J~L

P.S: Cheguei atrasada, com um capitulo menor, mas com um capitulo CEM POR CENTO Jily! =D


-PRESENTE-

Lily segurava firme o mouse, enquanto puxava, pela terceira vez, a linha que determinaria a parede daquele projeto, mas o seu computador estava absurdamente lento e congelou novamente. Ela largou o mouse e se recostou na cadeira, amaldiçoando toda a tecnologia possível!

- Algum problema, Srta. Evans?

Ela deu um pulo da cadeira e se levantou imediatamente.

- Boa tarde, Sr. Dumbledore. Como vai o senhor?

Albus Dumbledore sorriu, a olhando por cima de seus óculos meia lua.

- Eu vou muito bem. E a senhorita?

- Bem, obrigada.

- E então, qual é o problema? Algo com o computador?

- Erm, sim. Ele está lento. Acho que vou pedir para alguém do T.I dar uma olhada.

Albus olhou para o relógio e depois para a ruiva.

- Faça isso, porém eu duvido que ficará pronto para hoje. Eu soube de todo o seu empenho semana passada com as obras e projetos. Peça para alguém do T.I vir pegar seu computador e a senhorita pode ir para casa, começar o feriado mais cedo. - Ele piscou para ela, lhe dando as costas e caminhando em direção ao próprio escritório.

- Obrigada, Sr. Dumbledore.

Ele apenas se virou e sorriu novamente. Lily mal pôde se conter de felicidade, ela poderia voltar para casa tranquilamente e tomar um bom banho antes de se encontrar com James.

Aliás, ela ainda esperava a mensagem dele sobre onde deveriam se encontrar.

Ligou para o T.I e pediu que desse uma olhada em seu computador. Ela salvou o que pôde e o desligou. Pegou sua bolsa e se dirigiu para o departamento de Marketing e Venda. Marlene levantou os olhos assim que ela entrou.

- Aonde vai com essa bolsa?

- Meu computador está uma porcaria, então alguém do T.I virá buscar para dar uma olhada.

- Teremos um Happy Hour depois do trabalho. Você não quer vir?

- Nah, eu vou fazer algumas coisas pendentes essa noite. Não espere por mim, ok? Eu vou estar bem. - Marlene a olhou, desconfiada.

- Quais coisas pendentes?

Lily olhou de esguelha para Reginal, sentando não muito longe dali.

- Umas coisas. Aproveite o Happy Hour.

- Ah, eu irei! Te vejo mais tarde, ruiva.

- Te vejo mais tarde. Tchau, Reginal. Bom feriado.

- Bom feriado, Lily. Descanse!

Lily gostava de ir e voltar do trabalho a pé, um dos motivos das duas amigas pagarem tanto com aluguel, mas hoje decidiu pegar o ônibus para chegar em casa mais rápido. Pegou seu celular. Nenhuma mensagem de James. Desde sábado, quando ele a convidou para o encontro, eles não falaram mais sobre, além de uma ligação na segunda-feira onde James disse que a veria na quarta. Talvez ele tenha esquecido ou desistido? Aquilo seria humilhante e ela faria questão de matá-lo. Não duvidaria que ele fizesse uma brincadeira idiota assim, de chamá-la para sair e depois dizer que estava brincando, dizendo que o pacto ainda existia, mesmo com os deslizes e que ela deveria esquecer essa ideia.

Apenas em pensar nisso, a raiva subiu. Mandou uma mensagem simples e direta: apenas um ponto de interrogação. Quando chegou em seu ponto, seu celular vibrou com uma mensagem:

"Você receberá instruções às 17h30, apenas para evitar questionamentos ;)"

Revirou os olhos. Pelo menos parecia que o encontro ainda estava em pé. Porém, não passava de 15h40 agora e ela teria tempo o suficiente para descansar, tomar um banho e se preparar. E foi exatamente o que fizera: tomou um longo banho, aproveitando cada momento da água e dos sais de banho a relaxando, ouvindo música alta sem incomodar ninguém e bebendo uma taça de champagne.

Por incrível que pareça, ela não se sentia nervosa. Ou não ainda. Tinha a impressão que iria encontrar James para uma refeição, coisa que eles faziam de vez em quando, ao mesmo tempo que seu cérebro insistia em dizer que as coisas seriam bem diferentes dessa vez. Assim ela esperava.

Olhando seu guarda-roupa, percebeu que não tinha ideia para onde iriam, então decidiu por um vestido cru um palmo acima dos joelhos e que lhe caia bem, sem ficar apertado ou muito solto, um cardigan alguns tons mais escuros e um cinto por cima de ambos, fechado com um detalhe bonito e discreto do lado. O tempo havia ficado um pouco instável nos últimos dias, então o clima não chamava para um estilo tão primaveril. Enquanto estava no banheiro, ouviu seu celular apitar, vindo do quarto:

"18h30 na Pilgrim's Lane. O número, eu imagino, você deve conhecer".

Era exatamente 17h30. Lily ficou encarando a tela por alguns momentos. Por que James iria querer se encontrar lá? Agora entendia o motivo de enviar a localização mais tarde, porque ela definitivamente tinha muitas perguntas.

Terminou de se arrumar e pegou um táxi, esperando que o trânsito não a fizesse chegar atrasada. Sabia o quanto James Potter era pontal. Por sorte, ela chegou às 18h25. Ela desceu do táxi e suspirou fundo, sorrindo.

