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*Pov. Sesshoumaru*
Após ter deixado a miko para que ela fosse descansar, segui para o escritório.
Não estava com vontade de olhar para a cara dos anciões, porém, era preciso deixar algumas coisas claras com eles a respeito da falsa ideia que eles possuíam, de que poderiam controlar com quem este Sesshoumaru irá se unir.
Eles eram como conselheiros, nada mais.
Talvez tenham se esquecido.
– Eeeek! Ssseeeeenhor Ssseessssshoumaru-sama!
Fitei Jaken, que estava caído no chão com um olhar amedrontado e arqueei uma sobrancelha.
Não perderia tempo com ele. Continuei seguindo meu caminho, tendo meu servo a meu encalço.
– Aaa perdoe este humilde servo, Sssseeeeenhor Ssseessssshoumaru-sama! Não foi minha intenção agir de forma impertinente. É que o sssenhor raramente sorri! Aconteceu algo de bom?
Olhei de canto para Jaken, assimilando o que ele dissera com o que eu estava concentrado momentos atrás, tendo o cuidado de desfazer qualquer vestígio de alegria da face, e voltei a olhar para frente.
– Irei lembrar meus anciões que eles não possuem o direito de decidir sobre a vida deste Sesshoumaru. Jaken, quero que traga General Hayato para meu escritório.
Ordenei, ignorando a reverência que o pequeno youkai fazia.
– Sssiiiim, Sssenhor Sessssssshoumaru!
Me afastei rapidamente de Jaken, virando um corredor e me pus a pensar em Hayato.
O general estava distante, mas era nítido que Hayato estava perturbado com algo, seu youki não mentia e desde que havia pisado em minhas terras, aquela sensação de que havia algo de errado com ele, só aumentava.
Ao chegar a porta, não fiquei surpreso de encontrar Lucy de braços cruzados encostada nesta. Sabia que a curandeira teria algo a me dizer, sentia o cheiro do sangue do hanyou em suas vestes, e pela sua expressão fechada eu não apreciaria em nada minha conversa com a áurea.
– Toga-sama não gostaria nada de seus filhos quase se matarem, Sesshoumaru.
Disse, displicente, e eu tratei de ignorar a ira que me crescia, pela falta de modos da youkai a minha frente.
Suspirei, sem vontade de fato de continuar aquele diálogo, e me encaminhei aos jardins para que pudesse falar à vontade com a intrometida da curandeira real.
Ela me olhou com igual sentimento e me seguiu.
...
– Muito bem, Lucy. O que tem a me dizer sobre meu meio-irmão estúpido? – perguntei, sem rodeios, quando chegamos ao jardim.
Parei abaixo de uma cerejeira e me sentei por um instante ali, o ar fresco da noite tornava o ambiente agradável. Com exceção da carranca da loira que ficara de pé a minha frente, com os braços cruzados no peito.
A conversa deveria de ser longa, sempre era.
– Primeiramente, seu irmão possui um sangue bem interessante. Toga-san realmente lhe contou tudo a respeito da mãe do hanyou, Senhora Izayoi?
Rosnei ao ouvir o nome da mulher humana, que fez com que meu pai abandonasse minha mãe. Lucy bufou, descruzou os braços e colocou uma das mãos na cintura.
– Não rosne 'pra mim, Sesshoumaru!
Desviei os olhos dos orbes de azul celeste e ela suspirou.
– Ainda preciso fazer umas pesquisas sobre isso, mas se minhas suspeitas estiverem corretas, eu irei banir a palavra "amor" de meu dicionário. Veja só a confusão que esse sentimento fez a nossos ancestrais...
Voltei a olhar para a áurea, ela sorria de forma nervosa enquanto mexia e enrolava uma mecha da franja entre os dedos. Um hábito horrível.
– O que isso quer dizer?
– Por enquanto. Nada. Eu espero que nada. – confessou, soltando o cabelo e se aproximando.
Observei enquanto ela se sentava ao meu lado e se encostava no tronco da árvore.
– Voltando ao que eu vim lhe dizer. Sei que detesta o hanyou, mas se realmente quiser a menina como sua fêmea, terá de treinar a fera dele. Pessoalmente, eu digo. Apenas um Inu pode ensinar para outro Inu. Eu poderia pedir ao Hayato, mas ele é de um clã diferente, não seria tão rápido quanto o próprio irmão lhe ensinar a domar aquela coisa.
Me virei para fitar os olhos de Lucy, apenas uma palavra pairando em minha mente. Não.
