Every new beginning comes from some other beginning's end

(Closing Time - Semisonic)

.oOo.

"... e, bem na hora do parabéns, Alana sumiu," disse Blaise Zabini, sentado relaxadamente na poltrona da casa de visitas, de frente para Draco. "Beth encontrou-a na cozinha, sentada em cima do bolo."

Draco acompanhou a risada do amigo, embora não estivesse realmente prestando atenção no que ele dizia. Eles observavam enquanto Scorpius e Alana, uma garotinha de pele morena e cachos castanho-escuros, brincavam pela sala. Ou melhor, Scorpius tentava impedir a garota de dois anos de destruir tudo que via pela frente.

"Quero dizer, ela literalmente sentou sobre o bolo e estava comendo as beiradas. Beth quase teve um ataque. Mas então minha sogra deu um jeito de conseguir outro bolo dizendo que não era justo que Alana não soprasse a vela no próprio aniversário. Ela adora soprar velas, aliás. E deve ter pedido um irmãozinho, já que um mês depois Beth descobriu que estava grávida novamente." Ele meneou a cabeça. "Cara, nem acredito que nossas vidas se resumem a isso, agora: falar sobre os nossos filhos. Como se não fizéssemos mais nada da vida além de cuidar deles. Quero dizer, no seu caso pode até ser verdade, mas eu tenho meu emprego."

Draco arqueou uma sobrancelha para o amigo àquelas palavras.

"Já disse que estou fazendo pesquisas," Draco falou sem se preocupar em disfarçar a irritação.

"Claro, claro... Que seja." Blaise soou condescendente. "Só estava provocando você. Você parece entediado, de qualquer forma. Pensa em se casar novamente?"

"Não."

"É o melhor que você faz," Blaise aprovou prontamente. "Não que eu não goste da minha vida de casado. Pelo menos não a maior parte do tempo, mas Beth sabe testar minha paciência às vezes. Grávida, então? Pff..." Ele girou o conteúdo do copo que segurava e entornou-o de uma só vez, depositando-o sobre a mesa. "Aliás, você tem falado com Pansy?"

"Não." Draco rolou os olhos. "Ela andou escrevendo umas bobagens nas últimas cartas, então achei melhor ignorar."

"De novo, você não poderia estar mais certo." Blaise riu. "Ela surtou quando leu sobre o seu divórcio, cara. Fazia só dois meses que ela tinha se casado! Juro que fiquei com medo de ela largar o marido e aparecer aqui com a mudança, mas acho que os pais dela a ameaçaram ou algo do tipo, porque ela continua com o pobre coitado. E parou de falar comigo, o que não foi de todo ruim, na verdade. Ela disse que eu devia ter impedido ela de se casar, já que você estava se separando."

Draco novamente acompanhou a risada do outro, um tanto forçosamente.

"Cara, o que há de errado com você?" Blaise finalmente perguntou, ao que Draco o encarou numa pergunta muda. "Você está esquisito."

Draco esperou que ele elaborasse melhor sua queixa, porém desviou os olhos diante do olhar perscrutador do amigo. Costumava gostar de conversar com Blaise, mas não era mais a mesma coisa. Eles pareciam completos estranhos. Draco só não sabia dizer quem havia mudado mais, se Blaise ou se ele próprio. Provavelmente a segunda opção.

"Não estou me sentindo muito bem," acabou dizendo, pressionando a ponte sobre o nariz, fingindo estar com dor de cabeça.

"Por que me chamou, então?" Blaise perguntou soando um tanto magoado.

"Estava perfeitamente bem quando o chamei," Draco mentiu. "Sinto muito."

"Tudo bem," Blaise encolheu os ombros. "Posso voltar outro dia, se quiser. Alana e Scorpius parecem ter se dado bem, não acha?"

"Não, não, isso quebra!" Scorpius falou, tirando um enfeite de porcelana das mãos da garotinha. "Faz dodói."

Draco sorriu.

"Sim, vocês deveriam vir mais vezes," acabou falando.

Eles se despediram e Scorpius se deixou cair no sofá assim que eles saíram.

"Meu Deus! Essa menina é um pesadelo!" ele dramatizou.

"Não era você quem queria uma irmãzinha?" Draco levantou uma sobrancelha para o filho.

