Dragon Ball não me pertence

CAPÍTULO 19

Perdida e sozinha

"Há alguém tentando me encontrar?

Alguém me virá levar para casa?

É uma maldita noite fria. "

Estou com você, Avril Lavigne

Bulma caminhou um pouco, pois o banheiro era um pouco longe de onde seus amigos estavam.

- Pare aí, garota. - ela ouviu um guarda-chuva dizer, mas continuou andando pois parecia que não era com ela.

Só senti quando foi agarrado pelo braço. Dois homens que ela não conhecia, parecendo soldados, um olhavam irritados.

- Você vem com gente. - um deles falou já puxando-a.

Bulma sinceramente não entendeu o que homens queriam com ela, pareciam soldados, mas ela não os conhecia do castelo.

- Ei, vocês não podem me levar ... - ela disse tentando desviar as mãos do que você disse.

Mas isso fez ou disse que abrir seu braço com ainda mais força e ela sentiu doer.

— O que eu fiz? - ele perguntou indignada sem entender o que se passava.

— Invasão de espaço privado, agressão e roubo. - um dos guardas falou sério enquanto a puxava.

Bulma ficou atordoada, ela não tinha feito nada daquilo. Talvez, apenas a parte da agressão, mas não era motivo para levá-la, brigas entre garotas aconteciam todos os dias. Enquanto a puxavam, ela esperneou, pediu para chamarem seus amigos, mas os guardas não a escutaram, apenas a levaram até um lugar que ficava vizinho ao restaurante onde estavam, era um prédio cinza. Quando adentraram havia um pequeno escritório e, o que assustou Bulma completamente, havia uma cela. O lugar parecia um pequeno posto policial.

— Ei, eu tenho o direito de me defender! Vocês não podem fazer isso comigo! - Ela gritou quando jogaram-na de qualquer jeito no chão.

— Ah, por que não gatinha? - entrou outro guarda que parecia ser o chefe. Um sujeito gordo, barbado, com aspecto sujo. Ele sentou-se atrás de uma mesa a frente de onde Bulma estava. - Estou cansado de vocês, garotas imundas. Ficam invadindo os eventos pedindo, roubando, se prostituindo...

— Mas, eu não estava fazendo nada! me deixe explicar! - ela quase implorou, assustada, olhando o sayajin que sentava confortavelmente na cadeira a sua frente.

— Se você não é nada disso, me diga quem você é, então.- ele desafiou- Por que o que sei é que você agrediu, ameaçou e roubou duas damas muito importantes. - ele falou acendendo um charuto que cheirava mal e soprando-o na direção de Bulma, ela tossiu um pouco e os dois outros guardas riam dela.

— Eu não fiz isso! - Bulma gritou. - eu estou aqui com meus amigos!

— E quem é você, então? - o gordo falou irritando-se.

— Eu...eu – ela gaguejou, não sabia o que dizer. Quem era ela? A filha adotiva do rei? Uma agregada? Uma empregada? Ela não sabia.- Eu... eu trabalho no castelo. - Ela falou lentamente.

— Ah, tá. - o gordo disse incrédulo - E qual seu nome? Onde estão seus amigos?

— Meu nome é Bulma... Bulma Briefs. - ela falou aliviada por ele ao menos ouví-la. - Meus amigos se perderam de mim quando esses malucos me puxaram. - falou apontando os dois guardas magrelos.

— Bulma Briefs... vamos ver aqui no computador. - o guarda falou pesquisando em um pequeno computador a sua frente. - Ah, aqui está. Bulma Briefs filha do Dr. Briefs, assassinada junto com os pais a dezenove anos - ele leu o que tinha na tela - Ah, eu lembro disso... Você não é Bulma Briefs. – ele levantou a cabeça, zombando dela. - Bulma Briefs morreu junto com os pais em uma tentativa de sequestro, todo mundo sabe disso, o pai dela era chefe de tecnologia e o rei declarou luto mundial por dois dias.

— Um soldado amigo meu disse que viu quando o general Bardock tirou o corpo da garotinha dos escombros, até acharam que estivesse viva, mas pelo jeito, ela morreu logo depois, assim como os pais. - falou um dos guardas que tinham trazido Bulma.

