Capítulo 14: É bom estar de volta.

Hermione, apesar da discussão com Snape, não estava realmente triste com Snape. Obviamente ficou magoada com as palavras dele, mas entendia a sua perspectiva também. Então o perdoou verdadeiramente.

O mundo bruxo mudou muito em sete anos, mas Snape não acompanhou essa mudança. Era compreensível que ainda se sentisse do mesmo modo de quando era um espião da Ordem da Fênix.

Hermione estava andando pelos corredores do hospital, tão perdida em seu próprio contentamento, que não viu Draco Malfoy passar ao seu lado.

Ele estranhou a atitude da amiga então a chamou, precisou chamá-la três vezes para que ela lhe respondesse.

— Está com a cabeça nas nuvens, Hermione?

Ela virou para o lado, parecendo notar Draco apenas naquele instante.

— Mais ou menos, — respondeu Hermione com um enorme sorriso. — Vamos até a sala de pesquisas que te conto exatamente o que está acontecendo.

Os dois caminharam lado a lado até a sala. Entraram sem bater e encontraram Zabini ainda imerso em uma papelada gigantesca que tratava do caso dos Longbottom, o caso mais complexo em que trabalhavam.

Zabini, olhando os dois entrando juntos, logo questionou o que estava acontecendo.

— Conseguiu falar com Percy, Hermione? E você, Draco, alguém morreu para estar tão cedo no hospital? — Zabini olhou seu relógio de bolso. — São apenas dez da manhã!

O primeiro a responder foi Draco.

— Ninguém morreu, idiota! Prometi para você que tentaria chegar cedo com as poções que me encomendou, mas acabo de me arrepender de minha promessa.

Zabini e Hermione riram da expressão desgostosa no rosto do Malfoy.

— Calma, Draco. É que é praticamente um milagre você chegar antes do meio-dia com qualquer entrega. — Hermione debochou do amigo.

— Vocês dois estão umas gracinhas hoje. Vocês não tem vergonha de si? Meu melhor amigo e minha "namorada" se unindo para debochar de mim. Estou verdadeiramente chocado com essa atitude nada amistosa direcionada a mim. — Disse Draco em tom irônico.

— Sabe que é apenas brincadeira, no fundo, sabe que adoramos você. — Falou Hermione de modo espirituoso. — Agora, respondendo ao Blaise. Falei com Percy e deu tudo perfeitamente certo com meus planos.

— Que planos? — Perguntaram os dois rapazes em uníssono.

— Bom, depois que Percy me deu a licença, eu pensei muito sobre uma questão. Eu pensei em assumir os cuidados de Snape durante o período em que ele, obrigatoriamente, precisa ficar em observação. Falei com Percy hoje sobre isso, ele disse que não vê problema algum, que posso assumir os cuidados de Snape tranquilamente, que não seria antiético de minha parte. Contei a Snape minha intenção, depois de uma discussão um tanto problemática, ele aceitou minha proposta. Fiquei muito feliz que Snape aceitou, tão feliz que acabei me distraindo e não notei quando você falou comigo, Draco.

Zabini tinha uma expressão espantada no rosto e Malfoy estava sorrindo. O primeiro a verbalizar algo foi Draco.

— Eu sabia que você acabaria fazendo algo assim, eu tinha certeza disso. — Falou Draco sorrindo. — Você jamais entregaria os cuidados dele para outra pessoa, não é?

Hermione tinha um leve rubor em suas bochechas quando respondeu:

— Eu não poderia deixar que qualquer outra pessoa ficasse ao lado dele nesse momento, entende isso, não é?

— Você vai cuidar de Snape durante um mês inteiro? Você tem certeza disso? Sabe, é o Snape, o "morcegão das masmorras". — Blaise ainda estava muito confuso com a situação quando questionou Hermione.

— Sim, vou cuidar dele, tenho certeza disso. — Ela riu.

— Você o ama mesmo. Agora isso é ainda mais óbvio. — Falou Zabini.

Hermione ficou completamente ruborizada.

— Como sabe disso? Como sabe que o amo? — Perguntou a castanha.

Blaise Zabini deu um sorriso travesso antes de responder.

— Além de estar escrito em sua testa "eu amo o morcegão das masmorras", Draco também me contou.

Hermione fuzilou o Malfoy com seu olhar.

— Em minha defesa, — Draco tinha as mãos levantadas, em sinal de rendição, — Blaise perguntou se você estava apaixonada por Snape e eu apenas confirmei.

Hermione suspirou.

— Bom, não tinha como esconder de você por muito mais tempo, Zabini. É a verdade, eu o amo muito e há muito tempo. — Disse Hermione olhando seu amigo nos olhos.

