Disclaimer: Harry Potter não me pertence e tudo que vocês reconhecem pertence a J.K. Rowling. Essa história também é inspirada em "A Shattered Prophecy", do Project Dark Overlord.

Chapter Forty – Aftermath

(A consequência)

Damien acordou em um ambiente desconhecido. Ele se sentou na cama, piscando com os olhos cheios de sono. Olhou ao redor do quarto limpo e arrumado, um forte contraste com o dormitório que dividia com outros três garotos. Viu o porta-retratos com sua foto, posando com sua mãe e seu pai, tirada há alguns anos, e percebeu onde estava. Eram os aposentos de sua mãe.

Um momento de confusão tomou conta dele. Por que estava ali e não em seu dormitório? O que acontecera? Então, com um soco no estômago, tudo voltou, os acontecimentos da noite anterior. Harry disfarçado de Sirius, o ataque ao seu pai, Harry capturado e ameaçado por seu pai, Comensais da Morte, o ataque a Hogwarts... sua respiração ficou presa no peito com a lembrança do que fizera. Deixara Harry ir embora, libertou-o para que pudesse sair com os Comensais da Morte, retornando ao Lorde das Trevas, Voldemort.

Podia ver em sua mente a cena exatamente como aconteceu. Harry indo embora, saindo pela porta e deixando suas vidas para sempre. A maneira como parou ao lado da porta e olhou para ele, dizendo: "fique dentro do castelo. Eles não podem entrar."

As últimas palavras ditas a ele por seu irmão. Damien sabia, com uma certeza angustiante, que nunca mais veria Harry novamente. Seus olhos ardiam, mas ele se forçou a ignorar, afastando as lágrimas dolorosas. Chorara o suficiente ontem. Ainda estava com dor de cabeça. Não derramaria mais lágrimas. De que adiantava, afinal?

O menino saltou da cama e dirigiu-se à porta. Saindo, viu sua mãe e seu pai, acordados e sentados no sofá. Um olhar para eles e estava bem claro; os dois não haviam dormido nada.

James e Lily se viraram para contemplá-lo, sorrisos forçados em seus rostos cansados e manchados de lágrimas.

"Dia," cumprimentou James, baixinho

"Dia," respondeu Damien no mesmo tom.

"Como foi a noite?" perguntou Lily.

Damien encolheu os ombros.

"O.k., suponho."

James se levantou e foi até ele. Ele passou a mão pelo cabelo do filho.

"Vai ser difícil," disse ele, "mas quero que mantenha o foco em enfrentar o dia de hoje, o.k.? Não dê atenção ao que ninguém diz."

De repente, aquilo atingiu Damien; a escola inteira sabia do que acontecera ontem.

O segredo que sua mãe e seu pai, o Ministério e o diretor Dumbledore estavam tentando proteger foi descoberto. Comensais da Morte vieram para levar Harry a Lorde Voldemort e ele os acompanhou. Todos os alunos de Hogwarts deviam saber que Harry era o Príncipe das Trevas.

"Ah, Deus," choramingou Damien.

Ele nem tinha pensado nisso. Estava muito envolvido na perda do irmão, que não tinha sequer considerado as consequências das ações de ontem.

"Vai ficar tudo bem," consolou James. "Só mantenha a cabeça baixa, não fale com ninguém sobre ontem e não importa o que aconteça: não diga a ninguém que você deixou Harry sair desse quarto."

Damien encarou os olhos preocupados do pai e assentiu.

James sorriu de volta, mas faltava o charme de sempre. Parecia que no espaço de meio dia, seu pai havia perdido a capacidade de sorrir.

xxx

Damien nunca se sentira tão desconfortável em Hogwarts. A caminhada dos aposentos de sua mãe até o Salão Principal pareceu dolorosamente longa e cada vez mais miserável. Os alunos com quem cruzou pelo caminho pararam para encará-lo. Os sussurros começaram a seguir a família Potter enquanto caminhavam desafiadoramente, tentando ao máximo não dar atenção. Mas era impossível.

Damien respirou fundo ao se aproximar das portas do Salão Principal. O menino sabia que se a caminhada até ali tinha sido difícil, o que os esperava além daquelas portas seria extremamente doloroso. Agarrando-se aos resquícios de sua bravura grifinória, Damien entrou no Salão Principal, em meio aos sussurros.

Todos os olhos se voltaram para ele e seus pais. Olhares de choque na maioria dos rostos. Parecia que a maioria achava que os Potter tinham saído de Hogwarts na noite anterior.

James e Lily conduziram o filho pelo corredor, mantendo as cabeças tão altas quanto seus corações partidos permitiam.

Ron, Hermione e Ginny olharam ansiosamente para Damien do lugar que estavam na mesa da Grifinória. O menino se separou do apoio reconfortante dos pais e foi até os amigos. Ron e Ginny abriram espaço para que o amigo pudesse se sentar entre eles. A ruiva estendeu a mão e segurou a dele.

"Você está bem?" perguntou ela baixinho.

Damien olhou para ela, sem saber como responder.

Ela assentiu em compreensão, segurando sua mão com força.

Damien olhou para cima quando Hermione empurrou um prato cheio na frente dele, com um sorriso encorajador. Seu olhar passou por ela indo até a mesa da Sonserina, onde Draco Malfoy, com seus cabelos louros, estava sentado, sorrindo para ele, os olhos cinzentos brilhando em diversão. O menino olhou para baixo. Não conseguia suportar o olhar presunçoso e vitorioso do outro.

James e Lily tomaram seus respectivos assentos nas mesas dos professores. Os olhares e sussurros continuaram, mas os três Potter ignoravam da melhor forma possível. Damien manteve a cabeça baixa, recebendo o apoio silencioso dos amigos, mas sem dizer uma palavra de volta.

As portas se abriram para um visitante surpresa. Alastor, Olho-Tonto, Moody entrou no salão. Sua perna de madeira batendo ruidosamente contra o chão a cada passo. James olhou para ele, observando o colega seguir até a mesa dos professores, seu olho mágico e o normal fixos no diretor cansado e fatigado. Moody se inclinou para sussurrar no ouvido de Dumbledore.

"Os terrenos estão seguros, as proteções foram reforçadas e estão sendo monitoradas enquanto falamos."

"Obrigado, Alastor," respondeu Dumbledore.

"Você cometeu um erro me mandando embora," rosnou Moody, "se eu estivesse aqui ontem à noite..."

"Você teria sido morto," interrompeu Dumbledore.

"Pelo menos eu teria levado a maioria deles comigo!" respondeu ele. "Eu lhe disse que sua confiança naquela cobra seria sua ruína," lembrou a Dumbledore, "ele teve chance de te morder e aproveitou."

"Obrigado, Alastor," respondeu Dumbledore calmamente, "sua ajuda é muito apreciada, mas acho que podemos assumir daqui."

Moody se endireitou lentamente.

"Como queira, Albus."

Antes que Moody pudesse se afastar da mesa dos professores, as portas do salão se abriram com um estrondo, assustando todo mundo. Todos os olhos se voltaram para o garoto parado às portas, respirando com dificuldade, como se estivesse correndo.

Damien sentiu suas entranhas se contorcerem ao vê-lo. Como podia ter esquecido de Neville e de qual seria sua reação?

