Chapter 24

Era fim de semana, Harry havia planejado visitar Hagrid essa tarde, então ele pretendia dormir bastante depois da aventura na Torre de Astronomia. Mas seus planos foram por água a baixo quando Marcus Flint, capitão do time de quidditch da Slytherin, entrou no dormitório acendendo as luzes e acordando os garotos.

- Mas o que? – Draco sentou-se num pulo enquanto piscava os olhos para se acostumar com a luz.

- Vamos! Levantem-se! – o mais velho arrancou as cobertas de Harry, que havia se coberto até a cabeça.

- Vai dormir, Marcus. – murmurou Harry enquanto tapava o rosto com o travesseiro.

- Hoje é o teste dos novos integrantes do time! Levantem-se! – arrancou o travesseiro de Harry e jogou-o no rosto de Draco, que estava quase dormindo sentado.

- PUTA VIDA! – o loiro pulou da cama, tropeçando nas cobertas e quase caindo, mas manteve o equilíbrio e correu para o banheiro.

- Eu ainda vou te matar por nos fazer acordar antes do sol nascer. – Harry resmungou se levantando.

- Encontro vocês no campo daqui a quinze minutos. – o mais velho saiu do quarto fechando a porta.

- Eu vou acabar caindo da vassoura de tanto sono. – o moreno pegou uma muda de roupas e se dirigiu para o banheiro. – em minutos Harry e Draco caminhavam apressadamente até o galpão onde ficavam os equipamentos de quidditch e encontraram várias pessoas se aprontando.

- Dia! – o moreno cumprimentou enquanto bocejava e ia até o seu armário.

- Se, por algum acaso, o Marcus desaparecesse, iriam suspeitar de algo. – Adrian insinuou enquanto sorria para o capitão.

- Agora que você se entregou, sim. – Terrence riu da cara de desgosto do amigo.

- Vamos lá pessoal! Ânimo! Faremos os testes para os novos integrantes hoje. – Marcus comentou animado.

- Uhul. – Lucian Bole comemorou com desanimo.

- Todos prontos? – Marcus perguntou olhando pelo local. – Sim? Ótimo. Vamos lá. – saindo do galpão, os integrantes do time formaram uma fila de ombro com ombro para analisarem os candidatos. Os candidatos iriam jogar uma partida contra alguns membros do time titular enquanto o capitão e alguns outros integrantes do time analisavam tudo. Draco iria ser o apanhador adversário de Harry. Os dois estavam animados. Treinaram as férias inteiras com jogos de apanhadores (ficar jogando uma bolinha de um para o outro ou então competirem para pegar um pomo de ouro).

- Pronto para perder, Sunshine? – Draco circulou Harry enquanto estava no ar, sobrevoando o campo e o jogo que se desenrolava.

- Não me subestime, Moonlight. – Harry piscou para o loiro enquanto observava o jogo. – Os candidatos desse ano são bons. – comentou sorridente.

- Preste atenção no jogo, Potty! – Draco disparou com a vassoura atrás do pomo, que voava atrás de Harry. O moreno sorriu e inclinou a vassoura na direção do loiro, também visualizando o pomo cintilando.

Aparentemente, ver a disputa de apanhadores era mais interessante do que o teste para entrarem no time. Todos tinham os olhos fixos nos dois apanhadores voando atrás do pontinho dourado. Harry estava lado a lado com Draco, ambos inclinados no cabo da vassoura para aumentarem a velocidade. O pomo fez uma curva fechada numa torre da arquibancada e os garotos o seguiram com maestria. Os dois estavam muito perto, ambos com os braços estendidos tentando capturar a bolinha fugitiva. Os outros Slytherin que assistiam aquilo estavam trancando a respiração de ansiedade. Até que eles pegaram o pomo. Sim. Os dois garotos pegaram a bolinha ao mesmo tempo. Os Slytherin comemoraram animados. Draco e Harry pararam as vassouras e abriram as mãos, mostrando o pomo para os colegas de casa.

- Parece que você conseguiu a sua vaga no time. – Harry recolheu sua mão, deixando o loiro admirando a bolinha em sua mão. – Seja bem-vindo.

