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*Pov. Kagome*

Meus instintos me diziam que eu não gostaria nada do que Hanna teria a me contar. No entanto, ela provavelmente não me daria escolha e eu teria de enfrentar seja lá o que fosse.

Contemplei a saída da gruta, por onde o lorde tinha saído e suspirei por não poder aproveitar melhor aquele convite magnífico que o mesmo fizera momentos atrás.

~Precisa ser agora, Hanna? Quero dizer...agora, agora?~

~Sim, digo, não. Droga! Eu prometi deixar os dois terem momentos a sós antes, por isso não queria interromper. Mas fez bem em não ter aceitado de imediato se tornar a Senhora do Oeste. Sabe que isso significa ser Marcada pelo príncipe, certo? Não há volta depois que ele o fizer...~

~Tenho certeza que sou capaz de lidar com essa decisão, Hanna. Mas porquê raios isso haveria de ser um problema? Ok. Não devo tomar uma decisão tão importante na afobação do momento. Mas eu realmente o amo, entende?~

~ ...claro que entendo, menina. Mas é que tem algumas coisas sobre nosso passado que...é que eu não te contei tudo! Gostaria que tomasse sua decisão após saber sobre todas as circunstâncias do passado. Creio que Hayato também tenha algo de importante para nos contar.~

Mordi o lábio nervosa pelo rumo daquela conversa.

Hanna estava tropeçando demais em suas palavras e não prosseguia diretamente naquilo que queria me dizer.

Olhei para a cortina de água da cachoeira, logo o daiyoukai notaria minha demora em sair.

Teria Sesshoumaru algo a ver com meu passado? Com meu clã?

~Príncipe-sama ainda não era nascido quando tudo ocorreu. Falo da quase extinção de nosso clã. Agora não é um bom momento para conversar sobre isso, mas preciso te avisar que...~

– Kagome, está tudo bem?

Dei um pulo com a voz de Sesshoumaru, que atravessava a água para entrar na gruta.

Hanna mais uma vez se afastara e eu bufei internamente por não ter conseguido ouvir até o fim o que ela queria me dizer.

O prateado se aproximou de mim, olhando ao redor, como que se certificando que não havia nada de errado, sua face deixando clara a sua impaciência.

Parou a minha frente e eu lhe sorri amarelo, sem graça por não ter uma desculpa palpável para a minha demora.

Procurei olhar em seus olhos e não para a corpulência que atraía minhas órbitas, enquanto o mesmo cruzava os braços ao peito, me sorrindo com malícia.

– Hein...? Ah, sim! Tá tudo bem! – falhei por um momento em não olhar para o corpo nu e másculo a minha frente.

Senti que poderia fritar de tanto que minhas bochechas queimavam e me apressei em apanhar minhas vestes do chão.

– Eu já estava indo, Sesshy!

O pecado em forma de youkai levantou uma das sobrancelhas ao ouvir a forma carinhosa que o chamara e descruzou os braços, logo vindo em minha direção com uma expressão séria.

Ops...esqueci que ele não gosta desse apelido!

Eu esperava que ele fizesse alguma reclamação por ter usado o diminutivo tão livremente, rosnasse ou me chamasse de miko de novo.

Mas nunca imaginei que o daiyoukai fosse me colocar por sobre seu ombro em um só movimento e caminhasse para fora dali como se eu fosse um javali ou qualquer outro tipo de caça recém capturada.

– Demorando demais, miko. Já lhe avisei antes para não fazer este Sesshoumaru esperar...

Afirmou, me ajeitando em seu ombro já que, após a surpresa, eu havia começado a espernear.

– Mas o que...? E eu também já lhe disse que posso andar sozinha, Sesshoumaru!

Minha reclamação me rendeu um tapa com sua mão livre, espalmada em um lado de minhas nádegas.

Eu soltei um grito de susto com o ato.

Não havia doído tanto, mas era realmente incomum que o lorde tivesse esse comportamento.

Ele passou pelas águas nos encharcando, comigo ainda reclamando, e me trouxe para seus braços.

Por um momento achei que fosse me beijar pela forma como me olhava tão intensamente.

Ledo engano.

Assim que atravessou a entrada da gruta e teve acesso ao rio, o daiyoukai me jogou na água sem dó nem piedade.

