Os dois chegaram até o local do festival e logo Sanji arrastou o amigo pelo braço até um local mais reservado. Aquilo irritava Zoro às vezes, era como se o loiro achasse que ele não tinha condições nem de ir até a esquina sozinho. Por outro lado, até que não era ruim ser guiado de vez em quando… Sanji caminhava por entre as árvores à sua frente, vez ou outra olhando para trás e sorrindo para ele. Zoro queria amaldiçoá-lo por ser tão bonito, chegava a ser ridículo.
Se dirigiram até o melhor lugar, segundo Sanji, e encostaram numa árvore de tronco mais espesso, aguardando calmamente a queima de fogos que deveria acontecer dentro de alguns instantes.
Sanji passara meses pesquisando sobre a melhor localização para se ver os fogos naquele dia e após muitos testes, finalmente achara o que tinha a melhor visão. Mais incrível era que aquele lugar era bem reservado também, então seria bem difícil alguém passar por ali para atrapalhar aquele encontro. Não é como se estivesse com vergonha de ficar em público com Zoro, depois do baile com certeza não era aquele motivo, apenas sabia que o moreno gostava de privacidade e silêncio, então faria de tudo para tornar aquela noite perfeita.
Ainda se sentia estranho em ser tão exageradamente carinhoso e amoroso com Zoro, levando em consideração o começo meio conturbado que tiveram, nunca imaginaria que se tornariam amigos tão próximos... Talvez até mais do que apenas amigos. Não que tivessem parado de brigar e discutir por absolutamente nada e tudo, muito pelo contrário, parecia que quanto mais próximos ficavam, mais brigavam como duas crianças de dez anos.
Zoro viu o loiro se desfazer de outra bituca de cigarro em seu cinzeiro portátil, já que estavam no meio da floresta. Ele havia tirado outro do maço, á estava no seu terceiro cigarro da noite, e Zoro interrompeu seu movimento de colocá-lo na boca para roubar o cigarro e colocar nos próprios lábios, esperando Sanji acendê-lo. Sanji levantou a sobrancelha visível para aquela ação enquanto Zoro apenas o encarava em tom de desafio.
O cozinheiro amava fumar, desde muito cedo havia adquirido aquele detestável vício e acabado completamente com sua saúde. E justamente por saber disso que jamais deixaria o moreno fazer o mesmo. Depois de provar uma única vez não havia mais volta. Nem por uma brincadeira permitiria o outro a fumar, então quando ele roubou o cigarro de sua boca, Sanji imediatamente o tomou de volta ao invés de acendê-lo, substituindo-o por seus lábios.
Ele juntou a boca a de Zoro, pressionando-a contra ele e empurrando-o mais na árvore. Quis muito prolongar aquele ato, beijá-lo por várias horas seguidas, devorar sua boca, porém, logo se afastou e sorriu inocente, tentando transmitir que realmente era aquilo, não que qualquer pessoa acreditasse. Para se conter, colocou o cigarro de volta nos lábios e o acendeu com o isqueiro, tragando como se aquilo fosse a melhor coisa do mundo.
— Não vou deixar você estragar sua saúde como eu fiz, seu idiota. — Sanji disse mais sério que o normal, mas finalizou a frase já sorrindo gracioso. — Já basta beber sake como se fosse água.
Zoro não iria mentir, havia ficado um pouco chateado porque genuinamente queria provar daquele vício de que o outro tanto gostava, só para ver como era. Na verdade, até o cheiro e o gosto do cigarro agora o agradavam, já sendo associado como o cheiro e o gosto de Sanji na mente dele. Mas receber aquela preocupação não era de todo mal… Mesmo que fosse completamente absurda e descabida. Não era fraco para se viciar tão fácil e também não exagerava tanto no sakê assim...
O loiro se encostou na árvore bem coladinho com o marimo, tocando seus braços e as mãos estavam próximas o suficiente para se esbarrarem a qualquer movimento. Olhou para o céu, como se já estivesse tendo a queima de fogos, mesmo que ainda não tivesse começado, parecendo até estar envergonhado com a situação.
— Sabe, eu escolhi essa data porque falta 127 dias para seu aniversário, então é a metade dos nossos aniversários. Você não liga muito para essas coisas, mas eu sou grato por ter te conhecido nesse dia, minha vida mudou por completo. — Ele estava vermelho, muito vermelho. Agradecia a pouca luminosidade no local porque não ficava tão descarado em seu rosto que estava envergonhado, o que não mudava o fato de que estava queimando.