Mas o olhar do rapaz estava fixo apenas no diretor. Os olhos castanhos vermelhos e irritados penetraram os azuis e calmos.

"Por quê!"

As palavras foram sibiladas e o eco delas soou no salão.

"Neville," Dumbledore se levantou da cadeira, "venha, precisamos falar em particular."

Neville entrou no salão, com as duas mãos enroladas em punhos.

"Responda-me," rosnou ele, "por quê? Por que fez isso!?"

Os murmúrios do salão cessaram. Todos ficaram em silêncio para ouvir o que O Escolhido tinha a dizer ao seu mentor.

"Temos muito a discutir," disse Dumbledore, descendo da mesa, "venha comigo, conversaremos no meu escritório..."

"Não!" rugiu Neville, parando Dumbledore no meio do caminho. "Você vai me responder agora!" Seus olhos castanhos geralmente suaves estavam encharcados de lágrimas, o rosto estava pálido e as mãos tremiam. Ele não parecia apenas zangado. Era muito além disso. Sua confiança havia sido quebrada. Ele tinha sido humilhado e por ninguém menos que seu mentor. "Isso foi tudo culpa sua," acusou ele, "você o trouxe para cá, para sua escola! Você permitiu que ele ficasse aqui, ao invés de ficar na prisão em que deveria estar apodrecendo!" Seu rosto desmoronou, permitindo que todos vissem a raiva, "você o colocou no mesmo quarto que eu?" perguntou ele, a dor da traição atingindo sua voz. "Como pôde?" perguntou. "Como pôde assistir em silêncio enquanto eu fazia amizade com ele?" Seu rosto se contorceu de raiva. "Fazia amizade com o assassino dos meus pais!"

"Neville," Dumbledore se aproximou, "por favor, tente entender..."

"O que?" perguntou Neville. "O que é que você quer que eu entenda? Hã? Diga por que aquele bastardo não foi jogado aos dementadores após ser capturado!?"

O olhar de Neville foi de Dumbledore para James e Lily. Ele os encarou e se virou para encarar o diretor.

"Foi isso?" perguntou ele, meneando a cabeça na direção dos Potter. "Você salvou aquele Comensal da Morte porque conhecia os pais dele?"

"Não, Neville," Lily se levantou, "não é o que você pensa."

"O que é, então?" gritou Neville. "Você me traiu, fez aliança com meu inimigo!" ele acusou Dumbledore. "Diga: por quê?"

O diretor varreu o salão com os olhos, observando a multidão que assistia, antes de encontrar o olhar de Neville.

"Porque Harry é O Escolhido."

Os olhos de Neville se arregalaram e ele deu um passo cambaleante para trás. Suspiros ecoaram pelo salão, uma mistura de choque e negação.

Os olhos de Draco se estreitaram para o diretor. Ele sabia que não poderia ser verdade. Lorde Voldemort jamais criaria aquele destinado a destruí-lo, então, por que Dumbledore estava mentindo?

"Você conhece a Profecia," Dumbledore falou diretamente para Neville, mas suas palavras eram ouvidas por todo mundo, para que todos pudessem entender por que ele protegia o Príncipe das Trevas. "O que não sabe é que a Profecia poderia se aplicar a dois garotos. Você e Harry Potter." Os tristes olhos azuis de Dumbledore se suavizaram com o olhar no rosto de Neville. "Voldemort escolheu Harry. Ele o levou quando era apenas uma criança de um ano. Todos pensamos que ele o matara, e é por isso que todos trabalharam para protegê-lo. Mas a verdade é que, para seus próprios propósitos, Voldemort não matou Harry. Ele o criou, fez uma lavagem cerebral para que ficasse contra nós, sua família e seus amigos. Harry é O Escolhido. Ele está destinado a destruir Voldemort, e é por isso que não foi entregue aos dementadores."

O lábio de Neville se curvou em desgosto.

"Você só salvou a vida dele para poder usá-lo?"

"Neville..."

"Não!" Neville recuou, fugindo do alcance de Dumbledore. "Não importa o que acha que deveria acontecer! Não me importo se ele é O Escolhido ou se ele vai destruir Voldemort!" vociferou ele. "Ele matou meus pais. Ele os torturou, pessoas que você diz que eram seus amigos...!"

"E eram," respondeu Dumbledore, "Frank e Alice..."

"Não!" Neville levantou a mão. "Você não tem direito de falar os nomes deles. Não depois de tudo que fez para ajudar quem os assassinou!" Seus olhos vagaram por Dumbledore, cheios de ódio. "Eu sempre fiz o que você me pediu," disse ele, "depois da minha mãe e meu pai..." ele fez uma pausa, lutando contra um soluço, e apertou as mãos para manter o controle. "Depois deles, foi você que procurei quando precisei de orientação," ele balançou a cabeça, "e você me traiu." Seu olhar examinou os professores, ainda sentados à mesa, "todos vocês me traíram!" gritou ele. "Todos vocês sabiam quem ele era, o que fizera comigo e concordaram com isso." Ele virou a cabeça para a mesa da Grifinória, procurando por Damien, "e você," disse ele, "você também sabia?"

Damien se levantou.

"Neville, eu sinto muito..."

"Sabia?" vociferou Neville, correndo em sua direção. "Você sabia a verdade sobre seu irmão?"

Damien fez uma pausa antes de assentir levemente.

"Sim, eu sabia," admitiu ele.

O rosto do outro se contorceu em uma expressão de raiva, tão alterada, que quase não tinha qualquer semelhança com o bondoso e doce Neville.

"Como pôde?" perguntou ele. "Você era meu amigo! Eu sempre cuidei de você!"

"Neville, eu..."

"Cale-se!" Um empurrão violento e Damien caiu para trás.

James saltou da cadeira e estava no meio do corredor. Mas foi Ron quem se levantou e colocou-se diante do menino, encarando Neville.

"Deixe-o em paz," avisou o ruivo, "Damien não tem nada a ver com isso."

"Você está do lado dele?" perguntou Neville, apontando um dedo para Damien. "Depois do que ele fez comigo?"

"O que ele devia fazer?" perguntou Ron com raiva. "É o irmão dele! Realmente esperava que Damy ficasse contra ele?"

Neville parou, mas seu olhar estava fixo em Damien.

"Eu esperava que ele fosse meu amigo," disse ele baixinho.

"Neville, eu..." começou Damien.

Mas Neville se virou e dirigiu-se às portas.

"Neville, precisamos conversar..." disse Dumbledore.

"Quer saber?" Neville se virou para ele. "Por que não vai atrás do Escolhido e conversa com ele?" bradou o garoto. "Estou cansado!" Ele olhou para Damien e Ron. "De todos vocês!"

Neville se virou e saiu correndo.

"Vou me certificar de que ele chegue em casa." Moody assegurou Dumbledore antes de segui-lo pelas portas.

O salão foi deixado em um silêncio constrangedor e pesado com a partida de Neville. Na mesa da Sonserina, Draco ficou imaginando o que estava acontecendo. A história que Dumbledore acabara de contar a todos não passava de mentiras. Harry lhe contara o que havia acontecido. Seus pais abusaram dele, machucaram-no ao ponto de ele temer por sua vida. Harry fugiu de casa quando tinha quatro anos de idade. A prova estava guardada em sua penseira.

