Capítulo 28 - Capítulo 28
Ginny sabia que aquela havia sido uma escolha errada. Ela não tinha ideia de onde Emma estava com a cabeça quando havia escolhido ela e Draco para traçarem planos sobre o futuro dos pobres animais.
Foi realmente estúpido. Na verdade, era absolutamente idiota. Os dois haviam ficado sozinhos durante toda a noite, mas nada descente havia saído deles.
- Quem aquelas pessoas queriam enganar? – Ela se perguntou. Os dois nem podiam ficar juntos por muito tempo sem discutir. Era bobo achar que eles poderiam resolver o problema dos animais sem que a terceira guerra eclodisse.
A feira de adoção, que ocorrera pela manhã, tinha sido um fracasso e eles tinham que pensar em algo descente diante do número enorme de animais que precisavam de um lar.
- Estou com pressa. – Gin lembrou o rapaz. - Vamos acabar com isso.
- Por quê? Seu namoradinho está preocupado? – Perguntou e ela ficou em choque.
- Com licença? – Murmurou irritada ao ouvir. – Em primeiro lugar, a minha pressa não se deve a meu namorado. Em segundo, a minha vida pessoal não te interessa.
- Você tem razão, desculpe. - Ele disse calmamente sem acreditar no que havia dito. – Podemos anunciar na internet que precisamos arrecadar dinheiro para ração devido ao grande número de animais.
- Já estamos fazendo isso. – Sussurrou cansada. – As pessoas parecem não ligar.
- Essas pessoas são uns idiotas. – Draco grunhiu irritado.
Após o incidente daquela manhã, Draco se deu conta que talvez ele se interessasse pela Srta. Weasley mais do que deveria. Durante todo o dia se perguntou que sentimentos eram aqueles.
Depois que se levantou do chão naquela manhã, ele pensou em pedir desculpas a ela por todos os gritos que havia dado, mas então ela se aproximou e ele teve uma súbita vontade de beijá-la.
Durante todo o dia só conseguia pensar naquilo.
- Merda. Ele é uma mulher comprometida. - Sua cabeça gritava, completamente perturbada. – Só posso estar ficando louco. – Sussurrou de repente. – Isso precisa parar.
- O que disse? - disse ela, e finalmente olhou para ele.
- Esses animais vão me deixar louco. – Mentiu ficando levemente vermelho. – Precisamos achar uma solução. Isso está ficando insustentável.
(...)
Já eram nove horas da noite e Hermione estava exausta. Aquela seria sua última prova do semestre. Então, a única coisa que a separava de suas merecidas férias era aquilo. E foi por isso que ela havia decidido que estudaria na biblioteca naquele dia.
A jovem dos cabelos castanhos havia ficado por tanto tempo presa em suas emoções que todas as suas matérias haviam acumulado. Bem, ela sabia que a matéria de Severus Snape era, sem dúvidas, a que mais havia deixado de lado.
Intencionalmente, havia evitado por quinze dias as aulas de Snape, quando percebeu que não poderia faltar tanto, decidiu que iria em algumas e sentaria no fundo da sala para evitá-lo.
Mas quem poderia culpá-la?
Dias atrás, no primeiro dia que ela apareceu, Hermione quase sorriu quando seu colega de classe respondeu dramaticamente às provocações tolas de Snape; por um momento, imaginou que Snape havia ficado vermelho.
Algumas vezes ela podia sentir seus olhos de Snape olhando para ela. Eles estavam no meio da aula, mas decidiu ignorar. E quando era ela que olhava para ele e era pega, rapidamente tentava disfarçar, porém, sabia que era inútil.
Hermione sabia que estava longe de esquecê-lo, mas ela tinha que continuar tentando.
Naquela manhã, quando deu de cara com ele na cafeteria, só teve a certeza que ainda não havia conseguido esquecê-lo. Ela nunca deveria ter aceitado aquele convite, ela deveria ter gritado com ele e ter dito que ele deveria desistir, mas foi incapaz de tal ato.
Voltando ao presente, ela olhou para o livro em sua frente e tentou se concentrar novamente. Mas logo seu telefone vibrou e ela se lembrou de seu outro problema.
Um problema que também tinha nome e sobrenome. Victor Krum. Fazia dias que o jogador não a deixava em paz. Desde que Victor havia recebido a intimação, Hermione não sabia o que era ficar um único dia sem receber ameaças.
Definitivamente, as coisas estavam ficando cada vez piores para ela.
- Oh, Hermione... – Luna sussurrou chamando sua atenção e colocando seu livro sobre a mesa. - O que faz aqui tão tarde?
- Olá, querida. – Disse soltando a caneta e abaixando o livro que tapava sua visão. – Eu poderia te fazer a mesma pergunta, mas... Digamos que negligenciei os meus estudos e que agora devo correr atrás do prejuízo.
