Shun pegou o carro emprestado do Giovani e foi assim que pode chegar a cabana. Ela era feita de madeira e muito rustica, tinha uma pequena varanda e dois degraus que dava a porta. A cabana ficava exatamente no local aonde a voz do telefone disse, era um local bem deserto e não dava para ver a estrada principal somente se fizesse todo o trajeto até ela pela pequena rua de chão em que Shun veio.

Ele estacionou o carro e caminhou até a cabana, Shun percebeu que a porta estava fechada, mas não trancada. Ele simplesmente entrou.

Dentro havia uma sala com um sofá e poltrona, ele continuou andando passou por uma pequena cozinha, ao lado tinha uma porta aberta Shun entrou e logo reconheceu o local.

-Foi aqui! –Era o mesmo quarto aonde Ikki tinha gravado o vídeo.

Shun se aproximou da cama, tinha alguém nela.

-Shina?! –A garota estava ardendo em febre.

-H-hum...

-Está tudo bem eu vou te tirar daqui.

-Shun?!

Ele se virou e viu seu irmão segurando uma toalha, ele estava bem magro e parecia muito cansado. Ikki correu até Shun e o abraçou.

-Eu sabia que você iria nos achar.

-Ikki –Shun começou a chorar e o abraçou –Me desculpa é tudo culpa minha.

Ikki o soltou e segurou seu rosto.

-Nunca mais diga isso, me ouviu?

Shun acenou com a cabeça.

-Nós temos que sair daqui antes que ele volte.

-Eu vim de carro, vamos levar a Shina para lá.

Ikki pegou a esposa nos braços com cuidado.

-Vai ficar tudo bem agora

-I-Ikki.

-Aguenta mais um pouco está bem?

-S-sim.

-Ela está muito mal o que aconteceu? –Shun perguntou assustado.

-Foi ele. Esse filho da puta fez isso com ela.

Os dois caminharam até a sala.

-O carro não está muito longe talvez nós possamos...

-Ora, ora o grande Doutor Amamiya finalmente apareceu.

Shun se virou e viu o homem que vinha atormentando sua família durante tanto tempo.

-Você finalmente resolveu dar as caras?

-Meu caro doutor eu sempre estive te observando.

-Sei...-Shun colocou a mão no queixo –Mas quem é você?

-C-como? Não se lembra de mim.

-Deveria? Você pra mim é um Zé Ninguém, ou melhor um baita filho da puta que sequestrou minha família, mas fora isso eu realmente não o conheço.

O homem tremia de raiva.

-Como pode esquecer de mim?! –Ele apontou uma arma para Shun –Você matou a minha filha!

Shun ergueu os braços.

-Eu realmente não sei do que está falando, mas se o problema é comigo porque não deixa eles irem embora –Shun apontou para Shina –Minha cunhada não está nada bem.

-Embora? Sempre podiam ir embora, não é Ikki?

-Desgraçado!

-Como assim? –Shun olhou para Ikki.

-Na primeira noite que passamos aqui tentamos fugir. É verdade as portas sempre ficam abertas, quando íamos fugir esse maníaco acertou com um pé de cabra nas costas da Shina ela não conseguiu andar mais depois disso.

-E-eu disse para Ikki fugir sem mim –Shina tinha voz bem fraca –M-mas e-ele não quis.

-E deixar você aqui sozinha com esse doido? Nunca! –Ikki a segurava com força. –Alguns dias depois ele me fez gravar um vídeo para você e em troca ele trouxe alguns remédios para que eu pudesse cuidar da Shina. –Ikki olhou para Shun –Não queria que você se envolvesse nisso.

Shun olhava para o irmão, ele segurava Shina que estava quase perdendo a consciência. Ele se colocou na frente do casal e olhou para o homem.

-Você é doente.

-HAHAHAHAHAHAHA!

O homem ria sem parar. Ele estava perdendo a razão se já não tivesse perdido.

-Eu fico no lugar deles é a mim que você quer não é?

