Aposta com o diabo

▬ Bella ▬

Expira. Inspira. Respira.

Isso é exatamente o que eu dizia a mim mesma. Calma Bella, é apenas um pesadelo, quando você abrir os olhos vai estar apenas você em casa. Fechei os olhos com força e esperei uns bons trinta segundos para abrir de novo. Tudo bem que eu me distraí e quase dormi de novo, mas mantive o foco e acordei.

Gemi de frustração ao abrir os olhos e ver que Edward ainda estava pleníssimo esparramado em minha cama e com um bico fofíssimo na boca. Ele havia se mexido e agora uma parte da sua bunda branca como palmito estava a mostra. Era difícil manter o foco, mas eu tinha um piti pra protagonizar, então me recompus e vamos aos trabalhos.

— Acorda – o remexi na cama – Acorda, demônio – quase taquei o travesseiro em sua cara para que ele acordasse.

— Você fala demais – ele reclamou ainda de olhos fechados e com um sorriso nos lábios.

— Pode levantar seu mentiroso de uma figa – realizei minha vontade e taquei o travesseiro nele.

Mas claro que o demônio, o próprio, tem bons instintos e o segurou antes que atingisse seu rosto. Ah vá, olha essa mentira, o cara estava de olho fechado, não é possível.

— Posso saber por que estou sendo chamado de mentiroso antes das oito da manhã? – questionou ajeitando o lençol sobre o seu corpo e se sentando na cama em seguida.

— Aquela sua história de 'não precisa me expulsar, eventualmente eu vou embora, pi pi pi, pó pó pó' e agora tá aqui jogado na minha cama porque DORMIU AQUI – gritei a última parte – Nera tu que ia embora?

Ele ficou olhando pra minha cara e simplesmente levantou, completamente nu e sem pudor algum. Achei que ele tinha se tocado e ia embora, mas ao invés disso foi até onde minha bombinha estava e me entregou em seguida. Fiquei olhar o objeto e minha vontade foi enfiar isso no rabo dele pra ver se respira pelo cu.

— Mas que merda Edward – reclamei tacando a bombinha na cama – Você disse que ia embora, que não ia dormir aqui. Isso é demais pra mim. Eu não durmo com ninguém. Isabella Swan dorme completamente sozinha. Não temos nenhum relacionamento pra dormir de conchinha... –

— Não dormimos de conchinha – me interrompeu calmo – É desconfortável pra caramba, dormir de conchinha nada mais é do que meu braço com câimbra e eu a madrugada toda comendo seu cabelo porque ele fica todo espalhado na minha cara. Odeio dormir assim – falou tranquilo, juro que senti meu olho esquerdo tremer – Melhor usar sua bombinha, você está hiperventilando.

MEU CUUUUUU.

— Para me interromper minha crise histérica – minha voz subiu algumas oitavas, ele riu e fez a porcaria de um zíper na boca – Não, isso tem que acabar. Não dá, já cheguei no meu limite emocional, vamos encerrar nosso contrato por aqui mesmo – a essa altura eu já estava andando de um lado pro outro no quarto e mexendo freneticamente em meu cabelo os puxando – Chega. Essa história de ter alguém dormindo aqui é demais pra mim, esse é um limite que eu não estou disposta a cruzar...

Estava tentando pôr meus pensamentos em ordem e só quando ouvi a risadinha do imbecil que ainda estava no meu quarto que notei que estava nua e surtada. Me cobri com um lençol e continuei andando pelo quarto tentando me acalmar.

— É isso, não dá maiss, vamos encerrar nosso contrato por aqui mesmo. Eu invoco aquilo de chegar ao meu limite emocional, não dá pra mim. Não quero dormir com ninguém, você não é nem minha mãe pra se convidar a dormir aqui – voltei com meu surto – Não. Não dá e se você vier com a desculpa ridícula que 'eu estava bêbado, não dava pra dirigir, blá blá blá' eu vou dar na sua cara.

— Isso nem passou pela minha mente – disse despreocupado – Eu tava bêbado é? – ele só podia estar testando minha paciência – Não lembro.

Eu procurei um sapato de salto pra tacar na cara dele e o salto entrar em seu olho, mas tudo que eu achei foi minha pantufa de unicórnio e foi ela que eu taquei nele. Ele gargalhou alto levantando em seguida e caminhando tranquilamente até mim, me segurando pelo ombro me fazendo parar quieta no lugar e olhar pra ele.

— Olha e nem começa com graça pro meu lado porque eu não esqueci que ontem durante o sexo você me chamou de amor. AMOR – gritei – Você já quebrou o contrato e nem percebeu, trouxa – ele revirou os olhos entediado.

— Olha só, eu estava com uma mulher gostosa pra caralho nua, em baixo de mim, transando e tinha bebido quase metade de uma garrafa de vinho. Você não pode me julgar pelo que eu disse no calor do momento – respondeu tranquilíssimo – Além do que, 'amor' não é 'eu te amo'. Sem exageros tá legal?!

O infeliz gostava de tirar o dele da reta.

— Vem cá. Você nunca nem olhava na minha cara, por que de repente tá aqui todo pelado na minha casa? Como isso foi acontecer? Você só gritava comigo. Eu devo ser muito sadomasoquista mesmo.

— Realmente, não olhava – admitiu. Minha mão estava coçando pra sentar na cara dele – Você usava aquela lente estranha, seus olhos ficavam medonhos e aquele loiro que você usava era horrível, me incomodava só de olhar. Você não me atraía nenhum pouco, mas quando você chegou lá de cabelo e olhos castanhos, puta que pariu, nem te reconheci.

— Você acha que isso foi um elogio? – ironizei – Sério que você viu só a aparência? Eu sou muito mais que só aparência sabia? Você tem que se sentir atraído pela personalidade da pessoa... –

— Ah para. Sem falso moralismo Bella – me interrompeu revirando os olhos – À primeira vista ninguém se atrai por personalidade.

— Claro que se atrai – argumentei.

Ele me olhou arqueando a sobrancelha em pura ironia.

— Vai dizer que você teria se atraído por mim se tivesse visto minha personalidade antes da minha aparência?

Uuuhhh, caí na armadilha do diabo. O filho da mãe sabe como me pegar nas minhas palavras.

— Viu só? Ninguém olha essência antes de aparência. Bella, só se acalma – falou tranquilo – Nós bebemos um pouco demais ontem, ficamos distraídos conversando, acabamos dormindo e nem percebemos, nada demais. Eu sei que não parece, mas não é o fim do mundo – claro que eu mostrei o dedo médio pra ele – Somos adultos e honestamente eu não vejo nada demais em ter dormido aqui, assim como não veria nenhum problema você dormindo na minha casa se fosse o contrário. Se você quiser encerrar nosso contrato, tudo bem, nós encerramos. Só tenta não morrer sem ar tá legal?

AH PUTA QUE PARIU. Ele me vê aqui toda surtada, ofegante e tenta bancar o sensato pra cima de mim? Querido, eu quero que você dê corda pro meu surto, que diga que não precisamos encerrar nada, porque convenhamos o sexo é ótimo e não estou a fim de ficar na seca por mais tempo, quero prosseguir com meu surto e não me acalmar. Se eu quisesse me acalmar eu estava tomando um calmante agora. Ninguém nunca disse pra ele que quando uma mulher está surtando ela quer surtar?

— Está mais calma? – perguntou após alguns segundos de silêncio.

— Pareço estar calma, porra? – perguntei ranzinza o fazendo rir – Você não tem uma roupa pra vestir não?

— Eu não tenho problema com a nudez, você tem? – me olhou confuso, como resposta revisei os olhos pra ele – Vem, vamos tomar banho – me puxou pela mão em direção ao banheiro – Você tem que me arranjar uma toalha. Eu gosto de toalhas macias.

— Então compra uma e enfia no rabo.

Claro que ele riu da minha cara... na minha cara. Essa história de vinho só pode ser algum tipo de simpatia pro diabo, eu vou ter que cortar o vinho da minha vida. É isso. Apesar de tomarmos banho juntos, foi só banho mesmo, eu tinha que me arrumar pois não queria chegar atrasada e dar motivos pro meu chefe me trucidar. Tudo bem que o motivo do meu atraso seria meu chefe, mas ainda sim né, profissionalismo mores.

— Ei, sexta vai ter o jogo que a Nat vai animar na escola dela – ele falou quando servi a ele uma xícara de café – Vai ser o primeiro jogo dela. Você quer ir assisti-la? Ela parece gostar bastante de você, acho que seria legal.

— Querido, a Nat me ama – sorri exibida – Me ama tanto que já me chamou duas vezes enquanto você só lembrou de falar um negócio desses agora – torci a boca pra ele – Mas como eu disse pra ela, eu vou sim. Ela fica muito cute cute vestida de líder de torcida.

— Ela fica mesmo né?! – falou todo babão tomando seu café e o cuspindo de volta na xícara em seguida – Ei, isso tá doce – reclamou.

— Eu sei – respondi com um sorriso travesso no rosto – É que na minha casa, você não manda no café – pisquei pra ele ganhando um olhar mortal como resposta.

Bella 1 x Lúcifer de olhos verdes 0.

[...]

Óbvio que para chegar no horário no trabalho, eu tive que expulsar Edward de casa. Isso ia contra o nosso contrato, mas como eu sabiamente pontuei falando 'sai caralho, eu tenho que trabalhar e diferente de você, eu bato ponto sabia?'. Foi um argumento bem convincente para o convencer a ir embora.

Óbvio que como ele teve que passar em casa pra mudar de roupa, ele chegou bem depois de mim e claro, isso só serviu pra foder minha vida pois eu teria que reprogramar a agenda dele. Inferno. Já deve ser a décima vez que eu faço essa merda só essa semana.

— Hey assistente do satã – Ang colocou a cabeça pra dentro da minha pseudo sala – Vamos tomar café, comer rosquinha e fofocar na copa?

Olhei para a tela do computador e pensei no quanto não estava com vontade de fazer isso agora, então concordei. Eu queria mesmo fofocar.

