Disclaimer: Todos os personagens pertencem a JK Rowling, com exceção de Caroline Tonks, Hollie Carter, Susan Jones, Julia Simmons e Nicole Green, que pertencem a everard21. Esta fanfic é uma tradução autorizada de "Hasta el destino necesita ayuda" postada em 2014 no Potterfics por everard21.
Capítulo 20 - O Desafio de Remus.
Não podia ser possível o que estava acontecendo, não podia ser aquela pessoa, mas essa voz... Lentamente o castanho virou-se e a viu. Depois de tantos anos, aquele cabelo castanho escuro, os olhos negros e lábios vermelhos, alta e magra, não tinha mudado muito desde a última vez que se viram, embora isso tenha sido quando assinaram o divórcio. Diante deles, Nicole Green, a mulher que o traiu.
Os outros dois homens estavam em estado de choque, James não sabia como reagir, aquela mulher era uma possível cliente, mas mais do que isso era a maldita que quebrou o coração de um dos seus melhores amigos, e Sirius por sua parte debatia entre atacá-la ou ficar sentado. De uma hora para a outra, o moreno levantou-se de uma vez. Remus e James adivinharam o que aconteceria e aproximaram-se dele ao mesmo tempo.
Com um pouco de dificuldade, tiraram-no da sala e com um "voltamos logo" por parte de Potter, foram a uma sala próxima que tinha sido feita a prova de som justamente para momentos em que James e Sirius ficassem impulsivos e começassem a gritar o primeiro que lhes viesse à cabeça, nunca era conveniente que escutassem os seus gritos. Assim que a porta fechou-se, tudo explodiu.
— Essa filha da puta! — gritou Sirius com todas as suas forças — Só me deixe pegar naquele pescoço e... — demonstrou com as mãos como ia torcê-lo.
— Calma, Almofadinhas, respira — lhe disse James, tentando acalmá-lo, apesar de que não se incomodaria se ele cumprisse com o prometido.
— Não dá! Essa desgraça merece — retrucou.
— Mas não pode — assegurou o moreno — Você vai preso.
— Então a despachamos, quando sair da construtora nós vamos segui-la, e sem tem carro vamos garantir que exploda com ela dentro.
— Mas Sirius...
— Vamos fazer parecer um acidente — explicou.
— Comporte-se, Almofadinhas! Vamos falar sério — exigiu o moreno — Remus, como você está?
O castanho não tinha pronunciado nenhuma palavra, estava imerso em seus pensamentos. Por que justamente naquele momento de sua vida tinha que dar de cara com aquela parte de seu passado? Um passado que lhe causou tanta dor, que o fez cair em depressão por vários meses, não era possível.
— Remus, a empresa está indo bem, não precisamos desse maldito projeto, podemos expulsá-la a patadas se quiser — garantiu James, preocupado por seu amigo.
Sentia-se em uma encruzilhada, de um lado tinha o seu trabalho e do outro os seus sentimentos. Começou a esfregar as mãos automaticamente e foi quando sentiu, aquela aliança que Dora pôs em seu dedo no dia de seu casamento. Fechou os olhos, passando o dedo pelo anel e pensando em milhares de coisas ao mesmo tempo, enquanto seus amigos os seus amigos olhavam curiosos. Não sabiam exatamente o que se passava pela sua cabeça, mas dentro deles já sabiam a resposta que ia dar.
— Não precisa, James — disse, depois de alguns minutos de silêncio — Eu agradeço pelo apoio, mas seria muito bom para a empresa e temos que fazer.
— Mas, companheiro...
— Não, Sirius — o interrompeu — Não posso deixar esse ciclo aberto, e nós nunca fomos covardes, podemos fazer isso — garantiu com um sorriso.
— Tem certeza disso, amigo? — perguntou James.
— Sim, vamos logo com isso — disse decidido enquanto esfregava sua aliança, há alguns segundos se perguntava porque ela tinha que chegar naquele momento tão feliz para ele, mas agora agradecia que fosse assim, pois sabia que mais do que nunca tinha forças para enfrentar aquela situação.
— Sempre temos a opção do acidente automobilístico — lembrou o de olhos cinzentos.