— Como você me explica isso, garota? - chefe a interpelou.

Bulma não soube o que dizer, estava chocada com aquela versão de sua vida, imediatamente achou que os arquivos estavam adulterados, gritou que aquilo tudo era uma grande mentira. O guarda fez questão de mostrar a tela do computador para zombar da garota. Ela não entendia por que os arquivos da polícia estava errados, ela tinha certeza que seus pais tinham morrido em um acidente espacial. Achou que não teria saída. Então desesperou-se.

— Isso tudo é grande absurdo! Eu vou sair daqui. - vendo que os dois guardas magrelos estavam um pouco afastados, tentou correr para a saída. Foi quando sentiu uma pancada na cabeça e tudo ficou escuro.

— Vocês, o quê? - Vegeta perguntou em choque quando Kakkarotto voltou ao camarote e contou-lhe que não conseguiram achar Bulma em lugar nenhum depois que ela saiu para ir ao banheiro no restaurante.

— Kakkarotto, seu imbecil irresponsável! - ele gritou irado dando um soco no rosto de Kakkarotto que o derrubou no chão, isso chamou a atenção de algumas pessoas no camarote, exceto de seu pai e Bardock que já estavam muito altos, as pessoas apenas olharam não se envolvendo na história. - eu devia te matar por me desobedecer, seu imbecil! - Vegeta continuou gritando para Kakkarotto que o olhava do chão, com cara envergonhada. O príncipe estava irado e tenso, muito preocupado com a cientista. - Só não vou matá-lo por que preciso de sua ajuda para achá-la. E é bom que nós a encontremos, do contrário você vai ver...

Kakkarotto levantou-se e fitou o príncipe ainda muito envergonhado, não tinha se preocupado com o soco, nem com o que Vegeta faria com ele se não achassem Bulma, estava preocupado com ela e em achá-la a salvo.

— Vamos procurá-la, imbecil. - Vegeta rosnou quando Kakkarotto já estava de pé- Já olharam no quarto dela? Perguntaram aos criados? Olharam no laboratório? - ele perguntou ainda com raiva, saindo do camarote, sendo acompanhado por Kakkarotto e pelos soldados de sua escolta que o seguiram.

— Procuramos em todos esses lugares, Vegeta. - Kakkarotto falou desanimado enquanto seguia o príncipe. - não teria vindo falar com você se eu já não tivesse tentado de tudo.

— Kakkarotto, você é um idiota completo! - ele falou com raiva segurando-se para não dar outro soco no amigo.

Quando passaram pelos corredores não notaram que Maron os observava da porta da enfermaria da arena. Tinha sido medicada pois seu nariz estava muito inchado e foi preciso colocá-lo no lugar, iria para casa pois seu nariz estava horrível, mas apesar de tudo, sorriu satisfeita, torcendo para que não encontrassem a plebeia tão cedo. E se tudo corresse como planejou, não encontrariam. Pensou que valeu a pena a pequena fortuna que pagou para aqueles dois guardas idiotas para que prendessem a plebeia e a enviassem o mais rápido possível para a prisão do distrito. Ninguém a encontraria naquele lugar.

— Espero que só a encontre na forca, querido príncipe. - ela falou com um sorriso olhando Vegeta e Kakkarotto desaparecerem numa curva no corredor.

— Eu quero cada centímetro desse lugar esquadrinhado, entenderam? - Vegeta falou para um grupo de guerreiros após explicar que deveriam procurar sua chefe de tecnologia que poderia ter sido sequestrada, foi a melhor história que conseguiu inventar. Kakkarotto mandou homens para procurá-la em todo o entorno do castelo e pediu que alertassem postos de comando por todo o planeta.

Pouco depois, Vegeta voltou ao restaurante do lado de fora da arena, acompanhado por Kakkarotto e outros guardas de sua escolta pessoal. As pessoas ficavam surpresas por vê-lo ali no meio da multidão, já que o príncipe não misturava-se com o povo com frequência, todos faziam reverência ao soberano ainda mais impressionados por que aquele era o super sayajin da lenda. Vegeta nem os olhava, seu olhar apenas tentava encontrar em qualquer lugar um certo cabelo azul, seus sentidos estavam concentrados em procurar um ki frágil que ele reconheceria em qualquer lugar.