— Jess terminou com o Newton... de novo – Ang comentou enfiando uma rosquinha na boca.

— Uau, quinta vez esse mês, temos um novo recorde? – Jane disse fazendo Jess bufar.

— Ele é um idiota – falou consternada – Mas ele fode bem, o que eu posso fazer?!

— Fode bem?! – Jane repetiu irônica – Ele tem a maior cara de quem fode fofo e ainda fode de meias. Você consegue coisa melhor amiga.

Newton fode bem? Eu tive que gargalhar, mentalmente claro. Concordo com Jane, ele tem cara de quem é péssimo de cama. Foder bem é quando alguém te pega de jeito e te deixa assada ou sem andar direito. Tipo euzinha agora ou quando estava com Edward na Finlândia. Inclusive, saudades daquela noite, acho que vamos ter que repetir aquela noite, tô com vontade de transar a noite toda. Será que a Nat aceita ir dormir na casa das tias depois do jogo dela? Ah droga, elas vão estar viajando... que triste.

— Ai Jess, você precisa de alguém que te pegue de jeito e te deixe desconfortável em andar. Aí você vai saber o que é foder bem – respondi atraindo a atenção para mim.

— Aliás, você tá sorridente demais, pele brilhante demais – Ang começou a observar fazendo com que as outras duas me olhassem também – Tá com a maior cara de quem fodeu essa noite. Você tá transando com alguém e não nos contou sua vaca?

— Dedinhos mágicos amiga – claro que eu não disse de quem – Já que eu dei um chute na bunda do Jake, não podia ficar sem me aliviar né?! Vai que eu explodo.

— Sensatíssima essa menina – Jane elogiou, mas logo o sorriso sumiu do seu rosto – Não dá tempo de fugir, o lúcifer tá chegando. Ajam naturalmente – ela sorriu esquisito.

— Bom dia senhor Cullen – nós três falamos juntas quando ele passou por nós.

Claro que fomos ignoradas, mas agora ele tinha uma desculpa. Estava no telefone falando com alguém. Tá, não era desculpa, ele podia ter sorrido, mas pelo menos não gritou com ninguém. Fiquei um pouco irritada quando as três oferecidas ficaram secando a bunda dele, mas depois a irritação passou quando eu lembrei que apenas euzinha aqui que pude visualizar a bunda branca dele sem roupa alguma e mais, ainda apertei.

— Claro boneca, se você quiser nós vamos comprar isso hoje tá bom? ... Calma filha, você não vai sem sua fita na cabeça... Vou pedir pra Gianna ir com você... Eu não sei fazer laço Nat... Tá eu aprendo... – foi tudo que ouvimos da sua conversa enquanto ele passava por nós como uma bala.

— Gente... chocada, ele é muito cadelinha de menina – Jess falou assim que ele se afastou.

— O que? – perguntamos sem entender.

— Viram como ele é pau mandado da filha? Ele tava todo amorzinho no telefone. Eu devia virar amiga dela e fazer ela ficar circulando aqui pela empresa comigo, quem sabe assim ele fica alguns dias sem gritar comigo – explicou – Boneca? Que coisa mais brega – riu irônica.

— Ah, eu acho fofo – as três me olharam com a sobrancelha arqueada – Ei, eu convivo com ele e a mini demônio tá legal? Eu já o vi tratando a filha, é uma outra pessoa, irreconhecível. Se perguntarem eu vou negar até a morte, mas surpreendendo a todos, Edward Cullen é um paizão.

— É até difícil de acreditar – Jane dizia incrédula.

— Ele nem grita comigo quando a Nat tá perto.

— Nat?

— É, é muito extenso falar Natalie – dei de ombros.

— Ele é um puta de um dilf, isso sim – Ang pontuou.

— Se ele não tivesse essa personalidade tão bosta, eu ia invadir a sala dele e tentar dar pra ele nem que fosse a força. Mas na real, eu tenho é medo de entrar lá, ele gritar comigo e me fazer chorar, então me contento com o Newton mesmo.

Ouvindo Jess dizer isso eu só consegui chegar a uma conclusão: puta.

▬ Edward ▬

Eu já não aguentava mais ver tutoriais na internet de como fazer maquiagem e como amarrar a porcaria de um laço no cabelo. Quem iria imaginar que essa merda é difícil pra caralho de fazer. Porra complicada, isso deve ter sido obra do próprio demônio. Não tem outra explicação.

Estava concentrado no vídeo quando ouço a porta da minha sala ser aberta abruptamente com a porta batendo com força na parede. Eu que já estava meio impaciente, levantei o olhar pronto pra xingar quem quer que tivesse feito isso. Logo vi Rosalie passando pela porta e Isabella atrás dela tentando a impedir, eu ia brigar com minha irmã por isso, mas vi seus olhos vermelhos, então, apenas fiz um sinal com a mão para que Isabella a deixasse e sussurrei um 'tudo bem' pra ela que entendeu o recado e se retirou em seguida.

— Desembucha – falei quando ficamos sozinhos.

Rosalie desatou a chorar e levantou sua mão mostrando um palitinho de exame de gravidez. Nesse instante meu mundo desabou. Rosalie estava há três anos tentando engravidar, o primeiro ano foi tranquilo, mas conforme não ia acontecendo, ela foi se desesperando e a cada tentativa frustrada ou a cada alarme falso, ela desabava e passava dias mal. Eu seriamente tinha medo que ela entrasse em depressão por conta disso. Seu sonho é ser mãe e a cada vez que ela não consegue, ela fica seriamente arrasada.

Toda vez que um desses exames dá negativo, Rosalie me procura e chora incessantemente. Eu odeio vê-la assim tão triste, gostaria de tomar sua dor toda pra mim e fazê-la sorrir, faria qualquer coisa, qualquer coisa, para que ela não se sentisse triste e pior, como ela mesma diz que se sente: incapaz.

— Por que eu não posso ser como qualquer mulher normal e não posso ter um filho? – falou entre lágrimas.

Levantei de onde estava e fui até ela a abraçando em seguida. Ela me abraçou com força afundando o rosto em meu peito. Só Deus sabe o quanto eu odiava a ver assim.

— Tem mesmo algo de tão errado comigo pra eu não conseguir ter um filho? – perguntou chorosa.

— Tem sim – ela beliscou meu braço com força, mas abafei um grito, apesar de ter doído – Tem muita coisa errada com você. Nossa, tem coisa pra caralho de errada com você, mas não tem nada de errado com o fato de você ainda não ter conseguido engravidar – a consolei – Você não é menos capaz só porque ainda não engravidou. As coisas acontecem quando tem que acontecer, não adianta querer apressar.

— Mas por que eu ainda não engravidei? Três anos é um tempo considerável. Não é apressar nada – rebateu ainda em lágrimas.

Enxuguei as lágrimas de seu rosto e beijei sua testa a abraçando ainda mais.

— As coisas acontecem quando tem que acontecer loirinha.

— Você diz isso porque já tem uma filha.

— Não. Eu digo porque é verdade – com todo nojo que podia sentir em meu ser, peguei o palito de suas mãos para jogar no lixo – Agora me dá isso aqui. Vamos nos livrar disso que só te deixa triste.

— Você sabe que eu mijei nisso, não sabe?

— Infelizmente eu sei – fui até o cesto de lixo e antes de o jogar, notei algo que chamou minha atenção – Oh Rosalie – a chamei encarando o palitinho – Você tem certeza que esperou o resultado?

— Edward, eu já fiz esses testes umas dez mil vezes. Claro que eu fiz certo. Joga logo isso no lixo antes que eu recomece a chorar.

— Oh sua tapada. Você não esperou o tempo certo – fui até ela novamente com o palito mijado em mãos – Dois tracinhos é positivo, sua...

— Cadê? – me interrompeu tomando o palito do teste de minhas mãos – OH MEU DEUS – gritou alarmada ao ver que este mostrava dois tracinhos – OH MEU DEUS – gritou novamente.

— Para de gritar. Agora que você já está bem. Saia da minha sala, você está me irritando.

Ela correu para me abraçar e o impacto do seu corpo se chocando contra o meu quase fez com que eu me desequilibrasse, mas consegui manter o equilíbrio. Ela passou os braços ao redor do meu pescoço e isso fez com que o palitinho mijado encostava em meu queixo.

— Tira essa porra daqui – bati em sua mão e isso fez com que ela o soltasse e este fosse ao chão.

Ela me soltou e foi pegar o negócio o enfiando na bolsa.

— Edward, vamos a um hospital. Eu preciso ter certeza – pediu eufórica.

Claro que eu iria com ela. Mas primeiro ia irritá-la um pouco.

— Eu não, vá sozinha. Agora saia daqui.

— Edward Anthony Cullen – bradou irritada – Se você não vier comigo agora para a porcaria de um hospital fazer a merda de um exame de sangue, eu vou arrancar as suas bolas com uma faca descartável que pra pra doer mais.

— Chame seu marido. O filho é dele e não meu – dei de ombros.

— Não né. Eu quero fazer uma surpresa pra ele. AGORA VEM LOGO COMIGO PORRA.

— Não.

— Se você não vier eu vou... eu vou... – ela me olhou travessa e sorriu diabólica – Eu vou contar pra mamãe.

Filha da puta apelona do caralho.

— Já que você pede com tanto jeitinho – ironizei.

Ela saiu me rebocando e fomos ao Hospital Central de Seattle fazer o maldito exame de sangue. Sem necessidade, o de farmácia já não deu positivo? Vai dar a mesma merda.

[...]

— Certo – a moça que fazia a ficha e preenchia os dados de Rosalie falou – Você é o marido dela? – perguntou olhando para a aliança dela e em seguida para a minha mão notando a ausência de um anel.

— Não, eu sou o amante dela – respondi sério mostrando meu anelar esquerdo para evidenciar o que falei.

A mulher me olhou escandalizada e Rosalie arregalou os olhos.

