Capítulo Dezoito: Rituais Puro-Sangue
Harry não tinha certeza de quem segurou o Profeta Diário em sua direção primeiro na manhã seguinte quando ele entrou no Salão Principal com Draco; parecia vir de meia centena de mãos de uma vez. Harry balançou a cabeça e tomou seu lugar na mesa da Sonserina, aceitou uma cópia do jornal de Millicent, e então olhou ao redor do Salão, deixando seus olhos viajarem lentamente de rosto em rosto. Ele havia evitado as reações das outras Casas à sua magia ontem, exceto por alguns membros seletos da Grifinória. Era hora dele olhar e ver o que eles pensavam agora.
Metade da Casa Lufa-Lufa acenou alegremente para ele. Isso era trabalho de Justin, Harry sabia, e de Zacharias Smith. Eles tendiam a discutir com qualquer um que dissesse que Harry seria o próximo Lord das Trevas, e dado o excelente senso de Justin e a lógica teimosa de Zacharias, eles geralmente conseguiam o que queriam.
Os Corvinais eram mais moderados, e os alunos de seu próprio ano evitavam os olhos de Harry. Alguns dos alunos mais velhos que tendiam a atormentar Luna estavam se encolhendo em seus assentos. Luna ergueu os olhos da leitura do Profeta de cabeça para baixo para acenar com a cabeça gravemente para ele, e então voltou a ler. Harry manteve o olhar frio enquanto olhava, finalmente, para a mesa da Grifinória.
Neville estava mexendo em sua comida. Hermione não estava lá. Percy Weasley parecia ter passado metade da noite vomitando. Ron evitou os olhos de Harry. Os gêmeos apenas sorriram para ele.
Connor estava olhando para ele, e os outros grifinórios também.
Harry respirou fundo e se forçou a dar as costas para o irmão. Ele olhou para o artigo que adornava a primeira página do jornal.
Era tipicamente melodramático, é claro, porque o Profeta era assim.
HARRY POTTER: PRÓXIMO LORD DAS TREVAS OU VERDADEIRO SALVADOR?
A respiração de Harry ficou presa na garganta e ele gemeu. Eles não - ele não podia acreditar que alguém no Profeta tinha realmente caído no mesmo absurdo que Snape havia falado no ano passado, sobre Harry ser o verdadeiro Menino-Que-Sobreviveu.
Com pavor, mas com certo fascínio mórbido, ele continuou lendo.
Por: Rita Skeeter
Harry Potter, um aluno da Casa Sonserina na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, e irmão de nosso próprio Connor Potter, o Menino-Que-Sobreviveu, revelou-se uma fonte de imenso poder mágico.
Aconteceu durante um jogo de Quadribol da Grifinória-Sonserina, com Dementadores no campo e um ataque dramático ocorrendo nas arquibancadas da Grifinória. Sirius Black, um professor da escola e descendente da Nobre e Mais Antiga Casa Black, foi visto lutando contra Peter Pettigrew. Nossos devotos leitores se lembrarão dele como o fugitivo de Azkaban que entusiasmou e preocupou muitos de nós quando, conforme relatado no Profeta, ele apareceu nos terrenos de Hogwarts, aparentemente com a intenção de matar Connor Potter.
Logo após o início do ataque, os Dementadores apareceram e Harry Potter voou para enfrentá-los em sua vassoura Nimbus 2001.
O que aconteceu então, ninguém parece ter certeza, mas sabemos que a magia do jovem Harry se expandiu em torno dele, em uma explosão que parecia tão distante quanto os escritórios do Profeta.
"Acho que ele é realmente poderoso", disse Simas Finnigan, um aluno da Grifinória no ano de Harry. "Você sentiu aquilo?"
"Suponho que ele seja poderoso", disse Rony Weasley, também aluno da Grifinória no ano de Harry e o melhor amigo do Menino-Que-Sobreviveu. "Eu realmente não sei, no entanto. Não achei que ele fosse tão forte."
"Por favor, me deixe em paz," disse Percy Weasley, irmão mais velho de Rony Weasley, do sétimo ano da Grifinória, e monitor-chefe. "Estou com dor de cabeça."
Nenhum aluno da Sonserina estava disponível para comentar, e Connor Potter se recusou a fazê-lo. É do entendimento desta repórter que Lily e James Potter, pais do Menino-Que-Sobreviveu e de nosso novo prodígio mágico, estavam no jogo, mas saíram antes que um comentário ou a falta dele pudesse ser obtido.
No entanto, não faltam coisas fascinantes para descobrir sobre o Sr. Potter mais velho. Parece que Harry causou um certo rebuliço em Hogwarts no ano passado, quando se revelou um Ofidioglota, e rumores de que ele estava possuído pelo Lord das Trevas ou fosse um novo Lord das Trevas, durante a infeliz erupção de incidentes de Petrificação durante o meses de outono. Embora esta repórter não tenha conseguido obter informações sobre como o incidente aconteceu, é certo que o Sr. Potter adquiriu uma certa aura de magia das Trevas. Ele também discutiu com seu irmão, o Menino-Que-Sobreviveu, e pode realmente ter estado presente durante o momento histórico quando Connor Potter matou o basilisco na Câmara Secreta com a Espada de Gryffindor.
Também descobrimos que os Potters mais velhos estão sob investigação do Departamento de Execução das Leis da Magia por incidentes não especificados, e que o Professor Severus Snape, Mestre de Poções em Hogwarts e Chefe da Casa Sonserina, tornou-se o guardião legal de Harry Potter pelo menos durante o período da investigação.
Amelia Bones, chefe do Departamento de Execução das Leis da Magia, não estava disponível para comentar ...
