A chuva forte chocava-se contra os vidros insistentemente, fazendo com que os elfos usassem os seus poderes para fechar as janelas o mais rápido possível. O vento fazia com que as persianas e as portas de mogno batessem violentamente… o barulho das colisões contrastava com o silêncio confortável entre Narcissa e Hermione, que seguiam abraçadas. Não havia o que ser dito. Apenas sentiam as próprias emoções e a companhia calorosa que uma perpetrava a outra. A bruxa de cabelos loiros, prosseguia acariciando os cachos revoltos da sobrinha, se questionando o quanto a menina escutara da discussão. Contudo, não perguntaria. Quando a castanha estivesse preparada para falar o que lhe incomodava, desabafaria sem medo ou restrições. A conhecia o suficiente para enxergar a sinceridade e a capacidade de expor suas aflições livremente. Aquele instante não seria diferente. O remanso discreto e cálido foi interrompido pela expressão de dúvida com a qual a jovem se virou para inquirir:
- Mãe… há quanto tempo a senhora e o professor Snape são amigos? - encarava a mais velha com um semblante sério e cheio de expectativas conflitantes pela resposta.
- Desde os meus 9 para 10 anos, por quê? - retorquiu serenamente, apertando a ponta do nariz da menina com delicadeza, para que sorrisse. Não gostava quando via naqueles traços, ainda infantis, preocupações que lhe afligissem o espírito.
- Curiosidade… apenas isso! Eu convivi com ele quando era criança? - se manteve com a mesma postura interrogativa. Aquele era o momento em que poderia obter as explicações desejadas.
- Sim. Você era, e ainda é, uma bonequinha bastante observadora! Então, sempre o seguia para vê-lo fazendo poções e enchê-lo de indagações - manifestou um tom nostálgico em sua voz ao dizer aquilo, lembrando de seus filhos ainda pequenos correndo pela casa. Do mesmo mordo que recordava de uma pequena Hermione se mostrando sempre entusiasmada em adquirir novos saberes. Em meio a um suspiro longo e contemplativo, continuou relatando:
- Às vezes, creio que seja por esta razão a sua delicadeza e atenção com as minúcias necessárias às infusões. Mesmo que eu tenha seguido lhe incentivando e ensinando, reconheço que você aprendeu muito com o Severus.
- Eu não me escordo muito bem disso… só evoco em minha memória uma vez, em que o professor, não me deixou cair da bancada. Para variar, acabou brigando comigo - confidenciou, soltando a respiração pesada. Sua face começava a ficar rubra, pela luta contra as lágrimas, expondo o seu desgosto.
- Ele sempre foi paciencioso com você, dado o seu grande interesse em compreender as coisas. Dificilmente a censurava, porquanto, a chamada de pequena assistente - assegurou, tentando acalmá-la. No entanto, a quietude da castanha, a obrigou a argumentar novamente:
- Não houve dia em que não relatasse o quanto era sábia e analítica… enfatizando que era um mini-gênio! Mesmo que, a realidade, fosse que você ficava sentadinha na bancada o olhando trabalhar e ouvindo as explicações que lhe dava - colocou a mão no queixo da sobrinha para que a olhasse, visto que, a jovem abaixara a cabeça chateada.
- Eu queria tanto que tivesse continuado tudo igual, mãe… - lágrimas grossas escorreram acompanhadas pelo argumento evidenciado. Narcissa a vendo tão abalada, ficou com o coração apertado e agoniado, sem assimilar porque a menina sofria tanto.
- Por qual motivo diz isso, meu amor? Por favor, não chore! - a abraçou forte para passar segurança e tranquilidade.
- Porque eu sinto que o professor Snape me odeia! Juro que eu não fiz nada… ele gritou comigo e me ofendeu. Me chamou de irritante sabe tudo, de dentuça! Falou que eu não necessito me pentear, pois não faz diferença alguma - alegou inquieta, entre soluços, quase gritando. Suas emoções eram tão afloradas que, quase, a impossibilitavam de conseguir limpar o próprio rosto. Sem nada dizer, anuiu que se mantivesse descarregando o que tanto lhe acossava os nervos.