O cozinheiro estava bastante falante essa noite, e ainda por cima com uma predileção por falar coisas extremamente vergonhosas. Estava escuro e Zoro não conseguia ver o loiro direito, mas pôs as mãos no rosto do outro para confirmar o que já sabia, as bochechas dele estavam fervendo debaixo de suas palmas. Zoro então puxou o rosto de Sanji abruptamente e o encostou em seu peitoral. Isso só era possível porque o loiro estava mais inclinado que ele na árvore, já que tinham alturas muito parecidas.
— Você é o idiota mais imbecil que existe nesse mundo. — O que deveria ser equivalente a algumas palavras bonitas na linguagem das algas. — Mas… Eu realmente gosto de lembrar daquele dia.
Admitiu relutante, embora isso fosse óbvio para qualquer um que olhasse para os dois por um segundo. Por mais que antes ele tivesse seu grupo de amigos, nada se comparava. Sua vida realmente era completamente diferente com Sanji. Se manteve abraçado ao cozinheiro tempo o suficiente para ter ficado estranho, mas surpreendentemente não era o caso. Sentia que poderia passar a noite naquela posição.
Aquela declaração de amor marimística fazia os olhos do loiro brilhar em um azul intenso e ele realmente agradeceu que o outro não estava vendo seu rosto naquele momento porque seria muito vergonhoso. Sabia que Zoro estava tão envergonhado quanto ele também, por isso forçava com tanta vontade seu rosto contra aquele peitoral, o que obviamente estava longe de ser uma boa ideia, Sanji era muito pervertido para não se excitar com qualquer toque do outro, mas quando o assunto era o peitoral forte que era um de seus maiores fracos, a situação piorava ainda mais.
Teve que engolir a seco e pensar em coisas que não o excitavam, porque senão uma ereção nasceria e seria facilmente marcada pelo kimono que estava justo em sua bela silhueta. Ótima ideia não usar uma cueca por estar ficando com uma aparência desagradável naquele tecido. Era bem difícil se controlar perto de um homem tão irresistível, ou talvez fosse ele que era muito pervertido mesmo.
Zoro escutou barulho dos primeiros fogos sendo estourados e pensou que não seria tão ruim assim perder aquela vista se fosse para ficar mais alguns minutos abraçado ao loiro. Porém, voltou a si rapidamente, sabendo do esforço que o loiro havia colocado naquele encontro e do quanto ele planejou tudo aquilo. Zoro então soltou o amigo e olhou para cima, voltando para a posição original em que estavam e não ousando olhar para o outro rapaz.
Os fogos eram bonitos e Sanji definitivamente havia feito um trabalho impecável ao escolher o local para vê-los. Se mantiveram um tempo em silêncio, apenas escutando os pontos de luz explodirem no céu e suas mãos novamente estavam quase se encostando no tronco da árvore. Zoro moveu o mais sutilmente que conseguia seus dedos grossos em direção à mão do outro e a alcançou, apertando com mais firmeza do que pretendia. Talvez nunca pudesse ser tão delicado quanto Sanji merecia, mas tudo bem, ele sabia que o loiro não esperava isso dele. A única coisa que importava é que estavam ali juntos e ele não poderia estar mais satisfeito. Bom, para ficar melhor só bastava uma garrafa de sake, mas assim já era o suficiente.
Por mais confortável que fosse ficar coladinho a Zoro, seria mais fácil para Sanji se conter caso estivesse com o rosto em seu ombro ou costas, mas nos peitos... Céus. Sanji agradeceu muito quando os fogos começaram e fora solto, infelizmente o que temia já havia acontecido e existia um volume bem aparente no kimono azul. Felizmente, para sua salvação, Zoro estava muito distraído olhando o espetáculo que não estava dando muita atenção para sua pessoa. Os olhos verdes brilhavam encantados com o belo show e o coração do pobre e inocente loiro com uma ereção aparente parecia que ia explodir junto aos fogos de tão rápido que batia.
Sanji realmente tentou prestar atenção aos fogos, no entanto não havia conseguido olhar para um sequer, a visão do moreno apreciando tudo aquilo o encantava muito para tirar os olhos dele. Ao notar a mão tocando a sua, ele a recebeu com gosto e a apertou, entrelaçando os dedos como um casal extremamente idiota e apaixonado. Sorriu largo e extremamente bobo, agradecendo por estarem partilhando aquele momento juntos.
— Casa comigo. — Ele falou em um momento que o barulho estava tão alto que nenhuma pessoa conseguiria escutar. Arregalou os olhos ao se dar conta do que acabava de sair de sua boca, achando-se completamente idiota e tosco por aquele pedido. Era muito cedo para se casarem, nem mesmo estavam namorando... Ou estavam? Nem mesmo sabia direito. — Ah, não, digo...