Isso foi tudo que Harry conseguiu ler antes de uma mão bater no topo do papel, derrubando-o na mesa e amassando-o. Harry respirou fundo e olhou para cima para encontrar os olhos de seu irmão.
"Como você pôde fazer aquilo?" Connor sussurrou. "Como você pôde machucar Sirius assim? Ele voltou do escritório de Dumbledore ontem, uma sombra do homem que ele era antes do jogo de quadribol. Ele me disse que você não queria mais que ele fosse seu padrinho, que preferia ter o maldito Snape como seu guardião." Seu rosto estava vermelho e seus olhos brilhavam de uma forma que lembrava Harry de James. "Por que, Harry? Que pecado ele poderia ter cometido para fazer você rejeitá-lo assim? "
Harry respirou fundo e se levantou. Ele podia sentir Draco se levantar ao lado dele, mas ele estendeu a mão, e Draco segurou sua língua. Harry tinha que ser extremamente cuidadoso com o que era dito aqui. Ele sabia que Draco não ficaria quieto, tentado como devia estar a revelar os segredos do passado sombrio de Sirius.
"É isso que te preocupa?" ele perguntou a Connor. "Não é o meu poder, não é o fato de eu ter vencido você na partida de quadribol, mas isso?"
"Eu me importo mais com Sirius do que um poder mágico idiota, ou um jogo bobo," disse Connor, tentando soar adulto. Teria funcionado melhor se ele não estivesse com tanta raiva. "Eu pensei que você também. Acho que foi meu erro, hein?" A amargura marcou linhas profundas em seu rosto.
Harry apertou as mãos. Droga, não posso dizer a verdade a ele sem revelar o passado de Sirius, e não sei se tenho sua permissão para revelá-lo. Ele lançou um olhar para a mesa principal onde os professores estavam sentados. Sirius estava lá, assistindo sem expressão. Snape se afastou de pegar um prato de comida na frente do prato de Sirius e deu a Harry um olhar inescrutável.
Era sua escolha de como lidar com isso, e Harry decidiu prevenir ao invés de lamentar, especialmente considerando o público deles.
"Me desculpe", disse ele calmamente. "Mas você não sabe de tudo, Connor, e até que você saiba, você não tem como entender. Peça a Sirius para lhe contar tudo ou que me dê permissão para lhe contar tudo. "
"Agora você está parecendo a mamãe", disse Connor, o nariz enrugado.
Harry se encolheu, lembrando-se da frase freqüentemente lamentada por Lily, aquela na qual ele havia se escondido atrás no ano passado. Você simplesmente não entende ...
"Não preciso perguntar nada", disse Connor. "Eu sei que Sirius estava me dizendo a verdade, e que você está sendo tão teimoso como sempre." Ele balançou a cabeça, os olhos duros. "Eu não quero que você venha mais às minhas sessões de treinamento. Você não pode evitar magoar Sirius, então não acho que você deva ser bem-vindo durante meu tempo privado com ele. Ele deve saber que alguém o ama e o aprecia pelo que ele é. "
Harry inclinou a cabeça, se esforçando para manter o rosto inexpressivo. Ele não tinha certeza de quão bem-sucedido estava sendo. Connor parecia frustrado, o que poderia significar qualquer coisa.
"Tudo bem, então," disse Harry, sentou-se e começou a comer seu café da manhã.
Connor se inclinou para frente. "Eu não vou deixar você me ignorar-"
"Potter," disse Millicent, e Harry não tinha noção de quão friamente ela conseguia falar o nome. "Pode ter escapado da sua atenção, mas você está perto da mesa da Sonserina. E você está ameaçando o apanhador da nossa casa, que ganhou a partida para nós ontem, aquela que você perdeu graças ao seu vôo estúpido. Agora saia antes que alguém lance um feitiço em sua bunda."
Connor parou por um longo momento. Harry o conhecia bem o suficiente para vê-lo abrindo e fechando a boca sem nem olhar para cima.
Ele não olhou para cima.
"Tudo bem," disse Connor, em um tom profundamente significativo, e se virou para voltar para a mesa da Grifinória.
"Maldito idiota," Millicent murmurou, e se sentou novamente, fazendo um movimento com o canto do olho que Harry pensou que ela estava guardando a varinha. "Ele nunca aprende, não é?"
"Não, ele nunca aprende", disse Draco, e então se encostou em Harry. "Vai ficar tudo bem, Harry."
Harry acenou com a cabeça ligeiramente e lançou um olhar para Snape, cujo rosto havia relaxado o suficiente para dizer a mesma coisa com sua expressão. Harry achou que era curioso que ele precisasse se inclinar direto sobre o prato de Sirius novamente, sua manga quase arrastando na taça de seu padrinho.
"Ah," disse Neville, e seu rosto se iluminou. "Essa é uma maneira simples de lembrar. Eu nunca pensei nisso dessa forma antes. "
Harry sorriu. "Está tudo bem. Eu não tinha pensado nisso antes, também." Ele virou o pergaminho para que Neville pudesse ver toda a tabela que ele havia desenhado. O primeiro terço era uma lista de Poções, o segundo uma lista de plantas de Herbologia e a última parte uma pequena caixa que explicava a conexão entre as Poções e as plantas. "Viu? Você pode se lembrar de quais ingredientes uma Poção de Memória necessita, lembrando-se dela como uma série de plantas, as quais todas afetam a— "
"Memória." Neville se inclinou sobre o gráfico, seus olhos já o devorando. "Obrigado, Harry." Ele hesitou, então ergueu os olhos novamente. "Obrigado por não me fazer sentir estúpido."
Harry piscou. "Você não é estúpido, Neville."