"Mudei de ideia," Scorpius concluiu. "Acho que prefiro continuar com meus brinquedos inteiros. Aliás, preferia ter um irmão mais velho, como Teddy Lupin."

Draco piscou, surpreendido. Desde que descobrira que Teddy era seu primo, Scorpius não perdia uma oportunidade para demonstrar o quanto estava chateado por não tê-lo conhecido antes ou por não terem sido convidados para suas respectivas festas de aniversário e coisas do tipo.

"Você não está sendo razoável, Scorpius," acabou falando. "Sabe que não pode ter um irmão mais velho."

"Eu queria que fosse possível..." o garoto fez bico.

"Bem," Draco deu um tapinha na perna do filho, "acho melhor você arrumar suas coisas. Sua mãe estará aqui logo."

"Tudo bem..." Scorpius se levantou a contragosto e saiu em direção ao corredor sem pressa nenhuma.

"Não se esqueça daquela sua Bola de Natal," Draco falou alto o bastante para que seu filho ouvisse.

"O nome dele é Amora!" Scorpius gritou de volta. "E é claro que não vou esquecer dele!"

Draco se deixou cair de encontro ao encosto do sofá e fechou os olhos, incapaz de reunir forças para se levantar. Ainda estava assim quando Astoria chegou alguns minutos mais tarde se desculpando pela pressa, pois tinha marcado um compromisso de última hora com Daphne.

Draco fingiu não reparar que ela o estava evitando, mas esperou que Scorpius seguisse primeiro através da lareira antes de se levantar e segurar o pulso da ex-esposa, impedindo-a de segui-lo.

"Sei o que você fez," Draco falou sem expressar nenhum sentimento.

"O quê..."

"Encontrei Potter ontem."

"Ah, Draco..." Ela mordeu o lábio inferior, parecendo culpada. "Você sabe que só quero o melhor para você..."

"Não estou bravo com você," Draco cortou-a, assistindo enquanto ela suspirava aliviada. Soltou-a. "Agora vá."

Em vez de correr para a lareira, Astoria abraçou-o.

"Eu amo você, você sabe..." Ela beijou sua bochecha e sorriu ao se afastar. "Até breve, querido."

Astoria jogou Pó de Flu na lareira e foi engolida pelas chamas verdes.

.oOo.

Tarde da noite, Draco estava em seu estúdio debatendo consigo mesmo sobre a necessidade de dormir. Sabia que bastava tomar a poção receitada pela Dra. Rost para adormecer como um bebê, mas tinha a cabeça fervilhando de pensamentos. Já havia abandonado sua última tentativa de ler e agora encarava o lustre rebuscado acima da sua cabeça, tentando contar as velas e perdendo-se pela milésima vez.

Ergueu a cabeça ao ouvir um barulho na janela e levantou-se rapidamente ao distinguir uma coruja do lado de fora do vidro. A coruja pequena e marrom entrou assim que abriu a janela, pousando sobre sua escrivaninha.

Com dedos trêmulos, Draco retirou o bilhete e leu as poucas palavras, o coração palpitando.

'Sobre nosso chá, está livre quarta-feira à noite?

Responda 'sim' e minha lareira estará aberta.

Responda 'não' e ainda assim ela estará aberta, para o caso de você mudar de ideia.

HP'

Draco sentou-se, encarando a coruja, que não parecia estar com pressa de ir embora. Pegou um pergaminho novo de cima da escrivaninha e respirou fundo antes de escrever uma única palavra, enviando a coruja de volta em seguida.

Draco tentou não pensar a respeito do que acabara de fazer enquanto se preparava para dormir. Pensar fazia o tempo passar mais devagar e ele ainda tinha três dias inteiros pela frente.

Quando Astoria dissera na semana anterior que Potter negou ter ficado noivo da Auror Webb, Draco sentira um peso ser tirado do seu coração. Sentia mágoa e rancor todas as vezes que lia algo a respeito dos dois no Profeta e examinava as fotos incansavelmente, procurando algum sinal de hesitação em Potter. Sempre encontrara conforto no fato de que o ex-grifinório nunca parecia realmente feliz ao lado da garota. Dizia para si mesmo que Potter não conseguiria disfarçar caso estivesse realmente apaixonado, uma vez que seus olhos sempre pareciam denunciar o que se passava na sua alma. Ele era um péssimo mentiroso. Ainda assim, era um martírio imaginá-los juntos, íntimos. Principalmente quando Draco sabia como era estar nos braços de Harry, como era tê-lo junto do seu corpo, olhando para ele como se fosse a única pessoa da face da Terra...