Merda! Isso já aconteceu antes!

Afundei igual uma pedra. Assim que passou o choque pela audácia do outro, eu retornei à superfície em busca de ar e com sede de vingança por ter sido jogada igual a vez posterior!

– SESSHOUMARU! – espumei para o daiyoukai que me olhava de cima de uma rocha.

– Sim, minha lady?

Sorriu daquela forma sexy que ele sabia que me balançava e entrou na água vindo ao meu encontro, sem quebrar em nenhum momento o contato visual.

Ah, que droga, não resisto a isso...

– N-não precisa de ser tão bruto! Eu vinha para cá de todo modo...

Tentei soar firme e zangada, mas conforme o daiyoukai se aproximava minha voz ia sumindo.

Deus, alguma hora vou ser capaz de resistir a esses olhos e sorriso combinados?

– Perdoe este Sesshoumaru, delicadeza não é exatamente um hábito.

Disse, me envolvendo em seus braços com um pouco de urgência, me fazendo constatar sua ereção ocultada pela água.

Na mesma hora em que o senti em contato com minha pele tive um sobressalto, que não foi ignorado pelo lorde.

– Ainda se surpreende, miko? Eu lhe adverti sobre minha espera para tê-la de novo. Ainda não estou saciado e seu aroma impregnado com o meu próprio cheiro apenas me deixa ainda mais excitado.

A voz do daiyoukai viera rouca, pude senti-lo passar a língua no lóbulo de minha orelha, trilhar para minha bochecha e acariciar o local com seus lábios. Sua respiração de encontro a minha pele arrepiando por onde passava.

Como consegue ser tão bruto e carinhoso ao mesmo tempo?

Fechei os olhos sem perceber. Era uma carícia possessiva, ele me envolvia de uma forma que não havia escapatória.

Bem...não era como se eu quisesse escapar, estava derretida em seus braços e aquele estímulo que seus lábios faziam em minha pele apenas ressaltava o quanto eu desejava ser tocada pelo daiyoukai.

Eu mesma tomei a atitude de lhe roubar os lábios com os meus, passando meus braços por seus ombros e o envolvendo, não aguentando mais as provocações do outro.

Ele estava determinado a apenas me seduzir com as carícias.

Passei a língua por seu lábio inferior, um pouco incerta de como avançar. Sesshoumaru era quem costumava tomar a dianteira dessas situações.

Senti um sorriso se formar nos lábios rentes aos meus e me perguntei se fazia algo de errado.

Ia me afastar, mas o daiyoukai me segurou mais firme em seu abraço e entre-abriu os lábios, enquanto uma de suas mãos me puxava a nuca, num pedido silencioso para que avançasse.

Não hesitei, mesmo que nervosa.

Inicialmente tímida, mas com a certeza de que havia me viciado no sabor do beijo de Sesshoumaru, instiguei sua língua a dançar com a minha. Com maestria ele acompanhou todos meus movimentos e impôs os próprios, tornando a brincadeira ainda mais ardente.

O ouvi rosnar entre uma pausa exígua, logo tornando a se apossar de meus lábios com mais vontade.

A mão que puxava minha nuca agora deixava as garras arranharem a pele no processo, causando uma sensação perigosa e gostosa sobre a situação.

Sua outra mão apertava minha cintura, e a sensação de ter seu membro latejando forte em meu ventre me enlouquecia. Apertei as coxas uma na outra tentando deter meu próprio sexo de pulsar, mas parecia só me excitar ainda mais.

Como pude ficar tanto tempo sem saber como era o beijo de um homem de verdade?

Pois era assim que todos os beijos com o daiyoukai eram.

Excitantes, viciantes. O corpo colado ao meu, podendo sentir seus batimentos ritmados junto ao meu coração.

Levei uma de minhas mãos aos fios prateados do lorde e o abracei com mais desejo, o puxando também e aumentado o atrito entre nossos corpos.

O ato fez o outro ofegar e rosnar em meus lábios, se afastando por centímetros.

Foi por tempo o suficiente para me arriscar olhar em seus olhos e perceber que se encontravam com raias vermelhas, e lá estavam as presas novamente.
Ele estaria perdendo o controle?