Ela estava na frente da antiga casa dos Evans. Como ela sentia falta daquela casa de tijolos vermelhos. Os atuais donos mantiveram todas as árvores, plantas e flores que seu pai havia cultivado por anos. E por haver tanto verde nos muros e entrada, ela podia olhar para a casa sem ser vista, caso alguém aparecesse na janela. Muito havia acontecido naquela casa e amaria poder entrar novamente, ter a sensação de segurar no corrimão da escada mais uma vez ou até mesmo de sentar na beirada da pequena varanda, em frente da porta de entrada.

Lembrava da infância feliz que tivera, quando ainda tinha um bom relacionamento com Petúnia. Seus bons momentos com Severus e a decadência de sua amizade com a própria irmã. O momento quando quebrou o braço naquela mesma garagem aberta, ou quando arranhou o carro do Sr. Evans quando ele a ensinava a dirigir.

- Vão pensar que você é uma stalker!

A voz atrás dela a fez voltar ainda mais no tempo, quando eles iam e voltavam da escola juntos, ou quando ele a visitava apenas para conversar. Lily se virou e encontrou um James sorridente, com sua jaqueta de couro por cima de uma camiseta cinza escura que ornava perfeitamente com o corpo maravilhoso dele, uma calça jeans preta e óculos escuros.

- A culpa seria totalmente sua por me enviar até aqui. - Lily respondeu, tentando não engoli-lo com os olhos . James se aproximou, olhando para a casa também.

- Parece que foi ontem que tiramos todas as suas coisas para levar para o dormitório da universidade, não? - James olhava cada centímetro da fachada. Ele sorriu. - O muro ainda está marcado com a tinta do carro do seu pai. - Ele apontou para a quina da entrada da garagem exatamente onde ela havia arranhado o carro. Ela revirou os olhos.

- Eu dirijo bem agora.

- Não antes ter feito um pequeno estrago na propriedade. - Ele riu.

- Ha ha muito engraçado. Então, Potter, por que estamos aqui? Nós vamos apertar a campainha e nos juntar à família hoje?

James se virou para ela e levantou os óculos escuros. Agora, todo aquele nervosismo que ela não sentiu durante todo o dia, chegou como um tsunami. Os olhos dele pareciam dizer muita coisa, mas Lily estava tão nervosa, que não conseguia distinguir o que era.

- Eu pensei muito no dia de hoje desde o fim de semana. No que faríamos, onde poderíamos ir, o que fazer. Eu queria que fosse um encontro perfeito, mas mesmo tendo mil ideias, apenas uma delas continuava a voltar na minha cabeça, até que decidi largar todos os planos e seguir o que a minha cabeça insistia.

- E o que seria?

- Lily…- Ele começou. Ela via uma luta interna acontecendo em seus olhos. James passou a mão nos cabelos, antes de continuar. - Eu quis que nosso encontro começasse aqui, porque eu devo isso ao James de 15 anos. Ele deveria ter te chamado para sair naquele dia que nos reencontramos, no fim das férias de verão. Mas ele não conseguiu. - James olhou para a porta da frente da casa. - Eu lembro quando aquela porta abriu e eu te vi depois de meses. Eu fui muito idiota. Agora eu tenho a chance de consertar isso.

Lily estava sem respirar, sem acreditar em tudo que ouvia. James era seu melhor amigo e já o vira namorando outras pessoas, mas não conhecia aquele lado dele. Aquele lado romântico.

E era para ela, com ela.

- Ok! - Ela disse, sinceramente, sorrindo para ele. E ela desconfiava que aquela simples palavra havia saído um pouco excitada também.

- Então, antes de continuarmos, eu preciso perguntar isso neste lugar e agora, mesmo já termos passado por essa parte. Acho que aquela parte da minha cabeça que está querendo presentear o James adolescente, está pedindo. - James deu mais um passo à frente. - Lily, você aceita sair comigo?

- Sim! - Ela respondeu, sem nem precisar pensar.

- Essa resposta foi mais rápida do que da primeira vez.

- Não há nada me impedindo de dizer "sim". Não mais, pelo menos. - O sorriso dele ficou ainda maior. Seu coração parecia em uma festa de carnaval.

- Pelo menos você não se arrependeu ainda. - James pareceu relaxar um pouco. - Você está pronta? Eu vou te levar em um lugar que remete um pouco a nossa adolescência também. - Quando ela acordou naquela manhã, não esperaria toda essa emoção. Ela foi da incerteza do encontro acontecer, já que não teve noticias dele durante todo o dia, para um sentimento maravilhoso de um encontro com uma viagem ao passado.

- Onde James Potter de quinze anos me levaria, então?

- Acho que a Lily de quinze anos iria adorar. A de vinte e seis eu não tenho tanta certeza, mas eu aceitei correr o risco.

- Se eu gostaria aos quinze, eu vou gostar agora.

James ofereceu seu braço e ela aceitou.

- Iremos a pé, porque seria o melhor jeito de chegar lá.

- Sem contar que você não tinha sua carta de motorista aos quinze.

- Sim, mas eu roubei o carro do meu pai algumas vezes, você sabe.

- Claro que lembro, e bateu o carro, inclusive. Com todos nós dentro. - James deu de ombros.

- Foi uma batida leve, ninguém se machucou.

- Apenas o coração do seu pai.

Eles andaram por alguns minutos, conversando e lembrando alguns acontecimentos enquanto passavam por algumas ruas e lugares. Na época, James não morava muito longe dali, então era um bairro onde haviam acumulado muitas lembranças.

Quando andavam pela rua comercial do bairro, Lily viu Madame Puddifoot se aproximando. Ela começou a rir.

- Madame Puddifoot? - Ela riu. - Aquele James me levaria lá?

- Claro que não. Toda a Hogwarts ia lá para os encontros.