Quando leu sobre o noivado pela primeira vez, foi como se algo dentro dele se rompesse. Draco sentiu-se anestesiado, incapaz de sentir tudo que deveria estar sentindo e chegou a desejar nunca mais tomar suas poções para não ter que sentir mais nada pelo resto da vida. Mas então pensou em Scorpius e decidiu que já estava na hora de admitir que as coisas estavam indo de mal a pior. Fora por esse motivo que pedira para a Dra. Rost aumentar suas doses novamente, quase um mês atrás, e aos poucos o tratamento voltava a fazer efeito. Draco estava começando a sentir novamente. E o que sentia era esperança. Esperança de que talvez não fosse tarde demais para ele.

E havia o desejo também.

Antes de vestir a parte de cima do pijama, Draco olhou para si mesmo no espelho e seus olhos foram invariavelmente atraídos pela Marca Negra. Ainda não conseguia acreditar que Harry não sentia repulsa ao ver aquilo, apesar de ele nunca ter demonstrado qualquer hesitação ao vê-la e, muitas vezes, tocá-la. Draco não estava mais tão vergonhosamente magro como da última vez que Harry o vira nu, mas ainda sentia a mesma apreensão da primeira vez.

Terminou de vestir o pijama e levou a mão até a poção de dormir, mas hesitou. Deitou-se e cobriu-se, olhando para os dosséis da sua cama e deixando o pensamento alçar voos mais altos, como não fazia havia um longo tempo. Lembrou-se da sensação de Harry beijando sua pele com um cuidado que beirava a adoração, deixando-o dolorosamente consciente de cada pedaço do seu corpo, ainda que de uma maneira boa. De olhos fechados, imaginou-o beijando seu pescoço e suspirou. Deixou a própria mão deslisar por seu tórax, por baixo da roupa, fantasiando que era a dele, calejada e áspera, firme e delicada ao mesmo tempo. Enfiou a mão por debaixo do elástico da calça do pijama e segurou seu próprio membro semi-ereto com um suspiro. Começou a mover a mão sem pressa, para cima e para baixo, até estar totalmente ereto. Então adicionou um pouco de saliva para facilitar o deslizar, imaginando que era a boca de Harry que o envolvia. Podia imaginar o olhar que ele lhe lançaria, intenso, questionador, como se houvesse alguma possibilidade de Draco mandá-lo parar. Com a outra mão, Draco massageou seus testículos e tocou seu períneo suavemente, da maneira como o grifinório costumava fazer.

Fazia muito tempo que Draco não se tocava daquela maneira, por isso não demorou muito para que gozasse, ofegante, ficando imóvel por algum tempo ainda. Encontrou-se leve e satisfeito como havia muito tempo não se sentia e deixou o sono envolvê-lo aos poucos...

Acordou no meio da madrugada com as calças grudadas.

.oOo.

Potter não mencionara nenhum horário no seu convite, o que não facilitava as coisas para Draco. Depois de várias ponderações, resolveu esperar até às nove horas da noite da quarta-feira. O tempo passou torturantemente devagar. Às nove e quinze, Draco jogou Pó de Flu na lareira e ajoelhou-se para chamar pelo outro, optando pela etiqueta ao invés de simplesmente aparecer na casa dele.

Assim que enfiou a cabeça nas chamas, viu-se de frente para uma sala pequena com móveis antigos e esparsos, porém vazia. No instante seguinte, entretanto, ouviu passos apressados e achou ter distinguido um palavrão. Potter apareceu na porta em seguida, arrumando a camiseta por sobre a calça.

"Ei! Sinto muito por isso," ele se desculpou, encaixando melhor os óculos no rosto. "Estava aqui até agora, mas tive que ir ao banheiro. Já estava pensando que você tinha desistido." Sua expressão mudou para preocupação num instante diante da falta de reação de Draco. "Você não desistiu, certo?"