"Eu me sinto," murmurou Neville, olhando para a tabela novamente enquanto um rubor subia por suas bochechas. Harry sentiu Draco se mexer impacientemente ao lado dele. Ele odiava a autodepreciação de Neville, provavelmente porque ele nunca teve um momento para duvidar realmente de si mesmo e de seu propósito em sua vida. Harry, já tendo estado do outro lado, entendia muito bem. "Professor Snape acha que eu sou estúpido."
Harry suspirou. Ele é meu guardião, mas está tão longe de ser perfeito que não tem graça. "Sim, ele acha," ele teve que admitir. "Mas não significa que você seja, Neville. Você pode aprender Poções, realmente pode. Basta estudar a tabela." Ele bateu um dedo no pergaminho e se virou para dar as boas-vindas à pessoa que estava sentindo ao redor de sua consciência nos últimos cinco minutos. Ele ficou um pouco surpreso por ela ainda não estar aqui quando ele e Draco encontraram Neville.
Quando Hermione se aproximou da mesa e seu olhar bateu em Draco, Harry achou que tinha entendido.
"Olá, Harry," disse Hermione calmamente, e se sentou em frente a ele. Seu rosto estava fechado, quieto. Ela tinha um livro à sua frente como um escudo. Harry olhou para o título e ficou ligeiramente surpreso ao ver que era Hogwarts, Uma História. Hermione frequentemente carregava ele por aí.
"Olá, Hermione," ele disse, e a viu lançar outro olhar ansioso para Draco. "Você não precisa se preocupar com ele", acrescentou. "O latido dele é pior do que a mordida." Os lábios de Hermione se curvaram em um sorriso.
"Minha mordida e meu latido são igualmente mortais", disse Draco, parecendo ofendido, embora Harry achava muito provável que ele não tivesse entendido o que Harry queria dizer. "Se eu fosse um cachorro, eu seria um Sinistro (1)." Ele voltou para seu dever de Feitiços, mas Harry sabia que ele estava no limite, ouvindo e pronto para atacar no momento em que Hermione disse algo remotamente ofensivo. Harry sabia o quão difícil era para ele sentar aqui e apenas ouvir, ao invés de pular ou chamar Hermione de Sangue-Ruim. Harry apreciava o esforço que era necessário para fazer isso. Ele teria que encontrar uma maneira de mostrar isso a Draco. Não seria bom fazê-lo pensar que Harry o estava ignorando, ou que pensava mais da bruxa da Grifinória do que de seu melhor amigo.
"Você parecia estar com vontade de fazer alguma pesquisa depois da reunião de ontem", Harry disse a ela. "O que você achou?"
Hermione respirou fundo e colocou Hogwarts, Uma História na mesa. "Eu descobri que o Diretor Dumbledore é o quarto Lord da Luz a ser Diretor de Hogwarts", disse ela. "O primeiro foi Cygnus Hedgerow, em 1100. E ele era - ele era meio doido, como Dumbledore. Você sabia que ele queria colocar proteções para que nenhum dos alunos pudesse realmente praticar magia? Apenas teoria até que completassem dezoito anos, quando então já teriam saído da escola. Ele era mais do que só um pouco— "
Harry a interrompeu gentilmente. "O que a fez pensar em Lords da Luz?"
Hermione se inclinou para frente. "Aquilo que o diretor disse sobre você ser um Lord das Trevas," ela sussurrou. Neville pulou um pouco no assento ao lado dela, mas continuou estudando a tabela de Poções e plantas, e Harry confiava nele de qualquer maneira. Não era como se Neville fosse correr para a Torre da Grifinória e contar tudo para a primeira pessoa que visse, especialmente com a atitude hostil dos Grifinórios em relação a Harry. "Achei que lembrava de algo interessante sobre a diferença entre os Lords da Luz e das Trevas, e então comecei a ler sobre os Lords da Luz que eram Diretores de Hogwarts. E então me lembrei que havia um quinto. Ou, bem, ele era quase o quinto. Exceto que não exatamente." Seus dedos brincaram com a borda da página.
"Qual era o nome dele?" Harry perguntou gentilmente.
"Falco Parkinson," Hermione disse, em um sussurro, como se dizer o nome de outro aluno Sonserino fosse o equivalente a usar a Marca Negra. "E ele ..." Ela balançou a cabeça, então folheou rapidamente o livro até chegar a uma certa página e empurrá-la para Harry.
Harry se aproximou para ler.
Falco Parkinson. Centésimo vigésimo Diretor de Hogwarts, Seu mandato durou apenas um ano. Mais tarde, acreditou-se que o estresse de tentar ser um Lord da Luz que deixava de lado a magia da compulsão foi o que o levou a ter o colapso nervoso que o forçou a se aposentar.
Falco começou procurando dragões, deixando a escola abandonada por quase um mês enquanto o fazia. Ele voltou sem o braço esquerdo, mas insistindo que havia aprendido o segredo da liberdade com os dragões. Então ele tentou falar com os centauros na Floresta Proibida, passando muito tempo, que deveria ter passado com seus alunos, em negociações secretas que não resultaram em nada. Às vezes, pensa-se que a cautela e a desconfiança dos centauros em relação à humanidade datam dessa época.
Correram rumores de que Falco Parkinson era forte o suficiente para domar lobisomens, rompendo o controle da doença em suas mentes, e ele certamente falou com as colônias de Veela e os tritões que há muito habitam o lago de Hogwarts. Mas no final ele recorreu à compulsão para impor sua vontade e, aparentemente, entrou em conflito com seus próprios princípios e retirou-se para viver uma vida tranquila e curta em sua própria cabana em Surrey. No último dia do semestre de verão, ele aparentemente soluçava continuamente e repetia apenas a palavra "Vates".
