Disclaimer: Todos os personagens pertencem a JK Rowling. Esta fanfic é uma tradução autorizada de "Maldición de una serpiente" postada em 2009 no FanFiction por Acarolin95.
Capítulo 16 - Interlúdio.
A noite era nublada e o frio começava a chegar no início de setembro. Fora de Londres, em meio a um bosque, se olhasse bem, encontraria uma pequena cabana de dois andares. De longe, parecia pequena, mas enganava: era uma casa de bruxos das trevas, especificamente de Lord Voldemort. Em um dos tantos cômodos da casa, encontrava-se o próprio, sentado em uma cadeira alta acariciando sua serpente, Nagini, enquanto pensava sobre a profecia que Severus tinha lhe contado.
Tinha tentado manter em segredo, que nenhum de seus Comensais soubesse que ele, o Lorde das Trevas, poderia ser destruído por um menino estúpido. Tinha declarado o garoto Longbottom como o da profecia, já que era de sangue puro e de muito mais poder, estava decidido a matá-lo antes que se tornasse maior, mas também não poderia deixar de lado Potter, porque por mais que tentasse se esquecer de seu sangue mestiço, ele e Potter eram parecidos em muitos aspectos. Longbottom era o mais poderoso, então o mais perigoso, e Potter era como seu igual, como dizia a profecia. Seus três Comensais mais próximos tinham concordado em marcar Longbottom, embora Severus só dizia para que a sua sangue ruim sobrevivesse, mas estava enganado, não ia deixar Potter de lado.
Depois de passar meses, tinha conseguido chegar a uma conclusão. Era fantástica a ideia, ninguém de sua família se daria conta, apresentaria mudanças pouco a pouco sem que percebessem, mas queria esperar o momento certo. Só tinha que contar o plano a Bellatrix e quando chegasse a hora, lhe daria. Nada de errado aconteceria.
Logo teria o mundo aos seus pés, tiraria o garoto Longbottom de sua cola junto com a esperança de Dumbledore e então teria Potter em suas fileiras, como seu igual.
Mas as coisas não saíram como esperava o Lorde das Trevas, Neville Longbottom tinha conseguido sobreviver à maldição da morte e, com isso, doze anos de paz, apesar da perda de Alice e Frank Longbottom. Lord Voldemort não tinha conseguido pôr o mundo aos seus pés nem destruir as esperanças de Dumbledore, mas seus Comensais mais leais conseguiram que uma de suas estratégias desse certo.
Potter não tinha sido esquecido e Bellatrix junto com Lucius Malfoy iam se encarregar pessoalmente disso, e como tinha pedido seu Lorde das Trevas, ia ser quando chegasse a hora e ninguém suspeitasse. Seria seu igual cedo ou tarde, sem ou com Voldemort.
Dez anos depois
Tinha chegado o dia que tanto esperou com ânsias, seu tio Almofadinhas tinha lhe dito que quando completasse onze anos, sua carta de Hogwarts chegaria e poderia levá-lo ao Beco Diagonal e lhe compraria qualquer coisa que quisesse por seu aniversário e para comemorar a chegada da carta.
Em um pulo, levantou-se da cama, escovou rapidamente os dentes e sem trocar de roupa, desceu correndo as escadas de dois em dois degraus. Quando chegou à sala, caiu de costas e sua vista foi coberta por um grande cachorro preto, era quase o dobro do tamanho de Harry e se parecia muito com um Sinistro, mas era totalmente o contrário. E para demonstrar isso, tinha começado a lamber o rosto de Harry sem piedade, o garoto tentou tirá-lo de cima, mas pesava muito, então desistiu e começou a rir. O focinho de Almofadinhas fazia cócegas assim como sua língua. Por fim, o cachorro parou e saiu de cima, deu um latido alegre enquanto movia a cauda, o garoto voltou a rir e logo levantou-se.
— Eu já vou, Almofadinhas — disse enquanto passava uma mão pela cabeça do carro.
Os dois caminharam até a cozinha onde estavam esperando seus pais e Bibil, sua mãe o abraçou e beijo sua testa.
— Feliz aniversário, querido. Neville mandou uma carta do acampamento te desejando feliz aniversário — disse sua mãe, voltando a abraçá-lo fortemente.