– Ara, não me olhe desse jeito, mocinho! Sabe que tenho razão! Ele é um desastre ambulante da forma que está. O cheiro de Kagome despertou algo insano nele, e você tem plena consciência do que se trata. Nós, youkais completos, temos controle total dessa nossa parte. Hanyous precisam de prática. Do jeito que ele está, nem mesmo aquela espada enferrujada será capaz de controlar a besta. Você como seu irmão tem a obrigação de o ensinar!
– Não possuo tal obrigação para com o filho bastardo de meu pai. Se era tudo o que tinha a me dizer, Lucy, eu voltarei para minhas verdadeiras obrigações. Arrume outro para tomar conta daquele inútil e tenha a certeza de que ele não cruzará meu caminho nesse meio tempo.
Ignorei o olhar feroz da youkai de feições angelicais e fui para o caminho de volta ao interior do castelo. Já era hora de resolver assuntos mais importantes.
– Kagome-sama também precisará de treinamento.
Parei para olhar para Lucy, esperando que terminasse de falar sobre minha fêmea. Como pôde deixar algo como isso para ser dito depois?
– Agora tenho sua atenção? Kagome também terá de ter um treinamento, mas no caso dela, ela precisará de mais que apenas um mestre. Precisará de três. E você será um deles, Sesshoumaru.
– Não me recuso a esse papel, mas qual seria a razão para ela precisar de três mestres? E imagino que já tenha em mente os outros dois.
Os lábios acerejados curvaram em um sorriso e eu lhe estreitei os olhos. Odiava seus joguinhos.
– No momento certo, os revelarei. Fará o que lhe pedi? Imagine que estará fazendo algo por sua fêmea, e engula esse orgulho de macho ferido de uma vez! Toga-san ficaria tão feliz se...
– Meu pai teria se remexido em seu túmulo se soubesse o que o inútil do Inuyasha fez! Não possuo mais tempo a perder com você, Lucy.
Sem esperar por mais alguma palavra, adentrei o castelo.
O desejo de sangue me possuía aos poucos. Seria uma reunião deveras interessante com os anciões e eu tinha certeza que não me contrariariam da forma que eu estava.
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*Pov. Hayato*
Faziam longos minutos que estávamos sentados um de frente para o outro.
Havia chá com alguns biscoitos a nossa frente, em uma mesinha de madeira, que eu havia pedido de antemão a uma das servas do castelo.
Kagome apenas bebericava o chá e rodava o copo entre as mãos, vez ou outra me lançando um olhar ansioso.
Ainda não havia conseguido formular as frases para dar início a aquela conversa. Eram muitas informações para que eu mesmo conseguisse anuir.
Tomei mais um gole do chá, ignorando a temperatura alta do líquido que descia queimando pela minha garganta, decidindo que talvez o melhor modo fosse ser direto com ela.
Enxuguei o canto da boca com a manga de minhas vestes e fitei os olhos azuis da outra.
Tão semelhantes...
– Antes de mais nada, bela dama, precisa saber que o que descobri talvez não chegue nem perto de toda a verdade. Porém, já é o suficiente para conseguir, pouco a pouco, montar parte do quebra-cabeça.
A jovem apertou o copo entre os dedos, pousado em seu colo e confirmou com a cabeça para eu prosseguir.
– Bem...já sabe que faz parte do mesmo clã que eu, o Clã da Lua Minguante. Nosso clã dominava todo o Sul e possuía aliança com clãs do Norte e do Oeste.
"Meu avô era o Senhor das Terras do Sul. Havia também um Senhor das Terras do Norte e o Senhor das Terras do Oeste, que na época, era o pai de Toga-sama. Avô de Sesshoumaru-sama.
Observei os olhos da jovem a minha frente se arregalar com a informação e abaixei os olhos, pois não seria fácil contar toda aquela tragédia para alguém que já havia sofrido tanto.
Com coragem, tomei mais um gole do chá, pensando com cuidado nas próximas palavras e depositando o copo na mesinha.
– Então...você é um príncipe, Hayato? – perguntou, pensativa e eu só pude sorrir levemente.
Príncipe. Aquele título não me servia de nada sem minha família.
– Sim, podemos dizer que sou, bela dama. Mas como vê, não possuo mais nada além de um velho título esquecido e meu posto como General da guarda real, daqui, das Terras do Oeste.
– O que houve para que...
– Há coisas que talvez não sejam necessárias saber, Kagome-sama. – a cortei, sem a intenção de soar frio.
Mas aquele não era o rumo que eu queria tomar para esta conversa.
– Desculpe.