— Eu entendo. — Respondeu ele. — Bem, eu prefiro o Snape ao Alden, você tem meu total apoio.

Hermione sorriu abertamente.

— Obrigada, Blaise. Seu apoio é muito importante para mim. — Hermione agora vira-se para Draco. — E quanto a você, Malfoy. Tente não espalhar minha vida pessoal por aí.

— Eu contei só para o Zabini. Você acha que vou sair por aí espalhando que minha namorada está apaixonada pelo meu padrinho? Não mesmo! Sou um Malfoy, tenho uma reputação a zelar. — Disse Draco de modo debochado.

~ x ~

Hermione passou toda a manhã no hospital, por volta do meio-dia aparatou próximo a seu apartamento. Tinha muito o que organizar, precisava arrumar suas coisas para levar à casa de Snape. Passou aquela tarde apenas em função disso, ao final, havia conseguido organizar três malas. Uma com roupas, uma com sapatos e a terceira tinha seus produtos de higiene e alguns objetos pessoais.

A jovem estava tão nervosa, que mal conseguiu dormir aquela noite. Estava muito ansiosa para saber como seria viver, mesmo que apenas por trinta dias, ao lado de seu amado mestre de poções.

~ x ~

Era cerca de oito da manhã quando Hermione aparatou em frente ao Saint Mungus.

Havia combinado com Draco, no dia anterior, para que ele a ajudasse a levar Snape para casa. Como Snape ainda não poderia fazer esforço e, aparatar era um esforço demasiado, Draco os levaria de carro até a residência de Snape.

Hermione corre os olhos pela frente do local, Draco estava escorado em seu belo carro, usando óculos escuros, com uma cara de poucos amigos. A castanha foi até ele.

— Bom dia, Malfoy. — Disse Hermione.

— Bom dia para quem está dormindo, não para mim que estou aqui acordado, praticamente de madrugada. — Disse Draco mal-humorado.

— Bom, você fez questão de vir. Eu falei que poderia ter pedido a Harry, ele também tem um carro. Mas você insistiu. — Falou Hermione divertida.

— Como eu disse ontem, o padrinho é meu! E eu vou levá-lo até sua casa. Mas como sabe, eu preciso fazer minhas reclamações matinais, se não meu dia não tem sentido. — Disse o Malfoy.

Hermione sorriu, Draco não tinha jeito. Mas era um bom amigo. Sarcástico, irônico e gostava de reclamar, mas ainda assim, um bom amigo.

— Pense que está fazendo isso por uma boa causa. Agora, vamos buscar Snape. — Falou a jovem entrando no hospital.

Malfoy apenas revirou os olhos e seguiu Hermione.

Hermione seguiu pelos corredores do Saint Mungus até o quarto de Snape. Parou em frente à porta, suspirou e pensou que sua vida estava prestes a mudar drasticamente, mas isso não a incomodava, na verdade, a deixava muito feliz.

Draco percebendo a hesitação da amiga, perguntou:

— Hermione, está tudo bem?

Ela voltou sua atenção para Draco e respondeu:

— Está sim.

A jovem mulher bateu na porta delicadamente. Logo a porta foi aberta por alguém. Zabini estava no quarto de Snape, ele quem havia aberto a porta.

— Zabini?! Está tudo bem com Snape?

— Bom dia para você também, Granger, eu estou ótimo essa manhã, obrigada por perguntar — disse Blaise de modo sarcástico.

Hermione apenas revirou os olhos.

Zabini, vendo que ela não lhe daria "bom dia", respondeu às perguntas dela.

— Snape está bem sim, mas lembra-se que eu lhe prometi que ficaria de olho nele pelas manhãs, é isso que estou fazendo neste momento. Alden estava aqui há poucos minutos, fazendo os exames finais para a alta, resolvi ficar até ele terminar. Alden obviamente detestou, mas ele não tem autoridade para me expulsar do quarto de um paciente. — Falou com ar triunfante.

Hermione sorriu com a atitude do amigo, às vezes ele ainda parecia um adolescente.

— Obrigada, Blaise, por cuidar dele. Você é incrível. — Falou a jovem mulher para o amigo.

— É bom receber reconhecimento de vez em quando. — Brincou Zabini. — E vamos, entrem logo. Ou vão ficar o dia todo na porta?

Hermione entrou rapidamente no quarto e buscou por Snape. Ele estava sentado em sua cama terminando seu café da manhã, já usando suas habituais vestes negras.

Hermione foi até a cama de Snape e perguntou:

— Como está se sentindo essa manhã?