- Mãe, eu só queria que ele gostasse de mim e captasse o quanto eu estava empenhada em seguir as instruções dadas em aula… porém, fui humilhada! - concluiu em meio a um choro sentido e cheio de dor pela rejeição.
- Severus age como um perfeito idiota… mas, lhe asseguro que ficou extremamente satisfeito com toda a sua dedicação e feliz ao ver o quão doutra, prudente e multíscia, você é - afirmou com o seu melhor ar soberbo e convicto de cada palavra que proferira. Carinhosamente, beijou a castanha na testa, arguindo mansamente as suas considerações. Com o claro intuito de apaziguá-la, deu continuidade as carícias no couro cabeludo, até que o choro foi cessando. Ao perceber que o coração de Hermione batia mais tranquilo, esclareceu as suas ponderações:
- Acredite nas minhas apreciações. Ele tem uma maneira muito estranha e grotesca de demonstrar afeto. Não estou o justificando, minha princesa linda… entretanto, estou convencida de que, aquele bruxo sem coração, notou que você é uma intelectual nata.
- Custava, uma única vez que fosse, valorizar os meus esforços? O professor Snape só meu deixou auxiliá-lo porque o Draco pediu! Ama não somente ao afilhado, como também aos meus outros irmãos… o que sobra para mim é unicamente a sua abominação - recomeçou a chorar ainda mais alto.
- Oh, meu bebê… você está com ciúmes! Agora eu vejo as causas que a levam a almejar tanto a atenção do Severus. Não fique assim, minha menininha linda e fantástica! - consolou, apesar de estar um pouco assustada com a constatação que acabara de fazer, deu um meio sorriso de felicidade. Apertando a sobrinha entre os braços, a sacudiu um pouco para que se animasse, como se ainda fosse um bebê. A mimaria enquanto pudesse e lhe fosse permitido, assim como sempre fez com relação aos outros… seus filhos eram tudo o que possuía de mais precioso e só aprazia ao ver a bem-aventurança de cada um.
- Mãe… eu escutei quando o professor disse que a amava. Depois disso, tapei os meus ouvidos, porque eu não ia suportar perscrutar mais do que isso - declarou em um tom de desabafo, encarando-a para verificar a veracidade e a gravidade de tudo.
- Claro que o Severus sente apreço por mim e, da minha parte, será sempre recíproco. Crescemos juntos e somos amigos, bonequinha! O homem a quem eu amo com ardor e devoção é o seu pai… posso até ter demorado a me dar conta dessa obviedade, todavia, é um fato - assegurou sem desviar os olhos da jovem, que parecia aguardar por mais informações.
- Discutir com aquele imbecil apenas me fez ver o quanto eu amo o Sirius e quero ficar com ele até o fim dos meus dias - garantiu sorrindo abertamente. A menina se mantinha atenta a cada detalhe, com uma expressão de dúvida, que a levou a finalizar:
- O Severus ama, venera e é fascinado somente por uma pessoa. Ela é quem tem a alma e o coração dele. Posso lhe dar a mais absoluta certeza de que não sou eu, porém.. vou conversar com ele e isso irá se revolver. Eu prometo! - deu dois tapinhas na perna da castanha para se levantar do seu colo. Quando ambas ficaram de pé, Narcissa analisou o rosto de Hermione, lançando-lhe o Glamour para disfarçar os olhos vermelhos e inchados. Não queria que o marido as enchesse de perguntas ou que desconfiasse dos motivos que fizeram com que a filha chorasse. Enquanto pudesse, evitaria uma tragédia…
Após o almoço, a loira caminhou tranquilamente pelo jardim, se abraçando para afastar o frio que lhe deixava arrepiada. Após alguns passos para as proximidades da área coberta, que Sirius utilizava como depósito, encontrou Severus sentado e pensativo. O mestre em Poções, ao sentir emoções conflitantes dentro de si, chegou a cogitar ir até a cozinha e observar o que sucedida ali. Não obstante, decidira permanecer no corredor. Foi, parado e sem reação, que interpelou-se e se dera conta da gravidade do tema abordado pelas duas. Realmente, amava Narcissa como sua amiga e asseverou isso, exatamente, com tal conotação à mesma. Além disso, se tranquilizava, um pouco, de que ela compreendera o verdadeiro sentido daquela declaração… queria que reconhecesse, e confessasse a si própria, o quanto amava o marido e todo o resto era passado.
