Disclaimer: Todos os personagens pertencem a JK Rowling, com exceção de Caroline Tonks, Hollie Carter, Susan Jones, Julia Simmons e Nicole Green, que pertencem a everard21. Esta fanfic é uma tradução autorizada de "Hasta el destino necesita ayuda" postada em 2014 no Potterfics por everard21.

Capítulo 21 - Quando o passado te dá um tapa na cara

Em uma cafeteria não muito conhecida, uma mulher estava sentada em uma mesa sozinha, estava um pouco nervosa e irritada, olhava para os todos os lados como se estivesse procurando alguém, se distraiu um pouco com o café que estava bebendo quando um homem não muito alto e corpulento sentou-se na cadeira à sua frente.

— É curioso que quisesse me ver nesse lugar — grunhiu o homem, surpreendendo-a — Apesar de que, claro, não acho que queria que seus "amigos chiques" descubram da sua precária situação.

— O que faz aqui? — reclamou imediatamente — Eu estou esperando por...

— Seja quem for, não faz diferença — afirmou o homem de mau humor — Nós dois estamos cansados de suas idiotices, meu sócio é muito brando para tratar com alguém como você.

— Tão refinado como sempre — disse a mulher de forma depreciativa.

— Te serviu de muito esse "refinamento" — retrucou — Te avisei da última que não estamos interessados no que tem a dizer, e a menos que pare de brigar por...

— É meu por direito — interrompeu.

— Sim, claro, mas entre as suas dívidas e a "inoportuna" morte de seu marido, não te sobrou nada.

— Está insinuando que eu fui a responsável pela morte dele?

— Claro que não — garantiu o homem — Não tem inteligência suficiente para isso, principalmente porque não sabia de nada do testamento — ela o olhou com ódio — Brigou por essa herança e não conseguiu nada. Bom, conseguiu sim, uma dívida ainda maior que não pode pagar.

— Isso vai acabar logo.

— Claro que sim — debochou — Sua situação só está piorando, e ainda mais com esse prédio que conseguiu do seu outro casamento — enfatizou — Espero que resolva isso logo — disse maliciosamente, debochando dela e levantando-se de seu lugar.

— Está tudo em ordem — disse apressada — Só quero que seus advogados...

— Não vamos desistir. Então é melhor ir com cuidado, um erro que seja e diga adeus a tudo.

E sem dizer mais nada, se foi dali, deixando a mulher furiosa, odiava aquele maldito, quase todos o odiavam, mas ela teve que lidar com ele seu sócio fazia meses.

Alguns dias passaram-se desde que Nicole apareceu na construtora Potter, e como James tinha declarado, todo o trabalho relacionado a esse projeto foi deixado diretamente nas mãos de outros trabalhadores da empresa. Mesmo assim, como assessor, Remus tinha algumas coisas para resolver, naquela manhã por exemplo tinha que organizar uma nova inspeção para constatar o estado do lugar e ver as probabilidades de demolição do lugar, tinha que planejar muito bem como fazer e causar um dano mínimo no terreno.

Como de costume, o castanho chegou pontualmente às nove da manhã e reuniu-se com os demais funcionários do projeto. Com cuidado, iniciaram a inspeção, anotando algumas coisas importantes e observações. Quarenta minutos depois, já estava tudo terminado e estava a ponto de retornar quando...

— Olá, Remus — disse uma mulher que aproximava-se de onde ele estava — Como vai?

— Bom dia, senhora Green — responde.

— Ai! Por que tão frio? — perguntou com voz doce.

— Quer mesmo que eu responda? — respondeu com o mesmo tom.

— Acho que seria estranho se agisse de outra forma, mas as coisas mudaram desde então, não acha?

— Não acho — ele garantiu, revisando uns papéis.

— Está enganado — disse Nicole — Eu mudei nesses últimos anos, assim como você, e na verdade...

— Na verdade não acho que seja sensato reviver fantasmas do passado, não acha? — retrucou sério, guardando suas coisas.

— Vamos, Remus, já se esqueceu de como nos divertíamos? Como passamos as tardes juntos vendo o anoitecer pensando no nosso futuro? De como eu e você desfrutávamos da nossa companhia? — não tinha pensado em nada disso durante todos aqueles anos — Vamos, você sabe quão bem estávamos.

— É, e depois tu mandou tudo para o inferno — ele retrucou — Não entendo o que quer com essa conversa, mas pare com isso, a única coisa que nos une agora é o trabalho e nada mais.

— Mas não precisa ser assim — ela disse, aproximando-se demais dele — Eu me arrependo do que fiz.

— Claro que se arrepende, traiu um grande e famoso arquiteto — interveio uma terceira voz.