- O que houve com você para que fizesse isso? Isso não é uma característica sua. – Divagou Luna, enquanto se sentava na cadeira vazia em sua frente.
- É complicado, Luna.
- Você parece péssima! Uau... – Gargalhou. - "Manual De Direito Internacional Público", "Direito Internacional Público - Curso Elementar", e "Direito internacional, humanismo e globalidade". Nossa, tantas aulas para negligenciar foi fazer isso logo com a do Snape?
Hermione corou levemente, mas logo respondeu:
- Pois é. - Falou irritada e abaixou a cabeça envergonhada. – Como fui idiota.
- Todo mundo fala que a prova dele é um nojo. – Ela sussurrou e sua amiga assentiu desanimada. – Você não tá bem, não é? Sinceramente, não parece. Daqui vejo que mil coisas passam por sua cabeça. Não quer desabafar? Talvez isso te faça focar nos estudos. Essa não é você e você sabe disso.
- Se você soubesse o quanto é difícil tudo isso. Eu.. eu não posso. É tentador... mas não posso. – Choramingou.
- Oh, querida. O que pode ser tão terrível? – A loira tentou novamente. - Me conte... pode te ajudar a superar isso. Ou te encorajar a continuar.
- Não tenho certeza se isso é uma boa ideia, Luna. – Lamentou. – Meu Deus, você está passando muito tempo com Gin.
- Talvez eu esteja. – Concordou sorrindo. – Mas como desabafar pode não ser uma boa ideia? Como pretende estudar para a prova do Snape se você ficou olhando para essa mesma página por minutos? Fiquei te observando por minutos e você nem me notou. Se planeja passar nele, tá fazendo isso errado, Hermione.
Hermione pensou por alguns instantes, mas sabia que sua amiga tinha razão. Ela estava se enganando. Por mais que estivesse tentando, não conseguia parar de pensar em Severus e isso estava atrapalhando-a.
- Você tem razão... – Disse por fim e sorriu tristemente. - Preciso falar. Realmente preciso. Mas, por favor, jure que isso não sairá daqui.
- Certo, se é importante pra você! Eu juro que não contarei a ninguém.
Decidida que aquela seria uma boa decisão, Hermione balançou a cabeça e começou:
- Existe uma pessoa, mas não podemos estar juntos, Luna. Existem outras pessoas envolvidas.
- Deus, Hermione. Você está apaixonada! – A menina disse sorridente.
- Luna, não! Quero dizer, fale baixo... as pessoas irão reclamar. Estamos na biblioteca.
- Só existe mais uma pessoa aqui e ela já está saindo. – Declarou ao ver a menina da mesa ao lado juntar as coisas para ir embora. - Quem é essa pessoa? Talvez eu possa ajudar.
- Não posso dizer. – Sua amiga declarou.
- Não funciona assim, Hermione. Se for para desabafar conte tudo, assim poderei te ajudar.
- Você iria me julgar. – Sussurrou envergonhada.
- Não iria.
- Não contei nem mesmo para Gin. – Revelou.
- Mas você pode me contar. É visível que isso está te deixando mal ao ponto de não poder estudar para as finais. Fiquei quase um minuto olhando para você e não percebeu que te observava. Confie em mim. – Pediu, mas logo percebeu que não conseguiria arrancar aquilo de Hermione. – Certo, se te faz sentir melhor, oculte essa parte, mas me conte todo o resto.
Luna viu o comportamento de Hermione se suavizar. Ela podia ver a dor nos olhos da amiga. Podia ver o arrependimento.
- Não deveria ter me deixado levar, Luna. – Revelou insegura. - Mas fui uma tola. Passamos uma noite juntos e ele sumiu. Ficou sem me dar notícias por quase uma semana. Eu deveria ter previsto que me apaixonar por um professor seria loucura. – Revelou sem perceber.
- Você disso PROFESSOR? Oh meu Deus, Hermione. – Ofegou surpresa.
- MERDA! Eu e minha boca grande. Mas ai está. – Grunhiu. – Sabia que iria me julgar.
- É o Lupim não é? Diga que é... – Disse em delírios.
- O quê? Não. E não vou contar.
- Hermione, não negue. Pela faixa etária, só pode ser ele. – Sussurrou pensando em todas as múmias que davam aulas naquela universidade. - Se não fosse, só sobraria o Snape... – Grunhiu e gargalhou quando a amiga arregalou os olhos. – Oh, céus. É o Snape. Severus Snape.
Hermione Granger abaixou a cabeça para esconder o rubor vermelho em suas bochechas.
- Irônico não acha? – Sussurrou uma Hermione desanimada. - Até ontem eu o odiava. Bem, na verdade. Hoje ainda o odeio.
