Capítulo 19: Um Susto e Uma Verdade Revelada
Assim que Hermione se acalmou, Snape a acompanhou até a cozinha. Ele pediu que ela se sentasse enquanto ele preparava um chá de camomila para ela.
— Eu só tomarei o chá se me acompanhar. — Falou Hermione tentando parecer mais descontraída do que realmente se sentia.
— De acordo. Lhe acompanharei no chá. — Concordou Snape.
Depois de alguns minutos Snape coloca o bule e duas xícaras sobre a bancada da cozinha. Serve chá para Hermione e também para si, ele alcança uma xícara para ela e a outra coloca em sua frente. Ele se senta e toma um gole de seu chá. Hermione permanece em silêncio, apenas observando sua xícara.
Snape, percebendo que ela não iria iniciar aquela conversa, tomou a frente.
— Senhorita Granger, eu gostaria de entender melhor o que houve com Alden, por que ele ficou tão transtornado e acusou a senhorita de enganar a Draco.
Hermione levantou seu olhar para Snape. Ela queria muito contar que Alden ficou furioso quando ela havia falado que amava a Snape, mas aquele não era o melhor momento. Hermione estava se sentindo tão abatida e cansada, não era dessa maneira que queria revelar seu amor, mas não iria mais mentir para Snape.
— Alden ficou imensamente transtornado quando contei a ele o principal motivo pelo qual salvei sua vida. E me acusou de enganar a Draco pela mesma razão, pois Alden ainda acredita que eu e o Malfoy estamos em um relacionamento. — Hermione falou, mas sem conseguir manter seu olhar no de Snape.
— E qual é esse motivo, senhorita? — Pergunta Snape.
Hermione imaginou que ele faria essa pergunta, mas naquele momento ainda não estava preparada para falar toda a verdade.
— Eu prometi a você que contaria meus motivos em breve. — Hermione fala seriamente. — Mas ainda não é o momento, agora não me sinto forte o suficiente para fazer isso. Mas reitero minha promessa e estipularei uma data. Prometo que até o final desses trinta dias de observação, que estarei com você, eu irei contar tudo o que desejar saber.
— Senhorita Granger, eu prometi que esperaria e farei isso. Mas somente até o final desse período.
Hermione assentiu, ficou muito feliz que Snape não a pressionou mais.
~ x ~
Naquela tarde, Malfoy veio fazer uma visita a seu padrinho. Quando chegou, quem abriu a porta foi Snape. Draco achou estranho, pois tinha certeza que Hermione não o deixaria fazer praticamente nada enquanto estivesse no período de observação.
— Como vai, Snape? Está tudo bem? — Perguntou Draco assim que entrou.
— Eu estou bem. Agora está tudo bem. — Respondeu Snape.
— Onde está Hermione, ela está bem? — Draco já mostrava sinais de preocupação na voz.
Snape apontou para o sofá da sala de estar, Hermione estava deitada sobre ele, com o olhar perdido.
— O que houve? — Quis saber Draco, antes de abordar Hermione.
Snape apenas disse:
— Alden.
Draco ficou imaginando o que aquele babaca havia feito agora para deixar Hermione daquela forma, parecendo tão perdida. Malfoy entrou na casa e foi até onde ela estava.
— Hermione, — Draco chamou — está tudo bem?
A jovem pareceu ter se dado conta da presença de Draco somente naquele momento. Até espantou-se por não ter sequer escutado ele batendo na porta.
— Draco? — Hermione falou enquanto sentava-se no sofá. — Eu estou bem, apenas um pouco cansada.
— O que houve para te deixar dessa forma? Nem o trabalho no hospital foi capaz de fazer isso com você. — Disse Draco. — E é melhor me contar toda a verdade.
Snape sentou-se em uma poltrona perto de Hermione e pediu que Draco também se sentasse.
— É melhor ouvir Snape e se sentar, — falou Hermione — pois a história é longa.
Draco obedeceu e sentou-se.
Hermione então narrou para ele o que havia acontecido naquela manhã, Snape ajudou no relato, revelando a sua visão do ocorrido.
Ao final do relato, Draco estava furioso.
— Eu vou matar aquele desgraçado. Não, não vou sujar minhas mãos com ele, vou contratar alguém para matá-lo. — Draco não conseguia acreditar na ousadia de Alden.
— Eu pensei seriamente em acertá-lo com um feitiço mortal, só não o fiz por que a senhorita Granger já aparentava estar suficientemente abalada. — Disse Snape seriamente.
Hermione olhou para Snape, não havia imaginado que Snape pensou em atacar Alden, mas só não o fez por sua causa. Snape era realmente um homem excepcional, com uma percepção muito apurada das coisas. Hermione agradeceu-lhe mentalmente por ter pensado em seus sentimentos e não ter acabado com Alden em sua frente. Apesar de tudo, Hermione não queria Alden morto, ainda mais pelas mãos de seu amado Snape.
