Capítulo 18: O Confronto

Hermione e Snape já estavam vivendo juntos há sete dias, tudo estava indo perfeitamente bem. Apenas uma questão atrapalhava a paz da dupla, a visita do Dr. Alden, que seria em breve.

Naquela tarde, Snape recebeu uma coruja com uma carta de Alden, informando que no dia seguinte iria até a sua residência para realizar seus exames de rotina.

Snape, que havia se sentado em um banco do jardim para responder suas correspondências, chamou Hermione, que estava regando as flores.

— Senhorita Granger, recebi uma carta de Alden. — Falou Snape.

Hermione encantou o regador para continuar seu trabalho e foi até Snape.

— O que ele escreveu na mensagem? — Perguntou Hermione.

— Que virá amanhã para realizar meus exames de rotina. — Snape mostrou a carta para Hermione.

Ela pegou a carta, leu e depois suspirou.

— Amanhã será meu "confronto" com Alden, — ela deu um sorriso triste e voltou seus olhos para Snape — não se esqueça que você disse que me deixaria enfrentá-lo sozinha.

— Certamente não esquecerei, a senhorita também não me deixaria esquecer. — Snape deu um pequeno sorriso. — Acredito que a senhorita tenha me lembrando isso cerca de quinze vezes nesses últimos dois dias. — Suas últimas palavras continham uma leve carga de ironia.

Hermione sorriu abertamente.

— Agora tenho completa certeza de que não se esquecerá.

A jovem deixou Snape continuar com as correspondências e voltou a regar as flores.

Apesar de aparentar estar calma, Hermione não se sentia realmente assim, ainda tinha receio do que a visita de Alden poderia causar em Snape. Jamais perdoaria Alden se ele causasse qualquer mal a seu amado.

Naquela noite, após o jantar, Hermione combinou com Snape como seria a recepção de Alden na manhã seguinte.

— Snape, por favor fique em seu quarto. Só venha quando eu lhe chamar e se eu chamar.

— Senhorita Granger, eu não sou um covarde, não vou me esconder e deixar a senhorita sozinha. — Falou Snape.

Hermione olhou nos olhos de Snape quando falou:

— Eu sei que não é um covarde. É um dos homens mais corajosos que já conheci. Mas agora, precisa colocar sua saúde em primeiro lugar. — A voz de Hermione levava uma grande carga de emoções.

Snape encarava as orbes castanhas de Hermione, percebeu que o olhar dela estava carregado de preocupação. Ela nunca havia lhe dirigido aquela expressão antes.

Snape passou a mão pelos cabelos antes de responder, em sinal de rendição.

— Tudo bem, ficarei em meu quarto. Mas se as coisas não saírem como a senhorita planejou, me chame, não hesite. Pelo que me contou, esse Alden não tem escrúpulos. — Snape respirou profundamente e continuou: — Prometa-me que se necessitar ajuda irá me chamar.

— Eu prometo, Snape. — Disse Hermione com um pequeno sorriso nos lábios.

Alguns minutos mais tarde, Snape expressou seu cansaço. Hermione prontamente o acompanhou até seu quarto. Agora as escadas já não eram mais um desafio para Snape, ele conseguia subir e descer tranquilamente, mas Hermione ainda fazia questão de subir ao lado dele, para ter certeza de que tudo estava bem.

— Boa noite, senhorita Granger. — Falou Snape ao entrar em seu quarto.

— Boa noite, Snape. — Respondeu Hermione também dirigindo-se a seu quarto.

A jovem entrou em seu quarto, foi até sua cama e sentou-se sobre ela. Passou a mão pelos cabelos, desarrumando-os um pouco, sempre fazia isso quando estava tensa.

Não tinha nem ideia de como Alden reagiria ao vê-la na casa. E na verdade, isso não lhe importava muito. Hermione pensava apenas em Snape, só queria que tudo acabasse logo, para que seu amado não precisasse passar por nenhuma situação extenuante.

Mas por outro lado, essa situação com Alden, mostrou um lado de Snape que Hermione não conhecia, uma lado protetor, uma face tão bela de um homem que aparentava ser tão taciturno. Era maravilhoso poder conhecer mais de Snape, a cada dia ela apaixonava-se mais por aquele homem.

~ x ~

Na manhã seguinte, Hermione acordou cedo, preparou um café da manhã mais simples e levou para Snape. Checou seus sinais vitais como vinha fazendo desde seu primeiro dia na casa. Conversou um pouco com ele e depois desceu as escadas e passou a esperar Alden na sala de estar.

As nove horas, em ponto, alguém bateu na porta da casa. Hermione levantou-se da poltrona, respirou fundo e foi em direção à porta.