-Shun! –Ikki berrou.

-Sempre foi você doutor, mas não sei se deixo eles saírem.

-Você vai deixar, afinal de contas sou eu quem matou sua filha certo? Gigas Torp.

O homem arregalou os olhos.

-Você se lembra. –Ele apontou para o casal –Podem sair eu só quero esse assassino!

-Eu não vou te deixar sozinho Shun.

-Ikki a Shina precisa de cuidados médicos vai eu vou ficar bem. –Shun falou com voz firme.

Ikki acenou e saiu. "Confio em você irmão".

-Agora somos só eu e você. –Gigas apontou a arma para Shun. –Eu esperei muito por isso, foi tão fácil enganar aqueles dois idiotas para participarem do meu plano.

-Eles confessaram.

-Eu sei, Aiacos ligou pra mim assim que viu você discutindo com sua linda namorada.

-Ela não é minha namorada, nós terminamos –Shun lentamente estava dando a volta pela sala e Gigas o seguia.

-É uma pena ela é muito bonita.

-Como soube que estávamos saindo?

-Eu seguia você o tempo todo. Queria te machucar até pensei em ferir ela, mas quando ia fazer isso vocês se separaram. –Shun abaixou o olhar –Hooouuu você fez isso de propósito.

-Nunca permitiria que você a machucasse.

-Você me surpreende.

-Por que o Saga tinha que morrer?

-Isso não teve nada a ver comigo eu queria ele vivo para te dar dicas. Por isso eu o deixei escondido no dia da reunião com o Radamanthys e Aiacos para que ele pudesse ouvir tudo. Contei todo o meu plano pra ele também queria alguém para te atormentar enquanto eu não estivesse por perto.

-O homem morreu por sua causa.

-Eu não atirei nele.

-Assim como eu não matei sua filha. –Shun já tinha dado a volta pela sala, assim ele estava de costas para a porta e Gigas de costas para a cozinha.

-NÃO OUSE NEGAR! –Gigas começou a chorar –Minha filha era a coisa mais preciosa que eu tinha e você, o grande Doutor Shun Amamiya, não a salvou.

-Isso não faz de mim um assassino! O meu trabalho é salvar vidas, como medico eu sei muito bem disso, mas também sei que as vezes não posso fazer nada.

-Ela só tinha dezesseis anos e você a deixou morrer.

Gigas mirava para o peito de Shun, sua mão já não segurava a arma com tanta firmeza como antes.

-Eu me lembro muito bem daquele dia, ela chegou com traumatismo craniano, vários hematomas e perfurações no peito se eu fosse Deus poderia tê-la salvado, mas sou só um homem!

-CALA A BOCA!

-Eu também lembro que na ficha dela estava escrito a causa do acidente: um homem embriagado dirigindo o carro bate com ele em frente ao caminhão, o homem só sai com algumas fraturas, mas a garota não tem tanta sorte.

-EU JÁ MANDEI CALA A BOCA!

-O único dirigindo aquele carro foi o culpado...

-QUIETO!

-Foi você! Você estava bêbado e resolveu sair aquela noite com sua filha, eu vi como você estava embriagado quando chegou ao hospital. Não coloque a culpa em mim –Shun apontou –O culpado é VOCÊ!

-CHEGA! –Gigas estava chorando.

-Não tem coragem de admitir mais é essa a verdade, tentou vir atrás de mim para achar um bode expiatório, machucou minha família para tentar aliviar a sensação de culpa que você sente. –Shun sussurrou- Mas o único responsável é você.

Gigas fitou Shun, era como se estivesse sem vida nenhuma, ele parecia uma boneca. Havia perdido a alma. Shun tentou se aproximar.

-Ainda pode voltar atrás, me entregue a arma. Eu vou procurar ajuda pra você.

Gigas expressou sentimento no olhar e era de ódio.

-EU NUNCA VOU PERDOAR VOCÊ!

E um tiro foi disparado.