— Está sentindo esse cheiro? - o príncipe perguntou à Kakkotto quando chegaram ao restaurante anexo as arenas.- É o cheiro dela.

— Sinceramente, não. - Kakkaroto falou bobo, sem entender como Vegeta conseguia sentir um cheiro específico no meio daquele monte de cheiros no restaurante, ele só conseguia sentir cheiro de comida - Mas o que importa? não estamos sentindo o ki dela. - Kakkarotto disse preocupado.

— O cheiro dela está aqui, Kakkarotto. Dê instruções para que os soldados a procurem. - o príncipe disse sério.

Os guardas do posto policial da arena que ficava bem ao lado do restaurante, observavam o movimento de soldados do exército real por ali.

— O que acha que esses imbecis andam procurando? - o guarda mais gordo perguntou.

— Não sei, talvez algum fugitivo. - um dos guardas magrelos falou entediado.

— Não vamos nos meter, então. - o guarda gordo falou - Se eles não pedem nossa ajuda, nós é que não vamos nos oferecer , eles nos consideram de terceira classe, e depois, quem leva os créditos com o rei são só eles mesmo.

— Ei, Calen, - o mais gordo chamou um dos subordinados ao ver o príncipe sair do restaurante. - aquela não é a comitiva do príncipe?

— É, sim, Cop. - um dos magrelos respondeu - O que será que o traz por aqui? tem algo estranho acontecendo...

— Eles estão vindo pra cá, Calen. - o outro guarda magrelo falou nervoso.

— Poste se direito então. - o gordo falou pondo-se reto.

O príncipe, Kakkarotto e sua pequena escolta aproximaram-se do posto policial do lugar. Os três guardas fizeram uma reverência quando o grupo se aproximou.

— Estamos procurando uma pessoa. - Vegeta falou austero olhando imponente os guardas.- Kakkarotto, mostre a foto a eles.

Kakkarotto mostrou uma foto de rosto de Bulma, para o guarda gordo. Ele reconheceu a garota que havia prendido mais cedo.

— Sim, nós a vimos. - Cop falou com importância.

— E onde ela está? - Vegeta perguntou sem conter a ansiedade.

— Está presa. - Cop falou com um pouco de receio.

— Presa? - Vegeta perguntou enfurecido. - vocês prenderam essa garota? - disse irado apontado a foto.

— A-alteza – Cop falou encolhido com medo. - ela foi denunciada por roubo, ameaça e agressão e além de tudo usava uma identidade falsa, estava se fazendo passar por Bulma Briefs.

— Ela é Bulma Briefs, imbecil.- o príncipe gritou enfurecido, já pegando Cop pelo pescoço. - Mostre-me a garota agora ou morrerá.

Os dois guardas magrelos observavam a cena encolhidos e olharam-se em pânico. Haviam recebido dinheiro para prender a garota, mas não sabiam que era um protegida do príncipe, estavam aliviados por não terem contado ao seu chefe Cop, por que se o príncipe descobrisse, na certa, eles iriam para a forca, ou coisa pior.

— Ela não está mais aqui, majestade. - Cop falou ainda com medo. - foi enviada com outras presas para a prisão do distrito.

— Como a mandaram tão rápido para a prisão do distrito? Eu devia matá-los por isso.- Vegeta gritou ameaçando os guardas que recuaram.

— Havia uma remessa de presos e ela estava tentando fugir...- Cop explicou enquanto Vegeta agarrava em seu pescoço quase o enforcando.

— Claro que ela queria fugir, verme idiota. - ele gritava. - ela é inocente! A criatura mais inocente depois do idiota do Kakkarotto! - ele falou com raiva mais alguns guardas da escoltam sentiram vontade de rir.

— Calma, Vegeta. - Kakkarotto falou ao ouvido do príncipe com medo que ele matasse o guarda. - depois você os castiga. Vamos procurar Bulma, cada minuto que passamos aqui é um minuto que ela passa na prisão do distrito, e nós dois sabemos como são as coisas por lá.