- Sim, inclusive foi o único lugar que sempre fui levada. - Ela revirou os olhos.

- Eu sei, por isso que o James daquela época não te levaria lá.

Eles passaram em frente do tal lugar, olhando pela grande janela. Nada havia mudado: o lugar continuava lotado de adolescentes, a decoração era ainda cheia de babados por todos os cantos e uma espécie de fumaça rosa no ar. Ambos riram ao perceberem que tudo estava do mesmo jeito.

- Você lembra quando aquele cara, John Creevey, te chamou para sair no último ano? - James perguntou.

- Sim, lembro. Ele me trouxe na Madame Puddifoot. - Lily riu, se lembrando.

- Ele veio me perguntar onde você gostaria de ir. - James bufou. - Disse que queria fazer algo especial e eu, como o seu amigo, saberia um bom lugar para recomendar. Eu recomendei o Madame Puddifoot, mesmo sabendo que você não gostava de ir.

- Por que me torturaria assim, James?

- Porque eu não queria que fosse algo especial. - Ele deu de ombros. - Eu sabia onde você sempre quis ser levada e eu guardei essa informação à sete chaves.

Eles pararam em frente ao Três Vassouras. Lily abriu a boca, chocada. Sim, ela sempre quis ser levada para um encontro ali quando estavam em Hogwarts, mas nunca tinha acontecido. Era um bar normal, mas muito confortável, quase à meia luz, em tons vermelho, laranja e amarelo. Já havia ido com amigos, mas nunca em um encontro. Para ela, o lugar tinha um toque especial, que lhe fazia se sentir bem, sem o ar romântico forçado de Madame Puddifoot. A ruiva, inclusive, havia reclamado para James e Marlene, na época, que estava cansada de ir ao mesmo lugar todas as vezes e que nenhum garoto pensava em mudar os ares. E quando ela comentava com a pessoa sobre o Três Vassouras, ninguém curtia a ideia e acabavam fazendo sempre a mesma coisa: Madame Puddifoot.

- Eu estou adorando! - Ela disse, já se lançando para a porta e entrando. O lugar havia renovado algumas coisas, mas continuava tão aconchegante quanto antes. Viu Madame Rosmerta atrás do balcão, com algumas rugas a mais. - Então você teria me trazido aqui? - Ela perguntou, se virando para ele.

- Vamos lá, você acha que eu não usaria essa importante informação à meu favor?

Se sentaram em uma mesa ao lado da grande janela, tendo os londrinos e os turistas passando, admirando. Lily amava aquela sensação de calmaria onde estava, mas podendo ver o mundo correr e acontecer justo ao seu lado. Ela pediu um martini, para começar e James uma cerveja.

- Eu não acho que eles nos venderiam essas bebidas na época. - Lily comentou quando a responsável da mesa os servia.

- O bom de não termos quinze anos hoje é poder fazer coisas de adulto. - James levantou o copo. - Aos vinte e seis anos!

- Aos vinte e seis anos! - Eles brindaram e deram um gole em suas bebidas. Lily abaixou seu copo na mesa e sorriu. - Uma curiosidade: você contou para alguém sobre hoje?

- Honestamente, não. - James deu de ombros. - E você?

- Também não. - Lily deu um outro gole em seu martini. - Por que não contou?

James se recostou na cadeira, pensativo.

- Eu não sei... - Ele passava os dedos pelo seu copo.

- Você também sente que é um segredo? - Ela perguntou, se debruçando na mesa e rindo.

- Exato! - Ele se debruçou também. - E eu sinto que ninguém precisa saber. Como se fosse dar má sorte.

Eles se encararam por alguns segundos, ambos sorrindo um para o outro. Lily se sentia uma adolescente com ele, saindo escondida dos amigos depois da escola, tendo que evitar todos apenas para encontrar com o cara que ela gosta.

- Isso é….excitante. - Ela comentou, voltando a se recostar na cadeira, ao mesmo tempo que ele.

- Você tirou as palavras da minha boca. - Ele respondeu, levando o copo à boca e a encarando. Senhor, o olhar de James conseguia deixar as coisas ainda mais excitantes.

A responsável da mesa se direcionou novamente para os dois, perguntando se queriam pedir alguma entrada e com os dois negando, ela os entregou o menu para escolherem o prato principal. A ruiva tentava prestar atenção no menu, mas seus olhos desviavam sempre para ele, o assistindo. Quando ficava muito tempo olhando, ela desviava.

O que ela não sabia era que ele fazia o mesmo quando ela estava prestando atenção no menu.

Quando eles pediram, ambos se recostaram e ficaram confortáveis. Os olhos não se desgrudando do outro, em um silêncio tenso, mas não de nervosismo.

Eles sabiam que ambos gostariam de estar sozinhos naquele momento, longe de tudo e da vista de todos. As lembranças dos beijos e das sensações era tão forte, que Lily tinha a impressão que o ar condicionado havia sido desligado e ligaram o aquecedor no lugar. As mãos dele na mesa, que se fechavam algumas vezes, como se ele estivesse as controlando e as impedindo de fazer algo, só fazia com que aquela sensação aumentasse. Aquela tensão sexual era tão palpável, que Lily estava surpresa por ninguém os mandar embora, imaginando que algo aconteceria ali na frente de todos.

Ela mesma poderia dizer que apenas gostaria de jogar James naquela mesa e o beijar até alguém chamar a polícia.

- Acho que precisamos nos distrair. - A voz dele soou diferente, mais grave. Lily engoliu seco.