— Para de ser cuzão Edward, eu vou contar pra mamãe. Se eu estiver mesmo grávida é esse hospital que eu vou frequentar seu imbecil – ela se virou para a atendente – Moça é mentira dele. Ele é meu irmão, somos gêmeos – a doida colou a lateral do seu rosto no meu – Tá vendo? Somos parecidos, temos até os mesmos olhinhos verdes.

— Tá ok... – a mulher disse ainda sem acreditar, mas continuou preenchendo a ficha.

— Vou contar pra mamãe – ironizei imitando sua voz.

Ela por sua vez me mostrou o dedo do meio. Rosalie foi fazer o maldito exame e o resultado sairia em duas horas. Duas longas horas. Isso era hora pra caralho.

Já que o resultado demoraria, reboquei a loira pra um armarinho qualquer espalhado pela cidade, eu precisava comprar a porcaria dos laços de cabelo que Natalie queria, a pirralha ainda exigia e queria um vermelho. Ao chegar no local que vendia isso, eu quase tenho um troço. Quem foi o infeliz atormentado que inventou tantas variações de vermelho? Como eu vou fazer quais desses ela vai gostar?

— Olá boa tarde – uma mulher que aparentava ter uns 25 anos se aproximou, ela estava sorridente demais pra mim, mas ignorei – Sou Marie, posso ajudar em alguma coisa?

— Sim – respondi olhando para as fitas de cabelo – Tá vendo essas fitas e cabelo? – ela assentiu concordando – Vou querer todos os tons de vermelho que você tiver aqui. Duas de cada – até que foi fácil.

— Qual o tamanho?

Ah puta que pariu. O que ela queria dizer com isso?

— Não sei moça, o suficiente pra fazer o laço no cabelo de uma garota de mais ou menos esse tamanho – indiquei com a mão o tamanho aproximado de Nat.

— Ei cabeção – Rosalie, que sumiu por alguns instantes, reapareceu pelo visto do chão assim que a moça que me atendia foi pegar as fitas – Por que você não deixa a Gianna arrumar a Nat?

— Porque ela é minha filha...

— É sério Edward, por que? – passei a mão no cabelo nervoso e respirei fundo antes de lhe responder.

— Por que eu já tenho tão pouco tempo pra ficar com ela, meu trabalho consome muito tempo, mais do que eu gostaria... –

— Mentiroso – ela me interrompeu – Se você pudesse moraria naquela empresa e limparia o chão com a língua.

— É verdade – concordei – Mas isso não impede de eu querer passar mais tempo com a Nat. Eu realmente queria ter mais tempo. Tive que a matricular em uma escola de tempo integral apenas para ocupar mais do seu tempo e ela não perceber que eu passo muito tempo longe. Eu sei que ela entende, mas mesmo assim... em todo caso, eu não abro mão desses pequenos cuidados que eu posso ter com ela, são alguns momentos a mais que passamos juntos.

— É engraçado porque você é todo cavalo, todo grosso e filho da puta, mas quando fala da Nat fica todo doce, amorzinho e seus olhos até brilham.

— É engraçado que eu sempre quero que você vá pro inferno – ironizei a fazendo rir – Mas sim, Nat é a única que amolece meu coração.

— A mamãe sabe disso? Ela acha que ela também amolece seu coração de diamante, porque até pedra é mais fácil de quebrar que esse seu coração de merda.

— Para de ser fofoqueira caralho – reclamei – Tudo quer contar pra mamãe, parece criança.

— É porque você cometeu a besteira de deixar eu saber que você tem medo dela.

— Eu não tenho medo dela, eu só prefiro evitar certas conversas – justifiquei

— Aqui está – a moça que me atendia apareceu interrompendo a conversa

Agradeci e fui ao caixa pagar. Como o local era pequeno, a mesma moça que me atendia era a que atendia no caixa. Paguei pelas malditas fitas, que inclusive quem diria que elas são caras pra caramba.

Ao sair do local, abri a sacola conferindo as fitas e notei um pedaço de papel diferente da nota fiscal ali dentro. Peguei o papel e conferindo que ali constava o nome 'Marie' e um número de telefone. Odiava quando essa merda acontecia, não é como se eu fosse ligar pra nenhuma delas.

— Pega pra você – estendi o papel com o número de telefone para Rosalie que o pegou conferindo.

— Você poderia fazer mais bem proveito disso do que eu – amassou o papel jogando em uma lixeira próxima – Quem tá no próprio Saara sexual é você e não eu – mordi a parte interna da bochecha para não rir.

Ela não precisava saber da minha vida.

— Odeio quando me mandam números de telefone. Vou será ter que andar com uma placa escrito 'não vou te ligar'?

— Para de reclamar de cu cheio Edward – a loira reclamou revirando os olhos – Você recebe papelzinho, eu por ser maravilhosa e perfeita como sou estou em pior situação que vem uns caras pessoalmente me dar umas cantadas ridículas e é pior quando o cara fica insistindo mesmo quando eu digo não e que sou casada e alguns ainda me xingam quando eu recuso. Por isso eu gosto de sair quando Emmett tá perto, ele mete logo medo nos caras e pronto.

Não podia argumentar com isso. Pra mulher era sempre pior porque tinha sempre um cara escroto que não se contentava com um simples 'não'.

Incrivelmente, a compra das fitas não levou nem meia hora, o que deu margem de tempo pra ter minha paz de espírito roubada pela louca da minha irmã não para de fazer perguntas inconvenientes e de ser inconveniente. Não vou mentir, eu fiquei diversas vezes a literalmente um passo de a estrangular e não importava quantas vezes eu dissesse para ela calar a boca, ela me ignorava em todas as vezes e ela tinha uma mania irritante de ficar passando a mão no meu cabelo, eu já tenho essa mania, não preciso das mãos dela em mim. Inferno.

Meu único momento de paz foi quando finalmente deu a hora de buscar o resultado do maldito exame.

— Tô nervosa demais, você abre e depois me diz, mas só me diz se o resultado for positivo, se for negativo só rasga e joga fora – Rose disse num fôlego só me entregando o envelope com o resultado.

Apenas assenti concordando, mas quando fui abrir, ela tomou de volta o exame de minhas mãos e disse que não queria saber porque se desse negativo ela não ia suportar. Tentei pegar o exame dela de novo mas a louca saiu correndo pelo hospital e gritando que não ia abrir o resultado do exame. A essa altura da minha vida, a filha da puta da minha irmã me fez ir atrás dela por todo o hospital. Sim, eu tive que correr, literalmente, atrás dela e tomar o maldito exame de suas mãos a força. Ela ainda tentou se jogar no chão, mas como eu peguei o envelope dela antes, ela podia se jogar a vontade que eu nem ia ligar.

— Para de graça – briguei – Se tomar essa porra de novo de mim eu vou ficar muito puto com você.

— Não olha – choramingou – Se o resultado for negativo eu não vou suportar, prefiro ficar me corroendo de curiosidade.

Óbvio que eu a ignorei e abri o envelope do mesmo jeito. Dei um grande sorriso ao ver o resultado.

— Cadê? O que diz aí? Por que tá com essa cara de demente? – ela esticou o pescoço tentando ver o que constava ali – Responde, o que diz aí?

— Como eu disse, as coisas acontecem quando tem que acontecer – respondi e ela revirou os olhos.

— Mas caralho, custa dizer se deu positivo ou negativo? Não te pedi pra filosofar, pedi pra me dizer a porcaria do resultado – bufei irritado.

— Positivo, você tá grávida e infelizmente vai deixar sua prole maldita no mundo. Satisfeita? – respondi impaciente. Ela me estressou.

Claro que como a boa surtada que Rosalie é, ela fez questão de gritar para todo o hospital ouvir e quase estourou meus tímpanos. Depois do seu surto de felicidade, ela se lembrou que supostamente é um ser humano normal e me abraçou em seguida.

— Parabéns maninha, eu sei o quanto você queria essa criança. Fico muito feliz por você – a parabenizei.

— Queria sim, obrigada por ter vindo comigo Ed. Apesar de você ser uma alma atribulada, o próprio demônio manifestado e lúcifer de olhos verdes o próprio, como diz a Bella, eu amo você pra caralho, mais do que tudo e todos. Obrigada por ter estado comigo nesses meus pequenos momentos de surto enquanto esperávamos o resultado.

— Você quer dizer por todos esses 35 anos né? Porque você é surtada desde quando nasceu – ambos rimos – Mas eu também amo você Rose... Ei, vocês se reúnem pra falar mal de mim por acaso?

— Talvez – revirei os olhos – Eu vou pra casa, vou fazer uma surpresa pro Emm – assenti concordando – Edward, você vai me ajudar a cuidar do meu bebê?

— Claro que vou. Acha mesmo que eu ia te deixar sozinha cuidando de uma criança?

— Eu cuido bem da Nat.

— Eu já tive que ir buscar a Nat cinco vezes em delegacias porque você e a Alice a esqueceram em algum lugar. Quando ela tinha cinco meses você deu um pedaço de pão pra ela porque ela "pediu com os olhos", ela se engasgou e você a invés de ir socorrer ela, saiu correndo pela casa gritando assustada... aliás, por que mesmo eu deixo a Nat com você?

— Eu era nova e ingênua...

— Agora está velha e ingênua.

— Vai tomar no cu – falou irritada – Ei, eu vou contar sobre a gravidez pra mamãe, sabe o que isso significa?

— Puta merda, você vai mesmo adiantar a vinda deles pra cá? Filha da puta.

— Se prepara maninho... dona Esme está chegando.

[...]

Ainda eram três da tarde quando eu decidi não voltar mais para a empresa, ao invés disso, escolhi passar na escola de Nat e a buscar mais cedo. Óbvio que ela ficou super empolgada quando a busquei, segundo ela, 'não tem nada que eu ame mais do que não assistir aula de matemática'. Palavras dela.

— Não que eu esteja reclamando, mas por que o senhor veio me buscar? – perguntou curiosa quando já estávamos no carro.

— Senti saudade da minha bonequinha, não posso?

— Pode. Pode mais ainda quando eu tiver aulas chatas pra assistir – gargalhou – Mas pai, não aparece mais na escola não.