— Deveria tê-lo acertado, é o mínimo que Alden merece. — Draco ainda estava irado, mas ele não deixaria a situação como estava, iria pôr um fim nisso. — Vou falar com Potter e o Weasley, Alden é um perigo para a sociedade bruxa e ele ameaçou uma heroína de guerra. Tenho certeza de que os dois conseguirão fazer algo e eu não precisarei mandar matar ninguém.
— Não faça isso, Draco. Deixe Harry e Rony fora dessa situação. Eu não quero que as coisas fiquem mais complexas e confusas do que já estão. — Falou Hermione.
— Eu não vou aceitar uma negativa sua, Hermione. Além de falar com Potter e Weasley, vou falar com Percy também. Snape precisa de outro médico, de preferência um que não o ameace. — Apesar da brincadeira, Draco estava furioso. — Essa situação precisa terminar, você tem que se ver livre de Alden. Ou você nunca conseguirá ser feliz, Hermione.
Hermione pensou por alguns momentos nas palavras de Draco, por fim suspirou e disse:
— Você tem razão, Draco. Não vou me opor, faça o que achar necessário. Eu só não quero ver Alden na minha frente nunca mais. Fui tola tempo suficiente, não quero mais ser.
— Vou falar com Potter e Weasley agora mesmo. — Disse Draco já colocando-se em pé.
Draco foi até Hermione, ela se colocou em pé também, assim que o fez, recebeu um grande abraço do amigo. Draco passou a mão pelos cabelos de Hermione cuidadosamente e disse de modo que apenas ela conseguisse escutar.
— Você me prometeu que iria ser feliz a partir de agora, não deixe Alden destruir aquilo que você esperou sete anos para acontecer.
Hermione apenas balançou a cabeça em sinal de afirmação.
Snape olhou aquela cena, depois de Hermione contar-lhe que ela e Draco apenas fingiam um romance, ele já não tinha mais aquele ciúme desenfreado. Ele conseguia entender que os dois eram bons amigos.
Draco soltou Hermione e pediu para Snape:
— O senhor pode me levar até a porta?
Snape assentiu, levantou-se e acompanhou o afilhado até a porta. Logo que Snape a abriu, Draco falou:
— Padrinho, se precisar de algo me contate, me mande uma coruja que venho imediatamente. Agora eu vou até o Ministério atrás do Potter e do Weasley, vou ver o que é possível fazer em relação a Alden.
— Me avise o que será feito com ele. — Falou Snape
— Aviso sim, — falou Draco já se encaminhando para o jardim. — Até mais padrinho.
— Até breve. — Disse Snape quando Draco já estava do lado de fora da casa, encaminhando-se para uma zona sem proteções, para poder aparatar.
~ x ~
Assim que Draco chegou ao Ministério, foi ao encontro de Potter e Weasley. Não demorou a encontrá-los.
— Malfoy, o que houve? — Perguntou Rony.
— Preciso falar com vocês dois, o assunto é sério. — Respondeu Draco.
— Claro, — falou Harry — vamos até minha sala.
Os três foram até a sala de Harry. Assim que entraram, Harry fechou a porta.
— Diga o que houve de tão sério para trazê-lo até aqui. — Falou Harry.
— Alden, — disse Draco — ele perdeu a cabeça quando encontrou a Hermione cuidando de Snape.
— Como assim? — Perguntou Rony.
Malfoy então começou a contar para os dois o que Hermione e Snape haviam lhe narrado. Revelando também que Hermione amava a Snape e havia dito isso a Alden. Os dois rapazes responderam que já tinham conhecimento do sentimento de Hermione por Snape.
Draco continuou seu relato, terminou dizendo que Alden poderia ter machucado Hermione se Snape não estivesse ali para intervir.
Os dois rapazes ficaram furiosos com os fatos narrados por Draco.
— Alden foi longe demais. — Rony estava enraivecido quando falou.
— Sim, passou de todos os limites possíveis. — Completou Harry.
— Eu queria mandar matá-lo, — disse Draco irônico — mas Hermione foi contra. Então resolvi vir até vocês para descobrir se há algo que possam fazer com Alden.
Rony sorriu debochado:
— Mandar matá-lo não é uma ideia tão ruim assim, resolveria o problema de uma vez por todas.
— Eu espero que esteja brincando, Ron. — Falou Harry com semblante sério.
— É claro, — respondeu o ruivo, mas demonstrando pouca convicção em sua resposta.
Malfoy apenas riu.
— Agora, falando sério, — disse Harry — acredito que podemos fazer algo, mas Percy precisa nos ajudar.
