Lúcifer foi domesticado?
▬ Edward ▬
— Cara olha o que eu trouxe pra gente – Emmett disse animado praticamente invadindo minha casa, erguendo uma garrafa de whisky e fazendo uma puta dança estranha – É pra comemorar que minha ursinha tá prenha.
— Esse homem vai ser pai, isso devia ser um crime – Jasper comentou olhando torto para ele.
— Cara eu não posso beber, ainda tenho que ajudar a Nat com o dever de casa. Deixa de ser tapado – saí de frente da porta para que Jasper entrasse, já que Emmett já estava se espalhando por minha residência.
— Edward – ele me olhou sério – Isso é um Macallan 21 anos, você não recusa um whisky desses, é ele que te recusa, não o contrário.
— Porra – praguejei.
Eu realmente quero tomar esse whisky.
— Tiooooos – Natalie desceu a escada animada indo em direção aos tios e os abraçando – Que saudade. Vocês vieram me visitar?
— O único motivo de aparecermos aqui é pra ver você baixinha – Jasper se agachou pra ficar na altura dela e beijou sua cabeça.
— É, seu pai é um mala, ninguém quer ver ele – Emmett entrou na brincadeira.
— Tio, eu não quero pisar no seu pé, não fala mal do meu paizinho – Nat disse séria fazendo Emmett rir alto.
— Tá bom, não vou falar mal dele... na sua frente.
— Eu convivo com isso – se virou pra me olhar – Pai eu já terminei minha lição, você vai corrigir?
— Trás seu caderno, deixa eu ver.
Ela assentiu concordando e correu para pegar seu material. Emmett e Jasper ficaram sentados no sofá esperando. Enquanto eu corrigia a lição de Natalie, ela ficou sentada no meu colo e eu era só orgulho pra ela. As lições dela praticamente não tinham nenhum erro, suas respostas eram completas, sua caligrafia era perfeita e ela era muito organizada. Essa menina merece um prêmio.
Minha única revolta é que eu tive que aprender a história e geografia americana para ensinar pra ela pra poder saber se ela estava respondendo corretamente e tirar suas dúvidas. Nessas horas que eu sinto falta de estar na Inglaterra, a história de lá eu já sei. Levei quase uma hora corrigindo tudo com ela e tirando algumas dúvidas que ela tinha, na mente dela eu sei tudo, mas na verdade, eu viro a noite estudando essas coisas que eu achei que nunca mais ia precisar estudar na vida. Ledo engano.
— Agora que eu já terminei eu vou fazer vídeo chamada com o Matt, ele falou que tem um documentário sobre vulcões pra gente assistir – Nat dizia enquanto recolhia seu material e guardava na bolsa.
— Filha lembra o que eu disse? Não seja amiga do Matt.
— Eu vou contar pra Bella essa sua palhaçada – recolheu suas coisas e saiu dali sem olhar pra trás.
— Isso explica essa sua cara de quem fodeu recentemente – Emmett comentou assim que Natalie estava longe o suficiente pra não ouvir – Cara, você tá comendo sua assistente?
— Essas são palavras muito fortes e um tanto impróprias, vamos dizer que nós estamos juntos, mas ela não percebeu isso ainda – sentei no sofá em frente ao que eles estavam.
Jasper nos serviu com o whisky enquanto conversávamos.
— Porra esse é bom mesmo – ele comentou após tomar um gole da bebida – Mas explica isso direito, como alguém está com outra pessoa e não sabe? Você namora com ela em pensamento e ela nem sonha com isso?
— É quase isso – ri.
Expliquei para os dois desde o começo como as coisas aconteceram entre nó, falei sobre o nosso contrato, os termos dele e sobre como nossa relação tem se desenvolvido. Jasper olhava surpreso e Emmett gargalhava a maior parte do tempo, ainda mais quando eu disse que nossa relação no trabalho não havia mudado e eles ficaram surpresos em como ela ainda estava comigo pois segundo eles, eu sou mesmo 'endiabrado'. O melhor de conversar com eles, é que eu sei que eles não contariam para Rose ou Alice e isso me dava liberdade para falar sobre o assunto pois eu realmente precisava falar sobre isso.
— Meu instinto diz que sei lá, vai dar merda isso.
— Já até deu merda Jazz, olha a cara dele, tá apaixonado já.
Fiquei apenas em silêncio observando os dois.
— E ele nem nega – Jasper riu – Cara, ele já tão na coleira.
— Porra pior que eu tô mesmo – esfreguei o rosto com força – Tô aqui olhando pra cara irritante de vocês, mas queria estar lá com ela agora. Eu fiquei com ciúmes do meu próprio pai só porque ela o achou bonito. Eu tô bem fodido já.
— Por que você não diz pra ela?
Minha vontade foi tacar uma pedra na cara de Jasper pra ver se ele deixava de ser tapado.
— Não ouviu o que eu disse sobre o contrato? Se eu falar alguma coisa acaba tudo – me afundei no sofá em que estava bebendo mais um pouco da minha bebida.
— E qual o problema com isso? Pelo menos vocês vão poder ficar juntos de verdade – Emmett deu de ombros.
— Três problemas, ela não quer, eu não quero que acabe e eu tenho um TOC com contratos, não consigo quebrar eles e nem me sinto tentado a quebrar um contrato – admiti frustrado – Porra, eu tenho idolatria por contratos. Gosto deles inteiros, da mesma forma como foram feitos. Por isso eu fico puto quando alguma empresa quebra um contrato comigo.