- Irônico não é, querida. Existe um vocês? - Luna perguntou, aparentemente confusa com a declaração.
Se não estivesse tão tensa, Hermione teria rido da reação da amiga. Luna era uma pessoa supreendentemente sincera, então, ela sabia que podia ser ajudada por ela. Uma visão de alguém de fora daquele redemoinho que eram suas emoções era o que ela precisava.
- Como eu disse, existiu um nós por uma noite. Até que ele sumiu por dias e apareceu com um filho. - Hermione respondeu secamente, verificando seu relógio. – Um filho que certamente merece que seus pais tenham mais uma chance.
- Do que você está falando? – Gargalhou perdida.
- Bem, existe uma criança no meio disso tudo, Luna. Não quero ser a pessoa que irá estragar qualquer tentativa de reaproximação dos pais dele. Agora que o menino está com o pai, a mãe terá mais contato com o Snape.
- Isso não faz nenhum sentido. – Gargalhou. – Que loucura.
Com suspiros exasperados, ela balançou a cabeça, um pouco ofendida pelo comentário de Luna.
- Hermione, o que estou dizendo é que não existe nenhuma chance do Snape voltar com a Letta. – Luna murmurou sorrindo. – Não sei se você sabe, mas, bem... Snape é amigo dos meus pais e, então, eu meio que acompanhei a separação. Na época não dei muita importância, mas, pelo que lembro, eles nunca se deram muito bem. Meus pais diziam que eles se pareciam demais, por isso que não havia dado certo. Então é altamente improvável que eles voltem. - Ela respondeu. – Letta já tem alguém na vida dela faz anos. Se não me engano, já até casou novamente.
Hermione suspirou. Não podia acreditar no que estava ouvindo. Ela havia refletido tanto sobre as coisas que agora nada fazia sentido.
- Hermione – Sua amiga chamou.
– Eu... eu não sei o que dizer... – Ela grunhiu completamente perdida.
- Se esse era o seu dilema, esqueça e corra atrás daquele homem. Ele é uma pessoa legal, às vezes. E o Luke era um amorzinho. – Sussurrou sorrindo levemente. - Não se preocupe, eu sei guardar segredos. Mas agora... Vou te deixar estudar. Adeus querida.
Hermione nem se deu conta quando foi deixada sozinha.
(...)
- Er... C-Certo então, quem sabe o melhor não seja fazer uma nova feira de adoção, mas uma feira virtual? Uma feira que alcançasse mais pessoas. – Perguntou Ginny tentando achar uma solução que pudesse tirá-la dali, ela até que estava empenhada em seu objetivo, porém, em sua frente, uma figura pálida parecia totalmente fora de órbita. – Oiiiii! Terra chamando Draco. – Resmungou incrédula.
- O quê? – Questionou envergonhado.
- O quê? – Perguntou com raiva. – Como assim o quê? Achei que nossa tarefa seria achar uma solução para o gritante número de animais que resgatamos. – Reclamou, piscando duas vezes antes de abaixar a cabeça na mesa e suspirar profundamente. – Onde você está com a cabeça? Aqui não é.
- O que disse mesmo? – Perguntou o homem olhando para ela. – Qual era a sua ideia?
- Por que você não vai para casa? Posso fazer isso sozinha! Ninguém está te obrigando a ficar, Sr. Malfoy. Você sabe disso, certo? – Questionou exaltada. – Isso não é um parque de diversões e tão pouco é um hobby que pode ser tratado com tanto descaso. Quer ir embora? Ficarei bem.
- Hum... – Murmurou ele com um pouco mais de interesse, abaixando o olhar como se fosse pensar na possibilidade. – Não... Não! Vamos resolver isso. Sinto muito, Weasley... São só umas coisas na minha cabeça.
Ginny ignorou, pegou a jarra com água e despejou um pouco de água no copo.
- Certo, vamos começar de novo? – Draco perguntou.
- Começar de novo? Não quero começar de novo, estamos aqui há horas. Começar de novo não será possível. – Gin disse jogando todas as suas anotações na mesa para chamar a atenção do loiro.
Ele não fez nenhum sinal de que ouviu, continuando a olhar para o nada.
- Terminamos aqui, Sr. Malfoy. - Ginny disse um pouco mais alto, embora ainda não houvesse resposta. – Estou cansada.
- Desculpe, não gosto da sua ideia. Vou pensar em outra coisa. – Tentou voltar para o tema, tentando demonstrar que não estava completamente perdido.
Ginny Weasley suspirou pesadamente e beliscou a ponta do nariz. Seu esforço era inútil, ele não havia concordado com sua ideia nem mesmo quando não conseguia se concentrar no que havia sido dito.
