Disclaimer: TWILIGHT não me pertence, mas esse Rockward e essa Rockella sim, então já sabe né: respeita aí!

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CAPÍTULO 14 – MASTERS OF PUPPETS

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End of passion play, crumbling away

Fim do drama, esfarelando-se

I'm your source of self-destruction

Eu sou sua fonte de autodestruição

Veins that pump with fear, sucking darkest clear

Veias que pulsam com medo, sugando a mais escura claridade

Leading on your death's construction

Comandando a construção da sua morte

Taste me, you will see

Me experimente, você verá

More is all you need

Você só precisa de mais

You're dedicated to

Você está dedicado a

How I'm killing you

Como eu estou matando você

Come crawling faster

Venha rastejando rápido

Obey your master

Obedeça seu mestre

Your life burns faster

Sua vida queima rápido

Obey your master

Obedeça seu mestre

Master

Mestre

Master of puppets, I'm pulling your strings

Mestre das marionetes, eu controlo suas cordas

Twisting your mind and smashing your dreams

Retorcendo sua mente e esmagando seus sonhos

Blinded by me, you can't see a thing

Cego por mim, você não vê nada

Just call my name 'cause I'll hear you scream

Apenas chame meu nome, pois eu ouvirei seu grito

Metallica ~ Masters of Puppets

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Com um sorriso enviesado que beirava o travesso, Bella parou em frente ao Shamrock Social Club, estúdio de tatuagem do famoso Mark Mahoney, tatuador conhecido por ser o queridinho das celebridades, que já era tatuador tanto do casal, quanto de Charlie Swan há muitos anos.

— Que loucura você está pensando mesmo? — Edward inquiriu divertido, quase conseguindo ler os pensamentos da esposa.

Bella sorriu, piscando seus olhos brilhante lentamente para o marido.

— Bom… eu te amo, e nós estamos construindo uma vida nossa… sabe? — deu de ombros. — Casamento, casa… e tudo mais. Eu vejo que você é meu grande amor. Me vejo com você para o resto da minha vida — mordiscou seu lábio inferior, hesitando por um breve momento. —, então… porque não eternizar isso? — disse meio incerta. — Não sei se é isso que você quer…?

Edward que admirava a esposa durante todo seu discurso ficou com o rosto impassível, sem qualquer tipo emoção, o que fazia a produtora ficar extremamente nervosa. Bella engoliu em seco audivelmente.

— Bem… — ela começou, mas Edward a calou com um beijo. Quando ficaram sem ar, o músico se afastou e disse:

— Porra! Eu amo tanto suas ideias malucas e amo ainda mais você. — ele sorriu enviesado. — Com você eu sei que é para sempre, linda. — disse, passando as costas de sua mão suavemente pelo rosto feminino. Bella sorriu afetada com o carinho.

— Eu também te amo. — sussurrou. — Então? Vamos? — incentivou o vocalista da Midnight Sun, que limitou-se a assentir e saiu do carro.

Apesar de ser um estúdio concorrido e famoso, o fato dos dois serem o tipo de "clientes vips", conseguiram fazer as tatuagens — a inicial do nome um do outro, acompanhada da data do casamento deles — no dedo anelar. Como já estavam ali, e Mark estava livre, Edward aproveitou e fez uma tatuagem em sua costela em homenagem a Bella. Uma pin-up com tatuagens idênticas às dela, deixando a morena completamente atordoada com a homenagem do marido.

— Agora realmente eu acredito que seja para sempre. — provocou a produtora puxando o marido para um beijo urgente, que foi interrompido com Mark Mahoney deixando a sala em que estavam.

Com aquela paixão enlouquecida que sentiam um pelo outro, o casal não conseguiu esperar chegar na casa deles, por isso que Edward guiou a morena para o banheiro onde eles fizeram o que sempre faziam quando o tesão e o desejo um pelo outro supera a própria necessidade por ar: se amaram de forma rápida e deliciosa.

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A mudança para a casa em Encino, no norte de Los Angeles, foi realizada uma semana depois da ida ao estúdio de tatuagem, e por mais que uma empresa tenha feito a parte pesada do trabalho, tanto Bella, como Edward dedicaram muitas horas e alguns dias para organizar seu novo lar, aproveitando para deixá-lo com a cara deles — principalmente no que condiz com a disposição dos seus objetos pessoais mais valiosos.

— Eu vejo que nós vamos ter bons momentos aqui. — disse Edward, a noite, quando eles jantavam uma pizza, ao luz do luar na beira da piscina.

— Bons, maus, memoráveis, e histórias que renderam músicas e lembranças inesquecíveis. — ela replicou com sagacidade, a Edward coube somente concordar com um aceno de cabeça conforme sorria enquanto mastigava a pizza marguerita.

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Com o clima leve no sentido familiar, e principalmente no sentido profissional, Edward se reuniu aos seus companheiros de banda para a última parte da turnê do segundo álbum deles, o campeão de vendas e notório Noir et Blanc. A turnê que estava completando dois anos, soava para os integrantes como se eles tivessem na estrada há muito mais.

Com os compromissos pré-agendados, por três semanas a Midnight Sun, excursionou pela América Latina começando com o México, seguido da Costa Rica, Colômbia, Chile, Argentina e finalizando no Brasil. Foram shows memoráveis, todos com venda completa e uns até com data extra.

Porém, como qualquer pessoa no universo, o tédio começa a dominar e os integrantes da Midnight Sun, não eram imunes, pois quando você está em turnê por tanto tempo, com tantos shows que tornam-se iguais, por mais diferentes que sejam, é que alguns maus hábitos se tornam recorrentes.

Muito recorrentes.

Humanos que são, Edward, Emmett, Jasper e James, não ficaram imunes aos efeitos da fama, e mesmo que eles se declarassem apenas "músicos", o deslumbramento com a vida de rockstar, principalmente no que concerne a constante companhia de mulheres, bebidas e drogas, fez seu caminho nos rapazes.

