Chapter 22
Quando terminaram o almoço, os quatro sentaram-se em uma escadaria e começaram a conversar animadamente. Até Harry sentir pelas ondas de magia, o que ele estava muito mais sensível e consciente, que estava sendo atentamente vigiado. Ao erguer os olhos, viu que o garoto miudinho de cabelos louro-cinza que ele vira experimentando o Chapéu Seletor na véspera o encarava como que paralisado. Estava agarrado a um objeto que parecia uma máquina fotográfica de muggles e, no momento em que Harry olhou para ele, ficou escarlate.
- Tudo bem, Harry? Sou... Colin Creevey. – disse o menino sem fôlego, adiantando-se hesitante. – Sou da Gryffindor. Você acha que tem algum problema se... Posso tirar uma foto? – acrescentou, erguendo a máquina esperançoso.
- Uma foto? – repetiu Harry sem entender.
- Para provar que conheci você. – disse Colin Creevey ansioso, aproximando-se mais. – Sei tudo sobre você. Todo mundo me contou. Como foi que você sobreviveu quando Você-Sabe-Quem tentou matá-lo e como foi que ele desapareceu e tudo o mais, e como você ainda conserva a cicatriz em forma de raio na testa. – seus olhos esquadrinharam a raiz dos cabelos de Harry. – E um garoto no meu dormitório disse que se eu revelar o filme na poção correta, as fotos vão se mexer. – Colin inspirou profundamente, estremecendo de excitação, e disse: – Isto aqui é fantástico, não acha? Eu não sabia que as coisas estranhas que eu fazia eram magia até receber uma carta de Hogwarts. Meu pai é leiteiro, ele também não conseguia acreditar. Então estou tirando um montão de fotos para levar para ele. E seria bem bom se tivesse a sua. – o garoto olhou para Harry como se implorasse. – Quem sabe o seu amigo podia tirar, e eu podia ficar do seu lado? E depois você podia autografar a foto?
- Autografar a foto? Você está distribuindo fotos autografadas, Potter? – a voz de Millicent Bulstrode, alta e desdenhosa, ecoou pelo pátio. Ela parara logo atrás de Colin, ladeado, como sempre que estava em Hogwarts, pelas amigas Tracey Davis e Daphne Greengrass. – Todo mundo em fila! – gritou para os outros alunos. – Harry Potter está distribuindo fotos autografadas!
- Não, não estou, não. – disse Harry com raiva, passando a mão pelos cabelos.
- Você está é com inveja! – ouviu-se a voz fina de Colin, cujo corpo inteiro era da grossura do pescoço da garota.
- Inveja? – disse Millicent, que não precisava mais gritar: metade do pátio estava escutando. – De quê? Não quero uma cicatriz nojenta na minha testa, muito obrigado. Por mim, não acho que ter a cabeça aberta faz ninguém especial. – suas amigas davam risadinhas idiotas.
- Tome cuidado, Millicent. – Pansy sorriu sarcástica. – Se você continuar com essa implicância toda com o Harry, todo mundo vai pensar que você está apaixonada por ele. – as bochechas fartas da garota coraram violentamente.
- Não recebo conselhos de uma vadia de esquina como você, Parkinson. – bravejou tremendo de raiva e brandiu a varinha.
- Que está acontecendo, que está acontecendo? – Gilderoy Lockhart vinha em passos largos em direção à aglomeração, suas vestes turquesa rodopiando para trás. – Quem é que está distribuindo fotos autografadas? – Harry começou a falar mas foi interrompido por Lockhart que passou um braço pelos seus ombros e trovejou jovial: – Não devia ter perguntado! Nos encontramos outra vez, Harry! – preso contra o corpo de Lockhart e ardendo de humilhação, Harry viu Millicent sair de fininho, rindo-se, para junto dos outros colegas. – Vamos então, Sr. Creevey. – disse Lockhart, sorrindo para o garoto. – Uma foto dupla, nada melhor. E nós dois podemos autografá-la para o senhor. – Colin ajeitou a máquina e tirou a foto na hora em que a sineta tocava às costas do grupo, sinalizando o início das aulas da tarde. – Está na hora, vamos andando vocês aí. – gritou Lockhart para os alunos e voltou ao castelo com Harry, que teve vontade de conhecer um bom feitiço para desaparecer, ainda preso ao professor. Nyx, que estava dormindo nos ombros do garoto, se elevou e tomou uma posição de ameaça na direção do professor. – E-essa sua serpente é linda, Harry. – pela primeira vez, Harry viu o homem com medo, e ele adorou isso.
- Nyx não gosta quando estranhos me tocam. – tentou esconder seu sorriso divertido. – Sabe, professor. Ela é uma serpente mágica. Da espécie das cobras-rei muggles. O tamanho real dela é quase cinco metros. – Nyx apreciou o cheiro de medo que o homem exalava. – Não sei se o senhor sabe, mas essa espécie é a mais mortal das serpentes. Seu veneno é bem desagradável, não seria nada legal se o senhor fizer algo perto de mim, ela é bem territorial e protetora. – Harry se divertia com o olhar apavorado que o homem lançava para a serpente em seus ombros. Com um pigarro e um sorriso amarelo, o homem se afastou.