Harry se afastou do livro como se ele queimasse. Ele podia sentir um formigamento de excitação correndo por seus dedos. Ele olhou para cima e encontrou os olhos de Hermione, no entanto, tentou ao máximo não deixar transparecer nada. Ele podia ver Hermione como o tipo de bruxa que se envolveria em qualquer coisa que ele estivesse tentando fazer - a coisa que não tinha um nome, a menos que vates fosse um - puramente por uma questão de conhecimento, de aprender coisas que ela não sabia. Ele não poderia conduzi-la por esse caminho. Se ela assumisse riscos por causa dele, se ela se tornaria uma pária entre os grifinórios por causa dele, então ela teria que saber de tudo.
E ele não podia contar tudo a ela até ter certeza de que confiava nela.
"O que você acha que isso significa?" Ele perguntou a ela.
Hermione balançou a cabeça, os olhos arregalados. "Não sei", disse ela. "O diretor chamou você de Lord das Trevas."
Harry acenou com a cabeça, encorajando-a a continuar.
"E eu sei que você é forte," disse Hermione. "E eu sei que você tem a capacidade de-"
Draco limpou a garganta ruidosamente.
Hermione o encarou e pareceu a um passo de colocar as mãos nos quadris. Mas então ela olhou para Harry e assentiu com a cabeça em resignação. O brilho sumiu de seu rosto, substituído por um olhar calmo e ponderado que fez Harry lembrar de McGonagall. "Lembro do que você disse sobre ser amarrado pela teia", ela disse. "Eu lembro do que você disse sobre querer que o Professor Lupin escolhesse quando ele teria suas memórias de volta." Ela pausou novamente, e Harry quase podia sentir seu espanto em ousar contradizer o diretor. E então ela seguiu em frente e fez mesmo assim. "Não acho que você seja o tipo de pessoa que escolheria a compulsão ao invés do livre arbítrio, como fazem os Lords das Trevas. Isso simplesmente não é lógico. "
Harry não pôde deixar de sorrir para ela. Parecia que Hermione havia, finalmente, chegado por si só a um lugar onde Harry poderia confiar nela.
Hermione ergueu uma mão de advertência, como se pudesse ouvir seus pensamentos e quisesse que ele os reconsiderasse. "Isso não significa que eu acho que o que você está fazendo é certo", ela enfatizou. "Realmente, eu acho que isso é estúpido, ir contra o Diretor. Vocês acreditam que Você-Sabe-Quem está errado e ambos valorizam Connor. Então eu não vejo por que deveria haver tanto desacordo entre vocês. Isso é tão ruim quanto os goblins e os bruxos na Conferência de 1584. "
Ela se inclinou para frente e olhou fixamente nos olhos de Harry. "Mas Connor é meu amigo, e você é interessante e talvez esteja certo. Então, eu quero ajudar. "
Harry soltou um suspiro. "Bom. Então você pode pesquisar a teia da fênix para mim? Preciso saber o que el que ela faz exatamente, mas não consegui encontrar muito sobre o assunto e o diretor notaria se eu procurasse. E simplesmente não tenho tempo para pesquisar. "
Hermione sorriu levemente. "Você precisa de mim porque sou uma boa pesquisadora?" ela perguntou.
"Por enquanto, sim," disse Harry, decidindo ser honesto.
"Tudo bem", disse Hermione. "Eu prefiro ser necessária para isso do que apenas por ser uma Nascida-Trouxa."
"Mas você é," disse Harry, sem entender.
"Eu sei," disse Hermione, levantando-se. "Mas acho que é mais importante o que você faz do que aquilo de que você é um símbolo. Vou pesquisar a teia da fênix e te falo depois. " Ela acenou com a cabeça uma vez para Harry, e então moveu-se com determinação entre os corredores de livros. Harry a observou partir, com a testa franzida e se perguntando se ele tinha cometido um erro ao incluí-la na reunião de ontem como representante da comunidade dos Nascidos-Trouxa.
"Harry?"
Harry se virou rapidamente. Era Neville, e ele se encolheu pela maneira como Harry se moveu, mas então respirou fundo e olhou nos olhos de Harry. Ele estava tremendo um pouco.
"Não entendo o que tudo isso significa", disse Neville. "Mas eu sou seu amigo, Harry. Eu estou aqui também, se precisar de mim. " Ele corou e olhou para baixo. "Eu n-não sei se você vai precisar do gordo e estúpido Neville Longbottom, mas eu estou aqui."
Harry se esticou até o outro lado da mesa e pegou a mão de Neville. "Você não é estúpido", disse ele. "Você é corajoso. Um verdadeiro Grifinório. "
Neville enrubesceu novamente, mas desta vez com prazer. "Obrigado, Harry", ele disse, e sorriu.
Isso valia a pena, Harry pensou, enquanto se recostava na cadeira. Ele lançou um olhar para seu melhor amigo e teve que reprimir um sorriso. Mesmo que Draco esteja com ciúmes de mim agora.
Harry parou do lado de fora da sala comunal da Sonserina, observando. Millicent e Pansy estavam esperando por ele, o que não teria sido tão incomum, exceto que elas próprias sabiam a senha e geralmente não tinham aquele olhar intencional e predatório. E atrás de Millicent estava seu pai, e atrás de Pansy estava Hawthorn.
Harry soltou um longo suspiro e ergueu a cabeça. "Existe algum motivo para isso?" ele perguntou. "Ou Starborn arranjou isso?"
Ele recebeu um sorrisinho e uma inclinação da cabeça de Hawthorn, mas ela disse: "Não, isso foi inteiramente por nossa própria iniciativa, no momento em que sentimos seu poder." Ela olhou para Adalrico e recebeu um pequeno aceno de cabeça, depois do qual continuou. "Nós sabemos, agora, de que lado da guerra escolheríamos ficar."