Enquanto Emmett, Jasper e James se dedicavam não apenas em explorar o uso de drogas lícitas e ilícitas, como fazia Edward, o baterista, o guitarrista e baixista, também se devotavam a conhecer todas as fãs que eles tinham — principalmente se fosse no sentido carnal.

Edward, como um homem muito bem casado e apaixonado por sua esposa, apenas ria e divertia-se das peripécias de seus amigos, entretanto, o vocalista assim como os outros, fazia uso indiscriminado de drogas.

Quando a vida noturna é a principal constante da sua vida profissional, como é no caso de um roqueiro, drogas e bebidas sempre estiveram na equação, e todos os quatro já tiveram seu quinhão de momentos "recreativos" com entorpecentes.

Mas a constante que estava acontecendo desde a metade da turnê de Noir et Blanc, era que o uso parecia ter deixado a faceta recreativa e passou a ser um padrão, um comportamento frequente. Como qualquer outra banda, a Midnight Sun, tinha seus próprios rituais do pré, durante e pós show, e isso nunca foi um problema, pois sempre consistia em algumas cervejas antes do show, uma dose de tequila antes de entrar no palco, e durante o show o contínuo revezamento entre cerveja e água, terminando a noite com todos compartilhando um ou dois cigarros de maconha, para relaxar.

Mas com a carga de shows mais frequentes, mais lotados, a fama crescente e o peso que ficar longe de casa por semanas, fizeram esses hábitos sofreram algumas mudanças, de ínicio pequenas e pouco notáveis.

As poucas garrafas de cerveja, foram substituídas por muitas, ou então por garrafas de uísque. As doses de tequila, não se limitavam mais a uma, mas a três ou cinco para cada. No palco, as garrafas de cerveja de outrora, foram pouco a pouco sendo substituídas pelas de uísque, as águas eram cada vez menos vistas, e foi nesse momento — entre o intervalo para o bis —, que na tentativa de dar um gás eles começaram a usar cocaína.

Não é que eles nunca antes tivesse usado a droga, eles não eram inocentes no uso da blanca, mas não era algo comum, como vinha se tornando, mas quase como uma determinação eles usavam apenas ali, naquele breve momento para conseguirem ter força para terminar o show. Era a dose de energia que precisavam.

Nada fora do normal, nem nada alarmante.

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Enquanto a Midnight Sun finalizava a turnê do tão bem sucedido Noir et Blanc;Bella, iniciou a produção do sétimo álbum de estúdio dos The Elementals, uma banda que a morena sempre admirou e que ansiava por trabalhar com eles, uma vez que foi uma das bandas mais importantes para ela no período que viveu em NYC e depois em Rhode Island, já que a banda surgiu nos subúrbios da Big Apple.

Amun Lewis, Benjamin Johnson e Kebi McNamara, eram fáceis de trabalhar. Solícitos em suas opiniões e sempre dispostos a ouvir a produtora nas sugestões e críticas, facilitando a composição do álbum. Evidente que o material que tinham para trabalhar era impressionante, e Bella, como boa apreciadora da boa música, tinha certeza que esse álbum seria um daqueles que entraria para a história do rock and roll.

E por isso que ela se dedicou arduamente naquele trabalho, ela queria mais do que nunca sedimentar seu lugar na indústria musical como uma das produtoras mais versáteis da indústria na atualidade.

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Com o fim da turnê, Emmett, Jasper e James decidiram tirar umas férias. Edward, preferiu fazer companhia a esposa e ficou em Los Angeles, revezando entre acompanhar Bella nas gravações do disco dos The Elementals ou enfurnado no seu estúdio em casa compondo exaustivamente.

Tanto é, que no final de um mês, Edward tinha uma série de composições das quais estava extremamente orgulhoso, que ao mostrar aos seus companheiros de banda o material, todos ficaram animados com o que esse novo disco poderia trazer a eles.

Na véspera de se encontrarem com o produtor que seria responsável pela produção do novo álbum da banda, Edward, Emmett, Jasper e James, se reuniram na casa que os rapazes ainda dividiam em Inglewood para conversarem sobre o álbum e a própria carreira deles, algo que ainda continuavam fazendo, quase como um momento de terapia em grupo.

— Então… — começou Emmett. — Vamos começar a gravar nosso terceiro álbum! Caralho! Quando nos nossos sonhos mais loucos imaginamos que isso aconteceria? — disse com uma risada nervosa.

— Toda vez que paro para pensar nisso, eu tento não surtar, mas… porra! — exclamou James com a boca cheia do hamburger que comia.

— É… terceiro… — refletiu Edward. — Vocês lembram a primeira vez que tocamos juntos? Naquela festa da UCLA? — ele riu. — Cara! Eu nem lembro o que a gente tocou, só sei que depois nós enchemos a cara e…

— Dormimos no quintal da sua mãe, e acordamos com os irrigadores! — gargalhou James. — Achei que morreria congelado!

— James, você era o cara mais chapado de nós! — riu Emmett. — Até hoje não sei como chegamos na sua casa.

— Maria que nos deu uma carona. — interveio Jasper desanimado.

Os outros três, trocaram um olhar antes de virarem para o guitarrista.

— Está tudo bem Jazz? — questionou Edward. — Você está…. meio off…? — completou reticente.

— Aquele famoso ditado sabe? Sorte no jogo, na carreira, no nosso caso, azar no amor. — deu de ombros.

Edward riu, mas Emmett que respondeu.