— Sirius Black. A que devemos a sua presença? — perguntou Nicole com evidente irritação.

— Eu também trabalho na construtora, caso tenha se esquecido — ele respondeu.

— Sim, mas Remus já fez todo o trabalho — ela retrucou.

— E como já terminou, estamos com pressa e vou aproveitar para passar o meu relatório ao senhor Black, então com licença — e juntos os dois foram ao carro do moreno para ir embora.

— Não acha que demorou muito? — perguntou Remus, que sabia que ele só tinha ido para enfrentar aquela mulher.

— Foi mal, companheiro, eu precisava comer — justificou-se meio brincando.

A mulher continuou onde estava, amaldiçoando a sua sorte. Sabia que seria difícil se aproximar de Remus, mas seria ainda mais difícil com aqueles amigos dele voando como moscas ao seu redor.

Não souberam de nada de Nicole pelo resto da manhã, mas ainda assim a sua presença era palpável para o desagrado de Lupin. Sem poder evitar, o homem começou a lembrar-se daquelas coisas que por muito tempo esqueceu, aqueles encontros que tinha tido com aquela traidora. Apesar de tudo, tinha que aceitar que foram bons momentos, muito alegres e reconfortantes, naquelas horas parecia impossível que pudesse fazer algo tão ruim quanto o que fez.

Sem poder evitar, acabou lembrando-se também dos momentos felizes que tinha passado com Nymphadora, sabia que era uma comparação estúpida, mas ainda assim não podia evitar. Mil ideias o distraíram de seu trabalho, sem querer também perguntou-se se aqueles bons momentos poderiam terminar mal também. Sacudiu a sua cabeça para afastar aquilo de seus pensamentos.

Na hora do almoço, James, Sirius e Remus foram para um restaurante, começaram a conversar de várias coisas que nada tinham a ver com o encontro daquela manhã, mas a mente do arquiteto continuava o mesmo vórtice de pensamentos.

— O que você acha, Remus? Ei, Remus! — disse o moreno com mais força, trazendo-o de volta para a realidade.

— O que houve? — ele perguntou.

— O que deu em você, companheiro? É a terceira vez que te chamamos a atenção — reclamou Sirius — Fala, o que aconteceu? Está viajando para onde? Fumou o quê?

— Eu não fumei nada, Sirius, só estou... pensando.

— O encontro de hoje te afetou mais do que pensava, não é? — perguntou James, que já sabia o que tinha acontecido.

— Um pouco, mas são mais problemas que eu mesmo invento — garantiu Lupin — Não se preocupem comigo.

— Vai conseguir trabalhar assim? — James sabia o quão problemático podia ficar toda vez que ficava naquele estado, e o quão complicado era para se distrair.

— Talvez, mas pensei em te pedir a tarde de folga.

— Então eu te dou porque para que considere deixar o trabalho de lado, deve estar péssimo.

— Idiota — resmungou Remus.

— Se é o que quer, saindo daqui, vá para casa. Não vamos morrer porque ficou uma tarde fora — garantiu o amigo — Por outro lado, o que acha de domingo ir comer lá em casa?

— Parece uma boa ideia.

— E então vamos contar às nossas esposas sobre aquela sórdida. Claro que Hollie também está convidada.

— Ah tudo bem, ela já sabe, eu contei para ela — disse Sirius, surpreendendo-o os outros dois.

— Espero que não estejam aprontando algo ilegal, Almofadinhas — disse Remus.

— Bom, isso só o tempo nos dirá.

Como combinado, ele decidiu ir direto para casa depois de pagar a conta do restaurante. Ele gostava de ficar um tempo calmo para pensar, para apaziguar a tempestade que se desenrolava na sua cabeça, a última vez que se sentiu assim foi quando seus pais morreram, o problema era precisamente o que disse, que ele mesmo gerava mais problemas dando voltas no assunto.

Chegou sem maiores problemas em casa e entrou, podendo escutar alguns sonos vindos da cozinha. Para dizer a verdade, tinha intenção de ir deitar-se na cama, mas sua curiosidade venceu, então foi ver o que estava acontecendo. A mulher estava na frente da pia lavando alguns pratos, vestindo as jardineiras que costumava usar quando trabalhava no ateliê.

— Olá, Dora — ele cumprimentou.

— Olá, Remus. O que faz em casa tão cedo? — perguntou sorridente.

— Não estava muito bem e tirei a tarde de folga — explicou.

— Sério? — estranhou, virando-se para vê-lo — Está doente?

— Não, nada disso. E você o que está fazendo? — devolveu a pergunta.

— Bom, só estou lavando algumas coisas que sujei — começou — Isso de saber cozinhar tem suas vantagens, já que não tenho que requentar comida ou pedir delivery, mas o pior é ter que lavar, não acha? — disse com um grande sorriso.