Aliás, a partir desse ponto tão específico, vinha em sua mente a questão principal e que lhe torturava desde que pusera os pés no Brasil… até quando faria Hermione sofrer por suas inseguranças emocionais e dúvidas? Sobretudo, quando nunca lhe faltaram razões para afagar o ego e a autoestima daquela menina tão doce e gentil. A considerava genial e, nunca, refletira que esperasse a sua aprovação para que fosse prodigiosa e insuportavelmente erudita e sagaz. A jovem bruxa era, naturalmente, um poço de ilustração, teimosia e retidão de caráter sem fim. Isso o fez lembrar de Bellatrix, cegamente fiel ao que acreditava, e, Sirius, leal, àqueles que amava. A castanha era exatamente idêntica aos dois nesse ponto. Ao mesmo tempo, o extremo oposto, em tantos outros pormenores que formavam a sua personalidade e a tornavam tão divergente dos pais.
Outrossim, existia outro problema que lhe exasperava… como contaria para uma adolescente sobre o Elo e as suas implicações? Pelo o que estudara, durante todos os anos desde que descobrira que Hermione já nascera ligada a ele, não encontrou em texto algum um caso semelhante ao deles. Nunca interpretara com exatidão em que átimo no tempo a união de almas se concretizara. Especialmente, como a conexão pode atingi-la tão violentamente, na iminência de se perder e o colocá-lo em uma situação na qual não sabia como agir.
- Posso interrompê-lo, Severus? - Narcissa inquiriu se aproximando para sentar ao seu lado.
- Já o fez… o que deseja, Narcissa? Vou passar por uma nova sessão de esbofeteamento, por acaso? - retorquiu, erguendo uma das sobrancelhas, a encarando.
- Presumo que não necessite apanhar outra vez… contudo, se quiser, posso lhe dar mais alguns tapas. Assim, seu juízo voltará a ser perfeito e, suponho, que não magoará mais a minha filha - afirmou inquieta, recordando do quanto a menina chorara de decepção em seus braços.
- Não quero que Hermione se entristeça ou se sinta obrigada a fazer coisas as quais não está preparada… é ela é só uma criança! O Elo não poderia ter começado a agir tão precocemente… - argumentou confuso, passando as mãos pelos cabelos.
- Minha bonequinha, como uma sangue puro que é, sempre soube que fora prometida a alguém. Não contei a respeito do casamento, no entanto, o compromisso lhe foi relatado. Creio, Severus, que chegou o momento de que você conte toda a verdade - caucionou com uma postura rígida, passando toda a confiança que possuía no que afirmava.
- Cissa… você acha mesmo que ela está pronta para ser informada de que é consorte de um homem quase 20 anos mais velho? - perguntou inseguro com o que escutaria.
- Esposa não significa mulher! Você domina muito bem o grau que diferencia tais definições. Ainda temos outro empecilho, até bem mais significativo, que é o fato de que não se conhecem direito. Julgo que é importante que conversem e não se ofendam, como já o fez… - comunicou, com a reprovação crescente na sua voz, o que pensava.
- Eu amo a minha rainha, nunca esqueci dela e nem dos filhos que tivemos. Me tortura ser o estímulo para a sua desenfreada adoração e a causa do seu constante dissabor - confidenciou baixando os olhos para afrontar os próprios pés. Os dois ficaram em silêncio, por longos minutos, até que houve o rompimento da taciturnidade:
- O que foi aquilo ontem? - a mulher o fitava franzindo o cenho.