— Eu te entendo, Jazz… Rose e eu… — ele suspirou. — Sei lá… tem toda aquela paixão. Quando estamos juntos parece inflamável! O sexo entre nós é gostoso pra caralho, mas… sei lá… parece que sempre estamos evitando ser sérios. É como se ela só quisesse se divertir, e eu não sei se é o que quero. Por exemplo, toda vez que saímos de turnê, ela diz que eu posso fazer o que quiser, porque não temos um compromisso sério. Que ela entende que ser um rockstar significa ter uma mulher em cada lugar, na real é como se ela me obrigasse a ter uma mulher a cada noite…

— Isso é sério? — perguntou James, surpreso, ele nunca conheceu uma mulher que ficava de boa com o fato dele ter tantas na facilidade de um piscar de olhos.

— Qual é Jay? Não é porque eu estou sempre de bom humor, que eu não sinta as coisas. Acho que todos nós queremos o que o Edd e a Bella tem. — disse o baterista dando de ombros.

— Isso é verdade... — concordou o baixista reticente. Ele próprio já se pegou mais de uma vez, desejando alguém como Bella em sua vida.

— Daria tudo para encontrar alguém como a Bella para mim. — suspirou Jasper desanimado.

Edward que ouvia o lamento dos seus amigos, ficou atordoado com as ponderações do três.

— Puta merda! Isso é sério? — surpreendeu Edward, levantando do sofá e caminhando até o refrigerador para pegar uma cerveja. — Vocês tem… — ele bufou. — inveja do que eu tenho com a Bella?

Os três encaram o líder da banca com descrença, soltando bufos indignados.

— Edward, todo mundo quer um relacionamento saudável como o seu e o da Bella. — replicou Jasper irritado. — Vocês se completam de maneiras que… cara, se existe o lance de almas-gêmeas, vocês definitivamente são. Vocês são apaixonados um pelo outro, só pelo olhar de vocês dá pra perceber, então se soma os gestos, tudo! Cara, vocês fazem sexo constantemente, pessoalmente, por telefone, antes dos shows… é… — riu sem humor. — Eu não sei... vocês são tão iguais e tão diferentes, ao mesmo tempo, vocês são mais que um casal apaixonado, vocês são cúmplices, parceiros, amigos, confidentes… é surpreendente! Eu queria muito algo assim. — confessou com um tom de derrota.

— Porra! — suspirou o vocalista, tomando um gole da sua bebida. — Se você quer tanto isso, e sabe o que você quer, por que você não tenta com Maria? — perguntou, visivelmente constrangido com a confissão do amigo.

Jasper riu sem humor.

— Você acha que eu fiz o quê, depois que voltamos do Brasil? — replicou sem paciência. — Fui me declarar a ela, dizendo que queria algo mais sério… e… e ela me dispensou. — riu sem humor. — Ela disse que… a nossa história foi legal, mas nunca foi para ser sério. Que ela está apaixonada por outra pessoa, alguém que a completa de uma forma que eu jamais consegui.

— E quem seria essa pessoa? — divertiu-se James, achando engraçado que Jasper com seu jeito de príncipe sulista, homem das mulheres, ser dispensado por Maria Gonzales, uma pessoa que claramente corria atrás do guitarrista como um cachorrinho há muito tempo.

Jasper bufou uma risada.

— Ninguém mais, ninguém menos que Gianna Lacroix.

— A atriz? — perguntou James surpreso.

— A própria. As duas estão juntas. Inclusive se assumiram publicamente ontem. — explicou.

— Uau! — surpreendeu-se Edward. — Eu jamais esperaria isso… uau!

Um silêncio pesado recaiu sobre os quatro, e o vocalista sabia que precisava ajudar o amigo naquele momento, da mesma forma que Jasper fizera por eles tantas vezes, quando ele estava aflito, principalmente quando era algo relacionado a Bella.

— Jazz… talvez Maria não fosse a mulher da sua vida, talvez ela ainda vai surgir… eu mesmo jamais esperaria conhecer uma mulher como a Bella, mas ela entrou na minha vida de repente e… — ele riu com a lembrança dos primeiros momentos ao lado da esposa. — Vocês lembram tão bem como eu, quando a conheci como fui um babaca.

— Você foi mais que um babaca, um completo cuzão! — gargalhou Emmett.

— Sim! Caralho! Até hoje eu não sei como ela me deixou toca-lá. — ele riu, aliviado por ter conseguido dissipar o clima azedo que os rondava. — De qualquer forma, você vai encontrar uma mulher a quem você pode dar todo seu amor, Jazz. Tenho certeza, que você logo, logo vai colocar todas as suas técnicas sexuais para seduzir a futura senhora Whitlock. — provocou com uma gargalhada, sendo acompanhado pelo restante dos membros da banda.

— Edward, como sempre você sendo tão sofisticado, não sei como a Bella te suporta. — replicou Jasper forçando um sotaque texano e um sorriso enviesado, dando um soco de leve no braço do vocalista, fazendo todos gargalharem.

Com o clima mais leve, eles começaram a conversar sobre o que queriam explorar no novo álbum da banda, e como queriam que este mostrasse a evolução do som da Midnight Sun, e como eles tinham muito ainda a crescer.

Tudo parecia maravilhoso, e soava maravilhoso.

Eles estavam esperançosos.

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A primeira reunião com o produtor do terceiro álbum de estúdio, o ousado, Afton Sweeney, foi surpreendente. Talvez uma das melhores reuniões que já participaram, tanto que depois que finalizaram a reunião, o clima de leveza e animação dominava a todos, para o que chamavam de nova era da Midnight Sun.

Até mesmo Bella, que por mais que não quisesse se sentir chateada com a animação dos rapazes com o Sweeney, sentiu-se invejosa da facilidade de como os quatro se entrosaram com o produtor. Algo que ela daria tudo para que desde o começo, quando produziu o primeiro álbum da Midnight Sun, acontecesse.

Tanto que quando a produtora confessou seu sentimento de ciúme para o marido, Edward tentou fortemente não rir da insegurança de Bella, mas foi difícil, ocasionando uma briga entre os dois.

— Você é um idiota insensível, Edward! — Bella gritou. — Sempre tão machista e mesquinho!