— Claro que Percy irá nos ajudar, — disse Rony. — Se ele não ajudar, conto para mamãe e ela vai obrigá-lo a ajudar.
Harry e Malfoy riram.
— Vocês estão rindo, mas nunca viram Molly Weasley realmente furiosa. — Falou Rony seriamente. — Não queiram descobrir do que ela é capaz.
Harry e Draco ficaram conversando, enquanto Rony mandava uma coruja a Percy, avisando que tinha um assunto muito urgente para tratar com ele.
— Pronto, — disse Rony — daqui a pouco ele manda uma resposta e avisa se pode nos receber.
Vinte minutos depois a resposta de Percy chegou às mãos de Rony.
— Percy escreveu que está nos aguardando. — Falou o ruivo.
— O que estamos esperando para ir até lá? — Perguntou Malfoy.
— Nada, — disse Harry — vamos pela rede de flu que é mais rápido, encontrar uma zona para aparatar vai demorar muito.
Os três encaminharam-se para as grandes lareiras que haviam no Ministério.
Em questão de minutos os três rapazes já estavam dentro do prédio onde funcionava o St. Mungus.
— Me sigam, — disse Draco — vou levá-los até a sala de Percy.
Os dois rapazes seguiram Draco pelos enormes corredores do hospital, que, por sinal, ele conhecia muito bem. Depois de subirem alguns lances de escadas e passarem por vários corredores, Draco parou em frente a uma porta com os dizeres: "Dr. Percy Weasley – Diretor".
Bateu na porta e aguardou a permissão para entrar. Depois de alguns instantes a porta foi aberta, Percy surpreendeu-se aos ver os três homens à sua frente.
— O que fazem os três aqui, eu achei que apenas Rony precisasse de alguma coisa. — Falou Percy.
— É melhor entrarmos, Percy, assim podemos explicar melhor a situação. — Disse Harry.
— Bom, tudo bem, entrem. — Disse Percy dando passagem aos três rapazes.
Percy foi até sua cadeira e sentou-se, então pediu para os três rapazes acomodarem-se à sua frente.
— Agora, me contem o que fez o três juntarem-se e virem até mim. — Falou o ruivo mais velho.
— Estamos aqui por causa de Alden. — Disse Harry. — Por favor, escute com muita atenção o que temos para lhe contar.
Quem narrou os fatos que os trouxe até ali foi Draco, ele contou exatamente a versão que ouviu de Snape e Hermione.
Ao término da história, Percy estava estupefato, não conseguia acreditar que Alden havia feito aquilo.
— Alden passou dos limites, Percy. Ele colocou a segurança de Hermione em risco e a de meu padrinho também. Estamos todos preocupados com o que mais ele pode fazer. — Disse Draco.
— Eu entendo, — falou Percy seriamente — o que querem que eu faça com essa informação rapazes?
Quem tomou a palavra foi Harry.
— Eu e Rony, mesmo sendo aurores, não podemos fazer nada, pois Alden não feriu Hermione nem Snape, ele não é um criminoso aos olhos do Ministério. Mas, ele é funcionário do hospital e está sob suas ordens. Você, Percy, é o único que pode fazer algo a respeito. Pois Alden ameaçou um paciente e foi agressivo com a cuidadora desse mesmo paciente, recusou-se também a atendê-lo e a realizar seus exames. A punição de Alden está em suas mãos. Sei que pode fazer ele cumprir uma série de ações corretivas por proceder dessa forma no trabalho, pode até fazê-lo se retirar do hospital.
Percy pensou por alguns momentos, precisava pensar com muito cuidado no que faria a seguir.
— Como Hermione nunca relatou nenhum comportamento invasivo de Alden para mim, eu não posso demiti-lo. Eu precisaria de pelo menos três reclamações sobre ele para dar entrada em um pedido para desligá-lo do hospital. Hermione não deveria ter ocultado de mim os comportamentos hostis dele. — Percy estava com um semblante muito sério enquanto falava. — O que posso fazer nesse momento, com as informações que me trouxeram, é relatar para o conselho, que mantém o hospital, o comportamento de Alden e afastá-lo de suas funções por trinta dias. Durante esse período de trinta dias ele precisará cumprir horas de trabalho voluntário dentro do próprio hospital, mas longe de sua função. E claro, vou solicitar que outro médico faça o acompanhamento domiciliar de Snape.
Harry suspirou.
— Pelo menos você pode fazer algo, Percy. Já é um começo.
— Na verdade, vocês podem fazer algo. — O olhar de Percy, nesse momento, lembrava o de Fred e Jorge quando estavam prestes a aprontar algo.
Percy disse que Alden não era um homem muito corajoso e que se, por acaso, Harry, Draco e Rony o ameaçassem ele ficaria acuado e se afastaria de Hermione, mesmo que fosse apenas por um período. Com a ameaça dos três, mais as medidas corretivas tomadas por Percy, Alden ficaria um bom tempo sem perturbar Hermione.
