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*Pov. Kagome*
Despertei com algo gelado batendo em minha testa e abri os olhos com certa relutância.
Água?
Ah, certo, eu estava em uma gruta com o...Sesshoumaru!
Mais consciente do que havíamos feito, me levantei rápido para sentar, e assim que o fiz, meu kimono deslizou e me vi nua.
Mas o que?
Cobri os seios com meus braços e olhei a minha volta, logo encontrando o daiyoukai ao meu lado, ainda adormecido.
Ele havia forrado o chão da caverna com seu haori e com mokomoko, depois que estes haviam secado na fogueira, para que pudéssemos dormir sobre eles...mesmo que não tenhamos dormido logo de imediato.
Lembrar disso me fez ficar ruborizada e apertei minhas mãos sobre as bochechas, tentando não pensar em todas as coisas que fizemos aquela noite.
Olhei de soslaio para Sesshoumaru.
Ele estava dormindo tão tranquilo, sua face se encontrava tão pacífica que não pude evitar me demorar em observa-lo.
Antes que eu tivesse consciência, já estava meio que deitada ao lado dele novamente, de bruços, o admirando.
Algumas mechas de seu cabelo lhe caíam sobre os olhos e ele parecia estar realmente a ficar incomodado.
As alcancei, no intuito de retirar dali. No entanto, antes que fizesse o movimento para mover as mechas dos olhos dele, tive minha mão segurada.
Fitei os olhos de Sesshoumaru, que me encarava em dúvida e tive vontade de rir pois parecia emburrado com alguma coisa.
Sesshoumaru faz uma face de birra quando acorda? Agora entendi o que Hayato havia dito!
– Porquê toda vez que estou prestes a te tocar você faz isso?
Indaguei, mas ele havia fechado os olhos.
Sesshoumaru empurrou os fios para cima com a mão, retirando da vista, e consequentemente, deixando a testa a vista.
Droga, ele fica lindo de todo jeito!
– Faço o que? – perguntou, libertando os fios para que caíssem novamente e voltando seu olhar para mim.
– Isto! – mostrei-lhe a mão que o mesmo ainda segurava.
Tentei não rir e me mostrar brava, mas a expressão que ele me expunha estava tão encantadora.
Havia um pouco de cor em suas bochechas, algo bem incomum, e por mais que parecesse irritado, não sentia que estivesse de fato.
Então o lorde também é capaz de corar?
– É a primeira vez que durmo com alguém ao meu lado. E além disso, ainda me é estranho que tentem se aproximar dessa forma...
Disse, soltando meu pulso e desviando o olhar do meu, que o encarava como se fosse a coisa mais estranha do mundo.
– ...porquê me olhas assim, Kagome?
Eram coisas demais para eu digerir.
Primeiro. Ele havia dito com todas as letras que me amava.
Depois repetiu a fala mais algumas vezes enquanto nós...nossa! Ele queria ter certeza que eu entenderia muito bem a mensagem.
E eu entendi! Juro!
Segundo. Acordei primeiro que ele e o mesmo parecia um anjo ao meu lado, ele sempre acordava antes e nunca se deitou ao meu lado para dormir.
Estava começando a achar que era uma habilidade especial de youkais. Dormir sentado!
Terceiro. Rubor.
O lorde sempre mostrou sua face gélida, nunca o vi vermelho nem mesmo de raiva! Okay que foi algo bem suave, mas ele estava sim corado.
E assim como Hayato havia dito que ele fazia quando criança, o daiyoukai me mostrou uma face de birra.
Ah...existe uma quarta.
Ele está me chamando pelo nome e não de miko. Quem é este youkai e o que fez ao Sesshoumaru?
Fui despertada de meu devaneio por uma carícia do mesmo em meu cabelo, rumando para minha nuca e me puxando para si.
– Estou um pouco surpresa. – desfiz a cara de quem viu um alien e sorri para ele, que me olhou com curiosidade.