— Você que é dramática, Bella! Qualquer pessoa que tenha um relacionamento mais fácil com a gente você fica assim! — ele argumentou exasperado. — Aconteceu a mesma coisa quando Seth produziu nosso segundo álbum. Eu já te pedi um bilhão de desculpas por ter sido um idiota com você no primeiro, mas… isso é ridículo!

— Você sempre duvidou do meu trabalho! Você, assim como todo homem nesta indústria filha da puta, acha que eu não sou capaz! — berrou, virando-se e marchando em direção para sua ilha de edição que ficava do lado oposto do estúdio de Edward, para onde ele seguiu.

A verdade era que nenhum dos dois gostava de ficar brigado, mas orgulhosos como só os dois eram, nem Edward, muito menos Bella davam o braço a torcer. Foram quase quatro horas depois, que o músico se deu por vencido e foi procurar a esposa, reconhecendo que estava errado, como sempre.

Bella, estava concentrada em seu computador editando algumas canções da The Elementals, com seu fone de ouvido isolando qualquer barulho externo. Ela, que ainda estava chateada com as palavras de Edward, durante a briga que tiveram mais cedo, tentava a todo custo se concentrar no seu trabalho, mas parecia que tudo o que ela fazia, somente estragava a canção da banda de Amun Lewis, tanto que lágrimas inundavam seus olhos, quando sua cadeira foi virada para encontrar Edward, com uma cara de cachorro arrependido olhando para ela.

Delicadamente ele ajoelhou diante dela, e retirou seus fones com cuidado.

— Oh, linda! Desculpa, meu amor. — ele pediu realmente sentido. — Eu não imaginei que você ia ficar chateada, eu estava brincando. Você sempre vai ser minha produtora favorita em todo mundo! A única que conseguiu realmente me desafiar. — ponderou, limpando as lágrimas que rolavam pela face de coração da morena.

— Não precisa me agradar! — murmurou a morena, batendo com a palma da mão no peitoral do marido, antes de abraçá-lo e chorar no seu peito.

Edward que já estava acostumado com esses momentos de Bella, que antecediam seu ciclo menstrual, deixou a esposa chorar sem sentido em seu peito — mesmo que na sua concepção seu choro não fizesse sentido para ele. Quando Bella parecia finalmente relaxar, o ruivo a pegou em seu colo, e começou a seguir para o quarto.

— Ei! Eu preciso salvar o que eu fiz. — protestou com a voz chorosa.

O vocalista da Midnight Sun sorriu enviesado para a esposa.

— Você não gostou do que você fez, Bella. Você na verdade odiou, então sem estresse quanto a salvar. — ela riu contra o pescoço do marido, pois de fato ele estava certo: ela odiou o que havia feito até aquele momento.

— Eu odeio que você me conheça tão bem. — protestou com um biquinho. Edward gargalhou, antes de dar uma bicada com seus próprios lábios nos dela.

— Odeia nada. — disse com uma piscadela. — Você me ama, da mesma forma que eu te amo. — sorriu convencido.

— Você é muito convencido, mas eu realmente te amo. — sorriu, beijando o pescoço e lábios do músico.

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Tudo parecia maravilhoso durante a produção e gravação do disco. Todos os membros estavam afiadíssimos em seus instrumentos, propondo solos incríveis, com canções que traziam profundidade e emoção. O produtor parecia o quinto membro da Midnight Sun, antecipando e ponderando cada detalhe com perfeição, como se estivesse ali com eles desde sempre.

Cada detalhe do álbum, trazia uma satisfação a todos.

Todavia, quando o primeiro single, chamado de Unbroken Hour foi divulgado, a banda que até então tinha vivido um universo de canções memoráveis e poderosas, amargou críticas duras e seu primeiro fracasso.

Enquanto os fãs, afirmavam que a canção trazia profundidade e reflexão, para os críticos a canção era repetitiva e esquecível. Crentes de que Unbroken Hour, tenha sido uma escolha equivocada, todos estavam confiantes com o resultado final do álbum, porém, quando este foi lançado todos amargaram as críticas pouco favoráveis.

Sites e revistas especializadas, não foram nada agradáveis com suas ponderações. Adjetivos como: 'genérico', 'bom, mas esquecível', 'repetitivo', 'sem alma', 'blasé' e 'mais pop que rock', fizeram com que todos sentissem o gosto azedo das opiniões dos especialistas em música.

Mas mesmo com todas as avaliações, Impulsiviness, como foi batizado o álbum, estava obtendo uma boa venda. E, por isso, que banda e gravadora — para minimizar os efeitos das críticas e mostrar o quanto a Midnight Sun, não haviam perdido sua essência — planejaram uma grande ação de marketing, seja tocando em programas de televisão e rádio de todo país, como em pequenos bares, como faziam no início da carreira, tudo na tentativa de impulsionar as vendas e de quebra angariar mais admiradores.

A ação obteve bons resultados, mesmo com as más avaliações o álbum estava vendendo bem, e o clipe de Unbroken Hour, continuava entre os mais pedidos do TRL da MTV, bem como a canção figurava o top 10 da lista da Billboard.

No entanto, quando tudo parecia calmo, um golpe extremamente baixo surgiu da onde todos menos esperavam: o produtor Afton Sweeney, deu uma entrevista polêmica a Revolver Magazine — uma importante revista de hard rock e heavy metal — , se isentando dos erros do álbum, e depositando toda a culpa na banda.

Na entrevista em questão, afirmou que concordava com as críticas dos especialistas, que os erros não foram culpa dele, mas sim da arrogância dos membros, que desde que se tornaram os queridinhos do rock and roll, só pensavam no sucesso e dinheiro e não mais na qualidade.

Ainda afirmou que a Midnight Sun não aceitavam qualquer tipo de sugestão ou correção, impossibilitando o trabalho dele. Principalmente, Edward, que o produtor o pintou como um cara sem talento, que se acha entendido de música por ter pais músicos.