Ele tentou se corrigir, mas o olhar do outro em si o fez se calar. Qualquer coisa que falasse deixaria ainda mais óbvio que havia pedido o marimo em casamento. Estava mais vermelho que um tomate e só desejava enfiar seu rosto quente no primeiro buraco que encontrasse. Só rezava para que Zoro não tivesse escutado aquela idiotice…
Zoro estava mais entretido em observar os fogos do que imaginara que estaria. Geralmente quando ia nesse tipo de evento estava mais preocupado em beber e voltar logo para casa, o que fazia sua irmã brigar com ele toda vez, mas observar atentamente estava se demonstrando ser bom também. Já havia assistido quase a queima toda e nem parecia que já estava acabando de tão rápido que havia passado, o que provavelmente tinha algo a ver com a mão quente entrelaçada na sua. Talvez se Kuina estivesse ali esse ano ele não levaria uma bronca… Mas só talvez.
Ele sentiu o olhar de Sanji em si e o ouviu murmurar algo incompreensível e logo virou para encará-lo. O cozinheiro definitivamente era maluco… Havia insistido para irem nesse festival, escolhido cuidadosamente o melhor lugar para assistirem à queima de fogos e quando chegava a hora ficava o encarando sem olhar para o céu. Era algum tipo de retardado?
— Não dá para ouvir! — Ele falou gesticulando com a mão até a orelha para indicar o que queria dizer, enquanto o cozinheiro apenas continuava o olhando de forma esquisita. Seus olhos se enchiam de luz a cada vez que o céu se iluminava e seus cabelos dourados refletiam o brilho dos fogos reluzentes. Ele estava vermelho, muito mais vermelho do que deveria estar se fosse apenas em razão da iluminação, e tão lindo que Zoro parou de respirar por um momento. Coincidentemente, os fogos cessaram logo depois, deixando mais uma vez a floresta tranquila e em silêncio, a não ser pelo balançar das árvores ao vento, o canto das cigarras e os barulhos da concentração do festival um pouco ao longe. Em meio a esses diminutos ruídos, apenas se ouvia o som de suas respirações pesadas e dos corações acelerados.
Sanji estava nervoso. Como pôde falar aquelas palavras em voz alta sem nem ter uma real relação estabelecida com o marimo? Não que dizer em voz alta ou pedir fosse necessário, óbvio que não, desde que começou a ficar com o moreno, na verdade desde a primeira vez em que se tocaram no banheiro da escola, o cozinheiro nem mesmo cogitou a possibilidade de ficar com outra pessoa. Eles nunca precisariam daquele rótulo e sabia que Zoro também não ficaria com mais ninguém além dele, fosse desde que começaram a se relacionar, antes ou depois disso.
Isso deixava Sanji feliz. Com o tempo descobriu que não era como imaginava, Zoro gostava de homens, mas não por serem homens, apenas porque Sanji era um. O loiro não tinha conhecimento o suficiente para dizer aquilo, nem mesmo a confiança necessária, mas no fundo ele sabia que Zoro não gostava de ninguém além dele e pensar nisso o tornava o homem mais feliz do universo e desejava retribuir de todas as formas tudo que o moreno fizera por si.
— Namora comigo. — Finalmente teve coragem para fazer o pedido, após o barulho cessar e só restar os ruídos do ambiente. Uma parte sua estava completamente insegura, mesmo ele sabendo que não seria rejeitado. Não quando estavam corados de frente para o outro, não quando ainda estavam com os dedos entrelaçados como o casal mais ridículo e apaixonado que existia. Seu coração estava batendo a mil por segundo e isso nem era possível e a mão que segurava a do outro tremia como se estivesse o maior frio existente. Insegurança não deveria fazer parte de sua pessoa, e com certeza não faria, se não tivesse a infância fodida por seus irmãos gêmeos e um pai desgraçado.
Ele queria fugir, sumir da vida do outro e nunca mais aparecer, fingir que não tinha feito aquele pedido insano e fingir que não seria rejeitado, afinal, que tipo de idiota ia querer namorar com um perdedor como ele? Seus relacionamentos com mulheres mal duravam um dia, quem dirá anos. Zoro não era uma mulher e havia dito que o amava, não é? Talvez ele não o rejeitasse... Sua insegurança o fez morder o lábio inferior até que começasse a sangrar, e a mão forte apertava a do outro inconscientemente, podendo até quebrá-la se usasse um pouco mais de força. Era para ser o momento mais feliz da sua vida e só conseguia ser atormentado pelos seus traumas passados.