- NÓS TEMOS OS MELHORES JOGADORES DO SÉCULO! – Marcus Flint comemorava animado. – VAMOS LÁ, GALERA! CONTINUEM O JOGO! – gritou para os Slytherin que ainda não haviam voltado a jogar. – DESÇAM AQUI APANHADORES! – Harry e Draco obedeceram e logo desmontaram suas vassouras. – Vocês foram incríveis! – seus olhos brilhavam de animação. – Nunca fiquei tão apreensivo ao ver dois apanhadores disputando. Você conseguiu, Draco. Entrou pro time. – Harry deu uns tapinhas no ombro do loiro, que estava paralisado. – Se algo acontecer com o Harry você entra. Podem se trocar e irem descansar. Depois conversamos sobre os treinos.

Harry e Draco despediram-se dos outros Slytherin e entraram no galpão, guardando seus equipamentos e voltando para o castelo em meio a uma conversa animada. Desceram para as masmorras e foram tomar um banho para depois se encontrarem com os amigos no Salão Principal.

- E onde vocês estavam? – Pansy arqueou uma sobrancelha ao ver os amigos sentarem-se na sua frente.

- Draco conseguiu a vaga. – Harry comentou sorridente.

- Nunca duvidei. – Blaise comentou sorridente enquanto todos parabenizavam o loiro.

- Vocês tinham que ver. Ele está no mesmo nível que o meu. – Harry comentou orgulhoso.

- E a humildade passou longe. – Theodore riu.

- E como foi ontem? – Pansy sussurrou, para que só o grupo escutasse.

- Falamos disso mais tarde. – Harry advertiu enquanto disfarçava. Colin Creevey corria animado em sua direção com uma foto em mãos.

- Oi Harry. – sorriu largamente com suas bochechas coradas. – Tudo bem? – perguntou pela milionésima vez nos últimos dias.

- Oi Colin. – cumprimentou educadamente, mesmo que o garoto o irritasse.

- Olhe só o que tenho aqui! Mandei revelar, queria lhe mostrar...

Harry examinou confuso a foto que Colin sacudia debaixo do seu nariz. Numa foto preto e branco, um Lockhart em movimento puxava com força um braço que Harry reconhecia como seu. Ficou satisfeito ao ver que o seu eu fotográfico resistia bravamente e recusava a se deixar arrastar para dentro da foto. Enquanto Harry observava, Lockhart desistiu e se largou, ofegante, contra a margem branca da foto.

- Você autografa? – perguntou Colin, ansioso.

- Desculpe, Colin. Mas eu não gosto disso. De autógrafos e tals. – dispensou tentando ser educado.

- Ah. Sem problemas. – seu sorriso não vacilou. – Eu vi o treino de hoje de vocês! Foi muito incrível. E naquela hora que você...

- Você sabe que é proibido integrantes de outras casas assistirem o treino de quidditch, não sabe? – Blaise levantou uma sobrancelha para o garotinho.

- S-sim, mas... – seu sorriso murchou e suas bochechas ficaram ainda mais rubras. – E-eu queria ver o Harry treinando e tirar umas fotos dele como recordação. Eu juro que não ia comentar nada para o time da Gryffindor! – seus olhos estavam assustados em imaginar o seu ídolo o odiando.

- Tudo bem, Colin. – Harry suspirou enquanto o garotinho sorria feliz. – Só não faça mais isso. Se te pegarem você pode se dar mal. E não vale a pena se arriscar só por isso. Ainda terão as partidas oficiais para você me ver jogar. – Colin estava quase explodindo de vergonha. Harry não estava bravo com ele!

- Eu prometo que não farei mais isso. Obrigado, Harry. – em um ato de impulsividade, o garoto deu um beijo na bochecha de Harry e saiu correndo animado. Harry, por outro lado, estava estático, com os olhos arregalados em surpresa. Pansy foi a primeira a irromper em risadas.

- Eu acho que o Harry quebrou. – Theodore comentou limpando umas lágrimas que caíam de seus olhos de tanto rir.

- O que, exatamente, acabou de acontecer aqui? – Harry olhou confuso para os amigos, que riam da sua cara de atordoado.

- Acho que alguém gosta de você, Harry. – Pansy comentou enquanto bebia o seu café e desviava o olhar para a porta, da onde o garoto havia passado.

- Quê? – Harry a olhou com dúvida. – Péra. Quê?!

- Acho que a ficha caiu. – Draco voltou sua atenção para o seu prato.

- Como isso... Quê?