— Posso saber por qual motivo você tem vergonha de mim?

— Antes fosse vergonha – ela se afundou no banco fazendo uma careta em seguida – Tá todo mundo apaixonado por você naquela escola. Minhas professoras, a diretora, minhas amigas. Você é tipo um sereio que atrai as mulheres com seu encanto vulgo olhos verdes – gargalhei com suas palavras – É sério. Todos querem seu corpo cansado, mas você já é da Bella – explicou séria – Minha professora de espanhol pediu seu número, ela disse que tinha que conversar com o senhor sobre mim, mas eu sei que é mentira porque eu sou a melhor aluna da sala, ela não tem do que reclamar.

— Pelo amor de Deus, diz que você não deu meu número.

— Tenho cara de principiante pai? –revirou os olhinhos – Eu sou uma profissional. Falei que se tivesse que falar com o senhor era pra escola lhe enviar um comunicado, mas depois fiquei com medo de ela tentar me reprovar por maldade e completei dizendo que como o senhor era um executivo importante, não gostava que eu passasse seu número. Aí ela me pediu pra eu lhe passar o número dela e me deu anotado num papel.

— E o que você fez?

— Assim que saí de perto dela amassei e joguei fora – sorriu angelical.

— Essa é minha garota – passei a mão no seu cabelo bagunçando, mas ela não se importou.

[...]

— Pai a gente pode assistir Hannah Montana? – Nat perguntou assim que chegamos em casa.

— Pode, vai trocar de roupa e tomar um banho... não necessariamente nessa ordem.

— Tá bom, o senhor faz a pipoca – ela saiu correndo escada acima.

Guardei sua mochila, já que a folgada me fazia carregar, guardei também as fitas do cabelo dela que eu comprei tomei um banho rápido, troquei de roupa e fiz a pipoca dela.

— Filha, de quem era o número que você me ligou hoje? – questionei quando ela desceu e se acomodou no sofá – Seu celular ainda está comigo.

— Eu pedi emprestado o celular do Matt, aquele meu amigo que eu te falei.

— Aliás, quem é ele?

— Aquele meu amigo que eu te passei a brincadeira do 'tô namorando'. O Matthew, ele é do time de futebol da escola, na sexta eu te apresento ele.

— Nat, você não tá namorando mesmo não, não é filha? – eu nem sei se eu queria mesmo essa resposta.

— Tô não, quando eu tiver vou te contar. Não temos segredo lembra? Você me ensinou isso – assenti concordando – No momento você ainda é meu único amor papai – ela sorriu amável me abraçando quando sentei ao seu lado – Amo você paizinho.

— Também amo você coisinha – beijei sua testa – Vou devolver seu celular porque é muito ruim eu querer falar com você e não ter como, mas filha, quando eu falar você tem que obedecer. Eu não falo as coisas pro seu mal. O que você fez foi muito feio, não quero que as pessoas te vejam como alguém que ri e faz piada dos outros quando estão em um momento ruim. Quero que te vejam com a garotinha amável e compreensiva que você é. Eu sou seu pai princesa, ninguém vai querer seu bem mais do que eu.

— Eu sei papai, foi muito feio o que eu fiz. Prometo que não vai se repetir tá bom? Me desculpa – falou triste – Não vou mais desobedecer.

— Eu sei filha – beijei sua testa – Mas então, vamos assistir o Oliver descobrindo que a Miley é a Hannah?

— Ebaaaa – comemorou pegando o controle e dando play.

Deus, como eu odeio essa série.

▬ Bella ▬

Edward Cullen

17:26 pm

"Ei, você quer fazer alguma coisa mais tarde?"

Bella Swan

17:29 pm

"não dá, tô indo no cemitério agora"

Edward Cullen

17:31 pm

"quer que eu vá com você?"

Bella Swan

17:33 pm

"pode ser, to indo naquele grande e bonito que fica no centro, agora vou sair do celular pq to dirigindo e não quero ser multada"

Guardei o celular e continuei dirigindo e graças ao trânsito infernal, eu demorei mais do que gostaria para chegar, mas isso porque eu sou apenas uma mera mortal, já o demônio vulgo Edward Cullen se materializou e já estava por lá enquanto eu levei uma eternidade pra chegar.

— Eu devia ter trazido flores ou algo assim? – ele perguntou quando me aproximei – Não sei dizer, cemitérios não são um lugar que eu frequento com frequência.

— Eu frequento – dei de ombros – Mas tudo bem, não precisa de flores, nem eu trouxe.

— Você veio visitar algum parente, amigo ou...? – deixou a pergunta morrer no ar.

— Uma antiga amiga que por minha culpa está morta – expliquei cabisbaixa.

Edward me olhou surpreso, mas nada disse. Andamos em silêncio, o cemitério era grande e fomos nos afastando das lápides incrivelmente bonitas e se aproximando de umas mais simples, até que após alguns bons minutos andando, paramos entre duas lápides que eram muito conhecidas pra mim e eu tirei da bolsa a cruz de palito de dente que eu havia feito para demarcar o território. Eu sempre levava essa cruzinha quando ia.

— Me desculpe perguntar, mas o que aconteceu? Eu estou meio confuso – ele perguntou ao me ver colocando a pequena cruz no chão atrás de uma das lápides, porém mais afastado.

— Ah, eu tinha um peixinho, ela era toda coloridinha e pequena, eu a chamei de Aquarela. Aí um dia eu simplesmente esqueci dela e viajei por duas semanas. Quando voltei de viagem, ela estava morta e o aquário todo sujo. Acho que ela morreu de fome – refleti – Aí eu a coloquei numa caixa de fósforo, coloquei uma colher na bolsa e trouxe ela aqui nesse cemitério. Quando ninguém estava olhando eu cavei um buraco e enterrei ela aqui – apontei para o local onde eu coloquei a pequena cruz de palito de dente – Já faz um ano, mas eu prometi pra ela que viria a visitar todo mês.

Quando terminei minha história, Edward me olhava com a boca aberta, uma expressão de pura perplexidade e ele nem piscava. Assustador.

— O que? – perguntou parecendo meio confuso

— O que o que?

— Você vem todo mês visitar um peixe que você ilegalmente cavou uma cova?

— Eu fui na prefeitura, mas ninguém quis me vender uma sepultura pequena. Na verdade, riram de mim, foi bem rude – expliquei.

— Como você sabe que o peixe era fêmea?

— Você não me ouviu? Ela era toda colorida. Tinha que ser fêmea.

— Eu não tenho nem palavras pra isso – falou.

Óbvio que eu ignorei o que ele disse. Me agachei novamente e tirei o pequeno frasco de ração pra peixe que eu sempre levava quando ia a visitar e salpiquei um pouco por cima da terra. Eu havia a prometido que nunca mais a deixaria com fome, então quando vinha, colocava um pouco de ração por cima da terra onde ela estava enterrada. Peguei minha garrafinha de água também e pinguei algumas gotas. Não sei porque, mas quando colocamos a ração é na água né?! Então deve ser por isso.

Coloquei um seixo por cima para junto com a cruz demarcar seu território, decidi que era hora de ir embora. Edward ainda me olhava estranho, como se eu fosse completamente louca, mas eu entendo. Ele não tem coração, então não espero que ele vá entender.

— Já saímos do cemitério, já pode tirar essa cara de cu – falei quando passamos pelos portões.

— Essa foi a coisa mais aleatória que eu já fiz na minha vida.

— Veio porque quis, eu não te chamei – dei de ombros e continuei andando.

— Você é mesmo uma cavala. Puta que pariu, vai ficar me dando coice mesmo? – reclamou.

SIM.

— Quer fazer algo que vai se arrepender depois? – perguntei.

— Olha, eu já estou bem arrependido, não sei se aguento mais doses de arrependimento. Mas o que é?

— Eu decidi que quero fazer uma tatuagem, vou fazer agora. Quer fazer uma também?

— Eu já tenho uma. O que mais eu faria?

— Sei lá, faz uma borboleta – sugeri.

E esta senhoras e senhores, foi a primeira vez que Edward me mostrou o dedo médio dele. Ele não é um amorzinho?

Edward me levou no mesmo estúdio que ele fez a tatuagem dele e nesse momento, eu já estava bem arrependida, com medo e merda, por que eu quis fazer uma tatuagem, eu tenho tanto medo de agulhas.

Optei por fazer a mesma frase que eu disse quando estávamos na Finlândia, que iria querer: Expira, inspira e respira. É tosco, mas me ajuda a lembrar que isso me ajudou a não morrer sem ar. Também escolhi fazer abaixo do seio esquerdo, ele fez uma careta, mas não falou nada. Claro que eu perguntei qual o problema com o local, segundo ele, eu praticamente ia ter que mostrar meu peito pro tatuador, mas já que eu queria.

Como se eu tivesse muito peito pra mostrar. Revirei os olhos mentalmente pra isso. Eu estava muito arrependida, eu morro de medo de agulhas, que merda eu estou fazendo aqui? Como que para me 'incentivar', Edward escolheu fazer mais uma, mas infelizmente, não foi uma borboleta como eu queria que fosse, ele tatuou XV I acima da tatuagem que já tinha, formando XV I MMIX.

Oh Sheldon Cooper, me perdoe, mas eu realmente tenho que usar um conversor de algarismos romanos pra saber o que isso significa. Acabar que é 15 01 2009. Estranhei e muito isso. Que isso gente? O ano pra ele tem quinze meses?

— O sistema de datas na Inglaterra é diferente do americano – ele explicou ao ver minha confusão – Na Inglaterra usamos primeiro o dia, depois o mês e por fim o ano, diferente dos Estados Unidos que é mês, dia e ano. Essa é a data de nascimento da Nat.

— Ah tá... – que povo estranho esses ingleses.

Quando chegou minha vez, claro que eu chorei horrores. Essa merda doía pra caralho e eu estava com meu peito quase todo exposto pra um estranho e bom, não estávamos transando então isso era estranho. Edward ainda foi bem amorzinho e segurou minha mão enquanto eu gritava desesperada a cada vez que a agulha riscava minha pele.