Esse sorriso era muito mais do que esperava ver. Era doce, sincero e capaz de fazê-lo esquecer de todos os problemas mesmo que fosse por um segundo. Sem poder evitar, aproximou-se dela, a abraçou pelas costas, o que a surpreendeu, e a beijou na bochecha.

— Por que tanto carinho? — perguntou brincalhona, mas ele não respondeu.

Logo aquele beijo foi se multiplicando, começou a beijá-la na bochecha, depois na orelha, até terminar no pescoço dela, toda a diversão dela transformou-se em expectativa, e pouco a pouco começou a tomar outras nuances quando Remus começou a acariciá-la com as mãos, subindo e descendo levemente até tirar um dos suspensórios que seguravam a sua calça.

— Re... Remus... Sério, o que deu em você? — perguntou — Não que eu me incomode... mas está estranho.

— Nada, eu só quero estar contigo — respondeu antes de voltar a beijar o seu pescoço e ombro.

— Ah... Bom... Bom saber — ela comentou.

A situação foi ficando cada vez mais quente, mas dessa vez era ela quem estava sendo provocada. Sem dizer nada, foram até o quarto do castanho, caíram sobre a cama entre beijos e carícias. Remus teve subitamente um momento de sanidade e parou.

— Não, espera — ele disse.

— O que foi? Foi você quem começou — ela disse risonha.

— Sim, bom, mas... — não sabia como dizer.

— Relaxa, Remus — deu um beijo em seus lábios — Depois da última vez, eu fui ao médico, e estive tomando anticoncepcionais.

— Quê?

— É que depois de como as coisas aconteceram da última vez, pensei que da próxima poderíamos não conseguir nos controlar e, bom, para evitar um "acidente" — disse um pouco corada — Então se esse é o problema — deu um beijo —, podemos — outro — continuar.

Dessa vez nada os impediu. Estiveram toda a tarde desfrutando daquela "dança", dissipando qualquer dúvida ou pensamento errado na mente do homem, agora tinha certeza mais do que nunca de que o que aconteceu com Nicole não podia ser comparado com o que estava vivendo com Dora.

Depois da tarde, o casal teve uma pequena discussão, já que ela queria faltar às aulas da Burbage para ficar com Remus em casa, e ele não queria que ela faltasse, mas depois que ela reclamasse de sua saída não teve tanta dificuldade em convencê-lo. Acabaram avisando a Charity que Tonks não poderia ir por "motivos de força maior" e estiveram o resto do dia juntos.

Era sexta-feira de manhã e uma renomada artista estava passeando com alguns de seus alunos por uma galeria de Londres. Era um lugar bem grande e espaçoso, mais que nada, Charity queria que seus pupilos vissem antes que ninguém o lugar onde poderiam exibir suas obras. Para eles, que apenas embarcavam naquele mundo, sentiam-se animados em pensar que iriam expor suas obras naquele lugar.

Segundo Charity, realizaria-se um pequeno evento para mostrar as jovens promessas do mundo da arte, seria uma noite de gala, onde pessoas importantes compareceriam. Então os jovens estavam tão animados quanto ansiosos, já que as coisas poderiam não sair como o planejado.

Nymphadora se atrasou vendo uma sala, imaginando levar ali Remus e seus pais para desfrutarem com ela de suas conquistas, tão focada estava nisso que não viu que mais alguém aproximou-se, então acabou esbarrando nela, mas sem muita força.

— Poderia ter mais cuidado, por favor? — disse a mulher contra quem tinha esbarrado.

— Me desculpe, senhora, estava distraída.

Foi então que a viu. Era alta, cabelo longo castanho escuro, parecia uma mulher fina, embora tivesse o pressentimento que era tudo fachada, e pôde notar que levava uma estatueta talhada nas mãos.

— Deu para notar — disse mal educada — Diga-me, trabalha aqui?

— Não, estou só vendo, talvez exponha as minhas obras aqui.

— Ah! Uma artista. Isso explica muita coisa — olhou-a dos pés à cabeça.

— Sim, algum problema? — perguntou desafiante, já que não gostou nada de sua atitude.

— Não, nenhum.

— Então, eu vou indo. Adeus, senhora.

— Nicole, Nicole Green — apresentou-se — E você?

— Adeus — respondeu antes de virar-se, deixando-a no vácuo.

Tonks não era o tipo de pessoa que fazia aquelas coisas, mas tinha alguma coisa naquela mulherzinha que não a agradou nem um pouco, e conforme falavam sentiam mais e mais vontade de agarrar o pescoço dela. Por uma estranha razão, não tinha gostado nada dela.