Percy explicou a ideia rapidamente aos rapazes, no princípio eles acharam uma loucura, mas acabaram aceitando, pois ninguém sairia realmente ferido. E era uma boa maneira de afastar Alden de Hermione.
Alguns minutos depois, Draco Malfoy batia na porta da sala de Anthony Alden. Ele abriu a porta com cara de poucos amigos.
— Dr. Weasley mandou chamar você na sala dele, é urgente, precisa ir agora. — Falou Draco. — Estou aqui para te acompanhar até lá.
Alden não esboçou reação alguma, apenas fechou a porta de sua sala e foi em direção a sala de Percy, com Draco Malfoy em seu encalço.
— Realmente precisa me seguir, Malfoy? Eu não preciso de babá. — Falou Alden.
— Ordens do Weasley, achei melhor obedecer, pois ele estava com um humor terrível. — Disse Draco, tentando ao máximo ocultar sua ironia.
Assim que chegam à frente da sala, Draco fala:
— Pode entrar sem bater, Dr. Weasley está esperando.
Alden fez o que Draco falou, abriu a porta e entrou na sala. Mas ao entrar, não encontrou Percy Weasley, mas sim Harry Potter e Rony Weasley.
Alden recuou um passo e disse:
— Acho que Malfoy se enganou na informação que passou para mim. Desculpem a intromissão, volto mais tarde para falar com Dr. Weasley.
— Não me enganei, não, Alden. Você está exatamente onde deveria. — Falou Draco.
Alden olhou rapidamente para trás e encontrou Malfoy trancando a porta com um feitiço.
— O que está acontecendo aqui? — Alden não estava gostando de como aquela situação estava se desenrolando.
— Estamos aqui para ter uma conversa com você Alden, — falou Rony.
— Sobre o que? — Perguntou Anthony desconfiado.
— Sobre uma pessoa muito importante para nós três, uma pessoa que você tem importunado há um bom tempo. — Disse Harry.
— Sabe de quem estamos falando? — Perguntou Draco.
Alden engoliu em seco.
— Estão aqui por causa de Hermione?
— Exato! — Confirmou um debochado Malfoy.
— Estamos aqui para deixar bem claro que ela não quer mais vê-lo. — Falou Rony. — E nós também queremos você o mais longe possível dela.
Alden deu uma risada debochada.
— E se eu me recusar a afastar-me dela. O que vocês irão fazer?
— Se você se recusar, irá se arrepender amargamente. — Disse Harry friamente.
— Eu sei torturar muito bem, — disse Draco irônico — ou você se esqueceu que eu já fui um Comensal da morte?
Alden olhava de um para outro, não acreditava que eles realmente fariam alguma coisa.
— Estão me ameaçando? — Perguntou ele.
— Finalmente você se deu conta, Alden. — Disse Draco.
— Vocês vão se arrepender disso, vou denunciar vocês dois ao ministério, — disse ele apontando para Harry e Rony — e você Malfoy, vou relatar seu comportamento para Percy.
— Fale com Percy. Não me importo. Mas, só por curiosidade, o que vai dizer a ele? Que ameaçamos você sem nenhum motivo? Ou vai contar a Percy que está perseguindo Hermione e não quer deixá-la em paz e por isso te ameaçamos? — Perguntou Draco debochadamente.
Alden virou-se para Harry e Rony.
— Ainda posso denunciar vocês dois por me ameaçarem.
— Vá até o departamento de Aurores e me denuncie ao chefe dos Aurores. — Harry riu debochado. — Ops! O chefe dos Aurores sou eu. Me denuncie então ao subchefe dos aurores, que tem tanta autoridade quanto eu.
— Esse sou eu! — Disse Rony irônico. — Mas acho que não vou aceitar qualquer queixa que venha de você.
— Você não tem saída, Alden. Ninguém vai ouvir suas queixas. E nem crer em sua história. — Disse Draco. — A sua única opção é ficar longe de Hermione. Deixe-a em paz ou, como falou Potter, você vai se arrepender amargamente.
Alden não teve tempo de responder, pois Percy havia acabado de entrar na sala, quebrando o feitiço colocado por Malfoy.
— Vocês já tiveram tempo suficiente com ele. — Falou Percy. — Acredito que Alden tenha entendido o recado.
Os três rapazes saíram da sala sem fazer qualquer objeção, deixando apenas Percy e Anthony.
— Você está mancomunado com esses três, Dr. Weasley. — Falou Alden. — Eu deveria ter imaginado isso.
Percy fez a expressão mais inocente possível.
— Eu não tenho a menor ideia do que está falando, Dr. Alden.