O loiro olhou para o diretor, que retornava desanimado da mesa dos professores. Por que Dumbledore estava mentindo? O olhar de Draco se dirigiu aos entristecidos James e Lily Potter. Seu olhar se estreitou para seus olhos avermelhados. Por que pareciam genuinamente chateados? Seria porque perderam aquele que achavam que os levaria a Lorde Voldemort? Ou seria porque perderam o filho?

O apetite de Draco desapareceu e ele ficou sentado, ponderando a resposta para suas perguntas. Finalmente, empurrou o prato para longe e se levantou. Seu café da manhã havia sido oficialmente arruinado.

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O café da manhã na Mansão Riddle foi uma desculpa para celebrar. Depois de quatro meses, o Lorde das Trevas e seu Príncipe sentaram-se para a primeira refeição do dia. Havia tanta comida que a mesa estava praticamente gemendo em protesto. Harry se serviu duas vezes. Lorde Voldemort recostou-se com seu chá, lançando olhares para o jovem de dezesseis anos por cima da borda da xícara.

"Dormiu bem?" ele finalmente perguntou.

"Como uma rocha," respondeu Harry, "eu estava com sono acumulado."

"Hum," Voldemort largou a xícara, "estava excepcionalmente cansado?"

Harry olhou para ele, seu garfo esquecido no meio do caminho.

"Sim, enfrentar aurores e fugir de Hogwarts exige certa quantidade de energia."

Voldemort sorriu, levantando a xícara novamente. Detestava admitir, mas sentia falta do sarcasmo do filho.

"Eu quis dizer, foi só porque estava cansado ou foi seu cansaço devido a outro... motivo?"

Harry entendeu a que o bruxo se referia.

"Não," respondeu ele, "eles não fizeram nada disso."

"Eu não esperaria que o sempre justo 'líder da Luz' usasse privação do sono como ferramenta, mas," ele tomou um gole, "nunca se deve subestimar o inimigo."

Harry sorriu, mas baixou a cabeça, concentrando-se na comida.

Voldemort tomou um gole de chá e, nos minutos seguintes, ficou simplesmente sentado observando o filho. Jamais admitiria isso em voz alta, mas os últimos quatro meses tinham sido tortuosamente difíceis sem Harry. O bruxo pregava aos outros sobre como era preciso ser independente, nunca confiar em ninguém, contar apenas consigo. Mas sem Harry ele se sentiu incompleto, como se uma grande parte de sua vida estivesse faltando. Disse a si mesmo que era uma simples questão de hábito. Harry estava com ele há quinze anos, sua ausência seria perceptível. Convenceu-se de que quando se sentava à mesa apenas por força do hábito e esperava que Harry se juntasse a ele, não era um desejo de ver o menino sentado à sua frente para apreciar a refeição. Aquela era uma discussão na qual não conseguia nem vencer a si mesmo.

"Temos muito a discutir," disse ele.

Harry olhou para cima e assentiu, terminando de comer.

"Na verdade," começou ele, pegando o guardanapo, "a verdade é que não há muito a dizer." Ele se recostou com a xícara de chá. "Eu fui levado por uma chave do portal ao quartel-general da Ordem, então não tenho uma localização," ele tomou um gole, "mas sei que é a casa de Black. A família dele viveu lá, por gerações ao que parece. Talvez Bella pudesse ajudar?"

Voldemort sacudiu a cabeça.

"Se estiver sob o Feitiço Fidelius, Bella não poderá nos dar a localização, mesmo que ela saiba." Voldemort se endireitou. "O que Dumbledore te disse?"

Harry encolheu os ombros.

"Ele tentou todos os truques para fazer com que eu me voltasse contra você."

Harry colocou a xícara de volta na mesa, com medo de que pudesse esmagá-la. Tinha o hábito de enrolar as mãos em punhos quando ficava bravo e só de mencionar o nome de Albus Dumbledore era o suficiente para deixá-lo irritado.

"Eu preciso saber que mentiras ele tentou te contar," insistiu Voldemort.

Harry sorriu.

"Ele tentou de tudo," respondeu o garoto, "ele até conseguiu que Potter me dissesse que eu havia sido tirado de casa." Ele balançou a cabeça com desdém.

"Mas, Potter sabia o que realmente aconteceu," continuou Voldemort, "ele não se deu conta de que saberia que ele estava mentindo?"

"Ele não sabia que eu me lembrava do que aconteceu," respondeu Harry. "Eu só tinha quatro anos, ele achou que eu era idiota demais para lembrar como todos me trataram."

Voldemort segurou o sorriso.

"Eles que são os idiotas, então."

Harry deu um sorriso, mas Voldemort podia ver o quanto era vazio. Ele sabia, muito bem, como Harry ficava chateado quando se tratava de sua infância, então rapidamente mudou a conversa para outros assuntos.

"Eu sei sobre o bartra que colocaram em você," disse ele.

Harry olhou para ele. Ele estendeu a mão para coçar a testa e Voldemort instantaneamente aplacou a faísca de raiva que surgia dentro de si. A mera menção daquela maldita coisa foi o suficiente para fazê-lo cuspir de raiva. Mas tinha que se controlar. Harry estava em sua companhia agora e não lhe causaria dor de cabeça se pudesse evitar.

"Com que frequência colocaram isso em você?" perguntou ele, mal contendo a raiva.

"Foi só daquela vez," respondeu Harry.

"Mesmo?" perguntou Voldemort.

"Foi por causa da visita a Hogsmeade," respondeu Harry, "quando eu estava em Hogwarts, não precisavam colocar."

Voldemort assentiu.

"Acho que já é alguma coisa." Ele se endireitou. "Então, você estava de alguma forma... confortável em Hogwarts?"

"Se por confortável você quer dizer ser seguido pelos aurores e assediado pela Ordem, então, sim, eu estava realmente confortável."

Eles caíram em um silêncio tenso.

"Quem eram?" perguntou Voldemort, seus olhos vermelhos brilhando de raiva. "Dê-me os nomes de todos os aurores e membros da Ordem que estavam com você em Hogwarts."

"Por quê?" perguntou Harry, esforçando-se para ignorar o queimor gradual em sua cicatriz.

Voldemort sorriu.

"Eles têm lições a aprender."

Harry assentiu devagar.

"Como a que você ensinou a Paul Jackson?"

Voldemort ficou quieto. Seu aborrecimento crescendo com o tom acusatório.

"Eu sei que não aprova essas práticas," disse o bruxo, referindo-se à tortura e assassinato de prisioneiros, "mas no caso de Paul Jackson, senti que enviar uma mensagem a Dumbledore era necessário."

"Essa sua necessidade quase me custou a liberdade," respondeu Harry, "a proibição de sobrevoo só veio porque você entregou Jackson na porta de Hogwarts." Ele balançou a cabeça. "Se não tivesse feito isso, Lucius teria enviado a chave de portal por Draco e eu teria voltado para casa na calada da noite, sem todo esse drama de Comensais da Morte vindo e atacando Hogwarts."

"Por que está incomodado com o drama?" perguntou Voldemort. "Como isso te afeta?"

Harry olhou para ele.