Depois de retornar ao grupo, Dora começou a pensar no que aquela mulher poderia estar fazendo ali. Era de se supor que o lugar estava fechado, se eles entraram foi apenas porque foram acompanhados por Charity, então lembrou-se da estatueta que segurava. E com aquela imagem toda refinada que se fazia, com certeza ia vender a estatueta e aproveitava aquele momento para ser discreta, para que não percebesse que estava necessitada de dinheiro ou coisa do tipo. Essa ideia fez com que gostasse muito menos dela.

Os dias continuaram até que chegou domingo. De manhã cedo, Remus, Tonks e Sirius chegaram à casa dos Potters para o café da manhã, como já tinham combinado. Hollie também foi convidada, mas tinha dito que chegaria depois. Enquanto Lily e Tonks estavam na cozinha preparando a comida, e os homens ficaram na sala discutindo algumas coisas, vendo a melhor forma de dá-las a notícia e descartando as mil e uma ideias que vinham a Sirius de como provocar "acidentes".

Quando tudo estava pronto, foram para a mesa onde comeram em meio a uma amena conversa. Depois que terminaram, levaram os pratos sujos e continuaram a conversa tomando umas xícaras de café com alguns biscoitos.

— E como esteve, Dora? — perguntou Lily em um momento.

— Ótimo, acho que não contei a vocês, mas Charity Burbage está planejando uma exposição de arte.

— Isso não é de estranhar — comentou Sirius.

— Não, a exposição não é das obras dela. Como ela disse, será um evento onde apresentará as obras das "futuras promessas da arte", e eu estou nessa.

— Então vão expor suas obras com a de outros alunos? — perguntou Lily e ela assentiu — Parabéns! Deve ser muito importante para você. Vai levar seus pais, não é?

— Sim, estou muito animada, e claro que meus pais vão estar lá e eu queria que fossem também — ela disse.

— Muito obrigado, vamos estar, não é, Almofadinhas? — disse James sem hesitar.

— Claro que sim — respondeu o outro — E para não se sentir mal, vou comprar um dos seus quadros.

— Se é só para eu não me sentir mal, então não compre. Quero que meus quadros sejam vendidos porque as pessoas gostaram, e não por companheirismo ou pena.

— Já pegou a personalidade desse aí — retrucou Sirius, apontando a Remus.

— Mesmo que se incomode, tio, mal posso esperar para chegar a hora. Fomos outro dia com Charity para ver a galeria, cada um terá um sala onde poremos tudo o que pintamos e, bom, o que vamos expor, claro. Estive trabalhando muito para terminar algumas, é um lugar impressionante, apesar daquela mulher com quem esbarrei.

— Que mulher? — perguntou Lily.

— Parecia ou queria fingir que tinha classe.

— Foi grosseira contigo? — perguntou Sirius.

— Não posso dizer que sim, mas o tom com que falou, não sei. Tive um pressentimento estranho quando estava perto dela, não gostei. Sei que não faz sentido, mas simplesmente não fui com a cara dela.

— Então, agora que estamos falando de pessoas desagradáveis — começou Sirius — Acho que seus maridos têm uma coisa para dizer para vocês — terminou, olhando para seus amigos.

— O que tem para nos dizer? — perguntou Lily — Tem a ver com o quão estranhos estiveram nessa última semana?

— Sim, eu também percebi — disse Dora, pensando no quão sério, e às vezes carinhoso, Remus chegou em casa.

— É, tem a ver com isso — respondeu James.

— Não sei se sabem ou se lembram, mas tínhamos um cliente que estava pedindo algo impossível.

— O que queria a reconstrução do prédio que não dá para reconstruir? — chutou Tonks, e seu marido assentiu.

— Sim, James me falou sobre isso, mas até onde eu sei, o cliente foi para outra construtora.

— Sim — continuou Remus, tinham decidido que se fossem dar a notícia, ele era o que tinha maior tato entre os três —, mas teve um acidente na obra, não foi tão grave — acrescentou rapidamente —, mas o cliente decidiu voltar para a nossa construtora e insistir no projeto.

— Depois do acidente não teve escolha — disse Dora, recebendo uma concordância de Sirius, que tinha pensado o mesmo.

— Sim, bom, a questão é que o cliente deu as caras pessoalmente na construtora para falar com a gente — as mulheres cada vez entendiam menos — E, bom, o problema é que essa pessoa é...

Não pôde terminar porque naquele momento escutaram como a porta da frente abria e fechava, depois escutaram os passos de uma mulher aproximando-se do cômodo onde estavam, e um segundo depois uma apressada Hollie estava entrando e pondo-se em frente a todos os presentes.

— Bem, já contaram que a ex-mulher do Remus voltou? — perguntou.

— Quê?