Harry piscou várias vezes. Ele tinha pensado que os Puro-Sangues precisariam de mais tempo para se decidir. Por outro lado, Hawthorn já havia mostrado que ela poderia reagir rapidamente a situações em que ação rápida era necessária, e ele supôs que não havia razão para pensar que Adalrico não fosse igual. Ele assentiu. "Do meu irmão? De Dumbledore?"
"Seu", disse Adalrico, sua voz rouca de exasperação. "Onde está o sentido que sua magia lhe deu, garoto?"
Harry inclinou a cabeça. "Vocês percebem que terei que perguntar o que vocês querem e definir os termos formais de uma negociação. Eu dificilmente liderarei uma guerra neste momento. Ainda estou na escola."
"Não há necessidade de termos complicados", disse Hawthorn, e puxou uma faca de um bolso de seu manto, desembrulhando-a de um pano de seda. Harry piscou quando viu que a lâmina da faca era feita de prata e o cabo de ébano. Hawthorn estremeceu quando ela olhou para ele, mas sua expressão endureceu. "Você sabe o que é isso", ela disse a Harry.
"Eu não," Draco reclamou. "O que é isso?"
"Draco," disse Millicent, com infinita gentileza, "vá embora. Você não pode estar aqui. Seu pai ainda não se decidiu. Você não tem permissão para assistir o que estamos fazendo. "
Draco cruzou os braços. "Posso ficar aqui se Harry quiser", ele disse.
"Isso é muito privado, Draco," Harry disse, olhando em seus olhos e os fixando por um momento. "E eles estão certos. Se seu pai ainda não se decidiu, então não há como você estar aqui, porque você pode acidentalmente contar a ele o que viu. Ou ele pode pegar a informação de você com um feitiço. "
Draco abriu a boca por um momento, então fechou. Ele abaixou a cabeça e se arrastou desanimado para a sala comunal da Sonserina. Harry se virou para Hawthorn e Adalrico, seu coração batendo forte com uma espécie de excitação louca. Ele não tinha previsto isso, mas agora que estava aqui, ele se perguntou como poderia ter antecipado outra coisa.
"Vai doer, não vai, quando a lâmina te cortar?" ele perguntou a Hawthorn.
Hawthorn olhou para ele. "Claro que vai. É prata e eu sou uma lobisomem. Mas não me importo. Deve ser feito desta forma." Ela se agachou e puxou a manga esquerda para trás, e Harry viu a caveira negra e brilhante e a cobra da Marca Negra.
Ele resistiu ao impulso de colocar a mão na cicatriz, mesmo quando ela começou a doer. Ele observou quando Hawthorn passou a lâmina firmemente através da Marca, cortando o crânio ao meio. Sangue brotou em seu rastro, e a pele de cada lado do corte ficou vermelha e inchada. Mas o rosto de Hawthorn, quando Harry olhou para ela, estava calmo, apenas uma brancura ao redor dos lábios revelando sua tensão.
"Eu uno sangue ao sangue", ela disse, "Sangue sobre sangue, sangue em honra a propósito e proteção." Ela ergueu os olhos para o rosto de Harry. "Eu sou aliada de Harry Potter. Não vou usar magia ou armas contra ele ou sua família. Vou conceder-lhe proteção se ele pedir ou precisar dela. Em qualquer disputa de poder, eu o sigo por vontade própria e acatarei suas decisões." Ela estendeu o braço ensanguentado para Harry.
Harry pegou a lâmina com a outra mão e cortou seu próprio braço direito. "Eu chamo sangue ao sangue," ele disse, as palavras fluindo perfeitamente de seus lábios depois de um momento enquanto ele se lembrava do antigo ritual, "sangue ao sangue, sangue em honra a escolha e mudança. Eu sou aliado dos Parkinson." Ele procurou os olhos de Hawthorn por apenas um momento, para ter certeza de que era a escolha de toda a sua família e não apenas dela. Ela deu a ele um aceno curto. Harry se sentiu imensamente animado. "Eu não usarei magia ou armas contra sua família. Vou conceder-lhes proteção, caso peçam ou precisem dela. Em qualquer disputa de poder, eu aceito seus seguidores e protegerei seus interesses como se fossem meus." Ele tocou seu braço sangrando no de Hawthorn.
Todo o corredor desapareceu por trás do clarão ofuscante que se seguiu. Harry ouviu Hawthorn gritando com voz rouca, xingando em um idioma que parecia alemão, e esperava que ela não tivesse se machucado. Ele não tinha previsto que a luz seria tão brilhante, nem as reações de seu sangue tão ferozes.
Quando ele pôde ver novamente, Hawthorn estava olhando para seu braço esquerdo. Estava curado, Harry notou, o inchaço do corte de lâmina de prata diminuindo.
Não, ele percebeu abruptamente, olhando. Estava completamente curado. A Marca Negra era uma cicatriz feia no braço de Hawthorn, visível apena se alguém a procurasse, mas muito mais tênue do que antes.
Nenhuma marca havia tomado seu lugar. Harry estava feliz por isso. Uma marca como aquela significaria que ele era um Lord, e ele não queria ser.
No silêncio atordoado, Adalrico riu, sua exaltação tão violenta quanto uma tempestade. "Se eu tinha alguma dúvida", ele disse, "elas se foram agora". Ele quase arrancou a faca de Harry e expôs sua própria Marca Negra. "Esse seu Starborn se saiu bem, encontrando-nos este aqui," ele disse a Hawthorn, e então se virou para Harry e sorriu. Harry percebeu que sua magia estava pulsando em torno de si, irradiando para longe e reverberando nas paredes em ondas profundas. Ele supôs, pelo olhar vidrado nos olhos de Adalrico, que era uma sensação boa e não opressora.