As acusações difamatórias de Sweeney, direcionadas a banda e a gravadora, a Twilight Records, não pararam por aí, ele foi categórico em afirmar que os números das vendas, e as posições na MTV, Billboard e na Rolling Stone Magazine, foram forjados ou então compradas pela gravadora, que não queria perder o gigantesco investimento que fizeram na Midnight Sun.

Mais uma vez, o nome da banda e de seus integrantes estavam no epicentro de um escândalo, mas ao contrário do caso de plágio, onde eles ainda eram desconhecidos e a indignação do processo os dominava, a situação agora era completamente inversa, principalmente que todos os pontos contestados nas críticas foram em suma sugestões do próprio Sweeney durante a produção.

Mas com a merda lançada no ventilador, era impossível que isso não respingasse por todos os lados.

A mídia e os tablóides usaram as palavras do produtor para justificar diversos fatos envolvendo os integrantes da banda e as pessoas próximas. A pior fofoca que rolou sobre o tema, foi o fato de que o relacionamento de Bella e Edward não era real, foi algo armado pela Twilight Records para alavancar o sucesso deles, a fim de ligar a banda a Charlie Swan e a Eclipse, em uma jogada de marketing fenomenal.

Algo que deveria ser pequeno, a típica fofoca para ser ignorada — afinal, qual banda que nunca teve um disco ruim? —, tornou-se algo fora de controle. As vendas começaram a despencar, e a perda de posições tanto no TRL da MTV, quando de posições da Billboard, preocupavam a todos. O clima de desânimo e desmotivação dominava a todos, tanto que a produção do clipe do segundo single Checkmate, foi adiado indefinidamente, uma nova intervenção de controle de danos necessitava ocorrer.

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— Por que esse tipo de merda, só acontece com a gente? — protestou Edward, no jantar de aniversário de Bella.

A morena que nas últimas semanas tentava ser compreensiva com o marido, sabia que a postura de Afton Sweeney só mostrava o que ela sempre ouviu sobre o produtor: uma pessoa que não gosta de assumir seus próprios erros, e que em qualquer oportunidade faria tudo para puxar o tapete de quem o fez ficar "mal visto".

Um exemplo disso foi o que ele fez quando o álbum da Anger, uma banda de metal, fracassou, e ele tentando se isentar da culpa, colocou sobre os ombros dos membros, e os acusando de tráfico de drogas e uso contínuo de heroína. A situação foi tão surreal, que só acabou quando um dos membros, não aguentando mais toda a pressão, se suicidou.

Sabendo do histórico do produtor, mas consciente que nos últimos anos ele havia feito trabalhos incríveis, inclusive com a Eclipse, ela se conteve em não dizer nada contra o colega, mas diante de tudo o que ele estava fazendo com a Midnight Sun, ela estava disposta demais de mandar a ética para o espaço.

— Baby… — ela tentou argumentar suavemente, para não chamar a atenção dos outros clientes do restaurante. — Eu sei que isso tudo está sendo horrível, mas são coisas da carreira. Todo mundo tem momentos de desafio, nada é fácil, principalmente nessa indústria que escolhemos. Tem muita inveja, briga de ego, e tantas outras coisas terríveis. Se eu pudesse evitar isso acontecer com vocês, eu faria, mas não posso, então, por favor, vamos tentar nos divertir. Pelo menos essa noite. — implorou.

Edward sorriu apologético.

— Me perdoa linda. Eu estou estragando seu aniversário.

Bella, sorriu para o marido, e levantou da sua cadeira para sentar-se no colo dele.

— Baby, eu sei que você sente muito. Da mesma forma que eu sei que tudo isso é uma merda, mas é só mais um desafio para vocês superarem, você vai ver como tudo vai ser incrível depois dessa tempestade.

Ele afagou o rosto dela com delicadeza. Bella fechou seus olhos apreciando o carinho tão singelo do marido.

— O que eu fiz para te merecer? — ele sorriu enviesado. — É seu aniversário, e eu deveria estar fazendo tudo para te agradar, mas quem está fazendo é você, tentando me animar. — ele segurou o rosto feminino com suas mãos grandes, enquanto seus intensos olhos verdes fitavam os castanhos dela. — Eu sei que deveria te dizer mais isso, mas você não faz ideia do quanto eu sou grato de ter você na minha vida, de você ter aceitado compartilhar sua vida comigo. Eu te amo tanto, Bella. Tanto que… caralho! Eu nem sei mensurar o quanto eu te amo.

Bella riu afetada, curvando-se para beijar sofregamente o marido. Quando estavam arfantes, separaram e encararam um ao outro.

— Eu amo esse restaurante, sério, mas podemos pular a sobremesa e ir para a segunda parte do meu presente de aniversário? — pediu, com um sorriso provocador.

— Eu ainda vou saborear uma deliciosa sobremesa. — ele respondeu com a voz grossa, retirando Bella do seu colo, pegando a carteira deixando algumas centenas de dólares, mais que suficiente para cobrir os gastos do jantar e gorjeta.

Vinte minutos depois, o casal entrava esbaforido, tirando suas roupas em um bangalô de um hotel próximo ao restaurante em que estavam. Seguindo seus próprios instintos, conseguiram deixar todas as preocupações e dramas fora do quarto, e se envolveram na paixão e sedução que sempre os rondavam.

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As medidas de contenção dos estragos provocados por Afton Sweeney eram pesadas, desgastantes, pode se dizer.

Se nas turnês anteriores, excursionando pelo país eles conseguiam vir a LA, semanalmente, com as novas ações ficou impossível que tivessem essa dinâmica. Além da necessidade de irem em cada centro metropolitano de cada estado da América, entrevistas em programas de TV e rádios locais se tornou comum para eles.