- Uma palavra para o bom entendedor, Harry. – disse Lockhart paternalmente quando entravam no castelo por uma porta lateral, fingindo que nada havia acontecido. – Dei cobertura a você lá com o jovem Creevey, se ele estivesse me fotografando, também, os seus colegas não iriam pensar que você está se dando ares... Devo dizer que distribuir fotos autografadas nessa altura de sua carreira não é sensato, parece meio presunçoso, Harry, para ser franco. Haverá um dia em que, como eu, você vai precisar ter uma pilha de fotos à mão onde quer que vá. – ele deu uma risadinha – Mas acho que você ainda não chegou lá.
Harry simplesmente ignorou o homem. Tanta idiotice o estava enjoando. Assim que chegaram na sala, Harry deixou Lockhart falando sozinho enquanto caminhava pomposamente até Draco, que o esperava sentado em uma classe. Pansy estava do outro lado do loiro.
- Eu vou fundar o fã-clube Potter. – Theodore brincou logo atrás de Harry, ao lado de Blaise.
Quando a classe inteira se sentou, Lockhart pigarreou alto e fez-se silêncio. Ele esticou o braço, apanhou o exemplar de Viagens com Trasgos de um aluno e ergueu-o para mostrar a própria foto na capa, piscando o olho.
- Eu. – disse apontando a foto e piscando também. – Gilderoy Lockhart, Ordem de Merlin, Terceira Classe, Membro Honorário da Liga de Defesa Contra as Artes das Trevas e vencedor do Prêmio Sorriso mais Atraente da revista Semanário dos Bruxos cinco vezes seguidas, mas não falo disso. Não me livrei do espírito agourento de Bandon sorrindo para ela. – ficou esperando que sorrissem; alguns poucos deram um sorrisinho amarelo. – Vejo que todos compraram a coleção completa dos meus livros, muito bem. Pensei em começarmos hoje com um pequeno teste. Nada para se preocuparem, só quero verificar se vocês leram os livros com atenção, o quanto assimilaram... – depois de distribuir os testes ele voltou à frente da classe e falou: – Vocês têm trinta minutos... Começar, agora!
Harry olhou para o teste e leu:
"1. Qual é a cor favorita de Gilderoy Lockhart?
2. Qual é a ambição secreta de Lockhart?
3. Qual é, na sua opinião a maior realização de Gilderoy Lockhart até o momento?"
E as perguntas continuavam, ocupando três páginas, até a última:
"54. Quando é o aniversário de Gilderoy Lockhart e qual seria o presente ideal para ele?"
Meia hora depois, Lockhart recolheu os testes e folheou-os diante da classe.
- Tsk, tsk. Quase ninguém se lembrou que a minha cor favorita é lilás. Digo isto no Um ano com o Iéti. E alguns de vocês precisam ler Passeios com Lobisomens com mais atenção, afirmo claramente no capítulo doze que o presente de aniversário ideal para mim seria a harmonia entre os povos mágicos e não mágicos, embora eu não recuse um garrafão do velho Firewhisky Ogden!
E deu outra piscadela travessa para os alunos. Harry o olhava com incredulidade e descrença. Theodore e Pansy seguravam o riso. Millicent, por outro lado, escutava Lockhart embevecida e atenta e se assustou quando o ouviu mencionar seu nome.
- ... Mas a Srta. Millicent Bulstrode sabia que a minha ambição secreta era livrar o mundo do mal e comercializar a minha própria linha de poções para os cabelos, boa menina! Na realidade. – ele virou o teste – Ela acertou tudo! Onde está a Srta. Millicent Bulstrode? – Millicent levantou a mão trêmula.
- Excelente! – disse o sorridente Lockhart. – Excelente mesmo! Dez pontos para a Slytherin! E agora, ao trabalho... – virou-se para a mesa e depositou nela uma grande gaiola coberta.
- Agora, fiquem prevenidos! É meu dever ensiná-los a se defender contra a pior criatura que se conhece no mundo da magia!
- Ele mesmo? – Draco sussurrou divertido para Harry e os dois trocaram sorrisos travessos.
- Vocês podem estar diante dos seus maiores medos aqui nesta sala. Saibam que nenhum mal vai lhes acontecer enquanto eu estiver aqui. Só peço que fiquem calmos. – sem interesse algum, Harry mirou a gaiola. Lockhart colocou a mão na cobertura. Pansy e Theodore pararam de rir agora. – Peço que não gritem. – recomendou Lockhart em voz baixa. – Pode provocá-los. – e a classe inteira prendeu a respiração. Lockhart puxou a cobertura com um gesto largo. – Sim, senhores. – disse teatralmente. – Pixies da Cornualha recém-capturados. – Theodore não conseguiu se controlar. Deixou escapar uma risada pelo nariz que nem mesmo Lockhart poderia confundir com um grito de terror. – Que foi? – ele sorriu para Theodore.