- Eu concordo com você. - Ela se ajeitou no lugar e colocou os cabelos atrás de suas orelhas. - Certo. Eu acho que sendo o nosso primeiro encontro e tendo muitas revelações sobre o passado, por que não falamos sobre isso?

- Você está curiosa sobre a minha adolescência sendo apaixonado por você e sofrendo o inferno por conta disso?

O rosto de Lily se tingiu de vermelho. James riu com a reação dela.

- Sofrendo o inferno por isso, James? Conta outra.

- Lily, eu só não vestia preto, colava o cabelo na testa, ouvia músicas deprimentes todos os dias e me juntava com aquele grupo emo da época, porque os caras não deixariam.

- Espera. Eles sabiam? - Lily estava surpresa. Não deveria, claro. Os marotos tinham uma conexão absurda e linda, na opinião dela. Era óbvio que eles saberiam algo assim. Talvez fosse algo que a surpreendia, porque ela nunca havia contado para ninguém e carregava aquilo como o segredo do século.

Talvez algumas piadas e indiretas de Sirius e Remus faziam sentido agora, ela se pegou pensando.

- Eles descobriram. - James deu de ombros. - Sirius, na verdade. E então, você sabe, uma vez que ele sabe algo, não há muito o que fazer.

Claro! Claro que tinha sido Sirius. O que ele não descobria?

- Como isso aconteceu?

- Hm, uma história interessante e embaraçosa. - Ele sorriu, olhando para cima, provavelmente lembrando. - Lembra quando eu fiquei doente, logo depois das voltas às aulas? Depois daquele verão que eu fiquei longe?

- Sim. Você inclusive me agraciou com aquela gripe depois.

- Hey, você quem quis me abraçar. - Ele levantou as mãos ao alto, se defendendo.

- Você não se afastou. - Ela apontou.

- Claro que não. O erro já estava feito, então eu apenas aproveitei.

- Certo, certo. Continue. - Ela disse, sorrindo ao lembrar daquela tarde.

- Bem, Sirius ficou encarregado de me levar a prova de biologia corrigida, já que eu não havia ido para a escola naquele dia. E...bem...talvez houvesse algo escrito lá e que eu não apaguei bem e o enxerido do Sirius leu.

- O que estava escrito?

James coçou a nuca, claramente sem graça.

- Nada demais. Um "L.E" e um desenho dos seus olhos...hm. - Ele terminou, um pouco tímido. A boca de Lily caiu de espanto. James escrevia e desenhava sobre ela?

O quão surreal aquilo soava? Nunca imaginaria isso.

De repente, uma lembrança a atingiu e os olhos verdes se perderam por alguns instantes.

- James! - Ela o chamou.

- Sim?

- Quando a senhora Sprout nos deu a prova, eu pedi para entregar a sua. - James arregalou os olhos. - Mas ela entregou para Sirius, sem nenhuma explicação. Eu acho que ela também viu o desenho!

- Meu deus, o corpo docente inteiro devia saber disso. - Ele passou as mãos pelos cabelos, encabulado.

- Provavelmente. - Ela riu.

Como havia sido idiota, pensou James. Se Sirius havia visto, claro que a professora também e, lembrando como a professora Sprout gostava de fofocar, todos os outros professores sabiam também.

Se um dos professores tivesse aberto a boca para outros estudantes ou para Lily, talvez aquilo teria dado um rumo bom e favorável para os dois.

Se James falasse isso na frente de Sirius e Remus, provavelmente levaria um soco de ambos, depois dos dois amigos terem tentado tanto ajudar e ele sempre negar.

- Se você pegasse aquela prova, acho que "constrangedor" não descreveria a sensação. Talvez eu me mudasse de país.

- Ou talvez me daria uma ideia do que estava acontecendo. - Lily deu de ombros. - Eu poderia ter agido.

Ele pareceu pensar nas palavras dela por um momento. Lily tomou aquele tempo para dar o último gole de seu martini.

- Engraçado como algo pequeno poderia ter mudado tudo, não? Se Sprout não tivesse dado uma grande olhada na minha prova...

- Eu teria visto, teria ido até a sua casa naquele dia e teria pego aquela gripe novamente, mas não com um abraço! - Ela sorriu maliciosamente, fazendo James rir.

- Estranho. - Ele disse, ainda sorrindo. - Eu tenho a sensação de que já conversei sobre isso antes.

- Déjà-vu, você quer dizer?

- Não. Diferente de déjà-vu... como se eu tivesse mesmo conversado sobre algo assim com você antes.

Um alerta vermelho começou a piscar na cabeça de Lily. Ai céus, não. Eles haviam conversado sobre algo parecido naquela noite? Bom, ela não tinha nenhuma lembrança, mas aparentemente algo estava rondando as memórias dele.

- Talvez você esteja apenas emocionado com a conversa. - Ela disse a primeira coisa estupida que veio na cabeça. - Não é todo dia que falamos sobre como a pessoa que a gente gostava, gostava de volta, certo?

- Eu não duvidaria, apesar de ter sido uma sensação estranha. - James deu de ombros e deu um gole em sua cerveja. Ele apontou para ela com o copo ainda em mãos. - Acho que você deve me dizer algo constrangedor agora. - Lily se distraiu por alguns instantes, pensativa.