— E como vai ficar a situação de vocês?
— Do jeito que tá – respondi – Ela sente o mesmo por mim, só não se deu conta disso ainda, mas estou tentando fazer ela perceber isso e eu realmente fico puto quando um contrato é quebrado.
— Edward – Emmett me chamou olhando bem em meus olhos – Você é doente em tantas formas que eu não tenho nem palavras pra isso. Vai mesmo ser cuzão só pra não quebrar a merda de um contrato com autenticidade duvidosa?
— Vocês me conhecem, contratos são os verdadeiros amores da minha vida – os dois me olharam céticos – Minha personalidade também é um pouco filha da puta.
Jasper concordou assentindo e eu nada respondi. Tinha plena ciência que algumas das minhas atitudes não eram exatamente as melhores.
[...]
Após deixar Natalie na escola e ir para a empresa, ainda fiquei um pouco no carro, estava enrolando para entrar pois eu não queria ter que ir sorrir pra todo mundo como se eu fosse a própria 'miss simpatia'. Eu por mim mandava todos para o inferno e pronto. Merda, não devia ter concordado com aquela maldita aposta, mas iria até o fim já que eu já concordei com essa insanidade mesmo.
— Filha da puta – bradei sobressaltado de susto ao ver Bella batendo no vidro do meu carro.
— Ops, ouvi alguém sendo rude com um funcionário? – falou irônica.
Tive que morder minha língua com força para não a mandar para o inferno. Ao invés disso, com toda raiva que eu estava sentindo, apenas sorri.
— Apenas força de expressão, me assustei, não esperava – 'que uma filha da puta', essa parte infelizmente eu apenas pensei – Batesse na minha janela.
A dissimulada gargalhou e eu pensei em tantas formas de matá-la. Ela foi andando em seguida e eu me apressei pra sair do carro, o trancando e andando em passos rápidos para alcança-la, na verdade, em três passos largos a alcancei.
— Animado para trabalhar, chefe? – perguntou.
Eu vou dar tanto trabalho para essa mulher que ela não vai ter tempo pra curtir com a minha cara. Filha da puta.
— Vai me ignorar? Poxa, isso é tão rude – falou quando viu que eu fiquei em silêncio e não respondi – Acho que é da natureza mesmo de alguns não ter capacidade cognitiva de tratar os outros bem.
Sim, eu vou entupir ela de trabalho.
— Desculpe, estava concentrado pensando em assuntos de trabalho – respondi cínico – Poderia repetir o que disse?
— Animado pro trabalho, chefinho?
— Claro. É sempre ótimo começar mais um dia de serviço – tentei dar um sorriso, mas agradeci quando chegamos ao elevador e eu não precisei sorrir.
Isabella abafou uma risada e ficou vendo algo em seu celular, não achei ruim, essa história de eu ter que sorrir pras pessoas estava me tirando do sério e eu sentia que ia explodir a qualquer momento. Quando as portas do elevador se abriram no andar em que eu trabalhava, respirei fundo. Era aqui que essa merda de fato começaria. Passamos pela recepção e alguns funcionários que conversavam animadamente ao me verem, ficaram tensos e parados em seu lugar com o medo estampado em seus rostos. Patético.
— Oi Tamara, bom dia – Bella a cumprimentou e a moça retribuiu com um sorriso tímido.
— Bom dia – falei também.
A Ana da recepção que Isabella cumprimentara me olhou com os olhos esbugalhados e o queixo caído, mal conseguiu sussurrar um 'bom dia' de volta de tão surpresa que estava, tentei dar um sorriso simpático, mesmo que quisesse apenas ignorar a existência de todos ali.
— Que isso? – Bella perguntou ao meu lado com uma careta no rosto – Tá com gases? Tomou leite e te fez mal? Que cara é essa?
— Estou sendo simpático e sorrindo – respondi entre dentes.
— Sério? Parece que você tá com gases. Que sorriso mais feio.
— Ainda sou seu chefe, Isabella – tentei não soar rude.
— Ah é – ela bateu com a mão na testa – Verdade, eu tinha esquecido. Foi mal aí chefe.
Que o espírito santo me ajude, pois, paciência não é uma das minhas virtudes.
Enquanto andávamos, não sorri, mas tentei não estampar 'antipático' em meu rosto. Ao longe, vi as amigas de Bella conversando entre si na copa, Jane sussurrou alguma coisa e tentou se afastar, mas foi segurada no lugar por uma delas, as três sorriam meio sem graça.
— Bom dia senhor Cullen – disseram em uníssono.
Merda. Elas sabiam que eu não respondia, por que ainda me cumprimentavam? Agora eu me sentia compelido a responder. Inferno.
— Bom dia, tudo bem? – se eu soei simpático ou não, não sei. Foda-se.
Por que todos faziam essa cara de bunda quando eu cumprimentava alguém? Era tão difícil assim acreditar que eu sabia os cumprimentos básicos?
— Angela acabou de passar café, o senhor aceita uma xícara? – uma delas perguntou.
NÃO.
— Claro, por que não?! Sem açúcar – Bella chutou minha canela – Por favor.