Talvez meu drama fosse um pouco desesperado, mas foda-se. Edward deixou de ser amorzinho e riu do meu drama. Filho da puta.

Depois de todo esse sufoco que passei, eu finalmente tinha feito a tatuagem que tanto queria, o problema é que eu tive que comprar uma pomada e ia ter que lembrar de ter vários cuidados enquanto cicatrizava. Moço, eu sou a moça que deixa as plantas morrerem e matou um peixe de fome. Eu já matei um cacto, gente, quem mata um cacto?

E se eu esquecer de cuidar, infeccionar e eu tiver que amputar a parte de cima do meu corpo? como eu vou sobreviver? Eu não sou uma barata que sobrevive sem a cabeça, eu vou morrer. Apesar de tudo, eu gostei do resultado, ficou bonito. Já quero fazer mais, meu Deus, eu me viciei em fazer tatuagens e eu acabei de fazer a primeira. Acho que vou voltar aqui. Por precaução, peguei o cartão do tatuador, vai que eu preciso fazer mais algumas. Pelo visto as pessoas tem razão quando dizem que fazer tatuagem vicia, eu mesma já estou viciadíssima.

— Você já fez sua tão sonhada tatuagem, como se sente? – Edward perguntou.

Decidimos ir a sorveteria estranha dele feita para pessoas que tem os problemas com comida que ele tem.

— Tatuada – brinquei – Achei legal, quero fazer mais – confessei.

— O que mais você faria?

— Não sei, talvez eu faça um coração no dedo, que nem aquela que a Miley Cyrus tem, eu acho bonita. Aaahh, eu vou tatuar um cupcake na minha nuca.

— Por que um cupcake?

— Eu gosto de doces – dei de ombros – Por que você fez outra tatuagem se disse que não queria fazer?

— Eu não disse que não queria fazer, disse que não sabia o que fazer.

— Isso não responde minha pergunta.

— Não sei, você parecia com medo de fazer a sua e eu honestamente não tenho nada contra tatuagens então não é um problema para mim fazer uma – falou enquanto enfiava uma colher de sorvete na boca, me atrevo a dizer que ele ficou até fofo fazendo isso – Até faria mais se eu soubesse o que fazer.

— Por que não faz um tigre? É legal.

— É meio ridículo, não vou fazer isso.

— Você é sem graça, não gosta de nada. Não gosta de borboletas, de tigres, que sem graça.

— Gosto bem longe da minha pele – riu.

Ainda sugeri outros desenhos para Edward fazer, mas ele fervorosamente recusou todos. Que sem graça, ele se recusou até a tatuar a Barbie. Gente, é a Barbie, quem não ia querer tatuar ela? Até eu quero tatuar a Barbie em mim. Quando chegar em casa vou assistir Barbie Fairytopia, Deus como eu amo esse filme.

Na verdade, acho que vou fazer uma maratona dos filmes da Barbie, porcaria de filmes perfeitos. Aquele Barbie a princesa e plebeia também tá na minha lista de filmes favoritos da vida. Nem sei sobre o que Edward falava, eu estava aqui plena pensando sobre os filmes da Barbie que eu assistiria. John e eu vamos assistir abraçadinhos pois ele é meu filho e tem que me obedecer.

[...]

A semana passou tranquila, Nat recuperou seu celular de volta então nós estávamos sempre conversando pelo whatsapp, segundo ela, na escola dela toda a ala feminina estava apaixonada pelo pai dela e perguntou se eu não faria nada em relação a isso. O que eu podia fazer gente? Nada né?! A garota é doida.

Sem contar que de vez em quando ela me jogava alguma indireta nada discreta sobre o pai dela, mas também eu sempre encerrava a conversa quando ela falava da Gianna, a tal babá dela, convenhamos, eu não sou obrigada a falar sobre putas e por falar em puta, eu fiquei um pouco irritada quando a filhote de lúcifer disse que a 'babá' dela iria ir assistir ela no jogo, até quis desistir de ir, mas a mini lúcifer conseguiu sem bem convincente em me convencer a ir.

Quando a sexta feira chegou, o jogo na escola de Nat seria as 20h, Edward saiu cedo já que sua agenda estava livre nesse horário. Edward me liberou mais cedo pois segundo ele, não teria mais o que eu fazer lá essa semana, então fui pra casa, troquei de roupa vestindo uma calça jeans skinny preta, uma blusa de alças finas e decote reto, mas que deixava meu colo bem evidente. Coloquei um casaco azul por cima e uma sapatilha.

Natalie me chamou para ir para sua casa para ir de lá para a sua escola, segundo ela, ela queria uma opinião feminina sobre como estava arrumada já que seria seu primeiro jogo e seu pai que iria arrumar ela.

Euzinha não tinha nada a ver com isso, como o pai dela arrumasse ela, assim ela iria, mas aceitei ir pela pura curiosidade em ver a tal Gianna de perto, mas sabe como azar de pobre é, a puta pediu para sair pois queria 'resolver' algumas coisas e de lá iria para a escola da mini diaba.

Cheguei na casa de Nat pouco antes das seis, a pirralha de olhos verdes abriu a porta empolgada para mim, ela estava com sua roupa de líder de torcida, mas era uma roupa diferente, mas bonita eu diria, seu cabelo estava solto e ela ainda não estava nada arrumada.

— Cadê sua maquiagem e cabelo? Você não tem que chegar mais cedo na escola? – perguntei assim que a vi.

— Meu pai tá todo enrolado com as fitas de cabelo – ela revirou os olhos me dando passagem para entrar.

Ainda presenciei a cena de Edward lutando para amarrar o cabelo dela em duas maria chiquinhas e deixar aquilo igual já que ele sempre fazia torto, ou uma mais pra frente que a outra ou mais torto ainda. Umas mil tentativas depois, ele conseguiu deixar decente, estava um pouco torto sim, mas tava decente.

Uma outra batalha foi travada, agora com as fitinhas de cabelo e a batalha começou com a cor que o desavisado mostrou mil e umas fitas vermelhas pra menina e perguntou qual cor ela queria. Nat ficou louca com a quantidade de opções e não conseguia escolher uma, ela queria por todas na cabeça e exigiu que o pai tinha que aprender a fazer trança com fitas pra por no cabelo dela, mas Edward prometeu que aprenderia, mas outro dia, agora ele só implorou pra ela se decidir por uma fia.

Ela escolheu uma em tom de vinho que tinha uma cor semelhante ao uniforme que usava. Os três primeiros laços que Edward fez estavam que nem a cara dele, o quarto ficou ok e o quinto ficou decente. Ele amarrou uma fita em cada maria Chiquinha nela e fez um laço de cada lado. Já eram seis e trinta da tarde e agora que ele estava começando a maquiagem dela.

Imaginem meu susto ao ver que ele tinha comprado um monte de maquiagem, glitter de olhos e um monte de pincel de maquiagem. Como diz a Jess, chocada que ele é mesmo cadelinha de menina.

Claro que eu não perderia a oportunidade de zoar com ele futuramente, então quando nenhum dos dois estava vendo, eu tirei discretamente uma foto de Edward concentradíssimo fazendo a maquiagem de Nat. Era uma cena engraçada.

— Tá bonito – Nat disse se olhando no espelho após Edward terminar de pintar a cara dela – Obrigada papai.

— Gostou mesmo? – perguntou meio temeroso.

— Hunrum – confirmou – Agora anda pai, vai se arrumar, eu tenho que estar lá as sete e já são dez pras sete. Corre – empurrou o pai para fora da sala.

Assim que Edward subiu as escadas e foi para o seu quarto, ela se virou pra mim com uma carinha triste.

— Socorro Bella, olha meu rosto – falou se olhando no espelho – Me ajuda pelo amor de Deus, o cabelo dá pra disfarçar, mas a cara não dá.

— Por que você falou que gostou?

— Pra ele não ficar triste, ele se esforçou muito. Me ajuda por favor.

Dei uma boa contornada na maquiagem estranha que Edward fez na filha, ele colou glitter no olho dela e estava bom, disfarçou as imperfeições, o problema foi que ele exagerou no blush, a coitada parecia que tinha levado uma chinelada na cara e por ela ser muito branquinha, ficou ainda pior. Consegui tirar o excesso e ajeitar o que deu pra ajeitar. Ajeitei o batom dela também que estava todo torto e fiz tudo isso antes de Edward voltar para a sala.

— Obrigada, agora está bem melhor – ela falou se olhando no espelho.

— Você não tá mentindo não é? Por que você fez isso mesmo com seu pai.

— Não, agora eu tô falando a verdade, agora tá bom mesmo.

— Essa merda não sai nem eu esfregando muito – Nat e eu nos viramos na direção onde vinha a voz de Edward.

Ele estava já devidamente arrumado, com uma calça jeans azul marinho que era relativamente justa, uma blusa de flanela preta e branca com as mangas dobradas até o cotovelo, gostoso pra caralho e porra, o cheiro do seu perfume dava pra sentir daqui. Eu devia ter passado mais perfume também. Só então notei que seu rosto estava vermelho, tipo, muito vermelho mesmo.

— Que isso? Tava esfregando a cara em algum lugar? – perguntei ao notar que seu rosto estava vermelho pra caramba.

— Tava – confirmou – Tem glitter em todo meu rosto, tentei tirar, mas não sai de jeito nenhum.

— O senhor tá brilhante – Nat gargalhou ao ver que realmente, Edward estava com o rosto cheio de brilho – Mas vamos pelo amor de Deus, minha treinadora vai me matar, já são mais de sete horas.

— Eu falo com ela quando chegarmos, vamos.

Eu estava de carro, então fui em um carro separado deles. Como eu me distraí cantando as músicas de High School Musical que tocavam, eu acabei me perdendo deles e tive que me virar com o GPS pra chegar lá, chegando depois deles.

De longe, vi Edward sorrindo sedutoramente para a mulher que pela roupa, parecia ser a treinadora da Nat e a mulher estava toda derretida pra ele, concordando com tudo que ele dizia. Atrás da mulher, Nat olhava para o pai de forma repreensora e balançava a cabeça negativamente pra ele que ignorava o que ela fazia.