- Sr. Malfoy nós acabamos aqui. Infelizmente, não chegaremos a lugar nenhum. Vamos deixar nossa reunião para amanhã.
- Certo terminamos aqui. – Concordou. – Estou envergonhado, porém sem cabeça para isso agora. Então, obrigado. Mas... Espere. Preciso falar outra coisa com você. Algo sério.
- O que quer? – Ginny perguntou achando tudo muito suspeito e seu coração traiçoeiro começou a acelerar.
- Eu não... realmente, não... Esquece! – Resmungou. - Espere, eu sou um idiota. – Suspirou tentando recomeçar. – Preciso de sua ajuda com uma coisa.
- Minha ajuda? Eu precisava de sua ajuda até agora pouco...
- Sinto muito, mas se não fosse importante não insistiria, Weasley. Como você é a amiga dela, achei que poderia me dar algumas dicas.
A menina assentiu mesmo que não estivesse entendendo e permitiu que ele se sentasse novamente. Dentro dela, algo dizia exatamente o que ele queria e aquilo parecia incomodá-la e, até, magoá-la.
- Ok, apresse-se então. Tenho um compromisso.
- Claro. Olha, estou interessado em Granger.
- Em Hermione? - Sussurrou suavemente sentindo seu coração se afundar. – Hermione Granger? Minha companheira de apartamento?
- Sim, por ela. Preciso da sua ajuda, Weasley! Quero pedir uma chance a ela, mas não sei como. – Falou mesmo sem ter certeza, Draco sabia que precisava esquecer seus tolos sentimento por Weasley, a menina tinha um namorado. Pensar nela era errado, então, talvez pudesse dar certo com Hermione. Ele tinha que tentar antes que fosse tarde demais, antes que Hermione arrumasse alguém.
Ginny olhou para ele e sentiu-se uma verdadeira idiota. Na época, ela nunca havia percebido que estava lutando uma batalha perdida, caso contrário, nunca tentaria aumentado suas ilusões. Mas foi uma coisa boa ter desistido daquela idiotice.
Apesar de ter desistido dele há algum tempo, não pôde evitar raiva e ressentimento, saber que ele era apaixonado por sua melhor amiga foi extremamente doloroso.
- Como não se apaixonaria por ela, não é verdade? - Disse ela e Draco quase jurou que havia algo nas palavras, uma urgência incomum.
- Sim. – Respondeu o rapaz, com um pouco de insegurança em sua voz. - Ela não é como a maioria das garotas dessa cidade.
- Certo. – Ela sussurrou. - Apenas diga para ele o que ela gosta ... Gin.. esqueça esse idiota, acabe logo com isso. - Ela dizia internamente.
- Quero pedi-la em namoro, mas, você ver, não sei como. – Disse Draco, seu tom preso entre dúvida e incerteza.
- Hermione nunca quis estar em um relacionamento sério com medo de se decepcionar. – Sussurrou. – Mas no fundo ela sempre desejou ter alguém especial. Uma vez ela me disse que um pedido de namoro deveria ser especial. Em um jantar ou em um café da manhã. Em um piquenique em um entardecer. Se fosse em uma noite de lua cheia, sobre a luz do luar, seria ainda mais encantador.
- Uhhhh, obrigado, Weasley. – Ele gaguejou. – Não passava por minha cabeça algo assim. O que mais ela gosta?
(...)
Depois de tudo que Luna havia revelado, Hermione tinha acabado de ter certeza que mais uma vez, havia se boicotado. Ela costumava fazer aquilo para evitar relacionamentos. Aquela sua característica era apenas uma sequela de todos as dores que seu pai havia causado a ela e a mãe.
Certamente era seu excesso de desconfiança. Para tentar evitar frustrações, ela acabava fazendo aquilo. Somado a isso, a ideia de ver uma criança sofrer, como ela havia sofrido, trazia seus medos e angústias.
Quando parou para pensar em tudo que havia ocorrido nos últimos dias, ela caiu em si. Ela havia cometido um erro, um terrível erro. Mas estava disposta a abrir seu coração e demonstrar todo o seu arrependimento. Ela só esperava que Snape pudesse perdoá-la.
Foi pensando naquilo que Hermione começou a reuniu suas coisas para sair. Ela tinha que vê-lo. Precisava se explicar e sabia que aquilo não podia esperar. Só o pensamento de se encontrar com ele novamente, fazia com que a ansiedade tomasse conta dela. Porém, estava mais do que determinada.
Quando pensou ouvir passos atrás dela, virou-se para tentar ver quem era.
- Luna? Sabia que voltaria para pegar os livros. – Sussurrou, mas quando olhou para cima, deu de cara com a última pessoa que queria encontrar na face da terra.
- Granger. – Ele rosnou.
- Krum.