Snape, que já havia largado a bandeja de café da manhã, responde:

— Estou muito bem, senhorita Granger.

— Fico muito feliz em saber. — Disse ela com um singelo e sincero sorriso nos lábios. — Está pronto para deixar esse lugar e ir para casa?

— Certamente, senhorita. É o que mais quero nesse momento. — Respondeu o homem. — Só estou esperando Dr. Alden retornar com minha alta.

— Dr. Alden disse-me que retornaria em mais ou menos quinze minutos, ele só precisava anexar os exames de hoje e preencher os papéis da liberação. Também disse que precisava falar com o Dr. Weasley.

Hermione aproveitou o momento para ficar ao lado de Snape, sentou próximo a cama dele, na cadeira que ficava ali ao lado.

— A senhorita está bem? — Perguntou Snape.

Hermione o encarou, perdeu-se por alguns instantes naquela imensidão negra que eram os olhos dele.

— Estou bem, não se preocupe, não sou tão frágil quanto as pessoas pensam. — Respondeu Hermione.

Snape deu um sorriso quase imperceptível.

— Sei que a senhorita é muito forte, não tenho dúvidas quanto a isso. Mas minha pergunta referia-se mais a mudança que a senhorita está prestes a empreender em sua vida por minha causa. Realmente está bem com isso? Sair de sua casa e morar com outra pessoa, deixando seus compromisso de lado para assumir os meus?

Hermione, não conseguindo se conter, colocou sua mão direita sobre a de Snape e deu um leve aperto, então respondeu a ele:

— Estou bem com isso. Não se preocupe, foi uma escolha minha. Lembre-se que eu lhe disse que realmente quero fazer isso. Quero ficar ao seu lado.

Snape teve muita dificuldade em ocultar a alegria que sentiu ao ouvir aquelas palavras de Hermione.

Ela ainda tinha a mão sobre a sua, o toque dela era tão suave e delicado, queria ter a coragem de entrelaçar seus dedos com os dela, queria ter coragem de contar a ela o que sentia, mas era tão difícil fazer isso.

Hermione tirou lentamente sua mão, ela estava levemente ruborizada, Snape percebeu, ela era ainda mais linda assim. A jovem percebeu que ele a observava e iria falar algo, mas foi interrompido pelo retorno de Alden ao quarto.

Draco e Blaise, que estavam conversando a uma certa distância de Snape e Hermione, voltaram a aproximar-se.

Hermione levantou-se da cadeira e esperou Alden falar.

— Bom dia, senhorita Granger. Parece muito feliz esta manhã. — Disse Alden mirando Hermione profundamente.

Hermione não gostou nem um pouco da maneira como Alden a olhou, era totalmente diferente de quando Snape a encarava.

Draco, ao perceber o desconforto de Hermione, colocou-se ao lado dela e falou a Alden:

— Claro que ela está feliz, afinal, hoje é a alta de meu padrinho. — Draco coloca a mão no ombro de Hermione enquanto fala.

A jovem mulher fica imensamente aliviada, é bom saber que Draco está ao seu lado para ajudá-la.

— Sim, estou realmente muito feliz, Snape finalmente vai poder ir para casa hoje. Dr. Alden, você já tem os papéis da alta? Draco e eu queremos muito levar Snape para casa. — Falou Hermione firmemente.

Alden fez uma cara pouquíssimo amigável direcionada para Malfoy, depois voltou sua atenção para Hermione outra vez.

— Sim, senhorita. Estão aqui comigo. — Alden passou uma prancheta para ela.

Hermione leu atentamente, estava tudo correto, todos os dados e informações.

— Eu já assinei a alta, mas preciso que a pessoa que ficará responsável por Snape também assine, há um termo de responsabilidade junto com a alta. — Falou Alden.

Hermione ficou apreensiva, ainda não queria contar a ele que ficaria com Snape, pois tinha certeza que ele faria um cena desnecessária e não queria isso justo no dia em que seu grande amor sairia do hospital. Mas se não havia opção, teria que fazê-lo. Mas antes que alcançasse a caneta na mão de Alden, Draco a havia pego.

— Claro, assinarei sem problemas. — Falou Draco, já com a caneta na mão, esperando apenas que Hermione lhe alcançasse a prancheta.

Malfoy assinou os papéis, esperou Alden lhe alcançar sua via do documento e então falou:

— Podemos ir agora?

— É claro, Snape está liberado.

Hermione vira-se para o seu antigo mestre de poções, com um sorriso resplandecente em seus lábios.

— Finalmente vamos para casa. — Disse ela.