"Estou indo, Potter," Draco falou, recuando após notar o alívio na postura do outro.

Draco respirou fundo e deu um passo para dentro da lareira, pousando em Grimmauld Place número doze, sem sequer titubear, acostumado que estava às viagens via Flu. Espanou uma poeirinha das vestes antes de levantar os olhos para Potter, que havia se aproximado, ainda que mantivesse uma distância respeitosa entre eles.

Draco já ouvira sua mãe falar muitas vezes daquele lugar, contando lembranças das suas breves e tumultuadas visitas à casa da tia, Walburga Black. Aparentemente, Sirius Black e sua tia Bellatrix nunca haviam se dado muito bem e sempre acabavam aprontando alguma coisa que fazia com que fossem embora antes do previsto. Narcissa não parecia muito desgostosa quanto àquilo, dizendo que Walburga tinha um péssimo gosto para decoração.

Porém o que menos preocupava Draco no momento era o lugar. Toda a sua atenção estava voltada para o bruxo à sua frente, usando roupas trouxas folgadas e confortáveis - que não disfarçavam seus ombros e coxas musculosas - e de pés descalços.

"Obrigado por vir," o moreno falou, passando uma mão através dos cabelos nervosamente. Por um momento, o olhar de Draco foi atraído por aqueles cabelos rebeldes, lembrando-se das vezes em que se agarrara a ele. "Err... Quer beber alguma coisa? Tenho Uísque de Fogo, hidromel e..."

"Talvez mais tarde," Draco falou alcançando-o em alguns passos e unindo seus lábios, suas mãos pousando automaticamente na nuca de Harry e trazendo-o para mais perto. Seus sentidos foram invadidos pelo gosto e pelo cheiro do outro, que despertaram memórias e sensações adormecidas.

"Hmm," Harry gemeu contra sua boca, as mãos pousando na sua cintura e acabando com a distância entre eles.

Foi um beijo desesperado, desajeitado e maravilhoso. Draco sentia o coração acelerado e sua garganta se apertou diante da onda de emoção que transbordou em seu peito. Seria aterrador se não fosse tão bom e tão... familiar. Suas mãos deslizaram pelos ombros, costas e pela nuca de Harry, embrenhando-se pelos cabelos curtos e sedosos. Seus narizes se tocavam e Draco sentia a armação metálica dos óculos de Harry contra sua maçã do rosto conforme eles dançavam de um lado para outro, como se procurassem a melhor maneira de encaixar suas bocas famintas, as línguas desesperadas por contato, os dentes arranhando os lábios...

Draco deixou as mãos descerem até a barra da camiseta do moreno, os dedos esgueirando-se por debaixo do tecido em busca do calor daquela pele enquanto Harry encaixava uma perna entre as suas e pressionava a ereção contra seu quadril, arrancando um gemido de Draco, que puxou a blusa do outro para cima...

"Espera, espera..." Harry afastou os lábios, ofegante, e alcançou a varinha no bolso traseiro da calça, lançando um feitiço na lareira. "Pronto. Onde é que estávamos?"

Draco arrancou-lhe a camiseta em resposta, mas não teve tempo de admirá-lo antes que Harry avançasse de encontro à sua boca novamente. O moreno retirou a camisa de Draco de dentro da calça com um puxão, antes de alcançar os botões, apressado. Draco ajudou-o, despindo-se da camisa e empurrou-o de encontro ao sofá mais próximo, alcançando-lhe o cinto dos jeans. Porém, antes que conseguisse fazer com que Harry se sentasse, o moreno segurou seus ombros, afastando-o novamente.

"Calma," Harry falou umedecendo os lábios e fazendo com que o olhar de Draco caísse sobre eles. "Vamos com calma, está bem?"

"Porra, Potter," Draco protestou sem fôlego e a testa de Harry se franziu antes que ele tomasse sua boca novamente num beijo mais lento, segurando seu rosto para impedi-lo de acelerar as coisas e tornando a pressionar seus quadris.

"Senti tanto a sua falta," o Auror sussurrou contra os seus lábios e Draco teve vontade de escarnecer daquela sentença, mas logo Harry estava descendo beijos por seu queixo até seu pescoço, onde lambeu e sugou até Draco esquecer o que pretendia dizer, substituindo as palavras por outro gemido. "Não quero que acabe tão cedo."