— Vamos, Lily, deixe-me parabenizá-lo também — sua mãe afastou-se dele e seu rapidamente o ergueu no ar, o segurou sobre seu ombro como se fosse um saco de batatas e o levou para fora de casa.
— Papai! — gritou Harry enquanto ria e tentava descer.
Sua mãe e seu tio Almofadinhas, já em sua forma humana, o seguiam com um sorriso de orelha a orelha, embora sua mãe tentasse disfarçar repreendendo seu pai a cada momento para que tomasse cuidado com Harry. Quando chegaram até a grande árvore, seu pai o deixou no chão e diante dele estava suspensa uma vassoura que era simplesmente linda, não podia se comparar com a Twigger 90 que tinha, mas além da vassoura tinha uma carta e embaixo uma caixa grande bem trancada. Harry ficou paralisado exatamente onde seu pai o deixou, mas voltou em si ao escutar a gargalhada de seu padrinho.
— É uma Nimbus 2001, a última vassoura do mercado, confeccionada em madeira nobre, envernizada, com partes metálicas em latão, mede aproximadamente 176 centímetros e vem com sua placa enumerada, pois se trata de uma edição limitada a 10 mil unidades em todo o mundo — disse seu pai como se fosse o vendedor da vassoura. Harry ficou de boca aberta e os olhos arregalados, pulou alegre como se fosse natal, deu um rápido abraço ao seu pai e correu até a Nimbus 2001.
— Ei! E Almofadinhas o quê? Eu também ajudei a comprar, foi minha ideia — disse Sirius, fazendo um beicinho e uma carinha de cachorro abandonado. Harry riu diante das palhaçadas de seu padrinho e foi abraçá-lo, mas separou-se rapidamente para voltar para perto da vassoura.
— É a carta de Hogwarts? — perguntou Harry ainda dando pulinhos e mordendo o lábio inferior animado. Sua mãe concordou com a cabeça sem conseguir esconder um sorriso. Ele pegou a carta e rapidamente rasgou o envelope, lendo-a animado — Eu fui aceito!
— É claro que foi, Harry — disse James enquanto despenteava seu cabelo — O que quer fazer agora? Testar a vassoura nova? Ou ir ao Beco Diagonal?
— Podemos testar a vassoura e depois ir ao Beco Diagonal, e depois voltar para casa e comer a torta da mamãe? — perguntou Harry rapidamente, quase sem respirar.
Sirius voltou a gargalhar com aquela risada parecida com um latido de cachorro e então pegou a caixa que estava no chão. Quando a abriu, dentro tinha quatro bolas de diferentes tamanhos. Uma vermelha, a goles, outras duas que se moviam desesperadamente, os balaços, e finalmente o mínimo e dourado pomo de ouro.
— As outras estavam um pouco danificadas. Como você, o pomo estava lento, e os balaços estavam meio perigosos — disse seu pai enquanto punha uma mão no ombro de seu filho.
Harry pegou sua vassoura e passou uma perna sobre ela, mas quando estava a ponto de erguer-se do chão, sua mãe o deteve, pegando o seu pulso.
— Harry, não é porque é seu aniversário e que recebeu a carta de Hogwarts, que não vai tomar café da manhã. Tem onze anos e está em fase de crescimento, o café da manhã é a refeição mais importante do dia — disse Lily, então fez um sinal para que descesse.
— Mas, mãe, é uma Nimbus 2001! Eu preciso testá-la! — ele reclamou, ainda em cima da vassoura.
— Ela não vai desaparecer, Harry. Agora desça — insistiu sua mãe.
— Vamos, Harry, eu também estou com fome e não acho que vai poder com os balaços sem ter comido antes — disse Sirius, deu de ombros e deu uma mão para ajudá-lo a descer — Além do mais, com a energia da comida, tenho certeza que vou poder te ensinar uns truques novos — os olhos de Harry brilharam animados e com isso, segurou a mão de Almofadinhas e desceu da vassoura.
A pequena família voltou para a cozinha. Lily serviu o desjejum favorito de Harry: panquecas com morango, chocolate em calda e creme de queijo. Harry ficou alegre e fora do tema de quadribol durante todo o café da manhã, enquanto via o espetáculo de seu padrinho. Lily estava enojada por seu "espetáculo" e preferiu dar uma volta em Godric's Hollow para visitar Bathilda. James estava indeciso em ficar incômodo ou rir de seu amigo. Harry era o único, com exceção de Sirius, que achava tudo muito divertido.