Filho da puta, tá seduzindo a mulher só pra ela não brigar com a Natalie. Que inteligente. Adorei, devia começar a aderir essa técnica também. Me sentei em uma das arquibancadas que ficavam bem na frente e alguns minutos depois Edward foi sentar ao meu lado.

— Quase a mulher estrangula minha filha pelo atraso – ele falou assim que sentou.

— Sério? Espero que a Nat não seja expulsa do time, você justificou o atraso? – joguei verde pra ver o que ele responderia.

— Não me orgulho nada disso, mas tive que me aproveitar do fato de que Nat disse que todas as professoras dela tem uma queda por mim. Eu tive que praticamente seduzir a mulher pra ela não arrancar o coro da Natalie.

Honestidade é tudo né mores.

— Que fuleiro da sua parte.

— Era isso ou deixar ela matar minha filha.

— Uau, você é mesmo uma leoa protegendo a cria – ele revirou os olhos me fazendo rir – Cadê a babá da Nat? Ela não para de falar nela.

— Ali vem ela – apontou com o queixo.

Olhei e tudo que eu vi foi uma morena, alta, com o corpo escultural e seios fartos, quase de fora e com um mini short que estava bem enfiado no cu. Sabia que era puta, mas alguém devia ter avisado que você não se veste assim para ir a uma escola infantil NE SUA FILHA DA PUTA.

— Parece puta pra mim.

— O que?

— Han? – me fiz de sonsa ao perceber que havia falado alto demais.

Edward sorriu para a puta que se aproximava e tudo que eu pensava era: meu amigo, no meu corpinho você não encosta mais. Ele levantou para cumprimentar a puta e eu não quis nem olhar, então olhava pro outro lado.

— Edward, desculpe o atraso, acabei perdendo a hora – eca, ela ainda tem voz de velha – Não perdi nada não é mesmo?

— Não, não, daqui a pouco a equipe dela entra pra animar antes do jogo – ele explicou – Deixa eu te apresentar, essa é a Bella, uma conhecida nossa. Bella essa é a Gianna, ela que cuida da Nat.

Revirei os olhos internamente. Vai querendo me apresentar pra prostituta do demônio agora? Se ela tivesse de vermelho eu ia dizer que ela era aquela puta que aparece no livro do apocalipse, esqueci o nome da dita cuja. Mas é uma puta que aparece lá, a dama de vermelho, acho. Depois de receber um discreto, porém doloroso, chute no pé, me virei para olhá-los. Eu vou revidar esse chute depois.

Quando eu olhei, fiquei completamente confusa. Era uma senhorinha, que tinha uma aparência tão amável que eu queria que ela fosse minha vó. Ela tinha um sorriso gentil no rosto e me olhava com carinho. Gente, cadê a puta morena que eu vi mais cedo?

— Oi Gianna, prazer conhece-la – a cumprimentei.

— O prazer é todo meu Bella, Natalie fala muito de você – ela me abraçou gentilmente.

Eu quis chorar com a sinceridade do abraço dela. Nat tinha razão, eu já amava Gianna, meu Deus, que senhorinha amável, já quero ela pra mim.

[...]

— Você estava mesmo com ciúmes da Gianna? – sobressaltei ao ouvir a voz de Edward no meu ouvido.

Já estava na metade do jogo. Antes de começar o jogo, Nat entrou com sua equipe e ficaram lá pulando e fazendo tudo aquilo que líderes de torcida fazem, achei bem amorzinho e confesso que gravei até um vídeo, ela estava muito bonitinha e ela ficava o tempo todo num canto com as líderes de torcida pulando, balançando pompons e gritando o grito de guerra ridículo deles. Mas eu já estava entediada pra caramba em estar aqui.

— Você não é essas coca cola todas não colega, menos tá legal? – falei tentando disfarçar.

Ele gargalhou alto e eu dei um beliscão em sua coxa.

— Você tava mesmo com ciúmes –falou esfregando o local que lhe belisquei

— Me poupe Edward, ciúmes eu tenho da Nat que é líder de torcida e eu nunca fui, de você eu tenho pena.

— Não é mais fácil só admitir que estava com ciúmes?

— Se você não calar a boca eu vou embora. Parece criança.

— Tá bom ciumenta, eu vou me calar, por enquanto – riu.

Alguém me segura se não eu dou na cara desse homem.

[...]

Após finalmente acabar o jogo, que inclusive o time da casa perdeu, Nat apresentou pro pai o bff dela, o tal 'Matt', tudo bem que Edward quis dar uns tubos no garoto e na hora de o cumprimentar quase quebrou a mão do garoto quando apertaram as mãos, mas o garoto saiu inteiro.

Fui arrastada para uma pizzaria e tive que aturar mais um pouco do Edward que ainda me enchia o saco com esse negócio de 'ciúmes'. Aff, como se eu fosse ter ciúmes dele, foi um alívio quando eu pude finalmente ir pra casa.

No final de semana, por mais que eu quisesse e muito ficar com Edward, ele não podia pois parece que os pais iam chegar essa semana e ele estava ajeitando tudo e atrás de um local pra eles ficarem pois segundo ele 'Deus me livre ficarem na minha casa', mas ele foi até gentil e me chamou pra ir com ele ver um local. Estava aqui, não estava fazendo nada, aceitei ir com ele.

Foi até divertido e foi mais divertido ainda ver o desespero dele com a vinda dos pais, mas também foi divertido porque de vez em sempre nós roubávamos beijos um no outro e ainda conseguimos fazer uma rapidinha em uma das casas que Edward procurava pra alugar pros pais. Acabar que foi essa que ele escolheu pra alugar. Gente que coisa, já carimbamos a casa temporária dos pais dele.

No domingo, Edward apareceu de surpresa e totalmente sem ser convidado em minha casa, mas ele trazia comida italiana em suas mãos para almoçarmos, então eu não reclamei, me poupou o trabalho de cozinhar. Segundo ele, Nat havia se 'bandiado' para o lado das tias e estava lá com elas o abandonando completamente.

— O voo dos meus pais está previsto para chegar as seis da tarde, ela foi lá se arrumar com Alice e Rosalie – ele explicou enquanto comíamos jogados no fofo e macio carpete da minha sala –

E eu acho que você está vestida assim só pra me provocar – apontou para mim.

Olhei pra mim mesma e gargalhei alto. Eu estava usando uma camisa que cobria só até metade da minha bunda, sem sutiã e uma daquelas calcinha short vermelha.

— Ei, eu estou em casa e já estava vestida assim antes de você chegar.

— E abriu a porta assim mesmo?

— Sim, eu vi no olho mágico que era você. Se fosse outra pessoa eu teria colocado outra roupa – dei de ombros enfiando meu fettuccine na boca.

Nosso almoço foi bem agradável, Edward foi esperto e trouxe também sobremesa, pra mim um tiramisu, pra ele um negócio estranho, mas que parecia bom. Quem sabe qualquer dia desses eu não faço pra ele uma sobremesa que ele possa comer, daí ele aprende o que é doce bom de verdade.

Estávamos deitados no carpete na sala, ele estava apoiado com a cabeça no sofá e eu deitada com a cabeça apoiada em sua barriga.

— Ei Bella, você já pensou em um nome pra sua confeitaria? – Edward perguntou totalmente do nada

— Ah... não – falei desanimada – Eu nem penso nisso, tento não criar esperanças.

— Por que não? Se tem vontade porquê não investe nisso? – ele brincava com uma mecha do meu cabelo – Aliás, quando vou provar algum dos seus doces? – sua pergunta me fez rir

— Sabe que e estava pensando nisso mais cedo? Tava pensando em fazer um pudim pra você provar, mas um usando leite sem leite.

— O que?

— Leite sem lactose – expliquei – É que a lactose me parece tão importante no leite que não ter ela pra mim é tipo leite sem leite. Também vou fazer um bolo sem bolo pra você.

— Deixa eu adivinhar, um bolo sem trigo e sem lactose? Vulgo bolo sem bolo?

— Exatamente – ri – Você gosta de bolo de chocolate?

— Chocolate leva leite, lembra?

— Eu sei, mas ia usar cacau em pó pra substituir o chocolate.

— Então eu gosto – concordou – Estou doido pra provar seus doces. Mas você está me enrolando, trate de pensar em um nome pra sua confeitaria, ouviu?

— Isso por acaso é uma ordem? – questionei.

Se for ele vai já ouvir o dele. No contrato diz que ele não pode me dar ordens.

— Não, é apenas eu te incentivando a pensar sobre algo que você tem vontade – respondeu de forma carinhosa afagando meu rosto.

Achei tão amável.

— Ai, seus olhos são tão bonitos que me dão tanta raiva – falei irritada – Minha vontade é socar seus dois olhos, mas daí ia ficar roxo e ia contrastar com o verde e daí ia deixar seus olhos mais bonitos e tô com raiva.

— Você acha meus olhos bonitos? – seu polegar traçava o contorno do meu lábio inferior e isso tirava um pouco da minha linha de raciocínio.

— Claro que não, para de ser metido – ele riu e balançou a cabeça negativamente – Tá bom, você ganhou. Eu acho sim, acho seus olhos irritantemente lindos. Satisfeito?

— Você é linda sabia?

— E você é sentimental. Para de me deixar constrangida – reclamei – Fala de outra coisa antes que e levante daqui e vá embora pro quarto.

Ele gargalhou alto e merda, até a risada dele é bonita. Inferno de homem.

— Tudo bem – concordou – Você tem passado a pomada cicatrizante na sua tatuagem? – perguntou suspendendo minha blusa e sorrindo ao meu ver meus seios desnudos.

— Te manca, você só queria ver meus peitos – acusei.

— Não. Mas se você está sem sutiã isso é um bônus pra mim – piscou sedutoramente – Mas você não respondeu, tem passado sua pomada? – tocou minha tatuagem.

— Sim, até porque todo dia você me manda mensagem lembrando.