Ana foi animada até a cafeteira servir um pouco em uma xícara e me entregou em seguida. Ela estava sorridente demais, passando a mão no cabelo para o ajeitar e puxando a blusa para baixo tentando deixar os seios mais a mostra. Essa é minha deixa para sair daqui.
— Obrigado – me inclinei para ver seu nome no crachá – Jessica.
— Oh, você sabe meu nome? – ela sorriu animada demais.
— Você usa crachá sua tapada – Jane falou baixo pra ela que logo ficou vermelha em constrangimento.
— Jane tem razão, está no seu crachá – tentei sorrir, mas pela cara que Bella fez, acho que foi uma tentativa fracassada – Bom, eu tenho que ir, muito obrigado pelo café. Até mais.
— Bom trabalho senhor Cullen – as ouvi dizer antes de sorrir novamente e me afastar.
Assim que me afastei ainda as ouvi comentando coisas como 'o que acabou de acontecer aqui?', 'quem é ele e o que ele fez com o demônio que trabalha aqui?', 'estou apaixonada'. Revire os olhos, seriam longos dias nessa empresa.
Quando entrei em minha sala, provei um pouco do café e o cuspi todo de volta na xícara. Que porra ruim. Cadê Isabella para vir me trazer um café decente? Peguei a xícara que ela comprou que se esquentava sozinha e me certifiquei que ela estava desligada. Não vou mentir, eu desligava de propósito apenas para depois pedir para ela ligar. Eu adorava irritá-la dessa forma.
— Isabella – a chamei pelo ramal que ligava sua sala a minha – Pode vir até minha sala, por favor?
— Claro, um minuto – respondeu desligando em seguida.
Ouvi uma batida na porta, mas ignorei. Qualquer coisa eu diria que não ouvi.
— Nossa, você sendo educado é a coisa mais bizarra do mundo – gargalhou entrando em minha sala e eu nunca quis tanto gritar como eu queria agora.
— Traga meu café, sim?
— De novo? Você acabou de tomar.
— Aquilo estava horrível. Nem consegui tomar.
— Claro que não – revirou os olhos – Você só toma o café que eu faço.
— Exato. Agora vai logo pegar meu café – ela arqueou uma sobrancelha e prendeu uma risada – Por favor?
— Com todo prazer, senhor Cullen – respondeu irônica.
Assim que ela saiu, peguei todos os documentos acumulados que tinham que ser levados para o setor de protocolo, era uma caralhada de documentos para protocolar e bom, alguém teria que fazer isso, então por que não minha adorável assistente que hoje estava me tirando sério?
— Aqui – ela voltou alguns minutos depois com a minha xícara em mãos.
— Obrigado – agradeci a contra gosto e desliguei a xícara em seguida.
Pude finalmente apreciar um bom café. Era tudo que eu precisava para o meu dia ser produtivo, uma boa dose de cafeína no sangue.
— Isabella – a chamei – Preciso que leve esses documentos para serem protocolados urgente – apontei para a grande pilha de papeis no canto da minha mesa – E como são de extrema importância e como sabe eu não confio no pessoal daquele setor, quero que você mesma os protocole.
Sua boca se abriu em surpresa e a raiva que estava presente em seus olhos era papável. Seu rosto ficou vermelho e eu tenho certeza que era de raiva. Droga, como eu quero essa mulher pra mim.
— Mas eu vou levar o dia inteiro protocolando isso – respondeu irritada – Essa nem é minha função, tem gente pra fazer isso.
Vou confessar que o medo que ela me ficasse com raiva por fazer isso e não querer me ver a noite se fez presente e me fez repensar se valia mesmo a pena fazer isso... o pior é que pra mim, valia sim, a empresa em primeiro lugar.
— Certo, você pode deixar para que o pessoal de lá faça isso, mas tem alguns documentos aqui nessa pilha que eu realmente preciso que você faça pois são muito, muito importantes e não podem ter erros – respondi honestamente pois alguns, realmente tinham que ter um cuidado maior – Vou separar para vocês quais são.
Ela assentiu concordando e eu comecei a separar os documentos que exigiam uma maior atenção e cuidado. Com esses eu não deixei que minha vontade de lhe dar trabalho influenciasse, pedi apenas o necessário e o que era importante. Acho que no total, seriam apenas quinze documentos que ela deveria protocolar, era muito, mas todos de extrema necessidade.
— Pronto, esses você mesma tem que fazer – apontei para a pilha de papeis menor – Aqueles, apenas certifique-se que farão corretamente, caso contrário, pode deixar que eu mesmo irei ter uma conversa com o pessoal daquele setor.
— Está ameaçando seus funcionários senhor Cullen?
— Não, estou apenas querendo garantir que eles farão seu trabalho corretamente – sorri irônico – Ei Isabella, minha xícara está desligada – estendi o copo para ela.
Ela fechou os olhos respirando fundo e bufando de raiva, tomou a xícara das minhas mãos o ligando em seguida. Tenho certeza que ela devia estar me matando em sua mente. Eu por outro lado, achei que ela ficou tão sexy que quis jogá-la nessa mesa e fazer coisas totalmente inapropriadas para o local... ou sendo honesto, para os termos do nosso contrato. Eu não dava a mínima se estávamos ou não na empresa.