Com essa nova agenda, e a distância de casa, fez com que alguns atritos começassem entre os membros da banda. Edward, por exemplo, estava constantemente irritado, qualquer coisa que saísse fora do script que ele tinha em mente, era o suficiente para o vocalista fazer uma tempestade no copo d'água.

Emmett e James, com suas constantes crises de infantilidade ou de falta de profissionalismo — como Edward sempre evidenciava — , era o principal motivo da falta de paciência do líder da banda. Sempre correndo atrás de mulheres, ou então deixando-se levar pelo consumo excessivo de álcool e drogas.

A situação chegou ao ponto de insustentável, quando no terceiro mês tiveram uma briga gigantesca — com socos e xingamentos envolvidos, inclusive, — naquela situação o vocalista não conversou com o baterista e baixista por quase uma semana, gerando ainda mais fofocas sobre a banda e principalmente um desgaste que nenhum dos quatro estava apto para aguentar tão cedo na carreira.

Jasper que sempre foi o mais introspectivo dos membros da Midnight Sun, ficou ainda mais recluso. Só saia do seu quarto de hotel durante o dia se tivessem alguma entrevista, caso contrário, ele sempre estava enfurnado no quarto com uma mulher, duas ou três.

Outra questão que fez com que o peso da turnê promocional e das críticas ao terceiro álbum, ficasse latente era o consumo indiscriminado de álcool e drogas. Quando os membros não estavam brigando entre si, era comum vê-los embriagados, o que chamou a atenção dos tablóides.

Edward e Jasper, eram os que mais se continham no consumo de lícitos e ilícitos, mas vire e mexe os dois exageravam. Emmett ia sempre pelo fervor, com muito mais momentos de exagero, do que de parcimônia.

James, entretanto, era sempre o que exagerava. Para ele, nunca um trago, uma carreira, mais uma dose, era suficiente. Ele sempre queria ir ao extremo, mas ainda assim, aparentava que o baixista conseguia ter um controle.

Mas em um consenso geral, todos os quatro afirmavam que não estavam viciados, que era só uma forma de lidar com o crescente estresse e o peso de ficar longe de casa.

Com a divulgação pesada que fizeram nos EUA e Canadá, em fevereiro de 2006 a banda saiu para excursionar pelo mundo afora. E como em time que está ganhando não se mexe, Alec e a Twilight Records continuaram com o intenso trabalho de marketing. Apesar de cansados, nenhum deles reclamava, pois sabiam que as críticas a Impulsiveness, ainda estavam muito frescas na memória de todos.

Foi numa breve pausa em meados de abril, quando os membros da Midnight Sun, voltaram a LA para um descanso mais do que necessário de 10 dias, que as coisas ficaram novamente estremecidas, mas pelo menos desta vez, parecia ser algo bom.

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Depois que o pai de Alec, Marcus Wood, sofreu, ainda no ano anterior, um derrame, este teve que diminuir sua carga de trabalho, colocando mais peso a Alec, seu único herdeiro.

Por meses, Alec conseguiu gerenciar todo seu catálogo de clientes e os do pai, porém com a crise da Midnight Sun, e a as gravações dos álbuns da Eclipse e outras três bandas, o jovem empresário, não estava conseguindo dar conta sozinho.

Visando o melhor para os seus clientes, o empresário contratou diversos profissionais em relações públicas para ajudá-lo a cuidar da carreira dos seus clientes. Alec ainda continuaria sendo o empresário principal, mas cada banda teria seu RP para cuidar das questões mais urgentes, e foi por esse motivo que ele marcou uma reunião com a Midnight Sun, no terceiro dia dos rapazes em LA, depois de quase 4 meses longe de casa.

— Cara, essa reunião com Alec é para foder com a minha paz. — lamentou James.

— Nem me fale, Jay. — concordou Edward. — Bella e eu, tínhamos uma viagem marcada para Washington, sabe para ficarmos isolados.

— Edward, você ainda vê mais a Bella, do que eu vejo Rose. — protestou Emmett. — Estava tão bom esse meu momento com a gostosa da minha loira. — suspirou chateado.

— Vocês sabem o que Alec quer conosco? — perguntou Jasper confuso. — A gente já está trabalhando que nem uns filhos da puta, eu ando exausto e no único momento que podemos descansar, tem essa porra de reunião! — reclamou.

Edward olhou atordoado para Jasper.

— Problemas com Lauren? — perguntou o vocalista. O guitarrista suspirou pesadamente.

— Cara, ela é só… vazia. Não dá para ter um relacionamento com uma mulher que claramente só quer saber em que capa de revista ou de jornal, ou em qual site você vai aparecer e consequentemente ela. — argumentou. — Sem contar que o sexo é péssimo. Outro dia tive que fingir que gozava.

Todos os três gemeram em uníssono.

— Jazz… isso é… uma merda! — lamentou James. — Porra! Eu não desejo essa merda para ninguém.

— Nem eu. — concordou Jasper. — Por isso que eu disse a ela, ontem que não poderia mais vê-la, que não estava funcionando.

— E como ela reagiu? — perguntou Emmett interessado.

— Fez um drama do caralho. Disse que eu não me esforçava, que ela sabia que durante as viagens eu estava fodendo cada dia uma fã diferente…

— O que não é uma mentira. — apontou Edward com um sorriso enviesado. Jasper deu de ombros.

— Como eu disse o sexo era uma merda. Na realidade sexo com uma mulher diferente a cada noite tem ficado uma merda. Sei lá… queria uma… conexão. — suspirou.

— Você vai encontrar isso Jazz, é só ter paciência. — interveio Edward, lembrando da constante conversa do amigo de que ele queria uma mulher tipo o que Bella era para o vocalista, para ele.

— Enfim, vamos ver logo o que Alec quer com a gente, para aproveitarmos nossa merecida folga. Porque, caras, eu realmente preciso desse descanso. — interveio James visivelmente mais desgastado do que os outros com o peso dos hábitos que estava levando.