- Bem, eles não são... Não são muito... Perigosos, são? – engasgou-se Theodore.
- Não tenha tanta certeza assim! – disse Lockhart, sacudindo um dedo, aborrecido, para o garoto. – Esses bandidinhos podem ser diabolicamente astutos!
Os Pixies eram azul-elétrico e tinham uns vinte centímetros de altura, os rostos finos e as vozes tão agudas que pareciam um bando de periquitos fazendo algazarra. No instante em que a cobertura foi retirada, eles começaram a falar e a voar de maneira rápida e excitada, a sacudir as grades e a fazer caras esquisitas para as pessoas mais próximas.
- Certo, então. – disse Lockhart em voz alta. – Vamos ver o que vocês acham deles! – E abriu a gaiola.
Foi um pandemônio. Os Pixies disparavam em todas as direções como foguetes. Dois deles agarraram um garoto pelas orelhas e o ergueram no ar. Vários outros voaram direto pelas janelas fazendo cair uma chuva de estilhaços de vidro no canteiro. Os demais se puseram a destruir a sala de aula com mais eficiência do que um rinoceronte desembestado. Agarraram tinteiros e salpicaram a sala de tinta, picaram livros e papéis, arrancaram quadros das paredes, viraram a cesta de lixo, pegaram as mochilas e livros e os atiraram contra as vidraças quebradas; em poucos minutos, metade da classe estava abrigada embaixo das carteiras e, o garoto agarrado pelas orelhas, pendurado no teto pelo lustre de ferro.
- Vamos, vamos. Reúnam eles, reúnam eles. São apenas Pixies. – gritou Lockhart. Ele enrolou as mangas, brandiu a varinha e berrou: – Peskipiksi Pesternomi!
As palavras não produziam efeito algum; um dos Pixies se apoderou da varinha e atirou-a também pela janela. Lockhart engoliu em seco e mergulhou embaixo da mesa, escapando por pouco de ser esmagado pelo garoto pendurado no teto, que despencou um segundo depois quando o lustre cedeu. Harry suspirou descontente. Erguei a varinha, fez o movimento correto e pronunciou as palavras mágicas com tranquilidade.
- Peskipiksi Pesternomi. – imediatamente as criaturas pararam da destruir a sala. Harry as fez voltar para a gaiola e, com um aceno da varinha, trancou as grades e cobriu a mesma com o pano novamente. Todos o olhavam admirados.
- Sinto muito, professor. Mas o senhor mesmo disse ser responsável por nossa segurança e por nos ensinar a nos defender. Mas, o senhor ainda achou prudente soltar Pixies em uma sala cheia de crianças que o senhor não instruiu a como se defender? – Lockhart corou violentamente por estar levando um sermão de um aluno. – Isso foi uma grande imprudência sua, senhor. Sem contar que, o senhor pronunciou o feitiço de modo errado e ainda teve sua varinha jogada janela afora. Na próxima aula que o senhor tiver, é melhor pensar direito antes de fazer as coisas.
A sineta tocou, e todos levaram alguns momentos para saírem do estado de choque depois do sermão que Harry deu em um professor. Harry levantou-se pomposamente enquanto recolhia suas coisas e se retirava da sala, com seus amigos o seguindo.
- Cara. – Theodore sorria com orgulho. – Você acabou de dar um sermão num professor! Isso foi incrível!
- Pixies são criaturas classificadas como XXX pelo Ministério. Ou seja, um bruxo competente poderia lidar facilmente com eles. E ele não o fez.
- E você ainda é um estudante do segundo ano e conseguiu! – Pansy dava pulinhos de alegria.
- Se bem que qualquer criatura pode ser classificada como XXXXXXX quando se tratada do Lockhart.
- Mas essa classificação não existe. – Blaise comentou confuso.
- É a classificação Lockhart. Perigo mortal até mesmo se for um Pygmy Puff. – Harry comentou e o grupo caiu na risada.
- Você não precisava ter humilhado um professor para se sentir superior, Potter. – Millicent comentou logo à frente. - Ele só quer nos dar uma experiência direta.
- Direta? – perguntou Harry com uma sobrancelha arqueada.
- Ele não tinha a menor ideia do que estava fazendo. – Pansy completou.
- Mentira. Você leu os livros dele. Você está com inveja por ele ser melhor do que você. Vê só todas as coisas incríveis que ele fez. – Millicent comentou raivosa.
- Que ele diz que fez. – comentou Theodore.
- Se ele ao menos soubesse o que estava fazendo ele não teria soltado um bando de Pixies sem instruir aos alunos a como se defender. O Reginald poderia ter quebrado um braço quando caiu do lustre. – Harry cruzou os braços, totalmente desinteressado na paixonite idiota da garota pelo professor.
- Não dê atenção a ela, Harry. – Pansy sorriu maldosa para outra garota. – É mais uma cega pelo brilho cegante dos dentes dele. – comentou rindo ao ver Millicent bufar de raiva com o rosto vermelho e sair pisando duro.
- Essa aula foi memorável. – Draco sorriu para os amigos enquanto se dirigiam para a próxima aula.
