"Se um dia tiver que escolher entre o mundo e o amor lembre-se: se escolher o mundo ficará sem o amor, mas se escolher o amor, com ele você conquistará o mundo".
Albert Einstein
Capítulo 18 – Perseguição.
Minha noite foi péssima. Tive um sonho horrível com a minha mãe. Sonhei com o acidente dela, o que me fez acordar com calafrios e dor de cabeça. Antes do acidente de carro acontecer, ela estava feliz e acenava para mim com um brilho para intenso que o próprio sol. Lembro que senti meus olhos queimarem com tamanha claridade. Ela segurava duas passagens de avião em mãos e estendi as mesmas em minha direção antes de entrar no carro e sumir no meio de tantos outros. Antes do meu sonho me projetar para o acidente dela, consegui ver o destino das passagens – Holanda. E ai meu corpo foi até o lugar onde o carro dela estava capotado e um rio de sangue escorria pela lateral da porta do motorista, quando olhei para dentro do carro me deparei com os seus belos olhos verdes opacos, sem vida. Eu acordei assustada às três da manhã e não consegui mais dormir. Isso me rendeu uma bela olheira, mas quem se importa?
De manhã, Temari e eu estivemos sozinhas no escritório e posso dizer que aquele lugar estava uma paz. Contudo, isso mudou logo depois do almoço, pois Sasuke tinha uma reunião co a equipe de advogados e logo todos ficariam agitados e correndo de um lado para o outro. Nada que não fosse normal. Ok, talvez tivesse apenas uma coisa fora do normal: Sasuke chegou e estava sorridente, não que isso fosse ruim, mas o que aconteceu depois foi estranho. Estranhamente adorável.
— Boa tarde — entrou assoviando, repito, assoviando.
— Boa tarde — respondi com os olhos vidrados no computador, ele havia passado por mim e então voltou e ficou me olhando sem dizer nada.
— O que foi? — perguntei.
— Tudo certo para a reunião?
— Sim, já está te esperando lá na sala de reunião. — ao em vez dele ir, ele continuou lá, parado, me olhando.
— Quer alguma coisa, Sasuke? — disse impaciente, a noite passada realmente azedou o meu humor.
— Está tudo bem?
— Não, meu chefe não me deixa trabalhar. — ele sorriu.
— Algo mais a incomoda? — ele estava sendo gentil, não havia motivos para eu descontar as minhas frustrações nele.
— Não. — suspirei — só estou tendo um dia ruim. — fiz um coque no meu cabelo e ele acompanhou cada movimento meu.
— O que posso fazer para ele melhorar?
— Você? Além de entrar naquela sala e acalma aqueles advogados agitados? — o encarei — Nada.
— Tem certeza?
— Tenho — sorri, ele estava sendo cuidados, estava me dando atenção e naquele momento eu me senti feliz. — Acho que as únicas coisas capazes de melhorar o meu dia, seriam: minha pantufa, meu edredom e um pote de sorvete de morango. — e você do meu lado me abraçando e me beijando, eu acrescentei mentalmente.
— Nesse caso, eu não posso ajudar mesmo. Mas se você quiser ir para casa, tá liberada. Hoje nossa agenda está bem tranquila.
— Não. Se eu for é capaz de ficar pensando e tudo o que eu não quero agora é pensar. Vou ficar, obrigada.
— Disponha — ele sorriu. Me olhou por mais um momento e foi para a sala de reuniões. Antes de entrar me olhou novamente e balançou a cabeça para mim.
Ok, pode não ter sido nada. Porém, meu coração idiota e estúpido não encarava aquilo como nada. Eu me apegava a cada momento que tinha com Sasuke, por mínima que seja. Eram as únicas coisas que eu tinha dele. E, sinceramente, provavelmente eram as únicas que eu teria. Graças a Sasuke meu dia melhorou um pouco, mas aquele sonho idiota permanecia na minha cabeça.
Ino e Naruto saíram juntos do escritório, ninguém além de mim viu os dois entrando no elevador e quando as portas estavam se fechando, pude ver os dedos de Naruto roçando os de Ino. Desviei o olhar e um sorriso tímido brotou em meus lábios. Estava feliz pela minha amiga, ela merecia ser feliz. Ficou claro que Naruto queria recompensá-la pelo furo de ontem. Na verdade a mãe dele passou mal, teve uma queda de pressão e ele ficou com ela. Compreensível e perdoável.