Colocou a mão na maçaneta e disse em voz baixa:

— Que Merlim me ajude.

A jovem mulher abriu a porta calmamente e recebeu o visitante.

— Bom dia, Alden. Entre. — Falou Hermione.

Alden pareceu ficar em estado de choque. A última pessoa que ele pensou que encontraria ali seria Hermione.

Alden entrou na casa, ainda sem conseguir esboçar uma palavra sequer.

— Sente-se, — falou Hermione indicando a sala de estar — eu vou buscar um copo de água para você.

Quando Hermione retornou, o susto inicial já havia passado, Alden tomou a água oferecida pela jovem mulher e finalmente conseguiu perguntar:

— O que faz aqui, senhorita Granger? Está de licença. Está acompanhando as consultas semanais de Snape, mesmo estando de licença?

— Alden, eu estou aqui cuidando de Snape. Eu sou a pessoa que está com ele os trinta dias de observação, mesmo tendo sido Draco quem assinou a liberação de Snape, eu fiquei responsável pelos cuidados diários dele. — Falou Hermione.

Alden surpreendeu-se.

— Por que está fazendo isso? Malfoy pediu que cuidasse do padrinho dele? — Alden parecia indignado ao chegar a essa conclusão.

— Não, não estou fazendo isso por que Draco pediu. Estou fazendo isso por que quero. — A jovem mulher respondeu calmamente.

Alden não conseguia acreditar que Hermione estava novamente dedicando seu tempo para Snape, já não bastavam os sete anos que ficou devotando-se a ele. Ele não conseguia entender o porquê ela estava fazendo isso de novo, se agora ele já estava acordado.

Mas depois de pensar um pouco, um motivo apresentou-se para ele, dinheiro. Se fosse por isso, ele a ajudaria. Não a queria tão próxima a Snape outra vez, ele não era digno de Hermione.

— Por que? — Alden aparentava estar bastante nervoso quando perguntou. — Por que está fazendo isso? É pelo dinheiro? Está precisando de dinheiro? Se é por isso posso lhe emprestar. — Ele colocou-se em pé enquanto falava

— Como eu já falei, estou aqui por que eu quero. — Hermione explicou paulatinamente. — Estou aqui por vontade própria e voluntariamente. Não há dinheiro nenhum envolvido na questão. Eu estou aqui somente para cuidar de Snape.

Alden passou a mão pelos cabelos, em sinal de indignação, realmente não conseguia entender Hermione. Um sentimento de ira tomou conta dele. Alden começou a andar e aproximar-se de Hermione.

— Por que, Granger? — Alden quase gritou a pergunta. — Ele não merece isso.

Hermione respirou fundo, precisava manter-se calma. Mas também não aceitaria que Alden falasse da Snape da forma que desejasse.

— Por que diz isso? Por que diz que Snape não merece ser cuidado? — Perguntou a castanha.

— Sabe por que ele não merece que cuide dele? Por que ele é um ex-comensal, um monstro, um assassino. Ele não merece nada que venha de você. — Alden falou suas palavras com fúria.

— Alden, você sabe que isso que está falando não é verdade. Snape não é nenhum monstro. Sua inocência foi provada há anos. Snape abdicou de muita coisa para ajudar a Ordem, graças à ajuda dele conseguimos vencer aquela maldita guerra. — Hermione ficou com a voz embargada quando lembrou-se da batalha de Hogwarts.

— Ele jamais vai enganar-me como enganou ao Potter, a você e a tantos outros. Ele não deveria nem estar vivo, me arrependo de ter salvo a vida dele. — Alden praticamente cuspiu suas palavras.

Hermione ficou encolerizada.

— Como você pode dizer isso de um paciente seu. Como tem essa postura perante ao caso de um paciente que agora é considerado um herói de guerra. Alden, você está tão errado em suas palavras e atitudes. — As palavras de Hermione foram firmes e duras.

— Eu não estou enganado, você está. Tem que ir embora agora, não pode ficar aqui com ele. Ele vai acabar destruindo você, ele provavelmente destrói tudo que toca. — Alden estava angustiado, queria que Hermione enxergasse que estava perdendo mais tempo de sua vida com Snape.

— Eu não vou embora. — Falou Hermione firmemente. — Eu não vou deixá-lo.

— Por que não? — Alden vociferou suas palavras. — Por que não vai deixá-lo?

Hermione estava farta dessa cena ridícula e respondeu a Alden no mesmo tom:

— Por que eu o amo! Sempre o amei! Lutei pela vida dele por que eu já o amava, eu já o amava há sete anos atrás!

Alden olhou desacreditado para Hermione. Os olhos dele encheram-se de lágrimas que nunca chegaram a cair e um sentimento de desalento tomou conta de seu ser.

