Capítulo 12: Cerveja amanteigada e amigos

Os três amigos aparataram perto do Caldeirão furado.

— Obrigada por terem ido até a casa de Snape comigo, vocês dois são ótimos. — Falou Hermione.

— Sabemos disso. — Falou Rony rindo.

Hermione e Harry também riram.

— Podemos aproveitar que estamos perto do Caldeirão Furado para tomarmos uma Cerveja Amanteigada — disse Harry. — Vamos aproveitar que tivemos tempo para nos reunirmos.

— Acho uma ótima ideia, eu pago dessa vez — disse Hermione.

— Ótimo, vamos então! — Falou Rony.

O trio entrou no conhecido bar, Tom, o proprietário, logo foi cumprimentá-los.

— Há um bom tempo que nos os vejo juntos por aqui.

— Sempre estamos todos ocupados, — disse Harry — mas hoje fugimos um pouco dos compromissos para dar uma pausa.

— Sim, às vezes é necessário. Mas sei que não estão aqui para me ver — Disse o homem. — O que vão pedir?

O trio sorriu.

— Pode trazer três cervejas amanteigas, Tom, por favor. — Disse Hermione.

— Claro! — Respondeu Tom.

Em poucos minutos o trio de amigos estava saboreando sua cerveja e conversando trivialidades, tão despreocupadamente, como há muito tempo não faziam.

Ficaram no bar por cerca de uma hora, aproveitaram o momento, como o faziam em seus tempos de Hogwarts, quando iam até o Três Vassouras.

— Meninos, está ótimo ficar aqui com vocês. Mas tenho que ir. Não sei quanto tempo pode demorar o atendimento no Gringotts. — Hermione foi a primeira a mencionar que teria que ir.

— Bom, nós também temos que voltar ao trabalho — disse Rony. — Dissemos ao Ministro que ficaríamos no máximo meio dia fora, já são quase onze e meia da manhã.

— Sim, você tem razão, Rony. — Disse Harry.

Hermione fez questão de pagar a conta, como havia dito aos rapazes que faria.

Os três despediram-se na porta do estabelecimento, prometendo ver-se em breve.

Assim que separou-se de seus amigos, a jovem rumou para o Beco Diagonal, em direção ao Gringotts.

Ao chegar no banco, foi atendida por um duende que não parecia nenhum pouco feliz em estar trabalhando naquele horário.

Hermione entregou a procuração assinada por Snape para o duende, que sussurrou um feitiço, apontando sua varinha para o papel, para confirmar a veracidade do documento.

Assim que foi confirmada a veracidade do documento o duende perguntou:

— Gostaria de ir até o cofre?

— Na verdade, não é necessário, gostaria apenas de saber qual a quantia que há no cofre. Isso é possível? — Falou Hermione.

— Sim, é possível, aguarde um momento.

Hermione assentiu.

Quase uma hora mais tarde, um outro duende aproxima-se daquele que estava atendendo Hermione e entrega para ele um pedaço de pergaminho.

O duende, então, pede que ela aproxime-se.

— Senhorita Granger, aqui neste pergaminho estão as informações do cofre que solicitou.

Hermione pega o pergaminho e o examina atentamente.

"Cofre 49755

Titular: Snape, Severus Prince.

Galeões: 60

Nuques: 100

Sicles: 996"

Snape não estava tão mal financeiramente, mas se pagasse alguém para cuidar dele, por trinta dias, provavelmente ficaria em uma situação complicada. E isso não era bom.

Hermione teria que convencê-lo a ficar com ela, a deixá-la cuidar dele. Esperava que não fosse tão complexo fazê-lo aceitar. Afinal, seria bem vantajoso para ele.

~ x ~

Hermione, depois de um dia corrido, finalmente chegou em casa, em seu modesto apartamento em bairro trouxa de Londres.

Depois de ir ao Gringotts ainda foi a diversos lugares, dessa vez para resolver assuntos seus, como comprar roupas, coisa que há mais de um ano não fazia. Precisava admitir, era bom tirar um tempo para si, mas só conseguiu fazer isso tranquilamente pois sabia que Snape estava acordado e bem.

Ela chegou em casa, largou as sacolas e foi direto para o sofá. Fazia uns poucos minutos que havia sentado, quando ouviu leves batidas em sua janela da sala de estar. Levantou um pouco o rosto para ver o que era, uma grande coruja cinza estava batendo com seu bico no vidro.

Hermione levantou-se e foi até a janela. Reconhecia aquela coruja, era de Draco. Ela pegou o pergaminho que a coruja tinha amarrado em sua pata, fez um leve carinho na cabeça do animal, que logo levantou voo e foi embora.

Hermione fechou a janela e retornou ao seu sofá, sentou-se e abriu o pergaminho.