Comecei a arrumar as minhas coisas, o escritório estava quase vazio, tirando o fato de Sasuke continuar em sua sala com alguns advogados remanescentes. Depois do sonho da noite anterior tudo o que eu queria era poder deitar na cama e descansar sem o risco de ter pesadelos novamente. Assim que saí do escritório fui em direção ao meu carro no estacionamento do prédio. Coloquei minha bolsa no banco do carona e afivelei bem o cinto de segurança. Dei ré, sai da vaga e coloquei a seta para sair do estacionamento. Liguei o som e descobri que não tinha tirado o CD do Linkin Park desde a última vez que andei no meu bebê.
Começou a tocar crawling, a música serviu para me distrair e me fazer cantar junto com o vocalista. O som estava tão alto que não me dei conta quando um carro preto passou pelo meu lado direito buzinando, simplesmente continuei lá cantando como se fosse uma eximia cantora. Virei na primeira esquina depois do sinal e assim que o fiz, o carro preto tornou a passar por mim, só que dessa vez eu percebi. Desliguei o som e comecei a olhar pelo retrovisor, já que o mesmo diminuiu a fim de ficar atrás de mim.
— Mas que porra. — falei conforme colocava a seta para virar a esquerda.
O carro continuou me seguindo e aquilo fez meu coração disparar. Passei pelo meu apartamento e continuei andando. Não sabia quem era e não ia deixar ele ter noção de eu onde eu morava, vai que era Kakashi me perseguindo. Resolvi voltar para o trabalho, lá eu poderia pegar um táxi ou quem sabe se Sasuke estivesse no prédio ele não me desse uma corona para casa?
Acelerei o máximo que era permitido e comecei a cortar os carros e a porra do outro carro continuava a me seguir. No mesmo instante lembrei do sonho que tive com a minha mãe. Um calafrio me acometeu e eu pude sentir um gosto amargo na boca. Voltei para avenida paulista e assim que o prédio ficou visível estacionei de qualquer jeito em frente a ele. Olhei para trás e nada do carro, mas não ficaria ali dentro dando bobeira.
Assim que abri a porta olhando para trás para ver se vinha carro, consegui ver ele vindo lá traz. Peguei a bolsa toda atrapalhada e bati a porta com força, nem me liguei em trancar o carro já que não tinha tempo para fazê-lo. Assim que eu subi na calçada o carro passou em alta velocidade ao meu lado cantando pneu. Cai no chão assustada e o manobrista do prédio vizinho veio em minha direção.
— Moça, você está bem? — perguntou me ajudando a ficar de pé.
Não sabia o que responder. Sentia meu corpo tremer e uma vontade absurda de chorar. Fiquei de pé com ajuda dele e acenei com a cabeça mostrando que estava bem. Acho que não o convenci, pois ele me guiou para dentro do prédio e falou com o porteiro, seu Jorge.
— Senhorita Haruno, eu vi o que aconteceu. — ele me colocou sentada e foi pegar um copo de água para mim. Fiquei ali olhando para o nada tentando absorver o que tinha acabado de acontecer. Que merda foi aquela? Alguém estava querendo me matar? Será que Kakashi seria capaz de fazer algo assim? — Aqui está. — ele me entregou o copo e eu o agradeci com um breve aceno.
— Vou chamar o Dr. Uchiha, ele ainda não deixou o prédio. — Seu Jorge correu para o elevador assim que o seu amigo, o vizinho do prédio ao lado, prometeu ficar comigo.
Esfreguei uma mão na outra, estava tão nervosa que meu corpo não parava de tremer mesmo estando um calor infernal em São Paulo. O senhor do outro prédio falava comigo, tentando entender o que tinha acontecido e eu não conseguia falar, responder uma mísera pergunta dele. Notei que ele começou a falar com outra pessoa, mas eu não conseguia nem ao menos olhar para o lado, meu corpo estava dura, gelado e tremia sem parar. Minha cabeça estava uma confusão só e a única coisa que não saía da minha cabeça era a porra do carro preto, carro esse que eu não consegui distinguir qual era a marca ou a sua placa.