- Cara. Você é muito burro nesse quesito. – Theodore sorriu do olhar perdido de Harry.

- Que quesito?

- Todo mundo percebeu que o Colin gostava de você. – Blaise explicou.

- Menos, você. – Pansy sorriu ao ver Harry batendo a cabeça na mesa algumas vezes.

- O que eu fiz para merecer isso? – parou de bater a cabeça e ficou ali mesmo. Escondido dos murmúrios de todo o Salão Principal. – Ah. Esquece isso. – endireitou-se novamente. – Vamos para o Great Lake. Tenho novidades para vocês. – levantou-se e esperou os amigos fazerem o mesmo. Theodore enfiou uma torrada com geleia na boca e saiu correndo atrás do grupo. Assim que eles estavam isolados de todos na beira do Great Lake, Harry começou a falar. – Eu encontrei a próxima pista.

- E o que era? – Theodore tinha os olhos brilhantes de excitação.

- Como conseguiu? – Draco questionou.

- Eu tinha que usar magia para alinhas as esferas armilar conforme a luz da lua indicava. E então o Globo Lunar brilhou e me deu a próxima pista. – tirou do bolso o pedaço de pergaminho. - "Na torre do tempo você deve ir, mas o som não pode escapar, e no tempo para o exato momento no outro dia deve no tempo voltar"

- Torre do Relógio! – Blaise sorriu animado.

- Eu também pensei nisso. – Harry admitiu.

- E como resolvemos? – Draco deitou sua cabeça nas pernas de Harry.

- Os sinais só tocam em horários específicos. Talvez você devesse desativar o relógio. – Pansy comentou pensativa.

- E então atrasar o relógio até o mesmo horário do dia anterior. – Theodore comentou.

- Do que estão falando, Filhote? – Nyx se aproximou e se aninhou na barriga de Draco.

- Sobre a próxima pista.

- Ah. Então vamos agora?

- Que horas o próximo sinal toca? – Harry perguntou para os amigos.

- Daqui a vinte minutos. – Blaise respondeu depois de lançar um tempus.

- É o suficiente. – Draco, pegando a dica, sentou-se enquanto Nyx encolhia e subia nos ombros de Harry.

- Vocês me cobrem? – perguntou levantando-se.

- Com certeza. – Theodore sorriu confiante.

- Vai lá. – Pansy encorajou.

- Tome cuidado. – Draco advertiu.

- Encontro vocês depois. – voltou calmamente para o castelo e se dirigiu até as masmorras.

Ao pegar a sua Capa da Invisibilidade, Harry se adiantou até a Torre do Relógio. O local era bem apertado, obviamente não era para ninguém subir ali. Mas quem impediria Merlin de fazer algo? E quem iria impedir Harry de quebrar uma regra? Pegando sua varinha, o garoto desativou o sistema de engrenagens e fez os ponteiros do relógio voltarem até estarem no mesmo horário

- Deu certo? – Nyx perguntou quando Harry parou o feitiço, o som de engrenagens voltou a se fazer presente e um cilindro igual aos anteriores rolou até os pés invisíveis do garoto.

- Acho que sim. – pegou o cilindro e arrumou o relógio, que logo voltou a funcionar normalmente. Harry voltou para o seu dormitório, guardou a Capa, o tubo e a antiga pista. Voltou para os jardins e encontrou seus amigos ainda conversando na frente do Great Lake.

- Essa foi rápida. – Theodore sorriu ao ver Harry se jogar ao lado de Draco e deitar sua cabeça nas pernas do loiro.

- Conseguiu? – Pansy se aproximou animada.

- Consegui. – tirou o pergaminho do bolso da calça e leu. – "No topo da casa das trevas, aonde os monstros são cativos pelos grilhões e grades, as quatro bestas de pedra no topo são as respostas. Pela essência daquele que está livre, derramada no centro da cobertura, as bestas irão dar-lhe os segredos a muito guardados."

- Essa é difícil. – Theodore pensava.

- Existe uma espécie de cadeia aqui em Hogwarts. – Blaise comentou.

- Quem caralhos colocaria uma cadeia numa escola? – Pansy perguntou horrorizada.

- "A onde os monstros são cativos pelos grilhões e grades" se encaixaria em uma cadeia. – Harry ponderou.

- E onde fica isso? – Draco questionou.