Ele desceu as mãos pelas costas de Draco até seu traseiro, massageando-o, antes que segurasse suas coxas e o erguesse. O loiro xingou-o ao perder o equilíbrio, mas segurou-se em tempo nos ombros de Harry, enlaçando as pernas por sua cintura.

"Para o quarto," Harry sussurrou carregando-o para o corredor aos pés de um lance de escadas, onde pressionou-o contra a parede para beijá-lo novamente, as mãos firmes apertando suas coxas e nádegas antes de soltá-lo.

Draco se deixou escorregar para o chão e ser conduzido pela mão escadaria acima.

"Não repare na decoração," Harry disse um tanto sem fôlego pela pressa e pelas atividades recentes.

"Foda-se a decoração, Potter."

"Nome errado," Harry falou virando-se para beijá-lo novamente ao atingirem o andar superior e empurrando-o até um dos aposentos. "Aqui."

Assim que chegaram ao quarto, puseram-se a despir o restante das roupas antes que Draco finalmente conseguisse jogá-lo na cama, montando-o em seguida e atirando seus óculos para longe.

"Ei!" Harry exclamou, entre indignado e divertido.

"Você não vai precisar deles agora, vai?" Draco perguntou, passando as mãos pelo peito nu de Harry, maravilhado. Ele estava ainda mais gostoso que se lembrava, se é que aquilo era possível. Devia estar se exercitando bastante no Quartel General dos Aurores, já que os músculos dos seus bíceps, peitorais e abdome pareciam mais definidos.

"Não sei... Bem que gostaria de poder examiná-lo melhor." O moreno também aproveitou para deslizar as mãos pelas laterais do tronco de Draco e pelas suas costas. "Você está ótimo."

Draco teve que segurar outro comentário sarcástico àquelas palavras. As mãos de Harry deslizaram por seus braços. Porém, antes que ele atingisse sua Marca Negra, Draco segurou os braços do auror, empurrando-os para acima da cabeça dele, debruçando-se para beijar seu pescoço e esfregando-se em sua ereção.

Draco desceu um caminho de beijos através do peito de Harry, que manteve as mãos sobre a cabeça mesmo depois de ter sido solto, num gesto de entrega. Os olhos verdes seguiam atentamente cada um dos seus movimentos até se fecharem quando Draco envolveu seu pênis com a boca, tocando seus testículos com uma das mãos em concha.

"Ah, Draco..." Harry gemeu e aquele som foi como música para seus ouvidos.

O loiro concentrou-se em chupá-lo, levantando e abaixando a cabeça, levando-o cada vez mais fundo e aproveitando cada momento daquilo. Cada pequena reação de Harry, cada palavra de encorajamento repercutia em sua própria excitação, tornando tudo tão intenso que Draco estava tão ofegante quanto Harry quando este o puxou para outro beijo, invertendo as posições e colocando um travesseiro embaixo do seu quadril para facilitar seu acesso. Ele alcançou o lubrificante na gaveta do criado-mudo, deslizando um dedo lubrificado pelo seu períneo em seguida. Draco xingou, seus músculos se contraindo involuntariamente quando o dedo alcançou seu ânus, massageando-o.

Em seguida, Draco soltou um chiado quando Harry envolveu seu mamilo com os lábios, sugando-o. Seu quadril moveu-se por vontade própria de encontro aos dedos de Harry conforme ele o preparava, a ereção do auror tocando sua coxa e deixando um rastro úmido ali.

"Harry... Por favor, Harry..." Draco implorou pois, por mais que gostasse daquela doce tortura, precisava de mais. E logo.

Como o ex-grifinório que era, Harry atendeu sua súplica prontamente, espalhando mais lubrificante sobre si mesmo e penetrando-o lenta e firmemente, arrancando um longo gemido da sua garganta. Quando tornou a abrir os olhos para exigir mais movimento, mais rápido, Draco percebeu que o moreno tinha o cenho franzido em concentração e mordia o lábio inferior, provavelmente para se segurar. Alguns fios da franja dele estavam grudados na testa suada, revelando a cicatriz em forma de raio por entre as mechas de cabelo negro e lembrando o adolescente determinado e destemido pelo qual Draco se apaixonara, havia tantos anos.