"Não afeta," respondeu ele, "estou só apontando como a fuga poderia ter sido muito mais simples."

"Não é isso," disse Voldemort com uma lenta sacudida de cabeça, "você não queria que os Comensais da Morte atacassem Hogwarts, posso ver em seus olhos."

"Tudo bem," sussurrou Harry, "eu não queria Comensais da Morte em Hogwarts."

"Por quê?"

"Porque são Comensais da Morte," respondeu Harry, "eles não se importariam com quem cruzasse seu caminho, Ordem, auror ou criança."

Voldemort sorriu.

"É isso?" perguntou ele. "Você estava com medo que atacassem um aluno?"

"Novamente, são Comensais da Morte," rosnou Harry, "e eu não estava com medo. Não tenho medo de nada."

Voldemort riu.

"Pare de me mostrar seu lado grifinório, Harry. Não é nada atraente."

"Pai, estou falando sério," disse Harry. "O que você fez com Jackson levantou suspeitas. Moody descobriu exatamente o que estava acontecendo. Ele me disse que sabia que eu estava falando com alguém da Sonserina que estava usando o pai Comensal da Morte para te mandar mensagens."

Os olhos vermelhos de Voldemort brilharam novamente, causando um formigamento doloroso na cicatriz de Harry.

"Ah, sim, Alastor Moody," ele vibrou o nome em sua língua, "aquele que colocou o bartra em você. Ele é conhecido por ser excepcionalmente brutal com os Comensais da Morte." O bruxo olhou para Harry atentamente. "Ele te ameaçou?"

As mãos de Harry se cerraram em punhos debaixo da mesa.

"Você sequer está me ouvindo?" perguntou ele.

"Responda à pergunta, Harry."

"Não," retrucou Harry, "ele não fez nada, está bem?"

"Você prefere que eu faça Legilimência e veja por mim mesmo?"

"Sabe que eu odeio isso," irritou-se Harry.

"E você sabe que se vai guardar segredos de mim, então farei o que eu quero, independentemente de como você se sente quanto a isso."

Harry se calou.

"Tudo bem, eu vou te contar, mas tem que prometer que não vai atrás dele."

"Por quê?" perguntou Voldemort.

"Porque não quero que vá," respondeu Harry. "Caso não tenha notado, pai, eu sou mais do que capaz de enfrentar minhas próprias batalhas. Eu não preciso, nem quero que faça isso por mim."

Sua cicatriz queimou tão ferozmente que Harry teve que morder a língua. Mas ele manteve as mãos teimosamente afastadas, cerradas sob a mesa.

"Desde quando você me diz quais batalhas posso lutar?" perguntou Voldemort, mais do que irritado agora.

"Por que está ficando nervoso?" perguntou Harry com dificuldade. "Tudo que estou pedindo é que fique fora das minhas batalhas."

"Suas batalhas são minhas batalhas. Quando alguém levanta a varinha para você, é a mim que estão atacando!" rosnou ele. "E eu farei o que quiser para me proteger." O bruxo se levantou, jogou o guardanapo e dirigindo-se à porta.

"Pai?" Harry se virou, lutando para se levantar. Sua cicatriz estava em chamas, a dor o estava cegando: "Pai! Pai, espere!"

O cheiro irresistível de cobre inundou seus sentidos e Harry rapidamente alcançou o nariz, sentindo a umidade vazar de uma narina.

"Merda!" xingou ele, percebendo vagamente a mancha carmesim em seus dedos através de sua visão borrada.

Foi o xingamento murmurado que fez Voldemort parar e se virar, furioso com o desrespeito que seu herdeiro estava mostrando. Harry nunca xingava na frente dele, nunca. Mas quando o Lorde das Trevas se virou, encontrou-o dobrado, uma mão no encosto da cadeira, a outra estendida diante dele, os dedos manchados de sangue.

"Harry?" Ele correu na direção do garoto. "Harry!"

O bruxo segurou o ombro do rapaz e o guiou para se sentar antes de se ajoelhar diante dele. Ele levantou a cabeça abaixada de Harry, examinando a linha grossa de sangue que escorria do nariz até os lábios.

"Harry? O que...?"

As mãos de Harry agarraram as vestes de Voldemort.

"P-pai!" engasgou ele. "P-por favor, p-pare!"

Voldemort instantaneamente reprimiu sua raiva, dominando-a. Ele repetiu o mantra que sempre usava para se acalmar, mas hoje não parecia estar funcionando. Harry ainda gemia de dor, dobrado sobre a cadeira, as palmas das mãos pressionadas sobre a testa. O sangue continuava a vazar do nariz, manchando os lábios e o queixo de vermelho. Gotas caíram no chão, manchando o tapete caro.

Alguns minutos depois, quando Voldemort finalmente conseguiu bloquear completamente a raiva, os gritos sufocados de Harry diminuíram, restando apenas a respiração ofegante. Voldemort se levantou e pegou o guardanapo mais próximo, oferecendo-o ao garoto.

Cansado, Harry se endireitou e pegou o guardanapo, limpando o nariz e o queixo, deixando manchas escuras de sangue.

"O que aconteceu com você?" perguntou Voldemort.

Harry inspirou tremulamente.

"Sangramentos nasais," ele conseguiu forçar as palavras, "acontecem às vezes, quando a minha... minha cicatriz dói."

Voldemort sentou-se, encarando o mais jovem.

"Quando isso começou?"

"No dia em que eu deveria ser julgado," respondeu Harry, "quando fui levado ao quartel-general da Ordem, minha cicatriz doeu muito. Meu nariz começou a sangrar por causa disso. Desde então, aconteceu algumas vezes."

Voldemort lembrou-se daquele dia. Nunca estivera tão furioso em sua vida. Harry havia sido levado por Potter pouco antes de estar prestes a ser resgatado.

"Sua cicatriz doeu enquanto esteve longe daqui?" perguntou Voldemort. Ele se lembrou da carta de Draco que sugeria que Harry estava tendo dores de cabeça enquanto permanecia em Hogwarts, mas naquela época ele estava tão focado em trazê-lo de volta que ignorara praticamente todo o resto.

"Sim, doeu algumas vezes, na verdade," Harry sorriu levemente, "Dumbledore inventou uma grande mentira para explicar isso."

Os olhos de Voldemort se arregalaram.

"Dumbledore descobriu sobre sua cicatriz?"

"É meio difícil manter isso em segredo," disse Harry, apontando para o rosto manchado de sangue.

Voldemort não parecia feliz, mas controlou a raiva.

"O que ele disse?"

Harry balançou a cabeça, acenando com a mão.

"Não é nada. Uma completa bobagem, sério..."

"Harry?"

Harry suspirou e recostou-se na cadeira, aprumando-se nela enquanto olhava para o pai.

"Ele me disse que sabia que minha cicatriz foi causada por um feitiço, mas que hemorragias nasais não costumam ocorrer nesses casos."

Voldemort assentiu. Dumbledore sempre sabia do que estava falando. Odiava isso nele.

"Ele..." Harry fez uma pausa para encarar o pai antes de sorrir, "é um absurdo."

"Eu quero saber, Harry."

"Ele disse que... que eu era O Escolhido, não Longbottom."