Alden estava com raiva, mas não tinha escolha naquele momento, se manteria longe de Hermione e não iria discutir com seu superior. Ele estava encaminhando-se em direção a saída, quando ouviu a voz de Percy.
— Onde vai? Esqueceu-se que pedi que Malfoy o chamasse à minha sala. Sente-se, Dr. Alden, nós temos muito o que conversar. — O olhar de Percy era extremamente frio.
~ x ~
Zabini foi o médico designado por Percy para assumir o lugar de Alden nos atendimentos domiciliares de Snape.
No dia seguinte a visita de Alden, Zabini foi até a casa de Snape e revelou que Percy havia afastado Alden de sua função por trinta dias e colocado ele para fazer trabalho voluntário na lavanderia do hospital.
Parte da história, Hermione e Snape sabiam, pois Draco havia enviado uma coruja, avisando da decisão de Percy. Só não sabiam que Alden iria trabalhar na lavanderia do hospital.
— Eu acredito que, a partir de agora, Alden vai deixar você em paz, Hermione. Ele recebeu uma boa lição. — Falou Zabini referindo-se também a intimidação que Alden recebeu de Harry, Rony e Draco, mas que Hermione não tinha conhecimento.
Hermione apenas suspirou.
Snape percebendo que ela não queria falar, disse a Zabini:
— Acredito que já podemos iniciar os exames, Zabini?
Blaise entendeu e recado e disse:
— Claro, Snape. Vamos até seu aposento.
Os dois subiram para o quarto de Snape e Hermione ficou aguardando na sala de estar, como já havia feito outras vezes.
Os exames demoraram cerca de uma hora para terminarem. Quando os dois homens retornaram a sala de estar, Zabini estava com a expressão um pouco tensa, assim como Snape.
Hermione logo preocupou-se e perguntou:
— O que houve? Por que essas expressões?
— Snape, já estava com uma alteração em seus batimentos cardíacos, o problema agora é que essa alteração está muito mais acentuada. Seus batimentos estão muito acelerados, meu diagnóstico é de arritmia cardíaca. — Disse Blaise. —Snape precisa permanecer em repouso, nada de fortes emoções e também vou receitar uma poção que ele deverá tomar uma vez ao dia. Esta poção é para regularizar a frequência cardíaca.
Hermione olha para Blaise, seus olhos estão cheios de culpa.
— Isso pode ser consequência da visita de Alden? — Hermione perguntou.
— Pode ser, mas não há como ter certeza, também pode ser uma consequência da volta a rotina. Snape passou sete anos desacordado sobre uma cama, seu corpo não está acostumado a tanto movimento e emoções. — Falou Blaise. — Não se culpe, Hermione, não é culpa sua.
— Zabini tem razão, senhorita Granger. — Disse Snape.
— Não se preocupe tanto, Hermione. Snape apenas precisa seguir as orientações que dei a ele e tomar a poção pela manhã. Vai ficar tudo bem. — Blaise falou calmamente, não queria afligir tanto Hermione.
— Certo, — disse ela suspirando, — vou cuidar bem de Snape.
— Sei que vai, já está fazendo isso — falou Zabini. — Bom, agora eu tenho que voltar para o hospital. Estou cheio de coisas para fazer. Hermione, você faz muita falta naquela sala de pesquisa.
Hermione deu um pequeno sorriso.
— Vem, eu te levo até a porta. — Disse ela.
Zabini despediu-se de Snape e pediu a ele que levasse as orientações que ele havia passado à risca, Snape comprometeu-se a fazer isso.
Zabini então seguiu Hermione até a porta. Deu um breve abraço nela e disse-lhe, de modo que apenas ela pudesse ouvir:
— Esqueça Alden, não deixa que a mínima lembrança dele estrague sua alegria. Snape está bem, não se preocupe tanto.
— Vou fazer meu melhor, — respondeu ela.
— Sei que sim, — falou Zabini sorrindo. — Até breve, Granger.
— Até breve, Zabini.
~ x ~
Três dias haviam se passado desde a visita de Alden, Hermione e Snape já estavam vivendo juntos há onze dias. Hermione estava bem e disposta a não permitir que aquela discussão com Alden estragasse seu humor. Aos poucos, a rotina dos dois estava voltando ao normal.
Naquela manhã, Hermione e Snape tomaram tranquilamente seu café da manhã. Conversavam sobre uma poção que Hermione havia encontrado em um dos livros pertencentes a Snape, Hermione acreditava que aquela poção pudesse ajudar a Frank e Alice Longbottom. Snape prometeu ajudá-la mais tarde na busca pelos ingredientes daquela poção, alguns eram bem específicos e difíceis de encontrar.