— Sabe senhor Cullen – ela disse quando me devolveu a xícara – São muitos papeis e eles pesam, poderia me ajudar a levar até o setor de protocolo? Seria muito gentil da sua parte se fizesse isso.
Filha da puta. Ela fez de propósito.
— Claro, Isabella – contive toda minha raiva e frustração – Ajudo sim.
Inferno de mulher.
[...]
— Mas que merda – reclamei quando a quadragésima Ana saiu da mina sala – Ninguém queria vir até minha sala, por que de repente pararam de te entregar os documentos e passaram a vir pessoalmente? – perguntei irritado fazendo Isabella soltar uma risadinha.
— Acho que estão todos surpresos com a mudança de comportamento do 'Lúcifer de olhos verdes' e quiseram vir pessoalmente ver – ela respondeu com um sorriso vitorioso.
— Pro inferno todos eles – taquei a caneta em minhas mãos com força na mesa – Por que só não me deixam em paz? Inferno de aposta. Sabia que não devia ter concordado com essa merda.
— Está tendo dificuldades em ser gentil, chefe querido? – gargalhou.
— Achei que isso já estivesse óbvio. Se eu sorrir pra mais alguém de novo eu me jogo daquela janela – apontei para a janela atrás de mim.
— Ah, mas você tem um sorriso tão bonitinho, estão todos curiosos pra ver se ele é mesmo real.
— Vá para o inferno, Isabella – apesar da frase nada gentil, usei a voz mais doce que consegui.
— Quanto rancor no coração – ironizou – Ei, sua mãe está na empresa, acho que daqui a pouco ela sobe aqui – falou vendo algo no celular – Eu vou pra minha sala, quando ela chegar, a mandarei entrar.
— Só diz que eu estou em reunião... – gemi de frustração.
— É? Com quem?
— Sei lá, com o diabo.
— Você é o diabo.
— Não sei, então comigo mesmo. Só não deixa ela entrar.
— Tarde demais, vou deixar sim, tchau chefe.
Não deu muito tempo depois e a porta da minha sala se abre revelando uma Esme incrivelmente sorridente. Porra, como eu senti falta do sorriso da minha mãe, pena que ela abre a boca e me irrita pra caralho.
— Oi meu fofinho de olhos verdes – me cumprimentou assim que entrou – Filho você está tão pálido, tem se alimentado direito?
— Na medida do possível, mãe.
— Mamãe tá aqui pra cuidar do meu bebezinho de novo – ela beijou minha bochecha – Mas agora me responde uma coisa, por que quando eu cheguei ouvi diversos comentários do tipo 'quem domesticou o lúcifer?', 'lúcifer foi domesticado?', 'acho que ele transou essa noite'. O que aconteceu aqui?
— Estão todos surpresos porque eu dei bom dia e sorri para todos – dei de ombros e ela gargalhou alto.
— Essa piada foi boa filho. Agora sério, por que estão dizendo essas coisas do meu filhotinho?
— Sério. Eu dei mesmo bom dia – respondi.
Esme me olhou séria e me deu um tapa com força no braço. Porra isso ainda dói, depois ela fica com raiva quando eu digo que ela tem mãos de homem.
— Para de mentir pra mim seu nojento.
— Não estou mentindo mãe – revirei os olhos.
— Você dando bom dia e sorrindo pros outros? Sem nenhum interesse em troca? – perguntou cética – Conta outra. Você é um pequeno demônio nojento. Quando tinha 7 meses, a irmã do seu pai quis te carregar no colo, beijou sua bochecha e você deu um tapa na cara dela e ainda arrancou um tufo de cabelo de tão forte que puxou. Você não é simpático, filho.
— Azar o dela, não mandei tentar me agarrar – dei de ombros – Você acabou de ser rebaixada de mãe pra Esme e se falar muito, vai ser mais rebaixada ainda e vai ser chamada de Esmeralda.
— Ai não repete esse nome – falou irritada tampando os ouvidos – Minha mãe inventou de achar nomes latinos bonitos bem na época que eu nasci e eu fui amaldiçoada com esse nome. Esmeralda é nome de gente velha – reclamou.
— Você é velha, Esme.
— Edward – ela me olhou séria – Velha é a beira do seu cu. Eu aparento ser mais nova que você e sabe por que? Porque diferente de você, eu transo, transo todo dia que é pra garantir que vou continuar sendo nova e tendo essa pele maravilhosa. Você é bonitinho bebê, mas se continuar todo estressadinho do jeito que é, vai envelhecer rápido, vê seu pai, 60 anos e parece ter sua idade. É porque ele transa. Transar faz bem pra pele, pro ânimo, pra vida... Porra, me deu vontade de transar agora, vou já ligar pro seu pai...
— Eu não quero saber da sua vida sexual ou quando você quer transar. Me poupe dos detalhes – a cortei – E você não pode reclamar de nome de gente velha, você me nomeou como Edward e minha irmã de Rosalie. Você não tem moral.
— Se eu fui castigada com nome estranho vocês também seriam, mas eu fui muito mais gentil – sorriu angelical – E você não tem uma vida sexual, bebê.
— O que veio fazer aqui?
— Vim buscar meu gatinho arisco e nojento para almoçar. Vamos?
— Tenho a opção de dizer não?
— Você sabe a resposta, fofinho.
— Inferno – praguejei.
— Vamos perguntar se a Bella quer ir conosco.