– Com o que está surpresa, exatamente?
Perguntou, me devolvendo o sorriso, se aproximando de mim. Me senti ser envolvida por seus braços e fiquei tímida com a proximidade.
– Com tudo! E estou feliz também. Está me mostrando outros lados.
Respondi, envergonhada de seu intenso olhar. O abracei de volta, enquanto escondia minha face em seu peito...me fazendo lembrar que o daiyoukai e eu estávamos nus!
Aaaaa ainda não estou acostumada a isso também!
– Tenho certeza de que agora em diante conhecerá muitas singularidades deste Sesshoumaru. Agora...
Me puxou o queixo para fita-lo e mais uma vez eu via o que ele havia dito com palavras anteriormente. Amor.
Fiz uma carícia nas marcas de sua face e as senti pulsar sob meus dedos.
Curioso, sempre fizeram isso?
Estava para continuar com minha experiência, quando tive meu pulso segurado pelo daiyoukai. De novo.
Olhei zangada para o mesmo, que riu e depositou um beijo na ponta de meus dedos, colocando minha mão novamente sobre a marca em sua face e deixando a sua mão sobre a minha.
– ...me diga, Kagome. Aceitaria se tornar a Senhora do Oeste ao meu lado?
Uma euforia quis me invadir com o que havia ouvido. Era uma alegria que não cabia dentro de mim.
Sim, eu queria aceitar com todo o meu ser...eu queria.
Porém, ao mesmo tempo em que a alegria me invadia, senti que Hanna havia se incomodado com o pedido, ela se remexeu, mas nada dissera.
Tentei chama-la por pensamento e a mesma se distanciou, fugindo.
Mas que droga de comportamento é esse agora?
Confusa, me afastei do outro para poder vê-lo melhor e com muito pesar tomei uma decisão que não condizia com a minha verdadeira vontade.
– Desculpe, mas não posso aceitar. Não agora. Temos muitas...pendências.
Observei enquanto sua face se tornava um pouco mais rígida e meu peito se apertou ao pensar que poderia tê-lo ferido novamente.
Merda, Hanna!
– Há alguma pendência em especial para me negar, miko?
Ah, me apaixonei por um menininho. Na certa se referia a Inuyasha e agora voltara a me chamar de miko apenas para me irritar.
– Caso se refira a Inuyasha, sim, Sesshoumaru. Em parte, ele é uma fração do problema. Não sinto nada além de amizade por ele, mas ainda tenho de conversar com Inuyasha, e ainda temos que derrotar Naraku. Tenho uma responsabilidade.
O daiyoukai me ouviu atentamente e suavizou a face, mas ainda a mantinha gélida. Ah, como eu gostaria de ver os olhos calorosos novamente!
– Não me esqueci do desprezível Naraku e entendo sua responsabilidade. Também tenho pendências com o youkai aranha.
Disse, se levantando de costas para mim e me dando uma visão privilegiada de seu traseiro enquanto caminhava até o resto de nossas vestes.
Foi preciso muita força de vontade para prestar atenção ao que ele dizia.
– Também entendo que tenha de conversar com o inútil do Inuyasha, mas nada disso me parece motivo suficiente, miko.
Se virou para mim no final da frase e eu fingi estar olhando para outro canto, mas minha face provavelmente entregava o que eu estivera fazendo.
Ouvi-o rir nasalmente e me virei pronta a me defender de seja lá o que ele estivesse pensando. Mas acabei tendo outra visão privilegiada que me fez ruborizar até a ponta das orelhas.
– Pode olhar o quanto quiser, miko. Não precisa se sentir acanhada.
Me lançou um sorriso de canto enquanto me jogava minha hakama e se encaminhou para a saída da gruta. A peguei no ar e olhei para as costas do daiyoukai em dúvida.
Ué, ele saiu nu mesmo?
– Creio que queira se banhar antes de voltarmos ao castelo dessa vez, não? Me acompanha? Depois tratamos sobre o que estávamos conversando.