- Como eu não contei para ninguém, não há algo constrangedor. Mas...o que eu posso dizer? Eu quase te beijei tantas vezes. Quando você voltou e fomos na festa do McDonald encontrar os marotos. Estávamos saindo e você falando sobre as coisas que queremos fazer e como deveríamos ir em frente com isso. Eu estava louca para pular no seu pescoço. - James era o chocado agora. - Na festa do meu primeiro porre na casa de Dorcas. Céus, foi por tão pouco, James. Eu estava bêbada, mas eu lembro de não conseguir me frear e tocar no seu corpo. - Ela bateu com a cabeça na mesa, indignada com ela mesma. James ria, porque ela escutava a deliciosa risada dele. - Aí está um momento embaraçoso. - Ela meneou a cabeça que ainda estava encostada na mesa. - Ou você conversando comigo sobre Mark Tunner depois do nosso rompimento, dizendo que eu não olhava para os caras da escola. Inferno, James, eu não tirava meus olhos de você. Era horrível.

Lily se levantou assustada quando ouviu um barulho forte e sentiu a mesa tremer: James era quem bateu a cabeça na mesa agora. Ele bateu mais duas vezes antes de levantar.

- Eu não sei o que dizer. Honestamente. Eu…- Ele passou as mãos pelos cabelos. - Isso é inacreditável! Eu namorei Aleksia, porque eu não te beijei naquele maldito Verdade ou Desafio na casa de Alice. Eu ia te beijar, Lily. Eu não tava me importando com mais nada. Eu estava pronto, mas…

- Benjy! - Ela o cortou, assentindo lentamente, o rosto contorcido de raiva. - Quando foi anunciado que alguém tinha que me beijar, o que eu não entendi o motivo, aliás, você se virou para mim. Você se virou então...para...

- Sim! - Ele disse calorosamente, se ajeitando na cadeira. Lily enrugou a testa.

- E por que não fez? - Ela perguntou de volta tão calorosamente quanto ele.

James revirou os olhos e bufou.

- Benjy foi mais rápido. Eu, honestamente, não sei quanto tempo ele levou para levantar a bunda dele do lugar e ir até lá. As coisas pareciam ter sido em câmera lenta.

- Não foi a câmera que estava lenta, foi você, Potter!

- Hey! Olha só, você deveria estar querendo tanto quanto eu. Por que você não avançou, senhorita rápida?

Lily levantou a sobrancelha e olhou para as unhas, divertida.

- Alguém deveria me beijar e não o contrário!

James abriu a boca para responder, mas ele franziu a testa e olhou para baixo, em direção ao seu bolso.

- Eu tenho que atender essa ligação. Você se importa?

- Nem um pouco.

Ele se levantou e saiu do Três Vassouras. Lily o assistiu na calçada, parecendo feliz e preocupado ao mesmo tempo. O moreno deu uma olhada para ela pelo vidro e piscou, antes de continuar a falar com a pessoa no celular. Ela sorriu de volta.

Os pedidos chegaram e Lily agradeceu, pedindo uma taça de vinho para ele e uma taça de champagne para ela. James voltou logo após as bebidas chegarem.

- Era Peter! - ele tinha uma ruga em sua testa.

- Ele está bem? - Lily perguntou rapidamente.

- Aparentemente sim. Como ele está um pouco afastado, eu fico com o coração na boca toda vez que ele liga, pensando que ele está mal ou precisa de ajuda. Mas ele ligou para saber se eu estava em casa hoje ou com os caras. - James pegou sua taça de vinho, antes de olhar para ela. - Bem, Peter, hoje eu não estou disponível!

Eles brindaram, com os olhos fixos um no outro e deram um gole, antes de partirem para os pratos. Eles ficaram em silêncio por alguns minutos, apenas curtindo a companhia um do outro e raramente fazendo algum comentário, até que Lily resolveu voltar ao assunto.

Antes ela estava morrendo de vergonha em falar daquilo, mas agora parecia muito mais fácil. Talvez por James a deixar confortável com toda a conversa.

Ela não poderia pedir para se apaixonar por alguém melhor do que ele. A ruiva sorriu com esse pensamento antes de reiniciar a conversa.

- Você acha que, em algum momento, nós passamos do ponto? - Lily perguntou após um gole de sua taça.

- Em qual sentido? - Ele levantou o olhar para ela.

- Aconteceu algo naquela época que você disse "wow isso aqui está errado"? Relacionado ao pacto?

O moreno limpou a boca no guardanapo, daquele jeito um pouco chique que Euphemia o havia ensinado.

- Sem contar pensamentos? - Ele brincou.

- Sem contar pensamentos! - Lily riu.

- Uma cotovelada no nariz de Mark Tunner conta?

Lily abriu a boca em choque.

- Você fez aquilo de propósito?

Os olhos de James se fecharam como se ele estivesse com vergonha da bronca.

- Eu estava um pouco irritado.

- James! Eu tinha terminado com ele. Qual é o nexo disso? - Ela perguntou sem acreditar. Ainda que não estivesse brava, ela estava muito chocada. - Você quebrou o nariz dele. Mark teve que fazer cirurgia e tudo.

- Ele estava bem convencido em te fazer mudar de ideia sobre o término e a noticia me pegou de cabeça quente com o jogo. - Ela revirou os olhos. - Veja bem, eu não tenho orgulho disso. - James passou a mão nos cabelos, um pouco desconcertado. - Eu nunca briguei com um cara por causa de mulher e nunca havia brigado com ninguém por sua causa...espere...Ranhoso não conta.

- Se eu contar isso para ele, acho que Mark vai ficar surpreso tanto quanto eu.

Os olhos castanho esverdeados se abriram.

- Você tem contato com ele?

Lily deu de ombros.

- Ele me achou na internet há alguns meses atrás.

- E você nem me contou? Eu não deveria ser o seu, sei lá, melhor amigo?

- Eu esqueci, desculpa. - ela bufou. - Você estava em Cardiff quando isso aconteceu, correndo com aquele caso do garoto desaparecido.