— Pra você ficar contando histórias fantasiosas da minha adolescência e me fazer passar vergonha totalmente de graça? Não obrigado.
Ela me olhou avaliativa por um tempo. Eu a conheço o suficiente para saber que sua mente estava fervendo agora, mas eu não lhe daria resposta alguma, deixaria com que sua insana mente explodisse. Um sorriso se formou em seus lábios, mas não era qualquer sorriso, eu conhecia aquele sorriso o suficiente pra saber que ele significa um 'já saquei tudo'.
— Ai filho, eu só quero fazer as pessoas rirem um pouco – respondeu por fim após muito parecer pensar – Você fica tão lindinho envergonhado, nem parece que não transa.
— Você vai almoçar sozinha – ameacei.
— Vamos, prometo ficar em silêncio até chegarmos no carro
Respirei fundo e concordei, seria inútil discordar. Seria um longo e demorado almoço.
▬ Bella ▬
A semana estava chegando ao fim e finalmente já era sexta feira. Hoje Natalie não iria animar jogo algum pois o jogo não seria na casa e sim na casa do adversário, por sorte também não faria hora extra. Essa semana estava sendo um inferno na minha vida.
Por mais que os dois primeiros dias tenham sido completamente hilários e eu tenha dado muitas risadas ao ver Edward tento dificuldades em ser gentil, cumprimentar e sorrir, ficou insuportável quando ele pegou o jeito da coisa. A voz dele já estava naturalmente doce e gentil, o sorriso dele saía de forma natural e inferno, o sorriso natural dele é extremamente sedutor e é aí que entra minha revolta.
— Vocês não acham que estão com os peitos a mostra demais não? – perguntei irritada ao ver Jane, Jess e Ang com decotes gigantescos e saias apertadíssimas evidenciando que usavam as calcinhas enfiadas no cu – Pra que tudo isso? Querem assistir uma palestra sobre o código de vestimenta a empresa?
— Ai Bella para – Jess me cortou – Só porque você não está atraída pelo chefe gostoso não quer dizer que nenhuma de nós não estejamos.
— É verdade amiga, você já viu aquele sorriso dele? – até Ang estava nessa vibe.
— O que? – perguntei surpresa – Gente? Como assim?
— Ah, é que antes a personalidade dele era quase como um repelente pra ele, mas agora que pelo visto alguém domesticou ele e ele está todo amorzinho, toda a Bella, virilidade e majestosidade daquele homem foi evidenciada – Jane explicou – Vai dizer que nunca reparou como o sorriso torto que aquele homem dá depois de dizer um 'bom dia' ou 'boa tarde' é de tirar o fôlego?
Já reparei sim, mas ele dá esse sorriso pra mim, não pra vocês, suas putas.
— Vocês são insanas – reclamei irritada.
— Eu tenho sonhos eróticos com os olhos daquele homem – Ang suspirou.
Era só o que me faltava. A empresa de entupiu de putas. Só porque agora ele tá todo educadinho falando coisas tipo 'por favor', 'obrigado', 'bom dia' já está todo mundo morrendo de amores por ele. Qual é, ninguém queria ficar perto dele, agora todos querem entregar documentos pessoalmente, quando ele chega todas as mulheres se aglomeram na recepção pra receber o 'bom dia' dele. A sala dele virou um entra e sai do caramba.
Porra, deixem o homem em paz. Credo, parecem um bando de desesperadas correndo atrás de macho. Eu hein. Se eu soubesse que ia ficar essa palhaçada eu nem tinha feito essa aposta maldita. Preferia quando ele era grosso com todo mundo e ninguém queria ficar perto dele. Assim ninguém me tirava a paciência. Ainda consumida pela raiva, senti meu celular vibrar, olhei e vi que era uma mensagem de Edward, se ele tivesse me mandando mensagem pra falar de trabalho pelo whatsapp eu ia bloquear ele, ainda mais que fui legal e troquei o contato dele de Edward Cullen pra só Edward.
Edward
16:37 pm
"Vamos jantar hoje à noite? Quero te levar a um restaurante"
Bella Swan
16:38 pm
"quero spoiler, qual restaurante?"
Edward
16:38 pm
"Não seja curiosa, apenas diga sim."
Bella Swan
16:38 pm
"a curiosidade ta no meu sangue querido, mas ta bom, eu vou, so me diz como eu tenho que me vestir"
Edward
16:39 pm
"Vamos a um restaurante elegante"
Bella Swan
16:40 pm
"então depois me manda o endereço e te encontro la as oito, tenho que ter tempo pra me arrumar"
Edward
16:41 pm
"Não. Eu te busco em casa às oito."
Até quis reclamar, mas hoje ia deixar ele ser o homem da relação e me buscar em casa. Morram de inveja suas piranhas, quem vai sair pra jantar com ele não é nenhuma de vocês e eu nem estou pondo meus peitos pra fora.
— Até segunda senhor Cullen – Jess disse assim que o viu.
Se ela pressionasse mais um pouco os peitos eles iam sair da sua roupa. Oferecida.
— Até segunda – Edward cumprimentou com um sorriso torto que puta que pariu.
Tenho que concordar que era mesmo um sorriso molhador de calcinhas. Quando elas não estavam olhando, ele piscou pra mim discretamente. Como assim ele piscou pra mim? Será que eu vou mesmo ter que lembrar ele que aqui não é lugar pra ele ficar com essas intimidades todas?