Adalrico fez o mesmo voto, e Harry repetiu e tocou seu corte sangrando no pai de Millicent. Desta vez, ele estava preparado para o flash de luz intensa que sinalizou uma união bem-sucedida e, quando olhou para o braço direito, viu duas cicatrizes prateadas passando uma pela outra em linhas paralelas.
"Elas vão se abrir e sangrar se algum dia trairmos você", disse Adalrico a ele, embora Harry já soubesse disso. "E nossas Marcas Negras voltarão se você nos trair." Ele fez uma pausa, seus olhos faiscando enquanto se fixavam no rosto de Harry. "Espero que você nunca nos traia. Você é a melhor escolha, em um mundo de Lords das Trevas e Lords da Luz. "
Harry balançou a cabeça, embora estivesse sorrindo. "Eu só tenho treze anos", falou.
"É mais velho do que isso", retrucou Adalrico. "Eu posso ver a verdade, ao contrário de algumas pessoas."
"Silêncio," Hawthorn disse, muito suavemente. "Starborn me assegurou que ele está falando com Lucius Malfoy, e que Lucius está perto de mudar de ideia."
"Lucius é um idiota cego e deveria ter visto a verdade mais cedo", disse Adalrico, pondo-se de pé. Por um momento, ele olhou nos olhos de Harry diretamente, e sua mão agarrou o ombro de Millicent. "E você vai cuidar bem da minha garotinha, não é?"
Harry acenou com a cabeça, então olhou para Pansy. "E de você também."
Millicent bufou. "Não se esqueça, Potter," ela disse, soando como ela mesma, "nós temos que proteger você também." Seus olhos brilharam quando ela sorriu. "Estou ansiosa para a próxima vez que seu irmão tentar machucar você."
"Ele é parte da minha família", disse Harry. "Então você não pode levantar sua varinha contra ele."
Millicent abriu a boca, então a fechou, parecendo extremamente irritada. Harry riu e então olhou para Adalrico e Hawthorn.
"O que vocês vão fazer agora?"
"Você poderia nos comandar a fazer algo", disse Adalrico, observando-o de perto. "Obedeceríamos, é claro."
Harry balançou a cabeça violentamente. "Eu não... eu não gosto de comandar pessoas", disse ele. "Ou obrigar."
"É uma ordem, não uma compulsão", disse Adalrico, e então olhou para a filha. "Eu compreendo o que você quer disse sobre ele," ele disse obscuramente.
"Terrível, não é?" Millicent suspirou e então se virou para Harry. "Mais cedo ou mais tarde, você terá que liderar."
"Talvez," disse Harry, enquanto se voltava para a sala comunal da Sonserina. "Mas hoje não é esse dia." Ele fez uma pausa, lembrando-se do que Hawthorn Parkinson lhe disse, e olhou para ela. "Não foi perigoso para você vir para Hogwarts hoje?"
Hawthorn sorriu. "Não desde que declarei minha lealdade a você. Estou sob sua proteção agora. "
Harry estremeceu um pouco. Adultos, bruxas e bruxos que eram mais experientes, senão tão fortes quanto ele, dependiam dele para proteção.
Ele não queria decepcioná-los.
"Obrigado", ele disse. Pelo voto, pela confiança, por estar disposta a colocar prata no braço... ela saberia que ele queria dizer tudo isso.
Hawthorn sorriu para ele. "De nada." Então se virou para falar com a filha. Harry entrou na sala comunal da Sonserina e deu um tapinha no ombro de um Draco mal-humorado.
"Seu pai vai mudar de ideia eventualmente", disse ele.
"É melhor mesmo," Draco disse sombriamente. "Como isso fica, quando os Bulstrodes e os Parkinsons podem ver o bom senso antes que os Malfoys? Ele está sendo um idiota... "
Harry ouviu um discurso inflamado sobre Lucius Malfoy pelo resto da noite. Era a única maneira de fazer Draco se sentir melhor, e Harry preferia ter Draco feliz a tê-lo mal-humorado.
"Você vai se sair bem, Harry," Snape disse suavemente, tocando o cabelo bagunçado de Harry mais uma vez, mas retirando sua mão antes que ele pudesse ficar ainda mais bagunçado. "Eles são apenas um Auror e um Auror em treinamento."
Harry assentiu com a cabeça.
"E nós discutimos o que fazer." Os lábios de Snape se estreitaram por um momento. "Passamos a semana passada discutindo só sobre isso."
Harry assentiu com a cabeça novamente enquanto seu olhar nervosamente cuidava a porta dos aposentos privados de Snape. Foi aqui que eles concordaram em encontrar Kingsley Shacklebolt e Aidan Feverfew. Era o sábado da visita do Ministério, e Harry não parava de se perguntar o que eles fariam, o que diriam, se realmente tentariam tirar Snape dele...
"Black te causou mais problemas?" Snape perguntou, provavelmente para distraí-lo.
Harry aceitou a distração com gratidão. "Não. Na verdade, ultimamente ele tem evitado olhar para mim e uma vez desatou a chorar no corredor, quando não conseguiu me evitar. "
Snape sorriu afetadamente. Harry estreitou os olhos.
"O que você fez com ele?" ele perguntou, assim que uma batida forte soou na porta.
"Parece que nossos convidados chegaram", disse Snape, e saiu antes que Harry pudesse questioná-lo mais. Ele franziu a testa e disse a si mesmo para se endireitar e parecer o mais neutro possível. Provavelmente não era possível parecer feliz, não quando ele estava tão preocupado.