Depois do café da manhã, Snape pegou seu exemplar do Profeta Diário e foi sentar-se no jardim, junto com Hermione. Não havia nada de muito interessante naquele jornal, que agora dedicava-se praticamente a fofocas sobre algumas personalidades do mundo bruxo.
Hermione ficou sentada ao lado de Snape por alguns momentos, depois resolver dar um pouco de atenção para o jardim. Encantou o regador para que molhasse todas as flores enquanto ela selecionava algumas rosas para cortar e colocar na casa.
Os dois ficaram algum tempo no jardim, Hermione avisou a Snape que entraria para arrumar as flores em alguns vasos, ele resolveu acompanhá-la.
Hermione entrou na cozinha, procurou por dois vasos onde pudesse colocar as flores, conseguiu encontrar, então ajeitou dois bonitos arranjos de rosas brancas.
Snape estava sentado em uma banqueta, escorado na bancada da cozinha, observando os gestos de Hermione atentamente. Ela a achava tão linda e pura como aquelas rosas brancas que ela arrumava com tanto cuidado.
— Snape, me ajude com esse vaso, — disse Hermione — onde podemos colocá-los?
— Acredito que na sala de estar seria um bom lugar. — Snape falava enquanto colocava-se em pé para ajudar Hermione a levar os vasos.
Assim que se colocou em pé sentiu uma forte dor no peito, uma dor tão forte que o fez cair de joelhos sobre o piso da cozinha. Ele estava se sentindo tonto e fraco.
Hermione ao ver a situação, largou as flores e correu até de Snape. Ajoelhou-se ao seu lado e perguntou:
— O que está sentindo? Consegue me dizer?
Snape respondeu com muita dificuldade:
— Dor no peito.
Hermione ficou apavorada com a situação, não poderia perdê-lo outra vez.
— Snape, me escute. Consegue ficar em pé? Se apoie em mim.
Hermione o ajudou a colocar-se em pé, ele estava apoiando-se no ombro dela.
— Eu vou levar você até a uma zona onde possamos aparatar, tente se manter acordado. Por favor, fique comigo.
Hermione reuniu todas as suas forças e atravessou a casa com Snape respirando pesadamente ao seu lado. Assim que chegou a porta, abriu-a rapidamente e continuou caminhando com Snape apoiado nela. Precisava atravessar o jardim, não faltava muito.
Snape segurou seu peito outra vez, sentiu uma nova onda de dor, não conseguiu manter-se em pé, caiu novamente de joelhos, dessa vez sobre a grama do jardim. Por pouco ele não perdeu a consciência.
Hermione juntou todas as forças que lhe restavam e conseguiu colocar Snape em pé outra vez e com muito esforço, levou-o até uma parte do jardim onde era possível aparatar.
Mas, dessa vez, Snape não conseguiu aguentar uma nova onda de dor e tontura, acabou perdendo a consciência, caindo desacordado sobre Hermione.
— Não, não, não, não! Você não pode me deixar agora, Snape. Por favor, fique comigo.
Mas Snape não reagiu, então Hermione sentou-se no chão, abraçou o corpo de Snape da melhor forma que pode e aparatou até o hospital Saint Mungus.
Em alguns instantes Hermione estava em frente ao hospital, com Snape desacordado em seus braços, pedindo por socorro. Logo Lyra apareceu na porta e viu Hermione.
— Lyra, rápido, uma maca. — Gritou a castanha.
— Sim, Dra. Granger. — Disse a enfermeira já correndo de volta para dentro do hospital.
Alguns segundo depois Lyra retorna com a maca. Ela e Hermione colocam Snape sobre a maca e entram rapidamente no hospital. Lyra pede que chamem o Dr. Zabini com urgência.
Snape é levado para uma sala de atendimento de emergência.
Em poucos segundos Zabini chega e adentra a sala.
— Hermione, — disse ele surpreso — o que houve com Snape?
— Ele disse que estava sentindo dor no peito. Foi tudo muito rápido, ele desmaiou em questão de minutos. — Hermione estava muito nervosa.
Zabini aproximou-se da maca onde Snape encontrava-se desacordado. Começou a realizar diversos exames, usava vários equipamentos de diagnóstico bruxos.
— Os batimentos estão muito elevados, me consigam uma poção calmante, agora! — falou Zabini. — Lyra, vá até o estoque e me traga a poção quietam cordis.
Hermione resolveu ajudar, correu até o armário da sala, encontrou a poção calmante e alcançou-a para Zabini, enquanto Lyra ia atrás da outra poção que ele havia pedido.
Zabini passou a auscultar o coração de Snape com o estetoscópio logo após dar-lhe a poção calmante. Precisava certificar-se que os batimentos dele estavam normalizando-se.
Cerca de dois minutos depois, Zabini concluiu que a poção estava fazendo o efeito esperado, os batimentos estavam acalmando-se aos poucos, mas ainda não era o suficiente. Precisava dar a Snape a outra poção também.