Voldemort levantou uma sobrancelha e sorriu. Mas mentalmente estava xingando o velho tolo.

"É mesmo?"

"Eu te disse que era um absurdo," repetiu Harry, "ele me disse que era sobre mim que a profecia falava e que minha cicatriz era na verdade a 'marca' que me foi dada por você, e já que 'nenhum poderá viver enquanto o outro sobreviver,' minha cicatriz doer e as hemorragias nasais são sinais de que eu estou... sei lá, morrendo ou alguma porcaria assim."

Voldemort não disse nada, mas sentiu suas entranhas congelarem com as palavras de Harry.

"Ele só estava tentando me assustar para que eu me virasse contra você," prosseguiu Harry, "todo o resto falhou, então ele inventou esse lixo." Ele balançou a cabeça e estendeu a mão para retirar o pingente. "Eu falei com Bella ontem à noite e ela apontou a Horcrux. Eu estive pensando que as hemorragias nasais podem ser por causa disso," sugeriu ele, "já que tem um pedaço da sua alma, talvez minha cicatriz reaja como se eu estivesse fisicamente perto de você. E já que tenho isso em volta do meu pescoço, talvez seja por isso que a dor é tão intensa que provoca hemorragias nasais."

O olhar escarlate de Voldemort repousou no pingente da serpente. Ele olhou nos olhos de Harry e sorriu.

"Sim, pode ser por causa da Horcrux," ele estendeu a mão, "tire isso."

Harry de repente intensificou o aperto ao redor do pingente.

"Quê?"

"A Horcrux. Você deve tirá-la se estiver causando desconforto."

Harry sacudiu a cabeça.

"Não, eu não vou tirar," argumentou ele, "você me deu e eu vou ficar com ela." Ele encarou os olhos vermelhos de frente. "Você vai ter que aprender a ficar calmo e tranquilo."

Os lábios de Voldemort se levantaram em um sorriso relutante.

"Calmo e tranquilo?" perguntou ele. "Não é nada bom para o Lorde das Trevas."

Harry sorriu.

"Já é hora de mudar sua imagem," brincou ele.

Voldemort sorriu, balançando a cabeça para Harry. Seus olhos pousaram no pingente e seu sorriso desapareceu. Estava certo de que a cicatriz de Harry doer enquanto estava fisicamente longe dele não poderia estar ligado à Horcrux. Quanto às hemorragias nasais, seu coração saltou só de pensar nelas. Não queria admitir, nem para si mesmo, o quanto a profecia poderia fazer sentido na condição de Harry. Mas se esse fosse o caso, encontraria uma maneira de impedir isso. Só precisava descobrir exatamente o que estava acontecendo primeiro.

Seu olhar se ergueu para as manchas secas de sangue no rosto do garoto. Tinha que descobrir rápido.

xxx

Faltavam três dias para o feriado de Natal, e aquelas setenta e duas horas foram as mais difíceis da vida de Damien. Aonde quer que fosse, as pessoas estavam falando de Harry. Nas refeições, durante as aulas, no treino de quadribol, nas salas comunais; o único assunto era Harry como o Príncipe das Trevas. Toda Hogwarts estava revoltada com o rapaz ter estado ali todo esse tempo.

Damien era encarado, apontado e acusado onde quer que fosse.

"Lá está ele! Damien Potter, o irmão do Príncipe das Trevas."

Era tudo isso que o seguia, como um eco horrível que se recusava a deixá-lo.

Para piorar a situação, o Profeta Diário chegava todas as manhãs trazendo um relato devastador após o outro.

O Ministério tomou medidas rápidas no ataque a Hogwarts, mentindo descaradamente. O Profeta Diário que chegou na primeira manhã após o ataque publicou uma entrevista exclusiva com o ministro da Magia, Cornelius Fudge, em que o ministro negou ter qualquer conhecimento de que Harry Potter era o Príncipe das Trevas.

"Estou profundamente horrorizado que um engano dessa magnitude tenha ocorrido," disse o ministro Fudge em sua entrevista exclusiva ao Profeta Diário. "Como exatamente isso aconteceu ainda deve ser totalmente investigado, mas parece que houve uma confusão deliberada. Acreditou-se que o prisioneiro atualmente sob custódia era o Príncipe das Trevas, filho e herdeiro de Você-Sabe-Quem. Mas parece que ele era apenas uma isca. O verdadeiro Príncipe das Trevas estava escondido em Hogwarts, sem o conhecimento do Ministério. Eu devo enfatizar que o Ministério não estava ciente da verdadeira identidade de Harry Potter. Ele foi plantado lá por Você-Sabe-Quem, como um espião. É profundamente inquietante que isso tenha acontecido, mas eu prometo a vocês que ações serão tomadas e Harry Potter será preso."

No último dia em Hogwarts, o Profeta Diário trouxe uma notícia que aniquilou a paz que ainda restava a Damien.

"O ministro da Magia fez um anúncio esta manhã, selando o destino do Príncipe das Trevas, filho d'Aquele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado, com a mais temida das sentenças. O Príncipe das Trevas, também conhecido como Harry James Potter, deve receber o beijo após a captura. Não deve haver..."

Damien largou o jornal e olhou para os pais. Eles estavam também liam a notícia, pálidos e perturbados. Damien encontrou os olhos aterrorizados da mãe e sentiu o coração afundar até a boca do estômago. Podia ver em sua expressão; não havia nada que ela pudesse fazer para ajudar Harry. Não havia nada que seu pai pudesse fazer para salvá-lo. Todos os aurores, exceto seu pai, Sirius e Remus, estariam procurando por Harry, e no minuto em que ele fosse pego seria sentenciado ao beijo do dementador. Sem julgamento, sem sentença; sem chance de sobrevivência.

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Na última noite antes do feriado de Natal, as salas comunais estavam cheias e barulhentas, com todos discutindo sobre o Príncipe das Trevas e a desculpa que o diretor deu a Neville.

"Não há como ele ser O Escolhido!" disse Lavender.

"Por que Dumbledore mentiria?" perguntou Angelina.

"Ele está obviamente tentando salvar a própria pele," disse Lee, "ele tem que oferecer algo melhor do que a simples verdade."

"Que é?" perguntou Parvati.

"É óbvio," respondeu Lee, "ele trouxe o Príncipe das Trevas para cá porque Hogwarts é o lugar mais seguro. Nem as prisões têm os escudos de segurança que temos."

"E ainda fomos atacados por Comensais da Morte," murmurou Lavender.

"Deve ser um trabalho interno," disse Colin, temeroso, "de que outra forma os escudos poderiam cair?"

"Os escudos não caíram," corrigiu Dean, "eles foram temporariamente enfraquecidos."

"O que importa?" perguntou Parvati. "A questão é que os Comensais da Morte entraram nos terrenos. É ridículo que isso tenha acontecido!"

"Isso só aconteceu porque Dumbledore o trouxe para cá," acrescentou Lavender.

"Não posso acreditar que Harry é o Príncipe das Trevas," disse Angelina, balançando a cabeça, "ele parecia tão... sei lá, normal."

"Quantas vezes falamos sobre o Príncipe das Trevas?" perguntou Lee. "E o tempo todo ele estava sentado ao nosso lado."