Quem se importa?

– Achei que não estivesse saciado ainda. Sesshoumaru, o que está esperando?

Perguntei, atrevida, visto que ele parecia tentar se controlar e eu mesma não queria mais esperar para tê-lo dentro de mim. Sabia que esse tipo de pergunta o desafiava.

Seus olhos se cerraram e em segundos ele estava a passar os lábios pelo meu pescoço, fazendo a pele se arrepiar por onde trilhava.

Suas mãos abandonaram seus postos e foram ambas para meu traseiro, apertando com suas garras a carne, com luxúria. Gemi com o aperto impetuoso. E isso apenas o instigou mais.

Seus lábios desceram um pouco, e o som gutural que vinha de seu rosnado aumentou conforme suas presas passavam pelo encontro de meu ombro com meu pescoço.

Estremeci com o toque afiado e arfei com a expectativa que ele me mordesse ali.

Mas por que estou desejando que ele me morda? Esse negócio de ser pedida para ser a Senhora do Oeste está realmente mexendo comigo!

– Não me provoque, miko!

Avisou, mordendo o local, sem que suas presas perfurasse a carne, me dando um misto de prazer e agonia por não me marcar como sua logo.

Resmunguei baixinho enquanto ele se afastava e me assustei quando o mesmo me puxou para cima com as mãos, que ainda estavam a apertar minhas nádegas.

– Mas...! Ahh...é você quem está sempre me provocando!

Retruquei, sem conseguir controlar a forma como minha voz saía, por conta da fricção que seu membro fazia no exterior de minha intimidade. Me persuadindo a envolvê-lo com minhas pernas para aumentar o contato.

Seu quadril o empurrava para cima e para baixo e mesmo estando na água, eu tinha certeza que o fazia para que seu membro rijo pudesse ficar ainda mais lubrificado com meu líquido.

E de extra me levava a loucura.

Não demorou para que eu mesma rebolasse, pedindo que o mesmo fizesse o movimento que eu tanto queria.

– Não sou o único insaciado, pelo que vejo... – sussurrou próximo ao meu ouvido, junto a um gemido rouco.

– Por favor...ahh...Sesshoumaru! – implorei, sentindo que ele latejava forte com cada gemido que eu deixava escapar.

Em questão de segundos estávamos dentro da gruta. Ele me colocou por sobre o haori e a mokomoko dele, e foi se encaixando entre minhas pernas.

Já não me surpreendia com a velocidade que ele me carregava e até me excitava aquela volúpia.

Fitei os olhos avermelhados de desejo do daiyoukai e fiquei a admirar por alguns segundos as gotas de água escorrerem de sua face lentamente, caindo em mim ao fim.

O cabelo colado pela umidade, o jeito como seus olhos se fechavam em prazer e afogo conforme minha intimidade o apertava ao me penetrar.

O vi morder o lábio inferior e tive vontade de sugá-lo, mas estava em igual estado de deleitamento.

Passei minhas mãos por seu tórax, gravando cada definição ali, sem perceber que minhas garras o estavam arranhando.

Com cada estocada que ele dava, elas se encravavam mais em sua pele e mais forte o daiyoukai me penetrava.

– Sexo entre youkais é um tanto selvagem, miko. Tem certeza que deixará sua essência vir a superfície? Não lhe garanto que irei me segurar dessa vez.

Disse, com um sorriso malicioso, me olhando intenso. A feracidade em que seus olhos se encontravam já me dizia que ele estava a perder o controle e eu conseguia sentir o que ele dizia. Dentro de mim crescia uma vontade de fazer mais rápido, mais forte, mais intenso...mais...mais...

– Fique quieto, Sesshoumaru!

Espalmei minhas mãos em seu peito, o empurrando, com uma força que eu sabia ser de meu lado youkai, e para minha surpresa eu consegui derrubá-lo para o lado, logo pulando em seu colo.

O daiyoukai me encarou de olhos bem abertos, evidenciando seu espanto, mas não demorou para se tornarem ferozes novamente.

Suas garras se afundaram em minha cintura, enquanto eu o cavalgava. Uma sensação de queimação passou por todo meu corpo, me atentando para as marcas em arabescos surgindo.

Mordi o lábio contendo um rosnado.