— Escutem o que eu digo, eu ainda vou sentar nesse homem – Jessica disse confiante.
— Menos mana, menos – a desestimulei – Ele é o tipo de homem que está no alto escalão, longe de toda nossa realidade.
— É verdade, sem contar que ele já está apaixonado e não é por você Jess...
— É verdade, você devia... Oi, como assim, repete isso loira de farmácia – me surpreendi assim que me toquei do que Jane havia dito.
— Ah qual é, ninguém muda assim do nada – falou cética – Já viram como ele tá amorzinho? Isso é coisa de homem apaixonado, ela deve estar fazendo dele um 'homem melhor' – ironizou – Eu só queria saber quem é a filha da puta sortuda que conseguiu penetrar no coração de pedra dele e domesticar a fera – suspirou – Enquanto isso, eu continuo me masturbando pensando nele.
Fiz uma careta pra ela. Estava atordoada demais pra chama-la de nojenta. Gente, como assim ela vem e me solta um 'ele está apaixonado'? É claro que ele não está, temos um acordo por escrito e assinado que é apenas sexo, ele que não me venha com graça de querer mudar isso se não vai já ter briga aqui.
— Eu acho que essa mudança deve ser por causa da filha – Angela concluiu – Vai ver ele está preocupado com os exemplos que dá pra ela.
— Também acho – concordei.
Finalmente alguém sensata entre nós. Ang fada muito sensata sim.
[...]
Após sair do trabalho, na volta pra casa passei em uma farmácia, meu anticoncepcional estava acabando e eu tinha que comprar mais. Com minha caixinha anti bebês em mãos, ainda fiquei olhando o que mais tinha de novidade por ali, parei em frente a uma estante onde tinha várias camisinhas, iria ignorar, mas daí vi umas que tinham cor e sabor e uma delas chamou minha atenção por conter na embalagem a palavra 'neon'.
— MOÇA ISSO AQUI BRILHA NO ESCURO? – gritei perguntando da atendente que estava do outro lado da drogaria e levantei o pacote para que ela visse do que eu falava.
As pessoas que estavam lá me olharam escandalizadas e a atendente ficou mais vermelha que pimentão, mas balançou a cabeça sinalizando um 'sim'. Eu hein, não sei pra que todo esse tabu com sexo, se eles não transam sinto muito, eu transo e sou super desinibida.
— TEM CERTEZA? VOU LEVAR SÓ PORQUE BRILHA, SE NÃO BRILHAR POSSO VOLTAR AQUI E RECLAMAR? – claro que eu tinha que esclarecer bem minhas dúvidas.
Eu nem gosto de usar camisinha, então se eu ia levar, tinham que me garantir que brilhava mesmo. A mulher estava prestes a ter uma síncope ali, mas meio atordoada ela assentiu concordando. Ótimo, espero que brilhe mesmo, assim no escuro o pau do Edward vai ficar parecendo um sabre de luz.
Peguei uns três pacotes, um azul, um verde e um rosa, coloquei em minha cestinha e fui em direção ao caixa, mas uma caixa em uma das prateleiras chamou minha atenção. Na caixa estava escrito 'Lacday', fui ler o que ele fazia, mas achei muito complicado, fui pesquisar na internet. Achei difícil, mas em resumo, era pra quem tinha os mesmos problemas com Edward com relação a lactose. Decidi levar uma caixa pra ele, vai que isso ajuda a vida dele a ficar menos triste.
Após sair da farmácia, fui para casa onde tomei um banho quente, depois sem pressa alguma fui me arrumar. Se eu demorasse a ficar pronta ele que esperasse. Sequei meu cabelo e fiquei pensando em como deixar ele, sem muita criatividade, deixei ele solto, mas coloquei todo pra um lado só e fiz algumas ondas no comprimento. Até gostei.
Depois fui pra maquiagem, não sabia muito o que fazer, então fiz uma maquiagem leve, pesando apenas no rímel pois gosto dos meus cílios bem volumosos, fiz um esfumadinho marrom simples, passei um blush pra ficar com aquela cara bem de menininha saudável e disfarçar minha cara de fantasma por ser muito branca e finalizei com um batom vermelho. Eu nem ia usar batom vermelho, mas daí pensei 'por que não'?
— Ai merda, eu devia ter escolhido a roupa primeiro – murmurei para mim mesma ao abrir meu guarda roupa e ver que agora eu ia ter que achar algo que combinasse com a maquiagem e não o contrário.
Fui até a cama onde John dormir tranquilo e cuidadosamente o acordei.
— Vamos meu filho, você tem que ajudar a mamãe – o segurei no colo e juntos ficamos olhando minhas roupas.
No final escolhi por um vestido preto, preto combina com tudo e nunca sai de moda. Ele era preto, ia até pouco abaixo do joelho, era justo ao corpo, de alças finas e o decote era reto, mas deixava o topo dos meus seios bem evidentes. Para combinar coloquei um salto preto, um brinco simples e uma pulseira prateada. Pronto, tá ótimo, simples e bonito.
Olhei no relógio e vi que ainda faltavam dez minutos para as oito.
— Ah qual é, eu demorei pra porra, não é possível – reclamei olhando o relógio que zombava de mim – Custava ter passado mais rápido dona hora?