"Ah, Deus!" resmungou Colin. "Eu disse muitas coisas que não deveria ter dito sobre o Príncipe das Trevas!"

"Todos nós dissemos, Colin," consolou Dean.

"E se ele vier atrás de mim?" perguntou Colin, com medo.

"Sim, é o que ele vai fazer," disse Angelina, "arriscar ser capturado novamente só para torcer seu pescoço macilento por falar mal dele."

"Nunca se sabe," acrescentou Lavender, "ele poderia fazer qualquer coisa."

"Eu me sinto tão mal por Neville," disse Seamus, em uma voz calma, "ele sempre foi tão legal com Harry. E saber que foi ele que..." ele parou, incapaz de terminar. O garoto suspirou e passou a mão pelo rosto. "Isso é tão confuso."

"Eu sei, pobre Neville," choramingou Lavender.

Hermione e Ginny ficaram de boca fechada, ignorando a conversa o máximo que podiam. Era estranhamente enfurecedor todos eles falando sobre Harry, mesmo que o que estivessem dizendo fosse verdade. Harry era o Príncipe das Trevas. Ele era indigno de confiança e não havia como dizer do que era capaz. Mas tanto Hermione quanto Ginny viram um lado dele que o restante não vira. Ele os salvou dos Daywalkers. Ele passou aquele tempo em Hogwarts, fervendo de raiva em silêncio, mas nunca descontou em ninguém, exceto daquela vez com Ron. Isso tornava muito mais difícil para elas ficarem sentadas ouvindo os outros falarem mal dele. Mas era melhor que fossem elas e não Damien ali, ouvindo o que os outros tinham a dizer sobre seu irmão mais velho. Ron tinha se encarregado de manter o menino longe da sala comunal pelo maior tempo possível. Mas uma hora Damien tinha que retornar ao dormitório, especialmente porque tinha que arrumar suas coisas para ir para casa amanhã.

O buraco do retrato se abriu e Ron e Damien se arrastaram para dentro. Todos os olhos na sala comunal se voltaram para o menino de treze anos. Hermione e Ginny sentaram-se eretas ao vê-lo, mas Ron acenou com a mão para elas, gesticulando que iriam direto para o dormitório. Eles caminharam pela sala movimentada, indo para as escadas, enquanto Hermione e Ginny pegavam as mochilas para segui-los.

"Ei, Damien!" chamou um terceiranista, Jason McGinnis, "onde você esteve?"

Damien se virou para ele.

"Eu tive que ir ver o Professor Dumbledore."

"Ele estava dando dicas sobre como esconder seus irmãos homicidas?" perguntou Jason. "Porque acho que não precisa de nenhuma lição. Você é muito bom nisso."

Algumas risadas atravessaram a sala silenciosa.

Damien se virou, cansado demais para brigar com qualquer um. Ron apenas olhou para Jason antes de seguir atrás do menino mais novo.

"Por que fez isso?" gritou uma voz. Damien e Ron se viraram e viram que era Seamus. "Professor Dumbledore disse para você manter em segredo, ou foram seus pais?"

"Não é da sua conta, Seamus," respondeu Ron.

"Não, acho que é da minha conta, sim," retrucou o outro, aproximando-se, "já que fui eu quem dividiu um quarto com aquele assassino!"

"Pare com isso," disse Damien. Toda vez que alguém se referia a Harry como assassino, o garoto sentia uma pontada de dor no coração, "ele não é..."

"O que? Um assassino?" perguntou Seamus. "Vai tentar negar os crimes dele agora?"

"Não, eu..." Damien lutou, "não é... você não entende, Harry não é..." ele parou.

"O que?" perguntou Seamus. "Admita, Damien. Seu irmão é um Comensal da Morte!"

"Pare com isso, Seamus," disse Ron, "já chega."

"Por que está do lado dele?" perguntou Seamus.

"Porque eu sou amigo dele," respondeu Ron, "e vocês também eram antes de se virarem contra ele." O ruivo se dirigiu ao restante da sala.

"Sim, porque ele mentiu para nós," disse Seamus, "ele sabia o que o irmão dele era e não avisou a nenhum de nós."

"Avisar a vocês?" perguntou Damien. "Para quê? O que Harry fez com vocês?" Ele olhou ao redor da sala. "O que ele fez com algum de vocês?" perguntou ele. "Estão todos se voltando contra ele quando ele não fez nada para machucá-los..."

"E o que ele fez com Neville?" perguntou Seamus. "Isso não conta para nada?"

Damien ficou pálido com a menção de Neville e baixou o olhar.

"O que você fez com Neville é imperdoável," prosseguiu Seamus, "você apoiou um assassino em vez de um amigo que conheceu a vida toda. E não me venha com essa bobagem sobre ele ser seu irmão! Você não o conhece, nunca viveu um dia sequer com ele! Sua lealdade deveria ter sido com Neville, a quem conhece a vida toda!"

"Já chega, Seamus!" bradou Ron.

"Não," retrucou Seamus. Ele apontou um dedo para Damien. "Ele sabia a verdade..."

"Eu também sabia a verdade sobre Harry," disse Ron, "tem algo a me dizer?"

Seamus olhou para ele, primeiro em choque e depois com desgosto. Ele balançou a cabeça e se afastou, pegou a mochila e saiu da sala comunal. Ron olhou ao redor da sala com os olhos azuis irritados.

"Alguém mais tem problema com Damien?" perguntou ele. Ninguém disse nada, mas lançavam olhares irritados para o ruivo. "Ótimo." Ron assentiu. Ele agarrou o braço de Damien e o puxou para a escada. "Vamos."

Hermione e Ginny se levantaram e correram atrás deles, deixando que os demais começassem a fofocar novamente.

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Os homens mascarados cuidadosamente depositaram os numerosos itens sobre a mesa e recuaram, caindo de joelhos.

"Aqui estão suas posses, Príncipe. Tiramos tudo do armário do Ministério."

Harry deu um passo à frente, seus olhos vagaram por suas coisas. Ele ergueu a máscara prateada de aspecto sujo e segurou-a nas mãos. Sua identidade fora revelada. A máscara não era necessária agora. Todo Comensal da Morte, do primeiro ao último escalão, podia vê-lo. Foi uma decisão da qual Lorde Voldemort disse que não gostou, mas que estava fora de seu alcance. O mundo sabia quem era o Príncipe das Trevas agora, então por que os Comensais não deveriam?

Harry examinou suas coisas. Os pertences que lhe foram tirados quando estava em Nurmengard. Suas lâminas, suas armas, sua pequena caixa de madeira.

Ele ergueu a caixa e sorriu, passando a mão sobre ela; uma caixa de mogno retangular com gravuras no centro. Era jovem demais para entender o que as figuras significavam quando recebeu a caixa pela primeira vez, o primeiro presente que recebera. Agora reconhecia o escudo da Sonserina orgulhosamente posto no centro da tampa. Guardara a caixa, colocando o livro de fotos que ela continha na prateleira de seu quarto. Esse era o verdadeiro presente, o livro, mas Harry não conseguiu descartar a caixa. Assim que aprendeu, encolheu-a e a usou para armazenar um estoque de poções vitais, para levar quando saísse em missão. Ele a abriu, surpreso por ainda conter os frascos de poções. Colocou a tampa de volta e enfiou a caixa no bolso interno de suas vestes.