Será que foi dessa forma que minha mãe se sentiu quando sofreu aquele acidente que lhe custou a vida? Foi dessa forma que ela se sentiu? Não aguentei mais segurar o choro e me permitir colocar o que estava sentindo para fora através das lágrimas. Senti uma mão em meu ombro e um calor se apoderou de mim. Percebi que Sasuke havia colocado o terno dele sobre os meus ombros para me aquecer. Ele se ajoelhou, para que pudesse ficar no mesmo nível dos meus olhos, secou minhas lágrimas e eu não consegui me controlar. Me joguei nos braços dele afundando minha cabeça na curvatura de seu pescoço. O que eu mais queria era sentir o calor dele o cheiro de lavanda que vinha se suas roupas.
Suas mãos acariciavam o meu cabelo com carinho ele me ajudou a ficar em pé e me guiou em silêncio até o carro dele estacionado atrás do meu. Me colocou sentada no banco do carona e jogou a minha chave na direção de Seu Jorge, falou algumas coisas para ele que assentiu e correu para dentro do prédio. Colocou o cinto de segurando em mim e foi até o seu lado abrindo a porta e sentando-se em seguida. Pegou um lenço de seda do bolso da calça e me entregou.
— Obrigada — agradeci conforme secava as minhas lágrimas.
Ele não disse nada apenas dirigiu em silêncio até chegar em frente ao meu apartamento. Notei que seus dedos estavam brancos de tanta força que fazia ao segurar o volante. Ele suspirou alto o suficiente para eu entender que estava com raiva.
— Me desculpe — falou sem me olhar.
— A culpa não foi sua — falei entre uma fungada e outra.
— Eu me sinto impotente quando essas coisas acontecem com você — dessa vez ele me encarou e eu notei um certo brilho em seu olhar. Algo diferente, era raiva? — Primeiro foi com seu ex e agora isso.
— A culpa não é sua.
— Eu sei, mas eu sinto que devo me desculpar — disse Sasuke.
— Pelo quê?
— Você estava estranha hoje no escritório, fiquei preocupado com você. Então tomei a liberdade de chamar Ino no fim do expediente e perguntar o que tinha acontecido. Desculpa se fui intrometido e se invadi a sua privacidade. Eu só queria saber o que tinha acontecido e em como eu poderia ajudar, pensei que liberar você mais cedo fosse te ajudar. Se eu soubesse que isso aconteceria, eu mesmo teria oferecido te levar para casa. Você me perdoa?
— Depois de tudo o que fez por mim hoje, não tenho que te perdoar por nada. Na verdade eu é que tenho que pedir desculpas. Você vive me ajudando, me salvando nos momentos em que eu mais preciso. Me sinto apavorada pelo que aconteceu, mas estando com você é como se tudo sumisse. Todos os meus problemas e preocupações. Você fez muito mais por mim do que minha própria família. Tenho uma dívida eterna com você.
— Está machucada?
— Não. Só assustada. Eu queria te pedir desculpa pelas lágrimas, não queria molhar a sua camisa.
— São apenas lágrimas, não vão manchar a minha camisa. Eu não suporto vê-la chorar. — ele se aproximou e tocou o meu rosto com as pontas de seus dedos. Senti meu corpo tremer ao toque dele.
— Posso te fazer uma pergunta? — não sabia de onde vinha a coragem, mas precisava aproveitar a oportunidade.
— O que quiser.
— Você disse que se apaixonou duas vezes — ele assentiu confirmando — e que só viveu uma das paixões — ele concordou novamente — eu quero saber o por quê! — antes mesmo dele começar a responder, eu completei — e não venha com esse papo de lobo mal, não acredito em contos de fadas, eu quero um motivo real dessa vez. — ele sorriu, e demorou uma eternidade para me responder.
— Porque… — ele umedeceu os lábios e se aproximou de mim, colocou as mãos que estavam geladas em meu rosto, e eu pude sentir o seu hálito — É complicado — e então ele me beijou.