Depois de terminar de comer, voltaram para o pátio e, como disse Lily, a vassoura continuava exatamente onde a deixaram. Harry voltou a correr até a vassoura e chamou Sirius, mas ele não parecia muito bem.
— Acho que as cinco panquecas que meteu na boca de uma só vez não caíram bem, não é, tio Almofadinhas? — James debochou de Sirius sem vergonha, ele apenas o olhou assassino enquanto caminhavam até Harry, mas o amigo ignorava os olhares porque continuava debochando e rindo.
James desviou-se no caminho até Harry e foi até a direita procurar duas vassouras para ele e para Sirius. Ao voltar, Sirius estava jogado na grama com uma mão no estômago, Harry estava inclinando sobre ele, parecendo preocupado.
— Vamos, Almofadinhas! Quantas vezes no colégio não comeu cinco de uma vez? — perguntou James, olhando para o amigo com um sorriso e estendeu a mão.
— É diferente, eu estou ficando velho, Pontas! — choramingou, segurando a mão dele — Bom, vamos! Chega de choramingar, é o aniversário de Harry, farei um sacrifício porque é meu afilhado — dramatizou, pondo uma mão na testa para acentuar o drama.
— Pirou — disse James, negando com a cabeça com um sorriso.
— Não pirei! Está me ofendendo, Pontas, só sou especial. Agora, prepare-se para o que vou ensinar, Harry, é um truque excelente para desviar dos balaços e vai cair bem porque talvez veja melhor o pomo — Harry se manteve calado enquanto via o deboche de seu pai ao seu padrinho meio doente — Mas antes, dá umas voltas com seu pai enquanto eu vejo o que eu vou tomar.
Sirius voltou para casa com a vassoura em mãos e a cabeça abaixada. James continuava rindo quando montou a vassoura junto de seu filho.
— Isso é genial! — gritou entusiasmado. A Nimbus 2001 era muito mais rápida que a sua velha Twigger 90, podia girar 360 graus sobre si mesma e com uma facilidade de manejar impressionante, o fazia vibrar de emoção o sangue e sentia um formigamento estranho no estômago. Estiveram um bom tempo voando no pátio, Harry tinha emprestado a sua vassoura para que seu pai desse umas voltas quando viu Sirius retornar com uma expressão melhor.
— Sirius, essa vassoura é a melhor do mundo! — gritou James.
— Podemos aprender o truque, tio Almofadinhas? — disse Harry quase ao mesmo tempo que seu pai.
— Claro. James, devolve a vassoura do Harry — James parecia que ia reclamar, mas desceu obedientemente e devolveu — Agora, vamos nessa! Bem,. primeiro vai aprender sem os balaços e depois a gente tenta — Harry concordou calorosamente — O truque se chama Giro da Preguiça e consiste em ficar de cabeça pra baixo na vassoura, sem deixar de agarrar fortemente as mãos e pés, como se fosse um gato. É muito fácil, quando aprender vai ser automático cada vez que ver um balaço — Harry o olhava com os olhos arregalados, como se Sirius tivesse duas cabeças — Sim, bom, no começo parece difícil, mas é só questão de prática.
— Sirius, não acho que é uma boa ideia — disse James cautelosamente.
— Não questione minha sabedoria, Pontas. É seguro — ele ergueu as sobrancelhas e deu de ombros — O que me diz, Harry?
— Hã... Bom, só se o papai ficar embaixo para caso eu cair...
— Não vai acontecer, mas se quer assim, então será, James... — antes que Sirius pudesse dizer, ele já estava embaixo de Harry — Bom... Vamos começar. Começa a deslizar muito lentamente, agarrando a vassoura. Bom, agora cruza as pernas sobre o cabo e continua deslizando — as mãos de Harry suavam, estava quase conseguindo, mas não achava que conseguiria se pendurar por muito mais tempo. E como pensou, suas mãos escorregaram e um minuto depois foram suas pernas, foram só alguns segundos até que seu pai o pegou rapidamente.