— Como pode amá-lo? A ele? Eu não consigo...não posso fazer isso. Eu tenho que ir embora. — Alden pegou sua maleta e saiu porta afora.

Hermione suspirou aliviada, acreditado que tudo já havia acabado. Ela colocou a mão sobre o peito, seu coração estava muito acelerado.

Ela precisava se acalmar, estava indo em direção a cozinha pegar um copo de água quando ouviu a voz de Alden outra vez. Ele não havia partido, estava ali, na porta, outra vez. Aparentava estar transtornado.

— E quanto ao Malfoy, não que eu realmente me importe, mas está enganando ele todo esse tempo? — A voz de Alden estava carregada de sarcasmo. — Realmente está com o Malfoy apenas pelo dinheiro. Como eu pude achar que você era diferente? — Alden estava perturbado e caminhava em direção a Hermione. — Poderia ter ficado comigo, ter me escolhido, eu também tenho dinheiro, muito dinheiro. E eu amava você, Granger.

Hermione estava com sua varinha na mão, estava preparada para defender-se caso Alden se aproximasse demais.

— Alden, como eu pude acreditar que você poderia voltar a ser o mesmo de antes. Como eu pude achar que voltaria a ser meu amigo. Como eu fui tola. Draco tinha razão, eu não devia ter perdoado você na primeira vez que me insultou. — Hermione estava verdadeiramente triste, ainda acreditava que todos poderiam ter uma segunda chance, acreditava que Alden poderia mudar e voltar a ser seu amigo, mas agora percebia que isso não aconteceria. — Saia daqui, vá embora. Volte para o hospital, eu vou falar com Percy e pedir que deixe outro médico responsável pelo caso de Snape. Não há possibilidade de você continuar. Vá embora, Alden!

Alden não parou de andar em direção a Hermione.

— Por que ele? Porque ele? — Repetia o homem.

— Alden saia daqui, vá embora. Agora! — Falou Hermione em tom de ordem.

Alden aproximou-se mais e agarrou o braço da jovem mulher. Hermione estava pronta para estuporá-lo quando a voz de Snape se fez presente no ambiente.

— Alden, se eu fosse você, largaria agora o braço da senhorita Granger.

Alden virou se rosto na direção de onde vinha a voz, Snape estava descendo as escadas enquanto encarava o médico.

— Snape, — Alden falou de modo pejorativo — suas ameaças só funcionam em Hogwarts, não aqui. Eu já tive medo de você, quando era seu aluno, hoje eu apenas sinto asco.

— Em Hogwarts eu só pedia fazer ameaças, aqui eu posso cumpri-las. Afinal, você está na minha casa e está atormentando minha hóspede. — Snape deu um meio sorriso macabro direcionado ao médico.

Alden soltou o braço de Hermione ao dar-se conta de que a varinha de Snape estava apontada em sua direção.

— Eu acho melhor você sumir daqui, moleque. Ou prefere que eu te faça sumir? — falou Snape friamente.

Alden não tinha opção, jamais venceria uma batalha em que Hermione Granger e Severus Snape estavam contra ele.

— Você é um monstro, Snape e você, Granger, o merece. Você merece o mostro que ele é. — Alden falou isso enquanto saia da casa.

Ele correu até uma zona sem proteções e aparatou para longe dali.

Snape baixou a varinha e olhou para Hermione.

— A senhorita está bem? — Sua voz demonstrava preocupação. — Desculpe-me por interferir, quando eu percebi que havia silêncio, resolvi descer. Então Alden voltou, eu não me envolvi na conversa de vocês, mas quando Alden segurou o braço da senhorita eu não pude me manter indiferente.

Hermione olhou para Snape, seus olhos estavam marejados, ela não queria que aquela situação terminasse assim.

A jovem, não pensou duas vezes, correu na direção de Snape e o abraçou fortemente, colocando seu rosto sobre o peito do homem.

— Desculpe por isso, — disse Hermione — me perdoe, eu não achei que Alden chegaria tão longe. — Ela olhou para o rosto de Snape, ainda abraçada a ele. — Obrigada por estar aqui, obrigada por ter evitado uma situação pior.

Snape, ainda um pouco envergonhado finalmente retribuiu o abraço de Hermione. A apertou em seus braços, queria mostrar que ela estava segura agora.

— A culpa não é da senhorita. Nunca foi. — Falou Snape com sua voz grossa. — Acalme-se, eu estou aqui para o que a senhorita precisar.

Hermione voltou a abaixar a cabeça e aninhar-se contra o corpo de Snape.

— Eu preciso que fique comigo, é só o que preciso. — Disse Hermione em um sussurro.