— Obrigado, Sirius — não pôde evitar sorrir, e os três saíram.
Quando voltaram para a outra sala, viram que a mulher já tinha pegado uma cadeira na mesa onde estavam, ela os olhou encantadora, mas nenhum deles caiu nesse truque. Rodearam a mesa para ficar à frente dela enquanto James e Sirius aproximavam as suas cadeiras da de seu amigo muito "discretamente", tanto que o castanho precisou afastá-los um pouco para poder respirar.
— Então, já pensou nas nossas propostas? — começou James com um tom solene.
— Direto ao ponto? — perguntou Nicole.
— Não gostamos de desperdiçar o nosso tempo com certas pessoas — disparou Sirius.
— Entendo.
— Que bom — voltou a dizer o moreno.
— Bom, pensei nas propostas que Remus desenhou para meu edifício — pôs especial doçura ao dizer seu nome.
— Claro, depois do desmoronamento — interrompeu Sirius — O que mais se poderia esperar?
— Bom — ela continuou, ignorando seus comentários — Queria falar sobre eles, na verdade não acho que a demolição seja necessária.
— A estrutura é muito frágil — começou Remus com total seriedade — Não me refiro apenas ao piso e paredes que desgastaram com o tempo e os meses de abandono, as vigas, pilares de sustentação, tudo o que mantém o edifício em pé não suportaria um trabalho assim. E mesmo que pudéssemos tomar as precauções necessárias, a infraestrutura com o tempo não suportaria reformas, em um ou dois anos apareceriam rachaduras e rupturas graves, isso no melhor dos casos, no pior poderia desmoronar tudo — garantiu — Então é melhor se convencer de que esse seu "capricho" é insustentável — terminou com a voz mais fria e insensível que tinha.
— E como aconteceu da última vez, duvido que uma construtora decente vai se atrever a obedecê-la — acrescentou James no final — Então vai perder muito mais do que pensa.
— Bom, nesse caso — começou a falar, embora fosse claro que sentia-se irritada porque não podia fazer as coisas como queria — Acho que o melhor é conversar sobre as opções, talvez Remus e eu pudéssemos ir para algum lugar para...
— Temos tempo livre, então por que não aproveitamos que os importantes da construtora estamos aqui reunidos para discutir tudo juntos? — Sirius interrompeu.
Não tinham combinado nada, mas fariam o possível para não deixar aquela desgraçada sozinha com seu amigo, não é como se Remus não pudesse enfrentá-la sozinho, mas ainda assim não queria deixá-lo sem apoio. Durante quase duas horas estiveram conversando a respeito.
Já era final do expediente e não conseguiram concordar em nada com Nicole, o que significava que voltaria em algum momento, e não gostavam nada da ideia. Quando foi a hora, Sirius conseguiu levar seus amigos para beber um pouco no bar.
— Maldita cadela sem vergonha — exclamou o moreno depois do segundo copo de whiskey — Ainda temos tempo de sabotar o carro.
— Calma, irmão — disse James, terminando também o seu segundo copo — Mas tem uma coisa que não ficou clara.
— O quê?
— Por que foi para a construtora — esclareceu Remus — Ela sabia que estaríamos ali, fato.
— Boa pergunta — comentou Sirius —, mas sei um jeito de descobrir — disse com um brilho um pouco malicioso no olhar — e não me importa o que digam, eu vou fazer — acrescentou ao ver que os dois queriam discutir.
— Não se meta em problemas, certo?
— E o que vai dizer a Lily? — Lupin dirigiu-se ao outro amigo.
— Lily?
— Não é um mistério que conta tudo para ela — disse — Eu só quero saber o que pensa em dizer, porque dependendo ela vai atrás para arrancá-la os olhos.
— E o que vai dizer a Nymphadora? — perguntou Sirius na mesma hora.
— As duas têm um temperamento forte — refletiu James — Eu pelo menos sei que a Lily não vai parar até quebrar a cara dela, quase fez há alguns anos, mas não acho que Dora chegue a esses extremos.
— Não, não chegaria — tomou um pouco de seu whiskey — A menos, é claro, que a conheça, nesse caso não posso garantir que aquela lá saia com vida — garantiu depois de pensar um pouco, lembrava-se de como sua esposa tinha reagido com sua secretária, sem dúvidas Dora não reagiria bem se esbarrasse em Nicole.