Me joguei na cama, estava morrendo de fome e ainda iria esperar. Se Edward seguisse aquela palhaçada da pontualidade inglesa ele só estaria aqui as oito e no momento com a fome que eu estou, eu só quero que ele seja afobado e chegue logo. Por isso eu gosto de ir dirigindo. Sabia que não devia ter deixado ele ser o homem hoje.
Pontualmente as oito, minha campainha estava tocando, assim que abri a porta meus olhos gostaram do que viram. Edward estava todo arrumadinho, usando uma calça social preta e uma camisa social azul marinho sem gravata, tinha as mangas dobradas até o cotovelo lhe conferindo uma aparência mais despojada, usava sapatos sociais pretos e um puta sorriso safado/encantador no rosto.
Minha vontade foi arrastar ele pra dentro, esquecer do jantar e sentar nele até minhas pernas não terem mais forças nenhuma, mas eu tinha que lembrar que hoje eu era a mulher da relação, não que tenha uma relação, mas vocês entenderam. Enfim, hoje eu era uma mocinha educada e meiga, isso de sexo teria que ficar pra depois.
— Nossa – ele disse surpreso – Você está... uau.
— Eu sei – sorri orgulhosa – Vamos? Estou morrendo de fome – passei por ele fechando a porta atrás de mim a trancando em seguida.
— Convencida – ri ao o ouvir me chamar assim.
Imagem minha cara surpresíssima quando o ogro que eu sei que ele é foi substituído por um cara bem gentil e até abrindo a porta do carro pra mim. Sabe é né, quando a esmola é muita o santo desconfia e eu estava desconfiadíssima, o caminho todo.
Edward me levou a um restaurante que eu sempre passei por frente, sempre quis entrar, mas nunca fui ir comer sozinha num lugar desses é demais até pra mim e olha que eu sou a pessoa que vai sozinha ao cinema e se sente pleníssima. Fomos ao Salvatore Ristorante Italiano e olha, o lugar era ainda mais bonito pessoalmente do que nas fotos que eu já havia visto. O lugar gritava 'requinte e bom gosto'. Eu me sentia em casa aqui, eu nasci para vir a esse tipo de restaurante, só me faltava companhia.
Vou passar a trazer Jane, Jess ou Ang aqui, ou até as três. Gente como eu sou burra, por que nunca pensei nisso antes? Olha, e eu aqui perdendo a chance de ter vindo aqui antes, devia ter chamado as amiguinhas. Estou em choque com minha tapadice. Edward deu seu nome para confirmar a reserva e fomos conduzidos até nossa mesa, ele pediu um vinho de entrada quando o maitre veio nos atender e não tardou muito até que ele trouxesse o vinho pedido, nos deixando a sós logo em seguida.
— Você gostou? – Edward perguntou interrompendo meu monólogo interno sobre como eu devia ter vindo antes – Do loca, eu digo.
— Sim. É bem bonito – respondi sem entrar em muitos detalhes – Ei, você deixou a Nat sozinha em casa?
— Não – riu – Minha mãe a sequestrou, algo sobre ela ter passado muito tempo longe e agora querer a presença da neta.
— Ah tá.
Nós dois parecíamos não saber ao certo o que fazer ou falar. Pra mim isso era estranho, mas já que está no contrato que temos que ir jantar uma vez por semana, então aqui estamos cumprindo isso. Acho que eu tenho até que tranquilizar ele mais tarde e dizer que não precisa dessas pomposidades todas, até porque isso nem me impressiona. Eu já me contento com o bom e velho sexo quente a noite toda.
Edward pediu para ele um risoto, carpaccio e alcachofras à moda romana. Já eu não pedi nada de muito inovador pois eu sou meio desconfiada e preconceituosa com comida. Eu gosto do conhecido porque se eu pedir uma comida e ela for ruim, eu vou ter que comer do mesmo jeito pra não estragar, então eu vou no que já conheço, fico na minha zona de conforto e sou feliz assim. O mundo que me julgue. Pedi tortellini de bolonha, polenta de parmesão e bruschetta, porque estou de dieta.
— Isso é estranho né? – sem ter nada pra falar, eu obviamente ia falar sobre coisas sem sentido.
— O que? – questionou confuso passando pela milésima vez a mão no cabelo.
— A gente aqui. Eu acho mega estranho – respondi – Não sei você, mas eu estou full aleatória aqui. Não tenho absolutamente nada pra falar.
— Eu também não – ele falou e ficamos em silêncio.
— Sabe – comecei um assunto – Eu me pergunto, o que você faria com suas mãos se você raspasse o seu cabelo – disse ao observar que ele tinha essa mania de ficar o tempo todo esfregando a mão na cabeça.
Ele riu alto, não o suficiente pra passar vergonha, mas ainda foi alto.
— Não sei. Eu provavelmente não saberia o que fazer com elas, eu tenho essa mania de passar a mão no cabelo. Vai ver é por isso que eles nunca ficam comportados no lugar. Não importa o quanto eu tente.
— Você lava seu cabelo? – não aguentei a curiosidade e tive que perguntar – É que seu cabelo parece sempre tão ensebado, mas é sempre tão cheirosinho, aí fica esse conflito interno na minha cabeça. Você lava o cabelo ou só passa algum produto pra ele não ficar fedorento? Se usa, me diz qual é, daí já compro pros dias que eu acordar atrasada e não der tempo de tomar banho.