- Nós nos falamos todas as noites! - Ele parecia doido. - Eu perguntava das novidades e você só vinha com coisas da Phoenix's. Estou ofendido!

A mão de Lily largou o garfo e deslizou pela mesa, segurando a mão de James. Ele assistiu o gesto e depois levantou os olhos para ela.

- Se ajuda com algo, ele está longe de ter o mesmo tanquinho de Hogwarts, é divorciado com dois filhos e ficando careca.

James revirou os olhos, mas o sorriso dele escapou com a frase dela. Os dedos dele a acariciaram por um momento, antes de ambos voltarem para seus talheres.

- Viu? Era esse tipo de fofoca que eu queria.

- Duvido. Isso é mais coisa do Sirius do que sua. Você não se importa com essas coisas.

- Se estamos falando de Mark Tunner sim. - James deu de ombros. - Você falou de mim?

- Ele perguntou se eu tinha contato com você ainda e eu disse que ainda éramos melhores amigos.

- E você contou que eu tenho um tanquinho ainda melhor do que o de Hogwarts e que meus cabelos ainda estão aqui? - James levantou as sobrancelhas algumas vezes para ela.

- Eu não fui tão profundamente assim, Potter.

- Deveria. Você deveria mandar uma mensagem agora para ele, dizendo que está no seu primeiro encontro com James Potter, o cara ainda sarado, com cabelos bonitos e que jogava basquete melhor do que ele. Aliás, o melhor shooting guard que aquela escola já viu. - James a encarou, enquanto Lily encarava o teto e meneava a cabeça. - Por que não esta escrevendo a mensagem, Lily?

Ao invés de respondê-lo, Lily chamou a mulher que os atendia e pediu uma outra taça de champagne.

- Você vai me fazer virar alcoólatra. - Ela finalmente disse. James sorriu.

- Você não tem bebido muito ultimamente. Digo, você nunca foi de beber, mas nem no casamento você se arriscou.

O que ela poderia dizer? "Estava evitando deixar o álcool te levar para a cama de novo"? Ou melhor: "estava evitando o álcool me dar toda a coragem de te agarrar por ai, quando eu claramente não estava ciente de que você corresponderia"?

Eh, achava melhor não.

- Acho que exagerei na noite da confraternização. Como você mesmo disse: eu não sou de beber, então prefiro ficar serena com a minha taça de champagne e um martini como aperitivo.

- Hm! - James murmurou. - Está evitando uma noite como aquela? Bones foi bom nas quantidades, mas não na qualidade?

- Por que estamos falando dos caras que eu saí? - Ela revirou os olhos, mas riu.

James deu de ombros.

- Insegurança minha, claro. Não é óbvio? - Ele também sorriu. Lily adorava como ele não se importava em dizer a verdade para ela, mesmo em tom de brincadeira. - Minha mente adoraria saber que ele é péssimo, para a felicidade da minha insegurança...mas eu não desejo que você tenha tido uma noite ruim, então estou em conflito.

- Por que você estaria inseguro? Justo você, um dos caras mais confiantes que conheço.

Os olhos dele caíram na mesa por um segundo, antes de se desviarem para a janela, assistindo as pessoas na calçada. Lily o fitava, tentando entender o que se passava na cabeça dele.

- Sobremesa de chocolate? - Ele perguntou quando se virou para ela.

- Eu dividiria algo de chocolate com você. - Ela respondeu docemente.

Após o pedido de um brownie pudding com direito à duas bolas de sorvete de baunilha e uma leve cobertura de chocolate, a sobremesa favorita de Lily do Três Vassouras, eles atacaram. O fato de que James não havia respondido sobre a insegurança, fez com que Lily se sentisse estranha. Naquele momento, ela se perguntava se devia se sentir insegura também, algo que ela não havia pensado e nem sentido até o momento. Se lembrasse de todas as mulheres maravilhosas que James havia saído, talvez nunca teria aceitado sair com ele. Uma das últimas, Carol Begman, era uma modelo que só não havia virado um anjo da Victoria's Secrets porque estava com 500gr a mais do que deveria. O que chocou Lily quando ouviu, já que aquela mulher era deslumbrante.

Linda, legal, gentil, rica e deslumbrante. Mas muito bitolada com o corpo, principalmente depois da recusa da vida dela, segundo ela mesma, então James não aguentou a pressão para isso. Infelizmente, para Carol, James era um cara com um corpo maravilhoso, mas fácil de manter. O que o levava a ter uma vida tranquila com comida, pizzas quase toda sexta-feira, hambúrguer um dia na semana e muitos doces na geladeira. Aquilo havia chocado Carol e ainda que ela nunca tenha tentado controlar o que ele comia, afinal ela era muito legal, James não curtiu o estilo de vida que os dois teriam juntos.

Lily lamentou, porque ela tinha gostado de Carol e Carol dela, mas...

"Obrigada, Carol, por não estar mais aqui", ela pensou malvadamente e sentindo uma pontada de culpa.

Voltou para o pensamento de insegurança dele. Tentava entender o porquê daquilo. James era lindo, absurdamente lindo para a própria sanidade dela e mais: charmoso, estiloso, confiante no seu trabalho e na vida em geral, carinhoso, romântico, um ótimo filho e um ótimo amigo.

