
Tenho uma gastrectomia com Dr. Weasley amanhã e preciso revisar os tempos cirúrgicos
Boa noite, Evans
Lily Evans 19:32
Boa noite, Potter
Obrigada mais uma vez por tudo
Dr. James Potter 19:32
Não há de quê ;)