Disse, já do outro lado da cortina de água que a cachoeira formava.
Fiquei um tempo olhando para onde ele havia saído.
Foi um convite, certo? Sorri para mim mesma e me levantei, designada a segui-lo. Talvez não fosse tão ruim esperar mais um pouquinho antes de aceitar o pedido do daiyoukai.
Me daria tempo de resolver muitas pendências e me sentir mais confiante para estar ao lado do grande Lorde das Terras do Oeste.
Já havia me decidido sobre o que fazer agora em diante e com isso em mente, caminhei para a saída, ao encontro do youkai que me esperava do outro lado, um pouco menos encabulada a respeito da nudez e feliz por estarmos nos entendendo bem.
O sorriso estampado na face!
~Menina. Precisamos conversar...~
Arrepiei com a voz de Hanna em minha mente e o sorriso morreu no mesmo instante.
Algo não estava mesmo certo!
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*Pov. Hayato*
Fitei os olhos dourados e frios a minha frente e me perguntei seriamente o que fazia ali, de fato.
A youkai não me responderia facilmente e era conhecida por se importar pouco com a vida alheia.
Era de uma beleza inigualável e com uma face que transparecia tranquilidade.
Mas se engana quem pensa que a bela criatura fosse realmente dócil como sua aparência.
A vi estreitar os olhos diante meu silêncio e entendi o recado para que eu, enfim, me pronunciasse. Não o fiz, ainda escolhia as palavras em minha mente e apenas resolvi por me ajoelhar em uma das pernas, abaixando a cabeça, em sinal de respeito.
Voltei a olhar para a bela demoness sentada em seu grande trono, que entediada, mudava o lado em que suas pernas estavam cruzadas, me sorrindo como um anjo. Ou deveria dizer, um demônio?
– Então...a que devo a honra de sua visita, Príncipe Hayato? Ou devo apenas chamá-lo de General Hayato, agora?
Perguntou, em claro deboche, e eu me controlei trincando as presas em minha boca e fechando as mãos em punho no chão.
– Minha Senhora, preciso descobrir detalhes sobre um passado sombrio de meu clã. Algumas coisas que na época não me interessavam por ser muito jovem, mas que agora me são de suma importância saber. Creio que é a única capaz de tirar minhas dúvidas, visto que os outros membros estejam mortos.
– Mas eu não faço parte de seu clã, minha criança. Veja, é o único que sobreviveu e eu o acolhi. Lembra-se?
Sim, eu lembrava muito bem disso.
Ela nunca deixou que eu esquecesse.
Novamente controlei minha fúria e tentei dialogar com a youkai dos olhos dourados e gélidos.
– Sim, Minha Senhora. Eu me lembro! Mas é a mais próxima que tenho e a única que...
Em questão de segundos, ela estava a minha frente e segurava meu queixo para olhá-la diretamente.
Não havia tranquilidade ali, eu só enxergava raiva e morte nos olhos a minha frente. Senti que meu queixo se feria com as garras afiadas dela e o sangue escorria por estes.
Mas aquela dor não era nada comparada ao que ela me faria sentir caso demonstrasse qualquer sinal de incômodo.
– Vejo que está mais tolerável a dor, minha criança. O treinamento lhe fez bem!
Estremeci com a ínfima lembrança do tal treinamento a que ela se referia e pude vê-la sorrir e lamber os lábios, em satisfação, enquanto se afastava novamente.
– ...e-eu encontrei uma fêmea, ela tem o sangue de meu clã. Tenho certeza de que ela é a princesa que haviam dado como morta.
Precisava controlar meus nervos e manter meu foco no que eu havia ido fazer lá. Ela não podia desconfiar de mim.
Mas nada me prepararia para o que a demoness faria em seguida.
Meu corpo fora lançado contra uma das pilastras do grande salão e cuspi uma quantidade razoável de sangue com o baque, deslizando ao chão em seguida.