Lyra retornou a sala alguns minutos mais tarde, com a poção que Zabini havia solicitado. Logo que ela lhe entregou o frasco ele já o deu para Snape beber.
Blaise aguardou alguns minutos para a poção fazer efeito. Voltou a auscultar o coração de seu paciente. Aparentemente, o ritmo cardíaco de Snape estava normalizando-se. Mas ele ainda precisaria ficar sob constante vigilância.
Hermione acompanhava todos os gestos de Zabini com o olhar, estava muito preocupada com Snape. Não suportaria perdê-lo, não outra vez.
Zabini virou-se para Hermione.
— Ele está estável agora, mas acredito que ainda ficará algumas horas desacordado. O manteremos sob vigilância, qualquer mínima alteração em seu estado eu virei para vê-lo. — Falou Blaise.
Hermione então deixou as pesadas lágrimas, que estava contendo a todo custo, correrem por seu rosto.
Zabini aproximou-se dela e a abraçou.
— Eu não posso perdê-lo, Blaise. — Disse Hermione em meio as lágrimas.
— Não vai perdê-lo, Hermione. Ele está estável agora. Eu ficarei de plantão no hospital, se Snape precisar de qualquer coisa eu estarei aqui. — Falou Zabini. — Mas eu preciso saber exatamente o que houve, por que Snape teve esse episódio de arritmia.
Hermione afastou-se de Zabini, passou as mãos pelo rosto para limpar as lágrimas, respirou fundo e contou a ele tudo o que havia acontecido naquela manhã.
— Não houve nada de anormal, nada que colocasse Snape sob estresse. — Zabini passou a mão pelos cabelos em sinal de frustração. — Não há como saber o que ocasionou isso. Talvez, assim que Snape acordar, ele nos conte algo. Nesse momento, Hermione, a única coisa que pode fazer é esperar.
— Eu esperei por sete anos, algumas horas a mais não serão problema. — Disse a jovem mulher com um sorriso triste em seu rosto.
Zabini colocou a mão no ombro dela e deu um leve aperto.
— Vai ficar tudo bem. Eu vou fazer os papéis de entrada de Snape no hospital, assim que eu terminar venho trazer para você assinar e então irei transferir Snape para um quarto, dessa maneira você pode acompanhá-lo de forma mais cômoda. Tudo bem?
— Certo, eu ficarei aqui, com ele. — Disse Hermione.
— Eu volto logo, — disse Zabini já indo em direção a porta.
Hermione colocou uma cadeira ao lado da maca de Snape, segurou a sua mão e a acariciou levemente.
— Severus, não me deixe de novo, volte para mim.
Cerca de vinte minutos mais tarde Zabini retornou a sala de emergência com uma prancheta em mãos, que alcançou à Hermione, pediu que ela assinasse a documentação e logo Snape poderia ser levado ao quarto.
Alguns minutos mais tarde, Snape já estava instalado confortavelmente em um quarto. Mas ainda encontrava-se desacordado.
Hermione havia colocado uma poltrona ao lado da cama de Severus, ela sentou ali e novamente segurou a mão de seu amado. Ela não sairia de lado dele nem por um segundo sequer.
Próximo do horário do almoço, Zabini veio ver seu paciente e também Hermione.
— Trouxe algo para você comer, pois sei que não vai sair desse quarto nem para se alimentar. — Disse Blaise alcançando um sanduiche e um copo de suco de abóbora para a castanha.
— Obrigada, Zabini. — Falou Hermione. — Vou tomar apenas o suco agora, o sanduiche vou deixar para mais tarde, ainda não tenho fome.
Blaise pensou em repreendê-la, mas sabia que não iria adiantar, ele compreendia completamente a origem da falta de apetite dela.
— Tudo bem, mas não esqueça de comer, você precisa se alimentar. — Disse Zabini.
Hermione concordou.
Zabini então passou a fazer novos exames em Snape, precisava certificar-se de que ele estava bem. Assim que concluiu, compartilhou os resultados com Hermione.
— O ritmo cardíaco dele está normal, não encontrei nenhuma alteração. Acredito que em algumas horas ele recupere a consciência. Pode ficar tranquila, ele está bem.
Hermione suspirou aliviada.
— É bom saber disso.
Zabini avisou que de três em três horas ele passaria para verificar o estado de Snape, mas se Hermione percebesse qualquer alteração deveria chamá-lo imediatamente. Hermione concordou.
— Poderia me fazer um favor, — pediu Hermione — pode avisar a Draco, Harry e Rony que estou no hospital com Snape.
Zabini deu um pequeno sorriso.
— Já os avisei, também disse que não deveriam preocupar-se, pois está tudo sob controle. Eles avisaram-me que no final da tarde irão passar por aqui para ver você e Snape.