A sala de reuniões da New Moon Group era simples, mas elegante. Os móveis pretos eram modernos, dando um ar descolado ao ambiente. Em mais de seis anos, com Alec como empresário, os integrantes da Midnight Sun, jamais entraram no escritório dos Wood's, sempre resolvendo qualquer pendência contratual nas salas de reuniões do prédio da Twilight Records ou então no QG em Inglewood.

— Por que mesmo que Marcus não foi nosso empresário? — questionou Emmett divertido, depois de assobiar com a elegância do ambiente. Todos os outros três riram, e se acomodaram nas cadeiras em torno da mesa, que a secretária de Alec os indicou para se acomodarem.

Eles riam de uma piada de mal gosto de James, quando a porta da sala se abriu, atraindo a atenção deles. Alec com seu sorriso jovial, acompanhado da sua esposa Jane, sua secretária Corin e de uma terceira mulher desconhecida.

Edward admirou a pequena mulher: pele clara, cabelos curtos e espetados nas pontas, olhos de um tom de caramelo atordoante e um jeito de se vestir que lembrou o estilo de Bella, mas claramente mais "adulto".

"Poderia ser a Bella do Jasper.", pensou consigo mesmo, escondendo uma risada para não atrair a atenção dos outros.

— Rapazes. — cumprimentou Alec com jovialidade. — Desculpe atrapalhar a folga de vocês, mas prometo que essa reunião não vai demorar. — justificou.

"Como vocês sabem, meu pai teve que se afastar do trabalho por ordens médicas, e o gerenciamento de seus clientes vieram para mim. Por alguns meses eu realmente consegui gerenciar tudo sozinho, mas… porra! Cuidar da agenda e todas as burocracias de 20 artistas diferentes é uma coisa surreal, e simplesmente eu não estava mais conseguindo." — suspirou derrotado.

— Alec… não estamos te acompanhando. — interveio Edward.

— Eu estou grávida, Edward. — disse Jane, cortando qualquer explicação do marido.

Os quatro membros que encaravam, agora aturdidos a esposa do empresário. Com sorrisos de clara felicidade, pela alegria do casal, disseram seus votos de parabéns.

— Sim, eu vou ser pai. — sorriu Alec para a esposa. — E por mais que eu vou ser grato a vocês, por serem os primeiros a confiarem em mim, eu não vou conseguir mais estar a disposição de vocês 100% e de mais 19 artistas. Sério, eu queria muito.

— Você não vai ser mais nosso empresário? — questionou Emmett, externando o pensamento de todos.

Alec sorriu torto.

— Não. — Alec respondeu com simplicidade. — Eu vou continuar sendo empresário de vocês, só que agora vocês serão clientes da New Moon Group, não mais da Alec Wood PR.

Observando os olhares confusos, Alec explicou melhor o que aconteceu.

— Depois de conversar muito com meu pai, e principalmente com os clientes deles, decidimos fundir a minha empresa e a do meu pai. Por isso, que viramos New Moon Group, não mais New Moon Music PR e Alec Wood PR. São detalhes contratuais, coisas que precisam ser burocratizadas. — deu de ombros.

— Ok. — respondeu Edward lentamente. — Mas o que isso significa para nós, Midnight Sun?

— Significa que agora a carreira de vocês vai ser agenciada por um grupo. Antes Corin e eu fazíamos o trabalho duro, cada detalhe com patrocinadores, shows, gravadora, publicidade… era um puta trabalho. Para evitar esse desgaste para nós, decidimos que cada banda vai ter seu relações públicas pessoal, que vai se dedicar inteiramente na carreira de maneira individualizada. Esse "gerente" — disse fazendo aspas no ar. —, vai agenciar cada detalhe, tomar decisões urgentes, controlar danos, e tudo que acontece de uma hora para outra.

"Evidente que as decisões maiores, que interferem diretamente na carreira de vocês, como produção de álbuns, clipes, marketing de vendas, continuará passando pelo meu crivo, mas boa parte das decisões será feita por este profissional, como por exemplo: agenda de shows, entrevistas, photoshoots, hospedagem, e todos esses detalhes mais torpes, que Corin, principalmente cuidava." — explicou. — "Vocês estão de acordo?" — perguntou meio incerto, em especial a Edward, que tendia a não gostar de mudanças muito bruscas.

— Alec, falo, não só por mim, mas como por todos nós — começou o vocalista. —, ficamos felizes com o crescimento da sua empresa, assim como da sua família. E, era óbvio, que algo como isso viria acontecer. Não somos inocentes em achar que seria sempre nós e você contra o mundo. — ele riu. — A disseminação da internet, a facilidade das coisas que está vindo com isso, a cada dia fica mais e mais evidente, então não é algo que nos espanta. Você sempre será nosso empresário, o cara que chegou na gente e disse: "eu vou empresariar vocês, e vai dar certo", nossa carreira não tem sido muito fácil nos últimos tempos, mas que carreira é? — brincou com um riso.

O empresário assentiu divertido.

— A de vocês tem sido um desafio. — provocou. — Só perdem para o desafio que é agenciar The Kings. Puta merda! — ele riu, sendo acompanhado por todos na sala. — Aqueles caras vão me deixar de cabelos brancos!

— Como Edward disse, não é algo que nos surpreende, Al. — concordou Jasper, que tinha seu olhar focado na figura da terceira mulher que entrara com Alec na sala de reuniões. — Mas quem seria esse "gerente"? — perguntou interessado, em saber, principalmente, quem era a mulher que acompanhava Alec e Corin.

— É lisonjeiro a compreensão de vocês. — concordou o empresário. — É por isso, que eu já quero apresentar a pessoa que vai ser a "gerente" da carreira de vocês. — o empresário, sorriu para a terceira mulher, que se levantou e sorriu para os membros da banda. — Essa é Alice Brandon, sei que ela parece nova, mas tem uma carreira já extensa como RP, ela vai ser quem estará acompanhando vocês mais de perto e relatando a mim, quando surgirem problemas maiores.