Dentro de mim, o membro de Sesshoumaru pulsava, e após uma rebolada em seu colo, fui puxada pelos braços para ir de encontro ao peito dele, sem parar com os movimentos de sobe e desce.

Eu o abracei, apreciando a sensação dele crescendo em minha intimidade cada vez mais encharcada pelas estocadas que agora ele comandava.

– Ahh...Sesshy...!

Senti suas garras descerem pelas minhas costas, indo para minhas nádegas e apertar com força em uma estocada mais forte. Não resisti e mordi seu pescoço, com a sensação de ser invadida pelo líquido quente do gozo.

Relaxei naquele aconchego, sentindo nossos fluidos escorrerem de minha intimidade quando ele se retirou de dentro de mim.

Olhei para o local onde havia encravado minhas presas e fitei o prateado, preocupada.

Teria eu o marcado no ímpeto?

– Não precisa ficar aflita, não é assim que funciona uma marcação, miko. – leu meus pensamentos.

Sesshoumaru me envolveu em seus braços e mordiscou minha orelha.

– Por isso, podes me morder mais vezes. – sussurrou enrouquecido rente ao meu lóbulo, o mordiscando.

Minha intimidade pulsou em excitação pelo ato.

– Ahh...assim me provoca, Sesshoumaru!

O adverti, me levantando para sair de cima do corpo maravilhoso abaixo do meu, mas sendo surpreendida por uma troca de posições.

– Essa é a intenção. – respondeu, simples, ainda em sua aparência feral.

Agora o daiyoukai estava por cima e segurava forte minhas coxas, próximo a dobra de meus joelhos, de forma que levantava minhas pernas um pouco.

Ajoelhado, ele se pôs a me penetrar novamente, de forma lenta, testando o limite em que poderia ir.

Um gemido melodioso me escapou. A sensação de querer mais se apossando de meu corpo mais uma vez.

Sem cerimônia, o lorde passou a me possuir com mais força e rapidez, me arrancando gemidos cada vez mais altos.

Me sentia possessa com aquela dominação dele, por mais gostoso que fosse.

Em um momento oportuno, o empurrei para que pudesse me sentar em seu colo. O daiyoukai não protestou e me envolveu, me encaixando melhor e me dando liberdade para controlar a velocidade, e o quanto o deixaria se aprofundar.

Me segurei em seu ombro com uma mão e enterrei a outra em seu cabelo, enquanto jogava a cabeça para trás, deixando o colo totalmente entregue.

Ele não perdeu a chance e abocanhou um de meus seios, o sugando com satisfação.

Algo feroz queria sair de dentro de algum lugar sombrio do meu ser e temi aquela sensação. Não era a Hanna, mas também vinha de mim.

Voltei meus olhos para os vermelhos do daiyoukai e entendi o que poderia ser aquilo a me dominar, o desejo insano de copular. Minha fera.

Estava assustada, mas não conseguia parar, provavelmente algo em minha face entregava o que eu estava sentindo, pois, o prateado sorriu de lado e se aproximou.

Suas mãos me apertaram o traseiro de forma libidinosa, me forçando a rebolar em seu membro pulsante.

– Agora que deixou sua fera vir, podemos nos deleitar ainda mais...

A voz dele viera alterada. Uma corrente elétrica me subiu a espinha e contive um rosnado furioso ao senti-lo me mudar de posição para ficar de quatro.

O olhei por sobre o ombro, já tentando sair da posição submissa, e me sentindo extremamente fula por ele acabar me colocando em uma postura resignada novamente.

Contudo, em segundos já estava sendo penetrada com voracidade e a irritação se tornou um branco em minha mente, que se tornou vermelho de prazer.

Só conseguia me concentrar nas estocadas insaciáveis e na grossura daquele membro me adentrando.

O apertava com tanta volúpia que quase sentia as veias dele em meu interior, pulsando em atrito com meu íntimo.

Jamais havia ficado tão lubrificada, o líquido escorria por nossas pernas e a sensação escorregadia me excitava.

Minhas garras se enterraram no solo e tive meu tronco empurrado para baixo por uma das garras do daiyoukai, a outra me puxava pela cintura de encontro ao seu quadril.

