"Não sei o que os caminhos da vida nos reservam, mas tenho certeza que para onde quer que vá, levarei você no meu coração".

Capítulo 19 – Segunda paixão.

Eu realmente não estava esperando por aquilo, nem nos meus melhores sonhos Sasuke me beijaria ali naquela hora. Fui pega totalmente de surpresa e quando a língua dele pediu passagem, eu não resisti. Que mulher resistiria! Eu sonhei com aquilo várias vezes, mas em nenhuma delas eu pensei que seria daquele jeito. Uma das mãos de Sasuke acariciou a minha cintura fazendo com que pequenos tremores surgissem em cada pedacinho que ele conseguia alcançar. Com aquela mão enorme, ele me puxou, me trazendo mais para perto – como se fosse possível – praticamente fundindo nossos corpos me fazendo sentir cada canto de seu corpo largo e atlético.

Ele me beijava doce e ferozmente, calma e freneticamente. Eu me apoiava em seus ombros largos, pois minhas pernas estavam extremamente frágeis e tinha medo de cair. Eu comecei a perder a respiração e Sasuke desacelerou o beijo que terminou com suaves selinhos. Ele não me afastou, me manteve ali, presa a seu corpo, a testa colada na minha enquanto também recuperava o ar.

Sasuke me soltou com muito esforço e saiu do carro abrindo a porta para mim. Ele me estendeu a mão e eu a peguei trêmula. Aquele homem me deixava maluca, era capaz de esquecer de como respirava. Fechou a porta e me prendeu entre o carro. Seus olhos escuros analisavam os meus indo até a minha boca.

— Eu fiz de tudo… tudo para evitar isso, mas esse seu jeitinho… — a frase morreu no ar enquanto ele acariciava meu rosto.

— Por que evitar? Foi tão ruim assim ficar com a sua assistente?

— Não, claro que não. — ele ergue meu queixo a fim de aproximar ainda mais meus lábios dos dele. Podia sentir seu hálito quente em minha pele. — Queria ter feito isso há mais tempo, mas eu não podia. Eu não posso, foi um erro. — aquilo doeu — Mas mesmo sabendo disso eu não consegui evitar.

— Um erro? — disse magoada me afastando dele.

— Não posso deixar você entrar na minha vida assim, Sakura.

— Por quê não?

— Eu já te expliquei. — Ele passou as mãos pelo cabelo exasperado. — É perigoso.

— Ah para com isso! — esfreguei meu rosto com uma das mãos. Ainda estava molhado devido as lágrimas anteriores — Não estamos mais no jardim de infância. Fala a verdade.

— Eu tô falando. É para te proteger. — exasperada, desencostei do carro erguendo a cabeça para me perder naquela imensidão escura de seus olhos.

— Você não pode me beijar desse jeito e depois me deixar no mais completo escuro. — ele desviou os olhos e se manteve calado. — Por que não pôde viver a sua segunda paixão? — ele continuou calado — Por que me beijou se está apaixonado por outra mulher? — ele me olhou e franziu o cenho.

— Outra mulher?

— É, você disse que… — ele me interrompeu.

— O que aconteceu à cinco segundos atrás não te deu nenhuma dica de quem seria essa mulher? — seus olhos brilhavam e ele me olhava com profundidade, eu não queria me iludir, mias do que eu já estava. Mas ainda não fazia sentido ele me beijar daquele jeito. — se você ainda ficou com alguma dúvida eu acho que não fiz isso direito. — riu nervoso e me beijou novamente. Sim, ele me beijou novamente.

Meu corpo se chocou com o dele e seus braços percorreram cada centímetro das minhas costas, cabelos e braços. Eu ainda não tinha recuperado totalmente a respiração, mas ainda assim não consegui me negar ao segundo beijo. E assim como o primeiro, enviou cargas elétricas a todo o meu organismo e, de repente, parecia que eu tinha borboletas no estômago. Eu nunca havia sido beijada assim. Tinha fogo, paixão e desejo. Ele me abraçava e me beijava fazendo que todo o meu mundo girasse em torno daquele beijo, daquele homem. Aquele homem que estava apaixonado por mim.

— Sou eu? — ele assentiu abrindo um sorriso enorme — Mas… não faz sentido.

— Não. Não faz. Mas é isso, e é um saco. Se a minha vida fosse outra, eu te convidaria para jantar, te levaria ao cinema, roubaria alguns beijos e… sei lá, eu me permitiria ser feliz fazendo você feliz. — sua mão escorregou do meu rosto e caiu na lateral de seu corpo e ele desviou os olhos — Mas essa é a minha vida e eu não posso fazer isso. Já arrisquei muito.

— O que aconteceu?

— Não importa. Pode ser tarde demais para mim, mas para você não é.

— Não é tarde demais para você. Nunca é tarde demais. Sempre podemos tentar de novo. Nunca é tarde para recomeçar.

— Para quê recomeçar se o final pode ser o mesmo?

— Mas pode não ser. Você só vai saber se tentar — ele sorriu tristemente.

— Eu fui muito ousado hoje, me perdoe se…

— Não pede perdão! Não faz isso! Não me magoa assim.

— Desculpa, não era a minha intenção te magoar, eu nunca sei o que dizer ou o que fazer perto de você. Mas sobre o beijo, não vai mais se repetir, eu prometo. Você poderia esquecer isso? — nem se eu quisesse eu poderia — E sobre eu estar apaixonado por você, esquece isso também. Não vai mudar nada.

— Sasuke, não faz assim. Deixa que eu… — fui interrompida por uma voz.

— Sasuke? — nos viramos e encontramos Naruto nos encarando, a mão de Sasuke ainda estava em minha cintura e tenho certeza que Naruto viu.

— O que faz aqui? — Sasuke perguntou e Naruto me olhou como se implorasse para que eu não contasse que ele estava saindo com Ino, eu não contaria, jamais arriscaria o emprego de minha melhor amiga.

— Ino esqueceu um documento na empresa, fui o último a sair então trouxe para ela.

— Hum… — Sasuke pareceu engolir a desculpa.

— E vocês? Estou atrapalhando alguma coisa?

— Não. — Sasuke disse rápido tirando a mão de minha cintura e não convenceu Naruto.

— Sasuke me ajudou com um problema hoje — Olhei para as minhas próprias mãos. Só de pensar na perseguição pelas ruas de São Paulo já me dava um calafrio.

— Que problema?

— Um maluco me perseguiu de carro, mas já estou bem. — respondi.

— Conseguiu ver a placa do carro? — ele diminuiu a distância entre a gente e ficou encarando Sasuke e a mim com cara de preocupado. — Conheço uns amigos na polícia, se souber a placa a gente pode ir lá fazer um BO.

— Na hora do nervosismo eu não consegui ver nada, só sei que o carro é preto.

— Por ora não há mais nada a ser feito. — Sasuke virou para mim — Eu vou indo então. Se cuida.

— Ai, me dá uma carona. Meu carro estragou — Naruto deu um sorriso amarelo, e Sasuke assentiu — Até amanha Sakura — e então eles partiram.