"Hermione,

Como me pediu, estive com Snape durante a tarde, passei algumas horas com ele. Aparentemente está tudo bem. Alden fez mais alguns exames e segundo ele, está tudo correndo bem. A alta está mantida para a data combinada.

Parece que foi apenas você se afastar do hospital que Snape voltou a ser o mesmo homem ranzinza de sempre. Você precisava ver a cara que ele olhava para Alden, depois que eu falei que ele costumava dar em cima de você, foi muito engraçado, Snape parecia estar com ciúme.

E espero que tenha dado tudo certo com a organização da situação de Snape. Se precisar de algo me avise, não esqueça disso.

Espero que você não me odeie depois do que contei a Snape.

Até breve,

Draco Malfoy."

Hermione revirou os olhos lendo aquela carta, amanhã iria falar com Draco, foi só ela se afastar um pouco que ele já estava aprontando, mas não foi nada ruim saber que Snape parecia estar enciumado.

A jovem suspirou, pensaria em seus problemas pela manhã, agora penas queria descansar um pouco.

~ x ~

Na manhã seguinte Hermione mandou uma coruja a Percy, avisando que precisaria ir até o hospital falar com Snape sobre a organização de sua saída. A resposta não tardou a chegar.

"Hermione,

É claro que pode vir até o hospital. Sei também que quer ver seu paciente, sei que ele é importante para você.

Nos vemos em breve,

Percy Weasley."

Hermione arrumou-se rapidamente e aparatou próximo ao hospital, levando consigo a pequena mala de roupas que Madel havia arrumado para Snape.

Logo que chegou na recepção, falou com Lyra.

— Bom dia, como está tudo por aqui?

— Bom dia, Dr. Granger, apenas se passou um dia, mas se voltar em um mês garanto que isso estará uma bagunça. — Riu Lyra.

Hermione também riu.

— Sei que está brincando. — Disse Hermione.

Elas conversaram por mais alguns minutos, então Hermione perguntou:

— Você, por acaso, sabe onde Zabini está, Lyra?

— Sim, ele está na sala de pesquisas. — Respondeu a recepcionista.

— Obrigada. Vou até lá falar com ele. Até mais.

Hermione seguiu o tão conhecido caminho até a sua sala de pesquisas. Nem se preocupou em bater na porta, foi logo entrando. Encontrou Zabini lendo alguns papéis que estavam sobre a mesa.

Zabini olhou para ela e sorriu:

— Não aguentou ficar em casa?

— Estava morrendo de saudades de você, por isso estou aqui. — respondeu Hermione descontraidamente.

— Não tente me iludir, Granger, sei que só tem olhos para o Malfoy. — Disse Zabini usando o mesmo tom de Hermione.

Hermione riu.

— Não estou aqui a trabalho, — disse ela — vim falar com Snape. Preciso passar algumas informações para ele. Como ele passou ontem pela manhã?

— Reclamando, foi assim que ele passou. Acho que a única pessoa no mundo capaz de fazer Snape se portar diferente é você, Hermione. Foi só você sair que ele voltou a ser o "morcegão da masmorras".

Hermione lembrou-se da carta que havia recebido de Draco na noite anterior, ele falava a mesma coisa que Zabini havia acabado de comentar. Ela riu.

— Foi vê-lo hoje? Ou desistiu devido ao mau humor dele? — Perguntou Hermione a Zabini.

Ele sorriu e respondeu:

— Pensei seriamente em desistir dessa minha bondosa ação, mas lembrei que havia prometido a você que ficaria de olho nele. Então, fui vê-lo, sim. Ele ainda estava dormindo quando passei por lá.

— Obrigada por ser tão gentil e bondoso — disse Hermione de forma sarcástica.

— Disponha, — respondeu seu amigo no mesmo tom.

Conversou mais um pouco com Zabini, depois despediu-se e avisou que iria falar com Percy.

Foi até o escritório e bateu na porta. Percy, que já a aguardava, pediu que entrasse.

— Como está Hermione? Suponho que esteja descansada e espero que não esteja nenhum pouco zangada comigo. — Falou Percy de maneira descontraída. Ele havia mudado muito após a guerra, era uma pessoa bem mais agradável agora.

Hermione sorriu e respondeu:

— Eu usarei essa licença para algo importante. Então é claro que não estou zangada com você. A licença até veio em um bom momento.

Percy tinha uma ideia do que Hermione faria em sua licença, mas resolveu não comentar, afinal a vida particular dela não lhe dizia respeito. Mas certamente ela estava ali por um motivo relacionado ao que Percy estava supondo.

— Então, — começou Hermione — eu quero fazer uma pergunta à você. Seria antiético se uma médica, assumisse os cuidados de um paciente externamente, durante um período em que está afastada de sua função no hospital? Por exemplo, se durante suas férias uma médica assume os cuidados de seu paciente fora do âmbito do hospital, sendo esses cuidados totalmente voluntários, isso seria antiético?