Pediu, com o olhar baixo e eu me arrependi da grosseria para com a doce princesa.
Sim, Princesa.
Ela ainda não sabia e talvez tivesse sido melhor se nunca soubesse, mas infelizmente o destino a trouxera até esta Era novamente e não cabia a mim controlar as amarras do destino.
– Não, me perdoe, Kagome-sama. Não há mal nenhum em perguntar... – suspirei, não seria mesmo fácil.
– ...Não sou um homem de enrolações, bela dama, mas este é um assunto delicado. Por favor, tenha paciência.
A outra meneou um sim com a cabeça e voltou a bebericar o líquido do copo de suas mãos. Aguardei que ela voltasse sua atenção a mim, reunindo o fôlego que me faltava.
– Talvez tenha percebido, talvez não, mas tem vezes que a chamo de Kagome-sama e não de bela dama. Sabes por quê? – ela negou com a cabeça e eu continuei.
– É porque a senhorita, Kagome-sama, é a atual Princesa das Terras do Norte. Princesa da Lua Minguante do Norte.
– O-o qu...como? Não! Hayato, isso não faz nenhum sentido!
Eu sabia que ela poderia ter essa reação, entrar em negação. Eu mesmo não acreditava em tudo aquilo.
– Agora não faz sentido, mas tenho certeza que iremos assimilar as informações em breve, Kagome-sama.
– Hayato. Então você é o Príncipe das Terras do Sul? Já que seu avô era o senhor daquelas Terras. Estou certa?
– Sim, está correta.
Ainda haviam muitas coisas a respeito dos Senhores das Terras. Mas talvez fosse preferível falar aos poucos.
– É por isso que...somos tão parecidos, Hayato-kun? Sabe, na minha família, da Era de onde eu vim, apenas eu tenho olhos azuis. Até mesmo esse escuro profundo e quase azulado do cabelo, apenas eu nasci assim.
– É uma característica de nosso clã, assim como no clã de Sesshoumaru-sama eles possuem cabelos prateados e olhos dourados. No Clã da Lua Minguante dos Inus do Sul, possuímos olhos de um azul profundo e cabelos tão negros quanto a noite.
Olhei para ela, que parecia fascinada com o próprio cabelo, me lembrando de um detalhe importante.
– Kagome-sama, se importaria de se virar e abaixar seu kimono?
Um silêncio constrangedor se instalou, enquanto que a jovem mantinha um olhar desacreditado na face.
Tentei decifrar os pensamentos dela com aquele silêncio, mas fora em vão.
Por que ela não me responde?
– Hayato-kun, será possível que...
– Uhn? Sim?
– ...é um pervertido assim como o Miroku-sama?
Levou alguns segundos para que eu entendesse a comparação óbvia que ela me fazia com o amigo monge, e precisei de muito esforço para não me levantar e ralhar com a jovem.
– Não! Kagome-sama, não é hora de piadas!
– Eu que digo que não é hora de piadas, Hayato-kun! Que diabos está me pedindo?!
– O sinal de nascença! Eu te mostrei o meu, lembra? Na base do pescoço, nas costas! É provável que após Hanna ter sido liberta do lacre, o sinal também tenha retornado. Seria mais uma prova incontestável de que realmente é a Princesa perdida de nosso clã! Todos do clã possuem a Lua Minguante..., mas apenas a sua deve ter um detalhe especial.
– Princesa perdida?
Ah, merda! Falei demais. Ainda não era hora para tocar nessa parte!
– Mais importante que isso, bela dama, é de suma importância que eu veja esse sinal, então, com sua licença...
Eu estava necessitado de ver se ela possuía de fato o selo da família real, dos Inus do Norte, que a tornava ainda mais palpável. Por isso, não achei errado ir até ela e agarrar a barra superior de seu kimono, na intenção de puxá-lo para baixo.
– O que pensa que está fazendo, Hayato?!
Ela segurou minhas mãos, liberando sua energia espiritual para me queimar e eu me senti ainda mais incentivado.
Uma princesa tão forte era o que precisávamos!
A virei de costas, para ter total visão de seu pescoço, enquanto a mesma liberava ainda mais seu poder puro para me afastar. Rosnei com a sensação de dor que aquilo causava em minha pele, mas eu só precisava afastar o cabelo para ter certeza!
– Está passando dos limites, Hayato-kun! Eu não responderei por mim se contin...
Com um só movimento, usando as costas de minha mão, afastei os fios do caminho e meus olhos se expandiram em surpresa.
– Achei...
– Hayato-kun!
– O QUE PENSAM QUE ESTÃO FAZENDO?!
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