— Harry!
— Eu já peguei, Lily, não se preocupe — disse James, sentando Harry na vassoura. Sirius segurava a Nimbus 2001 enquanto aproximava-se para ver se estava tudo bem.
— Não me preocupar? Meu Deus, James, Harry esteve a ponto de...
— Estava tudo planejado, Lily, era só uma das quedas de prática, relaxa — interveio Sirius depois de ver que Harry estava bem. Lily parecia a ponto de explodir, então apressou-se em acrescentar —, mas talvez devemos deixar esse lado até que Harry tenha quinze anos, talvez o Passe de Plumpton seja mais adequado...
— Aprenderá tudo isso no segundo ano, Sirius, ainda tem onze e não pode fazer testes para o time de quadribol ainda — ela gritou aos três, ainda irritada e assustada — Desçam daí que já está ficando tarde e temos que ir ao Beco Diagonal — com isso, virou-se e voltou para casa.
— Não podemos ficar um pouco mais, papai? Talvez eu tente o Passe de Plumpton — disse Harry, agora sentado na sua vassoura.
— Não, Harry. Desculpe, mas você conhece a sua mãe...
Os dois homens e o garoto desceram ao chão do jardim. Harry foi até o seu quarto junto com sua vassoura, a caixa com as bolas e a carta de Hogwarts, deixou tudo sobre a cama. Vestiu-se rapidamente com a primeira coisa que pegou no armário e antes de sair do quarto, pegou a segunda folha que tinha dentro do envelope, e desceu as escadas até a sala onde seus pais e seu padrinho o esperavam na frente da lareira. Seu pai foi primeiro, então sua mãe e foi a sua vez. Ao abrir os olhos, tinha chegado ao familiar pub que era entrada do Beco, o Caldeirão Furado. Quando estavam todos prontos, foram para o beco com latas de lixo, seu pai tocou os tijolos com a varinha e entraram no Beco Diagonal.
A animação de Harry foi se perdendo enquanto as horas passavam nas lojas de roupa, que medisse cada parte de seu corpo o entediava muito, ele queria comprar seus livros, suas penas e sua tinta. Sua varinha! O caldeirão e um mascote que seu tio Almofadinhas tinha lhe prometido. Também esteve pensando em dar uma olhada na Travessa do Tranco, mas só de longe, não queria entrar. Tinha sido uma pena que Neville quisesse ir para aquele acampamento trouxa justo agora, senão estaria ali com Harry entediado, mas pelo menos seriam dois.
Quando finalmente saíram da loja de roupas de Madame Malkin, Harry suspirou. Seu pai percebeu e sorridente, bagunçou o seu cabelo. Ele franziu o cenho e tentou ajeitá-lo o máximo possível.
Depois de ter conseguido sua varinha (salgueiro, vinte e oito centímetros, elástica e flexível), foram comprar todos os materiais que precisaria para seu primeiro ano e depois de terem tomado um sorvete na Florean Fortescue, seu tio Almofadinhas o levou para a loja de animais que estava próxima dali.
— O que quer comprar, Harry? Uma coruja seria eficiente para poder se comunicar conosco.
— Não, quero comprar algo que não tenha em Hogwarts. Mamãe me disse que tem muitas corujas lá, então seria desperdício de dinheiro — respondeu, enquanto dava uma olhada nos gatos.
Sirius ia falar alguma coisa, mas um barulho estranho fora da loja e um grito de mulher o interromperam. Harry foi olhar, mas Almofadinhas cobriu os seus olhos com uma mão, e então o arrastou até um canto da loja onde estavam as cobras, agachou-se até ficar da sua altura e o olhou sério, nunca tinha o visto assim antes. Alguma coisa devia estar acontecendo para que ficasse tão sério.
— Harry, quero que fique aqui não importa o que escutar, aqui estará seguro — Sirius passou a mão pelo seu cabelo e então para a sua bochecha com um carinho.
— Tio Almofadinhas, o que está acontecendo? — perguntou com timidez.
— Nada que não se solucione em dez minutos, não se preocupe, estarei aqui antes que possa decidir qual animal quer, está bem? — Harry concordou com a cabeça, tio Almofadinhas lhe deu um último olhar e saiu da loja.