- É a Torre Negra. – Blaise apontou para uma torre alta e estreita perto do Pátio de Transfiguração e com quatro gárgulas a rodeando para direcionar a água quando chove.

- Eu subo lá hoje à noite. – Harry sentenciou.

Mais tarde naquela manhã, alguém acabou chocando-se contra Harry. Era Hermione ajudando Ron a ir até a enfermaria. O ruivo estava verde e vomitava lesmas em um balde.

- O que aconteceu? – Harry perguntou, apoiando o ruivo com um braço para ajudar a garota.

- Millicent. – Hermione comentou revirando os olhos.

- Ela te chamou de sangue-ruim! Não poderia... – Ron foi interrompido ao vomitar mais lesmas.

- Não precisava usar sua varinha quebrada. – a garota ralhou.

- Como ele quebrou a varinha? – Theodore perguntou enquanto o grupo se dirigia para a a enfermaria.

- Ele esqueceu no bolso de trás e sentou em cima. – Hermione balançou a cabeça negativamente.

- E ainda não pediu outra? – Pansy questionou confusa.

- Ele ainda não contou para os pais. – Hermione respondeu. Em pouco tempo o grupo estava deixando Ron aos cuidados de Madame Pomfrey.

- Você está bem, Hermione? – Harry perguntou colocando a mão no ombro da garota, que corou.

- Quem foi atingido pelo feitiço foi o Ron, não eu. – desviou o olhar envergonhada.

- Não estou falando disso. Estou falando sobre o que Millicent te ofendeu. – a garota olhou-o surpresa.

- Ah. – Harry viu os olhos dela umedecerem. – Eu vou ficar bem. – Harry sorriu animador e acariciou o ombro da garota.

- Qualquer coisa você pode contar comigo. Se ela fizer algo diga que a Nyx vai fazer outra visitinha noturna para ela. – Hermione arregalou os olhos.

- Outra?

- Digamos que Millicent me importunou e Nyx a deu uma advertência. – Hermione riu da cara inocente que Harry fez, e o garoto sorriu ao ver a tristeza nos olhos da amiga desaparecer.

- Eu direi. Obrigada, Harry.

- Amigos são para isso. – retirou sua mão do ombro da garota e o grupo começou a andar na direção dos jardins, conversando animadamente sobre tudo.

À tarde, Harry e Draco, Nyx repousando nos ombros do moreno, desciam os campos até a cabana de Hagrid. Estavam a uns cinco metros da casa do meio-gigante quando a porta de entrada se abriu, mas não foi Hagrid que apareceu. Gilderoy Lockhart, hoje com vestes lilás clarinho, vinha saindo.

- Depressa, aqui atrás. – sibilou Harry, arrastando Draco para trás de uma moita próxima.

- É muito simples se você sabe o que está fazendo! – Lockhart dizia em voz alta a Hagrid. – Se precisar de ajuda, você sabe onde estou! Vou lhe dar uma cópia do meu livro. Estou surpreso que ainda não o tenha comprado: vou autografar um exemplar hoje à noite e mandar para você. Bom, adeus. – e saiu em direção ao castelo.

Harry esperou até Lockhart desaparecer de vista, então puxou Draco da moita até a porta de Hagrid. Bateram apressados. Hagrid abriu na mesma hora, parecendo muito rabugento, mas seu rosto se iluminou quando viu quem era.

- Estive pensando quando é que vocês viriam me ver. Entrem, entrem. Achei que podia ser o professor Lockhart outra vez. – os garotos se adiantaram para dento da cabana. Hagrid ocupou-se pela cabana preparando chá para os meninos. Seu cão de caçar javalis, Fang, fazia festas a Harry, sujando-o todo.

- Que é que Lockhart queria com você, Hagrid? – perguntou Harry, coçando as orelhas de Fang.

- Estava me dando conselhos para manter um poço livre de algas. – rosnou Hagrid, tirando um galo meio depenado de cima da mesa bem esfregada e pousando nela o bule de chá. – Como se eu não soubesse. E ainda fez farol sobre um espírito agourento que ele espantou. Se uma única palavra do que disse for verdade eu como a minha chaleira. – não era hábito de Hagrid criticar professores de Hogwarts, e Harry olhou-o surpreso.

- Não sei como Dumbledore achou que ele seria o melhor candidato para a vaga. – Draco comentou desgostoso.