- James! - O maroto desviou os olhos do pedaço de sobremesa que tinha ao meio caminho da boca e a olhou. - Eu nunca tive que esperar por alguém em um lugar tão especial, quanto na frente da minha antiga casa, onde passamos tantos momentos juntos. Eu nunca tive um encontro onde fui levada para um lugar que eu queria muito ir, como hoje. Nunca pude conversar com a pessoa sobre os meus sentimentos de adolescente, rir do que fazíamos, lembrar do passado e de uma época tão boa. Eu nunca estive tão confortável e tranquila, ainda que meu coração dispare toda vez que eu vejo você na minha frente. - Lily largou o próprio garfo, cruzou os braços na mesa e se aproximou dele. - Eu não sei sobre o que você está inseguro, mas se for em relação à hoje, à nós, saiba que ele nem terminou, mas já é o meu encontro favorito.

No segundo seguinte, o garfo de James estava para baixo, os olhos brilhando de alegria e o sorriso que ela admirava se abriu, antes de uma sombra de dúvida cruzar o seu rosto novamente. Era ele agora cruzando os braços na mesa, parecendo acuado.

- Você consegue tirar tudo de mim apenas por ser Lily Evans. - ele murmurou, vencido, sabendo que ela iria querer entender o lance de insegurança agora que ele havia comentado. - Eu queria muito que isso fosse como um encontro. Um verdadeiro primeiro encontro. Pelo fato de sairmos juntos muitas vezes, me deixou receoso de seguirmos para um caminho de "não encontro" e sim um "encontrando amigos", entende? Por eu não ser o cara que você conheceu por ai e te chamou para sair para se conhecerem, ou aquele cara que você tem uma queda e acabou pegando o telefone e combinando algo...eu sou apenas James, o cara que você conhece desde os onze anos, que você sabe todos os defeitos, as manias e chatices. Que está acostumada com a minha presença, mensagens e ligações...

- ...e que me deu um frio na barriga enorme quando me convidou, que me fez a mulher mais feliz por ter me trazido aqui, pela conversa, pelo o seu olhar, pelo fato de que está evitando me tocar desde o momento que nos sentamos aqui...- Ela o olhou de baixo para cima e levantou as sobrancelhas, deixando claro que ela tinha notado isso.

- Eu estou evitando pular etapas. - Ele sorriu, sem graça. - Eu sei que se eu te tocar, segurar sua mão ou qualquer coisa do tipo neste momento, eu vou querer me sentar mais perto e te beijar.

Aquela confissão foi direto para o peito de Lily, acelerando seu coração como louco. Aquilo dava a entender que as coisas não ficariam apenas por ali, certo? Ela sabia o quanto ela não queria que as coisas acabassem nesta noite e como não queria pular etapas com ele, ao mesmo tempo que não se importaria em pular algumas.

Por sinal, eles já haviam pulado uma etapa enorme. Ele apenas não lembrava.

- Por que você não quer pular etapas? Mesmo já nos conhecendo e muito bem, aliás. - O moreno respirou fundo.

- Eu acho que já pulamos muitas coisas e perdemos muito tempo, então o que eu menos quero, agora, é ter pressa com você em cada momento.

Lily não sabia onde ia parar com toda aquela sinceridade romântica de James. Era impossível ver aquele encontro como algo casual entre amigos, como ele temia.

- Não, não precisamos ter pressa. - Ela concordou. - Temos todo o tempo do mundo, certo?

- Iremos no nosso tempo. - Ele terminou o vinho antes de continuar. - Se você quiser, claro.

- Eu concordo em ir no nosso tempo. - Ela assentiu. - O que nenhum de nós sabe é se ele é lento ou não.

- Vamos descobrir! - a voz dele soou diferente e Lily quase jogou a toalha, desistindo, e pulou nele naquele instante.

Assim que saíram do Três Vassouras, ela percebeu, mas não sabia quando aconteceu, que estavam de mãos dadas. Obviamente, ela não comentou nada e nem tentou reverter a situação, já que estava mais do que bom sentir sua mão se encaixando na mão dele.

Eles caminharam lentamente por Londres e voltaram para perto da antiga casa dos Evans, onde James havia estacionado. Pela primeira vez, Lily preferiu andar do lado do passageiro com ele ao invés de sentar atrás e trocar olhares, porque hoje ele segurava sua mão mesmo dentro do carro, ambas apoiadas na perna dele, a largando apenas quando chegaram no prédio de Lily. Já passava das 23h30, a rua estava calma, mas iluminada o suficiente. James saiu do carro com ela e a acompanhou até os degraus do prédio.

- Você quer subir? - Ela perguntou. Seu estômago dava voltas e mais voltas. Lily parou em um dos degraus, James parou um degrau abaixo. Eles estavam quase na mesma altura.

- Eu gostaria, mas eu deixarei essa oportunidade para o segundo encontro. - Ele sorriu, misterioso.

- Segundo encontro, hein? Alguém está se sentindo confiante demais.

- Eu acho que acertei bastante no primeiro encontro, segundo você mesma. Por que não teríamos um segundo?

A ruiva não escondeu o sorriso. Meneou a cabeça, desacreditando nele. James queria um segundo encontro!

- O James de quinze anos estaria falando de segundo encontro enquanto me deixava em casa?

- Com certeza. - James parecia convicto.

- E o que mais ele faria?

Lily viu a sombra de desafio passando pelo rosto dele.

- O que mais aquele James faria? - Ele repetiu a pergunta, enquanto se aproximava, fingindo pensar, olhando para cima. - Primeiramente, ele iria olhar para as janelas e conferir se não havia nenhum Richard, Mary ou Petúnia espiando pelas janelas.

- Uhum. - Ela respondeu, sorrindo. - E depois?