"Auror Shacklebolt, Auror-em-treinamento Feverfew," Snape estava dizendo, sua voz suave e cortês. "Bem-vindos. Meu nome é Professor Severus Snape, Mestre de Poções em Hogwarts e Diretor da Casa Sonserina." Ele esperou um momento, como se para permitir que o próximo título entrasse em suas mentes. "Guardião de Harry Potter."
"Onde está seu protegido?" Esse era Shacklebolt, um homem negro, alto, com olhos penetrantes que fizeram Harry se lembrar de um lince. Ele avistou Harry naquele momento e assentiu levemente. "Deixe pra lá." Ele vasculhou uma caixa de pergaminhos que segurava e tirou um deles, que estendeu para Harry. "Sr. Potter, você se importaria de explicar isso?"
Harry pegou, pensando que seria sua carta original nomeando Snape seu guardião. Mas era, em vez disso, o pergaminho que ele marcou e enviou ao Ministério no fim de semana anterior, listando as magias coercitivas sob a qual ele estava. Dizia apenas teia de fênix.
"Por que, Auror Shacklebolt?" ele perguntou, olhando para cima e piscando. "Significa exatamente o que diz. A menos que você não confie na magia jurídica, é claro." Ele não conseguiu esconder totalmente um sorriso malicioso, e sua magia cresceu ao seu redor, tremeluzindo, em resposta à sua diversão. O Auror parecia como se tivesse levado de Harry uma marretada na cabeça.
"Mas - uma teia de fênix não é magia coercitiva", disse Shacklebolt, piscando e se recuperando. Harry podia ver o Auror em treinamento agora, que estava conversando intensamente com Snape. Ele era um jovem franzino com cabelos claros e o hábito de torcer o nariz como um coelho, e parecia ligeiramente temeroso de Snape. "Este pergaminho significa apenas que você pensa na teia da fênix como uma magia coercitiva. Ela é perfeitamente legal. "
"Legal não significa moralmente certo, Auror," disse Harry, recostando-se na mesa de Snape. "Você deveria saber disso, quando tantos bruxos das trevas saíram de Azkaban após a Primeira Guerra alegando que estavam sob Imperius."
Shacklebolt fez um leve gesto de irritação. Harry abaixou a cabeça para esconder o sorriso. Ele e Snape haviam planejado isso, para desequilibrar os visitantes o mais rápido possível e mantê-los no lugar. Faça tudo parecer mais sobre eles do que sobre nós, Snape havia dito, e estamos livres.
"Eu sei disso," Shacklebolt disparou. "Mas, por acaso, eu sei de onde vem essa teia de fênix." Ele se aproximou e olhou significativamente para Harry.
Harry sufocou uma onda de irritação. Para quantas pessoas Dumbledore contou? Ou o conhecimento de Shacklebolt era algo recente, algo que Dumbledore havia dito a ele em um esforço para recuperar o controle de Harry?
"E?" Harry perguntou, dando de ombros levemente. "Tudo que isso significa é que esta teia tem uma origem diferente da qual você imaginava. Isso não torna isso certo. Isso não significa que eu pense nisso como menos coercitivo." Ele olhou fixamente para Shacklebolt. "Que perguntas você veio aqui me fazer?"
O Auror fumegou por um momento, então suspirou. "Você está feliz com Severus Snape?" ele perguntou finalmente.
"Muito," disse Harry, e esperou.
"Por que você escolheu ele?" Shacklebolt cuspiu as palavras como se fossem pedras.
"Porque ele é o chefe da minha casa", disse Harry. "Ele tem me apoiado muito, especialmente no ano passado, quando descobriram que eu sou Ofidioglota, e algumas pessoas temiam o que pensavam ser um dom das Trevas. Ele me treinou para controlar alguns aspectos mais selvagens da minha magia e me ajudou a encontrar coisas construtivas para fazer com o meu poder." A última semana foi... interessante a esse respeito. Harry achou muito mais fácil preparar a Poção Mata-cão quando sua magia estava se espalhando pelo laboratório de poções, trazendo os ingredientes quando precisava. "Ele é o melhor guardião que eu poderia pedir."
"Não Alvo Dumbledore?" Shacklebolt perguntou. "Não seu próprio padrinho?"
"Eu não confio no Diretor," disse Harry abruptamente. "E meu padrinho acha que eu tenho magia das trevas simplesmente porque sou Ofidioglota." Ele adotou uma expressão magoada. "Você pode perguntar a ele, se quiser, mas ele só quer me afastar do meu guardião porque ele não suporta o Professor Snape e acha que toda a sua magia é das Trevas. É mais uma questão de rivalidade escolar do que de querer o que realmente é melhor para mim. "
Ele pensou, se divertindo, neles questionando Sirius. Ah, sim, deixe-os questioná-lo. Não acho que ele vá impressioná-los muito com sua sanidade ou sua aptidão como guardião de um jovem bruxo.
"E quanto ao seu irmão?" Shacklebolt perguntou.
"O que tem ele?" Harry ecoou inexpressivamente. Ele não sabia dizer para onde a conversa estava indo agora. O Auror estava prestes a sugerir que Connor deveria ser o guardião de Harry em vez de Snape?
"Você tem ressentimento em relação a ele?" Os olhos do Auror o percorreram. "Ciúmes? Algumas pessoas no Ministério e no Profeta Diário sugeriram que você pretende tomar o lugar dele como salvador do mundo bruxo, e é por isso que você lançou sua magia em público, em uma partida de Quadribol."