Draco entregou os papéis da alta nas mãos de Hermione e foi até seu padrinho.

— Não queremos que se esforce muito, então eu o ajudarei a chegar até o carro.

Snape o olhou sem entender muito bem.

— Carro?

Hermione então explicou que iriam de carro pois ainda não era recomendado que utilizasse qualquer meio mágico para viajar, pois eram demasiado desgastantes. Snape apenas acenou afirmativamente, deixando claro que havia entendido os motivos. Draco então aproximou-se de seu padrinho e o ajudou a colocar-se em pé.

Mas, antes que todos deixassem o quarto, Alden avisou algo.

— Senhor Snape, sobre as duas visitas semanais que farei a você depois que estiver em casa, não conseguirei fazê-las na primeira semana, tenho compromissos fora do hospital na próxima semana. Então pedi ao Dr. Weasley que enviasse outra pessoa em meu lugar, ele escolheu o Dr. Zabini.

— Não há problemas, posso assumir essa tarefa temporariamente. — Disse Zabini, que estava próximo a Snape.

Snape apenas acenou positivamente para Zabini, que retribuiu o gesto.

Draco serviu de apoio para seu padrinho até chegarem ao carro. Hermione caminhava logo atrás dos dois, com Zabini ao seu lado.

Hermione tomou a frente e abriu a porta traseira do carro, Draco soltou Snape, ele logo entrou e sentou-se. Draco fechou a porta, virou-se para Zabini e despediu-se avisando que no dia seguinte estaria de volta com a nova leva de poções. Deu a volta no carro e sentou-se atrás do volante.

Hermione abraçou Zabini.

— Obrigada por ter me ajudado tanto na procura de uma cura para Snape. Só estou aqui hoje, levado ele para casa, pois tinha você me ajudando.

Zabini retribuiu o abraço e respondeu:

— Eu sou incrível mesmo. — Ele disse rindo. — É apenas brincadeira. Você merece essa alegria, aproveite o tempo ao lado do morcegão. Daqui há alguns dias irei até lá para fazer o check-up dele.

Despediram-se e Hermione entrou no carro. Draco então ligou o automóvel e os três partiram.

~ x ~

Snape estava observando Hermione desde que ela havia entrado em seu quarto aquela manhã, ele ainda não conseguia crer que ela estaria vivendo ao seu lado nos próximos trinta dias.

Quando Alden retornou ao seu quarto, não gostou nem um pouco da maneira como ele olhou para Hermione, pelo que pode perceber, seu afilhado também não, já que ele se colocou ao lado dela e interveio na conversa.

Por um lado Snape ficou feliz que Draco afastou Hermione de Alden, por outro lado sentiu uma pontada de ciúmes de seu afilhado, pois ele tinha liberdade para aproximar-se de Hermione.

Depois, quando já estava no carro de Draco, percebeu que Zabini também era próximo de Hermione, sentiu uma nova pontada de ciúmes quando ele abraçou-a. Era algo que já não conseguia controlar.

Queria poder abraçar e tocar sua amada, ser próxima a ela como seus amigos o eram.

Já estavam na estrada há algum tempo, Hermione e Draco conversavam bastante. Snape era incluído na conversa, mas respondia apenas de modo monossilábico.

"Ele parece estar de mau-humor", pensou Hermione.

Mas o que a jovem não sabia era que esse mau-humor era devido ao ciúme que sentia dela e não conseguia verbalizar.

~ x ~

Depois de quase duas horas e meia de viagem, a casa de Snape agora estava perto, já era possível vê-la através do para-brisa. A expressão no rosto de mestre de poções agora era outra, parecia ser algo como alegria.

Em poucos minutos Draco estacionou próximo à entrada da casa, ele saiu do carro e foi até o padrinho, para auxiliá-lo a sair do automóvel. Hermione também já havia descido e esperava por Draco e Snape.

— Quero tentar ir caminhando sozinho até minha casa. — Falou Snape.

— Com uma condição, — disse Hermione — eu vou ao seu lado.

Snape acenou positivamente, estava preparando-se para iniciar sua caminhada, quando sentiu delicados dedos entrelaçando-se aos seus. Hermione estava segurando sua mão. Ele mirou os olhos castanhos dela, ela apenas deu um sorriso e disse.

— Falei que estaria ao seu lado.

Snape, não sabia exatamente como reagir a isso, só sabia que era maravilhoso estar sob os cuidados dela. Os dois caminharam lado a lado até a porta da casa, em um ritmo lento.

Snape, colocou a mão livre sobre a maçaneta e suspirou, dizendo mais para si do que para Hermione:

— É bom estar de volta.