Draco gemeu e puxou-o para um beijo desajeitado. Harry logo endireitou a coluna, segurando suas coxas e movendo-se para dentro e para fora, fazendo com que Draco xingasse vigorosamente. Aparentemente, Harry não tinha perdido o jeito de encontrar sua próstata com cada estocada. Draco soltou o lençol ao qual tinha se agarrado com força e alcançou o próprio pênis, estimulando-se no mesmo ritmo de Harry.

"Mais rápido... Isso! Isso!" Draco ofegou e então estava gozando, derramando-se em sua própria mão e estômago, espantado com a intensidade de tudo aquilo.

Harry não demorou muito para segui-lo, seus movimentos alucinados parando abruptamente conforme pulsava silenciosamente dentro dele, voltando a se mexer em seguida para aproveitar dos últimos resquícios de prazer antes de se dar por satisfeito. O moreno curvou-se para beijá-lo uma última vez e deitou-se ao seu lado em seguida.

Draco fechou os olhos, ouvindo apenas a própria respiração e a de Harry, que voltavam ao ritmo normal lentamente. Percebeu que tinha um pequeno sorriso nos lábios e abriu os olhos, assustado, piscando para o teto do quarto desconhecido e sentindo o alívio percorrê-lo ao passar a mão pelo sêmen esfriando em sua pele e se certificar de que era tudo verdade. Aquilo tinha mesmo acontecido. Em nenhum momento aquilo se tornaria um pesadelo com bruxos mascarados e cobras engolindo pessoas em cima da mesa do jantar.

"Vou limpar você," Harry avisou antes de lançar o feitiço e Draco soltou um som de aprovação.

Draco aceitou o cobertor que Harry estendeu em sua direção depois de apagar a luz e acomodou-se nos braços do outro com um bocejo.

"Você vai estar aqui pela manhã?" Harry perguntou e Draco demorou para processar aquelas palavras que ecoaram na caixa torácica logo abaixo do seu ouvido.

"Você quer que eu esteja?" Draco perguntou, sem abrir os olhos para encará-lo.

"Quero."

Draco adormeceu logo em seguida, sem perceber que deixara a pergunta sem resposta.

.oOo.

Draco estava exausto. Sabia que não aguentaria por muito tempo, mas precisava subir mais um pouco. As chamas estavam muito perto, podia sentir aquele calor infernal próximo dos seus pés e tentou subir, mas seu pé escorregou e ele mal conseguiu se segurar, sentindo um tranco nos braços quando o peso morto de Goyle ameaçou puxá-lo para baixo.

"Ele não está morto," Draco disse para si mesmo. "Não estamos mortos ainda."

Draco ouviu uma risada insana seguida de um grito e tentou não pensar que era Crabbe ou imaginá-lo sendo engolido pelas chamas, ou a si mesmo queimando até a morte... Draco tossiu, sentindo a fumaça encher-lhe os pulmões a cada respiração e tentou subir novamente, mas seus pés não encontravam nenhum apoio suficientemente firme e suas mãos estavam suadas, Goyle estava escorregando...

"Não, por favor, não..." Draco puxou-o para mais perto e fechou os olhos. Não sabia para quem estava implorando.

"Papai!" Draco ouviu e então sentiu seu coração afundar ainda mais ao levantar os olhos e ver o filho, sobrevoando-o, a manga das vestes cobrindo o nariz.

"Scorpius! Saia daqui! Saia daqui AGORA!"

"Está tudo bem, Malfoy," disse Harry, que segurava o menino por trás, montado na vassoura. "Peguei ele."

"Vá embora daqui, Potter! Leve-o!"

Draco sentiu Crabbe escorregar mais um pouco e choramingou diante da dor em seu braço.

"Mas e você, papai?" perguntou Scorpius, os olhos claros arregalados.

"Vou ficar bem. Ande logo, Potter!"

"Malfoy!" Draco ouviu a voz de Crabbe cheia de raiva e olhou para baixo. Seu antigo colega estava todo desfigurado pelas chamas, mas Draco sabia que era ele, segurando-se nos pés de Goyle para se puxar para cima. "Aonde você pensa que vai? Seu lugar é aqui!"