- Dizer que eu amo você? É verdade, contudo, não romanticamente… para lhe ser bem sincero, fui apaixonado por você na adolescência. Depois, passei a enxergá-la, exclusivamente, como minha amiga - garantiu a olhando nos olhos para atestar que não a estava fazendo sofrer.
- Entendo… e quais os seus motivos? - seguiu o interrogando, para a segurança no que já imaginava.
- Que a senhora Black defendesse o seu louco amor por aquele cachorro com o qual casou - deu de ombros, torcendo um pouco o lábio de maneira insolente, para irritá-la.
- E se eu blefei? - sorriu o enfrentando.
- A conheço o suficiente, bruxa das trevas, para atestar que jamais faria isso no tocante aos seus próprios sentimentos. Esse é o seu defeito e a sua virtude, Cissa… você é incapaz de mentir sobre o amor - disse voltando o seu rosto para observar as árvores que sacudiam ao sabor do vento.
- Eu padeci por sua causa, Sevie… aquela carta foi uma confissão de tudo o que enfrentei calada - falou soltando a respiração pesada, olhando na mesma direção que ele, como se aquilo bastasse para resolver todas as motivações que os guiaram.
- Sinto muito… nunca quis machucar você. Essa é a verdade! Você é a minha melhor amiga, uma das pessoas que eu mais confio no mundo. Não pense que me deixou contente ser o motivo das suas lágrimas - assegurou, a segurando pelas mãos, para garantir a validade de suas palavras.
- Me desculpe pela bofetada ontem… eu me descontrolei - disse com a voz moderada, sem apresentar qualquer alteração nos sentimentos.
- Olhe dentro dos meus olhos, Cissa… - determinou, se virando para a loira, fazendo com que seguisse a sua movimentação corporal e ficasse de frente para ele.
- O que quer saber? - perguntou vasculhando qualquer traço que lhe definisse qual era a questão.
- Ora, você já atinge a inquirição - retorquiu sem se desviar.
- Bem… embora Sirius seja um completo irresponsável, eu sou insanamente e estupidamente apaixonada por ele. Eu o amo de um modo que jamais se equiparou ao que eu senti por você - expos totalmente segura do que afirmava.
- É mais intenso e profundo o carinho, o envolvimento e a entrega que temos. Sinceramente, não sei como definir com precisão… eu apenas o amo e estou magoada por ele ter me acusado de traição - revelou expressando o seu ressentimento quanto ao que o marido lhe fizera.
- Fico feliz em ser informado que você se irrita com tudo o que diz respeito ao Black. Porque é difícil delinear traços lógicos e anseia sempre por explicações lógicas. Não é um amor tranquilo, pois se trata de um furacão o tempo inteiro… - riu abertamente dela que o encarava séria e cruzava os braços junto ao peito, em uma postura defensiva.
- Agora você assimila o que eu passo quando a Hermione está perto, quase se jogando sobre mim e querendo que eu corresponda - deu de ombros, fazendo com que Narcissa revirasse os olhos em clara desaprovação. Antes que prosseguissem a conversa, foram interrompidos pela chegada da menina de cabelos revoltos.
- Senhor… depois que terminar o assunto que tem com a minha mãe, se for possível, poderia me esclarecer algumas dúvidas? - perguntou sisuda, com um livro debaixo do braço, aguardando que lhe retorquisse alguma coisa.
- Amorzinho, nós já terminamos… - a bruxa se ergue e apenas encarou Severus com um semblante que ele conhecia tão bem.
- Eu o farei, senhorita Black… conquanto, presumo que, antes, necessitamos ter um diálogo bastante sério. De acordo? - interpelou sondando as reações da castanha, que apenas assentiu. Com um gesto, a convidou para que sentasse e ficaram se olhando por algum tempo sem que criassem coragem para iniciar o entendimento.
- Senhorita, eu tenho algo a lhe relatar e espero que não me julgue um tarado ou perseguidor de crianças - iniciou a conversa cauteloso, observando que Hermione franzia o cenho sem entender o que lhe era dito.
- O que aconteceu, senhor? Eu fiz algo errado? - perguntou preocupada.