"Você deveria estar me fazendo perguntas como esta?" Harry perguntou, imitando o tom que Snape usava com Neville. "Eu sinto muito. Achei que você só deveria me fazer perguntas sobre o meu tutor e se eu estava no meu perfeito juízo quando o escolhi. " Ele olhou para Snape. Ele havia terminado com Feverfew, ao que parecia, intimidando-o em uma massa trêmula. "Eu quero meu guardião aqui se você vai me fazer perguntas como essa," ele continuou em um tom mais alto, e a cabeça de Snape se ergueu.
"Meu pupilo cometeu algum crime, então?" ele perguntou, dando um passo à frente. "Por que você parece estar enfrentando um criminoso, Auror Shacklebolt?"
Shacklebolt deu um rosnado frustrado e Harry achou que tinha entendido. Essa seria a desculpa que Dumbledore deu aos membros da Ordem, para tentar colocá-los contra Harry. Ele diria que Harry tinha ciúmes do prestígio de Connor, que ele era ambicioso o suficiente para tentar fazer as pessoas notá-lo por sua magia, e que o momento em que sua magia foi liberada não foi coincidência.
Agora que ele sabia, ele poderia lutar contra isso. Harry disse, "Ele estava me perguntando sobre meu irmão, se eu estava com ciúmes dele. E eu não acho que ele deveria fazer isso. Achei que ele só devia me questionar sobre você. "
"Ele devia." A voz de Snape estava apertada. Ele avançou o resto do caminho, de modo que sua sombra protegia Harry completamente. "Seu parceiro acabou de me fazer todas as perguntas, Auror Shacklebolt. Se você não tem mais nada a dizer, sugiro que saia."
Por um momento, Harry pensou que o Auror poderia discutir. Em vez disso, ele inclinou a cabeça, o pescoço tenso como uma corda de arco. "Muito bem", ele disse, quase cuspindo as palavras. "Mas o Ministério vai exigir outra visita, em algumas semanas, para saber como sua tutela está progredindo, e se o Sr. Potter fez algum progresso em conter sua magia selvagem."
"Um bom dia, Auror Shacklebolt, Trainee Feverfew," disse Snape, e os observou partir. Harry viu o olhar maravilhado que Feverfew lançou para seu guardião e sorriu. Parecia que eles poderiam ter ganhado um aliado, ou pelo menos o convencido a ficar impressionado.
No momento em que a porta de seus aposentos se fechou, Snape sibilou e puxou seu braço esquerdo. Harry apressadamente afastou o pano e encarou a Marca Negra pela primeira vez, ignorando a maneira como isso fazia sua cicatriz formigar. Estava inflamada, o crânio era de um negro profundo e a cobra de um verde feio e venenoso. Harry só podia imaginar o quanto Snape deve ter se controlado para parecer composto na frente dos aurores.
"O que isto significa?" Harry sussurrou.
"Que o Lord das Trevas está voltando," Snape sussurrou de volta. "Em algum lugar, ele está se mexendo e se sentindo feliz, e nós - ah!" Abruptamente, ele caiu de joelhos, os lábios cerrados. Harry sabia o quão forte era a dor que ele devia ter sentido, para ele permitir até mesmo aquele pequeno suspiro escapar de sua garganta.
Agindo por instinto, ele tocou a Marca Negra e focou sua magia nela. Pare de machucá-lo, ele disse para a Marca, e sibilou em voz alta em Língua de Cobra, concentrando-se na cobra, para garantir.
A cor da Marca desapareceu. Snape olhou para ele, então para a Marca, então para ele novamente. Harry se afastou, encolhendo os ombros, constrangido.
"Não sei", ele respondeu ao olhar incrédulo de Snape. "Parecia algo que eu deveria fazer."
"Não dói mais," Snape disse suavemente, e então se levantou, ainda dando a Harry seu olhar penetrante. Por um momento, parecia que ele ia dizer algo. Harry esperou, bastante nervoso, pelo que seria.
Então Snape se virou e Harry soltou um suspiro quando a tensão relaxou. No entanto ela cresceu novamente com as palavras seguintes de Snape.
"A mensagem da Marca continua a mesma. O Lord das Trevas está ficando mais forte e você será um de seus alvos principais. Você deve permanecer na escola, a menos que seja absolutamente inevitável, como nos treinos de quadribol, entendeu? E nestas ocasiões você terá pessoas ao seu redor. Eu sei que você tem aliados entre os Puro-Sangue. Deixe que eles protejam você. Você nunca deve ficar sozinho com Black, de jeito nenhum. "
"Certamente você não acredita que Sirius está trabalhando para Voldemort?" Harry protestou.
"Eu acredito em limitar os seus danos emocionais tanto quanto possível, Harry," Snape retrucou. "E isso significa limitar seu contato com ele." Ele sorriu como se algo fosse engraçado. "Deixe-o sofrer com pleno conhecimento do que fez de errado."
Harry abriu a boca para perguntar sobre isso, mas então Snape acrescentou rapidamente, "E, é claro, você não comparecerá a nenhum dos fins de semana de Hogsmeade a menos que consiga convencer um professor que não seja Black ou Lupin a acompanhá-lo." Snape sorriu para ele novamente. "Eu pretendo me ocupar preparando poções."
"O que?"
Eles tiveram uma discussão sobre isso por uma boa meia hora, que Snape ganhou, e Harry ficou de mau humor por mais uma hora, até que Snape o mandou fazer o dever de Transfiguração. Ele estava sorrindo enquanto preparava seu pergaminho e tinta na lotada e barulhenta sala comunal da Sonserina, com o acompanhamento dos sussurros sonolentos de Fawkes, e levou um longo momento para perceber o porquê.
Era... bom ter uma figura paterna de novo.
(1) Sinistro: é um presságio de morte iminente, tem a aparência de um cão enorme. Um ser espectral, é visível apenas para a pessoa cuja morte é iminente.