— Obrigada, Blaise, você é demais. — Disse Hermione com um pequeno sorriso nos lábios.
— Eu sei, — respondeu ele já se encaminhando para a saída do quarto.
~ x ~
No final daquela tarde, Harry, Rony e Draco cumpriram com sua palavra e foram até o hospital. Conversaram algum tempo com Hermione, ela parecia abatida e triste, tentava esconder, mas sem sucesso.
Os três rapazes não se demoraram muito na visita, não queriam atrapalhar a recuperação de Snape. Eles despediram-se de Hermione e pediram que os avisasse assim que Snape acordasse, ela afirmou que os avisaria.
Assim que eles se foram, Hermione voltou a sua poltrona, continuaria sua vigília até Snape acordar.
~x ~
Já era de madrugada quando Snape abriu seus olhos, inicialmente não reconheceu o local onde se encontrava, mesmo este estando bem iluminado por diversos pares de lamparinas presas às paredes.
Depois de percorrer o lugar com o olhar outra vez, deu-se conta de onde estava, havia voltado ao Saint Mungus.
Ao seu lado, sentada em um poltrona, encontrava-se Hermione Granger, ela estava adormecida mas segurava sua mão firmemente.
Snape não lembrava-se de como havia chegado até ali, lembrava-se apenas de estar em casa com Hermione e depois sentir uma forte dor no peito, não lembrava-se de mais nada depois disso. Provavelmente Hermione havia trazido ele até o hospital e ficado ao seu lado.
Snape então dedicou alguns minutos para vê-la dormir, ela tinha uma aparência tão pura e serena. Queria tocá-la, mas também não queria atrapalhar seu sono. Preferiu deixá-la dormir.
Snape virou seu rosto em direção a janela, já era possível ver os primeiros raios de sol, estava amanhecendo. Não sabia exatamente quanto tempo havia ficado desacordado, mas esperava que não fosse muito.
Severus não aguentava mais ficar deitado naquela cama, queria acomodar-se melhor, ficar sentado preferencialmente, mas não queria largar a mão que Hermione havia entrelaçado na sua, também não queria acordá-la, estava em um impasse.
Snape, com um pouco de esforço, conseguiu sentar-se na cama, sem precisar largar a mão de Hermione e acreditava que também sem acordá-la. Mas Snape enganou-se, sua movimentação havia acordado Hermione.
Quando Hermione abriu seus olhos, deparou-se com Snape já sentado em sua cama. Ela apertou a mão dele que estava entrelaçada a sua.
Snape virou seu rosto em direção à Hermione, seus olhos negros encararam os olhos castanhos dela.
Hermione levantou-se da poltrona e aproximou-se mais da cama, sem pensar muito, abraçou Snape fortemente. Hermione carregava um universo de sentimentos não revelados naquele abraço.
Snape retribuiu o abraço dela, era muito bom tê-la tão perto.
Hermione afastou seu corpo do corpo de Snape alguns centímetros e falou em um sussurro:
— Severus, você está acordado.
Hermione voltou a abraçá-lo, como que para ter certeza de que ele estava realmente ali.
— Eu estou bem, graças à ajuda da senhorita. — Disse Snape próximo ao ouvido da jovem mulher.
Hermione ruborizou-se, a voz dele fez todo seu corpo se arrepiar. Ela afastou seu corpo do corpo dele outra vez, se desfez do abraço e colocou suas mãos, uma de cada lado, do rosto dele.
— Severus... — Hermione sussurrou o nome dele outra vez.
Sem pensar muito, a jovem mulher beijou levemente os lábios de Snape. Depois afastou-se alguns centímetros e colou sua testa na dele. Então ela abriu seus olhos e encarou os dele.
— Eu fiquei com tanto medo de perdê-lo outra vez, Severus. — Falou a castanha.
— Eu estou aqui com você e não vou a lugar algum, Hermione. — Respondeu Snape enquanto apertava levemente a cintura da jovem mulher.
Ela aproxima seus lábios dos dele novamente. Dessa vez o beijo é mais longo e intenso.
Snape não resiste à tentação e sem interromper o beijo, puxa Hermione para seu colo. Ela não se opõe e cede aos desejos dele, caindo sentada sobre as pernas de Snape.
Depois de alguns minutos, o casal interrompe o intenso beijo para que possam respirar.
Hermione passa delicadamente a mão sobre o rosto de Snape e diz:
— Eu preciso lhe contar o principal motivo pelo qual salvei sua vida há sete anos.
Snape não esperava que ela fosse escolher aquele momento para revelar a verdade, mas não se oporia de forma alguma, ele desejava muito saber.
— E qual é esse motivo? — Perguntou o homem.
— Eu amo você, Severus Snape.
