Capítulo 9 – Confia em mim?
Hermione chegou cedo ao St. Mungus. Logo que vestiu seu uniforme foi até o quarto de Snape. Queria ver como ele tinha passado a noite.
Ela bateu levemente a porta, não esperou resposta, adentrou o recinto. Snape estava terminando de tomar seu café da manhã.
Hermione aproximou-se da cama e perguntou:
— Bom dia. Como se sente, Snape? Alguma dor ou incômodo? Como dormiu?
Severus olhou para Hermione e lembrou-se do beijo da noite anterior, se não fosse bom em camuflar seus sentimentos teria corado em frente a ela. Snape queria abordar o assunto do beijo, mas não sabia como fazer, ela o tinha beijado, mas ele tinha fingido que estava dormindo. Era uma situação complicada.
— Bom dia, senhorita. — Disse com sua voz grave. — Não tive dor e também nenhum incomodo, me sinto muito bem. Dormi bem, não tive problemas.
— Ótimo. Fico muito feliz em saber disso. — Disse Hermione. — A partir de amanhã não estarei no hospital, vou iniciar a resolução de sua situação, assim poderá deixar Saint Mungus tranquilamente. Draco virá visitá-lo durante as tardes e Zabini virá vê-lo durante a manhã.
— Certo. Obrigado pela ajuda, senhorita Granger. Mas por que está fazendo tudo isso por mim? Sei que disse-lhe que esperaria a resposta, mas para mim é um situação muito complexa de entender.
— Snape, eu vou explicar tudo, mas não agora. Talvez depois que sair do hospital. Por enquanto, só vamos nos preocupar com sua saúde e com sua alta.
— Certo, mas não esqueça que vou cobrar-lhe a verdade. — Disse Severus.
— Eu tenho certeza que irá, mas agora deixe-me examiná-lo. — Falou Hermione já com alguns equipamentos bruxos de diagnósticos em suas mãos.
Os exames duraram cerca de dez minutos, logo Hermione explicou para Snape o motivo dos exames.
— Seus pulmões e sua frequência cardíaca devem ser verificadas todos os dias, por isso necessita de acompanhamento durante um mês, precisamos ver se seu corpo vai adaptar-se novamente a sua rotina antiga. De acordo com os exames anteriores, está tudo correndo perfeitamente bem, sua evolução é notável. Mas ainda não temos total certeza sobre como seu organismo vai reagir quando retornar a sua vida normal. Entende isso, Snape?
— Entendo, senhorita. — Respondeu o homem.
— Como eu disse antes, a partir de amanhã estarei fora do hospital para resolver sua situação. Mas para certos assuntos eu preciso de sua autorização devidamente registrada, como para acessar seu cofre no Gringotts.
Hermione estendeu uma prancheta para Snape como uma procuração válida por dois dias, para que ela pudesse agir em seu nome.
— Confia em mim, Snape? — Perguntou Hermione meio incerta sobre a resposta que ouviria.
— Senhorita Granger, eu confiaria minha vida a você, se fosse preciso. — Disse o homem, de modo sincero, enquanto assinava o documento.
Hermione corou intensamente, não esperava ouvir aquela resposta do homem que ama. Tentou disfarçar seu embaraço, mas falhou.
Hermione procurou deixar o quarto de seu paciente o mais breve possível, despediu-se dele dizendo que havia muitos outros pacientes para atender.
Snape percebeu o que seus dizeres causaram em Hermione e ficou feliz em saber que ela se importava com suas palavras.
~ x ~
Na manhã seguinte, Hermione não se dirigiu ao hospital, como havia feito todos os dias nos últimos anos. Ela foi até o Ministério, ver Harry. Havia pedido alguns documentos para ele, esperava que ele já tivesse conseguido alguma coisa que pudesse ajudá-la.
Hermione parou à frente da porta do escritório de Harry e bateu à porta. Logo o homem de cabelos rebeldes veio abri-la.
— Bom dia, Hermione. Como está? — Disse Harry abraçando a amiga.
A jovem mulher o abraçou de volta e respondeu.
— Bom dia, Harry. Eu estou bem e você? Como estão os preparativos de seu casamento?
Harry deu passagem para que Hermione entrasse em sua sala enquanto respondia a pergunta.
— Estão cansativos — disse passando a mão pelos cabelos, bagunçando-os ainda mais.
Hermione sorriu.
— Eu posso imaginar.
Depois continuou, com uma expressão mais séria em seu rosto.
— Desculpe ter te pedido esse favor enquanto está tão cheio de coisas para fazer.
Agora foi a vez de Harry sorrir.
— Acho que este é o primeiro favor que você me pede em mais de 14 anos de amizade. Eu preciso retribuir um pouco as centenas de favores que você fez para mim. Mas vamos deixar isso de lado, vamos direto ao trabalho!
Hermione concordou com um aceno de cabeça.
Harry apontou para um cadeira, fazendo menção para Hermione sentar-se. Enquanto ele tomava assento do outro lado da mesa, em frente a amiga.
Ele retirou alguns papéis da primeira gaveta de sua mesa e os alcançou para Hermione, que logo começou a folheá-los
— Como pode ver, Snape não tem muitas informações disponíveis no Ministério. Consegui descobrir apenas uma propriedade em seu nome. É uma casa, que fica em uma área rural, é um local bem afastado. Praticamente não há vizinhos. Então, o que planeja fazer com essa informação agora?
— Bom, preciso ver como está a casa, seu estado. Ver se os pertences de Snape ainda estão lá. Depois preciso ir até o Gringotts, ver o cofre de Snape, na verdade, ver o saldo que Snape possui em seu cofre. Preciso ver isso urgentemente, pois logo ele terá alta do hospital e precisa que tudo esteja pronto para sua saída.
Harry entendeu a urgência de Hermione, mas ele sabia que havia algo mais. Algo que ela estava escondendo, a conhecia bem demais para não perceber.
— Hermione, o que você está escondendo? Sei que tem alguma coisa que não está me contando. Fale logo.
Hermione, em um primeiro momento surpreendeu-se, mas não havia mais por que esconder, não de Harry. Rendeu-se então.
A mulher suspirou e então contou o que pretendia.
— Como você sabe, eu quero muito ajudar o Snape, mas creio que a situação dele não seja nada favorável nesse momento. Pois, ele precisa ficar sob vigilância constante nos trinta dias seguintes à alta. Para isso, ele teria que contratar alguém, o que seria bem caro. Além de que, a pessoa que ficasse com ele teria que ser pelo menos enfermeira, para checar os seus sinais vitais diariamente. Então, — Hermione fez uma pequena pausa em sua fala, suspirou profundamente e então continuou — eu acabei recebendo uma longa licença do Percy e pensei em assumir, voluntariamente, os cuidados de Snape assim que ele sair do hospital.
Harry tinha certeza que ela demorou para concluir pois estava enrolando. Ao terminar de ouvir o relato da amiga, ele nem tinha palavras. Hermione, mais uma vez, estava abdicando de seu tempo em prol de outra pessoa, mas não adiantaria Harry repreendê-la por isso, ela jamais mudaria sua maneira altruísta de agir. Então apenas procurou ver o lado bom da atual situação.
— É uma ótima atitude. Snape não teria gastos e teria uma pessoa maravilhosa tomando conta dele. Mas, você já contou isso para ele?
Hermione suspirou antes de responder.
— Não contei. E nem sei como farei isso.