"Potter, por favor, leve Scorpius daqui!" Draco gritou mais uma vez, sentindo a mão quente de Crabbe segurar sua perna e puxá-lo para baixo com tanta força que Draco caiu, levando Goyle consigo...

"Shhh... Está tudo bem," Draco ouviu o sussurro quase ensurdecedor em seu ouvido e agarrou a mão calejada que o confortava como se sua vida dependesse daquilo. "Foi só um sonho, está tudo bem..."

Draco assentiu, a respiração entrecortada e encarou a velha cômoda do outro lado do quarto, visível apenas por uma nesga de luz da lua que se esgueirava por entre as cortinas espessas. Deixou que a respiração quente e ritmada contra sua nuca o acalmasse e, aos poucos, afrouxou o aperto na mão de Harry, que acariciou-o lentamente até que voltasse a dormir.

.oOo.

Draco acordou sozinho na cama, mas encontrou um bilhete no criado após uma breve inspeção visual do aposento.

'Fique à vontade para usar o chuveiro, se quiser. Depois me encontre no térreo. Siga o cheiro.'

O loiro pegou suas roupas, que encontravam-se cuidadosamente dobradas e desamassadas ao lado da cama junto com sua varinha e tomou uma ducha rápida no banheiro da suíte. Tinha intenção de se despedir e voltar para casa o quanto antes. Afinal, sequer avisara os elfos sobre a possibilidade de passar a noite fora e não era como se aquilo fosse algo comum, ultimamente. Assim que abriu a porta do quarto, entretanto, suas narinas foram invadidas pelo cheiro de fritura.

Draco desceu as escadas reparando nas hediondas cabeças de elfos domésticos que decoravam a escadaria e alguns corredores, no papel de parede lascado e achou ter visto um elfo muito velho limpando um dos cômodos no primeiro andar. No final das escadas, Draco entrou pela porta aberta de onde vinha o cheiro e o barulho de fritura e parou na porta para admirar a vista.

Potter tinha os cabelos ainda um pouco molhados, um avental amarrado na cintura e administrava duas panelas no fogo, mexendo o conteúdo de uma e virando panquecas na outra. Seu anfitrião não parecia ter notado sua presença, por isso Draco se deixou ficar mais um pouco ali, parado, com as mãos nos bolsos enquanto observava o outro cozinhar. Imaginou-se caminhando até ele e abraçando-o por trás, sentindo seu cheiro de banho tomado, beijando-lhe a nuca exposta antes de roubar-lhe um beijo de bom dia, porém ainda permanecia imóvel quando o moreno virou-se para levar as travessas até a mesa.

"Ah... Aí está você..." Harry falou, depositando os ovos, o bacon e as panquecas na mesa antes de acenar para as cadeiras mais próximas. "Café da manhã?"

"Você não tem que trabalhar?" Draco perguntou arqueando uma sobrancelha.

"Tirei folga hoje," ele esclareceu ajeitando os óculos e encolhendo os ombros. "Às vezes tenho que trabalhar aos finais de semana."

Ele continuava em pé ao lado da mesa, esperando. Draco consultou o relógio. Oito e meia da manhã. Mas não era como se tivesse algum compromisso, por isso se sentou à lateral da mesa, enquanto Harry tomava o assento da ponta, depois de tirar o avental.

"Tenho certeza que você deve se alimentar muito melhor naquela mansão, mas espero que não esteja muito diferente do café da manhã de Hogwarts, pelo menos."

Draco pensou em comer apenas ovos e bacon, mas o cheiro das panquecas estava apetitoso.

"Você não tem elfos domésticos?" Draco perguntou enquanto espalhava melado sobre a panqueca, como Harry acabara de fazer.

"Tenho um, mas ele está muito velho e tenho um palpite de que não era bom cozinheiro nem em seus melhores anos," Harry torceu o nariz e tornou a ajeitar os óculos. "Além do mais, gosto de cozinhar."

"Achou os óculos, pelo que vejo," Draco falou e lançou um olhar de esguelha ao moreno, que sorriu de lado umedecendo os lábios.