As mãos dele seguraram sua cintura e a puxaram para um beijo de tirar o fôlego. Uau, ela não estava esperando por aquilo. James a segurava de uma maneira tão quente, fazendo Lily se arrepender de usar o cardigan naquele momento. Aquele beijo era algo a mais, fazendo seu corpo todo esquentar de repente. Ali, ela poderia se ver beijando o James mais novo, escondidos em Hogwarts, se esquivando de todos e tendo uma sessão de amassos debaixo das arquibancadas.

As bocas se separaram de repente e Lily se encontrou hiperventilando discretamente no meio da rua. Olhou para os lados e confirmou que ainda estavam sozinhos.

- Aquele James estava cheio de hormônios e louco para te beijar. - O moreno disse, também respirando com certa dificuldade, dando um passo para trás.

- Pode ter certeza que aquela Lily também. - A ruiva respondeu. Eles olharam um para o outro e riram. - Agora que eu conheço a reação daquele James, eu me pergunto: o que o de vinte e seis anos faria?

O riso dele foi virando um sorriso torto. Lily sabia que agora ela estaria encrencada, mas em um bom sentido.

O moreno se aproximou de novo. Lentamente, o braço esquerdo a enlaçou pela cintura, fazendo seus corpos colarem e sua mão direita subiu para o rosto dela. Eles nem haviam se beijado, mas ela já perdia o fôlego novamente apenas com o olhar dele e seu toque. James aproximou os rostos e a beijou profundamente. Aquele beijo não era romântico como o que tiveram dançando, não era enlouquecido como o da cozinha e nem cheio de hormônios como aquele de segundos atrás. Este era sensual, lento e profundo, como se eles estivessem tentando conquistar e seduzir o outro. Ela sentia os hormônios e os sentimentos virem à tona ao mesmo tempo, sentindo seu corpo esquentar novamente dos pés à cabeça e seu coração pular de alegria. A mão dele que estava em seu rosto permitia que os dedos dele a acariciassem levemente, descendo pelo seu pescoço e entrando pelo cardigan dela, aproveitando que o vestido por baixo deixava seu ombro desnudo e dava acesso pela área. James a fazia se sentir desejada, em todos os sentidos e com os gestos mais simples e instigantes.

Os lábios se separaram mais uma vez e os olhos se encontraram.

- Bem, hoje eu também estou cheio de hormônios e louco para te beijar...mas tenho mais experiência. - James sussurrou.

- Eu gosto de ambas as versões.

Lily se aproximou e capturou o lábio dele, soltando-o em seguida. James gemeu e fechou os olhos.

- Melhor você subir logo.

- Certeza que você não quer vir junto? - Ela perguntou novamente. Ele sorriu e mordeu o lábio que ela havia capturado segundos atrás, parecendo considerar as opções.

- Etapas! Eu não vou pulá-las. - Ele finalmente respondeu.

- James Potter é um puritano, então? Quem diria...

James riu.

- Não sou puritano, mas eu quero garantir o meu segundo encontro.

- Então você é do tipo jogador? Eu não imaginava isso.

- Ah Evans. Isso aqui não é um jogo. - Os lábios estavam quase juntos novamente.

- Parece com um e um que não tem nenhum ganhador.

- Nunca fui um jogador para essas coisas. - James a apertou contra ela. - E mesmo se eu fosse um, eu nunca jogaria com você. - Ele fitou os lábios da ruiva. - Porque a minha vontade seria maior do que a minha paciência. Agora mesmo está sendo bem difícil de...

Ela se jogou para frente e o cortou, beijando-o novamente. Não entendia como não conseguia soltá-lo quando o beijava. Já havia tido ótimos beijos na vida, mas aqueles com James, eram tão diferentes. Era um outro nível de "ótimo".

Só ela sabia o quanto foi duro fazer o próximo movimento.

- Estou indo. - Com dificuldade, ela se afastou. Os braços de James a soltaram e ela sentiu a diferença de temperatura agora com o vento fraco e fresco batendo onde ele a segurava.

- Eu te vejo amanhã? - James perguntou, colocando as mãos no bolso da calça. - Na reunião de Sirius e a volta de Frank e Alice?

- Eu te vejo amanhã! - Ela confirmou. - Boa noite, James.

- Boa noite, Lils!

Ela virou e foi em direção da porta do prédio. Deu uma última olhada para trás, vendo-o parado ainda no mesmo lugar a esperando entrar, como ele sempre fazia. Sorriu e recebeu um enorme sorriso de volta.

Uau, James Potter. Assim ficaria difícil não continuar apaixonada por você!


N/A: Atrasada estou, mas aqui estou. Sem tempo nenhum para postar na semana passada e faltava uma parte desse capitulo para escrever, então demorei mais =( Alias, ele não saiu como eu queria, mas enfim...O próximo já está todo escrito, então, se tudo der certo, virá no tempo normal (ou antes, quem sabe? hehehe) não me matem caso eu não consiga de novo :P Mas eu adoro as puxadas de orelha de vocês hehehehe

Uma informação: gente, a fic tem um pouco de chão ainda, viu? Se alguém já leu minha outra fic completa, sabe que eu não dou as coisas de mão beijada assim MUAHAHAHAHA

Resposta para reviews sem login:

Lene Mckinnon: eeeehhh fico feliz que tenha gostado do cap anterior, da cena da piscina e tudo mais *-* Obrigada por sempre estar por aqui, linda! Beijooos e espero que tenha gostado desse tbm :D

Laura: Ja nao era sem tempo desse pacto ir para a *****, ne? hahahahaha agora, se James vai ficar chateado quando descobrir sobre a noite deles? hmmmmmm :x :x :x sera? Sem spoilers :P

Sem sneak peek do próximo, para manter um leve suspense. Algo vai acontecer. O que será? :x

Beijos e até a próxima! hehehehehe