Esses argumentos fizeram Vegeta soltar o policial, ele lembrou-se da terrível prisão do distrito real, que ele visitara algumas vezes com o pai. Sabia que os sayajins que cuidavam de lá eram o pior tipo que ele tinha conhecido. Lá haviam torturas, agressões e estupros. Largou o guarda no chão.

— Castigue-os. - Ele disse para um de seus guardas e retirou-se com sua escolta.

Bulma acordou em um chão frio, sua cabeça doía bastante. Pegou em sua têmpora direita e olhou para a mão suja de sangue. Havia recebido uma bruta pancada. Primeiro não entendeu onde estava, depois lembrou-se que foi presa e imaginou que ali deveria ser a prisão. Viu que estava em um calabouço com pelo menos mais dez garotas, quase todas de sua idade. A luz era pouca e elas vagavam por aquele espaço como zumbis.

— O que você fez? - perguntou uma garota loira que vestia um vestido provocante muito curto e com decote e estava sentada ao lado de Bulma.

— Eu não fiz nada. - Bulma falou sem olhá-la, muito atordoada pela dor de cabeça.

— Ah, tá. Ninguém aqui fez nada, queridinha. - a garota falou com sarcasmo e outras garotas que estavam perto riram.

— Você não parece prostituta...- a garota falou olhando-a. - Então, o que aprontou?

— Eu bati numa piranha. - Bulma falou olhando pra frente vendo que falava com uma garota loira muito bonita, lembrou-se do soco que dera em Maron e tentou sorrir. - Bati numa piranha de sangue nobre. - completou.

— Ah, então você fez alguma coisa – a outra disse rindo. - está arrependida?

— Nem um pouco. - Bulma falou após pensar por um minuto. A cabeça doendo mais e mais.

— E por que você bateu nela? - a garota perguntou interessada.

— Ela implica comigo, por ciúmes. - falou pegando na cabeça, sentindo-a latejar mais.

— Ah, entendi. É sempre assim, essas dondocas de sangue azul se acham tão superiores a nós, mas é na cama das plebeias que os maridos delas vêm se esquentar...

— Como a gente faz pra sair daqui? - Bulma perguntou olhando a pesada porta do calabouço.

— Se você tiver dinheiro para pagar a fiança, sai rapidinho. - a loira explicou - Se não tiver, você pode agradar um dos guardas, que ele te livra. É o que eu sempre faço, por que nunca tenho dinheiro...

— Agradar, como assim?

— Você trepa com eles. - a garota falou sem pudor.

— E se eu não quiser fizer isso? - Bulma perguntou chocada com o modo de falar da garota.

— Ah, garota, aí você vai passar um bom tempo aqui, e acredite, eles não são bonzinhos, se você não for boazinha com eles. Mas eu lhe aconselho a colaborar com eles – ela falou olhando o corpo de Bulma sob a camiseta e a calça agora imundas. - menina, com esse corpinho aí e essa sua carinha de virgem, você consegue o que quiser aqui dentro. - brincou.

Bulma escutava, mas a voz da garota parecia mais distante a cada momento, a cabeça ainda latejava, principalmente no lugar da pancada. Não conseguiu vislumbrar uma saída. Pedia a Kame que seus amigos a tivessem procurando, mas não pôde deixar de sentir medo, pois se eles tivessem mesmo procurando-a, já deviam ter lhe achado. Confiava em Kakkarotto, que era leal e ia procurá-la com certeza, ou talvez não. Pensamentos horríveis tomaram sua cabeça. E se nunca a achassem? pensou no desespero. Se ela tivesse que ficar ali pra sempre sendo prostituta dos guardas como aquela garota que conversou com ela? Será que o rei e o príncipe sentiriam sua falta? Talvez o rei sentisse por causa de seus projetos científicos. Talvez o príncipe ficasse aliviado com seu sumiço. Se ao menos tivesse como contatar alguém... Lá fora, o dia já amanhecia. Sentiu a cabeça pesada novamente, deitou-se encolhida em um canto da cela. Sua cabeça parecia pior, começava a latejar ainda mais. Ela adormeceu quase imediatamente.

- Ei menina, não durma. - a loira falou ao ver Bulma deitando-se. - Você levou uma pancada na cabeça que não pode dormir. - ela sacudiu Bulma mas não recebeu resposta, um cientista já apagado completamente.