— As vezes eu vejo sua boca se mexendo e as palavras parecem tão desconexas das coisas que saem dela – respondeu parecendo incrédulo.
— Mas isso não responde minha pergunta. Você lava seu cabelo?
— Claro que lavo Isabella – respondeu irritadiço – Eu tomo banho sabia?
— Que coisa, mas faz sentido porque você é cheirosinho – dei de ombros – Acho que o bom do seu cabelo ser ruivo é que quando for velho, o que não vai demorar muito, os fios brancos não vão ficar tão evidentes.
— Eu vou ser honesto com você, eu não tenho nem palavras para a maioria das coisas que você fala – ele riu meio sem jeito.
— É porque você é muito sério. Eu sou mais de boas, good vibes e essas coisas todas. Teve uma época da minha vida que eu quase fui hippie, hoje em dia eu acho que sou meio indie.
— Você com certeza não é indie.
— Ei, o que importa é como eu me sinto á legal?
— Você não se importa por eu ser 9 anos mais velho? – perguntou sério me fitando com intensidade.
— Não porque você não aparenta ser velho, se aparentasse daí eu não sei, ia depender do seu desempenho sexual que inclusive, é espetacular porque você tem um puta fôlego e isso é muito importante – respondi de forma honesta – Sem contar que você não é tão mais velho assim, são só 9 anos. 20 anos é um número bem mais considerável.
Ele assentiu concordando e pareceu pensativo.
Quando nossos pedidos chegaram, achei que comeríamos em silêncio, mas ao invés disso até que conversamos bastante e surpreendendo a mim, era uma conversa agradável, claro que de vez em quando rolava algumas farpas aqui, outras ali. Mas nada demais.
— Deixou de ser divertido você sendo todo educadinho com todo mundo na empresa – disse após tomar minha terceira taça de vinho. Eu nem estava bêbada, apenas menos inibida – Era legal no começo quando você fazia cada cara estranha tentando ser simpático, mas depois que aprende como se faz fica sorrindo pra todo mundo, a empresa inteira está apaixonada por você. Joe da contabilidade hiperventila toda vez que você chega.
— Você está com ciúmes – não era uma pergunta, ele estava afirmando.
Um sorriso metade feliz metade convencido dançando em seus lábios. Ia ficar muito feio se eu sentasse a mão na cara dele aqui mesmo?
— Já falei que ciúmes eu tenho da Nat que é líder de torcida, de você eu tenho pena – bebi meu vinho para disfarçar.
Ele não disse mais nada sobre isso, ficou apenas com esse sorrisinho bonito e irritante na cara. Edward não tomou mais que uma taça de vinho pois estava dirigindo e eu não me arrisquei a sair da terceira. Eu até sou a favor de ficar bêbada, mas não sou a favor de ficar bêbada sozinha.
Tivemos uma pequena grande discussão na hora de pagar a conta pois eu queria pagar minha parte, ele queria pagar tudo e no final ninguém se resolvia. Acabamos decidindo isso no cara ou coroa e ele ganhou e pagou a conta.
— Filho da puta – praguejei quando estávamos no carro voltando pra casa – 'Cara eu ganho, coroa você perde'? Você trapaceou seu mentiroso, trapaceiro do caramba. Eu fui tapeada – Edward gargalhou alto pendendo a cabeça pra trás, mas logo se recompondo pois ele estava dirigindo.
— Até estranhei você não ter percebido isso na hora, é tão óbvio – respondeu descarado.
— O diabo é mesmo ardiloso e trapaceiro – reclamei.
Ele apenas piscou para mim. Descarado.
Quando chegamos ao meu apartamento, eu até considerei a possibilidade de fazer charminho, ser toda mocinha recata e do lar e deixar ele ser o predador fingir que eu sou a presa, mas... sem tempo irmão. Vou direto ao assunto porque não tem porquê ficar fazendo rodeios.
— Vamos subir, eu quero usar seu sabre de luz – falei assim que ele abriu a porta pra mim.
Ele riu e me olhou confuso.
— O que?
— Você vai entender depois – sorri maliciosa – Mas vem, vamos subir.
Fomos até o elevador e estávamos até bonitinhos e controlados, mas em algum momento que eu não soube mensurar, eu estava com a boca na boca de Edward, nossas línguas emboladas uma na outra e meu corpo inteiro estava em chamas. Eu adorava como nós parecíamos não nos entender a maior parte do tempo, mas quando estávamos juntos, era como se tudo fizesse sentido e isso não pudesse ser mais certo do que era.
Quando o elevador parou no meu andar, nem pra abrir a porta nos separamos, nem sei como consegui trancar a porta. Suas mãos exploravam todo meu corpo por cima do vestido, seus lábios traçavam um caminho torturante por meu pescoço me provocando. Arqueei meu corpo me colando mais nele quando suas mãos desceram para minha bunda apertando minha carne com força me fazendo gemer alto.
— Só pra confirmar – perguntei arfante enquanto suas mãos deslizavam pelo zíper do meu vestido se livrando da peça incômoda – A Nat vai passar a noite na sua mãe, não é?
— Correto – respondeu com a boca na pele do meu colo.
— Ótimo, porque meu querido, essa noite seremos apenas eu e você.