- Soube através da sua tia que, a senhorita, já foi comunicada de que é prometida em casamento a uma pessoa - prosseguiu mantendo o tom de voz baixo e lento, como se estivesse pesando ou medindo as palavras antes de proferi-las.
- Sim… o senhor o conhece? Ele é alguém odioso? Nunca compreendi os motivos que impedem que o meu pai saiba… eu… - argumentava rapidamente, sendo interrompida por Severus:
- Black não foi avisado, porque o tema é mais complexo do que um acordo. A senhorita já está casada com essa pessoa e, o seu pai, ficaria bastante revoltado ao inteirar-se desse fato - comentou misterioso.
- O meu marido vai me machucar? É, por isso, que o senhor me odeia? - inquiria com os olhos começando a marejar.
- Não, jamais ocorrerá isso… entretanto, é a razão que me leva a querer ficar afastado da senhorita - respondeu permanecendo na mesma posição, mesmo que quisesse consolá-la.
- Eu posso falar com ele! Desfaço esse casamento com esse estranho. Não se distancie… eu… eu… eu sonho com o senhor desde criança - manifestou em tom de confissão baixando o rosto envergonhada.
- Esse é contratempo… a senhorita idealizar, ainda tão jovem, uma relação comigo - respirou fundo ainda sem desviar o seu olhar da face da menina.
- Qual o embaraço? O senhor acha que eu não sou digna ou que jamais vou me equiparar a mulher que ama? - questionou se levantando e ficando de frente a ele.
- O imbróglio é simples, a senhorita não tem como se nivelar, porque ainda é uma criança. São pelo menos 3 anos para que isso possa suceder… - redarguiu asperamente, tentando se manter calmo, passando a mão no cabelo para se controlar.
- Eu não entendo o que quer me contar… - Hermione pôs as duas mãos no rosto dele o obrigando a encará-la novamente.
- A senhorita… eu… nós… não sei como ou quando aconteceu. Nós somos casados - declarou como se estivesse retirando uma tonelada de seus ombros.
- O que? Como? Nós? - inquiriu sem assimilar o que ouvira, seu coração saltara e batia tão rápido que parecia que iria sair pela boca. Era um misto de surpresa e felicidade que quase transbordava do seu corpo. Sua vontade era a de abraçá-lo o mais forte que conseguisse. Só não o faria por não ser capaz de reconhecer qual a reação que teria diante de um ato tão impulsivo.
- Eu lhe asseguro que eu não sei. Porém, lhe afirmo que não será obrigada a fazer qualquer coisa. A senhorita é livre para realizar os seus próprios desejos e as escolhas que lhe deixarem feliz - garantiu com os olhos nos dela.
- Podemos ser amigos? Eu posso beijá-lo ou segurar a sua mão? - demandou com um ar curioso e astuto.
- Seremos amigos, se quiser. Quanto a beijos e mãos dadas, no momento, não. Você é uma menina e deve agir como uma. Além disso, exijo que cumpra a promessa que me fez - sua voz saiu em um tom grave de censura.
- Não me magoe mais, então… - respondeu fazendo um beicinho ofendido de quem teve suas exigências negadas.
- Tem a minha palavra, senhorita… agora, creio que queira tirar as suas dúvidas quanto à alquimia - falou indiferente, pegando a obra que ficara encostado na parede.
Mal sabiam os dois que aquele assunto, de todas as questões que ainda teriam de ser resolvidas, era o menor dos infortúnios que poderiam encontrar naquele momento. Havia algo muito pior por vir, uma animadversão que fervilhava às veias de Fernando como ácido... o rapaz ouvira a conversa dos dois e não admitiria nunca ter perdido aquela que via como propriedade para um velho. Sua vontade era a de invadir o lugar e tirar Hermione pelos cabelos. A raiva e a indignação o cegavam, desejava fazê-la chorar e gritar, forçando-a a se entregar a ele. A seguí-lo para onde decidisse levá-la. Porém, a vingança seria doce e a atingiria onde mais a machucava.