— É por isso que eu não me caso — comentou Sirius —, mas ainda precisamos resolver isso. O que vão dizer a elas?
— Também poderíamos enviar Almofadinhas para falar com elas — propôs James — Quero dizer, é melhor descontarem nele do que em nós.
— Ei, calma, Pontas! — exclamou o homem — Melhor pedirmos outra rodada e aí decidimos... Por que não está tomando, Remus? Não terminou nem o primeiro copo.
— Sabe que eu não bebo como vocês, e daqui a pouco preciso buscar Dora, ela levou alguns quadros para a Burbage e precisa de ajuda para levá-las para casa.
— É verdade, não quero que dirigia bêbado com minha sobrinha do seu lado — disse o seu amigo —, mas uma coisa garanto, Remus, vai ser apenas um consultor nesse projeto.
— Quê? — perguntou estranhado o de olhos cor de mel.
— Não quero que desenhe o edifício dessa piranha, vamos deixar isso nas mãos de outro dos nossos arquitetos.
— É verdade, não teve nada de você no seu passado, e vai continuar assim — afirmou Sirius.
Como seria inútil discutir com eles, e não tinha a mínima intenção disso, aceitou sem problemas ser apenas um consultor.
Depois de mais alguns goles e de acalmar seus nervos, e depois de fazer seu amigo que não cometeria uma de suas loucuras Black, que foi ao seu apartamento fazer suas coisas, James dirigiu até sua casa pensando em como dar a notícia para sua mulher, e Remus foi buscar sua esposa.
Tinha sido um bom dia para a jovem. Pela manhã esteve com Hollie vendo algumas coisas que fazia com o dinheiro de sua herança e os diferentes negócios que administrava, já pensava que pouco mais de um ano tudo o que administrava seria seu, e não queria que a castanha se encarregasse de tudo sozinha, mas o fato era que não tinha muita coisa que pudesse fazer para ajudar, então em vez de falar de assuntos chatos, foram dar uma volta.
Depois foi como de costume às aulas de Charity, antes Remus e ela tinham levado vários quadros que esteve trabalhando durante as férias para que a mulher pudesse avaliar, para sua surpresa não foi a única aluna que esteve ocupada durante aquele período, outros quatro também se dedicaram inteiramente à arte e levaram algumas obras para sua professora.
A aula tinha terminado e agora ela esperava com suas coisas que seu marido chegasse e pudesse buscar as suas pinturas, Charity tinha gostado muito delas, ainda mais do que as que já tinha entregado antes, e como o avanço dos outros estudantes eram favoráveis, propôs algo a eles que os animou profundamente.
Remus chegou alguns minutos mais tarde que o normal, mas ela não importou-se, foi pôr as telas na parte de trás do carro assim que ele estacionou à sua frente. Então sentou-se no banco do carona e deu um beijo na bochecha dele.
— Olá, Dora, pelo visto teve um bom dia — comentou o homem ao vê-la tão sorridente.
— Maravilhoso — ela respondeu enquanto Remus punha o carro em marcha — Foi um grande dia, recebi uma crítica favorável, mas um pouco rígida da minha professora. E sabe o que Charity nos disse?
— Não, não sei. O que disse? — perguntou com um sorriso de lado.
— Bom, como não fui a única trabalhando nas férias, ela esteve avaliando várias obras, quando terminou nos chamou para fazer uma proposta.
— Que tipo de proposta? — ele ficou intrigado.
— Bom, como éramos vários, nos propôs para fazer uma exposição, mas não como avaliação como da última vez, mas uma verdadeira exposição em uma galeria de arte.
— Sério? — impressionou-se — Isso seria muito bom para vocês, poderiam conhecer o lugar e até conseguir vender alguma coisa.
— Sim, eu sei! O meu queixo quase caiu no chão quando nos disse! Claro que antes precisa combinar algumas coisas, e até lá eu deveria terminar dois ou três quadros que tenho em andamento, mas de qualquer forma seria ótima.
— Fico feliz por você, sério — declarou — Se não estivesse dirigindo, te abraçaria.