— Eu tenho a impressão que você esqueceria se eu não lembrasse.

— Esqueceria mesmo – concordei – E a sua? Como está?

— Cicatrizando – respondeu.

Me sentei levantando a manga de sua blusa e vendo que a sua pareceria bem mais cicatrizada que a minha. Eu devia ter mais cuidado. Vai que infecciona.

— Que tal se você for mais tarde comigo no aeroporto recepcionar meus pais? – sua pergunta me pegou totalmente desprevenida.

— Claro, faria todo sentido eu estar lá – revirei os olhos.

— Pra mim faz.

— Claro que não faz Edward. Vai todo mundo se perguntar o que eu estou fazendo lá. Vou responder o que? 'Ah, a gente transa de vez em quando'? que delícia de resposta. Sem contar que a família é sua, você que lute.

Ele fez uma careta, sentando também logo em seguida.

— E vai ser muita luta mesmo – respirou fundo.

— Eu nunca vi seus pais, você se parece mais com sua mãe ou com seu pai? – perguntei curiosa.

— Se você for lá comigo, vai poder você mesma ter sua resposta – falou me puxando para sentar em seu colo – O que acha?

— Acho que você não respondeu minha pergunta – disse me ajeitando em seu colo – Com quem você se parece mais?

— Eu não sei – franziu o cenho parecendo pensativo – Eu seriamente acho que sou adotado, não acho que eu me pareça com nenhum dos dois, mas se fosse arriscar, acho que pareço um pouco mais com Esme do que com Carlisle, Rosalie é mais parecida com ele.

— E vocês nem se parecem entre si – concluí – Quer dizer, tem características semelhantes tipo os olhos e o cabelo que inclusive, descobri que ela é ruiva, mas pinta o cabelo de loiro, mas as semelhanças acabam aí. Até o tom de pele é diferente, ela faz o estilo loira dourada beijada pelo sol, você á mais palmitinho de tão branquinho.

— Obrigado pelo elogio – ironizou irritado.

Ele ficou tão fofinho, não resisti e beijei a ponta do seu nariz o abraçando em seguida.

— Agora tá ficando tarde e você tem que ir pro aeroporto.

— Você tá mesmo me expulsando? – perguntou surpreso – Você assinou um contrato que diz que não pode me expulsar, lembra?

— Lembro e estou bem arrependida, então para de ficar jogando isso na minha cara – reclamei – E você devia me agradecer porque eu estou sendo legal com você, já são quase cinco da tarde, você não tem que ir buscar a Nat pra ela ir com você?

— Merda – ele se levantou olhando no relógio logo em seguida – Esme vai me encher o saco se eu chegar atrasado.

— Então corre gazela.

— Não vou nem te responder isso, Isabella.

Sorri amarelo.

Assim que Edward foi embora, peguei John e fui dar um banho nele. Ele estava meio fedorentinho já. Enquanto o lavava, cheguei a conclusão que eu devia ter mais coisas vivas aqui em casa. Vou criar outro peixe. Deixa vez vai ser um peixe dourado e vou comprar mais cactos e umas suculentas, mas dessa vez. Elas não vão morrer, ou eu não me chamo Ana Maria.

[...]

Na manhã seguinte, como era segunda, cheguei mais cedo que o de costume no trabalho, na noite anterior Edward havia me dito que os pais iriam à empresa na manhã seguinte, no caso hoje, então eu cheguei mais cedo pois sabe né, quando você precisa pneu fura, carro quebra, o trânsito não colabora e acontecem mil e uma coisas, então pra evitar, escolhi sair cedo.

Quando minhas amiguinhas de trabalho chegaram, fui direto com elas fofocar, eu tinha que contar pra alguém que os Cullen superiores estavam chegando.

— Nossa, faz tempo que não os vejo – Jane falou surpresa quando contei da visita dos pais do demônio aqui na empresa.

— Eu nunca os vi – falei.

— A última vez que vieram foi um mês antes de você vir trabalhar aqui.

— Carlisle é um bom pedaço de mau caminho – Jess completou – Se ele não fosse casado eu mesma ia tentar recepcionar ele.

— Aquela família me irrita de tão perfeitos que são – Jane disse amarga – Oh familiazinha de bons genes.

— Meu Deus, eu penso a mesma coisa – quase me emocionei ao ouvir isso – Até aquela pirralha filha do lúcifer é bonita. A filha de uma égua vai ser muito bonita quando crescer.

— Ei, não fala assim dela, a Nat é um amorzinho – reclamei ao ver que diferente de mim que falo de forma carinhosa, ela falou em tom grosseiro sobre a Nat.

— É filha do cão deve ser endemoniada que nem o pai – Ang se meteu.

— Eu vou dar na sua cara se falar assim dela – ameacei – Ela é tão amorzinho.

— Bom dia senhor Cullen – as três falaram juntas... e tensas.

Como eu estava de costas, me virei para ver Edward passando reto como sempre, um poço de educação cumprimentando a todos, como sempre, só que não.

— Ana, vá fazer café, em breve nossos convidados ilustres chegam – falou sem muita paciência olhando para Ang –Agora. Não me ouviu?

— C-Claro – coitada, ficou tão nervosa que gaguejou.

Ela saiu correndo e quase dá de cara na parede de vidro da copa. Olhei em volta e pelo desespero que via, parece que todos já estavam cientes da vinda dos Cullen superiores, o desespero era palpável.

— Mexam-se, vocês não são pagas pra ficarem olhando pra minha cara – falou irritado nos olhando.

Sabe, eu acho que vou trazer um pouco do pessoal pro profissional e vou deixar ele um bom tempo sem sexo. Já que ele quer ser ranzinza vai ter motivos pra isso. Puta que pariu, que custa ser educadinho e falar direito com as pessoas? Ele tem que deixar de ser pau no cu, que coisa irritante.

Nos dispersamos e fomos para nossos postos. Quer dizer, eu fiquei numa mesa próximo a minha sala e Edward ficou por lá também. Aquela era a mesa de Ang, mas ela viu que o diabo filho estava lá e não se atreveu a voltar.

— Quem trabalha nessa mesa e por que não está nessa mesa trabalhando? – perguntou irritado – Depois que a pessoa é demitida eu que sou ruim, mas você não vê a pessoa aqui fazendo seu serviço.

— Não sei... – claro que eu menti.

— Não estou falando com você. Apenas faça seu serviço que inclusive, não é ficar aqui.

Também não está mais aqui quem falou. Fiquei caladinha no meu canto antes que sobrasse pra mim e eu fosse demitida. Estávamos todos aglomerados em locais visíveis pois todos queriam ver a chegada de Carlisle e Esme Cullen, popularmente conhecidos como os demônios originais.

Edward parecia nervoso e estalava os dedos freneticamente. Eu até diria pra ele se acalmar que estava tudo sob controle, mas lembrei que ele era escroto e deixei ele pra explodir de nervoso mesmo. Não faria falta nenhuma e todos iam agradecer.

Quando todos ficaram a postos e ajeitaram suas posturas, concluí que haviam chegado. Logo vi entrando e andando elegantemente uma mulher alta, com longas e bonitas pernas, cabelos acobreados que caíam em ondas até a altura de seus ombros, ela era esbelta, tinha uma postura perfeita e pela distância que estávamos, vi que seus olhos eram verdes, iguais aos de Edward, Rosalie e Natalie. Seu rosto tinha um formato de coração e ela tinha a pele estilo dourada beijada pelo sol igual a filha. Andava elegantemente sobre seus saltos e vestia um fino e elegante conjunto de saia lápis cinza e blusa social branca. Meu Deus, eu quero ser igual a essa mulher quando crescer.

Quando meus olhos desviaram para o homem ao seu lado, meu coração acelerou pulando frenético em meu peito. Ele era tão alto quando Edward ou pouca coisa mais alto, estava elegantíssimo em seu terno que pelo que eu já vi em revistas, com certeza era um Armani, feito sob medida para ele, perfeitamente alinhado e sinceramente, acho que ele foi esculpido pelos deuses com aquele terno já fixo ao seu corpo. ele era loiro, branco palmito que nem Edward, mas seus intensos, vívidos e cristalinos olhos azuis se destacam em seu rosto. Os olhos dele pareciam a lagoa azul de tão lindos.

Ele também tinha um sorriso gentil nos lábios, seu corpo era bem moldado, nisso Edward era parecido com ele, o homem tinha seus músculos bem definidos, no lugar e nem exageros algum. Meu Deus, se eu fosse homem eu ia querer ser que nem ele quando crescesse.

— Ai Deus – falei pondo a mão no peito – Acho que eu estou apaixonada, perdidamente apaixonada – falei sentindo minhas pernas moles.

— Cedo demais pra falar isso e aqui não é lugar pra isso. Contenha-se – ouvi a voz irritante de Edward interrompendo meus devaneios.

— Querido, eu não estou falando de você seu sapo – rebati – Até porque perto daquele homem – apontei com o queixo na direção que o pai dele cumprimentava animadamente alguns funcionários – Você não é nem aquelas fanta de maracujá que ninguém gosta. Aquele homem é uma coca cola, mas não qualquer coca cola. Ele é uma coca cola que é vendida na Times Square. Puta que pariu.

— Vá fazer seu trabalho antes que você seja demitida – reclamou.

— Se for me demitir, me põe pra ter uma conversa com aquele homem. Deus que calor – me abanei.

Estava babando tanto pelo homem que a cada vez se aproximava de nós que quando vi já estava até me abanando.

— Edward – ai Deus, o homem tinha a voz tão macia, mas ao mesmo tempo tão máscula e marcante.

Eca, parecia a voz do Edward, até nos meus devaneios esse sapo interrompe.

— Carlisle – meu chefe o cumprimentou com um aceno de cabeça – Esme – olhou para a mulher que acompanhava o deus grego master.

Sim, deus grego master porque Edward era o próprio deus grego, mas o pai dele, puta que pariu, era o deus grego master de todos os tempos e todas as dimensões paralelas. Ai, eu estou torcendo tanto pra ele não falar alguma merda e quebrar o encanto, assim como o filho dele fez.