O rapaz se virou para encarar os Comensais da Morte, notando o modo como lutavam contra o instinto de olhar para ele. Ele sorriu e olhou para o pai, sentado em sua cadeira de espaldar alto. Se seu mestre não estivesse na presença deles, talvez cedessem e dessem uma boa olhada no garoto. Mas como suas ordens eram de "nunca olhar o Príncipe nos olhos," eles só podiam se ajoelhar aos seus pés e encarar o chão.

"Não está tudo aqui," Harry falou para os homens, "está faltando minha varinha."

Os dois homens ergueram o olhar, o temor em seus olhos.

"Príncipe, trouxemos tudo do armário que tinha seu nome..."

"Bem, não fizeram um bom trabalho, já que minha varinha não está aqui."

Os homens se voltaram para Voldemort, que olhava para eles com olhos frios e cruéis.

"Milorde, saqueamos o Ministério. Pegamos tudo que tinha o nome do Príncipe, não deixamos nada para trás."

"Estão chamando meu filho de mentiroso?" perguntou Voldemort.

Os homens balançaram a cabeça veementemente.

"Não, meu Senhor! Nós jamais o desrespeitaríamos!"

Voldemort se levantou e calmamente, quase em câmera lenta, foi até os Comensais da Morte.

"Quanta incompetência," sussurrou ele.

"Milorde, não, por favor..."

"Qual é o sentido de ter vocês disfarçados no Ministério se não conseguem completar uma simples tarefa?" perguntou Voldemort.

"Milorde, por favor..."

Voldemort mirou a varinha, apontando para a cabeça enquanto o homem choramingava e implorava, e o outro se curvava, a cabeça tocando o chão de mármore e implorando desesperadamente por sua vida.

"Milorde! Por favor! Por favor!"

"Pai, espere," chamou Harry, parando-o assim que o encantamento da maldição da morte tocou sua língua. Voldemort virou-se para olhá-lo, "agora que estou pensando nisso, essas coisas vieram de Nurmengard, mas minha varinha não estava lá. Os bruxos do esquadrão já a haviam entregado antes."

Voldemort puxou a mão para trás, fazendo o Comensal da Morte quase chorar de alívio.

"Ela não foi entregue ao Ministério?" perguntou Voldemort.

"Foi, mas não com essas coisas," respondeu Harry, "deve ter sido armazenada separadamente."

"Não poderia ter me dito isso antes de eu quase matá-lo? " perguntou Voldemort, apontando para o homem que choramingava.

Harry encolheu os ombros.

"Não é uma grande perda."

"Verdade," Voldemort sorriu para seus homens, "mas ainda teria sido um desperdício."

Harry se virou para os homens.

"Trouxeram a papelada?"

O homem tirou tremulamente um arquivo do bolso de sua roupa e ofereceu a Harry.

O jovem pegou o arquivo e o abriu, folheando as páginas que detalhavam tudo sobre sua prisão. Voldemort fez um gesto dispensando seus homens, que se apressaram para beijar a bainha de suas vestes e se puseram de pé, curvando-se diante de Harry antes de sair.

O garoto não lhes deu atenção enquanto lia o arquivo. Ele chegou à página que listava o que acontecera com sua varinha. Sua testa franziu e os olhos se estreitaram enquanto lia as poucas linhas. Ele fechou o arquivo.

"Ele está com minha varinha," disse Harry com raiva.

"Quem?" perguntou Voldemort.

Harry se virou para ele, os olhos verdes brilhando de raiva.

"James Potter."

Voldemort ficou em silêncio e apenas olhou para Harry.

"Estava lá, guardada no armário do Ministério," disse Harry, "mas uma entrada pouco antes do dia 1 de setembro afirma que o auror Potter pegou a varinha, já que ele era meu..." Harry fez uma pausa, visivelmente lutando para continuar "...guardião legal." Ele jogou o arquivo pelos aposentos. "Idiota!" sibilou baixinho, passando a mão pelo cabelo.

"Tudo bem," consolou Voldemort.

"Ele está com minha varinha!" disse Harry, virando-se para encará-lo. "Provavelmente já a partiu!"

"Ele não ousaria," retrucou Voldemort.

Harry balançava a cabeça, andando de um lado para o outro, um hábito que incomodava muito Voldemort.

"Não está no Ministério, Potter não levaria para Hogwarts e, até onde eu sei, ele não voltou ao quartel-general, então minha varinha não pode estar lá." Ele parou de falar. "Isso significa," ele olhou para Voldemort, "que está... está lá..." Ele parou de novo, lutando para falar.

Mas Voldemort sabia o que ele queria dizer.

A varinha de Harry estava em Godric's Hollow.

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Dumbledore estava com sérios problemas. Ele não apenas estava recebendo mensagens enfurecidas de pais preocupados, querendo saber como os Comensais da Morte conseguiram entrar nos terrenos de Hogwarts, mas também estava com muitos problemas com o Ministério.

O ministro ficara possesso de raiva. Ele acusou Dumbledore de não conseguir manter sua parte do acordo. Como resultado, não mostraria piedade a Harry Potter. Não importava o que o diretor dissesse, quão intensamente citasse a profecia, ou o que oferecesse em troca, Fudge estava convencido de que a única solução era a completa destruição do Príncipe das Trevas.

Pouco antes de os estudantes e os professores partirem para as férias de Natal, Dumbledore chamou James ao seu escritório.

"Eu queria alertá-lo," disse ele solenemente, "você e Sirius serão monitorados de perto devido à sua relação com Harry. Fudge não confia que o capturarão."

"Pelo menos parte do cérebro dele funciona," respondeu James, "não vou destruir meu próprio filho."

"As ordens dele são claras," disse Dumbledore, "encontrar Harry e ministrar o beijo após a captura. Não haverá julgamento, nem chance de uma possível fuga."

James xingou baixinho.

"O que ele acha que está fazendo? É um menino de dezesseis anos, pelo amor de Merlin!"

"Ele não se importa," respondeu Dumbledore, "sua preocupação é com o que pode fazer para reconquistar o voto do povo. Fudge sabe que com o Príncipe das Trevas capturado e punido ele ganharia a confiança de todos novamente."

James sacudiu a cabeça.

"Então temos que garantir que o Ministério não chegue até Harry."

Dumbledore assentiu.

"Eu marquei uma reunião da Ordem para o dia vinte e sete. A Ordem tem que saber sobre a penseira de Harry."

James parecia chocado.

"Você vai contar a eles sobre as memórias de Harry?"

"Eles precisam saber, se quiserem entender as ações dele." Dumbledore se inclinou para frente, os dedos longos pairaram sobre o anel preto e prateado em sua mesa. "Há outra coisa sobre a qual eu queria falar com você," começou ele, "eu notei uma área dentro da penseira que está... fechada por assim dizer."

"Fechada?" indagou James.

"Eu acho que foi trancada por Harry, para manter algumas memórias escondidas."

James franziu a testa.

"Por que ele faria isso? A penseira é dele." Ele pensou por um momento. "Talvez seja apenas uma medida de precaução."

"Assim ele trancaria todas as memórias," apontou Dumbledore.