— Oi a todos. — respondeu a mulher com uma voz que parecia de uma fada, de tão encantadora e musical que soava. — Estou muito feliz com a confiança de Alec em me colocar para trabalhar com a primeira banda que assinou com ele, é uma responsabilidade imensa, mas eu espero conseguir sempre antecipar todas as necessidades de vocês, ou ajudá-los a gerenciar qualquer situação adversa que aconteça. — ela riu. — Torcendo sempre para que não aconteça nada.

— Alice é uma profissional absurdamente capaz. Antes dela vir para a nossa empresa, ela trabalhou como RP em uma das agências mais importantes de atores, a Serendipity Film and Actors, tive que usar todo o meu charme e fazer uma proposta irrecusável para ter ela no nosso barco. — divertiu-se o empresário, fazendo todos rirem e Alice revirar os olhos.

A reunião durou mais alguns minutos, onde banda, empresário e a mais nova gerente de carreira deles, conversavam sobre detalhes das próximas etapas da carreira.

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Apesar do desânimo com o terceiro álbum de estúdio, Impulsiveness, que não estava vendendo bem — mal alcançando 200 mil cópias —, os shows da banda, felizmente continuavam lotados, todas as campanhas nas mídias estava obtendo resultados satisfatórios. Diante deste cenário, a gravação do clipe do segundo single, Checkmate, estava marcada para daqui dez dias, quando chegariam em território inglês para uma tour de duas semanas.

Era como se apesar da tempestade as coisas estivessem se resolvendo. Evidente que a situação não era das mais agradáveis, mas como profissionais que são, tanto Edward, Emmett, Jasper e James, tinham plena consciência que muitas pedras se colocariam no caminho deles. Nunca se imaginou que o golpe viesse de um produtor, do qual todos pareciam entender muito bem, mas na carreira que escolheram pessoas mal intencionadas sempre apareciam.

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Com o fim da reunião os membros da Midnight Sun, seguiram para a casa de Edward e Bella, onde um churrasco foi programado. Bella, apesar de sempre tentar ir aos shows da banda, sentia falta dos outros integrantes, e por isso, ela queria rir um pouco com os amigos.

Os rapazes chegaram da reunião com o sol se pondo no horizonte, Bella que era multitarefas já tinha preparado uma série de alimentos, e só esperava a chegada de Emmett — churrasqueiro oficial deles —, para colocar as carnes. Logo risadas enchia a área da piscina da casa dos Cullen.

— Alice parece ser incrível, né? — disse James, quando repetiam a Bella e Rosalie a conversa que tiveram com Alec aquela tarde.

— Brandon? — interrompeu Rosalie. Os meninos assentiram. — Uau! Alec realmente conseguiu contratar Alice Brandon? Meu pai tenta há alguns anos contratá-la. — explicou, fazendo referência ao dono da gravadora da qual tinham contrato.

— Caralho, ela é tão conhecida assim? Ela tem… o quê? Vinte e oito anos, o que ela fez de tão memorável? — perguntou curioso Edward.

Rosalie bufou uma risada contra sua garrafa de cerveja.

— Vocês lembram da prisão do Jack McRose? — ela perguntou. Todos assentiram confirmando se lembrarem do ganhador do Oscar que foi preso com posse de drogas há alguns anos, um verdadeiro escândalo aos moldes de Hollywood, quase que a carreira do jovem ator acabou. — Alice Brandon que foi a responsável por mudar a imagem dele, ela operou um milagre! Desde então, sempre que algo mais pesado acontecia com algum agenciado da Serendipity era ela chamada. Acredito que Alec desembolsou uma boa quantia de dólares para contratá-la.

— Ele não tem fé na gente. Colocar a melhor RP para cuidar de nós. — murmurou desanimado Emmett.

— Pensa pelo lado positivo Emm, Alec sabe o quanto a carreira de vocês tem a crescer e ele quer alguém que mova céus e terra, para que ela decole mais do que já está. — interveio Bella com um sorriso.

Todos riram da positividade de Bella, e continuaram conversando sobre o perfil da nova gerente de carreira deles, todos com exceção de Jasper, que parecia perdido em um mundo paralelo.

— Jazz… — chamou Bella, observando que o guitarrista estava muito reflexivo. Ele a encarou com seus olhos azuis acinzentados, dizendo que estava a escutando. — Está tudo bem? Você está quieto a noite toda.

Jasper suspirou, atraindo a atenção de todos, fazendo que as risadas morressem.

— É ela. — disse com um sorriso sonhador, todos ficaram confusos, exceto Edward que replicou:

— Alice?

Jasper assentiu sorrindo. Edward sorriu enviesado, ciente que ele mesmo havia profetizado, para si, aquilo.

— Ela é a mulher que eu estava esperando. Ela é minha Bella!

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N/A: Oi gente! Eu sei, eu estava além de sumida, eu literalmente desapareci por 4 meses! Sei que muitos estavam achando que eu havia abandonado a fic, mas juro que essa nunca foi minha intenção. Eu estava num sério bloqueio e não conseguia escrever esse capítulo! Por todos esses meses eu tentei arduamente, por ser um capítulo transitório na fic (vocês vão ver que os próximos capítulos serão adicionadas várias camadas a todos os personagens), eu estava com muita dificuldade de conseguir, mas finalmente saiu! ALELUIA! E chegamos a isso? Espero que vocês gostem, tentei ser o mais clara que podia nesse capítulo.

Obrigada a todo mundo que esperou pacientemente, vocês são incríveis! Sério, mesmo, obrigada por isso! Obrigada, também, a todas que leram e todos que perderam um tempinho mandando reviews, é maravilhoso ter vocês como leitores e críticos, por isso, não esqueça de deixar aquele comentário fofo depois de ler esse capítulo aqui, ok?!

Amo vocês!

Beijos, Carol.