Aliás, o que tem de errado com essa família? Melhor dizendo, o que tem de tão certo com essa família pra todos serem tão perfeitos assim? Será que eu posso participar dessa seita deles?

— Isabella – a mulher que é mãe do Edward me cumprimentou.

— Oh, você sabe meu nome – eu me surpreendi.

Estou me sentindo tão importante.

— Sim querida – ela respondeu amavelmente – Está escrito no seu crachá – ai meu Deus, que vergonha, senti até meu rosto esquentar – Mas sei quem você é. É difícil não saber o nome da única funcionária além da Jane que esse rabugentinho sabe o nome.

Amei essa mulher.

— Claro – concordei meio sem jeito – É um grande prazer conhece-la.

— O prazer é todo nosso, Isabella – Carlisle falou comigo.

Repito, ele falou comigo.

— Podem me chamar de Bella – disse gentil – Sejam bem vindos mais uma vez a empresa. Precisam de alguma coisa?

— Por enquanto não querida, ainda estamos cansados de viagem – Esme disse gentil, eu sinto meu coração tão quentinho perto dela, me sinto até culpada por achar o marido dela um gostoso – Queremos apenas nos sentar um pouco – se virou para o filho – Se importa se formos conversar em sua sala?

— De forma alguma... –

— Ótimo – Esme o interrompeu – Bella querida, junte-se a nós, sim? Já que você trabalha diretamente com esse nojentinho aqui – tocou o braço do filho e eu tive que prender um riso – Gostaríamos de saber como andam as coisas por aqui e gostaríamos e te ouvir também.

— Claro, irei sim – concordei.

— Com licença – Carlisle disse e se retirou em seguida com Esme ao seu lado.

Eu estou tão extasiada com a presença que desses dois. Que ser humanos gente, que ser humanos.

— Eles são tão gentis, tão efusivos – falei de forma amável, mas logo me virei para meu chefe e fiz uma careta – Por que você é assim?

— Você está implorando por uma visita no RH – disse irritado.

— Vamos nojentinho – ironizei e fui até a sala do meu chefe onde os donos da porra toda estavam esperando.

— Eu levei quase três anos pra poder te chamar de Bella e você mal os conhece e já diz pra os chamarem assim? – questionou rabugento

— Sim. Eles são uns amores, você não. Agora vamos logo nojentinho – dei meu melhor sorriso e saí dali antes de ouvir uns bons e merecidos gritos.

[...]

— Oi coisinha fofa de olhos verdes – Esme abraçou o filho assim que ele passou pela porta – Você já está um homenzinho meu amor.

— Mãe pelo amor de Deus – revirou os olhos aparentando estar 0% constrangido por eu estar aqui, mas muito irritado pelo apelido – Homenzinho eu era quando tinha 12 anos.

— Então um rapagão.

— Isso é quando eu tinha 20 anos.

— Então um velho chato e rabugento pra caralho – Esme rebateu com seu sorriso morrendo no rosto.

Levei a mão a boca pra abafar um grito. Gente, como assim?!

— Ah isso ele é mesmo – todos se viraram pra me olhar e daí eu percebi que verbalizei meu pensamento – Ah desculpem, não estavam falando comigo – tentei disfarçar, mas Carlisle e Esme apenas sorriram compreensivos.

— Esse teimoso tem te dado muito trabalho, Bella? – Carlisle perguntou divertido.

Edward me olhou sério com uma sobrancelha arqueada e pela sua cara, ele com certeza queria me matar.

— Não, magina – tentei não soar muito irônica – Jamais.

— Oh querida, essa mentira não enganou nem a mim – Esme riu – Ele dá muito trabalho sim. Acredita que ele nunca sorri? Só a Nat faz ele sorrir, fora isso é um nojento.

— Mãe, menos – Edward brigou com ela.

— Tá com medo que eu conte seus podres né? Quem não deve não teme querido. Tá com o cu trancado porquê?

Eu amo tanto essa mulher.

— Esme, deixe o menino respirar – Carlisle riu e logo se virou pra mim – Ela adora irritar ele. É uma brincadeira interna, sempre cronometramos em quando tempo Edward a manda ir para o inferno. O recorde é de 30 segundos, foi na vez que...

— Chega – Edward interrompeu.

Ah poxa, eu queria saber quando foi.

— Não seja ranzinza filho, você tem transado ultimamente?

Se eu tivesse com cuspe na boca, tinha cuspido tudo na hora com essa pergunta de Esme.

— Já pode marcar aí no seu cronômetro. Vá pro inferno, Esme.

— Poxa querido, deixei de ser a mamãe? – perguntou com falsa tristeza.

— Sim.

— Não seja ranzinza meu nojentinho, sabe que eu amo você, não sabe?

— Sei, também amo você, mas agora eu tô bem puto com você e com a Rosalie que apressou a chegada de vocês.

Own que amor, eu tô sobrando bonito aqui.

— Com licença, eu tenho trabalho a fazer – já tirei o meu da reta por estar ali.

Estava legal acompanhar a vergonha alheia do meu chefe, mas ficando pessoal demais e eu não queria dar motivo pra me incluírem na parte pessoal da coisa.

— Ah Bella, Natalie fala muito bem de você – Carlisle cortou minha vibe de sair daqui. Merda, tá ficando muito pessoal – Eu confio no senso de escolhas da minha neta, é no dele que não confiamos – apontou para Edward que revirou os olhos mostrando o dedo médio pro pai.

Eles são sempre assim é? Se eu faço isso com Renée ela me deixa sem os dentes da frente.

— Claro – eu não sabia o que falar.

— É até difícil acreditar que alguém aceitou trabalhar por quase três anos com ele sem tentar se matar – o pai de Edward brincou.

— Me faltou oportunidades pra isso – respondi honestamente.

— Tipo como eu quero me matar agora? – Edward sentou em sua cadeira parecendo bem entediado.

Esme jogou um beijo pra ele que sorriu pra ela. Era até fofo de se ver, se você desconsiderar que eles são completamente fora do normal. Esme foi até onde Edward estava e sentou no colo do filho. Ele a abraçou e ela beijou o rosto dele.

— Eu estava com saudade de você meu amorzinho, você não sabe como eu fico triste que meus dois filhinhos morem longe de mim – ela enchia o rosto dele de beijos e ele parecia muito feliz com isso.

— Também sinto sua falta mãe – respondeu com o tom de voz doce – Mas daí a senhora começa a falar besteira, eu me putio com a senhora e deixo de sentir sua falta.

— Aí está meu nojentinho favorito.

— Quem é o lúcifer de olhos verdes? – Carlisle perguntou quebrando o momento dos dois.

— Ah verdade, ouvimos muito isso quando chegamos – Esme concordou.

Edward me olhou de assassina e eu tenho certeza que ele estava pensando em muitas formas de me matar agora.

— Este sou eu – respondeu até meio orgulhoso. Esse homem é doente – Aparentemente, alguém bem desocupado inventou essa merda de apelido pra me irritar.

PRESENTE. EU MESMA. FUI EU. AQUI OH.

— Pelo menos até pra te xingarem perceberam que você tem olhos encantadores – Esme apertou a bochecha dele.

Tá bom minha senhora, já pode parar de inflar o ego dele. Você não sabe como vai ser difícil desinflar esse ego depois.

— Então Bella – Esme se virou pra mim novamente – Fale sobre você, estou curiosíssima para saber mais sobre sua pessoa – ela tinha um brilho perverso no olhar.

Na verdade, seus olhos diziam algo como: 'eu sei e vocês não sabem que eu sei'. Gente, ela é a lúcifer mãe, devo ter medo?

[...]

— Tirando a parte que seus pais tentavam ne entrevistar, eles são tão amorzinho – falei a Edward após os pais dele irem embora.

Segundo eles, agora eles tinham que fazer uma visita para a filha mais nova, no caso, Rosalie.

— Agora eu sei porque todos que o conheceram os idolatram. Eles são tão gentis, na frente dos outros tão profissionais, loucos longe dos funcionários, mas anda sim, são tão magníficos – eu era só elogios pra eles – Por que você é assim tendo pais de personalidade tão amável?

— Se você quer dizer algo seja mais específica – falou irritado.

— Por que você é escroto?

— Eu sou ótimo – respondeu olhando alguns papeis em sua mesa

— Até pra demônio você é péssimo – bufei irritada – Custa ser gentil com as pessoas?

— Eu sou quando quero ser.

— Ah para. Você não tem capacidade cognitiva pra ser gentil com as pessoas, Edward. Você sabe disso.

— Eu sou gentil com você... quando eu quero.

— Nós estamos transando, não conta. Você não sabe ser gentil com os outros nem se tentar muito.

— Foda-se.

— Tá vendo? É disso que eu estou falando – revirei os olhos – Saudade Esme e Carlisle. Eles são bem mais legais e você está me irritando. Eles sim sabem como ser legal com um funcionário, eles rainhos, você nadinha – eu estava mesmo implorando pra perder meu emprego. Só pode.

— Eu já disse, sou ótimo – rebateu.

— Claro, claro – ironizei, mas logo tive uma ideia – Então vamos apostar.

Seus olhos saíram dos papeis que ele lia e me fitaram com intensidade.

— Que aposta?

— Eu aposto que você não consegue passar duas semanas sendo gentil com os funcionários – desafiei.

— O que eu ganho se eu vencer a aposta? – perguntou interessado apoiando o queixo nas mãos.

— O que você quiser, mas se eu ganhar – me aproximei mais de onde ele estava –Você vai ter que ser permanentemente gentil com todo mundo aqui.

— Terei o que eu quiser se eu ganhar?

— Claro – concordei sem deixar transparecer todo o medo que me invadiu.

— Ótimo, então você tem sua aposta – falou com um sorriso perverso nos lábios.

Ai merda, eu acabei de apostar com o próprio demônio. Senhor, onde foi que eu me meti?

x x x

Voltei com mais um capítulo, rsrsrsrs. Espero que gostem.