Gemia e rosnava durante toda aquela sensação extraordinária que estava me acometendo, quase enlouquecedora.

Nunca havia me sentido tão livre e descarada. E estava amando.

As estocadas aumentaram de velocidade e eu sabia que ele estava perto do ápice, assim como eu.

O espremi com as paredes de meu interior, fazendo com que ele se agarrasse as minhas nádegas e rosnasse. Ele se abaixou para alcançar meu pescoço e o mordeu com gosto, acabando assim com minha sanidade de vez.

– Ahh...Sesshoumaru! Eu vou...! – minha frase não foi concluída, o prateado me preencheu com fartura, e eu tremia com o orgasmo. Ambos desabamos, exaustos, ele ainda por cima de minhas costas.

– Irei instigar sua fera a sair mais vezes, miko.

Sussurrou ao pé de meu ouvido e eu arrepiei com o pensamento de tornar aquele sexo selvagem algo frequente.

– Não se atreveria!

Me virei, o derrubando para o lado e o encarei pronta para discutir, mas desisti ao ver o sorriso do daiyoukai e seus lagos dourados novamente.

Ele estava mesmo se divertindo com aquilo...e eu amava vê-lo sorrir.

Minhas bochechas se aqueceram e eu tive a certeza de que minha fera também havia se acalmado.

– Então, minha lady. Eu adoraria repetir...mas acho que já estamos tempo demais longe de nossas obrigações.

Disse, acariciando minha face e tirando uma mecha de cabelo dali, a empurrando para trás de minha orelha. Sorri para ele e concordei com a cabeça.

Nos levantamos e voltamos para o rio para nos banhar, o daiyoukai me entregou algumas folhas de Aloe vera que havia encontrado por ali, para que passássemos o suco da planta no corpo e mascarasse o cheiro intenso de sexo.

– Não serei desatento ao seu aroma dessa vez.

Admitiu, passando o nariz pelo meu ombro, me abraçando por trás. Estava extremamente tentada a desistir do banho.

– Não foi sua culpa, Sesshy.

Lhe dei um selinho, para que encerrasse aquele assunto, e terminamos de nos banhar. Logo estávamos vestidos e a caminho do castelo.

Já era noite e os vaga-lumes dominavam boa parte da paisagem.

Sorri ao lembrar de como o daiyoukai havia me confessado seus sentimentos e eu os meus por ele.

Apressei o passo para caminhar ao seu lado e peguei em sua mão.

De início, Sesshoumaru ficou meio tenso e surpreso, mas fiquei toda sorridente quando ele correspondeu meu toque, fechando sua mão em volta da minha.

A volta foi em silêncio...o silêncio mais caloroso que já tive o prazer de ter.

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Ao chegarmos no castelo, a primeira que veio nos receber foi uma nervosa Mayu, com vários papéis nas mãos.

A kitsune falava toda enrolada sobre atrasos em documentos que precisavam ser assinados com urgência, e sobre alguns anciões que desejavam uma reunião com o lorde o mais rápido possível.

Sesshoumaru apenas a olhou gélido como sempre, ouvindo tudo o que ela dizia, e eu me perguntei se ele havia entendido ao menos uma palavra já que não demonstrava nenhuma emoção.

Eu via a impaciência em seus olhos com a forma que a rosada saltitava de um lado para o outro, deixando os papéis caírem ao chão.

– Mayu. Pare de pular antes que eu o faça por você.

No mesmo instante a kitsune estancou no lugar e eu senti um suor escorrer por minha têmpora.

Lorde Sesshoumaru está de volta.

– Sim, Sesshoumaru-sama! Mas veja, é realmente importante que me acompanhe neste instante, os anciões estão um pouco...err...impacientes.

Disse olhando para mim, e eu me fiz de desentendida olhando para outro canto.

Não era tão ingênua, sabia bem que iria incomodar os velhos decrépitos.

Um youkai da realeza como Sesshoumaru decidir tomar uma humana como sua fêmea, era algo imperdoável para eles.

Dei de ombros e apertei os dedos do daiyoukai com os meus, apreciando que ele ainda não havia soltado de minha mão, deixando um sorriso escapar.

– Vá na frente e os avise que em breve darei início a reunião. Deixe os papéis em minha mesa, Mayu.