- Ele era o único candidato. – disse Hagrid, oferecendo-lhes um prato de quadradinhos de chocolate. – E quero dizer o único mesmo. Está ficando muito difícil encontrar alguém para ensinar Artes das Trevas. As pessoas não andam muito animadas para assumir esta função. Estão começando a achar que está amaldiçoada. Ultimamente ninguém demorou muito nela. Agora me contem. – disse Hagrid. – O que andam aprontando esse ano?

- Nada de interessante. – Harry se levantou e foi até a pia do meio-gigante. – Hagrid, acho que já somos bons amigos. – o homem olhou-o com curiosidade. – Então acho que eu posso lhe dar um conselho sem parecer ofensivo. – Harry lavou as mãos na pia.

- O que você quer dizer, Harry? – Hagrid estava confuso.

- Sua comida não é muito saudável. Por assim dizer. – Harry olhou o meio-gigante que tinha um olhar confuso. – Então eu irei te dar uma aula de culinária. – sorriu reconfortante, enquanto Hagrid tinha os olhos marejados.

- Você é um garoto de ouro, Harry. – o homem deu palmadinhas animadas nas costas do moreno.

- Você pode participar também, Draco.

- Não. Obrigado.

- Primeira vez que você aceita que eu sou melhor do que você em algo. – o loiro se levantou e arreganhou as mangas.

- Por onde começamos? – Harry sorriu e fez vários ingredientes surgirem na mesa de Hagrid.

- Harry! – disse Hagrid abruptamente como se tivesse lhe ocorrido um pensamento repentino. – Tenho uma reclamação sobre você. Ouvi falar que andou distribuindo fotos autografadas. Como é que não ganhei nenhuma? – furioso, Harry desgrudou os dentes.

- Não andei distribuindo fotos autografadas! – disse alterado. – Se Lockhart continua a espalhar este boato... – mas, então, ele viu que Hagrid estava rindo.

- Só estou brincando. – disse, dando palmadinhas amigáveis nas costas de Harry, fazendo-o quase cair de cara na mesa. – Eu sabia que não tinha dado. Eu disse a Lockhart que você não precisava fazer isso. Você é mais famoso do que ele sem fazer a menor força.

- Aposto como ele não gostou disso. – comentou Harry rindo.

- Acho que não. – respondeu Hagrid, com os olhos cintilando. – E então falei que nunca tinha lido um livro dele e ele resolveu ir embora.

Os três se divertiram bastante enquanto cozinhavam. Harry ensinava pacientemente os dois amigos a cozinharem. Pelo menos, os seus anos nos Dursley o ensinaram a ser um ótimo cozinheiro. Hagrid também mostrou, na pequena horta nos fundos da casa havia uma dúzia das maiores abóboras que Harry já vira. Cada uma tinha o tamanho de um pedregulho.

- Estão crescendo bem, não acha? – perguntou Hagrid alegre. – Para a Festa das Bruxas... Até lá já devem estar bem grandes.

- Que é que você está pondo na terra? – perguntou Harry. Hagrid espiou por cima do ombro para ver se estavam sozinhos.

- Bom, tenho dado, sabe, uma ajudinha...

Harry reparou no guarda-chuva florido de Hagrid encostado na parede dos fundos da cabana. Harry sempre tivera razões para acreditar até aquele momento que aquele guarda-chuva não era bem o que parecia; na verdade, tinha a forte impressão de que a velha varinha escolar de Hagrid se escondia dentro dele. O guarda-caça fora expulso de Hogwarts no terceiro ano, mas Harry nunca descobrira a razão, era só mencionar o assunto, e ele pigarreava alto e se tornava misteriosamente surdo até que se mudasse de assunto.

- Um feitiço de engorda? – perguntou Harry, num tom de quem se diverte e desaprova. – Bem, você fez um bom trabalho.

- Foi o que a irmãzinha dos Weasley disse. – comentou Hagrid. – Encontrei-a ainda ontem. – Hagrid olhou de esguelha para Harry, a barba mexendo. – Ela me disse que estava só dando uma olhada pelos jardins, mas eu calculo que estava na esperança de encontrar alguém na minha casa. – E piscou para Harry. – Se alguém me perguntasse, ela é uma que não recusaria uma foto...

- Ah, cala a boca. – disse Harry envergonhado.

Por que todos estavam gostando dele do nada? Ele nem era lá tudo isso.