A senhora que atendia já não estava à vista. Ele levou as pernas até o peito e as abraçou com força, esperando que seu padrinho voltasse logo, não sabia o que estava acontecendo, mas não gostava daquele sentimento estranho. A cada minuto que se passava, sentia-se mais intimidado pelas serpentes, que exibiam a todo segundo suas línguas bifurcadas como se o ameaçassem. Depois de um momento, Harry escutou uns passos na loja, o alívio de que fosse Sirius desapareceu ao escutar as vozes de uma mulher e um homem que arrastava as palavras. Aguçou o ouvido e escutou o que o casal dizia:
— ...levá-lo para Borgin e Burkes para estarmos seguros — disse a voz masculina.
— Já disse que não, Lucius! Ninguém, absolutamente ninguém pode saber disso, e o velho que trabalha ali não entenderia a engenhosidade do nosso Lorde das Trevas. Vamos, procure o garoto! Não podemos nos atrasar, os inúteis não sabem nem duelar direito. Tantos desleais! — rosnou a voz da mulher.
Então viu uns sapatos negros e pontiagudos justo na sua frente, ergueu a cabeça para confirmar que a mulher o tinha encontrado. Tinha o cabelo negro, grosso, espesso e brilhante, e com a mandíbula quadrada, não podia ver o resto de seu rosto porque estava coberto por uma máscara de caveira prateada. Harry desejou se esconder na parede, mas parece que a magia não queria ajudá-lo naquele momento.
— Own! Olha o que temos aqui, Lucius. Um bebê assustado. Quer mamãe e papai? — disse a mulher imitando a voz de uma criança, o que causou calafrios nele —, deve estar por aí sofrendo...
— Bellatrix! Não se entretenha — disse a voz do homem, Harry não tentou olhá-lo, estava petrificado olhando para a mulher enquanto tremia — Depressa, que parece que a batalha vai acabar.
— Arg, Lucius! Como mudou desde a queda do Lorde das Trevas — a mulher ajoelhou-se na frente de Harry, tirou algo de seu bolso e o estendeu ao homem. O homem, aparentemente chamado de Lucius, de cabelo prateado, também com uma máscara com a mulher, ajoelhou-se junto dela — Não vai doer nada e vai nos agradecer depois — Harry sentiu necessidade de sair dali, mas seu tio Almofadinhas tinha lhe dito que ficasse, ele iria buscá-lo ali e se não encontrasse ninguém, ia se assustar. Valente, ergueu o queixo, esperando o que fosse que viria. De repente, aconteceram muitas coisas ao mesmo tempo, a mulher agarrou-o com força, empurrando sua cabeça com força contra a parede, então ergueram a manga da camisa do seu braço esquerdo, sentiu o toque da ponta da varinha diante de seu antebraço, e então uma chicotada, que doeu muito, algo rodeou o seu braço, como se uma faixa estivesse penetrando a sua pele, era horrível, gritou como nunca fez antes. Quando a dor acabou, tudo ficou embaçado e depois escuro.
Sentiu que alguém estava dando suaves tapas em seu rosto. Assustado, Harry afastou-se do toque e abriu os olhos. Para seu alívio, era apenas seu tio Almofadinhas, que o olhava preocupado, sentado ao seu lado.
— Você está bem? Talvez não tenha sido...
Suas palavras foram cortadas quando Harry o abraçou com força, como se fosse a última vez que o viria.
— Estou bem, tio Almofadinhas, só tive medo, tinha muito barulho e as serpentes não ajudaram — sussurrou, aliviado que Sirius estivesse com ele, realmente não se lembrava o porquê estava tão assustado, mas não importava.
Foi imperceptível no começo a mudança. Ninguém percebeu, o Chapéu Seletor não viu nada de estranho nele, para o momento continuava sendo o garoto que desfrutava jogando quadribol com seu pai e seu padrinho. Nem Dumbledore, nem seus pais, nem Sirius, nem Neville se deram conta, só pensaram que era a adolescência e que estava crescendo, o que implicava em mudanças. Os únicos conscientes desse plano eram os Comensais e anos mais tarde, os filhos dos Comensais. O plano do Lorde das Trevas, aquele que não devia ser nomeado ou Lord Voldemort tinha funcionado à perfeição.