Disse ele, estreitando os olhos para a youkai que deixava mais uma folha ir ao chão e eu segurei uma risadinha colocando uma mão sobre a boca.

– Irei neste instante, Sesshoumaru-sama!

A rosada apressou-se em apanhar a folha recém caída e partiu rapidamente para um corredor que me lembrei de ser caminho para o escritório do lorde.

Um silêncio se apoderou do ambiente e voltei meus olhos para o daiyoukai, que encarava nossas mãos unidas com uma expressão indecifrável.

Será que ele havia se esquecido disso?

O ouvi suspirar. Fiquei sem entender quando ele levou a mesma mão que estava unida a dele para os lábios, depositando um beijo ali.

Corei com o gesto e observei sem fôlego ele a levar para a própria face, fechando os olhos, para apreciar o toque.

– Miko. – quebrou o silêncio, abrindo os olhos e se soltando de minha mão. Olhei apreensiva para ele e a recolhi para junto do corpo.

– Sim...?

– Terei de resolver algumas questões importantes. Me prometa que não irá ver Inuyasha sem a presença deste Sesshoumaru.

– O que? Mas, Sesshoumaru, tem algumas coisas que...

– Me prometa, miko. Ou eu darei sumiço no que restou daquele hanyou inútil.

– Hunf! Está bem, está bem. De qualquer modo, estou muito cansada para isso. Quero ver meus amigos e também sinto falta das crianças.

Respondi, com um bico, olhando para o lado, fingindo estar aborrecida com a ordem dele.

– Não tenho cabeça para lidar com Inuyasha agora. Do jeito que minha fera está mais livre, eu mesma acabaria o matando. Preciso ficar um pouco afastada.

Voltei meus olhos para os dourados dele, mais séria. Não estava mentindo sobre este fato.

– Ótimo. Vá para nossos aposentos, tente descansar por algumas horas. Mandarei que levem comida para você e depois enviarei Mizuki com as crianças.

Disse, já se encaminhando e sumindo pelo mesmo corredor que Mayu havia ido, e eu fiquei parada em silêncio, enrubescida, por ele ter dito "nossos aposentos" de forma tão natural.

– Acho que ele nem percebeu que disse algo tão íntimo. – disse, para o vento, já que estava sozinha no corredor.

– Quem não percebeu...? – ou eu acreditava estar sozinha.

Meu coração quase havia ido para a boca. Coloquei a mão no peito tentando acalmar os batimentos e me virei insana para quem quer que tivesse me dado tamanho susto.

Hayato!

– Não chegue de fininho desse jeito, General! – ralhei com o outro, que ria sem vergonha nenhuma.

– Ahaha! Me perdoe, bela dama. Mas parecia tão distraída, com os olhinhos brilhando. Era Vossa-Alteza que estava aqui ainda a pouco, não é mesmo?

Perguntou, parando de rir e tomando uma face mais serena. Mas eu me sentia incomodada com aquele olhar. Parecia tão triste.

– B-bem...sim, era o Sesshoumaru que estava aqui.

– Que bom, parece ter conseguido apaziguar a ira do mestre.

Falou, num tom um pouco malicioso e eu o encarei em aviso.

Hayato apenas levantou as mãos em sinal de rendição, andando para algum lugar, e eu o segui.

– Conseguiu descobrir algo, Hayato? – perguntei, sisuda.

Tive um confirmar de cabeça do outro, que apenas seguiu andando. Não gostava do silêncio do general.
Aí tem!

~Tenha calma, Kagome. Sente a aura dele? Parece estar tenso com alguma coisa.~

Eu havia sentido.

E isso me deixava mais nervosa. O que teria Hayato descoberto para deixá-lo neste estado de nervos?
Seu youki estava quase transtornado.

Se Sesshoumaru estivesse por perto, seria algo complicado.

– Hayato-kun?

– Por favor, bela dama. Estou pensando na melhor forma de lhe contar o que descobri sobre nosso clã. Vamos para meus aposentos, teremos privacidade para falar sobre o assunto sem sermos interrompidos.

Meneei a cabeça concordando e bufei com um pensamento.

Sesshoumaru não ia gostar nada de saber que eu estou indo para os aposentos de outro macho!

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