Olhei para ela, que estava com um chicote de veneno materializado em mãos, lambendo o sangue que dali escorria.
– Me desculpe, Hayato. Tive uma reação um tanto...exagerada. Mas o que dizia? Fêmea de seu clã? Impossível, querido. Todas estão mortas, eu tenho certeza disso. E aquele bebê...bem, é simplesmente impossível.
– Note...cof...note bem o cheiro que está em minhas vestes! Não lhe lembra nada?!
Ainda havia um pouco do cheiro de Kagome em minhas roupas e aquilo deveria servir por hora para que a youkai acreditasse em minhas palavras.
A vi mudar a expressão divertida em que estava a lamber meu sangue para uma de muita surpresa.
Mas havia um avermelhado em seus olhos. A notícia de mais um Inu, de um clã praticamente extinto não deveria fazer com que ela ficasse feliz?
Observei pasmo ela voltar para uma expressão divertida enquanto se desfazia do chicote e caminhava até mim. Eu ainda estava de encontro a pilastra, porém já conseguia ficar de pé.
– Quer mesmo saber a história enfadonha por trás de seu clã? Está bem. Eu lhe direi. Mas está proibido de contar a meu filho, ouviu-me bem, Hayato? Imagino que a garota esteja por perto. Você pode contar a ela o que eu vou te contar. Tenha certeza de lhe dizer cada detalhe.
Apenas concordei com a cabeça, tentando entender o motivo de tanto segredo. Algo não cheirava certo em tudo isso, mas por hora eu apenas ouviria o que ela tinha a dizer.
Ela então começou a narrar todo o desenvolvimento e quanto mais ela falava, mais meus olhos aumentavam de tamanho e uma raiva que eu nunca havia sentido crescia dentro de mim.
Eu queria enforcar aquela youkai!
A demoness falava com um sorriso de canto que me dava ainda mais asco a cada frase...eu sabia que ela se divertia com o sofrimento alheio.
Mas não imaginava o quanto!
Ao final, eu estava ajoelhado ao chão nas duas pernas e apertava as mesmas em punho. Faltava alguma coisa...ela não estava me contando tudo!
– Era só isso que queria saber...? Bem, então está dispensado, minha criança. Foi um prazer tê-lo aqui. Volte mais vezes!
Ordenou divertida, me virando as costas para voltar para o interior de seus aposentos e eu olhei em fúria para seus longos fios prateados que balançavam conforme a mesma caminhava.
– Isto é tudo...? Isto é tudo, Inu-Kimi Hime!? – gritei para ela que ainda se encontrava de costas.
– Sim, isto é tudo o que eu sei.
Respondeu, ainda sem se virar para mim.
– E Hayato... – me chamou, se virando minimamente para me lançar o olhar mais cortante que eu já a havia visto fazer, me trazendo um arrepio por toda a espinha. – grite novamente comigo e teremos que treinar por longos dias.
Advertiu, se retirando em seguida.
Fiquei a pensar em tudo o que eu havia descoberto. Se fosse realmente verdade, então ainda existia muita coisa não explicada naquela história.
Inu-Kimi Hime escondia algo e teve reações diversas demais para alguém que só estava de mera observadora.
Eu a conhecia bem o suficiente para saber que havia garras dela em algum ponto da história.
Maldita youkai sádica!
Resolvi por voltar para o castelo do Lorde Sesshoumaru, talvez em seu escritório ainda houvessem antigos documentos de Inu no Taisho sobre o clã da Lua Minguante que me fossem úteis.
Também precisava me encontrar urgente com a bela dama. Sua outra parte, Hanna, deveria ter alguma lembrança.
Youkais possuem ótima memória desde o nascimento e ela não poderia usar isso como desculpa comigo como fez com a sua parte humana.
Me pergunto se o mestre realmente acreditara em toda a história contada pela parte youkai da menina...bem, pelo que conhecia dele, estaria vendo até onde ela iria com isso.
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