Percy olhou seriamente para Hermione e disse:

— Nesse caso o paciente é Snape e a médica é você.

Hermione meio constrangida responde que sim.

Percy sorri de modo terno.

— Hermione, não é antiético no seu caso. Eu jamais acharia antiético você assumir os cuidados de Snape, afinal, você lutou tanto por ele e vocês já conheciam-se antes dele estar no hospital. Eu não irei julgá-la antiética por isso, nunca. Você pode tranquilamente assumir os cuidados de Snape, e se alguém disser qualquer coisa, eu afirmarei que você obteve a minha autorização para tal.

— Muito obrigada, Percy. Estou mais aliviada agora. — Falou Hermione após suspirar longamente.

— Sei que sim. Mas também sei que você assumiria os cuidados de Snape, mesmo se eu tivesse falado o contrário. — Percy disse de forma descontraída.

A jovem mulher sorriu.

Hermione despediu-se de Percy e saiu de seu escritório.

Agora ela precisa ir até Snape. Ela precisava ter uma conversa com seu antigo mestre, precisava contar a ele o que havia planejado. Só esperava que ele aceitasse.

Hermione caminhou por alguns minutos até chegar ao quarto de Snape.

Parou em frente à porta, bateu e aguardou resposta. Logo escutou a inconfundível voz dele, dando autorização para que entrasse.

Ela abre a porta vagarosamente, está muito nervosa. Mas não pode mais fugir da situação.

— Bom dia, Snape. Como passou o dia de ontem?

Snape, que estava sentado em sua cama, surpreendeu-se por vê-la ali, acho que ela só retornaria no dia de sua alta. Será que havia dado algo errado com sua saída? Esperava que não.

— Passei bem, exceto pela irritante presença de Zabini pela manhã, que não parou de falar um segundo sequer enquanto esteve aqui. E pela irritante presença de Draco pela tarde, que fez questão de flertar com praticamente toda criatura que passou por aquela porta. — Snape aparentava estar muito mal-humorado.

Hermione riu levemente, foi inevitável. Por isso Snape estava tão ranzinza, Zabini e Draco fizeram por merecer o mau humor dele.

Snape demonstrou seu desagrado abertamente em seu semblante.

A jovem, então, respirou fundo e voltou à sua expressão de seriedade.

— Desculpe pelo riso, Snape. Parte disso é culpa minha, pedi que Zabini e Malfoy ficassem de olho em você, em minha ausência. Me desculpe, eu não fazia ideia de que eles seriam capazes de irritá-lo.

— Por que a senhorita pediu que alguém ficasse de olho em mim, — quis saber o homem — estava com receio de que algo acontecesse comigo?

Hermione pensou por um instante antes de responder, não iria falar a Snape que não confiava completamente no outro medibruxo que acompanhava seu caso, isso não ajudaria em nada. Mas também era verdade que Hermione se preocupava com o andamento do caso de Snape, preocupava-se com seu estado. Resolveu então contar somente metade da verdade.

— Na verdade, sim. Eu me preocupo com sua situação, não sei como vai reagir a cada dia. Então pedi a eles que ficassem de olho em você, só para que eu pudesse ter certeza de que está tudo bem. — Respondeu Hermione.

Snape gostou de saber que Hermione preocupava-se com ele, era bom saber que alguém preocupava-se com ele, esse sentimento foi capaz de aquecer seu coração. Mas não era certo, pensou Snape, ele balançou levemente a cabeça, precisava tirar esse sentimento de sua mente.

Ele acreditava que Hermione fez tanto por ele apenas por compaixão, não conseguia, em sua mente, achar outra explicação para a dedicação dela. Pois, acreditava piamente que não era digno de nenhum outro sentimento proveniente de Hermione, a não ser o desprezo e talvez a indiferença.

Apesar de ainda amar imensamente Hermione, sabia que não merecia alguém como ela. Granger merecia alguém muito melhor, como Alden, talvez. Draco havia dito que ele tinha interesse em Hermione, eles poderiam ser felizes juntos. Ambos eram médicos, inteligentes e jovens. Realmente formavam um bom casal, mesmo que isso não agradasse a Snape.

Snape ficou perdido nos próprios sentimentos por algum tempo, isso era algo que não o agradava, mas estava acontecendo com cada vez mais frequência e Hermione estava sempre nesses pensamentos. Ele decidiu deixar isso de lado e voltou sua atenção a bela e jovem mulher que estava ao seu lado.

— Está tudo bem, senhorita Granger? — Snape perguntou ao perceber que a ela o observava fixamente.

Hermione que estava admirando Snape, voltou a realidade e respondeu:

— Estou bem sim, não se preocupe. — Ela respirou fundo e continuou. — Eu também estou aqui por que tenho algumas informações que preciso passar para você, sobre sua casa e sua conta no Gringotts. Inclusive falar sobre a pessoa que vai te acompanhar durante sua observação.