— Oh obrigada — lhe disse. Depois disso, olhou pela janela e percebeu algo curioso — Remus, esse não é o caminho que costuma levar. Vamos a algum lugar?
— Poderia-se dizer que sim — respondeu — Só pensei que poderíamos comprar algo para jantar, só isso.
— Seu dia não foi tão bom quanto o meu — observou que ele não estava tão animado quanto era normalmente — Geralmente sou eu que peço para comprarmos algo fora. Foi difícil?
— Sim, foi — disse depois de alguns segundos, "difícil mais de uma maneira" pensou.
— Eu sinto muito, e eu aqui falando sobre o quão "maravilhoso" foi meu dia.
— Não se preocupe.
— Quando chegarmos em casa, foi te fazer uma massagem relaxante.
— Você não sabe fazer massagem.
— Não, mas eu posso aprender — ele aproveitou o sinal vermelho para abraçá-la pelos ombros e aproximá-la dele.
— Melhor continuar falando sobre o seu dia, e me contagiar um pouco com a sua alegria — pediu antes de beijar sua testa e voltar a prestar atenção na estrada.
Longe dali, Sirius Black estava chegando no seu apartamento como uma fera, detestava profundamente que tudo aquilo estivesse acontecendo, principalmente porque tanto sua prima quanto seu amigo estavam formando uma boa e feliz vida juntos, e a presença daquela ali só atrapalharia tudo. Tinha que saber mais, pegou seu telefone e discou para um número que nunca pensou que voltaria a discar.
— Sim? — respondeu uma voz de mulher do outro lado.
— Sou eu e não desliga porque eu vou continuar te ligando — disse imediatamente.
— Sirius! Quem pensa que é para ligar para mim? — reclamou.
— É importante, Hollie!
— Duvido.
— É sério, escuta — disse firme — Tivemos uma visita "non grata" na construtora.
— Quem? Jack, o estripador?
— Quase. Nicole Green, a ex mulher do Remus.
— O quê? — o grito foi tão forte que ele teve que afastar o telefone do ouvido — Essa maldita cachorra foi para a construtora?
— Foi.
— E não a matou?
— Não me deixaram.
— E viu se ela tem carro? Podíamos sabotá-lo e fazer parecer que é um acidente.
— Eu propus, mas sabe o quão passivos são James e Remus.
— Diabos! — resmungou a mulher.
— Olha, eu vou te explicar tudo, mas quero pedir uma coisa — ela não respondeu — Há algum tempo me disse de alguém que era bom em achar coisas das pessoas, que era dos melhores.
— Sim, mas o que... Ah! Quer que eu o ponha para investigar essa harpia?
— Sim. Pode fazer?
— Eu o chamo amanhã, mas quero que me conte com os mínimos detalhes o que aconteceu.
O resto da noite, o moreno esteve falando com Hollie, explicando o que aconteceu na construtora, e planejando várias situações para que Nicole fosse conversar pessoalmente com o ceifador. Talvez se tratassem com rancor a maior parte do tempo, mas uma das coisas que pode unir dois inimigos é um oponente em comum.
Assim como propôs Remus, compraram alguma comida para levar para casa. Durante todo o trajeto e o jantar, Tonks esteve falando sobre o que fez no dia e soltando alguma brincadeira. Às vezes podia notá-lo pensativo e até um pouco melancólico, queria perguntar o que tinha acontecido, mas sabia que não receberia uma resposta concreta, não ainda pelo menos.
Quando terminaram de comer, a jovem continuou insistindo na história da massagem, mas ele dizia que não era necessário, no final simplesmente deitaram-se no sofá enquanto conversavam sobre a possível exposição de arte que realizariam. Ele simplesmente não queria pensar no que aconteceu, só queria estar com ela, sentir seu cheiro, a suavidade de seu corpo enquanto a abraçava, era a única coisa que queria, senti-la do seu lado.
A noite chegou e por pouco o sono os prendeu naquele incômodo móvel, com preguiça levantaram-se e foram até seu quarto e, abraçados, conciliaram o sono. Remus não deixava de agradecer por ter aquela maravilhosa mulher ao seu lado durante aquela situação complicada que estaria enfrentando.