"Isso mesmo," James assentiu, "então por que só trancaria algumas?"

"Tenho pensado nisso," disse Dumbledore, "a penseira dele foi transfigurada em um anel. Este anel não é algo que Harry criou quando veio para Hogwarts. Ele tinha este anel antes de vir para cá. As memórias armazenadas não são só sobre sua infância com os supostos Potter. Há muitas outras memórias aqui que ele manteve em segredo. Mas de quem as está escondendo?" Dumbledore encontrou os olhos de James. "O meu palpite é que Harry as esconde de Voldemort."

Os olhos de James se arregalaram.

"Você viu a lealdade dele," disse James, "não acho que esconderia nada de Voldemort."

"A verdade é que não sabemos como é o relacionamento deles," respondeu Dumbledore, "a lealdade de Harry faz sentido, considerando o que acredita ter lhe acontecido. Mas não sabemos como Voldemort criou Harry, o quanto era rígido, o que permitia e não permitia." Ele baixou os olhos para o anel. "Eu posso trabalhar nos encantamentos, tentar destrancar essas memórias para que possamos ver o que Harry quer esconder. Mas até lá, existem mais de quarenta memórias disponíveis. Devíamos trabalhar nelas, para compreender a vida de Harry com Voldemort."

"Eu não acho que consigo vê-lo com aquele monstro," disse James.

"É a única maneira de o entendermos," disse Dumbledore, "nós lhe dissemos várias vezes que Voldemort o tirou de casa quando tinha apenas um ano de idade, mas se tivéssemos visto essas memórias, saberíamos que Harry se lembra de uma série diferente de eventos." Ele contemplou com tristeza a forma derrotada de James. "Nós falhamos com Harry porque subestimamos as mentiras e artifícios de Voldemort. Se nos aproximarmos dele novamente, podemos ter apenas uma chance de fazê-lo ver a verdade, e para isso primeiro precisamos saber do que ele se lembra e ter noção do que ele viveu com Voldemort."

James assentiu, claramente infeliz. Ele olhou para o anel como se fosse uma cobra, prestes a saltar e mordê-lo.

"Quando vamos entrar?" perguntou ele.

Dumbledore levantou o anel e o colocou em seu dedo.

"Hoje não," assegurou ele, "hoje você vai para casa com sua esposa e seu filho tentar relaxar."

James zombou.

"Relaxar? Dumbledore, eu mal posso fechar os olhos sem lembrar o que vi aí." Ele olhou com ódio para o anel antes de olhar para o bruxo. "Isso me assombra dia e noite e vai continuar assim até eu conseguir Harry de volta e convencê-lo da verdade."

Dumbledore sorriu tristemente.

"Você vai conseguir, James, vai conseguir," disse ele, " vai recuperá-lo e ele saberá a verdade. Mentiras são como recipientes jogados em um mar de verdade. O mar pode escondê-las por um tempo, mas mais cedo ou mais tarde as mentiras subirão à superfície, claras para todos verem."

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O Natal chegou e com ele veio mais desgosto para os Potter. Tinham pensado que Harry viria a Godric's Hollow. Fizeram preparativos para seu retorno, mas apenas os três voltaram à casa vazia. Nenhum deles estava com vontade de celebrar o Natal.

O dia de Natal chegou bem gelado. Lily acordou com uma chamada de Molly, insistindo que todos fossem À Toca para celebrar. Ela recusou educadamente, mas Molly não aceitou.

"Você virá ou eu prometo, Lily Potter, que vou pessoalmente arrastá-la pela lareira."

"Nós simplesmente não estamos no clima, Molly. Realmente agradeço seu convite, mas..."

"Sem mas!" Molly a interrompeu, mas seu rosto suavizou. "Posso não saber o que você está passando, mas posso imaginar a dor. Que tipo de amiga eu seria se te deixasse assim, e ainda mais no Natal."

"Molly..."

"Pense em Damien," interrompeu Molly, "ele deveria ficar com os amigos, mesmo que apenas como uma distração por algumas horas."

Lily finalmente cedeu. Molly estava certa, não era justo com Damien. Ela poderia querer afundar em sua tristeza o dia todo, mas não suportava o pensamento de seu filho de treze anos fazendo o mesmo.

"Está bem," ela sorriu, "nós chegamos em breve."

Molly sorriu e saiu das chamas verdes, deixando o fogo morrer com um silvo deprimente.

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Era tarde da noite quando James e Lily voltaram para casa, depois de passarem o dia de Natal n'A Toca. Lily tirou os sapatos e sentou-se cansada. Não tinha nem se arrumado, não conseguia encontrar forças para tanto. James também. Ele sentou-se, esfregando a barba de três dias.

"Você acha que deixar Damien n'A Toca foi uma boa ideia?" perguntou Lily, já lamentando sua decisão.

"Acho que Ron vai mantê-lo distraído," respondeu James, "é melhor para ele estar com os amigos em vez de ficar aqui deprimido com a gente."

Lily assentiu, sentindo-se culpada.

"Devemos fazer um esforço perto de Damien, tentar nos manter... positivos."

James olhou para ela.

"Sim," disse ele lentamente, "positivos."

Lily se aproximou e esfregou o ombro dele.

"James."

Mas ele apenas balançou a cabeça.

"Sinto muito," disse ele, "eu só... não consigo encontrar nada para me firmar. A única coisa em que consigo me concentrar é em Harry e em trazê-lo de volta, para mantê-lo a salvo do Ministério e de Voldemort." Ele sacudiu a cabeça. "Não consigo dormir, não consigo comer, não consigo nem mesmo um momento de paz até tê-lo de volta."

"Eu sei," disse Lily baixinho, "sinto o mesmo." Ela segurou na mão dele. "Mas nossa aflição está afetando Damien também."

James assentiu.

"Sim, eu sei, eu..." Ele respirou fundo. "Eu vou tentar, prometo. Quando ele chegar em casa em alguns dias, vou levá-lo a um jogo, afastar a mente dele dessas coisas."

"Boa ideia," Lily sorriu.

James suspirou e passou a mão pelos cabelos.

"Quer um pouco de chá?" perguntou ele.

"Sim, eu vou fazer." Ela fez menção de se levantar, mas James segurou sua mão.

"Está tudo bem, fique sentada, eu coloco a chaleira."

Ele se levantou e deu dez passos em direção à cozinha quando a campainha da porta da frente tocou. James parou, virando-se para a outra porta.

"Quem pode ser?" perguntou Lily.

James não fazia ideia. Um leve pensamento cruzou sua mente. Podia ser Petunia, já que geralmente era Lily que ia visitá-la no dia de Natal. Mas hoje ela ficara n'A Toca o dia todo. Talvez Petunia tivesse vindo visitá-la em vez disso? Mesmo enquanto pensava nisso, ele desconsiderou. Petunia não era de fazer visitas, não àquela casa, afinal.

James cruzou a sala e atravessou o corredor. Ele abriu a porta e parou em absoluto pavor.

Olhos vermelhos se ergueram para ele e um sorriso frio e cruel iluminou o belo rosto. Atrás dele, uma multidão de pelo menos trinta homens de capas pretas e máscaras brancas apontavam as varinhas para James.

"Boa noite, Potter," cumprimentou Voldemort, "posso entrar?"