"Com ajuda da sua varinha, na verdade. Pelo jeito, ela continua funcionando perfeitamente comigo," ele falou, seu olhar denunciando que o duplo sentido da frase fora intencional. "Você gostou?"

Draco levantou uma sobrancelha em questionamento, ao que ele apontou para a comida com o próprio garfo.

"Nada mau," Draco respondeu.

"Achei que a decoração do caminho até a cozinha pudesse arruinar seu apetite..."

Draco fungou.

"Minha mãe já tinha me avisado sobre o senso de estética da minha tia-avó."

"Ah, ótimo... Mas uma coisa tenho que reconhecer sobre a velha Walburga. Ela era ótima com feitiços fixadores."

Eles comeram em silêncio por algum tempo, os únicos sons provocados pelos talheres.

"Comprei um cartão para você no seu aniversário," Harry falou depois de algum tempo. "Mas não cheguei a mandar."

"Entendo." Draco percebeu o gelo na própria voz diante do novo tópico. "Você tem andado ocupado, pelo que ouvi."

Harry suspirou.

"Não sei se Astoria comentou com você, mas..."

"Sim, ela comentou," Draco interrompeu-o secamente, tornando a encher a boca. Porém já não conseguia mais achar graça na comida.

"Draco..." Harry esperou que o loiro olhasse para ele. "Foi um erro. Eu nunca gostei realmente dela."

"Claro. Ela só estava mantendo sua cama quente, certo?"

Harry esfregou os olhos por debaixo dos óculos e Draco abandonou seus talheres, limpando a boca com um guardanapo.

"Escute, Potter. Você não tem que me dar satisfações da sua vida."

"Maldição, Draco..." Harry bateu com o punho na mesa. "Algum dia você vai me chamar de Harry sem ser para implorar que eu foda você com mais força?"

Draco cerrou os dentes com força e fez menção de se levantar, porém Harry segurou seu braço.

"Espera..." Harry pareceu lutar para recuperar a calma. "Posso ver você de novo?"

"Não sei se é uma boa ideia..." Draco estava prestes a dizer o sobrenome do outro novamente, mas conteve-se a tempo.

"Me dê outra chance. Nos dê outra chance," Harry corrigiu, entrelaçando seus dedos sem deixar de encará-lo nos olhos.

Draco engoliu em seco, lembrando-se das brigas que tiveram no passado, das exigências que o moreno fizera para que continuassem juntos.

"Pot-" Draco xingou e tentou novamente. "Harry... Ainda não estou pronto para ir a público."

Na verdade, ele suspeitava que jamais estaria.

"Não tem problema," Harry assegurou. "Não vou pressionar você novamente. Podemos trabalhar isso com o tempo. Só não posso esconder dos meus amigos... Mas não se preocupe," ele atalhou, provavelmente ao perceber a apreensão do loiro. "Eles não se importam. Eles sabiam antes."

Draco franziu o cenho e baixou os olhos para a mesa, ainda incerto. Não tinha dúvidas do que queria. Queria aceitar a proposta, mas ao mesmo tempo sabia que as chances de aquilo dar errado eram grandes. E provavelmente Draco sairia machucado de qualquer maneira, no final. Talvez os dois saíssem.

"Por favor, Draco..." Harry surpreendeu-o, segurando seu queixo e debruçando-se sobre a mesa para beijá-lo suavemente nos lábios. "Não consigui parar de pensar em você. Durante todo esse tempo... Por favor, diga que sim."

Eles se encararam por um momento antes que Draco se adiantasse para beijá-lo longa e profundamente. Ouviu a cadeira de Potter se arrastando e no momento seguinte era a sua que era empurrada, dando espaço para que o moreno se ajoelhasse entre suas pernas, as mãos acariciando suas coxas antes de desafivelarem seu cinto com facilidade, expondo sua semi-ereção.

Harry levantou os olhos para encará-lo, segurando seu pênis firmemente com uma das mãos, fazendo com que seu sangue se concentrasse ainda mais nele.

"Isso é um sim?" Harry perguntou.

"Sim, Harry, sim... Porra!" Draco enfiou os dedos através dos cabelos do moreno e jogou a cabeça para trás quando Harry enfiou-o na boca quase por inteiro.

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